sexta-feira, 30 de maio de 2014

Picadinhas

Se tá difícil pra você que vai passar o dia dos namorados sozinho, imagina pra quem vai comemorar e nem sabe que é corno.
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Meu todynho veio sem canudo. Este é o país que vai sediar a copa?
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Na boa? Eu namoraria a (pastora) Suzane Von Richtoffen. Acho ela gatinha. Só não a  apresentaria para os meus pais – porque aí já é demais.
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Um estudo feito pela Universidade de Columbia concluiu que Crocs são sapatos/sandálias para pessoas que já desistiram da vida.
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Melhor passar vergonha na Copa que passar vergonha na cópula.
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As declarações do Ronaldo dão a impressão de que aquela convulsão não foi a última.
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Quando te fazem uma pergunta, as mulheres não querem saber o que você pensa. Elas querem ouvir exatamente o que elas pensam, só que com uma voz diferente.
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Hoje passou um programa no NatGeo onde 3 gringos idiotas entram numa floresta do Pará a procura de extra-terrestres. E GANHAM PRA ISSO!
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Só invejo uma coisa do Joaquim Barbosa: a aposentadoria.
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Qual é a menor distância entre dois pontos G?
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Você apostaria que a Coréia eliminaria a Itália? Pois é, aconteceu em 2002! Penta que pariu!
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Não confundam a mulher dos sonhos com a atendente da confeitaria.
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Vida social? O que é isso? É de comer??
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Imprensa paulista tenta convencer população que sumiço da água é a 8ª praga do Egito que estava incubada.
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Coloco meu celular em modo avião dentro do ônibus só pra mostrar quem manda.
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Hei de vencer na vida – nem que seja por WO!!!
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Se a vida começa aos 40, por que nascemos bem antes?
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Da serie curiosidades: Enquanto estão falando ao celular, as pessoas tendem a ser mais rudes, egoístas e menos propensas a ajudar os outros.
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É muita vaca pra pouco brejo.
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Quem puxa saco puxa tudo – inclusive tapete.
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Gente, parem de falar que a Luciana Gimenez desmaiou porque levou um susto!! Quem já viu o Mick Jagger pelado jamais se assustará com algo.
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Rede social faz da vida um velório sem fim.
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Alô, Ronaldo Fenômeno! Você não está envergonhado meio tarde demais?
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Plantas que têm vida regada vivem mais.
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Acho que "Tremendão" não é um apelido muito adequado para quem tem mais de 80.
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Da serie curiosidades: Leonardo DaVinci comprava animais enjaulados no mercado apenas para libertá-los.
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Assim caminham as eleições:
1989: militantes
2010: cabos eleitorais pagos
2014: robôs
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Domingo na televisão: reformam casas, reformam carros, mas não reformam a programação.
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Essa é a última geração de mães que sabem descascar laranja.
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The alcohol triplica le capacité di parlare other languajes.
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"Faça o bem sem olhar a quem." (Stevie Wonder)
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Ninguém precisa nascer sabendo. Mas negar-se a estudar e a se informar é a marca dos medíocres.
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Da série curiosidades: As prostitutas na Espanha têm de usar colete refletor (como os trabalhadores de estrada) para reduzir acidentes.
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O pior é saber que há um mundo de pessoas OUVINDO o cara dizer que NÃO TEM liberdade de expressão e concordando sem perceber a contradição.
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O PSDB tentou comprar o perfil Dilma Bolada do facebook por 400 mil. Já é mais caro do que o preço que venderam as telefônicas.
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Datafolha: Em quem você votará para presidente?
(  ) Serra
(  ) Tem certeza que não é no Serra?
(  ) Aécio
(  ) Dudu Campos
(  ) Dilma terrorista
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Folha: levando em conta apenas a parte que ainda tem água, nível dos reservatórios do Sistema Cantareira esta em quase 100%.
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RR: após saber que presidenta do movimento negro tucano é loira, dirigente do PSDB em Boa Vista abre o jogo e confessa ser petista.
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SP: Itu, no interior do estado, não tem água nem para fazer racionamento, e prefeito da cidade decide racionar o racionamento.
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Brasil: Onde prostituta se apaixona, traficante cheira, pobre vota na direita e fake do Twitter divulga nota oficial.
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Folha: considerando apenas clientes do Fasano, pesquisa mostra que Aécio lidera corrida presidencial com 95% das intenções de voto.
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Irene Ravache, apoiadora do PSDB, 'traída pelo PT'. Igual eu, metaleiro, me dizer traído pela Ivete Sangalo.
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PARE:
(  ) de tomar a pílula.
(  ) pegue no bumbum.
(  ) até quando você quer mandar e mudar minha vida?
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Excelente atuação do Palmeiras. Em 1993.
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IPEA e Paulo Baier confirmam que esta é a pior seca nos últimos 3 mil anos.
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Contigo: Namore com alguém que seja o oposto de você, porque dois trouxas juntos não dá certo.
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“Não existe testemunha mais terrível – ou acusador mais poderoso – do que a consciência que habita em nós.” (Sófocles)
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Alguém devia sugerir à Folha que perguntasse a Alckmin por que só entrou na Justiça contra concessionárias de estradas após a criação da CPI.
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Podemos ter Carnaval e Réveillon todos os anos, mas não podemos sediar a Copa do Mundo de 64 em 64 anos...
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Folha: após o término do volume morto, governador de SP anuncia aproveitamento do volume de magma abaixo do sistema cantareira.
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Assim é o brasileiro: acha horrível o próprio pecado e horrendo o pecado alheio.
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Acho que vou oferecer meu volume Vivo pra minha vizinha.
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Quando um homem vê um pernilongo pousado em seus testículos ele compreende que pode resolver seus problemas sem utilizar a violência.
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Conheço gente que é contra a Copa, mas que vai torcer para a Argentina (e isso lá é ser contra a Copa?) e esta contando os dias pro feriado.
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Faz declaração de amor pra mãe no facebook – mas não ajuda ela a lavar uma louça em casa.
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Brigou com a mulher? Vingue-se: vá para a cozinha e aperte a tampa de todos os potes.
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Curioso: Em SP, fazem protestos contra a Copa, mas não fazem protestos contra a falta d'água. Talvez seja pq água não é lá muito importante, mesmo.
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Com a morte de Jair Rodrigues só nos restou o genoma de Sérgio Malandro para tentarmos isolar o gene da alegria duradoura.
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Tudo que precisamos é amor – e um cachorro.
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O essencial é invisível aos olhos tipo wi-fi.
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Calma: quando as agonias dormem profundamente dentro da gente.
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E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam ouvir a música. (Nietzsche)
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Vai me ver com outros olhos ou com os olhos dos outros? (Paulo Leminsky)
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Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer. (Fernando Pessoa)
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É proibido pisar na grama. O jeito é deitar e rolar.
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Gata, se você fosse um livro de biblioteca... eu nunca iria te devolver!
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- Qual é o seu tipo de mulher?
- Vivas.
- ...?!
- E livres.
- ...!?
- São as melhores. 
(Ricardo Aleixo)
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Um dia alguém vai te abraçar tão apertado que até os seus pedaços quebrados vão se juntar novamente. 
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Não trate como google chrome quem te vê como internet explorer.
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- Mãe, me traz mais bolo.
- Moleque, se você comer mais bolo você vai explodir.
- Então traga e saia de perto. 
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Crescer é aprender a dizer adeus para certas coisas.
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Você disse some e eu somei. Eu disse some e você sumiu. (Marcos Caiado)
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Onde não puderes amar, não te demores...
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Eu não mereço ser acordado.
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O mundo precisa de loucos. Loucos uns pelos outros.
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- Você precisa perder peso.
- Nã ná ni ná não. Eu deveria perder peso. Eu preciso de bacon.
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Somos as coisas que moram dentro de nós. Por isso há pessoas que são bonitas. Não pela cara, mas pela exuberância de seu mundo interno.
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Matar não quer dizer pegar o revólver de Buck Jones e fazer Bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu. (Meu pé de laranja lima)
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Olhei o rosto dela e pensei “merda, eu a amo”. O melhor que podia fazer era bancar o indiferente. A gente nunca deve deixá-las saber que esta ligando, senão elas nos matam. (Charles Bukowski)
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Deus é o Papai Noel dos adultos.
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"Paixão e caráter são indissociáveis, como alma e corpo." (Platão)
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Millôr escreveu a peça "Os Órfãos de Jânio". JB também deixa alguns. Um deles é o jornalista Elio Gaspari, que acalentou até outro dia a esperança de que ele fosse candidato a presidente da República.
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Eduardo Campos se diz contra a revisão da lei da anistia. Com um neto desses, um avô não precisa de inimigos.
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Pedro Bial fala dos equívocos que envenenam a mente na Trip deste mês. O apresentador é especialista na matéria.
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Kant com Alckmin: "A Canequinha do Mundo é nossa! Com os tucanos / não há quem possa!"
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Sou do tempo em que se chamava clipping de sinopse.
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E na semana que vem tem cerimônia do beija-mão de Aécio Neves no Roda Viva.
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Além da bancada do Roda Viva, Jorge Bornhausen, Heráclito Fortes e Severino Cavalcanti querem saber como Eduardo Campos vai renovar a "prática política".
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Sebastião Nery, que lança livro novo em SP na quarta-feira, dizia que ACM era o presidente noturno e FHC, o primeiro-ministro diurno.
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Tem gente que veste Ellus (empresa escravagista, é bom lembrar) da cabeça aos quatro pés.
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Nossos descendentes ainda vão rir muito do pessoal que entrou na onda do #NãoVaiTerCopa enquanto a sétima cidade mais populosa do planeta secava sem que eles dessem um pio.
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Veja. Não leia nem escondido.
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A propósito da Virada Cultural:
"Como pode um jornal dessa envergadura ignorar centenas de shows, como se nada tivesse acontecido além de um grande arrastão?", perguntou o engenheiro de produção João Luiz Manguino em carta publicada pela ombudsman da Folha, que se diverte na coluna deste domingo:
"O azedume é parte da alma da Folha. Costumo brincar dizendo que se fosse noticiar a ressurreição, o título do jornal seria 'Nazareno leva três dias para ressuscitar."
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Nem direita. Nem esquerda. Nem muito pelo contrário. Eduardo Campos é um radical de centro.
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"A música é a própria realização do silêncio." (Philip Roth)
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Na peça de Samuel Beckett, Godot é aquele sujeito que nunca chega. Mas o pessoal continua esperando, como o PSB espera o tal efeito Marina.
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PSDB espera que o Brasil alcance, logo que volte ao poder, taxas de desemprego padrão europeu: Itália, 12,7%; Portugal, 18,5%; Espanha, 25,93%.
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Alckmin é um fantasma do passado ou uma assombração do presente?
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Maconha não faz a cabeça de Aécio. Mas Armínio até que lhe dá um barato legal.
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Ao esconder que Dilma vence no primeiro turno, segundo o último Ibope, JN empata consigo mesmo em matéria de safadeza.
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Adeus marqueteiros! PSDB acha mais jogo contar apenas com o trabalho que a mídia já desempenha.
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Gostava mais quando Paulo Coelho fazia chover e ventar. Ele bem que podia dar uma mãozinha pro Alckmin, hein?
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Ninguém da Folha perguntou na entrevista publicada hoje quais as "medidas impopulares" que Aécio pretende adotar se for eleito. Gente fina é outra coisa.
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Qualquer dia da semana que leve a população ao desespero é um dia perfeito para a midiazona.
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Roberto Carlos defende a censura às biografias pra que ninguém lembre a Medalha do Pacificador que Médici lhe deu e a rádio concedida por Figueiredo. Ou o discurso lambe-botas de Pinochet.
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Sabesp promoverá ampla campanha de vacinação contra o uso de água.
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A midiazona lhe informou que o deputado Mendonça Filho, do DEM, porta-voz da oposição na CPI da Petrobras, é aquele que apresentou a emenda da reeleição de FHC?
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Na campanha de 2010, nenhum veículo da mídia lembrou que Verônica Serra quebrou o sigilo de 60 milhões de brasileiros. O que vão esconder nesta?
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Comitê Central da campanha de Aécio será instalado em São Paulo. De preferência na redação de Veja.
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A qualquer momento pode surgir na blogosfera uma "cadeia da legalidade" a enfrentar os Grandes Irmãos e a democratizar informações.
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Marina enfim decidiu a hora certa de Dudu tomar a papinha: 10 da noite.
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ENEM 2014 – O autor de Vidas Secas é:
A) (   ) Paulo Coelho
B) (   ) Jorge Amado
C) (   ) Geraldo Alckmin
D) (   ) Graciliano Ramos
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Quando Gilmar Mendes pede vista, pode contar com vista grossa.
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Imaginei o governador Geraldo Alckmin cortando a fita e dizendo "declaro vivo o volume morto". (JornalismoWando)
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"Baixa adesão" aos atos anti-Copa não mudam estado de espírito de Merval Pereira. Ele prossegue no baixo astral de sempre.
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"Quando um sujeito estúpido faz algo vergonhoso, sempre diz que cumpriu com seu dever" (George Bernard Shaw).
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Paulinho dá Força pro plano de pleno desemprego arquitetado por Armínio Fraga, o Rei do Passaralho.
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A família Marinho tem 28 bilhões, em dólares, para esconder a realidade brasileira.
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"Uma imagem vale por mil palavras; mas diga isso sem palavras." (Millör)
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Robson Marinho é tucano com bico de diamante, mas não é avis rara.
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FHC diz que "estamos valorizando um modelo distorcido de democracia": a venezuelana. Ele ainda prefere a peruana de Fujimori.
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A boa vida de Robson Marinho vem sendo resguardada pela mídia como o quarto segredo de Fátima.
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Cá pra nós, o propinoduto do Metrô não deixa de ser uma transposição de recursos para a molhar a mão Andrea Matarazzo e assemelhados.
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Qualquer criança do fundamental sabe. As enchentes e vazantes dos rios amazônicos são consequências das águas das chuvas. Tem gente na bancada do Roda Viva que não sabe: o apresentador.
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Não é bom que Alckmin entre pelo cano. Ele pode aparecer em nossas torneiras.
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Capa de Veja trata dos "superpoderes da leitura". Imagine os superpoderes que o cidadão adquire ao não ler tal revista.
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Armínio Fraga foi o nome sugerido a Barack Obama para presidir BC americano. É, sem dúvida, o "brasileiro" credenciado a promover a anexação do Brasil aos EUA num eventual governo Aécio Neves
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Não adianta chiar: com o smartphone, as pessoas só veem um palmo adiante do nariz.
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Coronéis que assinaram manifesto contra o aumento do salário-mínimo em 1954, que golpeou Jango do Ministério do Trabalho, reencarnaram na figura de Armínio Fraga.
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"Quer melhor lazer que estar vivo?" (Paulo Mendes da Rocha, arquiteto e urbanista brasileiro)
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Começou a contagem regressiva do choque de gestão no Cantareira: 9%, 8%, 7%, 6%, 5%, 4%, 3%, 2%, 1%, 0%.
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Sabino Indelicato depositou apenas US$ 950 mil (R$ 2,1 milhões) em uma conta do conselheiro do TCE, Robson Marinho. Que Indelicato.
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Vou ali, visitar a área de serviço da minha vizinha e, se ela deixar, dou uma entrada no quintal. Volto.
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By Palmério Dória e Zombozo Kropotkin, com adicionais.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pesadelo de Syllia - por Diane Özdamar (Arte digital - Coolvibe)

“Eu faria de novo. Isso deveria ser o normal”: a estudante que impediu um linchamento - por Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Mikhaila
     Mikhaila Copello, de 22 anos, mora no bairro de Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, estuda arquitetura na UFRJ e toca guitarra (toca bem, como se pode atestar num vídeo do YouTube). Em sua rua, já testemunhou muitos acidentes de carro e, volta e meia, socorreu algumas vítimas. “Tenho um instinto de proteção forte”, ela me diz.

     Esse instinto foi posto à prova de maneira extrema na semana passada, quando Mikhaila impediu um linchamento sozinha.

     Ela mesma escreveu sobre a experiência no Facebook: “Estava realizando minha primeira entrevista para a pesquisa sobre intervenções temporárias, num papo incrível com a Fernada, quando ouvi do outro lado da rua: ‘Pega ladrão!’. Num ato instintivo aproximei meus pertences de mim, achando que tudo aquilo que ali acontecia, mesmo que atravessando a rua, estava longe de mim, quando cercaram o tal do sujeito, e ele, no desespero, voltou correndo na direção do bar que eu estava”.

     O sujeito, que havia roubado um celular, tomou uma rasteira, caiu e abriu o supercílio. “Ele estava desfigurado”, lembra ela.

     No chão, passou a tomar chutes na cabeça do jovem que lhe dera a rasteira. Mikhaila foi para cima dos dois, tirou o rapaz do chão e o encostou na parede. Pegou um pano do boteco, entregue por um garçom, e o utilizou para estancar o sangue. E então começou a juntar gente em torno deles.

     Durante o que ela acha que durou 45 minutos, Mikhaila conteve, em seus cálculos, pelo menos 20 pessoas que queriam espancar o assaltante. Gente que gritava “mata!”, “e se ele tivesse estuprado sua filha??” e quejandos.

     Mikhaila afirma que conseguiu tourear o grupo tentando apelar à razão. “Nós não somos Deus para decidir quem vive e quem morre”, dizia. “Quem acredita em ‘olho por olho’ acaba cego”.

     Um homem com um cachorro — “não me lembro da raça, talvez um buldogue” — falou que, se ela não estivesse lá, soltaria o animal em cima do rapaz. Uma senhora gritava, apoplética: “Esse homem espancou meu filho!”

     “Quando a polícia chegou, um policial marrento ainda me falou: ‘Tem que apanhar, mesmo. Gosta de bandido? Leva pra casa’. Todo mundo o aplaudiu”, lembra ela. “Me senti na ‘Revolução dos Bichos’. Não dava mais para distinguir quem era homem e quem era animal”.

     O homem que ela salvou passou a caminho da viatura e soltou um “obrigado”. “Chorei compulsivamente”, afirma Mikhaila. “Onde moro tem milícia e já vi muita confusão. Já fui assaltada várias vezes. Mas nunca presenciei uma histeria dessas”.

     O ato de Mikhaila foi heróico e civilizado. Mas, desde o ocorrido, as reações foram diversas. Mais de duzentas mensagens foram postadas no FB parabenizando-a pelo feito. “Fiz questão de contar o que houve para rebater esse lado negativo dos justiçamentos, que tanta gente da mídia estimula”, diz.

     Teve de suportar, também, ataques. Numa inversão absurda, foi chamada por um psicopata de “communist attention whore” na internet (numa tradução livre, “vadia comunista louca por atenção”). Voltou ao bar, esses dias, para dar uma entrevista para a TV. A senhora apoplética estava lá. Ela saiu batendo nas portas dos vizinhos para avisar que Mikhaila, a “defensora de bandidos”, estava no local.

     Ela não tem medo de briga. Esteve nas manifestações. Não tem ligação com nenhum partido. “Sempre discuti na faculdade”, diz. Alguém apontou que ela escapou de apanhar por ser mulher. Ela concorda. 

     “Tenho um tio que matou dois assaltantes que tentaram invadir a casa dele. Ficou abalado para o resto da vida”, conta. “Eu faria tudo de novo, com qualquer pessoa. Isso deveria ser o normal”.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Arte digital - por Clint Cearley (site homônimo)

Por que ser de "esquerda"? – por Um quê de MARX

    
É comum ouvirmos críticas acerca da ideologia que escolhemos, quando não são críticas acompanhadas com xingamentos e pre-conceitos propagados pelas a mídia, pela direita fascista e até pessoas alienadas, que repetem aquilo que escutam e não possuem o mínimo de senso crítico para refletir sobre a realidade.

     Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social.

     Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros.

     Ser de esquerda, hoje, é defender os direitos dos mais pobres, condenar a prevalência do capital sobre os direitos humanos, advogar uma sociedade onde haja, estruturalmente, partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.

     O fato de alguém se dizer marxista não faz dele uma pessoa de esquerda, assim como o fato de ter fé e frequentar a igreja não faz de nenhum fiel um discípulo de Jesus. A teoria se conhece pela práxis, diz o marxismo. A árvore, pelos frutos, diz o Evangelho. 

     Se a prática é o critério da verdade, é muito fácil não confundir um militante de esquerda com um oportunista demagogo: basta conferir como se dá a relação dele com os movimentos populares, o apoio ao MST, a solidariedade à Revolução Cubana e à Revolução Bolivariana, a defesa de bandeiras progressistas, como a preservação ambiental, a união civil de homossexuais, o combate ao sionismo e a toda forma de discriminação.

Fotografia - por David Doubilet (National Geographic)

Gilmar Mendes deveria despir a toga e disputar eleição- por Bob Fernandes (Terra Magazine)

     O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, diz que o país vive "um apagão de gestão". E que "é preciso atenção devida" aos escândalos na Petrobras.

     A Petrobras será alvo de CPI, vem sendo investigada pela Polícia Federal, Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União e Ministério Público. E está todos os dias nas manchetes, sob atenção total da Mídia.

     Mais atenção, quase impossível. Atenção talvez seja preciso em relação a Gilmar Mendes, suas ações, história e motivos.

     O ministro é inteligente e sabe o que é fazer política. No Palácio, como jurista, ele serviu aos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso.

     Que atitude… o que disse Gilmar Mendes quanto à compra de votos para aprovação da emenda da reeleição sob a presidência de Fernando Henrique? 

     Da mesma forma em relação às fitas do BNDES e a privatização do Sistema Telebrás, que não foram objeto de qualquer CPI. Nem à época e nem depois.

     Gilmar concedeu dois habeas corpus a Daniel Dantas na "Operação Satiagraha", em julho de 2008. É seu direito e parte da sua função.

     Não é sua função "chamar às falas" um presidente da República, como anunciou ter feito naquele 2008.

     O ministro foi ao presidente Lula cobrar escuta telefônica que teria sido feita contra ele pela ABIN.

     A história era ridícula. "Escândalo" com um grampo telefônico que ninguém ouviu. 

     Grampo de ficção, que deixava bem na conversa Gilmar e seu parceiro naquela história, o ex-senador Demóstenes Torres.

     Aquele que foi esteio moral do DEM antes de ser cassado na esteira do caso Cachoeira & Delta. 

     No chamado "mensalão do PT", Gilmar Mendes, ministro do Supremo, prejulgou. Deu o veredicto, de "quadrilha", antes do julgamento começar.

     No caso Daniel Dantas, Gilmar protestou contra o "Estado policial", simbolizado pelos grampos da PF.

     Grampos estão sendo vazados no caso Petrobras. E o que se ouve do mesmo ministro?… Silêncio no Tribunal. 

     O ministro faria bem ao Supremo e ao país se atendesse à sua verdadeira vocação. 

     Como outros no Supremo Tribunal, Gilmar Mendes deveria despir a toga e ir às urnas, disputar uma eleição, um mandato.

Fotografia surreal - por Julie de Waroquier (site homônimo)

A barbárie chega aos poucos. E quando a gente se dá conta… - por Marcelo Semer (Terra Magazine)

     A barbárie chega aos poucos. 

     Ela se instala quase sempre sem alarde. 

     Na maior parte das vezes, por trás de motivos ditos imperiosos, circunstâncias extraordinárias e outras coisas pretensamente terríveis com que nos convencem a abrir mão de direitos.

     Ela cresce sob a batuta do medo e a suposta necessidade de reagir, gerando ainda mais medo, naquele círculo vicioso de uma profecia que se autorealiza.

     As pessoas vão se acostumando a romper os limites do que pensam e falam e como se tratam. Jornalistas e políticos abrem mão de seus protocolos e de seus princípios. Juristas acomodam e flexibilizam os conceitos do direito. E a histeria vai comendo a todos pelas bordas.

     Quando a gente se dá conta, está matando uma mulher à pancada em plena rua, porque alguém disse que quem sabe teria sido suspeita de um crime que ninguém nunca viu.

     Já faz tempo que vimos nos seduzindo por um discurso irresponsável e sensacionalista que prega, a partir do eterno mito da impunidade, a necessidade de mais polícia, mais pena, mais prisão, mais tortura, mais mortes.

     A lógica do estado policial vai se instaurando como um vírus dentro do corpo social, porque interessa a muitos que combatem, às vezes abertamente, outras de forma sub-reptícia, a preservação do estado social. 

     Afinal, direitos são mais caros do que penas. E emancipam, não encarceram.

     As soluções de todos os problemas passam, então, pela dinâmica criminal. Tudo é criminalizado e criminalização é cadeia e cadeia é, sobretudo, dor, sofrimento e morte. 

     E quando o direito penal não funciona, a culpa não é atribuído ao excesso, mas à escassez, resolvendo-se, então, em mais crimes, mais penas, mais prisões, mais torturas. 

     E o reclamo de que o estado é ineficiente, leniente, frouxo e que as pessoas tem “legítima defesa” para agir contra criminosos.

     Quando a gente se dá conta, está matando uma mulher à pancada em plena rua, porque alguém disse que quem sabe teria sido suspeita de um crime que ninguém nunca viu.

     Pouco importa se a cultura do bandido bom, bandido morto resulta em uma contradição inconciliável –porque matar é um crime mais grave do que a maioria dos crimes atribuídos a esses "bandidos" que são mortos.

     O importante é aumentar o tônus criminal, porque isso dá audiência, isso dá votos, isso dá ordem e disciplina, isso confirma uma linha imaginária (e, sobretudo, racista) que separa os bandidos dos homens de bem – criminosos em muitas outras órbitas, mas homens de bem assim mesmo.

     E na toada vamos concordando com o aumento de penas, com o encarceramento desmedido, com o senso comum de que a impunidade cresce, paradoxalmente com o inchaço da população carcerária, e que, enfim, é preciso aceitar medidas drásticas para situações excepcionais.

     E passamos a tratar criminosos como inimigos, manifestantes como terroristas, favelados como subumanos, e vamos admitindo as violências policiais, os estados de sítio implicitamente decretados nas decisões judiciais, e compreendendo a revolta de quem se vê, ou apenas se sente, vítima da criminalidade.

     Aí a gente criminaliza a defesa, porque só atrapalha, culpa o habeas-corpus porque atrasa a justiça, responsabiliza os próprios presos pelas violências que sofrem, e admite prender garotos no poste, quando são flagrados no crime, porque, afinal de contas, nada funciona mesmo.

     E quando a gente se dá conta, está matando uma mulher à pancada em plena rua, porque alguém disse que quem sabe teria sido suspeita de um crime que ninguém nunca viu.

Ilustração - por Miranda Meeks (Site homônimo)

Senador tucano explica tudo: “@#$%$&*@%$%!” - por Laura Capriglione (Yahoo!)

Blogueiro: Senador, senador! O senhor poderia responder a importância que o senhor dá às CPIs?

Senador Aloysio Nunes Ferreira: A importância das CPIs é investigar problemas que ocorrem no âmbito do governo ou mesmo fora do âmbito do governo. É um poder de investigação que o congresso tem.

Blogueiro: E o que o senhor tem a dizer do fato de o seu partido lá em São Paulo ter enterrado 70 [pedidos de abertura] de CPIs? Não ter deixado acontecer nenhuma CPI em São Paulo?

Senador Aloysio: Existem investigações em São Paulo que são muito profundas em relação a essa história do metrô, foram levadas adiante pela Procuradoria do Estado, pela Corregedoria do Estado, pelo Ministério Público, pela Justiça...

Blogueiro: Mas independente disso o seu partido não deixou passar nenhuma CPI. E sobre o suposto envolvimento do senhor...

Senador Aloysio: Vai pra puta que te pariu! Cacete! Vagabundo!


     Então está combinado: quando lhe fizerem uma pergunta incômoda, aja como um homem. Vá para cima. Xingue a mãe de seu interlocutor - serve qualquer das variáveis de meretriz.

     Use todo o vocabulário chulo de que lembrar. Mas tem de vir num jato (nada de ficar pensando).

     Ameace bater. Corra atrás do meliante perguntador e chame a segurança para prendê-lo. Mas, acima de tudo, não responda nada.

     Foi esse script do machão indignado que o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira, senador por São Paulo, cotado para vice na chapa do presidenciável tucano Aécio Neves, seguiu ontem ao ser inquirido sobre seu “suposto envolvimento...”.

     Nem precisou que o blogueiro explicitasse envolvimento em quê. Antes da conclusão da frase, o senador arremeteu: “Vai pra puta que te pariu! Cacete!” E seguiu-se uma saraivada de $&@$%*¨&%@$%*¨&%.

     Bonito e fino!

     Aloysio sabia a que “suposto envolvimento” o blogueiro se referia, mesmo sem ele tê-lo mencionado. Segundo Everton Rheinheimer, ex-diretor de vendas da Siemens, disse à Polícia Federal, o senador manteria “estreito relacionamento” com um lobista acusado de pagamento de propinas a políticos, a fim de ajudar a multinacional alemã a ganhar contratos do Metrô e da CPTM (que administra os trens intermunicipais).

     Em vez de responder por que os tucanos, no poder do Estado de São Paulo há 20 anos, barram qualquer CPI sobre o assunto; em vez de defender sua inocência, o senador preferiu partir para a intimidação pura e simples.

     Perseguido por Aloysio e auxiliares até o estacionamento do Senado, o blogueiro acabou detido e ainda teve o celular com que gravou o bate-boca “periciado”, sabe-se lá o que isso quer dizer.

     Ah, mas o blogueiro é conhecido petista. Rodrigo Grassi, apelido Rodrigo Pilha, foi assessor parlamentar da senadora Erika Kokai (PT-DF), que o exonerou quando ele hostilizou o presidente do STF, Joaquim Barbosa, na saída de um restaurante, chamando-o de “tucano” e “autoritário”. Barbosa ignorou-o.

     No caso de Aloysio, não houve gritos, nem acusações por parte do blogueiro. Grassi ainda teve o cuidado de perguntar sobre “o suposto envolvimento” –usa-se suposto quando resta ainda alguma dúvida...

     A gritaria veio, sim, de um Aloysio descomposto, desfigurado e agressivo. Por que será?

     Imagine-se a presidente da Petrobrás, Graça Foster, respondendo com palavras de baixo calão à indagação de parlamentares que investigam a compra da refinaria de Pasadena;

     Ou a presidente Dilma Rousseff, mandando à “puta que o pariu” o dirigente da Força Sindical (Paulinho da Força), que, depois de tomar uns bons tragos da tequila que levou ao ato público de Primeiro de Maio, disse que ela deveria estar confinada no presídio da Papuda.

     Homem público que é, Aloysio já viu de tudo em uma vida que inclui ter sido motorista e guarda-costas de Carlos Marighella, o inimigo público número 1 da Ditadura Militar. Bem antes dos tempos tucanos, em agosto de 1968, o hoje senador integrou o grupo que assaltou o trem pagador da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Os recursos serviriam para sustentar a luta armada contra o regime.

     Por uma carreira tão intensa, é difícil acreditar que Aloysio se tenha deixado excitar assim por um blogueiro desconhecido, que o filmava com um reles iPhone (quem antes conhecia o tal blog “Botando Pilha”?).

     Pois foi exatamente isso o que aconteceu. Flagrado no ato xingatório pelo vídeo divulgado por Rodrigo Grassi (ou Pilha), o tucano ainda tentou manter a pose. Em entrevista a “O Globo” disse:

     Eu não tinha outra atitude que não partir para cima dele para lhe dar um pescoção. Eu fui agredido! Não tenho envolvimento em caso nenhum de metrô. (...) É um bando de vagabundos, cafajestes! Só não dei um pescoção nele porque ele correu mais do que eu!

     Nossa!

     Enquanto isso, o metrô de São Paulo é campeão de superlotação –tente pegar a linha leste-oeste no horário de pico; as panes de trens tornaram-se rotina na cidade; as denúncias de corrupção entre a Siemens e políticos paulistas são apuradas na Europa, mas nada de CPI por aqui; falta água na maior cidade do país porque a Sabesp (estatal do governo do Estado) desperdiça mais de 32% da água limpa que produz e é incapaz de tratar adequadamente o esgoto...

     Explica isso para a gente, senador! Mas sem xingar as mães, por favor.

Assassino - por Jiyeon Joo (Arte digital - Coolvibe)

Boatos na internet, intolerância e medo que levam à morte – por Ricardo Kotscho (Balaio do Kotscho)

     "Você já viu o que está circulando na internet? Tem foto e tudo. Estou com medo de deixar filho meu sair de casa"


     "Vi agora no Facebook que vai faltar água e luz, a inflação vai explodir, a coisa está feia".


     Quem ainda não ouviu ou recebeu um e-mail com este tipo de comentário? É assim que surgem os boatos e se alastram como pólvora na grande rede, nos táxis, nos ônibus, nos botecos, no boca a boca por toda parte, criando um clima de medo e intolerância, revolta e ódio, mau humor generalizado, pessimismo, o caldo de cultura que acaba levando à morte, como aconteceu quando mais de 100 pessoas lincharam a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no último domingo, no Guarujá, em São Paulo.


     Quando li a notícia sobre mais este crime hediondo fiquei tão chocado que não sabia nem o que escrever. E começo a me perguntar: adianta escrever alguma coisa depois de ver o vídeo desta barbaridade promovida no balneário mais chique dos paulistas? São tantos os casos de violência extrema acontecidos ultimamente que já deveria estar anestesiado a esta altura do campeonato da vida de jornalista, mas ainda reajo com o inconformismo do início da carreira e procuro entender primeiro o que está se passando na alma dos brasileiros, aquele povo outrora chamado de cordial por Sérgio Buarque de Holanda.


     Linchamentos e chacinas sempre aconteceram, não são novidade no Brasil nem no mundo civilizado, mas não me lembro de alguém arrancar e jogar um vaso sanitário do alto da arquibancada nas pessoas que estão passando na rua, como vimos no último final de semana, no Recife. De uns tempos para cá, porém, noto que a violência e a intolerância se disseminaram na nossa sociedade, em todas as relações humanas, nas diferentes classes sociais, no trânsito, nas filas, no transporte coletivo, no trabalho, nos comentários na internet, na política, nos jogos de futebol, nas baladas e até na família. Concorrentes e adversários viraram inimigos, e a vida vale cada vez menos. São tempos de vale tudo, de salve-se quem puder.


     Quem pensa diferente de nós é um idiota ou um vendido, quem prega fraternidade, paz, tolerância é um poeta inocente a serviço dos bandidos, quem defende o desarmamento de espíritos é um sujeito que está fora do mundo, quem procura se colocar no lugar do outro e ouvir diferentes opiniões antes de emitir a sua está perdendo seu tempo.


     É um tempo de certezas absolutas, de donos da verdade, de tudo ou nada, preto ou branco, escreveu não leu, o pau comeu. No jornalismo, por exemplo,para se dar bem hoje em dia, tem que ser mais radical do que os outros, pregar a justiça com as próprias mãos, mandar prender todo mundo porque ninguém presta. Isso dá aumento de salário, prestígio e rende novas propostas de trabalho.


     "Eu também tenho filhos e o papo que rolava é que estavam matando crianças. Não sabia se ela era inocente ou não", disse candidamente à policia o primeiro assassino preso no Guarujá, o eletricista Valmir Dias Barbosa, de 47 anos.


     Quer dizer que, se Fabiane de Jesus, de 33 anos, mãe de dois filhos, não fosse inocente, ele e o restante da malta enfurecida teriam todo o direito de matá-la a pauladas porque "o papo que rolava" é que a dona de casa que carregava uma Bíblia na mão sequestrava crianças para fazer magia negra.


     Sabe-se agora que a boataria se espalhou a partir de um retrato falado feito pela polícia do Rio há mais de dois anos e reproduzido, sem nenhuma checagem ou apuração, no dia 25 de abril, pela página do Facebook do "Guarujá Alerta", que tem mais de 55 mil seguidores. A imagem teria sido retirada, segundo o advogado do "responsável" pelo Facebook, depois de ele perceber que era um boato, mas o estrago já estava feito, alarmando a população de Morrinhos, um bairro pobre de 40 mil habitantes.


     "A gente não pode culpar ninguém, tem que culpar a internet", disse ao R7 o ajudante Jonas Thiago Andrade, que aparece no vídeo do linchamento e também foi ouvido pela polícia.

     
     Como assim, culpar a internet? Vão prender todos os provedores e computadores da grande rede? Internet é apenas um instrumento, um equipamento eletrônico como o rádio e a televisão. Culpados, além da centena de linchadores, são os responsáveis pelos conteúdos irados e apopléticos que estão instigando a violência, disseminando boatos, assassinando reputações, atirando primeiro para depois pedir documentos, jogando a população contra governantes e políticos em geral, como se a democracia e a justiça pudessem ser feitas com as próprias mãos, conforme o que der na telha de cada um.


     Às vésperas da grande festa que poderia ser a Copa do Mundo no Brasil, programam-se novas manifestações de protesto e uma onda de greves, tendo como pano de fundo a campanha eleitoral, em crescente clima de beligerância nas redes sociais, como se o mundo fosse acabar amanhã. E a CPI da Petrobras ainda nem começou. Tudo parece seguir um roteiro macabro, que acaba desaguando em cenas dramáticas como a do linchamento no Guarujá, com o virando inimigo do próprio povo. É disso que Fabiane Maria de Jesus foi vítima. E vida que segue.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Fotografia - Flickr

A grande decepção das eleições

     Analisando a política brasileira, de maneira lúgubre podemos constatar que todas as grandes pautas da esquerda foram abandonadas pelo PT:

     Reforma agrária, revisão da lei da anistia, redução da jornada para 40h semanais, imposto sobre grandes riquezas e movimentações financeiras, redução dos juros, fim do fator previdenciário, democratização dos meios de comunicação; privatizaram o mega campo de libra do pré-sal, venderam ações de estatais, etc., etc., etc.

     O que restou foi o aumento do salário mínimo e as políticas sociais, que, de fato, são iniciativas muito importantes e foram responsáveis por um grande avanço sócio-econômico de dezenas de milhões de brasileiros. Porém, tirante estas duas ações, não resta praticamente nada. Em se considerando que são dez anos no poder, é pouco.

     Caberia a Eduardo Campos, de um partido alcunhado de socialista, realizar a devida crítica ao PT, combatendo essas incoerências históricas e se apresentando como uma alternativa a esquerda. 

     Porém, ele vai nadando de braçadas na tentativa de agrado ao mercado financeiro, aos rentistas, aos maiores parasitas da sociedade (e olha que a concorrência é grande), onde o PSDB já se encontra firmemente encastelado. 

     É um duplo erro: por um lado, ideologicamente é um desastre e, por outro, não vai nessa esfera angariar voto algum, pois quem possui esta ideologia já é representado pelos tucanos.

     Quer posar de esperto e esta sendo um estúpido.

     Eduardo Campos desonra a memória de seu nobre avô, Miguel Arraes. Fatalmente será a maior decepção dessas eleições. Não decepção de resultados em si (acredito que se ele chegar ao 2º turno, vencerá o pleito), mas de concepção ideológica. 

     É o típico caso em que, mesmo que venha a ganhar, já começará o governo derrotado.

Fotografia - por Flip Nicklin (National Geographic)

PT: corrompido e acuado - por Aldo Fornazieri (Jornal GGN / Blog do Nassif)

     O PT e seu governo vivem o pior momento desde que a agremiação assumiu o poder em 2003. O partido vem perdendo a batalha intelectual e moral junto à sociedade e aparece cada vez mais identificado como um partido corrupto. O próprio presidente Lula disse, com todas as letras, no último dia dois de maio, que o partido se corrompeu. Ao falar da origem pobre do partido, da militância aguerrida, Lula constatou que aquela postura  foi abandonada e  afirmou que agora “é tudo uma máquina de fazer dinheiro, que está fazendo o partido ser um partido convencional.”

     O problema, no entanto, não se restringe à substituição da militância espontânea pela “máquina de fazer dinheiro”. Desde a eclosão da crise do mensalão, principalmente a partir do início do seu julgamento, o partido se deixou ser diariamente massacrado e taxado de corrupto, sem capacidade de expressar reação e de sair da defensiva. O problema se agravou ainda mais nas semanas recentes, com os episódios de André Vargas e da crise da Petrobrás.

     Na questão do mensalão, o PT conduziu-se pela política da indecisão e, quem entende de política, sabe que a indecisão é fatal. O partido nunca reconheceu erros em relação ao episódio. Se tivesse cometido erros, o mais correto teria sido vir a público, desde o início do julgamento, reconhecê-los fazendo uma autocrítica, recompondo-se moralmente com a opinião pública. Se não errou, o partido vem se comportando de forma covarde. Se é este o caso, está deixando, passivamente, que se cometa uma injustiça contra seus ex-dirigentes. Se está convicto de que não errou deveria ter mobilizado a militância durante o julgamento e, consumada a condenação, deveria mobilizar-se para exigir uma anistia aos condenados. Em suma, se errou, continua errando por não fazer autocrítica e se não errou, o erro é mais grave porque está deixando que se cometa uma injustiça.  Junto ao senso comum vale a máxima: “quem cala consente” e a imagem que se firma é a de que o partido tem culpa na questão do mensalão.

     O PT se desfez da bandeira da luta contra a corrupção e isto é notável há bastante tempo. Mas três episódios recentes chamaram a atenção dos observadores políticos. O primeiro diz respeito à suspeita de graves irregularidades relacionadas ao cartel do metrô e a reforma de vagões, no Estado de São Paulo, envolvendo os governos tucanos. A bancada petista da Assembleia Legislativa e o partido como um todo, estranhamente, não desenvolveram nenhuma grande batalha política para que as suspeitas fossem investigadas. 

     O segundo, diz respeito ao expurgo da quadrilha de fiscais que vinha dilapidando os cofres da prefeitura de São Paulo, promovido pelo prefeito Haddad. O prefeito chegou a ser criticado por setores do partido pela ação moralizadora, pois ela afetava, supostamente, conveniências políticas e alianças com o PSD de Kassab. O terceiro episódio se refere ao silêncio dos petistas ante a falta de isonomia do STF em relação ao mensalão mineiro dos tucanos. O mensalão mineiro ocorreu cerca de sete anos antes do mensalão petista. Sequer chegou a ser julgado pelo STF, numa clara violação do princípio da isonomia, fato que denota, mais do que qualquer outro, determinadas escolhas políticas do Supremo. O PT não promoveu nenhuma denúncia acerca do episódio.

A Aristocratização e Falta de Renovação do PT

     É certo que o PT ascendeu ao poder com escassa ideologia republicana da virtude. Mas, o partido, quando militava na oposição, era portador de uma ideologia imprescindível ao êxito político: a ideologia da concepção da política como combate. Esta ideologia estabelecia o vínculo do partido com uma das virtudes fundamentais para uma política da moralidade e da construção do bem público: a virtude da coragem. A ideologia da política como combate e a virtude da coragem são barreiras fundamentais para bloquear a concepção da política como  conveniência e negócio, que leva à corrupção. São elas que promovem o compromisso e o radicalismo necessários para estar sempre junto aos setores sociais mais necessitados e mais pobres.

     O poder, os palácios, os gabinetes, as viagens, os bons restaurantes, os bons salários, a ascensão social, a visibilidade pública, as boas bebidas, os ternos bem talhados e as novas amizades amoleceram os corações e as convicções dos petistas que antigamente militavam nas portas de fábrica, nas ruas, nas universidades, nas greves, no enfrentamento da polícia etc. Como não abriram as portas dos palácios e dos gabinetes ao povo, perderam o contato com o mesmo. O povo continua com a baixa renda e pobre, sem direitos a serviços de qualidade, humilhado nas periferias.  O povo enfrenta as bombas da polícia nas desocupações violentas e as balas na militarização das favelas do Rio de Janeiro. O governo deveria ouvir mais o povo e a sociedade civil organizada e menos marqueteiros que sugerem a Dilma ocupar, simbolicamente, uma ridícula posição de “rainha no imaginário popular”.

     O governo continua subsidiando o grande capital com uma taxa negativa de juros de 1% através do BNDES. As taxas de juros do povão, endividado nos bancos ou no cartão de crédito, é superior a 90%. Os trabalhadores perdem de duas a três horas diárias no transporte público degradado. O governo subsidia a gasolina para os mais ricos, coloca em risco a Petrobrás e destrói a indústria do etanol. O fato é que os petistas, encastelados nos palácios e nos gabinetes, além de perderem o contato com o povo, estão perdendo o reconhecimento e a fidelidade da juventude, dos sem teto, dos moradores da periferia, de muitos trabalhadores e da classe média. Como todo partido, o PT se aristocratizou. Não levou em conta a necessidade de renovação de quadros, de ideias e de inovação nas políticas públicas. Cresce no eleitorado o desejo de aplicar uma vendeta, uma vingança, uma desforra através das urnas, no PT.

     O que aconteceu no Ato da CUT, no Primeiro de Maio, quando todos os políticos foram vaiados e repudiados, é um sintoma dessa vendeta. As vaias e as hostilidades que o Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, enfrentou no Sindicato dos Bancários, no Rio de Janeiro, mostram o tom crítico com que parte da sociedade vê o governo. O fato é que o PT começa a ficar um partido acuado nos ambientes sociais mais amplos. Há quase um consenso acerca dos erros de condução da política econômica do governo, fato reconhecido até por economistas e analistas petistas ou simpatizantes do partido.

     A situação se agrava também porque o partido e o governo estão perdendo o compasso da política, situados cada vez mais numa posição de acuo, de defensiva. A campanha eleitoral começa a dominar o ambiente. Há pouco tempo e pouca margem de manobra para o governo e para o partido. É verdade que o PT é, ainda, o partido mais preferido pelo eleitorado. Conta com uma base militante ampla. Mas esta é um exército desmobilizado, mal conduzido e com baixa moral. Talvez, uma reação mais forte seja possível se o partido levar a sério o duro soco no estômago que lhe aplicou o presidente Lula no último dia dois de maio.

Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.

Comentário
Não creio que a fala de Lula tenha grande impacto, pois ele é um dos principais responsáveis pelo partido estar como esta. Afora isto, uma fala é uma fala, a ação é o que interessa. Quais são as ações efetivas do ex-presidente para coibir, corrigir, depurar o partido?

As Trevas de Khazad-dûm - por Alicexz (Ilustração - alicexz.deviantart.com)

Eleições: conversa entre presidenciáveis finalmente fica clara – por Folha de S.Paulo / Jornal GGN / Blog do Nassif

Nome aos bois - por André Singer (Folha de São Paulo)

     Por um momento o debate político voltou a ter a nitidez anterior a 2002. Tudo começou com a frase, surpreendente pela franqueza, que o pré-candidato do PSDB Aécio Neves soltou a empresários em São Paulo. O neto de Tancredo disse estar "preparado para tomar as decisões necessárias, por mais que elas sejam impopulares" (Folha, 2/4). Dez dias depois, o coordenador do programa econômico do senador, Armínio Fraga, não só confirmou a declaração como deu algumas pistas do que ela significa (O Estado de S. Paulo, 13/4).

     Outra quinzena transcorrida, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos principais formuladores da chapa Eduardo Campos-Marina Silva, reconheceu em um encontro na Globonews (26/4) não haver, entre os que pensam o programa da dupla socialista-sustentável qualquer diferença importante em relação à equipe tucana, no que diz respeito à economia brasileira.

     Por fim, na véspera do Primeiro de Maio, a presidente Dilma Rousseff, provável candidata do PT, foi à TV responder aos adversários. Numa alusão clara à "coragem" aecista, Dilma prometeu que o seu governo "nunca será o da mão dura contra o trabalhador".

     O que está em jogo nos movimentos acima descritos é a posição das candidaturas majoritárias a respeito da necessidade de se fazer um ajuste de caráter recessivo no país em 2015. Há uma espécie de frente ampla capitalista em torno de tal perspectiva, que se expressa nas menções, cada vez mais comuns, às pretensas "dificuldades" que aguardariam o Brasil no ano que vem.

     Segundo Armínio Fraga, na entrevista supracitada, é preciso adotar um controle estrito do gasto público, adotando-se, talvez até em lei, um limite de dispêndio em relação ao PIB. Não é difícil perceber que tal enxugamento reforçaria o combate à inflação pela via do corte de demanda, já em curso por meio dos juros altos que o BC determina, satisfazendo, assim, o anseio do mercado por um choque.

     Também Eduardo Campos acha que "é imperioso recuperar a confiança dos investidores" (bit.ly/SiyI8Y). Embora se arrisque menos que Aécio no sincericídio, como convém a uma opção de centro, o compromisso do neto de Arraes não é muito diferente do assumido pelo neto de Tancredo. Haja vista a defesa que primeiro tem feito da independência do Banco Central.

     Empurrada pela queda nas pesquisas, Dilma deu um passo na direção oposta ao anunciar que vai continuar a valorização do salário mínimo, reajustará a Bolsa Família e a tabela do Imposto de Renda. Tais medidas implicam aumento do gasto. Resta saber se tal disposição se aprofundará ao longo da campanha e, sobretudo, se tomará corpo no próprio governo, em caso de vitória. Seja como for, por agora a conversa ganhou alguma clareza.

Diminuir salários e empregos no Brasil é pena de morte - Por SergioMedeirosR (Jornal GGN/Blog do Nassif)

     Adotar as medidas impopulares do PSDB e do PSB de Campos, de cessar a política de aumento real do salário mínimo e do pleno emprego, significa, de pronto, condenar alguns milhões de brasileiros à morte.

     Tudo em nome do mercado.

     A diferença entre a política econômica atualmente adotada no Brasil, em relação ao salário mínimo e ao incentivo à criação de empregos, e a do resto do mundo, é centrada em dois pontos básicos, enquanto no Brasil temos pleno emprego e valorização real dos salários, nos demais países (Europa e Estados Unidos como base de comparação) vemos um desemprego em massa e a contínua retirada de direitos sociais...

     Tal realidade pode ser facilmente aferida em países da Europa, sendo os exemplos mais candentes o da Espanha, Grécia, Portugal Itália França...

     No governo anterior, FHC-PSDB (1994-2002), para não levar adiante uma política de aumento real do salário mínimo, este afirmava  que o aumento de salário gerava inflação e desarrumava as contas públicas.

     Isso significava a manutenção de milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza (que nada mais é que uma sentença de morte com requintes de crueldade – ou pior, a subraça que estava se formando pelo desenvolvimento mental incompleto, pela falta de ingestão diária de nutrientes básicos, em outros termos, pela falta de comida).  

     A política do governo Lula e Dilma desmentiu tal teoria de FHC/PSDB e de economistas como Armínio Fraga (ligado ao PSDB) e outros ..

     Durante os Governos Lula Dilma – 2003 a 2014, o salário mínimo teve um aumento real acima da inflação de mais de 73 por cento, e o Brasil não quebrou nem deixou de se desenvolver, nem a inflação estourou a meta (no último mandato de FHC, a inflação foi bem maior que a atual, que a mídia diz, de boca cheia, que está alta).

     Ainda, algo tão ou mais importante, tal política não se encerra na questão atinente ao salário mínimo.

     É que, a valorização real do salário mínimo não se reduz somente a esfera do salário mínimo, o aumento deste influencia diretamente no aumento das demais faixas salariais, ou seja, o aumento do salário mínimo faz com que, efeito cascata, os demais salários acima deste patamar também aumentem.

     Reitero, não somente o salário mínimo, mas todos os salários, sejam os percebidos junto a iniciativa privada, sejam junto ao setor público, também aumentaram em termos de valores reais, na contramão do resto do mundo.

     E aí, eis o paradoxo, chega perto das eleições e, a maior parte das categorias profissionais, enganada pela mídia oficial e lideres oportunistas, apesar de terem tido aumentos acima da inflação... reclama porque seu salário não aumentou na mesma proporção do salário mínimo.

     Ora, o que realmente importa é se os salários aumentaram mais que a inflação, se o poder de compra aumentou, se existem empregos disponíveis para quem queira trabalhar... isso é o que importa...

     Frisa-se... Vejam a Europa, com toda a riqueza, com todo o poderio econômico... lá, indiscutivelmente (é fato incontroverso) existe uma crise sem precedentes de falta de empregos...Na Espanha chega a quase 30%....

     Enquanto isso no Brasil há pleno emprego.

     E aí, novamente, vêm estes políticos oportunistas, e seus economistas de plantão, dizerem que o Brasil não pode dar aumento real de salários porque isso está inibindo o crescimento da economia.

     Ora, muito pelo contrário, o Brasil é a prova concreta que aumentar salário não gera inflação, mas sim aumenta a produção interna e reduz a desigualdade.

     Eles sabem disso, mas o que eles querem é aumentar a margem de lucro, principalmente externa, por isso o desprezo pela atual política de valorização dos salários e pleno emprego.

     Em outros termos, os ricos passaram a ganhar um pouco menos com este crescimento moderado, mas a imensa maioria do povo brasileiro passou a ter melhores condições de vida, pois houve melhor distribuição dos lucros advindos da atividade produtiva.

     E aí está a questão, nem mesmo esta ínfima parcela eles estão dispostas a deixar de ganhar...

     Mas a questão não se encerra no simplismo do salário mínimo e do pleno emprego.

     A se adotarem medidas que tenham o condão de estagnarem o salário mínimo e médio e as vagas de emprego, as micro e pequenas empresas seriam diretamente atingidas e todos os trabalhadores/empresários que nelas laboram.

     O que diria este grande contingente de pequenos e microempresários se, de uma hora para outra seus clientes começassem a minguar...

     Haveria uma luta fratricida entre elas, porque ao tentarem se manter no mercado iriam cada vez mais se endividando,  até um ponto insuportável e a partir daí somente as grandes sobreviveriam.

     Todos perderiam.

     Outro ponto, os mecanismos de crédito e os incentivos para a produção e desenvolvimento, que permitiram que uma imensidade de pequenas empresas florescesse, em face da tal turbulência também cessariam...

     Por isso, pequenos empresários, vocês também pensem muito e cautelosamente... a questão não se resume ao salário dos demais trabalhadores, mas sim ao fato de que vocês dependem desta nova classe de consumidores.

     Quem vende, seja serviço ou outros produtos, vende no varejo, a muitas pessoas, aos trabalhadores e aos da hoje considerada classe média (baixa).

     Pequenos empresários, ME,... os ricos nunca foram os que movimentaram seu mercado, ainda mais o tipo de mercado de consumo que vocês desenvolvem, que necessita de milhões de clientes...

     Pensem de novo, pensem que seu sucesso depende de uma economia com pleno emprego e com capacidade para consumir seus produtos...

     Olhem seu mercado consumidor... seus clientes, e vejam como seria desastroso se estas pessoas tiverem diminuídos seus ganhos...

     E isto para todos, desde o vendedor de cachorro quente até para o vendedor de carros ou imóveis.

     Imaginem um quadro apenas um pouco desfavorável, onde um aumento do desemprego ocorra.

     Neste contexto, tirando os diretamente atingidos, os primeiros a sentirem tais efeitos são logicamente os pequenos empresários... 

     A batalha pela sobrevivência aviltará seus preços... e ainda terão que ouvir... é o mercado... é a livre inciativa...somente os capazes sobrevivem...

     Pensem um pouco... não demanda um grande raciocínio, estes são apenas alguns dados...

     Comparem estes dados com a propaganda dos grandes jornais, com as medidas impopulares que o PSDB e o PSB de Campos estão pregando (que eles dizem que são necessárias - desemprego e término dos aumentos reais de salário) e escolham cautelosamente seu destino.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Fotografia - por Zach Gibson (bostom.com)

Um homem pilotos um barco através de um bando de pássaros no rio Ganges, perto da cidade de Varanasi, na Índia.

Déficit de civilização - por Luiz Gonzaga Belluzzo (Carta Capital)

     Quando as opiniões são bloqueadas pela intimidação, o debate escapa às normas da razão e pode ser manipulado


     Em sua coluna na Folha de S.Paulo, o jornalista Clóvis Rossi acusou a emergência de um perigoso déficit de civilização na vida brasileira. Enquanto se discute o tamanho do superávit primário, os ganhos seculares do doloroso e secular processo civilizador se transformam em pesados prejuízos na Terra de Santa Cruz. Não há sucesso econômico que possa contrabalançar os déficits de civilidade.

     Há que ressalvar os resistentes nas barricadas do projeto humano nascido na idade do Esclarecimento. São brasileiros que ainda apresentam sintomas da sobrevivência em seus espíritos do DNA do processo civilizador e dos valores que a sociedade moderna pretexta ostentar. Muitos arriscam a pele e ousam escrever para as seções de Cartas ao Leitor ou cometem a imprudência de comentar nos blogs os comentários dos fanáticos. Quase sempre, os ululantes retrucaram com as armas do preconceito, da intolerância e da apologia da violência, seja ela física, seja ela moral.  Entre as vítimas, sucumbe a última flor do Lácio, inculta e bela.

     Alguém já dizia que há método na loucura, mas, no Brasil do Terceiro Milênio, a democratização da grosseria empenha-se em aperfeiçoar a metodologia da brutalidade. Expressões como “idiotas politicamente corretos”, “elite vagabunda” poucas vezes foram utilizadas com tanta liberalidade. A generosa distribuição de adjetivos não raro é acompanhada de exaltadas conclamações para o retorno dos militares ou sugestões para que os calabouços voltem a abrigar os adversários.

     Peço licença aos leitores para repetir o que já escrevi nesta coluna: os estudiosos do totalitarismo sabem que a “autovitimização” da “boa sociedade” e a inculpação do “outro” foram métodos eficientes para a conquista do poder absoluto. Vejo nos blogs: os mais furiosos se apresentam como paladinos dos “humanos direitos”, em contraposição aos defensores dos “direitos humanos”. Fico a imaginar como seria a vida dos humanos direitos na moderna sociedade capitalista de massas, crivada de conflitos e contradições, sem as instituições que garantam os direitos civis, sociais e econômicos conquistados a duras penas. A possibilidade da realização desse pesadelo, um tropismo da anarquia de massas, tornaria o Gulag e o Holocausto um ensaio de amadores.

     Hannah Arendt em “As Origens do Totalitarismo” abordou as transformações sociais e políticas na era do capitalismo tardio e da sociedade de massas. A economia dos monopólios promoveu a substituição da empresa individual pela coletivização da propriedade privada e, ao mesmo tempo, a “individualização do trabalho”, engendrada pelas novas modalidades tecnológicas e organizacionais da grande empresa. A isso se juntou a conversão ao regime salarial das profissões outrora conhecidas como liberais. A operação impessoal das forças econômicas produziu, em simultâneo, o declínio do homem público e a ascensão do “homem massa, cuja principal característica não é a brutalidade ou a rudeza, mas o seu isolamento e a sua falta de relações sociais normais”.

     Trata-se da abolição do sentimento de pertinência, sem a supressão das relações de dominação.  “As massas surgiram dos fragmentos da sociedade atomizada, cujas estrutura competitiva e concomitante solidão do indivíduo eram controladas quando se pertencia a uma classe. O fato de que o ‘pecado original’ da acumulação primitiva de capital tenha requerido novos pecados para manter o sistema em funcionamento foi eficaz para persuadir a burguesia alemã a abandonar as coibições da tradição ocidental... Foi esse fato que a levou a tirar a máscara da hipocrisia e a confessar abertamente seu parentesco com a escória.” A escória, na visão de Arendt, não tem a ver com a situação econômica e educacional dos indivíduos, “pois até os indivíduos altamente cultos se sentiam particularmente atraídos pelos movimentos da ralé”.

     Hannah Arendt escreveu sobre o totalitarismo no século XX e ressaltou a importância da esfera pública onde se formam os consensos pelo livre debate de ideias. O único remédio contra o mau uso do poder público pelos indivíduos privados esta na constituição de um espaço público capaz de avaliar os procedimentos de cada cidadão, submetendo todos os indivíduos à visibilidade. Quando as opiniões são bloqueadas pela intimidação e desqualificação sistemáticas, a meritocracia das ideias sofre um grave dano e o debate democrático escapa às normas da razão e pode ser manipulado.

Feiticeira - por Alexander Fedosov (Arte digital - Coolvibe)

Melhor, mas pior – por Janio de Freitas (Folha de São Paulo)

     Se, apesar da situação econômica melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de algo induzido

     Com intervalo de quatro dias, dois dos jornalistas que mais respeito pela integridade e aprecio pela qualidade, Vinicius Torres Freire e Ricardo Melo, levam-me a ser mais uma vez desagradável com o meu meio.

     Na Folha de ontem, Ricardo Melo relembra a presença de "representantes do mercado'" no Conselho de Administração da Petrobras, quando comprada a refinaria de Pasadena, e pergunta: "Pois bem: onde foram parar nessa história toda Fábio Barbosa, Cláudio Haddad, Jorge Gerdau, expoentes do empresariado' brasileiro que, com Dilma Rousseff e outros, aprovaram o negócio? Serão convocados a depor, ou deixa pra lá?".

     A pergunta não expõe apenas Aécio Neves, Eduardo Campos, Aloysio Nunes Ferreira e seus subsidiários, que se limitam a explorar, na "história toda" de Pasadena, o que lhes pode dar proveito eleitoral. Os empresários citados não serão "deixados pra lá". Já foram deixados. Pela imprensa. Nas práticas simultâneas de repetir, dia a dia, no noticiário e em artigos, a aprovação do negócio pelo "conselho presidido por Dilma Rousseff" e jamais mencionar os outros conselheiros.

     Se o negócio foi aprovado pelo conselho, nos termos e condições expostos aos conselheiros, é óbvio que não houve um votante só. Mas os outros não interessam. Nem é apenas por serem empresários que mais conselheiros também estão dispensados de menção na imprensa. É, só pode ser, porque a exclusividade adotada vem do mesmo objetivo de Aécio Neves, Eduardo Campos e outros. Se a imprensa o faz, ou não, para beneficiar esse ou aquele, pouco importa. Mais significativa é a predominância da prática política.

     Também na Folha, dia 24 último, Vinicius Torres Freire observa: "O Datafolha registra um nível de insegurança econômica inédito desde os piores dias de FHC, embora a situação econômica e social seja muito melhor agora".

     Algo provoca tal contradição. Não pode ser a percepção espontânea e geral, porque a situação "muito melhor" não lhe daria espaço. O que poderia ser, senão os meios de comunicação desejosos de determinado efeito? Se, apesar da situação melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de sentimento induzido. Um contrabando ideológico.

     Terminaram depressa as rememorações do golpe de 64. O corporativismo apagou a memória da função exercida pela imprensa no preparo do golpe e no apoio à apropriação do poder, de todos os poderes, pelos militares. Não há, nem de longe, semelhança entre aquela imprensa e a atual. Mas o seu estrato mais profundo, econômico, social e político, mudou menos do que a democracia pede. E conduz às recaídas cíclicas dos meios de comunicação em práticas próprias de partidos e movimentos políticos. Estamos entrando em mais uma dessas fases.