quinta-feira, 8 de maio de 2014

Eleições: conversa entre presidenciáveis finalmente fica clara – por Folha de S.Paulo / Jornal GGN / Blog do Nassif

Nome aos bois - por André Singer (Folha de São Paulo)

     Por um momento o debate político voltou a ter a nitidez anterior a 2002. Tudo começou com a frase, surpreendente pela franqueza, que o pré-candidato do PSDB Aécio Neves soltou a empresários em São Paulo. O neto de Tancredo disse estar "preparado para tomar as decisões necessárias, por mais que elas sejam impopulares" (Folha, 2/4). Dez dias depois, o coordenador do programa econômico do senador, Armínio Fraga, não só confirmou a declaração como deu algumas pistas do que ela significa (O Estado de S. Paulo, 13/4).

     Outra quinzena transcorrida, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos principais formuladores da chapa Eduardo Campos-Marina Silva, reconheceu em um encontro na Globonews (26/4) não haver, entre os que pensam o programa da dupla socialista-sustentável qualquer diferença importante em relação à equipe tucana, no que diz respeito à economia brasileira.

     Por fim, na véspera do Primeiro de Maio, a presidente Dilma Rousseff, provável candidata do PT, foi à TV responder aos adversários. Numa alusão clara à "coragem" aecista, Dilma prometeu que o seu governo "nunca será o da mão dura contra o trabalhador".

     O que está em jogo nos movimentos acima descritos é a posição das candidaturas majoritárias a respeito da necessidade de se fazer um ajuste de caráter recessivo no país em 2015. Há uma espécie de frente ampla capitalista em torno de tal perspectiva, que se expressa nas menções, cada vez mais comuns, às pretensas "dificuldades" que aguardariam o Brasil no ano que vem.

     Segundo Armínio Fraga, na entrevista supracitada, é preciso adotar um controle estrito do gasto público, adotando-se, talvez até em lei, um limite de dispêndio em relação ao PIB. Não é difícil perceber que tal enxugamento reforçaria o combate à inflação pela via do corte de demanda, já em curso por meio dos juros altos que o BC determina, satisfazendo, assim, o anseio do mercado por um choque.

     Também Eduardo Campos acha que "é imperioso recuperar a confiança dos investidores" (bit.ly/SiyI8Y). Embora se arrisque menos que Aécio no sincericídio, como convém a uma opção de centro, o compromisso do neto de Arraes não é muito diferente do assumido pelo neto de Tancredo. Haja vista a defesa que primeiro tem feito da independência do Banco Central.

     Empurrada pela queda nas pesquisas, Dilma deu um passo na direção oposta ao anunciar que vai continuar a valorização do salário mínimo, reajustará a Bolsa Família e a tabela do Imposto de Renda. Tais medidas implicam aumento do gasto. Resta saber se tal disposição se aprofundará ao longo da campanha e, sobretudo, se tomará corpo no próprio governo, em caso de vitória. Seja como for, por agora a conversa ganhou alguma clareza.

Diminuir salários e empregos no Brasil é pena de morte - Por SergioMedeirosR (Jornal GGN/Blog do Nassif)

     Adotar as medidas impopulares do PSDB e do PSB de Campos, de cessar a política de aumento real do salário mínimo e do pleno emprego, significa, de pronto, condenar alguns milhões de brasileiros à morte.

     Tudo em nome do mercado.

     A diferença entre a política econômica atualmente adotada no Brasil, em relação ao salário mínimo e ao incentivo à criação de empregos, e a do resto do mundo, é centrada em dois pontos básicos, enquanto no Brasil temos pleno emprego e valorização real dos salários, nos demais países (Europa e Estados Unidos como base de comparação) vemos um desemprego em massa e a contínua retirada de direitos sociais...

     Tal realidade pode ser facilmente aferida em países da Europa, sendo os exemplos mais candentes o da Espanha, Grécia, Portugal Itália França...

     No governo anterior, FHC-PSDB (1994-2002), para não levar adiante uma política de aumento real do salário mínimo, este afirmava  que o aumento de salário gerava inflação e desarrumava as contas públicas.

     Isso significava a manutenção de milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza (que nada mais é que uma sentença de morte com requintes de crueldade – ou pior, a subraça que estava se formando pelo desenvolvimento mental incompleto, pela falta de ingestão diária de nutrientes básicos, em outros termos, pela falta de comida).  

     A política do governo Lula e Dilma desmentiu tal teoria de FHC/PSDB e de economistas como Armínio Fraga (ligado ao PSDB) e outros ..

     Durante os Governos Lula Dilma – 2003 a 2014, o salário mínimo teve um aumento real acima da inflação de mais de 73 por cento, e o Brasil não quebrou nem deixou de se desenvolver, nem a inflação estourou a meta (no último mandato de FHC, a inflação foi bem maior que a atual, que a mídia diz, de boca cheia, que está alta).

     Ainda, algo tão ou mais importante, tal política não se encerra na questão atinente ao salário mínimo.

     É que, a valorização real do salário mínimo não se reduz somente a esfera do salário mínimo, o aumento deste influencia diretamente no aumento das demais faixas salariais, ou seja, o aumento do salário mínimo faz com que, efeito cascata, os demais salários acima deste patamar também aumentem.

     Reitero, não somente o salário mínimo, mas todos os salários, sejam os percebidos junto a iniciativa privada, sejam junto ao setor público, também aumentaram em termos de valores reais, na contramão do resto do mundo.

     E aí, eis o paradoxo, chega perto das eleições e, a maior parte das categorias profissionais, enganada pela mídia oficial e lideres oportunistas, apesar de terem tido aumentos acima da inflação... reclama porque seu salário não aumentou na mesma proporção do salário mínimo.

     Ora, o que realmente importa é se os salários aumentaram mais que a inflação, se o poder de compra aumentou, se existem empregos disponíveis para quem queira trabalhar... isso é o que importa...

     Frisa-se... Vejam a Europa, com toda a riqueza, com todo o poderio econômico... lá, indiscutivelmente (é fato incontroverso) existe uma crise sem precedentes de falta de empregos...Na Espanha chega a quase 30%....

     Enquanto isso no Brasil há pleno emprego.

     E aí, novamente, vêm estes políticos oportunistas, e seus economistas de plantão, dizerem que o Brasil não pode dar aumento real de salários porque isso está inibindo o crescimento da economia.

     Ora, muito pelo contrário, o Brasil é a prova concreta que aumentar salário não gera inflação, mas sim aumenta a produção interna e reduz a desigualdade.

     Eles sabem disso, mas o que eles querem é aumentar a margem de lucro, principalmente externa, por isso o desprezo pela atual política de valorização dos salários e pleno emprego.

     Em outros termos, os ricos passaram a ganhar um pouco menos com este crescimento moderado, mas a imensa maioria do povo brasileiro passou a ter melhores condições de vida, pois houve melhor distribuição dos lucros advindos da atividade produtiva.

     E aí está a questão, nem mesmo esta ínfima parcela eles estão dispostas a deixar de ganhar...

     Mas a questão não se encerra no simplismo do salário mínimo e do pleno emprego.

     A se adotarem medidas que tenham o condão de estagnarem o salário mínimo e médio e as vagas de emprego, as micro e pequenas empresas seriam diretamente atingidas e todos os trabalhadores/empresários que nelas laboram.

     O que diria este grande contingente de pequenos e microempresários se, de uma hora para outra seus clientes começassem a minguar...

     Haveria uma luta fratricida entre elas, porque ao tentarem se manter no mercado iriam cada vez mais se endividando,  até um ponto insuportável e a partir daí somente as grandes sobreviveriam.

     Todos perderiam.

     Outro ponto, os mecanismos de crédito e os incentivos para a produção e desenvolvimento, que permitiram que uma imensidade de pequenas empresas florescesse, em face da tal turbulência também cessariam...

     Por isso, pequenos empresários, vocês também pensem muito e cautelosamente... a questão não se resume ao salário dos demais trabalhadores, mas sim ao fato de que vocês dependem desta nova classe de consumidores.

     Quem vende, seja serviço ou outros produtos, vende no varejo, a muitas pessoas, aos trabalhadores e aos da hoje considerada classe média (baixa).

     Pequenos empresários, ME,... os ricos nunca foram os que movimentaram seu mercado, ainda mais o tipo de mercado de consumo que vocês desenvolvem, que necessita de milhões de clientes...

     Pensem de novo, pensem que seu sucesso depende de uma economia com pleno emprego e com capacidade para consumir seus produtos...

     Olhem seu mercado consumidor... seus clientes, e vejam como seria desastroso se estas pessoas tiverem diminuídos seus ganhos...

     E isto para todos, desde o vendedor de cachorro quente até para o vendedor de carros ou imóveis.

     Imaginem um quadro apenas um pouco desfavorável, onde um aumento do desemprego ocorra.

     Neste contexto, tirando os diretamente atingidos, os primeiros a sentirem tais efeitos são logicamente os pequenos empresários... 

     A batalha pela sobrevivência aviltará seus preços... e ainda terão que ouvir... é o mercado... é a livre inciativa...somente os capazes sobrevivem...

     Pensem um pouco... não demanda um grande raciocínio, estes são apenas alguns dados...

     Comparem estes dados com a propaganda dos grandes jornais, com as medidas impopulares que o PSDB e o PSB de Campos estão pregando (que eles dizem que são necessárias - desemprego e término dos aumentos reais de salário) e escolham cautelosamente seu destino.

2 comentários:

Luiza Souza disse...

Será q o povo n ver q o Brasil tá de mau a pior por causa de tantas corrupções? Não é salario mínino o problema.

Sugestão de Livros disse...

São informações a se refletir.