terça-feira, 22 de setembro de 2015

Não podemos abordar a crise dos refugiados sem enfrentar o capitalismo global - por Slavoj Žižek (Boitempo)

    Nós não podemos abordar a crise dos refugiados sem enfrentar o capitalismo global. Os refugiados não chegarão à Noruega. Mas a Noruega que eles procuram sequer existe.

     Em seu estudo clássico On Death and Dying, ElisabethKübler-Ross propôs o famoso esquema de cinco estágios de como reagimos ao saberque temos uma doença terminal: negação (a pessoa simplesmente se recusa a aceitar o fato: “Isso não pode estar acontecendo, não comigo.”); raiva (que explode quando já não podemos negar o fato: “Como isso pode acontecer comigo.”); negociação (a esperança de que podemos de alguma forma adiar ou diminuir o fato: “Apenas deixe-me viver para ver meu filho graduado.”); depressão (desinvestimento libidinal: “Eu vou morrer, então por que se preocupar com alguma coisa?”); aceitação (“Eu não posso lutar contra isso, mas eu bem posso me preparar para isso.”). Mais tarde, Kübler-Ross aplicou esses estágios a qualquer forma de perda catastrófica pessoal (desemprego, morte de um ente querido, divórcio, vício em drogas) e enfatizou que eles não acontecem necessariamente na mesma ordem, nem que os cinco estágios são vivenciados por todos os pacientes.

     A reação da opinião pública e das autoridades na Europa Ocidental ao fluxo de refugiados da África e do Oriente Médio não teve uma combinação semelhante de reações disparatadas? Houve a negação, agora diminuindo: “Não é tão sério, vamos simplesmente ignorar.” Existe uma raiva: “Os refugiados são uma ameaça ao nosso modo de vida, entre eles escondem-se fundamentalistas muçulmanos, eles precisam ser barrados a qualquer preço”. Há negociação: “Ok, vamos estabelecer quotas e apoiar os campos de refugiados nos seus próprios países!” Há depressão: “Estamos perdidos, a Europa esta se transformando em uma Europa-stan.” O que esta faltando é a aceitação, o que, neste caso, significaria um consistente plano pan-europeu para lidar com os refugiados.

     Então, o que fazer com centenas de milhares de pessoas desesperadas, que esperam no Norte da África, fugindo da guerra e da fome, tentando atravessar o mar e encontrar refúgio na Europa?

     Existem duas principais respostas. Liberais de esquerda expressam sua indignação com a forma como a Europa esta permitindo que milhares de pessoas se afoguem no Mediterrâneo. O argumento deles é que a Europa deve mostrar solidariedade abrindo as portas amplamente. Os populistas anti-imigrantes reivindicam que devemos proteger nosso modo de vida e deixar que os africanos resolvam seus próprios problemas.

     Qual é a melhor solução? Parafraseando Stalin, as duas são piores. Aqueles que defendem a abertura das fronteiras são grandes hipócritas: Secretamente, eles sabem muito bem que isso nunca vai acontecer, uma vez que provocaria uma imediata revolta populista na Europa. Eles jogam com a bela alma que os fazem se sentir superiores diante de um mundo corrompido enquanto secretamente participam dele.

     O populista anti-imigrante também sabe muito bem que, deixados por si mesmos, os africanos não terão sucesso na mudança de suas sociedades. Por que não? Porque nós, norte-americanos e europeus ocidentais, estamos impedindo-os. Foi a intervenção europeia na Líbia que jogou o país no caos. Foi o ataque dos Estados Unidos ao Iraque que criou as condições para o surgimento do ISIS [Estado Islâmico do Iraque e do Levante]. A guerra civil em curso na República Centro-Africana não é apenas uma explosão do ódio étnico; França e China estão lutando pelo controle dos recursos petrolíferos através de seus procuradores.

     Mas o caso mais claro de nossa responsabilidade é o Congo de hoje, que esta novamente emergindo como o “coração das trevas” africano. Em 2001, uma investigação da ONU, sobre a exploração ilegal de recursos naturais no Congo, descobriu que os conflitos internos acontecem para se ter o acesso, o controle e o comércio de cinco minerais fundamentais: coltan, diamante, cobre, cobalto e ouro. Sob a fachada de guerra étnica, nós podemos identificar o funcionamento do capitalismo global. O Congo não existe mais como um estado unificado; é uma multiplicidade de territórios governados por senhores da guerra locais, que controlam o seu pedaço de terra com um exército, que como regra, inclui crianças drogadas. Cada um desses senhores da guerra estão ligados pelos negócios com empresas ou corporações estrangeiras que exploram as riquezas minerais da região. A ironia é que muitos destes minerais são usados em produtos de alta tecnologia, tais como laptops e telefones celulares.

     Retire as empresas estrangeiras de alta tecnologia da equação e toda a narrativa de guerra étnica alimentada por velhas paixões desmorona. Este é o lugar onde devemos começar se realmente queremos ajudar os africanos e parar com o fluxo de refugiados. A primeira coisa é lembrar que a maioria dos refugiados vem de Estados falidos – onde a autoridade pública é inoperante, pelo menos em grandes regiões – Síria, Líbano, Iraque, Líbia, Somália, Congo, etc. Essa desintegração do poder do Estado não é um fenômeno local, mas o resultado da economia e da política internacional, em alguns casos, como a Líbia e o Iraque, um resultado direto da intervenção ocidental. É claro que o aumento destes “Estados falidos” não é um inesperado infortúnio, mas sim uma das formas que as grandes potências exercem seu colonialismo econômico. Deve-se notar também que as sementes dos “Estados falidos” do Oriente Médio devem ser procuradas nas fronteiras arbitrárias desenhadas após a Primeira Guerra Mundial pelo Reino Unido e a França, que criaram uma série de Estados “artificiais”. Com o propósito de unir os sunitas na Síria e no Iraque, o ISIS esta, em última análise, juntando o que foi dilacerado pelos mestres coloniais. 

     Não se pode deixar de notar o fato de que alguns países não muito ricos do Oriente Médio (Turquia, Egito, Iraque) são muito mais abertos aos refugiados do que os realmente ricos (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Qatar). Arábia e Emirados não receberam refugiados, embora façam fronteira com países em crise e são culturalmente muito mais próximos aos refugiados (que são na maioria muçulmanos) do que a Europa. Arábia Saudita tem até mesmo devolvido alguns refugiados muçulmanos da Somália. Isto porque a Arábia é uma teocracia fundamentalista que não pode tolerar estrangeiros intrusos? Sim, mas deve-se também ter em mente que esta mesma Arábia Saudita é totalmente integrada à economia do Ocidente. Do ponto de vista econômico, Arábia Saudita e Emirados, que afirmam depender totalmente das suas receitas petrolíferas, não são puros postos avançados do capital ocidental? A comunidade internacional deveria colocar toda pressão em países como Arábia Saudita, Kuwait e Qatar para fazer seus deveres de aceitarem um grande contingente de refugiados. Além disso, por estar apoiando os rebeldes anti-Assad, a Arábia Saudita é o grande responsável pela situação na Síria. E, em diferentes graus, o mesmo se aplica para muitos outros países – nós estamos todos nisso.

Uma nova escravidão

     Outra característica partilhada por esses países é o surgimento de uma nova escravidão. Enquanto o capitalismo se legitima como o sistema econômico que sugere e promove a liberdade individual (como uma condição do mercado cambial), ele gerou por conta própria a escravidão, como parte de sua dinâmica: embora a escravidão estivesse quase extinta no final da Idade Média, explodiu cedo na modernidade e durou até a Guerra Civil Americana. E hoje, numa nova época do capitalismo global, pode-se arriscar a hipótese de que uma nova era da escravidão também esta surgindo. Embora não exista um estatuto jurídico legal para escravizar as pessoas de forma direta, a escravidão adquire uma multiplicidade de novas formas: na península da Arábia (Emirados, Qatar, etc.), milhões de trabalhadores imigrantes são de fato privados de direitos civis elementares e liberdades; o controle total sobre milhões de trabalhadores em fábricas asiáticas, muitas vezes organizados diretamente como campos de concentração; o uso massivo de trabalho forçado na exploração de recursos naturais em muitos estados africanos centrais (Congo etc.). Mas nós não temos que olhar tão longe. Em 01 de dezembro de 2013, pelo menos sete pessoas morreram quando uma fábrica de roupas de propriedade chinesa em uma zona industrial na cidade italiana de Prato, a 19 km do centro de Florença, incendiou, matando trabalhadores presos em um dormitório de papelão improvisado, construído no local.  O acidente ocorreu em Macrolotto, distrito industrial da cidade conhecido por suas fábricas de vestuário. Milhares de imigrantes chineses estariam vivendo ilegalmente na cidade, trabalhando até 16 horas por dia para uma rede de oficinas atacadista que confeccionava roupa barata.

     Nós, portanto, não temos que olhar para a vida miserável dos novos escravos nos longínquos subúrbios de Xangai (ou em Dubai e Qatar) e hipocritamente criticar a China – a escravidão pode estar aqui mesmo, dentro de nossa casa, nós apenas não vemos (ou melhor, fingimos não ver). Este novo apartheid de facto, esta explosão sistemática do número de diferentes formas de escravidão de facto, não é um acidente lamentável, mas uma necessidade estrutural do capitalismo global de hoje.

     Mas estão os refugiados entrando na Europa apenas oferecendo-se para se tornar força de trabalho precário, em muitos casos, à custa dos trabalhadores locais, que reagem a essa ameaça unindo-se a partidos político anti-imigrantes? Para a maioria dos refugiados, esta será a realidade de seu sonho realizado.

     Os refugiados não estão somente fugindo de suas terras devastadas pela guerra; eles também estão possuídos por um sonho. Podemos ver repedidas vezes em nossas telas. Refugiados no Sul da Itália deixam claro que eles não querem ficar lá, eles querem majoritariamente viver nos países escandinavos. E o que dizer dos milhares de acampados em Calais que não estão contentes com a França, mas estão dispostos a arriscar suas vidas para entrar no Reino Unido? E o que dizer de dezenas de milhares de refugiados dos países Bálcãs que querem ao menos chegar à Alemanha? Eles declaram esse sonho como um direito incondicional, e exigem das autoridades europeias não só alimentação adequada e cuidados médicos, mas também o transporte para o local de sua escolha.

     Há algo enigmaticamente utópico nesta demanda impossível: como poderia a Europa realizar o sonho deles?, um sonho que, aliás, esta fora do alcance para a maioria dos europeus. Quantos europeus do Sul e do Leste não prefeririam viver na Noruega? Pode-se observar aqui o paradoxo da utopia: precisamente quando as pessoas se encontram em situação de pobreza, aflição e perigo, e seria de se esperar que eles estivessem satisfeitos com o mínimo de segurança e bem-estar, a utopia absoluta explode. A dura lição para os refugiados é que “não há Noruega”, mesmo na Noruega. Eles terão que aprender a censurar seus sonhos: Em vez de persegui-los, em realidade, eles devem se concentrar em mudar a realidade.

Um tabu da esquerda

     Um dos grandes tabus da esquerda terá que ser quebrado aqui: a noção de que uma maneira de proteger um modo de vida [way of life] é em si mesma protofascista ou racista. Se não abandonarmos essa noção, abrimos o caminho para a onda anti-imigrante que prospera em toda a Europa. (Mesmo na Dinamarca, o Partido Democrático, anti-imigrante, pela primeira vez ultrapassou os sociais-democratas e tornou-se o partido mais forte do país.) Responder às preocupações das pessoas comuns sobre as ameaças ao seu especifico estilo de vida também pode ser feito a partir da esquerda. Bernie Sanders é uma prova viva disso! A verdadeira ameaça para nossos estilos de vida comunitários não são os estrangeiros, mas a dinâmica do capitalismo global: Só nos Estados Unidos, as mudanças econômicas das ultimas décadas fez mais para destruir a convivência comunitária das cidades pequenas do que todos os imigrantes juntos.

     A reação padrão da esquerda liberal é, naturalmente, uma explosão de arrogante moralismo: No momento em que damos alguma credibilidade a “proteção do nosso modo de vida”, nós já comprometemos a nossa posição, uma vez que propomos uma versão mais modesta do que os populistas anti-imigrantes defendem abertamente. Esta não é a história das últimas décadas? Partidos centristas rejeitam o racismo aberto dos populistas anti-imigrantes, mas afirmam simultaneamente “compreender as preocupações das pessoas comuns” e promulgam uma versão mais “racional” da mesma política.

     Mas, embora exista um núcleo de verdade, as queixas moralistas – “A Europa perdeu a empatia, é indiferente para o sofrimento dos outros,” etc. – são apenas o reverso da brutalidade anti-imigrante. Ambas as posições compartilham o pressuposto, o que não é de forma alguma evidente, que a defesa do próprio modo de vida exclui o universalismo ético.  Assim, deve-se evitar ser pego pelo jogo liberal de “quanto de tolerância podemos oferecer.” Devemos tolerar eles impedirem suas crianças de irem para as escolas estaduais, eles arrumarem casamentos para seus filhos, eles brutalizarem gays nos seus espaços? A este nível, é claro, nós nunca somos suficientemente tolerantes, ou somos sempre tolerantes demais, negligenciando os direitos das mulheres, etc. A única maneira de sair deste impasse é movendo-se para além da mera tolerância ou respeito em direção a uma luta comum.

     Nesse sentido, é preciso ampliar a perspectiva: Os refugiados são o preço da economia global. Em nosso mundo global, mercadorias circulam livremente, mas as pessoas não: novas formas de apartheid estão surgindo. O tema de parede oca, da ameaça de sermos inundado por estrangeiros, é estritamente imamente ao capitalismo global, é o índex do que é falso sobre a globalização capitalista. Enquanto as grandes migrações são uma característica constante da história da humanidade, a sua principal causa na historia moderna são as expansões coloniais: Antes da colonização, o Sul Global consistia, principalmente, de comunidades locais autossuficientes e relativamente isoladas. Foi a ocupação colonial e o comércio de escravos que lançou este modo de vida para fora dos trilhos e renovou as migrações em larga escala.

     A Europa não é o único lugar que esta experimentando uma onda de imigração. Na África do Sul, existem mais de um milhão de refugiados do Zimbabwe, que estão expostos a ataques de pobres locais por roubarem empregos. E haverá mais, não apenas por causa de conflitos armados, mas por conta dos novos “Estados párias”, crise econômica, desastres naturais (agravados pela mudança climática), desastres criados pelo homem, etc. Sabe-se que, após o desastre nuclear de Fukushima, por um momento, as autoridades japonesas imaginaram que toda área de Tóquio – 20 milhões de pessoas – deveria ser evacuada. Para onde essas pessoas iriam? Em que condições? Eles deveriam receber um pedaço de terras ou dispersar ao redor do mundo? E se o Norte da Sibéria tornar-se mais habitável e arável, enquanto várias áreas subsaarianas tornam-se demasiadamente secos para que uma grande população suporte viver lá? Como será organizado o intercâmbio de populações? No passado, quando coisas similares aconteceram, as mudanças sociais ocorreram de uma forma espontaneamente selvagem, com violência e destruição (recorde as grandes migrações no final do Império Romano). Nos dias de hoje, tal perspectiva é catastrófica, com armas de destruição em massa disponíveis para muitas nações.

     Portanto, a principal lição a ser aprendida é que a humanidade deve estar preparada para viver de forma mais “plástica” e nômade: Rápidas mudanças climáticas, locais e globais, podem exigir, de forma inédita, transformações sociais em larga escala. Uma coisa é clara: a soberania nacional terá que ser radicalmente redefinida e novos níveis de cooperação global inventados. E o que dizer das enormes mudanças na economia e padrões de conservação do clima devido a escassez de água e energia? Através de quais mecanismos de decisão tais mudanças serão decididas e executadas? Aqui uma série de tabus deverá ser quebrado e um conjunto de medidas complexas realizadas.

     Em primeiro lugar, a Europa terá de reafirmar seu total empenho em proporcionar condições dignas para a sobrevivência dos refugiados. Não deve existir compromisso aqui: grandes migrações são o nosso futuro, e a única alternativa a esse empenho é a barbárie renovada (que alguns chamam de “choque de civilização”).

     Em segundo lugar, como consequência necessária deste empenho, a Europa deve organizar-se e impor regras e regulamentos claros. O controle do Estado ao fluxo de refugiados deve ser implantado através de uma vasta rede administrativa abrangendo toda a União Europeia (para evitar as barbáries locais como as da Hungria ou Eslováquia). Os refugiados devem ser tranquilizados de sua segurança, mas também devem acatar as áreas de convivência atribuídas pelas autoridades europeias, além disso, precisam respeitar as leis e as normas sociais dos Estados europeus: nenhuma tolerância a violência religiosa, sexista ou étnica de qualquer dos lados, nenhum direito de impor sobre os outros o próprio modo de vida ou religião, o respeito da liberdade de cada indivíduo de abandonar seus costumes comunais, etc. Se uma mulher decide cobrir seu rosto, sua decisão deve ser respeitada, mas se ele escolhe não cobri-lo, sua liberdade deve ser garantida. Sim, um conjunto privilegiado de regras do modo de vida europeu. Estas regras devem ser claramente estabelecidas e aplicadas, por medidas repressivas (contra os estrangeiros fundamentalistas, bem como contra os nossos próprios racistas anti-imigrantes), se necessário.

     Em terceiro lugar, um novo tipo de intervenção internacional terá de ser inventada: intervenções militares e econômicas que evitem as armadilhas neocoloniais. E sobre as forças da ONU que garantem a paz na Líbia e no Congo? Uma vez que tais intervenções estão intimamente associadas com o neocolonialismo, serão necessárias extremas salvaguardas. Os casos de Iraque, Síria e Líbia demonstram como o tipo de intervenção errada (no Iraque e Líbia), bem como a não intervenção (na Síria, onde, sob a aparência de não intervenção, os poderes externos da Rússia, Arábia Saudita e os EUA estão totalmente engajados) acabam no mesmo impasse.

     Em quarto lugar, a tarefa mais difícil e importante é uma mudança econômica radical que deve abolir as condições sociais que criam refugiados. A última causa dos refugiados é o próprio capitalismo global de hoje e seus jogos geopolíticos, e se nós não transformarmos isso radicalmente, os imigrantes da Grécia e de outros países europeus em breve se juntarão aos refugiados africanos. Quando eu era jovem, uma tentativa organizada de regulamentar o bem comum [commons] foi chamada de comunismo. Talvez devêssemos reinventar isso. Talvez, no longo prazo, isso seja a única solução.

     Tudo isso é uma utopia? Talvez, mas se não fizermos isso, então, estamos realmente perdidos, e nós merecemos estar.


* Publicado originalmente em inglês no In these times em 9 de setembro de 2015. A tradução é de Danilo Chaves Nakamura para o Blog da Boitempo.

A Terra Prometida - por Joel Rea (Pintura - site homônimo)

Dívida pública brasileira: A soberania na corda bamba

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Fotografia manpulada - por Kristina Varaksina (site homônimo)

O dinheiro na urna - por Janio de Freitas (Folha)

     Ao recorrer a inverdades óbvias, Gilmar Mendes lembra aquele Supremo que integrou a ditadura

     É um enfrentamento educativo. As agressões verbais que o ministro Gilmar Mendes tem dirigido à OAB, com auge no julgamento das doações empresarias nas eleições, chamam atenção para mais do que o resultado que veio limitar a pessoas as contribuições financeiras para campanhas.

     Na história decorrida desde o golpe de 1964, o crédito democrático e republicano da OAB é muitas vezes superior ao do Supremo Tribunal Federal. A OAB foi uma entidade à frente da luta cívica contra a ditadura e seus crimes. O STF foi uma instituição a serviço da ditadura, com raríssimos e momentâneos gestos –pessoais– de grandeza moral e jurídica.

     Gilmar Mendes acusou a OAB de se pôr a serviço do PT, com a ação contra as doações eleitorais de empresas para assim asfixiar a alternância no poder presidencial. Acione ou não Gilmar Mendes, como considera, a OAB já foi, em nota, ao ponto essencial: a ação da advocacia que representa "não será sequer tisnada pela ação de um magistrado que não se fez digno de seu ofício".

     Ao fim de um ano e cinco meses em que reteve a continuação do julgamento, Gilmar Mendes apresentou por mais de quatro horas o que chamou de seu voto, mas não foi. Foi uma diatribe política, partidária, repleta de inverdades deliberadas que um ministro do Supremo não tem o direito de cometer.

     Sem perceber sequer o próprio grotesco de recorrer a inverdades óbvias a título de argumentos, Gilmar Mendes é uma lembrança, que não deixa de ser útil, daquele Supremo que integrou o dispositivo ditatorial.

     Os milhões empresariais nas campanhas foram extintos por oito votos a três. O de Celso de Mello e, este surpreendente, o de Teori Zavascki usaram como argumento, digamos, central, a inexistência de proibição expressa na Constituição para as doações de empresas. Mas a questão do financiamento eleitoral não estava posta com os aspectos atuais, quando elaborada a Constituição, antes mesmo da primeira eleição presidencial direta pós-ditadura. A mesma ausência na Constituição deu-se com a pesquisa de células-tronco, que o STF liberou contra a resistência religiosa.

     Outro argumento comum aos dois votos respeitáveis: a proibição de contribuições empresariais não atenuará a corrupção, porque será adotado o caixa dois com novas formas de captação. Ora, ora, o caixa dois tem a idade das eleições brasileiras. E nunca foi interrompido.

     A corrupção com doações empresariais até o agigantou. Quando um candidato mal sai da eleição e compra uma nova casa, alguém no STF acredita que foi mesmo com empréstimo familiar? Seja em São Paulo, na Bahia, em Pernambuco, tudo é Brasil e é caixa dois. De eleição como de corrupção, que o mecanismo é o mesmo.

     Outra semelhança contraposta ao argumento dos dois ministros: assim como o fim das doações empresariais não poderá extinguir a corrupção eleitoral, a proibição do porte de arma não tem efeito absoluto. E, no entanto, foi adotada e é mantida, porque tem o efeito possível na sociedade imperfeita.

     Não só as doações vão mudar. O PSDB está em campanha de filiação. Outros precisarão fazê-la, porque o movimento dos filiados será crucial para a coleta de doações pessoais. Com maior filiação, a vida dos partidos muda. E a mudança terá reflexos desde as direções até a conduta dos partidos no Congresso. Nada de imediato, mas vem aí uma saudável mudança em não muitos anos. Apesar de Gilmar Mendes, Eduardo Cunha e outros insatisfeitos com a retirada do poder econômico.

A DESCIDA

     A hipótese de legalizar casas de jogo para o governo arrecadar mais já é, por si só, uma indignidade repugnante.

Comentário

Herança Maldita - por Leandro Fortes

     Ainda que não tivesse se tornado um crápula, um hipócrita, um mentiroso e um golpista.

     Ainda que tivesse apenas se recolhido ao campo, a uma praia deserta, a um asilo distante, ao esquecimento de uma velhice tão tranquila quanto inútil.

     Ainda que tivesse apenas se calado para sempre.

     Ainda assim, Fernando Henrique Cardoso teria um lugar reservado na história universal da infâmia e no lixo da memória republicana apenas, e tão somente, por ter nos legado, na Suprema Corte do País, uma figura lamentável como Gilmar Mendes.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Memória - por Elreviae (Arte digital - site homônimo)

Quem paga a conta? - por Guilherme Boulos (Folha)

     O anúncio dos cortes de R$ 26 bilhões no orçamento pela equipe de Dilma revela mais uma vez a saída que o governo oferece para a crise. Refém das chantagens de agências de risco e de ultimatos editoriais como o desta Folha no último domingo, a conta veio novamente para o andar de baixo. Cortes na moradia, na saúde e congelamento salarial para os servidores.

     Para aumentar a arrecadação, a principal medida proposta foi a recriação da CPMF, sem qualquer alíquota progressiva. Taxação de fortunas, lucros de bancos, dividendos? Nem uma palavra. Ao contrário, o governo apontou para a redução do IOF, que incide sobre o capital financeiro. A Febraban aplaudiu e pediu bis.

     Tal como a covardia do governo, impressiona a hipocrisia tributária dos ricos no Brasil. Reclamam sem parar da carga de impostos, obtiveram isenções bilionárias nos últimos anos e ganharam horrores no período de bonança. Agora não aceitam pagar a conta. Brasileiro já paga muito imposto, dizem. Permitam a pergunta: quais brasileiros?

     Se estão falando dos mais pobres e dos setores médios têm razão. Segundo o IPEA, os trabalhadores com renda mensal até dois salários mínimos deixam 54% dos seus gastos em impostos. Já aqueles com renda superior a trinta salários mínimos deixam para a Receita 29% dos seus gastos, quase a metade dos mais pobres.

     Esta distorção ocorre porque a maior parte da carga tributária brasileira (51,3%) incide sobre o consumo de bens e serviços. Neste quesito, os diferentes são tratadas convenientemente como iguais. Outros 25% da carga são sobre os salários. Apenas 18% sobre a renda e –pasmem– menos de 4% sobre a propriedade.

     As faixas do IR são uma aberração. A última faixa pega os que ganham acima de R$ 4.400 mensais e tem alíquota de 27,5%. Isso quer dizer que um trabalhador que ganhe R$ 5.000 por mês paga proporcionalmente o mesmo imposto do alto executivo que ganha R$ 100 mil. E a alíquota é baixíssima para os padrões internacionais. Na Argentina, a alíquota máxima é de 35%, no Chile 40% e em Portugal 46%.

     No caso do imposto sobre a propriedade imobiliária a situação é ainda mais gritante. O ITR (Imposto Territorial Rural) é calculado a partir da autodeclaração dos proprietários sobre o valor de sua terra. A arrecadação anual do ITR em todo o Brasil –país conhecido pelos imensos latifúndios improdutivos– é menor que dois meses de arrecadação de IPTU da cidade de São Paulo. Em 2012, a União angariou ridículos R$ 677 milhões com ITR, enquanto a arrecadação do IPTU paulistano foi de R$ 5 bilhões. A Katia Abreu paga menos impostos por suas fazendas do que você pelo seu apartamento.

     Portanto é verdade que brasileiro paga muito imposto, desde que estejamos falando da maioria trabalhadora do país. Quanto aos ricos, banqueiros e grandes empresários, sua tributação é uma mamata. Choram de barriga cheia.

     São eles que devem pagar a conta da crise. E as propostas para isso são bastante concretas. E, diga-se, bem mais eficazes para solucionar a crise fiscal do que cortar R$26 bilhões em áreas sociais.

     O auditor fiscal Fabio Avila de Castro apresentou em um trabalho acadêmico no ano passado apontando algumas alternativas.

     Primeiro, a taxação sobre a repartição de lucros e dividendos. O Brasil é um dos poucos países que não faz esta tributação. Segundo os cálculos do auditor, uma alíquota de 15% sobre a repartição de lucros geraria arrecadação anual de R$ 36,5 bilhões. E uma alíquota de 20% sobre os dividendos poderia gerar R$ 48,9 bilhões.

     Outra medida seria igualar o modo de tributação dos lucros ao já aplicado sobre os salários, com suas faixas de isenção e progressividade. Isso renderia, segundo ele, R$ 59 bilhões de receita anual.

     O economista Odilon Guedes e o Sindicato dos Economistas de São Paulo também construíram uma proposta tributária no mesmo sentido.

     Acrescentam temas como a federalização e aumento do imposto sobre heranças (que hoje tem teto de 8%), a regulamentação da taxação de grandes fortunas a partir de R$ 5 milhões (previsto no Artigo 153 da Constituição) e até mesmo a isenção de IR para trabalhadores de menor renda, mediante o aumento de sua alíquota para os mais ricos e a criação de novas faixas.

     Ou seja, soluções para que o andar de cima pague a conta da crise não faltam. Inclusive reduzindo impostos sobre os mais pobres e setores médios, através de uma orientação por taxar muito mais a renda do que o consumo.

     Soluções populares não faltam. Falta, isso sim, coragem para enfrentar os grandes interesses econômicos. Aplausos da Febraban, repúdio das ruas. 

domingo, 13 de setembro de 2015

Alysson Mascaro | Marx, Engels e a crítica do Estado e do direito | IV Curso Livre Marx-Engels (Editora Boitempo)

     Segue uma das palestras muito esclarecedoras e didáticas sobre o marxismo que a editora boitempo nos proporcionou.

     Recomendo vivamente, a despeito de se dever ter algum cuidado ao assisti-la: corre-se o risco de aumentar brutalmente seu grau de lucidez ao término da conferência.


Igreja - por Andy Lee (Fotografia - site homônimo)

Debate com Fatou Diome



Crianças interagindo com esculturas - Fotografia (por Catraquinha)

Que os super-ricos paguem a conta - por Reginaldo Moraes (Brasil Debate / Jornal GGN)


Reginaldo Moraes | Brasil Debate

...  ou como tirar a classe média da influência da direita

     Faz alguns anos, a Receita Federal divulga os grandes números das declarações de renda. Neste ano, divulgou dados que nunca divulgara. E com isso ficamos sabendo, número por número, coisas estarrecedoras que só podíamos deduzir, observando o comportamento de nossos ricaços. Veja alguns destaques:

     Quantas pessoas físicas fazem declaração?

     Quase 27 milhões.

     Qual é o “andar de baixo”?

     Os 13,5 milhões que ganham até 5 salários mínimos. Se deixassem de pagar IR, a perda seria de mais ou menos 1% do total arrecadado pela receita. Só. E gastariam esse dinheiro, provavelmente, em alimento, roupa, escola, algum “luxo popular”.

     Quais são os andares de cima?

     São três andares:

1. Os que ganham entre 20 e 40 salários mínimos. Correspondem a mais ou menos 1% da população economicamente ativa. Podem ter algum luxo, pelos padrões brasileiros. Mas pagam bastante imposto.

2. Tem um andar mais alto. Os que ganham entre 40 e 160 SM representam mais ou menos 0,5% da população ativa. Já sobra algum para comprar deputados (ou juízes).

3. E tem um andar “de cobertura”, o andar da diretoria, da chefia. A nata. A faixa dos que estão acima dos 160 SM por mês. São 71.440 pessoas, que absorveram R$ 298 bilhões em 2013, o que correspondia a 14% da renda total das declarações. A renda anual média individual desse grupo foi de mais de R$ 4 milhões. Eles representam apenas 0,05% da população economicamente ativa e 0,3% dos declarantes do imposto de renda. Esse estrato possui um patrimônio de R$ 1,2 trilhão, 22,7% de toda a riqueza declarada por todos os contribuintes em bens e ativos financeiros. Pode estar certo de que são estes que decidem quem deve ter campanha financiada. Podem comprar candidatos e, também, claro, sentenças de juízes.

     Quem sustenta o circo? Quem mais paga IR?

     A faixa que mais paga é a do declarante com renda entre 20 e 40 salários mínimos, que se pode chamar de classe média ou classe média alta.

     Quem escapa do leão?

     O topo da pirâmide, o grupo que tem renda mensal superior a 160 salários mínimos (R$ 126 mil). As classes média e média alta pagam mais IR do que os verdadeiramente ricos.

     Em 2013, desses 72 mil super-ricos brasileiros, 52 mil receberam lucros e dividendos – rendimentos isentos. Dois terços do que eles ganham sequer é taxado. São vacinados contra imposto. Tudo na lei, acredite. A maior parte do rendimento desses ricos é classificada como não tributado ou com tributação exclusiva, isto é tributado apenas com o percentual da fonte, como os rendimentos de aplicações financeiras.

     Em 2013, do total de rendimentos desses ricaços, apenas 35% foram tributados pelo Imposto de renda pessoa física. Na faixa dos que recebem de 3 a 5 salários, por exemplo, mais de 90% da renda foi alvo de pagamento de imposto. Em resumo: a lei decidiu que salário do trabalhador paga imposto, lucro do bilionário não paga.

     O que isso exige da ação política?

     Quando a classe trabalhadora e suas organizações se enfraquecem, burocratizam ou recuam, deixam a ideologia e os sentimentos da classe média sob o comando da classe capitalista. Mais ainda, da sua ala mais reacionária. Pior ainda: a direita conquista até mesmo o coração dos trabalhadores que são tentados a se imaginar como “classe média”.

     Na história do século 20, o resultado disso foi a experiência do fascismo, em suas múltiplas formas e aparições.

     Nos últimos anos, os bilionários brasileiros e seus cães de guarda na mídia perceberam que podiam conquistar o ressentimento da classe média para jogá-la contra os pobres, os nordestinos, os negros, tudo, enfim, que se aproximasse dos grupos sociais que fossem alvo de políticas compensatórias, de redistribuição. E contra governos e partidos que tomassem essa causa.

     E a esquerda, de certo modo, assistiu a essa conquista ideológica sem ter resposta. Uma resposta política: a criação de movimentos reformadores que fizessem o movimento inverso, isto é, colocassem essa classe média contra os altos andares da riqueza. Nós não soubemos fazer isso. Talvez pior: acho que nem tentamos fazer isso.

     Aparece agora essa urgente necessidade e a providência divina, travestida de Receita Federal, nos traz uma nova chance.

     Já sabíamos que os brasileiros mais pobres pagam mais impostos, diretos e indiretos, do que os brasileiros mais ricos. Sabemos que todos pagamos imposto sobre propriedade territorial urbana – o famoso IPTU. E conhecemos o estardalhaço que surge quando se fala em taxar mais os imóveis em bairros mais ricos.

     Mas sabemos coisa pior: grandes proprietários de imóveis rurais não pagam quase nada. Sobre isso não tem estardalhaço. É assim: se você, membro da “classe média empreendedora” passeante da Avenida Paulista, tem uma loja, oficina ou restaurante de self service, paga um belo IPTU. Se você fosse um grande proprietário rural (como os bancos e as empresas de comunicação), seu mar de terras com uma dúzia de vacas não pagaria ITR. Ah, sim, teria crédito barato.

     Tudo isso já é mais ou menos sabido e merece reforma. Mas ainda mais chocante é o que se chama de “imposto progressivo sobre a renda”, que agora sabemos que é ainda menos progressivo do que imaginávamos.

     Faz algum tempo escrevi um artigo dizendo que a Receita Federal deveria concentrar sua fiscalização na última faixa dos declarantes pessoa física, responsável por 90% do IR. Se o resto simplesmente deixar de pagar não vai fazer tanta diferença. Além disso, a faixa mais alta é aquela que menos recolhe na fonte e a que mais tem “rendimentos não tributáveis” e de “tributação exclusiva”, isto é, rendimentos derivados de investimentos, não de pagamento do trabalho.

     Fui injusto ou impreciso, moderado demais. A Receita e os legisladores podem economizar mais tempo do que eu supunha. Basta que prestem atenção em 100 mil contribuintes, do total de 26 milhões. Essa é a mina. Se conseguir que eles paguem o que devem e se conseguir que eles percam as isenções escandalosas que têm, posso apostar que teremos mais dinheiro do que os ajustes desastrados e recessivos do senhor ministro da Fazenda.

     O que isso significa para o que chamamos de esquerda – partidos, sindicatos, movimentos sociais? Sugiro pensar em um movimento unificado com uma bandeira simples: que esses 100 mil ricaços paguem mais impostos e que deem sua “contribuição solidária” para reduzir a carga fiscal de quem trabalha. É preciso traduzir essa ideia numa palavra de ordem clara, curta e precisa, mobilizadora. E traduzi-la numa proposta simples e clara de reforma, cobrada do governo e do Congresso. A ideia é simples: isenção para os pobres, redução para a classe média, mais impostos para os ricaços.

     Talvez essa seja uma boa ideia para fazer com que a “classe média” que atira nos pobres passe a pensar melhor em quem deve ser o alvo da ira santa. Afinal, milhares e milhares de pagadores de impostos foram para as ruas, raivosos, em agosto, enquanto os nababos que de fato os comandam ficavam em seus retiros bebendo champanhe subsidiada.

     Os passeadores da Avenida Paulista são figurantes da peça, eles não sabem das coisas – os roteiristas e produtores nem deram as caras.

     Em que rumo os partidos e movimentos populares devem exigir mudanças?

1. É justo e perfeitamente possível isentar todo aquele que ganha até 10 salários mínimos. Não abala a arrecadação se cobrar um pouco mais dos de cima.

2. É necessário e legítimo criar faixas mais pesadas para os andares mais altos. Mas não é suficiente.

3. É preciso mudar as regras que permitem isenção e desconto para lucros e dividendos.

4. É preciso e é legítimo mudar as regras para os pagamentos disfarçados, não tributáveis, em “benefícios indiretos”. A regra tem sido um meio de burlar a taxação.

5. É preciso e é legítimo mudar as regras de imposto sobre a propriedade territorial. A classe média estrila com o IPTU. Mas deveria é exigir cobrança do ITR.

6. É preciso ter um imposto sobre heranças. Com isenção para pequenos valores e tabela progressiva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Fotografia - por Kelly Lund e seu cão (boredpanda)

Para Dilma ouvir e pensar: a Orquestra Sinfônica Estrelas da Serra - por Luis Nassif (Jornal GGN)

     Antes, havia a vegetação da Chapada do Ibiapaba, no Ceará, e a miséria. Aos poucos os miseráveis foram se juntando e há 27 anos o povoado foi elevado à condição de município de Croatá. Foi apenas para permitir aos políticos se apropriarem de um naco do Fundo de Participação dos Municípios e criar cargos remunerados para prefeito e vereadores.

     A cidade efetivamente começou a nascer de doze anos para cá. O salário mínimo melhorou e, junto com o Bolsa Família, ajudou a irrigar as famílias locais, o Luz para Todos a inseri-los na civilização.

     A nova renda criou um comércio local, ainda que acanhado. E migalhas do orçamento, plantadas em terra inóspita, permitiram que as pessoas fossem saindo das brumas da fome e da miséria e, no meio delas, nascesse o empreendedorismo. Não o empreendedorismo dos grandões locais mamando nas tetas do FPM, nem dos jovens bem concebidos e bem formados da capital, empreendendo em aplicativos para smartphones. Mas na pessoa de um funcionário municipal, o guarda Hélio. Ou melhor, o Maestro Hélio, com M maiúsculo.

     Ele não lê partituras. Mas foi dotado de um talento especial que lhe permite conceber de ouvido arranjos complexos e descobrir de orelhada o talento oculto em alguns daqueles filhos da miséria e da seca. E, principalmente, da vocação de prepará-los para o mundo.

     No começo, juntou algumas crianças tocando pífaro. Montou os arranjos, organizou os moleques para as primeiras apresentações. Depois, foi ampliando o grupo e descobriu as Leis de Incentivo à Cultura, estadual e federal, porque no município, mesmo, nada conseguiu. O prefeito boicota como pode, porque quer o apoio político da orquestra e o guarda Hélio não é adepto do prefeiturismo de coalizão.

     O prefeito oferece bolsas para os meninos que aceitem desistir da música e às famílias que aceitem matar os sonhos musicais dos seus filhos.  Mas os meninos não cederam e as famílias resistiram, porque os cidadãos locais livraram-se do jugo do cabresto com seus  cartões do INSS e do Bolsa Família.

     Em outros tempos, seriam meninos condenados à miséria. Em lugar das flautas, clarinetas e saxofones, provavelmente enxadas, ancinhos, picaretas, e, como música, apenas a incelença com que as carpideiras enterram os locais.

     A banda foi aumentando. Conseguiu o patrocínio de uma empresa de ônibus e de outra empresa regional. O guarda Hélio preparou os arranjos. E foi assim que nasceu a Orquestra Sinfônica Estrelas da Serra.

     Na sexta-feira passada, à noite, no centro de convenções de Ubajara, os meninos do Maestro Hélio abriram a convenção do CDL (Clube dos Dirigentes Lojistas) estadual para um público de 1.500 lojistas.

     Só forró pé de serra? Que nada. Também Michael Jackson, Legião Urbana, um pout pourri de artistas cearenses. Porque a luz elétrica, levada pelo Luz para Todos, permitindo aos meninos de Croatá o acesso à Internet, conferiu-lhes o sentimento do mundo.

     Vestidos a caráter, os meninos de terno e gravata, cabelos penteados, as meninas de longo, por sua história, pelo modo compenetrado com que tocam, pelo entusiasmo que nasce da batuta do maestro e se espalha pelos 70 instrumentistas, o som que brota da Sinfônica Estrelas da Serra encarna o sentido civilizador da música, como nenhuma outra Sinfônica do mundo.

     Ao final, o maestro Hélio agradece os aplausos. São 70 meninos. Na região, os talentos passam de 200. E há uma singularidade: os mais talentosos estão entre os mais necessitados. É como se Deus os colocasse na faixa de Gaza da miséria nordestina, lhes entregasse o dom da música e a recomendação: vai, meu filho, que o seu dom o salve da morte breve e o guie pelo mundo.

     O maestro Helio solicita então que os bens aquinhoados cidadãos do encontro ajudem a bancar a bolsa para os alunos que não podem pagar: R$ 10,00 mensais por aluno. E, no telão do encontro, coloca o e-mail, o site e a conta corrente para as contribuições.

Os senhores de preto

     A mil e tantos quilômetros dali, senhores vetustos se reúnem na calada da noite para o grande pacto nacional de governabilidade.

     Em um apartamento amplo de Higienópolis, o velho ex-presidente de alma seca como o agreste cearense comanda o regabofe e ensaia sua proposta de pacto.

     A velha companheira partiu há tempos. Era ela quem cuidava diariamente de irrigar sua alma com algumas gotas de brasilidade, com o sentimento de solidariedade, com a generosidade que deveria ser parte integrante  dos que governam.

     Mas o solo era seco e árido para florescer, e mais árido e seco se tornou depois que ela partiu. Nos últimos anos sua voz sibilina como a de um cortesão florentino, cortante e cruel como a de uma harpia grega, ajudou a disseminar o ódio na sua comunidade.

     Agora, vale-se  da fragilidade de uma presidente perdida para propor o pacto saneador, o grande acordo nacional que permitirá aos homens de bens o sono tranquilo.

     Não se imagine um pacto a favor de políticas civilizatórias, buscando níveis maiores de metas de IDHs, das metas do milênio, ou da possibilidade de fazer brotar outras Estrelas da Serra pelo país afora.

     Para aqueles nobres senhores, a miséria não tem rosto. O pacto não visará apenas equilibrar o orçamento deste ano. Seu objetivo é cortar de vez esses desperdícios que ousam mudar a ordem natural das coisas, plantar músicos onde deveriam nascer cactus, permitir o estudo para quem nasceu para o analfabetismo, abrir as portas do futuro para quem, do passado, não consegue desbravar sequer a própria genealogia.

     Generosos, os editores das redes de TV pouparam-nos da visão dos meninos de Croatá ou das explicações sobre o fenômeno que faz nascer flores no deserto: seria insuportável para os homens de negro admitir que o milagre da multiplicação de talentos nasceu da melhoria do salário mínimo, dos gastos do Bolsa Família, do Luz Para Todos.

     No seu salão, o ancião frio pensará nas imposições que fará para impor o pacto. A paz nacional será alcançada desde que entregue, na bandeja do orçamento não apenas os sonhos musicais, mas a própria segurança alimentar de milhões de crianças, plantadas em terra inóspita e que um dia ainda poderiam florescer.

     A mil quilômetros de distância, enclausurada em seu Palácio de Cristal, perdida entre seus pares, a presidente avalia se cede ou não. O país inteiro na expectativa: a presidente vai admitir seus erros? não vai admitir seus erros?

     Não basta dizer: é possível que eu tenha errado. A prova do pudim, a senha que tirará a presidente das portas do cadafalso e lhe permitirá respirar é declarar: as políticas sociais serão cortadas. Então, os bens pensantes a saudarão e a mídia a perdoará dos erros passados. E dirão, com a sabedoria dos filósofos medievais, que a terra é plana e Deus ilumina os que trilham o caminho dos bens.

     E, nos lares aquecidos do sudeste, famílias solidárias mostrarão que têm sentimentos, contemplando com olhos umedecidos a imagem do menino sírio que uma onda do mar depositou na praia, como que dormindo. E não verão, por distantes, as estrelas que se apagarão na serra.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Fotografia - por Cater News Agency / Imagenstop

Picadinhas

Tanta coisa pra fazer que não sei nem por onde começo a desistir.
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Queria anunciar que tô com uns currículos meus aqui, as empresas que estiverem interessadas podem passar na minha casa e pegar.
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Sobre a vida: eu ainda não entendi o que é pra fazer.
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Só a cultura expulsa coisas ruins das pessoas.
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A notícia carece de exatidão: nem todos os carnacoxinhas são a favor da chacina de Osasco. São apenas 50%. Os outros 50% não estão nem aí.
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Quando os deuses desejam nos punir, atendem às nossas preces. (Oscar Wilde)
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Descobri que meus problemas transam entre eles e se reproduzem.
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Caindo o Cunha, o Aécio assume?
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Tudo o que eu quero comer: ou é caro, ou engorda, ou visualiza e não responde.
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Puritano é a pessoa que coloca indignação correta em coisas erradas. (Gilbert Keith Chesterton)
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Tenho medo de ter um filho maduro que queira assistir jornal quando eu quiser ver desenho.
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Deputado com tornezeleira pode presidir a Câmara? Pode dar choque quando se ligue o placar eletrônico? Pode dar interferência no microfone dos oradores?
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Escrever bem é glória e mérito de alguns homens; de outros seria glória e mérito não escrever nada. (La Bruyère)
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Ninguém arruma um quarto tão rápido quanto um homem que mora sozinho prestes a transar.
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Eduardo Cunha usava a Igreja Assembleia de Deus para lavar dinheiro. Bons tempos os que os cristãos só lavavam pés...
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Nunca julgue um livro pela capa, pois nos livros de matemática há um adolescente se divertindo com cálculos – e isso é uma grande mentira. (afbaslaitir)
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Cristo esta mais próximo da prostituta que sabe que é pecadora, do que do religioso que pensa que é santo. (Alan Basilio)
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Gente, não estou ficando doido: há duas testemunhas de Jeová aplaudindo minha casa.
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A poesia verdadeira, a melhor, não passa de cinzas de uma paixão que se consumiu. (Oliver W. Holmes)
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Se a denúncia contra o Cunha for aceita esse será o vigésimo terceiro processo dele. Ele vai poder pedir dois discos do Pink Floyd no fantástico.
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Nunca entendi porque ex-namorado(a) fica querendo manter contato. Esta querendo o que? Carta de recomendação?
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A esquerda institucional nada mais é que uma direita envergonhada. (Subcomandante Marcos - EZLN)
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A vida é um longo processo de cansaço, cada vez mais intenso. (Samuel Butler)
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Mesmo que eu caminhe pelo Vale das Furnas, não temerei mal algum, pois Gilmar Mendes esta comigo.
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Depois da meia noite todo oi no whatsapp é suspeito.
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Nada é mais perigoso do que uma ideia, se você só tem uma. (Émile Auguste Chartler)
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Existe cura pra homofobia também, sabia? Chama-se ensino fundamental completo.
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Nunca entendi muito bem o furo no meio do pudim. Por que não tapar aquilo com mais pudim?
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– Quantos homens você matou? – pergunta a esposa de Roosevelt à franco-atiradora soviética Ludmila Pavlishenko.
– Não matei nenhum homem. Matei 306 fascistas.
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A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal. (Machado de Assis)
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Namorar é pra transar e ser feliz. Se for pra ficar brigando e discutindo eu fico em casa com a minha mãe.
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Vocês acham mesmo que o Governo PT é de esquerda? O Governo do PSDB também se achava... (Jose Mayo)
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CUIDADO!!! Se receber um link dizendo pra baixar a nova música do Latino NÃO ABRA!!! Pode ser um link pra baixar a nova música do Latino.
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É verdade q o Aécio perdeu nas urnas e ganhou em Furnas?
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O que é o céu senão um suborno, e o que é inferno senão uma ameaça? (Jorge Luis Borges)
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Dois tipos de pessoas negam a luta de classes: os bilionários e os idiotas. Cada um tem seus motivos.
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Rico não atropela, rico se envolve em acidente. (@malvados)
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O segredo para um cientista manter-se jovem é todos os dias, antes do desjejum, descartar uma hipótese que lhe é cara. (Konrad Lorenz)
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São Paulo sem água e com chacinas mensais. Mas o paulistano reclama de ciclofaixa e de manifestantes que usam vermelho e não verde e amarelo.
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A diferença entre mim e os surrealistas é que eu sou um surrealista. (Salvador Dalí)
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A dúvida é autora das insônias mais cruéis. Ao passo que, inversamente, uma boa e sólida certeza vale como um barbitúrico irresistível. (Nélson Rodrigues)
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Todos os jardins são uma forma de autobiografia. (Robert Dash)
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O universo conspira a favor de quem não conspira contra ninguém.
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Beneficiar o ingrato é o mesmo que perfumar um morto. (Plutarco)
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Funções da polícia no Brasil:
- tirar negro de áreas nobres.
- chacina na periferia.
- escolta de bonecos infláveis.
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Um dia sem causar discórdia, caos e infelicidade é um dia perdido.
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Quem responde com pressa raramente acerta. (Provérbio Árabe)
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Uma verdade dita com má intenção bate todas as mentiras que se possa inventar. (William Blake)
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Gata, você pra mim é que nem Mc Donalds. Linda na foto, estranha ao vivo, mas eu vou papar assim mesmo.
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Não confio em quem gosta de acordar cedinho no fim de semana para aproveitar o dia. Gente capaz disso é capaz de coisa muito pior.
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Os imbecis deixam suas impressões digitais no que dizem. (Sofocleto)
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A grande mulher por trás de Aécio -- Andréa -- sumiu: ninguém sabe, ninguém viu.
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Persistência é a teimosia com um propósito. (Richard de Vos)
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O presidente cristão da Hungria Viktor Orbán dá uma ideia clara do que significa a presença de fundamentalistas em qualquer esfera de poder.
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Já esta vingado, quem não se vinga, podendo fazê-lo. (Franscisco R. Zorrilla)
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Pra não esquecer: cá por estas plagas os Retardados Online perseguem haitianos.
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Há pessoas tão chatas que nos fazem perder um dia em cinco minutos. (Jules Renard)
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Cunha internado na UTI do Sírio-Libanês apresentando claros sinais de falta de doações privadas.
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Filmes ok, Séries ok, Comida ok, solidão ok, tudo certo para meu final de semana.
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Nem sempre é conveniente virar a página, às vezes é preciso rasgá-la. (Achille Chavée)
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Irmão, você não percebeu que você é o único representante do seu sonho na face da Terra? (Emicida)
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Do pai coxão pro filho coxinha:
-- O que cê deixa pra mim, véio?
-- Meu ódio será tua herança.
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A vida é a contínua escolha entre o ideal e o possível. (Bertrand Russel)
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Muitos inventam haver tido uma juventude agitada, para consolar-se de uma velhice aborrecida. (Noel Clarasó)
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Dizem que o gangsterismo dominou o Congresso. Mas os gângsteres renderam bons clássicos do cinema. Os gângsteres do Parlamento não rendem nada.
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Ela chorou e o juiz enxugou as lágrimas dela com meu talão de cheques. (Tommy Manville)
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Enquanto isso, no chá de panela:
- O que faz aquela moça deslocada ali no canto?
- A coitada ainda assiste novela da Globo...
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Primeiro consiga seus fatos, e depois pode distorcê-los à vontade. (Mark Twain)
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O ser humano é o único animal que tem coragem de usar uma calça korova.
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Tô nem sentindo essa tal de crise... sempre fui ferrado, mesmo.
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O fim d'A Grande Família nos privou de ver um episódio sensacional de Agostinho Carrara contra o Uber.
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Vou ensinar meu filho a ser pegador e a minha filha a se preservar. Sei lá, né, vai que a minha filha encontra um menino igual ao meu filho.
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Minha lenda favorita do folclore brasileiro é o estado laico.
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Todo mundo foi curtir o feriadão... Mas como bem dizia minha mãe: eu não sou todo mundo.
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O Brasil começou a lancetar o tumor Eduardo Cunha.
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Às vezes acho que to conduzindo minha vida igual jogava Street Fighter: apertando todos os botões ao mesmo tempo e esperando por um milagre. (becapaluti)
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Compartilha a foto do menino Sírio com indignação, mas é contra os haitianos virem para o Brasil... Estamos de olho.
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Você percebe que amadureceu quando para de sofrer por amor e começa a sofrer por dinheiro.
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Vou ali ver o sinal Sky da vizinha. Volto após a sintonização.
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By Zombozo Kropotkin, Palmério Dória, Sensacionalista.com e adicionais.