segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Picadinhas

Tanto frio que uns amigos que tinham saído do armário tão voltando.
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Ele pode ser um grande reacionário, mas a filha... ah, a filha esta completamente socializada... (Millôr)
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Dizem que acordar cedo deixa você mais disposto. Só se for disposto a voltar pra cama.
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Se você não gosta de horário político, por que assiste ao programa do PSDB no jornal nacional todas as noites?
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Dúvida: quantas barbeiragens o Massa terá que fazer para a FIA cassar a carteira dele? Se fosse o DETRAN, já estaria no curso de reciclagem.
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ESPN: A situação do Flamengo no Brasileirão é tão crítica que o advogado do Flumimense não aceitou a causa.
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Que ironia! Antes da copa os aeroportos eram um dos assuntos preferidos do PSDB!
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Precisamos saber de que somos feitos nós, estirpe de Caim. (Umberto Eco)
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Menos aviões e mais dinheiro caindo do céu, por favor!
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Felipão se recusou a estrear pelo Grêmio: "O uniforme do Vitória é muito parecido com o da Alemanha".
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Você percebe que o dia vai ser ruim quando acorda e não tá rico.
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Matemática: "259 x sua idade x 39 = ?". Faça a conta e divirta-se.
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Se você pode se dar ao luxo de comer 3 refeições por dia, durante 3 semanas seguidas, você esta no top 15% das pessoas mais ricas do mundo. Consequência desse brilhante regime que é o capitalismo.
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Estado de Minas: Aécio vai criar o bolsa-minha-família!
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A guerra é o suicídio da humanidade. (Papa Francisco)
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A situação da Ucrânia exige uma releitura da história repaginada da Europa a nível de continente globalizado. (Marina Silva, brilhante como sempre)
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Esconder um helicóptero conseguiram... Mas um aeroporto seria demais.
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Não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta. (José Saramago)
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Aviso a Israel: o Brasil não bombardeia crianças.
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E percebo que não importa onde eu esteja, seja em um quartinho repleto de ideias ou nesse universo infinito de estrelas e montanhas, tudo esta na minha mente. (Jack Kerouac)
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Mais uma escola da ONU bombardeada para Netanyahu é uma coisa natural. A banalidade do mal.
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Folha se desdobra para provar que a seca pode fazer bem ao paulista. Nesta edição vem com os exemplos da Califórnia. Dirty is beautiful.
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Certeza que o Muricy e o Tite perderam a chance na seleção depois das super interpretações no comercial do Sebrae.
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A editoria de Veja passa a funcionar no comitê da campanha de Aécio Neves dentro da política de redução de custos da editora Abril.
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E numa entrevista...
Repórter: O que você gosta de ouvir?
Thelonious Monk: Eu gosto de tudo quanto é tipo de música.
Repórter: Você gosta de country?
Thelonious Monk (para um amigo ao lado): Acho que esse cara é burro.
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Qualquer semelhança do Cofre Forte do Tio Patinhas com o Templo de Salomão é mera coincidência.
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Quero café para mudar o que posso e vinho para aceitar o que não posso.
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O país aguarda com ansiedade a estreia de Fernando Henrique Cardoso, O Bem Amado, no horário eleitoral.
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Em terra de whatsapp, ligação é prova de amor.
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O JN reuniu suas tropas. A ordem é não deixar nada em pé na economia até as eleições de outubro.
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Se mosquito fosse malandro, mordia antes e zunia depois. (Stanislaw Ponte Preta)
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No fundo, no fundo, o juiz americano é o abutre.
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Os dinossauros evoluíram 50 milhões de anos e viraram aves, salvo os tucanos de bico dourado, que fizeram o caminho inverso.
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Mágoas passadas não movem carinhos.
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Castigo vem a cavalo. Mas no caso de Arruda, líder das pesquisas em Brasília, deve ser um pangaré cansado de guerra.
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Uma mulher sem um homem é como um peixe sem uma bicicleta. (Gloria Steinem)
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Aécio, entrevistado pela CNI, diz que não tem "milagres" a oferecer além da multiplicação de aeroportos para a família dele.
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'Tudo que eu digo teria mais validez se em vez de carioquinha eu fosse um sábio chinês." (Millôr)
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Esta quase na hora de o Jornal Nacional ensinar que a seca pode fazer muito bem a São Paulo.
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Tirando a própria mulher, a gente deve recomendar tudo aquilo que experimentou e gostou. (Stanislaw Ponte Preta)
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Era uma turma muito antiga. Para você ter uma ideia, do tempo do Não Vai Ter Copa.
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Depois do Cansei, o promoter João Dória Jr. agora incentiva o movimento Orgulho Coxinha.
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Não queira que Alckmin entre pelo cano. Vai que ele aparece na sua torneira.
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- Que tal o texto, chefe?
- Irretocável. Mas dá um jeito de pôr aí a palavra sustentável.
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Alckmin organiza expedição ao Kepler 186f, novo planeta semelhante à Terra descoberto pela Nasa, em busca de água.
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Ele é mais inútil do que um vice-presidente. (Stanislaw Ponte Preta)
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Aeroporto é apenas a ponta do iceberg de Aécio. Mas como dói!
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Não existe falsidade maior do que falar "bom dia" em pleno domingo às 07h da manhã.
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"Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago.' (Aécio Neves, gago aeropor-por-tuário)
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Josias de Souza, o implacável da sabatina, é conhecido como Josincra. Nos tempos de FHC usava carro do Incra no Paraná para denunciar as cooperativas de assentados ligadas ao MST.
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Quanto aos presságios, é coisa que não existe. O Destino não se faz anunciar. Tem demasiado bom senso ou demasiada crueldade para o fazer. (Oscar Wilde)
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Alckmin organiza viagem ao centro da Terra para encontrar volume morto.
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O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate a nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretaria eletrônica e, mesmo assim, você entende a mensagem. (Martha Medeiros)
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Livro do guarda-costas de Fidel revela que ele tinha um sósia para emergências. Se Mario Sergio Conti fosse a Cuba, não o deixaria escapar.
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"Governar é abrir aeródromos". (Aécio Neves)
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Fantástico inova com reportagem sobre exorcismo. Tá precisando.
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Basta ler meia página do livro de certos escritores, para perceber que eles estão despontando para o anonimato. (Stanislaw Ponte Preta)
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FHC ainda usa "Primeiro Mundo". Não sabe que existe um "Novo Terceiro Mundo" e seus desastres econômicos no coração da Europa.
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“O pior é que o castigo não ensina nada: enquanto se vive se erra, como sempre foi.” (Rachel de Queiroz)
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Aécio e Alckmin realizam caminhada pelo Parque do Povo na condição ideal para os tucanos: sem povo.
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Veja, que normalmente se supera em matéria de sem-vergonhice, entra para a história universal da infâmia ao se alinhar com matança em Gaza.
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“Todo mundo acha que é superior aos outros por algum motivo, mas eu sou mesmo.” (Robert Crumb)
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Militares são suspeitos de planejar o "acidente" que matou a estilista Zuzu Angel. Suspeitos desde 1976. Até hoje não pegaram ninguém.
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Alckmin aplica Padrão Cantareira à Santa Casa.
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“Quem tem amigos não passa vergonha.” (Jorge Amado)
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Forças Armadas negam até hoje que houve torturas e mortes em seus quartéis nos grandes centros urbanos. Imagine os segredos que guarda do Araguaia.
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Santa Casa acusa governo Alckmin de não repassar verbas federais. Virgem Santa!
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Os críticos são os maiores inimigos dos leitores. (Mary McCarthy)
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Cessar-fogo? Bibi manda Kerry ver se ele está na esquina.
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Candidatura de Maluf é impugnada por excesso de mundos e de fundos...
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Jogar conversa fora ainda é a melhor diversão. (Jaguar)
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Não bastasse Cláudio, paira agora sobre Aécio a maldição de Montezuma.
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“Quando não se tem dinheiro/ é bom ter músculos/ e ódio”. (Rubem Fonseca)
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O governo israelense inaugurou um novo conceito de porca-voz.
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Alta produção levanta ação da Petrobras em 72% e leva Miriam Leitão ao Incor.
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Contra ratos não há argumentos.
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Aécio pensava que o Brasil era Cláudio. O resultado esta aí.
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Hóspede é como o peixe, começa a cheirar mal depois de três dias. (Umberto Eco)
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ONU informa que índice de pobreza do Brasil caiu mais de 22% nos últimos 6 anos. Nos gráficos de Sardenberg são apenas 2 patinhos na Lagoa.
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O riso não é um mau começo para uma amizade, e é de longe o seu melhor final. (Oscar Wilde)
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"Agosto mês de desgosto, do cachorro louco e da liberação do volume morto do Alto Tietê. Faça sua reserva. Dura apenas 25 dias.
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Não é do ócio que preciso, mas sim do direito de trabalhar naquilo que quero. (Mario Benedetti)
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Em caso de aperto, azia, má digestão
Aécio tem dois supremos aposentados à mão.
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Que quero eu? Primeiramente, não ser derrotado. Depois, se possível, vencer. (José Saramago)
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Eduardo Campos anda mais perdido que Robinson Crusoé sem Sexta-Feira numa ilha deserta.
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By Zombozo Kropotkin, Revista Bula e Palmério Dória, com adicionais.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ilustração - por Casey Cripe (site homônimo)

Rodrigo Constantino (da VEJA) sendo humilhado ao vivo.

https://www.youtube.com/watch?v=3ovWpnKSoic

Este é o problema quando alguém "qualificado" da direita debate com alguém qualificado da esquerda. A surra é inevitável.
Esses reacionários de merda deveriam aprender que só podem falar sozinhos. Quando há oportunidade da confrontação, serão massacrados pelos fatos.

Fotografia - por Elizabeth Weinberg (site homônimo)

Como Israel ‘noticia’ os próprios crimes de guerra - por Patrick Cockburn (Jornal GGN / Counterpunch)

     Os porta-vozes israelenses já têm muito trabalho tentando explicar como os israelenses assassinaram mais de 1.000 palestinos em Gaza, a maioria dos quais civis, em comparação com apenas 3 civis mortos em Israel por foguetes e fogo de morteiro do Hamás. Mas pela televisão e pelo rádio e pelos jornais, porta-vozes do governo israelense hoje, como Mark Regev, parecem menos enroladores e menos agressivos que predecessores, que eram muito mais visivelmente indiferentes ao número de palestinos mortos.

     Há pelo menos uma boa razão para esse ‘aprimoramento’ das capacidades de Relações Públicas dos porta-vozes de Israel. A julgar pelo que se os veem dizer, já estão trabalhando conforme um estudo feito por profissionais, bem pesquisado e confidencial, sobre como influenciar a mídia e a opinião pública nos EUA e na Europa. 

     Redigido pelo especialista em pesquisas e estrategista político dos Republicanos, Dr. Frank Luntz, aquele estudo foi encomendado há cinco anos por um grupo chamado “The Israel Project” [Projeto Israel], que mantém escritórios nos EUA e em Israel, para ser usado “por todos que estão na linha de frente da guerra midiática a favor de Israel”.

     Cada uma das 112 páginas do folheto é marcada com “proibido distribuir ou publicar” [orig.“not for distribution or publication”], e é fácil entender por quê. O relatório Luntz – oficialmente intitulado “Dicionário de Linguagem Global do Projeto Israel 2009” [orig. “The Israel project’s 2009 Global Language Dictionary[1]] vazou quase imediatamente para Newsweek Online, mas até hoje só muito raramente mereceu atenção, e sua verdadeira importância ainda mão foi devidamente considerada. 

     Deveria ser leitura obrigatória para todos, sobretudo para jornalistas interessados em conhecer a política de Israel, por causa da lista de “Faça/diga X” e “Nunca faça/diga Y” dirigida aos porta-vozes de Israel.

     Aquelas duas listas são altamente iluminadoras para que se compreenda a distância imensa que separa o que funcionários e políticos israelenses pensam e creem, e o que eles dizem; o que eles dizem é modelado por pesquisa mantida ativa minuto a minuto, para detalhar o que os norte-americanos desejam ouvir. Com certeza, nenhum jornalista deveria arriscar-se a entrevistar qualquer porta-voz de Israel sem conhecer muito bem aquele manual e ter-se preparado para contra-perguntar sobre os muitos temas – e sempre com as mesmas palavras e frases – que se ouvem hoje da boca do Sr. Regev e seus colegas.

     O panfleto é cheio de saborosos conselhos sobre como eles devem modelar suas respostas, para diferentes audiências. Por exemplo, o estudo diz que

     “os norte-americanos aceitam que ‘Israel tem direito a ter fronteiras defensáveis’. Mas Israel não tem vantagem alguma em definir com precisão que fronteiras são essas. Evitem falar em fronteiras em termos de pré- ou pós-1967, porque isso só faz relembrar aos norte-americanos o passado militar de Israel. Essa expressão prejudica os israelenses, sobretudo no campo da esquerda. Por exemplo, o apoio da direita israelense a fronteiras defensáveis cai de 89% para menos de 60% sempre que vocês falam em termos de 1967.”

     E quanto ao direito de retorno dos refugiados palestinos que foram expulsos ou fugiram em 1948 e nos anos seguintes, e que nunca mais puderam retornar às próprias casas e terras? Aqui, o Dr. Luntz é muito sutil nos conselhos que dá aos porta-vozes israelenses; diz que

     “o direito de retorno é questão difícil para que os israelenses falem dela com eficácia, porque praticamente toda a linguagem israelense soa muito semelhante à fala de ‘separados, mas iguais’ dos racistas segregacionistas dos anos 1950s e dos defensores do Apartheid nos anos 1980s. De fato, os norte-americanos não gostam, não acreditam nisso e não aceitam o conceito de ‘separados, mas iguais’.”

     Assim sendo, como devem os porta-vozes enfrentar questões que até o manual considera ‘difíceis’? Recomendam que a coisa seja chamada de “demanda” – porque os norte-americanos detestam gente que faz demandas.  O manual ensina:

     “Digam portanto: ‘os palestinos não estão satisfeitos com o estado que têm. Agora, estão demandando mais territórios dentro de Israel.”

     Outras sugestões para resposta israelense efetiva incluem dizer que o direito de retorno deve ser item de um acordo final “algum dia, no futuro”.

     O Dr. Luntz observa que os norte-americanos em geral temem qualquer imigração em massa para dentro dos EUA, "portanto falem sempre de 'imigração palestina em massa para dentro de Israel' –, e os norte-americanos sempre rejeitarão a ideia. Se mais nada funcionar, digam que a volta dos palestinos faria 'descarrilhar o esforço para alcançar a paz'”.

     O relatório Luntz foi redigido logo depois da Operação Chumbo Derretido em dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, quando morreram 1.387 palestinos e nove israelenses.

     Um capítulo inteiro é dedicado a “isolar o Hamás, apoiado pelo Irã, como obstáculo à paz.” Infelizmente, agora, quando está em curso a Operação Fio Protetor, iniciada dia 6 de junho de 2014, e nova matança de palestinos, há um problema grave para a propaganda de Israel, porque o Hamás está rompido com o Irã por causa da guerra na Síria e está completamente sem contato com Teerã. Só reataram relações amistosas há poucos dias – e por causa da invasão israelense.

     Muitos dos conselhos do Dr Luntz tratam do tom e do modo de expor o pensamento de Israel. Diz que é absolutamente crucial mostrar vastíssima simpatia pelos palestinos:

     “Os persuasíveis [sic] não dão importância ao que você saiba, até que se convençam de que você lamenta muito, do fundo do coração, toda a situação. Mostre empatia PELOS DOIS LADOS!”

     Isso provavelmente explica por que tantos porta-vozes israelenses vão praticamente às lágrimas quando falam do sofrimento dos palestinos bombardeados por bombas e mísseis israelenses.

     Em frase escrita em negrito, sublinhada e toda em maiúsculas, o Dr Luntz diz que os porta-vozes ou líderes políticos israelenses NÃO DEVEM, NÃO PODEM, nunca, de modo algum, justificar “o massacre deliberado de mulheres e crianças inocentes”, e devem reagir agressivamente contra qualquer voz que acuse Israel por tal crime. Vários porta-vozes israelenses esforçaram-se muito para seguir esse conselho na 5ª-feira passada, quando 16 palestinos foram mortos num abrigo da ONU em Gaza.

     Há uma lista de palavras e frases a serem usadas e uma lista de palavras e frases a serem evitadas. Há de tudo: “O melhor meio, o único meio, para alcançar paz duradoura, é alcançar respeito mútuo.” O mais importante é que o desejo de paz de Israel com os palestinos tem de ser sempre enfatizado, porque é o que os norte-americanos mais querem que aconteça. Mas se se observarem pressões para que Israel realmente faça alguma paz, a pressão deve ser imediatamente reduzida; nesse caso, os israelenses devem dizer:

     “Um passo de cada vez, um dia depois do outro” – expressões que serão facilmente aceitas como “abordagem de bom senso, para a equação ‘deem-nos A terra, que lhes damos a paz’.”

     O Dr. Luntz cita como exemplo de “pegada israelense muito eficaz” a seguinte frase: “Quero muito particularmente falar às mães palestinas que perderam seus filhos. Nenhum pai ou mãe deveria ter de enterrar suas crianças.” 

     O estudo admite que o governo israelense não quer, de fato, qualquer solução de dois estados, mas diz que isso não pode ser declarado publicamente, porque 78% dos norte-americanos são favoráveis àquela solução. Devem-se enfatizar sempre as muitas esperanças de que os palestinos progridam economicamente.

     O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é citado com elogios, por ter dito que “já é hora de alguém perguntar ao Hamás: o que, afinal, estão fazendo para melhorar a vida de seu povo?!" A hipocrisia, aí, é inacreditável: é Israel, com os sete anos de bloqueio econômico que impõe a Gaza, quem reduziu Gaza ao estado de pobreza e miséria em que vive hoje.

     Em todos os casos e ocasiões, o modo como porta-vozes israelenses apresentam os fatos é planejado para dar a norte-americanos e a europeus a impressão de que Israel desejaria muito a paz com os palestinos e estaria disposta a ceder para chegar à paz. Todas as evidências, e também o Manual do Dr. Luntz, sugerem que tudo aí, são mentiras. Embora não tenha sido requisitado ou produzido com essa finalidade, poucos estudos mais reveladores foram jamais escritos sobre a Israel contemporânea, em tempos de guerra e paz. *****


Propaganda para encobrir as atrocidades que Israel comete 

Como Israel ‘noticia’ os próprios crimes de guerra
28/7/2014, Patrick Cockburn, Counterpunch

A hora chegou - por Joel Rea (Pintura surrealista - site homônimo)

Parem o avião, que Tombini sumiu - por Luis Nassif (Jornal GGN / Blog do Nassif)

     Recentemente escrevi aqui sobre "A ciência demência das metas inflacionárias" (http://jornalggn.com.br/noticia/brasil-2015-a-ciencia-demencia-das-metas-inflacionarias). Nele menciono um certo procedimento intelectual brilhantemente descrito por Olavo de Carvalho nos anos 90:

     "O intelectual descobre determinada teoria. Graças a ela, torna-se conhecido, faz carreira, deve tudo a ela. Aí começa a olhar a realidade e percebe sinais incômodos, que desmentem a sua teoria. Mas, como ele é um intelectual, trata logo de desenvolver uma nova teoria para explicar que aquilo que ele está vendo não existe. Essa parece ser a relação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e de toda a cadeia de economistas de planilha, com a teoria das metas inflacionárias".

     Vamos conferir na prática.

     Critica-se muito Guido Mantega, Ministro da Fazenda, e Arno Agustini, Secretário do Tesouro, por  insucessos da política econômica de Dilma Rousseff. No entanto, as duas batalhas centrais do governo Dilma foram perdidas pelo general Alexandre Tombini, presidente do Banco Central.

     A primeira, no início do governo Dilma, quando adotou uma série de medidas ditas "prudenciais" para desaquecer a economia. Exagerou. Na época, indaguei se Dilma estava preparada para conviver com um crescimento abaixo de 4%.

     A segunda quando deu início à brilhante tentativa de trazer a Selic para níveis civilizados, mas piscou e entregou os pontos ao primeiro sinal de refluxo da inflação - ainda que provocado por fatores externos. Aí esqueceu as medidas "prudenciais" e rendeu-se ao que o mercado queria: Selic alta.

     Depois disso, Tombini passou a desenvolver as teses mais complexas - e, muitas vezes, falsas - para justificar a não-ação, para não sair mais do manual, não se expor mais às críticas na hipótese de reduzir a taxa Selic.

     Na última rodada do Copom (Comitê de Política Monetária) o próprio mercado aguardava uma queda da Selic devido aos riscos de recessão no ar.

     No entanto, o BC manteve a Selic inalterada, enfatizou a manutenção dela em patamares elevados. E, paradoxalmente, flexibilizou o crédito.

     Como assim?

O "forward guidance" de Tombini

     Confira a lógica do BC no artigo de Alex Ribeiro, no jornal O Valor - "O Banco Central e o 'forward guidance'"http://www.valor.com.br/brasil/3633168/o-banco-central-e-o-forward-guidance). Hoje em dia Alex é provavelmente o melhor intérprete dos estudos do BC. Tem escrito alguns artigos preciosos sobre novas metodologias de montagem de cenários.

     Todo o empenho do BC é demonstrar que não houve incongruência entre a decisão de manter elevada a Selic e de flexibilizar o crédito. Ora, o supostamente o canal de crédito é o principal veículo de influência da Selic. Se a intenção é segurar o crédito, porque a flexibilização?

     O primeiro passo é dar uma aparência rebuscada a princípios básicos de política monetária.

     Esse termo - "forward guidance" - significa o BC abrir o jogo sobre os cenários com que trabalha e o que pretende fazer com as taxas de juros, mostrando os pontos que, no futuro, poderá fazê-lo manter ou mudar a política.

     O ponto central do sistema de metas inflacionárias é a previsibilidade: os agentes econômicos saberem o que o BC pensa e faz para convergir suas atitudes e expectativas na mesma direção. Tombini veste o velho princípio com roupas da moda  - "forward guidance" - e apresenta-o como um avanço teórico do sistema de metas inflacionárias.

A recessão de 1995

     Para montar seus cenários, o BC trabalha fundamentalmente com indicadores.

     Indicadores econômicos têm defasagem no tempo, especialmente em momentos de inflexão da economia - quando a economia explode ou afunda. Como há uma infinidade de indicadores, é relativamente fácil montar análises enviesadas. Basta juntar os negativos, para um cenário pessimista; ou os positivos, para um cenário otimista.

     A montagem dos cenários corretos depende da capacidade do analista em identificar a resultante final. E esse é um campo que depende, em muito, de arte e experiência. Caso contrário, haverá a trombada fatal com a realidade.

     Foi o que aconteceu em 1995 - conforme narro no meu livro "O jornalismo dos anos 90".

     No segundo semestre de 1994, por conta do Real, houve uma explosão de consumo na economia, agravada pela apreciação do real. Essa explosão provocou, por sua vez, uma expansão inédita no crédito das empresas para adequar seu capital de giro à nova realidade.

     Em fins de 1994 havia sinais claros de reversão nas vendas. Em todo canto do país que eu visitava, a conversa era a mesma sobre o início das dificuldades.

     De fato, o câmbio destruiu a economia agrícola, afetando primeiro o interior. E essa crise, mais cedo ou mais tarde bateria na atividade industrial e nas grandes cidades.

     Percebendo que as vendas despencariam, as empresas começaram o caminho de volta para o nível anterior de estoques. Acontece que o crédito tem prazos. Assim, a redução do crédito se dava à medida em que os contratos iam vencendo e elas iam renovando.

     Em abril, no entanto, o BC jogou os juros para inacreditáveis 45% ao ano. Todas as empresas ficaram prisioneiras das novas taxas. A queda de vendas impedia a liquidação do contrato e as novas taxas tornavam inviável a quitação do novo financiamento.

     Ao aumentar os juros para inacreditáveis 45% ao ano, o BC aprisionou-os nas dívidas existentes. Não lhes permitiu continuar a redução de forma organizada. E criou o maior endividamento circular da história.

     Os radares do BC e da Secretaria de Política Econômica da Fazenda não captaram esse movimento, porque estavam ligadas exclusivamente nos indicadores de mercado e nas estatísticas fiscais e de alguns grandes setores. E fixaram-se nas estatísticas erradas.

     Esse erro foi admitido publicamente por José Roberto Mendonça de Barros, Secretário de Política Econômica, em fins de maio - quando já era tarde para corrigir.  E pelo próprio FHC em fins de junho, quando Inês era morta.

A recessão de 2014

     Tudo indica que a economia está caminhando para a recessão - muito longe da guinada violenta de 1995, mas ainda assim, recessão.

     Os sinais já podem ser encontrados nas viagens a várias cidades do interior, nas conversas com associações de pequeno empresários, nas conversas com pequenas empresas têxteis, de calçados, justamente aquelas mais beneficiadas pelo boom de consumo.

     A recessão está desenhada nos próprios indicadores econômicos, no desempenho do PIB, na queda de vendas de setores importantes. Aliás, até o maior dos agregados - o PIB - indica a ameaça de uma recessão.

     Mas o BC baseia-se em grandes agregados, que têm efeito defasagem, e seleciona as esttísticas que ajudam a manter seu cenário de imobilidade.

     Tem medo de respirar e levar chumbo e, aí, o pensamento burocrático de Tombini o faz desenhar o cenário que mais se adeque à estratégia de não fazer nada para ver como é que fica.

     Segundo o relatório de junho, "a demanda agregada tende a se apresentar relativamente robusta", porque seguem presentes fatores que vão ajudar a sustentá-la.

Quais são os fatores?

     "Um deles é o crédito, cuja expansão neste ano está prevista em 12%, que está longe de ser baixa. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, disse que as medidas de estímulo ao crédito anunciadas na semana passada reduzem as chances de que a projeção do BC para o crédito sejam revistas para baixo".

     Ou seja, ele injetou a tal flexibilização apenas para reforçar seu cenário e ter álibi para nada fazer com a Selic.

     E vai além. Todos os indicadores do BC, para desenhar seu cenário de economia robusta, apontam para cima:  desemprego historicamente baixo, com salários crescendo em termos reais, consumo do governo segue alto, o "quantum" exportado se expande.

     Aliás, a alta da Selic em dezembro de 2008 deu-se em um cenário de "economia robusta", segundo o BC. O mundo despencando, a economia brasileira indo atrás e o BC falando em "economia robusta". E, por trás dessa fantasia, o próprio diretor Tombini.  

     Agora, depois de tanta formosura no ar, o BC não consegue entender a queda nos índices de confiança. Diz que a queda do índice "é uma interrogação".

     A interrogação não é característica do fato, mas do intérprete do fato. O BC - cuja atuação central é em cima das expectativas - não consegue entender como, estando tudo bom, o doente (as expectativas) vai mal. Como ele não entende, joga a queda das expectativas no lixo das "interrogações" e a esquece.

     Mais ainda. Segundo Ribeiro, em dezembro de 2013, o BC publicou um estudo no seu Relatório de Inflação mostrando vínculo importante de alguns desses indicadores com a atividade econômica. Mas no ponto central - o Índice de Confiança do Consumidor -, "essa relação ainda não ficou bem estabelecida".

     Fantástico! Tirou da planilha a informação que não bate com seu desejo.

     Há uma recessão a caminho. E esse diagnóstico tortuoso do BC não será rebatido pelo reconhecido brilho analítico da Fazenda. Não há contrapontos dentro da equipe econômica.

     Seria bom Dilma precaver-se e ouvir vozes mais sensatas. Para salvar sua cara junto ao mercado, Tombini pressiona a dívida pública, em um momento em que um dos fatores centrais de expectativa são as contas fiscais.

Comentário
Não podemos esquecer. Tombini tem uma superior hierárquica. Que vai colher o que esta plantando.
O fato de as alternativas eleitorais com reais chances de vitória serem ainda piores não a desculpa.

Cemitério de tanques no Kwait - por buzzhunt



Estranho acontecimento - por Cláudio Lembo (Terra Magazine)

     Não é novidade para ninguém. O centro nevrálgico da política não se encontra nos partidos. Muito menos nos palácios governamentais. Sequer nos parlamentos.

     Onde se apresenta o epicentro da política?

     Claro, longe do cidadão comum. Do qualquer um. Fica, muitas vezes, distante dos estados nacionais. Lá, onde se encontram os bunkers do capital.

     As decisões, que afetam grandes parcelas da população, são tomadas nos gabinetes fechados dos executivos financeiros e dos órgãos supranacionais da economia.

     Nada vale a vontade política dos governos locais face às resoluções dos bancos centrais e das bolsas de valores dos grandes centros financeiros.

     As decisões são tomadas em segredo. E, em segredo, impostas por toda a parte.

     As agências internacionais de notícias, como boas porta-vozes, se incubem de difundir as diretrizes e as imposições do capital financeiro internacional.

     Foi assim desde o surgimento do capitalismo industrial. Ampliou-se a prática com o capitalismo financeiro. Este não tem face nítida, mas domina todos os espaços das economias de cada país.

     O cidadão – que pensa ter cidadania – não passa de um servidor dos grandes interesses. Toma atitudes. Vota. Imagina ser livre, mas esta obedecendo aos ditames dos operadores financeiros.

     Estes sempre se mantiveram em aparente silêncio. Abstém-se de falar em público. Não possuem opinião a respeito de nada. Apenas pensam nos lucros de suas operações.

     Esta é uma realidade presente por toda a parte e não ausente em um país dependente, como o Brasil. Jamais na nossa longa História política recolheu-se uma opinião nítida de um banqueiro.

     Quando no exercício da profissão, a regra é a preservação de seus interesses perante a opinião pública e os governantes. E a melhor maneira de preservar interesses é o silêncio aparente.

     Causa surpresa, portanto, no início da atual campanha política o posicionamento de uma instituição financeira em assuntos eleitorais. É inusitado.

     Muitas poderão ser as causas deste procedimento jamais visto. A origem da instituição? Não tem raízes nacionais. Talvez seus executivos estejam acostumados com outras realidades.

     É, no entanto, impressionante o que aconteceu. Um banco querer influir na vontade do eleitorado. Quem lida com a moeda deve ser cuidadoso em suas assertivas.

     Conhecem-se os poderosos lobbies que atuam, em cuidadoso silêncio, junto às autoridades financeiras e o Congresso Nacional. Faz parte do processo decisório democrático.

     Mas, instituição financeira – ou qualquer outro agente econômico – imiscuir-se explicitamente em político é novidade sem qualquer traço no passado.

     Certamente, os executivos superiores da instituição – que falou fora de hora – deverão em breve estar no Brasil e, aqui, pedirão audiência às autoridades do Executivo.

     Serão recebidos e proferirão as mais elevadas loas.

     Assim, a nave vai. Como mostrou Federico Fellini.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Estase - por Elreviae (site homônimo)

Mídia usa tradutores da polícia para criminalizar movimentos sociais - por José Ribamar Bessa Freire (Blog da Amazônia / Terra Magazine)

     Terroristas liderados pela badalante Sininho planejavam tocar fogo no Rio de Janeiro e fazer do Maracanã uma gigantesca fogueira junina para impedir a realização da Copa do Mundo 2014. O plano diabólico foi descoberto a tempo pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) que identificou os incendiários, decodificou suas mensagens em linguagem cifrada e prendeu a quadrilha, impedindo a transformação do Rio numa Faixa de Gaza. Esta tudo gravado pela Polícia.

     Foi com base nessas gravações registradas no inquérito policial que o ínclito juiz da 27ª Vara Criminal, Flávio Itabaiana, determinou a prisão dos vândalos. Com estardalhaço, a mídia detalhou o esquema do terror, que consistia em incendiar o prédio da Câmara Municipal, matar policiais, fabricar bombas e explosivos caseiros, quebrar bancos, atacar estádios e até desmoralizar a Seleção Brasileira, contando com a leniência do Felipão e o financiamento de algumas entidades, como os sindicatos de professores, de petroleiros e da saúde (Sepe, Sindpetro e Sindprev) do Rio.

     Como é que soubemos de tudo isso? Autorizada pelo juiz, a polícia grampeou telefones e começou a monitorar emails dos terroristas há mais de um ano. As mensagens gravadas, aparentemente inocentes, mencionavam "livro", "caneta", "aula", "apostila", "caderno" e "prova". O Serviço de Inteligência da Polícia desconfiou dos grampeados, alguns deles professores ou estudantes: "Eles sabiam que estavam sendo monitorados e, por isso, passaram a chamar coquetéis molotovs de 'pisca-pisca' ou ´drinques'; bombas de 'livros'; e ouriços  de 'canetas'. " (O Globo 21/7).

Tá ligado?

     Os nossos sherlocks queimaram a mufa, mas qual Champollion com a Pedra de Roseta decifraram a linguagem esotérica usada pelos ativistas, embora por razões de segurança nunca revelaram seu método. O resultado esta no relatório de duas mil páginas, mantido prudentemente inacessível aos acusados e a seus advogados, mas escancarado aos jornais que divulgaram mensagens dos vândalos. Bendito o país cujas instituições – Policia, Judiciário e  mídia – se unem em defesa da ordem pública!  O Taquiprati acessou o relatório por telepatia e registrou o seguinte diálogo:

Camila Jourdan (ativista, professora da Uerj) – Oi, Bom Dia. Não esquece que hoje tem prova, leva pra aula livro, caderno e caneta.

Igor D Icarahy -  Tou ligado. Hoje vai fazer calor.

Camila – Depois da aula, a gente toma uns drinques no bar.

     Mensagem estranha, muito estranha, não é  não? Uma leitura ingênua, ao pé da letra, não percebe que os dois estavam planejando quebrar bancos e tocar fogo em caixas eletrônicos. Mas os brilhantes tradutores da polícia sacaram que bom dia =  bomba diasfixia; prova = enfrentamento com a polícia; aula = passeata, enquanto bar = agência bancária, fazer calor, evidentemente, significa tocar fogo, tou ligado é vou à manifestação e caneta é mesmo ouriço, aquela peça feita de vergalhões e pregos usada nos protestos. Era dessa forma que os baderneiros se comunicavam.

     Faltava identificar a origem da bufunfa, "o ouro de Moscou" dos velhos tempos, que hoje é negado pelo Putin, um mão-de-vaca. Com destemor, O Globo denunciou em letras garrafais "A Conexão Sindical" que financia os manifestantes com "dinheiro, transporte, carro de som e alimentação". Registrou telefonema em que "Sininho pede a um integrante do Sepe cem quentinhas para um ato". (22/07). Informou ainda que "Sininho liderou a organização das manifestações, não apenas no Rio, mas também em Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). Também tinha a função de arrecadar e distribuir recursos"(21/07).

     Este alerta à pátria foi sem dúvida alguma uma contribuição corajosa da inteligência policial e do Globo, que divulgou declarações do candidato a presidente da República, Aécio Neves, apoiando firmemente a prisão dos baderneiros, o que serviu para desviar o debate sobre o tema secundário do aecioporto construído na fazenda de seu tio com recursos públicos.

O outro lado

     O que O Globo não revelou, mas nós soubemos através de leitura mediúnica do relatório policial, é que a ação de Elisa Quadros, a Super-Sininho, não se limitou à presença ao mesmo tempo nas três capitais mencionadas, mas foi ela que originou o misterioso "apagão" por seis minutos da seleção brasileira no jogo contra a Alemanha. Acontece que o movimento "Não vai ter copa", quando se viu derrotado mudou o objetivo para "Não vai ter hexa". Tem um telefonema antes do jogo contra a Colômbia de Sininho para o Capitão Gancho, codinome do zagueiro Zuñiga:

Sininho – Compañero, acuerdate de las Farc. Dale leña en la tercera vértebra, que me encargo de hablar con  el gran rey de España.

Capitão Gancho – Tranquilo, Campanita! Su merced puede confiar. No te olvides de mi "calentita".

     Zuñiga recebeu a "quentinha" das mãos da própria Sininho, a Campanita,  e em seguida fez o que todo mundo viu na televisão. Depois disso, disfarçada com óculos escuros, Sininho, a fada da baderna, entrou sorrateiramente na Granja Comary, em Teresópolis, onde desestabilizou psicologicamente todos os jogadores da seleção brasileira. Sua presença teria sido facilitada pelo "gran rey de España" que segundo as técnicas clássicas de criptografia usadas pela Polícia seria nada mais nada menos que Felipón.

     Ou você acredita nesta última história, ou não leva a sério nenhuma delas. Há quem ache que se trata de invenção, esquecendo que a Polícia do Rio tem uma tradição de leitura de intenções delituosas. No Arquivo Nacional, no Fundo Polícia da Corte, encontrei um documento que registra a prisão de um índio, em 1831, por "estar numa atitude de quem estava pensando em roubar". Embora não tenha conseguido ler as intenções,  entre outros, dos assassinos da dona do Restaurante Guimas, a polícia usou seu faro para prender, pelo menos, quem estaria pensando em fazer baderna.

     O desembargador Siro Darlan foi um dos que não caiu nessa conversa e concedeu habeas-corpus liberando os presos, no que contou com o apoio de várias instituições como OAB, ABI, Anistia Internacional, Justiça Global, Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM) e Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP).

- A ordem de prisão, baseada em ilações e conjecturas, carece de fundamentação legal – sentenciou o desembargador. Para ele, "a prisão cautelar é medida excepcional que deve ser decretada apenas quando aparada pelos requisitos legais, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência". Desmoralizou assim as interpretações fantasiosas de grampos telefônicos consideradas pura xaropada e o depoimento à polícia da única testemunha, uma fofoqueira preterida pelo namorado, que teve enorme espaço nos jornais.

     Os ativistas, já em liberdade, acham com razão que a mídia reproduz relatórios policiais sem qualquer senso crítico. Em troca do acesso, às vezes com exclusividade, de dados protegidos por "segredo de justiça", os jornais publicam como verdades acabadas as versões policiais, sem checar com outras versões e sem ouvir o outro lado. Em consequência, acabam criminalizando os movimentos sociais e negando o direito à livre manifestação.

     Não se coloca ninguém no paredão sem chance de defesa. A mídia não publicou uma única linha, sequer uma só palavra, com explicações dos acusados, tratados como criminosos, mas que podem ser vistos também como "jovens que, embora se possa discordar dos seus métodos de atuação política, acreditam em um país melhor", como quer o advogado Patrick Mariano.

     Preciso saber o que a mídia me negou, ou seja, o que minha colega da UERJ tem a dizer sobre as acusações da polícia, porque se "livro" for mesmo "bomba" para incendiar bancos, quero manifestar meu desacordo, ainda que reconheça que há livros que são verdadeiras bombas. Mas se "livro" for apenas "livro", quero somar meu grito ao dela. Afinal, até onde sei, quem quebrou bancos não foi a Sininho e a Camila. Foram  banqueiros como Daniel Dantas, Ângelo Calmon de Sá, Edemar Cid Ferreira, Carlos Eduardo Schahin, acusados de fraudes e evasão fiscal, todos eles em liberdade e que tiveram amplo direito de defesa com espaço na mídia.

Baula Blue- por Andy Lee (Fotografia- site homônimo)

Reinaldo Azevedo e a direita delirante - por Guilherme Boulos (Outras Palavras / Folha)

Imagem: Vítor Teixeira (detalhe)
Não é casual que ultraconservadores brasileiros aplaudam massacre em Gaza. A eles, que um dia tiveram argumentos, restaram o porrete e a incitação ao fascismo

     A direita brasileira já foi melhor. Teve nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merquior entre seus quadros, formulando sobre teoria econômica e política internacional. Naquele tempo, a direita recorria a argumentos, além do porrete. Hoje restou apenas o porrete, aplicado a esmo sem maiores requintes de análise.

     Impressiona o baixo nível intelectual dos representantes da direita no debate público nacional. Não elaboram, não buscam teoria nem referências. Não fazem qualquer esforço para interpretar seriamente a realidade. Apenas atiram chavões, destilando preconceitos de senso comum e ódio de classe.

     Reinaldo Azevedo é hoje o maior representante dessa turma. Com 150 mil acessos diários em seu blog mostra que há um nicho de mercado para suas estripulias. Ao lado dele tem gente como Rodrigo Constantino, aquele que se orgulha das viagens a Miami e se despontou como legítimo defensor dos sacoleiros da Barra da Tijuca.

     Antes os intelectuais de direita iam fazer estudos em Paris. Agora vão comprar roupas em Miami. Sinal dos tempos e das mentes.

     Dispostos a tudo para fazer barulho no debate público, mas sem substância em suas análises, aproximam-se frequentemente de um discurso delirante.

     Reinaldo Azevedo jura que o governo petista quer construir o comunismo no Brasil. E vejam, ele não está falando do Lula de 1989, mas do governo do PT de 2003 a 2014. Sim, o mesmo que garantiu lucros recordes aos bancos e empreiteiras na última década. Que manteve as bases da política econômica conservadora e que nem sequer ensaiou alguma das reformas populares historicamente defendidas pela esquerda. Neste governo que, com muito esforço, pode ser apresentado como reformista, ele enxerga secretas intenções socializantes. Certamente com o apoio da Odebrecht e de Katia Abreu. Só no delírio…

     Para ele, João Goulart é que era golpista em 64. Os black blocs são amigos do ministro Gilberto Carvalho. E as pessoas só são favoráveis às faixas exclusivas de ônibus por medo de serem acusadas de elitistas. Ah sim, sem esquecer que a mídia brasileira – a começar pelas Organizações Globo – é controlada sistematicamente pela esquerda.

     Ele baba, ele xinga. Ofende os fatos e fantasia perigos. Lembra, embora com menos poesia, dom Quixote atacando os moinhos de vento.

     A pérola mais recente é escabrosa: Israel seria vítima do marketing internacional do Hamas. No momento em que o mundo vê a olhos nus centenas de palestinos serem massacrados na Faixa de Gaza, ele denuncia uma conspiração internacional de mídia contra o Estado de Israel. Encontrou eco no também direitista delirante Luis Felipe Pondé, em artigo na Folha de S.Paulo.

     Teoria da conspiração vá lá, até pode ter seu charme; mas, como dizia Napoleão, entre o sublime e o ridículo há apenas um passo. Reinaldo Azevedo e seus sequazes já atravessaram faz tempo esta fronteira.

     De fato, os textos que têm se prestado a publicar acerca do genocídio na Palestina já superaram o ridículo. Chegaram ao cinismo. Dizer que as crianças mortas na Faixa de Gaza são marketing é uma afronta do mesmo nível da deputada sionista que defendeu o extermínio em série das mulheres palestinas para impedir a procriação. É apologia covarde ao genocídio e ao terrorismo de Estado.

     A direita se diferencia da esquerda, dentre outras coisas, pela análise dos fatos. Mas não por criar fatos ou ignorá-los. Ao menos quando tratamos de uma direita séria.

     No caso de Reinaldo Azevedo e dos seus, estamos num outro campo. Não é apenas a direita. É uma direita delirante. A psiquiatria clínica é clara: negação dos dados da experiência, somada a uma reconstrução da realdade pela fantasia chama-se delírio. Aqui há ainda o agravante da fixação em temas recorrentes. PT, movimentos populares e mais uns dois ou três.

     Um delírio em si é inofensivo. O problema é quando começa a juntar adeptos, movidos por ódio, preconceitos e mentiras. É assim que nascem os movimentos fascistas. Quem defende extermínio higienista em Gaza também deve defendê-lo no Complexo do Alemão ou em Paraisópolis.

     Reinaldo Azevedo certamente ainda não representa um risco político real, mas o crescimento de seus seguidores é um sintoma preocupante da intolerância e desapego aos fatos que ameaçam o debate público no Brasil.


Texto publicado originalmente na coluna de Guilherme Boulos na “Folha de S.Paulo”

Comentário
Chega a ser irônico: tudo que foi descrito neste artigo é sintomaticamente veraz e (nem precisava), mas foi mais uma vez comprovada na "resposta" que o fascista-mor relinchou em seu site.
E há quem deixe seu cérebro ser corrompido por um degenerado como esse Reinaldo Azevedo.
É uma lástima.