quarta-feira, 23 de julho de 2014

Picadinhas

Esperar que a vida te trate bem porque você é uma boa pessoa é como esperar que um tigre não te ataque porque você é vegetariano. (Bruce Lee)
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Sou contra o bolsa aeroporto. Ao invés de dar aeroportos os tucanos deveriam ensinar o povo a voar.
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A menina é tão falsa e mentirosa que se for picada por uma cascavel, quem morre é a cobra.
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Folha trouxe matéria sobre coxinha de 1 kg. Pra arrumar coxinhas com mais de 70 kg, nem precisaria sair da redação.
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A TV Globo exibiu sábado o último capítulo da novela Em Família, baseada em Aécio Neves. Hoje estreia Império, baseada no mesmo personagem na mesma emissora.
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- Senhor, nunca traí, nunca roubei, nunca cobicei a melhor do próximo, nunca matei, por que o senhor esta me mandando para o inferno?
- Porque você ficava marcando as pessoas no facebook.
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José Sarney: Você é o meu melhor amigo. Diga, sinceramente, o que acha do meu governo.
Oliveira Bastos: É uma merda, Zé!
E dona Marly mostrou o caminho da rua para o jornalista.
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Aécio é homem de visão. Fez seu aeroporto naquela época pensando no caos aéreo durante a Copa.
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Repito tanto os mesmos erros que nem os chamo mais de “erros”. Chamo de “tradições”.
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Os soldados israelenses um dia vão sair de Gaza com a sensação da barbárie cumprida.
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A candidatura de Aécio fez pouso de emergência no aeroporto de Cláudio.
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Não imagina as loucuras que Eduardo Campos vem fazendo pro vizinho da casa ao lado saber quem ele é.
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Rejeição à Folha cresce principalmente no Sudeste, Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, segundo o Estado d'Alma.
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Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso. (Fernando Pessoa)
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Pesquisa do Datafolha tem a margem de precisão das previsões da Folha sobre o caos na Copa. Para mais ou para menos.
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Para Benjamin Netanyahu, o ideal é que Gaza deixe de ter população e passe a ter apenas sobreviventes.
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Alckmin deve ter algum tipo de mel na careca, porque quanto pior fica o governo dele em São Paulo, mais aumenta a popularidade.
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Jornalões enrustem que a candidatura de Eduardo derrete em praça pública. Se ele não sobe, só lhes resta torcer pelo Pastor Everaldo.
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Novo ranking da FIFA: 1. Alemanha… 7. Brasil… Aposto que foi de propósito para continuar a humilhação.
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"Aéreo Neves", "Caos Aécio", "MeriTIOcracia", "Programa Aeroporto da Família" ou "Meu Aeroporto Minha Vida": você é quem escolhe.
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"A menos que se viva e se ame nas trincheiras, é difícil lembrar que a guerra contra a desumanização é incessante." (Audre Lord)
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Editor do JN: O que temos para esfriar hoje?
Ali Kamel: Bota os Brics no freezer.
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Nasa acredita que encontrará alienígenas dentro de 20 anos. Demorô. São velhos conhecidos de Baby do Brasil, Elba Ramalho e Rita Lee.
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A Copa foi incrível mas nada supera a emoção do Brasileirão, hein?
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Rainha Vitória decretou que a Bolívia não existe. Midiazona foi além: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul não existem também.
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Número de visitantes que o país recebeu na Copa superou todas as expectativas. Imagine quantos seriam sem o terrorismo midiático.
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A mãe pergunta ao filho:
- De manhã você vai a aula, as duas horas ao francês, as quatro ao futebol, as seis a aula de música e as oito a aula de reforço. Alguma dúvida?
- E que horas eu vou ser criança?
(Armandinho)
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Aécio diz que FHC é um estadista e fez um governo de esquerda. Chamem o Detran e vejam se dessa vez ele não escapa do bafômetro.
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Nem tudo que eu postar é indireta, mas tudo que eu atingir é consciência pesada.
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O Brasil fez um negócio da China. Fique perfeitamente desinformado sobre ele, daqui a pouco, no Jornal Nacional.
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Outra surpreendente goleada: Rio esperava 1 bi na economia durante a Copa mas injetaram 4,4.
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Jamais nos envergonhemos de nossas lágrimas, pois elas são a chuva sobre a poeira ofuscante da terra, que cobre nossos corações duros. Somos melhores depois que choramos. (Charles Dickens)
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O tempo passa, a barba cresce, e William Waack nos assombra de madrugada com a máscara mortuária que merece.
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A reforma do nosso futebol é inevitável. O primeiro passo seria sair da fazenda que era dos Guinle. Não se cria craque em Granja. Só pinto.
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"Socorro! Os russos estão chegando!" (Rodrigo Constantino)
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Meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
(Carlos Drummond de Andrade)
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Pra que tanta câmera, irmão, se o narrador é o Galvão?
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Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. (Rubem Alves)
Jornalões partiram pro "outubro ou nada", como recomenda Ferreira Gullar.
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Procura-se: vizinho sem senha no wi-fi
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Os Brics virariam Rics caso os tucanos continuassem mandando no Brasil.
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Estadão bate recorde de visualizações no feriado de 9 de julho. Eram internautas loucos por detalhes da Revolução dos Mesquitas em 1932.
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Bisneta de Baleia não aceita participar do remake de Vidas Secas no Cantareira: "Eu não sou cachorra, não!"
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Asas são algemas para quem não sabe voar. (Pio Vargas)
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Veja faz hoje o idiota de hoje mesmo.
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Meu sonho – terminar um relacionamento dizendo:
- Mil cairão ao teu lado. Dez mil cairão a tua direita. E eu... to caindo fora! (Natirinhas)
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Quer ver um barão da mídia perder os pontos cardeais? Diga-lhe que o mundo inteiro achou que esta foi a melhor de todas as Copas.
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To chorando demais no meu trabalho, será que alguém tem o telefone da psicóloga da Seleção?
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A única inflação nacional fora de controle é a da manipulação do noticiário.
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Assistir Série B depois da Copa do Mundo, é o mesmo que um homem ir para a balada pegar a Gisele Bündchen e acordar ao lado da Geisy Arruda.
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Eleitor: prepare-se para limpar a tela do computador. Teremos a mais suja campanha pela internet desde o Windows 95.
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Vou ali voar pela Malaysia Airlines. Depois eu conto a sensação.
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Brasileiro é muito negativo. Pelé fez mais de mil gols, ganhou três Copas, comeu a Xuxa e vocês só falam do gol que ele não fez.
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Dona Lúcia: Como faço para mandar uma cartinha para esta Regina Cazé? O Esquenta consegue ser pior que a seleção do meu Felipinho!
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Imprensa do Ocidente trata caso do voo da Malásia com linguajar aposentado da Guerra Fria.
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Você é de uma hipocrisia encantadora.
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Que a pessoa fale de boca cheia, tudo bem. Ruim mesmo é quando falam com a cabeça vazia.
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"Baixaria" e "veja" na mesma frase é redundância. (Cynara Menezes)
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Pais super protetores criam os melhores mentirosos.
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Vou me vingar da pior maneira que você possa imaginar. Vou deixar pra lá. (John Steinbeck)
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Para entender melhor a CBF: Fernando Sarney, cérebro da famiglia e do Império maranhense, é vice-presidente regional da entidade.
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Em casa de menino de rua, o último a dormir apaga a lua. (Giovani Baffô).
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Estado de Minas não tem uma linha sequer sobre o Aeroporto da família do Aécio. Esse não é chapa branca, é transparente!!!
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Eu queria emagrecer 10 quilos. Agora só faltam 16.
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Cony, um dos signatários dos editoriais do Correio da Manhã pedindo a queda da Jango, agora quer Revoluções Francesa e Russa Djá no país. Eita!
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Podolski deve estar chateadíssimo com a situação do flamengo.
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O problema é que basta crescer um pouco para se sentir um adulto completo; e envelhecer muito, para querer se sentir criança de novo. (Priscila Yamany)
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Datafolha: "Dilma ganha no primeiro turno, mas perde no segundo, que não vai ter". (?)
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O amor é sede depois de se ter bem bebido. (Guimarães Rosa)
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Minha teoria da conspiração: Quem dirigiu a seleção foi o sósia já q Felipão foi sequestrado por Bin Laden para dirigir o Al Qaeda da Sadia.
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Achar que Maradona és mas grande que Pele é como achar que filmes da Xuxa são mais densos que os argentinos.
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Vou ali, ver se Dunga já me convocou. Volto no segundo tempo.
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By Zombozo Kropotkin, Palmério Dória e Revista Bula, com adicionais.

Fotografia - por Nwootten (Revista Bula)

O caos aéreo de Aécio Neves - por Por Jornalismo Wando (Yahoo!)

     Corre a lenda em São Paulo que Maluf construiu o Minhocão - o elevado que homenageia o ditador Costa e Silva - para facilitar o acesso da sua casa à Eucatex, empresa da qual é proprietário. Um exemplo clássico de promiscuidade entre a coisa pública e a privada. Foi a partir desse tipo de folclore que Dr Paulo acabou fazendo fama internacional, alçando a condição de procurado pelo Interpol.
     Mas é de uma lenda rural e moderna que vamos falar hoje.
     Você deve ter notado como os últimos escândalos envolvendo políticos chegaram pelo céu, sobrevoando o espaço aéreo brasileiro. Tanto que os "papos de piloto" estão cada vez mais comuns no debate político. Primeiro foi Gustavo Perrella (SDD), que teve seu helicóptero apreendido enquanto um funcionário de confiança carregava quase meia tonelada de cocaína. Depois foi a vez de André Vargas (PT), que viajou no jatinho de um amigo querido, o doleiro mais famoso do Brasil: Alberto Youssef.
     Mas o mais novo escândalo aéreo do momento foi protagonizado por Aécio Neves. Pouco antes de deixar o governo mineiro, o ex-governador resolveu presentear seu tio-avô com a construção de um aeroporto em sua fazenda.
     Foi esse lado família do candidato que a Folha de São Paulo nos mostrou no último domingo:
(Reprodução: Folha de São Paulo)

     Utilizando R$14 milhões dos cofres públicos, o Estado de Minas decidiu construir um aeroporto para a cidade de Cláudio (MG) e seus menos de 25 mil habitantes. O local escolhido para a nova pista foi a fazenda do tio de Aécio, que está localizada a apenas 5km do "Palácio de Versalhes" do governador. Apesar de ser considerado ilegal pela ANAC, Aécio utiliza o aeroporto todas as vezes que visita sua propriedade rural.
     O tio, Múcio Tolentino, que já foi prefeito de Cláudio, é quem autoriza ou não o uso do aeroporto:

     O chefe de gabinete do prefeito, José Vicente de Barros, disse que Múcio Tolentino deveria ser procurado. "O aeroporto é do Estado, mas fica no terreno dele", afirmou. "É Múcio quem tem a chave"
     Indicado por Barros, Fernando Tolentino logo se prontificou a abrir o portão do local. "Ele fica dentro da nossa fazenda", disse. "O aeroporto está no final do processo, mas, para todos os efeitos, ainda é nosso"

     Fernando Tolentino, o porteiro do aeroporto, é irmão de Tancredo Tolentino, um outro primo de Aécio. É ele quem comanda a cachaçaria da família e já foi preso por participar ativamente de um esquema de vendas de absolvição para traficantes.
     Interessante notar que os detalhes que envolvem a construção desse aeroporto não chegam a ser novidade para quem conhece bem as histórias da região. Em 2011, um comentário no blog do Marco Antônio Nogueira revelou que muita gente já farejava o que hoje é apresentado como "bomba":
     
     A história é a seguinte, o aeroporto tava num terreno do Tio avô do Aécio que foi vendido para o Estado (Tancredo Neves na época) e não foi feita documentação. Anos mais tarde o Aécio (Governador) comprou DE NOVO o terreno por um valor absurdo e construiu de vez o aeroporto. O interessante é que uma cidade de 20.000 habitantes, acho que nem avião de brinquedo deve ter lá, mas o TAL governador e agora Senador tem Helicóptero e avião pra descer e subir a hora que quiser. Gastaram não sei quantos milhões numa porcaria que fica trancada o dia todo e só serve pro Aécio. Obra pública com fins particulares.

     Três anos depois, a poucos meses da eleição, o aeroporto vira a novidade do momento, o que torna tudo ainda mais nebuloso.
     A cidade de Cláudio não possui corpo de bombeiros, serviço de atendimento móvel de urgência e guarda municipal. Em alguns bairros há falta de água potável, mas o aeroporto de R$14 milhões continua lá, disponível para os familiares de Aécio evitarem as estradas mineiras. Nas redes sociais, o caso já foi batizado de "Aéreo Neves", "Caos Aécio", "MeriTIOcracia", "Programa Aeroporto da Família"e "Meu Aeroporto Minha Vida".
     De qualquer forma, o aeroporto é público, como bem lembrou Fernando Tolentino. Se algum cidadão de Cláudio precisar decolar com seu helicóptero ou jatinho, é só pedir a chave para algum primo do Aécio.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Motocicleta - por Mikhail Smolyanov (design de objetos - solifdesign)

Os Estados Unidos e o "combo control" – por Mauro Santayana (blog do Mauro Santayana / Jornal do Brasil)

O domínio do monitoramento, produção e distribuição de conteúdo nas redes globais de comunicação e entretenimento.

     Imaginemos, apenas por uma vez, que o empertigado Phileas Fogg, e seu criado Passepartout, do livro A Volta ao Mundo em 80 dias fizessem sua viagem agora, e não, como imaginou Júlio Verne, no segundo semestre de 1872. Em cada cidade em que chegassem, ao adentrar o quarto de hotel, desfazer as malas e mexer no controle remoto, eles certamente se surpreenderiam, ao ver, na estranha tela retangular que chamamos de televisão, fosse qual fosse o país em que estivessem, sempre as mesmas cenas, repetidas, sem cessar, em inglês, ou dubladas e legendadas no idioma local.

     Surgida como alternativa à programação da televisão aberta, a tv por assinatura tornou-se, hoje, o retrato mais bem acabado de um mundo culturalmente unipolar, em que as crianças consomem os mesmos desenhos animados, as mulheres veem os mesmos programas culinários, os homens assistem à mesma programação esportiva, todos riem das mesmas piadas e tem a cabeça feita e as preferências moldadas por documentários e telejornais estabelecidos dentro das mesmas premissas e abordagem política.

     Esse processo de imbecilização progressiva já é tão natural, e dura há tantos anos, que, para as novas gerações, que assistem sempre a mesma coisa, com a única diferença de ser apresentada em seu próprio idioma, fica fácil esquecer que toda essa maçaroca, dos animes à “filosofia”, vem de uma mesma origem e obedece a uma mesma estratégia de controle e pasteurização. 

     O início foi o telégrafo. Depois, veio o rádio. Impossibilitados, pela tecnologia da época, de tomar seu controle globalmente, os Estados Unidos rapidamente viram no Cinematógrapho dos Irmãos Lumiére uma forma de projetar os mitos sobre o heroísmo e a superioridade dos norte-americanos para além de suas fronteiras.

     Para isso, era preciso controlar não apenas a produção de conteúdo, a partir dos grandes estúdios, em Hollywood, mas, também, e principalmente, a distribuição, em um grande número de países. O rádio só resistiu ao cinema, como meio de comunicação e controle de massas, até o advento da televisão. No início, o conteúdo televisivo era local, por ser transmitido obrigatoriamente ao vivo. Depois, com o advento do videotape, ele foi rapidamente dominado pelo país que tinha o maior estoque de conteúdo próprio, os Estados Unidos.

     Finalmente, com o passar dos anos, e o avanço da tecnologia, os Estados Unidos conseguiram, finalmente estabelecer o tripé por meio do qual estão estendendo sua influência sobre dezenas de países.  

     Esse tripé, que poderíamos chamar de Combo Control, ou Combo de Controle, é o mesmo que é oferecido, atualmente, pelas operadoras de telecomunicações: A internet - cuja rede foi estabelecida inicialmente por eles, e é amplamente dominada por suas empresas, como o Google, a Apple, a Microsoft - que serve para a disseminação de conteúdo, o monitoramento de opiniões e atividades contrárias aos Estados Unidos e para a espionagem e a chantagem do usuário até o nível mais pessoal. 

     O telefone celular, que hoje se confunde cada vez mais com o computador, e que serve não apenas para monitorar as ligações e seu conteúdo, mas também para estabelecer a localização física de eventuais adversários, até mesmo para sua captura ou assassinato.

     E a TV a Cabo, que se transformou em uma matriz centralizada para a padronização e distribuição, em escala global, de um conteúdo que é sempre o mesmo, para cada país, e os mais diferentes segmentos em que se divide o público televisivo. 

     Tudo isso é feito, por meio tanto dos grandes grupos de produção de conteúdo, como a Warner, a FOX e a CNN, como dos grandes grupos de distribuição de sinais, por meio de cabo ou satélites.

     Com a recente compra da Direct TV, controladora da SKY no Brasil, a AT&T, American Telephone and Telegraph Corporation, dos Estados Unidos, tornou-se líder na distribuição de tv a cabo no Brasil e na América Latina.

     Na semana passada, a ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações, “comemorou” a chegada da tv a cabo, no Brasil, ao número de 18 milhões e setecentas mil residências.

     Em um país sério, ela estaria, no Congresso e fora dele, estudando uma legislação que nos permitisse oferecer uma alternativa a esse imenso público, que extrapolasse o sempre imutável menu das dezenas de canais norte-americanos.

Fotografia - por William Albert Allard (National Geographic)

A idolatria do PIB – por Eduardo Giannetti (Folha)

     O PIB é uma invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só nos anos 50 que os órgãos oficiais passaram a publicar dados de PIB para os diferentes países. Adam Smith, Ricardo, Marx e Mill jamais foram instados a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes.

     De lá para cá, o culto do PIB como métrica de sucesso ou fracasso das nações virou uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é o objetivo supremo em nome do qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas e um antropólogo marciano poderia até imaginar que a sigla PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública enquanto o consumo dá sentido à existência na esfera privada.

     Além do passivo ambiental, a idolatria do PIB tem causado graves prejuízos ao bem-estar humano. Dois exemplos recentes ilustram isso.

     Uma pesquisa pioneira, publicada no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" em 2013, comparou populações sujeitas a diferentes níveis de poluição do ar nas regiões norte e sul da China e avaliou o seu impacto de longo prazo (décadas) sobre a saúde (doenças cardiovasculares e câncer de pulmão).

     O estudo mostra que uma elevação de 100 microgramas de matéria particulada por metro cúbico de ar corresponde a uma redução de três anos na expectativa média de vida ao nascer. Como a diferença entre o norte e o sul da China é de 185 microgramas por metro cúbico, isso significou uma perda de cinco anos e meio de vida per capita para os habitantes do norte em relação ao sul.

     Some-se a isso o fato de que 10% da terra cultivável na China está contaminada por poluentes químicos e metais pesados, e que metade da água suprida nas cidades é imprópria para banho, e se verá que o espetáculo do PIB chinês, como um Otelo sem Iago, oculta um elemento crucial da trama.

     No Brasil, o afã de acelerar o crescimento no curto prazo levou o governo a tomar um atalho. Em vez de concentrar esforços na melhoria do transporte coletivo, optou-se por medidas de estímulo à venda de automóveis: isenções tributárias, crédito farto e gasolina subsidiada. Entre 2003 e 2013, a frota de carros particulares passou de 23,6 milhões para 43,4 milhões de veículos.

     O resultado do erro pode ser medido em tempo de vida. Um cidadão que gaste três horas por dia em média para ir e vir do seu local de trabalho ou estudo passará cerca de quatro anos e meio da sua vida encalacrado no inferno urbano das nossas metrópoles. O PIB silencia, mas o bem-estar acusa.

     Pior que crescer pouco ou crescer mal, só mesmo uma combinação judiciosa das duas coisas. E não é que o Brasil tem conseguido!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Aurite - por Martin de Diego Sádaba (Arte digital - Coolvibe)

Juiz Damasceno: No Rio, polícia “Mãe Dinah” antevê crime; equivale a Estado de Sítio - por Conceição Lemes (Viomundo)

      Nessa sexta-feira 11, a 27ª Vara Criminal da cidade do Rio de Janeiro expediu 26 mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão de menores de idade.

Damasceno
     A maioria foi detida ontem. Acusação: formação de quadrilha armada, com pena prevista de até três anos de reclusão.

     Em entrevista coletiva nesse sábado, o chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Fernando Veloso, justificou: “Estamos monitorando a ação desse grupo de pessoas desde setembro do ano passado. A prisão delas vai impedir que outros atos de violência ocorram neste domingo”.

     Veloso disse que a polícia fluminense tem provas “robustas” e consistentes” de que “essa quadrilha pretendia praticar atos violentos se não hoje, amanhã [domingo]”.

     Na mesma coletiva , a delegada Renata Araújo, adjunta da Delegacia de Repressão à Crimes de Informática (DRCI), alegou: “Eles planejavam ataques e se aproveitavam de problemas reais para fazer manifestações onde usavam artefatos para incendiar ônibus, depredar agências bancárias, entre outros”.

     “Do ponto de vista substancial, não há como defender a legalidade de tais prisões”, denuncia o juiz João Batista Damasceno, membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD). “Violou-se o direito constitucional de liberdade de manifestação do pensamento e direito de reunião.”

     “Na prática, implementaram-se medidas típicas de um Estado de Sítio, sem que ele tivesse sido decretado. Isso é crime de responsabilidade”, alerta.  “Num Estado de Direito efetivo, as autoridades envolvidas numa situação como essa seriam chamadas a se explicar e poderiam, eventualmente, ser responsabilizadas.”

     “A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’ que investiga o futuro”, critica Damasceno. “Seria cômico não fosse trágico ao Estado de Direito e não representasse um perigo de volta ao tempo sombrio da ditadura militar, notadamente quando vigente o AI-5, que suprimira o habeas corpus.”

     A propósito. Entre as coisas apreendidas pela polícia do Rio de Janeiro na residência dos presos, há máscaras contra gás lacrimogêneo, viseiras, máscaras de carnaval, computadores, livros de capa vermelha e um revólver.

     “O revólver foi apreendido na casa de um adolescente que milita politicamente. Só que é do pai do ativista, que tem porte legal de arma. A mídia tradicional tem a informação, mas não publica”, acusa Damasceno.

     “A prisão de máscaras de carnaval, bandeiras vermelhas e até livros de literatura — pelo simples fato de terem a capa vermelha — é a prova do retorno da estupidez às práticas policiais dos tempos de ditadura”, vai mais fundo. “Mudou-se o nome, mas a política é a mesma.”

     Segue a íntegra da nossa entrevista com João Batista Damasceno, que é juiz no Rio de Janeiro, doutor em Ciência Política e membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

Viomundo – Segundo o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, as prisões seriam para impedir que atos de violência ocorressem neste domingo. A lei permite isso?
João Batista Damasceno – A Constituição dispõe que ninguém será considerado culpado sem que haja sentença condenatória transitada em julgado. Neste momento, estamos vivenciando casos de responsabilização antes que a pessoa cometa o fato tido como criminoso.

Não se trata apenas de prisão temporária, visando à apuração do fato cometido.  Nem prisão preventiva, para proteção do processo, ou seja, das testemunhas e garantia da execução penal, caso o acusado seja condenado.

Trata-se de prisão antecipada ao fato, que não se pode afirmar que aconteceria. A militante Elisa [Elisa Quadros, conhecida como Sininho] estava no Rio Grande do Sul e certamente não viria ao Rio de Janeiro para as manifestações de encerramento da Copa.

No Rio de Janeiro, já tivemos um chefe de polícia que se envolveu com o crime organizado internacional, no caso a máfia espanhola, apontada, na época, como responsável pelo tráfico internacional de drogas.

Seria um absurdo defender a prisão do atual chefe de polícia a fim de evitar que pudesse – no futuro – cometer os mesmos crimes que teriam sido cometidos por aquele chefe de polícia no final do século XX.

Perante a lei, o atual chefe de polícia merece a mesma consideração que os demais cidadãos brasileiros. A violação ao direito de uns permite que o direito de outros também seja violado, inclusive do próprio chefe de polícia.

Mas é preciso lembrar que tais prisões foram decretadas pelo poder Judiciário, que tem funcionado como auxiliar da polícia e do governo na violação aos direitos dos cidadãos. Assim, não se espera que funcione como órgão garantidor dos direitos.

Viomundo – Essas prisões são ilegais então?
João Batista Damasceno – Elas foram efetuadas a pedido da polícia, mas por decretação do Judiciário.

Do ponto de vista formal, a polícia fez o que o Judiciário autorizou. Claro que na execução da medida no Rio Grande do Sul os policiais fluminenses não poderiam ter atuado. Eles agiram fora do limite territorial do Estado do Rio de Janeiro. Atuaram com excesso de poder.

O delegado encarregado da diligência gravou vídeo da prisão da militante no Rio Grande do Sul, expondo indevidamente sua imagem, e disse estar em auxílio à polícia gaúcha. Mas vendo o vídeo percebe-se que toda a diligência foi efetuada pela polícia fluminense.

Trata-se de uma polícia, que, desde a condecoração dos homens do Esquadrão da Morte nos anos 60 pelo governado Carlos Lacerda, atua à margem da lei.

Do ponto de vista substancial, não há como defender a legalidade de tais prisões.

Em entrevista, o chefe de polícia do Rio de Janeiro disse que tais militantes vinham sendo monitorados desde setembro de 2013 e que as prisões evitariam que participassem de manifestações neste domingo, final da Copa.

Porém, violou-se o direito constitucional de liberdade de manifestação do pensamento e direito de reunião.

Na prática, implementaram-se medidas típicas de um Estado de Sítio, sem que ele tivesse sido decretado. Isso é crime de responsabilidade. Num Estado de Direito efetivo, as autoridades envolvidas numa situação como essa seriam chamadas a se explicar e poderiam, eventualmente, ser responsabilizadas.

Viomundo – A Justiça determinou a prisão temporária. Por quê?
João Batista Damasceno — A prisão temporária, de discutível constitucionalidade, visa restringir a liberdade de uma pessoa a fim de coletar prova de crime que se tenha cometido.

A prisão temporária é uma prisão para preservar as provas, após a ocorrência de um crime. Trata-se de medida emergencial, por isso se afasta o suposto criminoso da cena do crime para a produção probatória necessária à sua acusação.

No caso presente, os militantes estavam sendo monitorados desde setembro de 2013. Não havia prova a ser coletada emergencialmente.

Fica cada vez mais evidente o reforço do Estado Policial, com exercício arbitrário do poder da polícia. Voltamos ao Brasil da Primeira República, quando a política se fazia com a polícia à frente. O estopim para a Revolução de 30 foi uma ação policial na casa da namorada de João Dantas, adversário do candidato a vice-presidente de Getúlio Vargas, João Pessoa.

Viomundo — A polícia do Rio apresentou várias coisas que teriam sido apreendidas nas residências presos. Pelas fotos publicadas na mídia, dá pra ver máscaras contra gás lacrimogêneo, viseiras, um revólver…
João Batista Damasceno — O revólver foi apreendido na casa de um adolescente que milita politicamente.  Só que o revólver é do pai desse ativista político, que tem porte legal de arma. A mídia tradicional tem a informação, mas não publica, legitimando a atuação da polícia.

A polícia tratou o adolescente como se ele fosse o dono da casa. E diante da demonstração de que seu pai era o detentor de porte legal de arma, lavrou-se um registro de omissão de cautela. É uma forma de justificar a apreensão de uma arma que não poderia ser apreendida.

A polícia buscou dar um aparato legal à apreensão, sob o fundamento de que aquele que tem a posse legal da arma, não a guardou adequadamente, tornando-a passível de apreensão. Mas isto não foi levado ao conhecimento da sociedade.

Viomundo – Pesa o fato de estarmos em ano eleitoral?
João Batista Damasceno  — Com certeza, e a polícia quer mostrar eficiência na intimidação de opositores das políticas públicas lesivas aos interesses do povo.

Curiosamente, essa mesma polícia que prendeu os jovens militantes não se moveu diante do que não foi apurado na CPI do Cachoeira. Tampouco diante do furto das vigas do elevado da Perimetral, no Rio de Janeiro.  Eram vigas com cerca 20 toneladas! Essa mesma polícia não foi capaz de esclarecer a autoria do furto, apesar de do grande volume e notável valor econômico.

Igualmente não foram esclarecidos pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) os crimes cometidos por policiais. E a DRCI é que esta atuando contra os militantes presos.

Viomundo – Explique melhor isso.
João Batista Damasceno — Computadores de juízes fluminenses foram invadidos e hackeados e o fato somente se comprovou porque o Ministério Público o esclareceu. A delegada titular de então direcionou a investigação para as vítimas.

No ano passado, crimes contra um magistrado, praticados por policiais pela internet, igualmente terminaram sem qualquer apuração. De nada adiantou a reunião do delegado titular da DRCI no gabinete da então chefe de polícia, Martha Rocha. Nada se apurou. As investigações são seletivas.

Desde a morte do jornalista Tim Lopes formou-se uma perversa aliança da mídia com a polícia. Já não se denunciam as arbitrariedades policiais como se fazia antes. O fato se agravou com a morte do cinegrafista Santiago de Andrade durante uma manifestação recente.

Não se registrou a morte do Santiago como uma fatalidade; nem que ele trabalhava sem os equipamentos de proteção que lhe deveriam ser fornecidos pela empresa de comunicação que o empregava.

A morte dele foi consequência da irresponsabilidade de militantes, que não desejavam sua morte, mas também da culpa grave do empregador que não lhe forneceu os meios adequados para proteção na cobertura de uma manifestação que se sabia poderia resultar confronto ou conflito, como ocorre no restante do mundo.

A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’, que investiga o futuro. Seria cômico não fosse trágico ao Estado de Direito e não representasse um perigo de volta ao tempo sombrio da ditadura militar, notadamente quando vigente o AI-5, que suprimira o habeas corpus.

A prisão de máscaras de carnaval, bandeiras vermelhas e até livros de literatura — pelo simples fato de terem a capa vermelha — é a prova do retorno da estupidez às práticas policiais. Durante a ditadura, a mesma polícia, fazia apreensão de livros pela cor da capa. Naquela época, não era a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, mas o DOPS, Departamento de Ordem Política e Social. Mudou-se o nome, mas a política é a mesma.

Viomundo  – O que representam essas prisões?
João Batista Damasceno – O apogeu da escalada do Estado Policial. Mas não é coisa que tenha sido formatada apenas pelo atual chefe de polícia. É parte de uma política federal de repressão aos movimentos sociais. A atuação tem sido similar em outros Estados. No Rio de Janeiro e em São Paulo ocorre maior repercussão. Mas esse tipo de atuação se intensificou após reunião dos secretários de Segurança dos estados no Ministério da Justiça.

É óbvio que nem tudo é coisa do governo federal; apenas a matriz. As polícias e o próprio Judiciário funcionam nesses episódios como forças auxiliares. O próprio chefe de polícia desempenha papel deste quilate.

O povo, para certo de tipo de político, só é bonito visto do palanque, para onde vai aplaudir o candidato. Assim, pensava Benedito Valadares, velho político mineiro, que cunhou tal frase.

Anastácio Somoza, ditador nicaraguense derrubado pela Revolução Sandinista em 1979, dividia o povo em três segmentos: os amigos, a quem dava ouro; os indiferentes, a quem dava prata e os inimigos, a quem destinava chumbo.

As atuais políticas públicas têm o mesmo viés. Mas quem ficou com o ouro foi a FIFA. Aos que não se domesticaram para receber a prata restaram demolições de casas, remoções de suas comunidades, repressão brutal e prisões.

Comentário
Como bem imaginado no filme Minority Report, vemos a polícia fluminense agindo como "precogs". 
É pena que toda essa "eficiência" não ocorra para conter a intensa criminalidade que assola e devasta a população do Rio de Janeiro. Talvez porque, para resolver a criminalidade do Rio, seria necessário antes de tudo, prender os entes públicos envolvidos no crime - inclusive os da própria polícia. 
Mas aí não dá...aí já é vandalismo, né?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Fotografia noturna em Paris, 1934 - por Fred Stein (Everyday-I-Show)

Dilma Rousseff colheu o que não semeou - por Wanderley Guilherme dos Santos (Carta Maior)

A presidenta colheu precisamente os resultados do que não semeou: não promoveu a emergência de um sistema democrático de informação.

Wanderley Guilherme dos Santos
     Aproveitando a vaia pornofônica que singularizou a participação dos reacionários e distraídos na abertura da Copa das Copas, a oposição saiu-se com o comentário de que a presidenta Dilma Roussef colheu o que semeou. Pensou que estava abafando. Não estava. Para além da falta de compostura e civilidade, a oposição errava outra vez no diagnóstico. A presidenta colheu precisamente os resultados do que não semeou: não promoveu a emergência de um sistema de informação democratizado.

     A falta de pluralismo nos meios de comunicação não é ambição de esquerdas partidárias. Trata-se da prestação de um serviço privado, pago por consumidores, atualmente fraudados em suas aspirações de consumo. Ler um jornal, uma revista ou assistir ao noticiário da televisão faz parte da pauta de itens que a vida moderna põe, ou devia por, à disposição de quem os deseje usufruir. E os consumidores têm o direito de protestar. Assim como os passageiros urbanos reclamam da qualidade dos serviços pelos quais pagam, os leitores e espectadores insatisfeitos se julgam ludibriados pelos fornecedores da mercadoria que compram.

     Os jornais, revistas e emissoras de televisão registraram com olhos complacentes os quebra-quebras aleatórios propulsionados pela carestia e falta de qualidade dos transportes em circulação. Não seria bom para a democracia, tal como não o eram os destemperos de violência, que os desgostosos com o pífio padrão do jornalismo, minorias como as de junho do ano passado ou maiorias como a queda de audiência e circulação atestam, empastelassem jornais ou ocupassem estações de televisão, exigindo participação e honestidade de gestão.

     Durante o período que antecedeu a Copa das Copas e não somente em relação a ela, os meios de informação sonegaram centenas, milhares de notícias altamente relevantes para a vida dos leitores e espectadores. Mais do que isso, disseminaram incansavelmente uma visão de mundo incompatível com a realidade dos fatos. Era falso que os aeroportos, estádios, avenidas e metrôs não iriam ficar prontos. Era falso que os gramados não drenariam as chuvas, as comunicações não funcionariam, os holofotes não acenderiam. Era falso que os turistas seriam assaltados, que não haveria segurança, que conflitos gigantescos ofuscariam os jogos nos campos de futebol pela pancadaria generalizada nas arenas do lado de fora. Tudo falso. Moeda falsa. Produto estragado vendido a preço de luxo.

     As trombetas da derrocada econômica, da inflação sem controle, do afinal bem vindo desemprego, são igualmente serviço fraudulento. Os leitores estão sendo diariamente lesados em sua boa fé, duplamente: não são informados do que ocorre efetivamente na sua cidade, no seu estado e no país, e são levados a acreditar que há um pesadelo à espreita assim que puserem os pés fora de casa. Quando não o vêem não é porque não exista, mas porque ainda não chegou a alguns lares: inflação, desemprego, falta de saúde e de educação; pior, falta de perspectiva.

     A lição é terrível. Dela sabiam os tiranos da antiguidade, os tiranos da contemporaneidade os imitaram: um sistema articulado de falsidades pode produzir os delírios fantasistas ou as angústias aterradoras de uma droga, se absorvido por tempo suficiente. Uma imprensa oligopolizada é nada menos do que uma droga. Eficientíssima, capaz de produzir o pessimismo sem fundamento das análises econômicas, tanto quanto o desvario irracional das vaias pornofônicas. Ao se manter indiferente à péssima qualidade do serviço pago, inclusive com as bondades das concessões e outras benfeitorias, a presidenta Dilma Roussef colheu o que não semeou.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Árvore solitária no meio dos círculos das na Namíbia - por buzzhunt (Fotografia)

Depois de 12 anos, O Globo publica dados sobre avanços dos governos Lula e Dilma - por Instituto Lula

Num esforço para desqualificar Lula, jornal revela aos leitores 13 números que a imprensa tenta esconder

     O jornal carioca publicou, sábado (28), reportagem que reproduz afirmações do ex-presidente Lula, feitas em palestra para dirigentes das Câmaras de Comércio dos países europeus (Eurocâmaras), na última terça-feira.  O texto tenta desqualificar parte dos dados que Lula apresentou sobre o desenvolvimento econômico e social do país nos últimos anos.

     Além de não alcançar seu objetivo, o jornal acabou publicando uma série de indicadores positivos sobre os doze anos de Governo Democrático Popular – que de outra forma não chegariam ao conhecimento de seus leitores. O leitor do Globo ficou conhecendo pelo menos 13 dados que confirmam  os avanços do Brasil nesse período:

1)    o salário mínimo teve aumento real de 72% nesse período;

2)    o investimento público em educação passou de 4,8% para 6,4% do PIB;

3)     o Prouni levou mais de 1,5 milhão de jovens à universidade;

4)     a quantidade de brasileiros viajando de avião passou de 37 milhões por ano, para 113 milhões por ano;

5)     a produção de automóveis no país dobrou para 3,7 milhões/ano;

6)    o fluxo de comércio externo passou de US$ 107 bilhões para US$ 482 bilhões por ano;

7)     o PIB per capita saltou de US$ 2,8 mil para US$ 11,7 mil;

8)     a população com conta bancária passou de 70 milhões para 125 milhões;

9)     as reservas internacionais do país, de US$ 380 bilhões, correspondem a 18 meses de importações, o que fortalece o Brasil num mundo em crise;

10)     ao longo da crise mundial o Brasil fez superávit fiscal de 2,58% ao ano, média que nenhum país do G-20 alcançou;

11)     os financiamentos do BNDES para a empresas têm inadimplência zero;

12)     a dívida pública bruta do país, ao longo da crise, está estabilizada em torno de 57% (embora o jornal discorde desse fato)

13)    há 10 anos consecutivos a inflação está dentro das metas estabelecidas pelo governo

      O titulo da matéria é “Lula usa dados errados em palestra para empresários”. No esforço para justificar o título, O Globo encontrou dois “deslizes”, numa palestra que durou 90 minutos:

1) em 84% dos acordos sindicais realizados nos últimos anos foram obtidos reajustes acima da inflação, e não em 94%, como disse Lula. Somando acordos que incorporam o resultado da inflação, o índice sobe para 93,2%. No tempo do governo anterior, os sindicatos abriam mão de vantagens, e até do reajuste da inflação, para evitar mais demissões.

2) o Brasil é o terceiro maior exportador de alimentos do mundo, depois da União Europeia e EUA, de acordo com a OMC, e não o segundo, como disse Lula na palestra. O Globo lista separadamente os países da União Europeia por porto, o que faz da pequena Holanda o segundo maior exportador de alimentos do mundo. Ainda vamos chegar lá, porque nossa agricultura é a mais produtiva do mundo e o crédito agrícola passou de R$ 26 bilhões para R$ 156 bilhões em 12 anos.

     A reportagem do Globo também cometeu seus “deslizes”, mesmo tendo sido alertada com documentos oficiais apresentados por nossa assessoria:

1) O Brasil foi, sim, o 5º maior destino de investimento externo direto (IED) no mundo em 2013, conforme disse Lula. O dado correto consta do Relatório de Investimento Mundial 2014 da UNCTAD, divulgado em junho. Este relatório corrigiu a previsão anterior do IED no Brasil em 2013, que era de US$ 63 bilhões, quando na realidade foi superior a US$ 64 bilhões. O Globo reproduziu o dado errado, que deixava o Brasil na sétima posição.

2) O ajuste fiscal determinado pelo governo nos anos de 2003 e 2004 alcançou, sim, 4,2% do PIB, conforme Lula afirmou na palestra. Na verdade, foi de 4,3% em 2003 e 4,6% em 2004, de acordo com a metodologia adotada pelo Banco Central naquele período. O Globo adotou a metodologia atual, que exclui do cálculo o resultado das estatais, e acabou contestando uma verdade histórica.

3) O Brasil é, sim, a segunda maior economia entre os países emergentes, depois da China, como disse Lula. O PIB brasileiro em dólares correntes, de acordo com a Base de Dados Mundiais do FMI (junho 2014), é de US$ 2,242 trilhões, superior ao da Rússia (US$ 2,118 trilhões) e ao da Índia (1,870 trilhão). O Globo prefere usar o critério de paridade por poder de compra (PPP), que ajusta os preços internos de cada país, eleva o PIB da Rússia e triplica o da Índia. Mas uma plateia de investidores, como a da Eurocâmaras, não está interessada em comparar o custo da Coca-Cola em cada país: quer saber qual economia é mais forte em moeda internacional, e isso o PPP não informa.

4) A dívida pública bruta do Brasil está, sim, estabilizada em torno de 57% do PIB desde 2006, como afirmou Lula. O Globo tomou como base o indicador de 2010 para afirmar, equivocadamente, que “no governo Dilma a dívida bruta subiu”. O ex-presidente estava se referindo ao período da crise financeira mundial. A dívida bruta era de 56% do PIB em 2006, subiu para 63% em 2009, primeiro ano da crise, e desde então oscila em torno dos atuais 57,2%. Isso é melhor visualizado no gráfico acima.

     Todos cometem erros, como bem sabe O Globo. Apesar dos “deslizes” cometidos na reportagem de sábado, é muito importante que O Globo e outros jornais de circulação nacional passem a publicar os dados sobre os avanços sociais e econômicos do Brasil. Dessa forma, seus leitores terão acesso às informações necessárias para compreender como o e por que o Brasil mudou para melhor em 12 anos.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

Arte nas mãos - por Guido Daniele (site homônimo)

Para inverdades, há remédio? - por Dirceu Barbano (Folha)

Em 2002, cada medicamento de referência tinha três versões de genéricos. Hoje tem oito. A concorrência triplicou e os preços caíram

     Em períodos eleitorais, são comuns manifestações monotemáticas e desavergonhadas como a do ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB) no artigo "Na saúde, o PT não tem remédio" (13/6), no qual dissimula dados do mercado de medicamentos genéricos e ilude acerca da gestão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

     No Brasil, como em qualquer país, a presença dos genéricos trouxe benefícios. Aumentou a concorrência e os preços caíram. A lei que criou essa classe de medicamentos foi editada em 1999, depois da aprovação pelo Congresso Nacional de um projeto de lei apresentado em 1991 por um deputado do PT. A obsessão pela paternidade da medida faz com que esse senhor se comporte como padrasto que não aceita a possibilidade de o pai ser capaz de cuidar ainda melhor do próprio filho.

     Em 2002, os genéricos representavam apenas 3,9% do volume de medicamentos vendidos no Brasil. Em 2006, saltou para 15% e hoje está em 30%. De cada três medicamentos vendidos, um é genérico. Um aumento de quase dez vezes desde 2002, com participação próxima dos 31% observados na França.

     Entre 2000 e 2002, foram registrados 512 genéricos no país, apenas 170 ao ano. Em 2012, a Anvisa registrou 413 desses medicamentos. Ao final de 2002, cada medicamento de referência tinha, em média, apenas três versões de genéricos. Hoje tem cerca de oito. A concorrência triplicou nos últimos 12 anos e os preços estão bem mais baixos.

     O ex-ministro se esqueceu da exigência que fez em 2002 para que os medicamentos similares passassem pelos mesmos testes de equivalência pelos quais passam os genéricos para serem considerados cópias idênticas dos seus referenciais. O prazo para essa ação expira no final de 2014. E o governo e os setores envolvidos discutem o que fazer para beneficiar o consumidor com essa medida, que deu aos similares as garantias que os genéricos já possuíam.

     Omitindo o fato de ter alterado em 2001 a lei que criou a Anvisa para esvaziar o poder de diretores que discordavam dele, o padrasto dos genéricos faz considerações irreais sobre a conduta deles. Desde sua criação, os diretores da Anvisa são indicados pela Presidência da República e dependem de aprovação do Senado para serem nomeados para mandatos de três anos. Tive a honra de passar por esse processo duas vezes, sendo aprovado por senadores de vários partidos, incluindo o PSDB.

     Em 2002, 45% da mão de obra da Anvisa era composta por servidores da própria agência, 20% eram concursados oriundos de outros órgãos públicos e 35% eram indicados por critérios nem sempre transparentes e, por vezes, indesejáveis, definidos pelo ex-ministro. O primeiro concurso público foi autorizado pelo então presidente Lula em 2004. Hoje, o número de profissionais técnicos escolhidos por concurso público chega a 99% do total de seus servidores.

     Na criação da Anvisa, o ex-ministro incluiu 88 cargos de confiança que eram preenchidos por indicação dele. Hoje, a escolha é feita depois de edital público, análise de currículo, entrevistas e deliberação da diretoria colegiada. Isso fez com que 75% dos cargos existentes fossem ocupados por servidores concursados. É desrespeitoso dirigir-se a eles como loteadores de cargos públicos.

     A Anvisa conta com um parlatório onde são atendidos os agentes externos. As reuniões são gravadas e as atas registradas. Se o ex-ministro tivesse identificado aqueles que chama de lobistas e, nas suas palavras, "operam livremente na agência", teria incluído os 43 atendimentos feitos a deputados e senadores do PSDB entre 2010 e 2014.

     Como farmacêutico, aprendi a respeitar os números, uma vez que existem casos em que uma pequena variação na dosagem dos remédios representa a diferença entre a vida e a morte. Os economistas gostam deles por outros motivos. Mas uma coisa é certa: os números falam por si e não mentem.

Dirceu Barbano, 48, farmacêutico, é diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

Desenho com canetas esferográficas - por Samuel Silva (Deviantart)

Imagina nas eleições - por Ricardo Melo (Folha)

Se com a Copa foi assim, imagine doravante, quando está em jogo o cargo mais importante da República

     Poucas vezes viu-se tamanha desinformação como antes desta Copa. A previsão era dantesca. Caos nos aeroportos, estádios incompletos, gramados incapazes de abrigar jogos de várzea, tumulto, convulsões sociais, epidemias. Os profetas do caos capricharam: alguns apostaram que as arenas só ficariam prontas após 2030. Só faltou pedirem à população que estocasse alimentos em face da catástrofe.

     Diante de um cenário diametralmente oposto, os mensageiros do apocalipse ensaiam explicações. A principal é a de que a alegria do povo brasileiro suplantou a penca de problemas que estava aí, a olhos vistos, e ninguém queria enxergar. Desculpa esfarrapada.

     Se é inquestionável que os brasileiros têm uma tradição amistosa, ela por si só não ergue estádios decentes, melhora aeroportos, acomoda milhares de turistas e garante acesso aos locais das partidas. Problemas? Claro que houve, mas infinitamente menores do que os martelados pela imprensa em geral. Muita gente mentiu, ou, no mínimo, não falou toda a verdade --o que em geral dá no mesmo.

     Durante um tempo quase infinito, os brasileiros foram vítimas de uma carga brutal de notícias irreais. Se tudo estava tão atrasado e fora dos planos, como a Copa acontece sem contratempos maiores do que os de outros eventos do gênero? Talvez o maior legado deste choque entre fantasia e realidade seja o de que, acima de tudo, cumpre sempre duvidar de certas afirmações repetidas como algo consumado.

     A profusão de instrumentos de informação atual, ainda bem, oferece inúmeras alternativas para que opiniões travestidas de certezas sejam postas à prova. Mais do que nunca, desconfiar do que se ouve, assiste e lê é o melhor caminho para tentar, ao menos, aproximar-se do que é real.

     No final das contas, é bom que essa distância entre versão e fato tenha ficado escancarada num ano eleitoral. Se com a Copa foi assim, imagine doravante, quando está em jogo o cargo mais importante da República. A enxurrada de algarismos para mostrar um país à beira do abismo ocupa boa parte do noticiário "mainstream". Na outra ponta, estatísticas de toda sorte surgem para falar o inverso. Quem tem razão?

     Nessa hora, o decisivo é avaliar como está a vida do próprio cidadão e como ela pode ficar se vingar a proposta de cada candidato. O mais difícil, como sempre, é descobrir se estes têm coragem de dizer o que realmente pretendem realizar.

ME SUGA QUE EU TE SUGO

     O ciclo de convenções partidárias dá uma ideia do nível da campanha pela frente. A convenção do PSB de Campos e Marina elegeu como lema tirar o país do "atoleiro". Antes disso, porém, seria preciso tentar resgatar a própria legenda do lodaçal. Anunciado como terceira via, o acordo entre Campos e Marina até agora não exibiu nada de diferente da velha política que dizia combater. Mas suas alianças país afora parecem autoexplicativas.

     Já a convenção estadual paulista do PSDB seria apenas cômica, não fosse ainda mais cômica. O ponto alto, se é que houve algum, foi o discurso do candidato à Presidência Aécio Neves. Ao se referir ao PT, ele disse: "Infelizmente, a vitória para eles não significou apenas uma oportunidade de exercer uma proposta de poder mas a possibilidade de ascensão econômica."

     O impressionante é que ele não ficou sequer ruborizado, embora seu partido acoberte pessoas como Robson Marinho, para citar apenas São Paulo, e outros tantos que enriqueceram na base da rapinagem do dinheiro do povo. Bem, tudo se pode esperar de quem outro dia recomendou a eventuais futuros aliados hoje no governo federal: "Vão sugar um pouco mais. Façam isso mesmo: suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado". De preferência com a mala cheia.