segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A batalha estratégica pelo Estado laico - por Ion de Andrade (Jornal GGN / Blog do Nassif)

     O processo de afirmação da democracia política e dos direitos civis vai expondo nos seus desdobramentos resistências aos seus avanços. Algumas destas resistências são bem conhecidas e crônicas e tocam, por exemplo, à ampliação da participação popular na tomada de decisões.

     Outras conquistas, consolidadas pelos setores subalternos da sociedade, galgaram condições de consenso tais que estão consolidadas. É o caso das políticas afirmativas de inclusão racial e da criminalização do racismo. A última tentativa de por abaixo a política das quotas foi uma iniciativa do DEM no Supremo, derrotada por unanimidade.

     Mas o Brasil é um país complexo. A maneira através da qual vem ocorrendo o seu desenvolvimento excludente permitiu que grupos ideologicamente incompatíveis com o ideário pleno do Estado de direito tenham galgado grande importância política assentada na miséria material e cultural de milhões de brasileiros.

     A miséria é a base da expansão destes grupos, certamente não apenas por oportunismo ou manipulação, mas também pela construção capilarizada de uma rede de solidariedade e de disciplina moral que tem contribuído para tornar menos macabra a vida de brasileiros cronicamente situados à margem do processo de desenvolvimento.

     Os movimentos neo-pentecostais se situam precisamente neste espectro: são ao mesmo tempo ideologicamente atrasados frente à afirmação do Estado de direito laico e democrático, mas acumularam, frente aos seus milhões de fiéis, a legitimidade decorrente de ter tornado o dia a dia menos sofrido, ainda que ao custo da liberdade de pensamento e de opinião, valores sofisticados demais quando é a sobrevivência que esta na ordem do dia. O movimento, portanto, subordina a liberdade individual na tomada de decisões e regride a padrões medievais de compreensão e de ação sobre um mundo entendido como satanizado, o que até aí é do direito deles.

     A eleição atual marca entretanto o encontro entre duas tendências. A primeira e majoritária é aquela de natureza civilizatória, moderna e libertária de melhoria da qualidade de vida de milhões com base na expansão da cidadania e na afirmação do Estado de direito como ferramenta estratégica no processo de transformação social. O suporte ideológico desta vertente é a igualdade de direitos, cuja agenda é a de assegurar o acesso à educação, à ciência, aos direitos, à renda, à participação na tomada de decisões e às liberdades, dentre as quais a de credo. Esta tendência é a que modelou a sociedade em que vivemos, sobretudo posteriormente à derrota da ditadura.

     A segunda tendência que se opõe à primeira é a que se caracteriza por uma cosmologia de cunho grupal, excludente e moralista e que, ao enxergar-se como modelo mais alto, coíbe as liberdades e os direitos individuais e coletivos, fundadores do Estado de direito. Se aproveita portanto do Estado de direito que oferece, felizmente, amplas liberdades de credo para arvorar-se numa superioridade e possuir um desprezo pelo restante da sociedade que não comunga dos seus valores, o que se exprime pelo desejo de coibir-lhes a identidade, a liberdade de expressão ou a igualdade. As duas tendências só são irreconciliáveis pelo desejo explícito e militante da segunda de converter-se, apesar de sabidamente minoritária, em modelo universal aplicável a todos os brasileiros.

     Então os avanços democráticos, cujas raízes mergulham no combate à ditadura, encontraram outra importante concreção, outra resistência ao seu elan transformador.

     Por estranho que pareça, a laicidade do Estado é consenso tão forte no campo exterior à influência do grupamento neo-pentecostal quanto o é a condenação ao racismo na sociedade como um todo, ao ponto que é difícil compreender como é que as maiorias se deixaram inibir e intimidar por segmento numericamente tão pequeno e ideologicamente tão isolado. Aliás, diversas igrejas evangélicas no Brasil e no mundo se alinham, obviamente, ao Estado de direito e à ideia do Estado laico e não seria justo confundir o Sr. Malafaia com todo o movimento evangélico.

     A pergunta que temos que nos fazer no Brasil, em todos os segmentos que se identificam com a contemporaneidade, seja na direita ou na esquerda, é: como podemos ter sido tão covardes no enfrentamento político em nosso país de ideologias tão anacrônicas, perversas e invasivas dos direitos e prerrogativas individuais e coletivos?

     Seja qual for o enfoque ou o desfecho das eleições, o êxito obtido pelo Sr. Malafaia em subordinar, com a sua cosmologia restritiva, uma candidata à Presidência da República de um país que se entende como laico, já o colocou como o principal perdedor do processo, pois deu a conhecer o seu projeto minoritário de sociedade ao Brasil e o seu desproporcional, através de Marina Silva, poder de fogo. É justo nos perguntarmos, queremos o Estado laico ou a República Malafaica?

     Num encontro do Brasil consigo mesmo, neste acerto de contas inevitável que vamos travando com os nossos atrasos e mazelas, descobrimos que temos contas a acertar com os segmentos que acham que podem subordinar os direitos individuais e curvá-los às suas próprias convicções pelo desejo de transformar cidadãos de direito, no caso os LGBT, (mas também os brasileiros que professam crenças de matriz africana), em gente de segunda categoria.

     Para eles o pecado é o direito igual, mas para a maioria da nação o pecado é o direito diferente.

     É chegada, portanto, a hora do acerto de contas. O Brasil não pode mais intimidar-se com as ameaças de grupos minoritários que almejam tutelar ideologicamente o país.

     O próximo governo terá que avançar na agenda da ampliação dos direitos civis. Ou será o palco de enfrentamentos entre um moralismo religioso que pretende ser universal  e a sociedade civil organizada.

     A criminalização da discriminação religiosa esta também na agenda, pois comumente os brasileiros herdeiros de tradições religiosas africanas são tratados como se fossem filhos de satanás. Ao crime de Injúria Racial o Brasil deverá acrescentar-se o de Injúria Religiosa.

     O movimento neo-pentecostal tem todo o direito de existir, e é importante que exista, pois compõe a nação, mas as suas lideranças não podem mais querer esmagar, humilhar e apequenar os outros.

     É hora de defraudar a bandeira da civilidade, da igualdade e dos direitos civis amplos e irrestritos e de enfrentar de rosto descoberto aqueles que pretendem, ao arrepio das maiorias, converter o Brasil numa república neo-pentecostal.

Vale surreal - por Michal Matczak (Arte digital - coolvibe)

A nova Marina Silva é uma criatura de FHC - por Juarez Guimarães (Carta Maior)

     Antes de Marina Silva deixar o segundo governo Lula e o PT, Hamilton Pereira eu escrevemos uma carta aberta a ela dirigida com o nome “Em favor das razões de Marina”, publicada no site da Fundação Perseu Abramo. Nela, após anotar os avanços já conquistados no campo ecológico durante os governos Lula (redução drástica do desmatamento da Amazônia, nova regulação inclusive com a introdução do critério ambiental no financiamento dos bancos públicos, grande extensão das áreas ecologicamente preservadas, presença de liderança nos fóruns internacionais de políticas contra o aquecimento global), reconhecíamos que a agenda ecológica ainda não havia ido ao centro da cultura da esquerda brasileira e do próprio governo. Marina tinha ainda um grande trabalho a cumprir neste sentido.

     Mas nesta mesma carta, alertávamos para dois grandes riscos corridos por Marína: o de separar dramaticamente a luta ecológica da luta por justiça social e ser seduzida pelas novas ondas do eco-liberalismo, isto é, inserir a sua visão ecológica na sedutora rede do chamado “capitalismo verde”. A trajetória de Marina até estas eleições de 2014 superou as piores expectativas: ela se tornou, de fato, a nova criatura política do neoliberalismo cosmopolita e bem articulado de Fernando Henrique Cardoso.

     Já na candidatura de 2010, como expõe Alfredo Sirkis, coordenador geral da candidatura de Marina, no livro “O efeito Marina” (Editora Nova Fronteira), foi realizada em fevereiro de 2010 no apartamento de FHC em Higienópolis uma “reunião secreta”, nas próprias palavras do autor, com FHC e Serra para combinar um palanque duplo de Gabeira no Rio. A candidatura de Marina pelo PV já havia passado por um acordo com o presidente deste partido, fisiologicamente ligado ao governo do PSDB em São Paulo. De lá, Sirkis seguiu para combinar com Aécio Neves o acordo do PV com o PSDB em Minas.

     O “rabo preso” de Marina com o PSDB ficaria nítido no segundo turno das eleições de 2010, quando Marina optou por se abster do confronto entre Dilma e Serra. Ali, como marcou memoravelmente a sagrada ira crítica de Leonardo Boff, Marina começou definitivamente a separar o programa ecológico da luta dos trabalhadores e oprimidos brasileiros contra o neoliberalismo.

     A sua participação nestas eleições de 2014 completa o ciclo de mudanças de Marina. Após o trágico acidente que vitimou Eduardo Campos, Marina já se apresenta como aquela que vai reunir a “nova elite”, isto é, que vai salvar não o Brasil como afirma mas o neoliberalismo brasileiro de sua derrota política estrondosa e final.
     
     Como um Aécio que esta dando certo, Marina tem na liderança de Fernando Henrique Cardoso o seu novo epicentro político. Sem este epicentro, o fôlego político de Marina seria muito curto. Mas é preciso demonstrar esta convergência entre a evangélica de posicionamentos fundamentalistas e o neoliberal cosmopolita.

Estratégia, linguagem e nova articulação política

     O primeiro modo de documentar a organicidade da práxis de Marina nestas eleições em relação a FHC é refletir sobre a sua estratégia política. O seu posicionamento de oposição frontal ao governo de Dilma Roussef poderia ser combinado com uma delimitação clara com a base política histórica e social do PSDB, estabelecendo as suas críticas fundamentais ao ciclo FHC, se quisesse de fato construir uma “terceira via”. É o contrário do que fez: adotou a narrativa que pretende estabelecer o mérito histórico de FHC em conquistar a estabilidade econômica do país como Lula cumpriu a grande meta da inclusão social, exatamente a mesma narrativa assumida antes por Aécio Neves. Isto é, desfazer o abismo entre a impopularidade de FHC e a popularidade de Lula, o sentido classista antagônico dramático dos dois governos, apenas para melhor disputar por dentro a base social em ascensão econômica e de acesso a direitos e que forma a maioria do eleitorado brasileiro.

     Ao elogiar FHC e não entrar em choque frontal com a liderança política de Lula, Marina pretende combinar dois objetivos: tornar-se orgânica em relação as forcas políticas e econômicas do neoliberalismo e, ao mesmo tempo, cultivar a base social que já construiu a consciência democrática de seu antagonismo com os tempos de FHC. Mais do que Aécio, por todo seu simbolismo, ela esta muito mais bem posicionada para cumprir esta estratégia.

     Ora, esta estratégia – a de formar uma base social ampla do anti-petismo e capitalizar uma dinâmica de “mutirão das oposições” contra Dilma – foi exatamente formulada por FHC. E, neste sentido, a nova Marina é a criatura que melhor encarna esta estratégia.

     O segundo modo de comprovar a identidade de Marina com FHC é registrar a fonte de sua linguagem. Se a linguagem encena a política – com suas agendas, seu vocabulário, seus argumentos -, não há hoje na fala pública de Marina nada que não possa ser identificado ou assimilado pela linguagem de FHC, que formou o ideário cosmopolita do neoliberalismo brasileiro. Não há classes e interesses sociais em disputa mas “elites”.

     Seus novos “heróis ecológicos” são empresários ou herdeiros ou associados a grandes banqueiros nacionais e internacionais. As promessas de políticas sociais serão melhor cumpridas com um programa econômico neoliberal. O Brasil deve mudar sua política externa, voltando ao eixo americanista. O estado será diminuído e será mais eficiente ao ser governado pelos “melhores”.

     E, ao mesmo tempo, cenho franzido, voz indignada, dedo em riste acusador para falar do governo Dilma e do PT. A “nova política” expulsará os corruptos! A Petrobrás virou um antro de corrupção e tem uma gestão catastrófica. A inflação esta fora do controle e disparada! O “Mais Médicos “ foi um paliativo. A política de partilha do pré-sal deve ser revista para modelo de concessão. O número de ministérios será diminuído!

     Erra Aécio Neves quando diz que o programa de Marina é um plágio do seu. É mais grave: ele tem a mesma fonte de inspiração, ou seja, o paradigma político de FHC. Em resumo: a nova linguagem de Marina se faz com a gramática e o dicionário de FHC. Mesmo o tema da participação social no governo pode ser assimilado pelos argumentos do papel protagonista da “sociedade civil”, das ONGs , do “terceiro setor”, do governo em rede etc.

     Há uma terceira linha de organicidade nova de Marina em relação a rede de articuladores liderada por FHC. Há aí um novo pragmatismo político da política de convicções fundamentalistas no plano moral e novos atores que estão indo ao centro em substituição aos amadores da Rede ou dos quadros históricos mais a esquerda do PSB, como Luiza Erundina ou Roberto Amaral.

     Se FHC foi, desde a origem, a grande referência programática do PSDB, ele nunca fez política “de partido”. Primeiro, jogou-se no grande mundo oposicionista do PMDB. Depois, já no início do PSDB, só não entrou no governo Collor devido a cerrada oposição de Covas, como já esta documentado. Foi a partir de dentro do governo Itamar, que armou a estratégia do Real e da candidatura a presidência. No governo, cooptou na direita do espectro político e na esquerda.

     Na oposição aos governos Lula e Dilma, sempre trabalhou em rede: além do trio PSDB, PPS, PFL/DEM , articula um setor oposicionista dentro do PMDB (Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, etc.), do PDT (os senadores Cristóvão Buarque e Tasques), do PSB (os deputados federais Beto Albuquerque e Júlio Delgado etc), do PTB, do PV. Esta rede oposicionista em parte já convergiu e esta convergindo cada vez mais para Marina. Seus novos articuladores políticos já falam na intimidade com Serra, Alckmin e com os núcleos dirigentes dos políticos conservadores brasileiros.

     A “nova elite” em formação – o marinato –, na verdade, é composta centralmente de personagens políticos da intimidade ou da relação com FHC.

Neoliberalismo selvagem e visão de mundo

     A quarta dimensão que escancara a configuração da nova Marina como criatura política de FHC é a sua adesão sem limites a um relançamento do programa neoliberal, em bases ainda mais selvagens do aquele cumprido nos anos FHC. A proposta de “autonomia do Banco Central”, na verdade, um atentado ao poder do presidente soberanamente eleito de dirigir a economia do país em detrimento do poder dos grandes banqueiros, é um símbolo e uma direção. Esta radicalização do programa neoliberal esta bem documentada em atas dos seminários do Instituto FHC realizados nos últimos anos.

     Um novo encaixe de um Brasil neoliberal na fase extremamente regressiva hoje vivida pelo capitalismo internacional, certamente duplicará seus efeitos sociais perversos. E uma nova rodada de assalto, concebido como definitivo, ao patrimônio público – privatização por dentro da Petrobrás, revisão do regime de partilha do pré-sal , privatização por dentro do Banco do Brasil e da Caixa Econômica como já foi anunciado, desmontagem do BNDES – certamente viria com uma eventual eleição de Marina.

     O Banco Itaú, da nova amiga de confiança de Marina, a agora famosa Neca, que lhe abriu a coordenação do programa e da arrecadação financeira, foi sempre intimamente vinculado a FHC. Os dois personagens até agora mandatados por Marina para a área econômica – Eduardo Gianetti e André Lara Resende – compuseram o governo FHC em cargos muito importantes. O primeiro foi secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, órgão diretamente vinculado à presidência. O segundo foi diretor do Banco Central e, depois, presidente do BNDES no segundo governo FHC por um período de alguns meses em 1998, tendo que deixar o cargo após o chamado escândalo dos grampos da privatização das telecomunicações.

     Os dois são personagens tidos como brilhantes no grande pequeno mundo neoliberal: um economista filósofo de quinta categoria que chegou ao disparate de afirmar que a escola econômica desenvolvimentista da Unicamp é “filhote da ditadura” e de propor, como esta documentado no livro “O que os economistas pensam sobre a sustentabilidade”, organizado por Ricardo Arnt, que os preços do leite e da carne deveriam ser aumentados por motivos ecológicos, isto é, para se reduzir o tamanho do rebanho bovino cujos gases impactam a camada de ozônio; o segundo é um rentista especulador, fundador do Banco Matrix, gestor no Brasil do dinheiro de grandes bancos estrangeiros e de fundos de investimento internacionais, um milionário que tem como esporte carros de corrida e cavalos de raça.

     Mas há uma quinta convergência entre esta política de preconceitos morais fundamentalistas e o neoliberal cosmopolita que é preciso esclarecer mais. Há mais do que funcionalidade recíproca entre Marina e FHC: uma criatura que encarna com mais dinamismo e eficácia o “tsunami anti-petista” vocalizado por Aécio mas dirigido por FHC e o interlocutor que lhe abre o caminho real da bolsa, do poder e da mídia empresarial.

     Fernando Henrique Cardoso já manifestou várias vezes a sua avaliação positiva das seitas evangélicas no Brasil: elas, retomando de modo superficial um tema clássico de Max Weber, ao retirar o sentido cristão católico negativo atribuído ao dinheiro e ao enriquecimento, seriam vetores culturais de afirmação de valores saudáveis do capitalismo. Ora, esta que faz o elogio da “boa consciência” dos milionários é facilmente assimilada por este que sempre, contra a tradição varguista, desenvolvimentista e agora petista, faz a defesa ideológica do casamento da democracia liberal com o mercado.

A “nova “ Marina e a velha ordem neoliberal

     Marina constituiu sua primeira identidade pública, por um longo período, no campo da esquerda brasileira. Isto a diferencia de Collor e de Jânio Quadros que, apenas em um primeiro momento, contou com a simpatia do antigo PSB. Não se trata, pois, de um caso de simulacro, de um personagem que faz de conta ser o que não é.

     Houve uma ruptura política profunda e há uma “nova” Marina Silva. O conceito clássico para designar esta passagem, esta transformação, em que uma liderança de fora da ordem dominante é tragada por esta ordem em busca de uma relegitimação política, é o de transformismo, operado por Gramsci para entender a política italiana.

     Toda a virulência da operação transformista de Marina – como um sintoma – veio a tona em sua afirmação durante o debate entre os candidatos presidenciais na Rede Bandeirantes de que Chico Mendes, assim como o empresário dono da Natura, Guilherme Leal e a herdeira Banco Itaú, são parte da elite.

     Há certas afirmações que denunciam quem as faz. Chico Mendes não é mais para Marina um seringueiro, um sindicalista, um socialista e um grande mártir da luta ecológica dos brasileiros contra os poderes predatórios do capitalismo. Marina só é capaz de dizer isto porque agora já se sente e deseja, com toda a força de sua personalidade, ser parte da elite.

     Aliás, o termo “elite” tem uma famosa genealogia na ciência política. A chamada “teoria das elites” foi formulada por italianos ultraconservadores, que depois aderiram ao fascismo de Mussolini, como uma resposta ao princípio da soberania popular na virada do século XIX para XX. O par de “elite” é exatamente “massa”, indicando a incapacidade permanente de formas de autogoverno. No liberalismo conservador contemporâneo, ao qual Marina esta aderindo, o termo elite designa a teoria do chamado “elitismo democrático”, isto é, uma democracia que é na verdade governada pelas “elites”.

     Trinta dias atrás FHC prognosticou a vitória provável de Aécio nestas eleições presidenciais. Os seus grandes erros na política sempre decorreram de se conceber como parte da elite, por um viés elitista desprezar a consciência política em formação do povo brasileiro. Agora, sua aposta será cada vez mais na vitória provável de Marina nestas eleições.

     Mas a nova Marina não é um mito mas uma mistificação. O resultado destas eleições dependerá de nossa capacidade em construir junto com a consciência democrática, republicana e socialista do povo brasileiro – esta que Chico Mendes deu a vida para formar – a convicção de que a nova Marina é apenas a nova criatura do velho neoliberalismo de FHC.

A Casa piano na China - Arte escultural em edifício (designyoutrust)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Honolulu, Havaí - por O mundo e suas belas imagens (Fotografia)

Picadinhas

Um sonho: transar com minha mulher e uma amiga dela.
Um pesadelo: minha mulher pedir o mesmo.
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A Marina Silva é tão sustentável que ela esta se reproduzindo através de meiose.
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Entrei na faculdade achando que seria igual ao filme American Pie. Quando saí me pareceu muito mais com Jogos Vorazes.
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Este Pastor Everaldo pegou as ideias de todo mundo que bloqueei no facebook e fez o plano de governo dele.
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Todos os dias, logo cedo dou uma piscadinha para Deus e peço: Tomara que as nossas vontades coincidam. E se não coincidirem, que a Sua prevaleça. (Caio Fernando Abreu)
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A reforma política é fundamental para dar visibilidade aos candidatos nanicos como Eyeymael , Luciana Genro, Mauro Iasi e Aécio Neves.
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É preciso amar as pessoas como se não houvesse eleições.
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De bobo só tenho a cara e o coração. (Bruno Fontes)
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A solução para a má fase do Vascu pode ser, pode ser ... Renight Gaúcho!!! ...
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Pastor Everaldo se eleito decretará que o Universo gira em torno da Terra, que é plana.
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“A felicidade é só estar em paz consigo mesmo, olhar para nós mesmos e lembrar que não fizemos muito mal aos outros.” (José Saramago)
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Ironia da história: quem imaginou que o “não é pelos 20 centavos” ia descambar numa candidata que defende a independência do Banco Central do povo e sua dependência aos bancos?
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Tem gente que eu tenho vontade de perguntar: você é só isso mesmo ou tá guardando o melhor para o final? (Matheus Rocha)
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Se alguém acha que é normal alguém achar que o mundo foi feito em sete dias esse alguém realmente se acha.
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Ano de 1595
“"Oh! Meu amado Romeu, escrevo para informar-te que recebi sua linda carta e que me deixaste sem palavras".
Ano de 2014
“Ok.”
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Marina abre a Bíblia ao acaso e lê um salmo que lhe indica a decisão que a tomar. É a República do Deus Dará.
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Hermeto Pascoal tira som até da barba que cofia.
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Marina assegura que de Jânio só quer uma coisa: a vassoura. Pra voar.
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Acho que maturidade é descobrir que apesar de você ter se ferrado, o mundo não se acabou. (Ita Portugal)
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“Neca: Marina tem muita Personalité.” (Emir Sader)
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“A distorção de valores chegou a tal ponto que pessoas discretas são consideradas arrogantes, os modestos são vistos como dissimulados e os que não se rendem a modismos são taxados de esnobes. Ser autêntico - requisito número um para se ter charme – virou ofensa pessoal. Ou a criatura faz parte do rebanho, ou é um metido a besta...” (Martha Medeiros)
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“Não me sinto confortável em ter como presidente uma pessoa que acredita concretamente que o Universo foi criado em sete dias há apenas 4.000 anos, aproximadamente." (Rogério Cesar de Cerqueira Leite)
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Esquece essa de procurar alguém.. No final vai acabar sendo sem querer, numa trombada, num tropeço, ou em um caminho que você fez errado... (Bruno Fontes)
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Walter Feldman, cérebro da campanha “socialista”, é um sonhático batuta. Arrumou boca dos sonhos com o prefeito Kassab. Estudou por seis meses em Londres, bancado pela prefeitura, para fazer Olimpíada que se dará em outro município, no Rio.
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A gente escreve o quer ouve, nunca o que houve. (Oswald de Andrade)
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Aécio Neves espera que os adversários tenham ao menos a fineza de esculhambá-lo.
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A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda. (Barão de Itararé)
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Chapa Presidencial Divina. A candidata é enviada pelo Espírito Santo e o vice, pela Monsanto.
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Vou me vingar da maneira mais cruel que você pode imaginar. Vou deixar pra lá. (John Steinbeck)
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O petróleo não tem mais idade pra ficar ouvindo essas besteiras da Marina.
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Tu te tornas eternamente responsável, pelas suas tralhas afetivas, pelo último gole, segundo porre, ralado no joelho, esfolado no coração, um tiquinho de sensatez, todas as despedidas, tamanho do pódio e dimensão da queda, desculpas esfarrapadas e saudade desgastada”. (Ita Portugal)

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O bom de votar em Marina é ter uma vida inteira pra se arrepender.
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Velhice… É a única doença, Sr. Thompson, da qual não se espera ser curado. (Cidadão Kane)
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Nenhuma novidade: Mussolini também dizia que estava acima dos partidos.
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Não zombe de masturbação. É sexo com alguém que eu amo. (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa)
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Cinco integrantes do comitê “socialista” já baixaram hospital por excesso de exposição à voz da candidata.
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“Vou fazer uma oferta que ele não pode recusar”. ( Don Corleone, em “O Poderoso Chefão”)
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Contos de fadas assustadores são temas de exposição e livros em São Paulo. Um deles conta a incrível história da fadinha da floresta que se tomou de amores pelo capitalismo selvagem.
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Viveu mais de touch do que de toques. (Zack Magiezi)
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Jânio Quadros era a UDN de porre. Marina é um porre.
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Se quiser realmente conhecer uma pessoa, observa o que ela ama.
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Dona Santinha abre linha de financiamento no Itaú pra quem quiser falar com Deus.
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Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta… (Barão de Itararé)
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Marina ia anunciar um plano de incentivo à produção de laranja. Mas deixou pra lá. O momento não é oportuno.
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“Algumas vezes o leão precisa rugir, só para mostrar ao cavalo que ele deve sentir medo.” (ditado persa)
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Só faltava Fernando Henrique pedir por Arruda a Gilmar para avacalhar de vez a biografia dele. Não falta mais nada.
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“O homem quando descobriu que era inteligente não aguentou o choque e enlouqueceu.” (José Saramago)
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Folha importou Mainardi para empatar consigo mesma em matéria de safadeza.
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“Só eu entendo como o céu está longe de nós.” (Pedro Páramo)
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"Trabalhadores do Brasil! Nada tendes a perder senão vossos postos de trabalho!" (Armínio Fraga, o “eleito” de Aécio pra Fazenda)
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“No universo tudo é compensação. Quem vai mais devagar empurra com mais força.” (Muriel Barbery)
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PSB diz que avião de 18 mi foi emprestado por empresários. Que contavam apenas com um pouco de afeto, carinho e amizade.
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“A ecologia é como o amor a pátria. Em seu nome, quanta barbaridade se comete.” (Rachel de Queiroz)
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A jatinho dado não se olha os dentes.
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“Naquele tempo Copacabana não era ainda a favela de maior densidade demográfica do mundo; era um lugar onde as pessoas elegantes e ricas moravam.” (Rubem Fonseca)
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Marina deu hoje coletiva para explicar que Santos Dumont inventou o avião absolutamente contra a vontade dela.
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Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo. (Barão de Itararé)
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Em Salvador, Aécio aproveitou pra deixar a medida do Bonfim. Não lhe valeu.
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Existem milagres, mesmo. Reais e falsos. Ambos são úteis. (Vikram Chandra)
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"Siga o jatinho!" (Garganta Profunda)
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O casamento é a morte da esperança. (Woody Allen)
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Procura-se um dono para o jatinho desesperadamente.
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Todo sonho é louco, e você não pode desejar que eles não existam, assim como não pode querer que existam. Você tem que decidir se age guiado por eles ou se vai deixá-los sumir. (Keith Donohue)
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Aécio rezou hoje em igreja de Salvador pela saúde dos eleitores que ainda lhe restam. Não precisou rezar muito.
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“O respeito foi inventado para encobrir o lugar vazio onde devia estar o amor”. (Liev Tolstói)
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Marina diz que avião não é problema dela. De fato, a candidata sempre usa teletransporte.
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Só há uma boa definição de Deus: a liberdade que permite a existência de outras liberdades. (John Fowles)
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"Tenho 18,7 bilhões de razões para apoiar Marina." (Neca)
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O divertimento é uma espécie de injúria aos infelizes.
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Diante do último tracking, o PSDB recomenda a FHC giro internacional prolongado até no mínimo 5 de outubro.
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Talvez eu tenha sobrevivido a mim mesmo. (Günter Grass)
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Pelo visto, o jatinho também foi comprado com recursos da Divina Providência.
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O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro. (Barão de Itararé)
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Fernando Henrique Cardoso está uma arara com o pastor Everaldo que pretende atuar no seu nicho de mercado privatizando até Jesus.
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By Zombozo Kropotkin, Revista Bula e Palmério Dória, com adicionais.