sábado, 15 de novembro de 2014

Fotografia - por James P. Blair (National Geographic)

A Operação Lava Jato e o futuro do financiamento político - por Luis Nassif (Jornal GGN / Blog do Nassif)

     Não se sabe ainda quais jogadas políticas se escondem por trás da Operação Lava Jato. Se for seletiva em relação a partidos políticos, desmoraliza. O vazamento de depoimentos na véspera das eleições é uma mancha na operação.

     Se for, de fato, republicana, muda a história política e a luta contra a corrupção no país. E, por republicana, entenda-se o aprofundamento de todas as relações políticas do doleiro Alberto Yousseff  - e aí entram o PT, o PSDB, PMDB, PP e demais partidos.

***

     Até agora, as mazelas políticas do país sempre foram tratadas de forma oportunista pela cobertura midiática. Jornais valem-se das denúncias não como instrumentos de aprimoramento do país, mas como armas do jogo político, em atendimento a seus interesses empresariais e de seus parceiros políticos e empresariais.

     Na CPI do Banestado, a Polícia Federal levantou e-mails de um lobista da Andrade Gutierrez alertando José Serra de que, se as investigações não fossem interrompidas, iriam bater nos recursos da privatização. Segundo o procurador Celso Três,  que participou das investigações, houve "aberrante morosidade na investigação", devido à atuação do então Procurador Geral da República Geraldo Brindeiro - denominado de "o engavetador-mor" de FHC. A morosidade do MPF permitiu a prescrição dos crimes.

     A Operação Castelo de Areia envolvendo a Camargo Correa, alguns anos atrás, flagrou pagamento de propinas a políticos de ponta do PSDB paulista, como o ex-Chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Arnaldo Madeira. Acabou sepultada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que se iniciara a partir de uma denúncia anônima. Votaram pela anulação a ministra Maria Thereza de Assis Moura, e os ministros Og Fernandes e Celso Limonge.

***

     Outra operação, a Satiagraha, atingiu o coração de um vasto esquema de corrupção que envolvia do mensalão do PSDB ao do PT. Foi sufocada por uma pressão conjunta do governo Lula, dos grupos de mídia, de aliados de José Serra - cuja filha era sócia de Daniel Dantas - , e do óbvio Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

     O STJ anulou a operação, através dos votos do ministro Jorge Mussi, do relator, desembargador Adilson Macabu, e o ministro Napoleão Nunes Maia Filho. No Congresso, Dantas recebeu o apoio entusismado dos notórios senadores Arthur Virgilio (PSDB-AM) e Álvaro Dias (PSDB-PA). Na imprensa, apoio da revista Veja, depois de presenteá-la com dois cadernos de publicidades de empresas de telefonia controlada por ele.

***

     Até agora, a Operação Lava Jato recebeu amplo apoio dos grupos de mídia por visar, por enquanto, apenas o PT e os governos Dilma e Lula. Não se pense, da parte dos grupos de mídia, em nenhuma bandeira desfraldada contra a corrupção, mas em interesses políticos e empresariais bastante objetivos.

     A Operação, em si, revela uma imensa teia de jogadas envolvendo a Petrobras, a maior empresa brasileira e montadas a partir de executivos indicados no governo Lula. A liberdade conferida a Paulo Roberto Costa superou todos os limites do bom senso. Se o PT pretendia inserir-se no establishment político brasileiro, conseguiu com louvor. Mas sem blindagem.

*** 

     Yousseff é muito mais que isso. É mencionado no livro "A privataria tucana" como homem-chave na remessa de recursos de caixa dois de caciques tucanos  para o exterior. Participou diretamente de operações que passavam por recursos da privatização, além das operações do notório Ricardo Sérgio - o homem de Serra no Banco do Brasil.

***

     Se houver, de fato, espírito republicano por parte do juiz Sérgio Moro, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, aplica-se um golpe de morte em todo sistema de financiamento clandestino de campanha eleitoral.

     Depois da prisão de executivos, nenhuma grande empresa irá correr mais riscos de continuar nesse jogo. 

     O STF já votou contra o financiamento privado de campanha. A votação não foi homologada ainda devido ao vergonhoso Gilmar Mendes que, mesmo já sendo voto vencido, pediu vistas do processo e engavetou-o.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Do outro lado do universo - por Giovanna Griffo (Fotografia - site homônimo)

Picadinhas

Deus é parado em uma Blitz. A policial fala: "Você é Deus, mas não é um Juiz". Todos riram, mas a policial foi para o inferno.
*
No Enem da vida eu sou aquele que marca errado no gabarito a única questão que tinha certeza.
*
O Brasil tá mais pra Venezuera que pra Venezuela. A Venezuera never ends!
*
Transar é igual fórmula 1: quem não pode estar no evento faz piada no facebook.
*
Quando perguntada sobre por que havia atirado em 11 pessoas de sua escola, Brenda Spencer de 16 anos respondeu: Não gosto de segundas-feiras.
*
Correio da Bahia: "Moradores confundem fila para exame grátis de próstata com protesto". E chamaram a PM!
*
Tribunal de Justiça muda o nome de Juiz de Fora para Deus de Fora!
*
A Dilma não deveria dar R$ 3,5 Bi para o Alckmin, ela deveria ensiná-lo a pescar.
*
Conselho da Dona Lúcia: Se você espera alguma coisa do sábado a noite, não adianta ficar assistindo Zorra Total.
*
Romário apoiou Aécio e agora apoiou Eurico Miranda no Vasco. O baixinho matador tá nos matando.
*
"Interestelar é pretensioso".
E qual filme sobre o ESPAÇO não é, meu querido?
*
Por motivo de força maior, Juan Carlos Abadía e PC Farias não podem dar uma força à candidatura de Eduardo Cunha a presidência da câmara.
*
São Paulo vai tratar de esgoto para reuso no consumo de água. Isso quer dizer o seguinte: ainda vamos sentir saudades do volume morto!
*
Sheik que ofereceu US$ 1 milhão pelo fusquinha azul de José Mujica não esclareceu se o preço inclui o presidente uruguaio no banco do carona.
*
O Mantega vai voltar pro Pronatec! (piauiherald)
*
De Yoko Ono, tricotando ao telefone com Ringo Star: “E o Paul McCartney, hein? Quem diria, acabou em Cariacica!”
*
E a economia da Dilma? Agora é sem mantega! A seco!
*
A cada 5 casamentos no Brasil, 1 acaba em divórcio. Viu?! Nem todos acabam mal.
*
EXAME: Falta d’água em SP não prejudica negócio de lavagem de dinheiro. Ou seja, não há motivo para nervosismos do mercado.
*
Vamos fazer um amigo secreto do facebook? Tipo "Meu amigo secreto passou o ano mandando indiretas para C E R T A S P E S S O A S..."
*
O Sarney é um finado vivo.
*
Pastor Isidoro: Seca em SP é culpa da Parada Gay
Não concordo. Onde tem KY não tem seca.
*
Quem topa fundar o Bloco dos Bolivarianos? Carnaval tá chegando!
*
Praia de nudismo é tão anos 90. A moda agora é correr pelado!!
*
Lobão agora preocupado com imagem pessoal ligada a Ditadura Militar. Ele tem duas opções: Miami ou Claudio-MG!
*
Show de Paul no ES: um velho pirata inglês, saqueando a costa Tapuia.
*
Alckmin quer 3,5 bi dos impostos do Brasil para tentar resolver um problema que ele e a Sabesp foram incompetentes para resolver. Detalhe, a empresa distribuiu como lucro a seus acionistas – aqui e nos EUA – centenas de milhões de reais nos dois últimos anos. Pode isso, Arnaldo?
*
Ironia é a Friboi passar a perna no Roberto Carlos.
*
Impeachment é repescagem?
*
"Viu O Fantástico domingo? Não?! Venha aqui que eu te mostro!"
*
Seu Chuchu, com o dinheiro gasto em assinaturas de revistas e jornais, além das propagandas, daria para cuidar melhor da nossa água?
*
Quer separar a Catalunha da Espanha, mas não separa nem a roupa colorida da roupa branca antes de lavar. Estamos de olho!
*
Adorei o tema de redação do Enem: "Publicidade Infantil!". Eu escreveria quatro letras: XUXA.
*
Você aí preocupado com Dilma e comunistas, e os juízes desse país querendo 7 conto de auxílio moradia e educação para os filhinhos... Na boa... Bem na boa!
*
Apareceu mais alguma peladona aí em Porto Alegre?
*
Halloween é igual ao PMDB: se não der um doce, eles aprontam uma travessura! (Aislan Feitosa)
*
Só para causar discórdia geral para os assuntos polêmicos dessa semana: Eu gostei do novo do Foo Fighters, Pink Floyd e de Interestelar.
*
Tema da redação do ENEM: quem acredita que o Brasil vai virar Cuba, bebia água do vaso sanitário quando era criança ou o que?
*
Botafogo levou o jogo pra Volta Redonda. Público subiu de 10 para 14 pagantes.
*
"CEO da Apple assume e declara orgulho de ser gay". Feliciano, Malafaia e Bolsonaro quebram o Iphone.
*
Eu quero assumir o Ministério da Esculhambação!
*
Chega atrasada no enem, mas se fosse show do Arctic Monkeys dormiria 4 dias na fila.
*
Salão do Automóvel! Um amigo vendo os carrões e as gostosas, concluiu: "eu tô a pé tanto de carro como de mulher".
*
ENEM 2014: Há 177 anos eclodia a Revolta da Sabinada, em Salvador. Sabinada, inocente!
*
Se forem dividir o Brasil, eu quero ficar do lado das praias!
*
Pra quem não acreditava, Palmeiras mantem vivo o sonho da Série B.
*
O duro é ver gente que não tem a mínima ideia de quem foi Simon Bolívar ficar falando em bolivarianismo.
*
ZK: Nos embalos de sábado em casa!
*
Preconceito. Quando alguém é muito radical, é chamado de xiita. Contudo, o Estado Islâmico é uma organização sunita. Estereótipos são isso.
*
Gente que é anti-Nolan e se proclama fã de Shyamalan: estamos de olho.
*
"Se eu fosse a presidente Dilma, acenderia dezenas de velas no Palácio, para o emprego não começar a cair" (Cantanhêde).
Caiu. O emprego dela.
*
Posso chamar uma chuva de granizo de "chuva on the rocks"?
*
Caminhão-pipa reúne todos os atributos para abiscoitar o título de Muso do Verão paulista.
*
"Nunca odeie seu inimigo. Isto pode confundir seu julgamento". (Michael Corleone - O Poderoso Chefão 3).
*
Acusaram Dilma e PT de ditadura, agora apoiam militares no poder e Impeachment. Me matam de vergonha!!!
*
Só uso tênis original pra evitar pisar em falso.
*
Sabesp não tinha dinheiro para investir, mas doou meio milhão para Instituto FHC.
*
Existem mais filósofos no facebook do que na Grécia antiga.
*
Acho que só uma intervenção militar pode deter as peladonas de Porto Alegre.
*
Hoje no buzão tive a impressão de que já tem gente tomando banho com água reaproveitada do esgoto.
*
Severino Cavalcanti perto de Eduardo Cunha é a reserva moral da Nação.
*
Esse negócio de trabalhar com peneira, é a maior furada.
*
Ou a FSP para de depreciar o papel da rede social na eleição, para esconder seu papel na tentativa de fraude, ou eu chamo o Xico Sá, hein?
*
Selecione a forma de pagamento para finalizar a compra do seu iPhone 6: ( ) Dinheiro ( ) Cartão ( ) Rim ( ) Fígado
*
Todos cantam:
"O sapo não lava o pé..."
"E a culpa é do picolé..."
*
Malandro é o curupira que só faz gol de calcanhar...
*
Se eu tivesse que escolher entre entregar um filho para ser educado por um(a) negro(a), pobre e analfabeto(a) e um professor doutor racista e elitista, escolheria o(a) primeiro(a) sem hesitar. Assim ele teria muito mais chance de ter uma educação com valores humanos e de formar seu caráter com os valores morais que uma sociedade equilibrada exige. (Maurício Abdalla)
*
Malandro é o Drácula que dorme o dia inteiro e sai a noite pra farra...
*
CARAS: Graça Foster diz que botox não se anuncia, se aplica.
*
Quiosque da Sabesp: Água de cocô - R$ 2,00.
*
"O tempo é um guia cego." (Anne Michaels)
*
O PMDBomba é partido mais quenga que existe desde os tempos de Salomé!
*
Revista em braile elege Sandy a mulher mais sexy.
*
Aécio pretende concentrar sua atuação "mais no front externo que na tribuna do Senado". Ou seja, numa mesa com Accioly, Ronaldo e Huck no Leblon.
*
Flamengo vai concorrer com Sedex no serviço de entregas rápidas.
*
Lombada eletrônica é presa no Rio por multar juiz.
*
Manhattan Connection procura desesperadamente entrevistado alinhado com o espírito do programa. Só vale pobre de espírito.
*
Prova mais difícil do Enem foi ficar 4 horas sem Whatsapp.
*
Merval Pereira, a voz dos donos, anda um tanto cabreiro nos últimos dias. Já pensou um imortal no olho da rua?
*
Zé Gotinha será o mascote do racionamento de água em SP.
*
Cidadão na banca do Kennedy, ali na esquina, ao ver a pilha de Veja que acaba de chegar: "Acabou a eleição e ainda tem panfleto por aqui?"
*
Juízes receberão auxílio-carteira para dar carteiradas em couro legítimo.
*
Cidinha Campos, conta de novo aquele negócio imobiliário de Eduardo Cunha com o megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía, please.
*
Homem se suicida após ouvir Simone cantando “Então é Natal” nas Lojas Americanas.
*
"Não se preocupem com o Fusca. Os carros têm preço. O que não tem preço é a vida." (José Mujica)
*
Cientistas descobrem que o sentido da vida é ver séries.
*
O Brasil está mesmo dividido. Em 26 estados e um distrito federal.
*
Aécio quer se tornar juiz para não ser mais parado na Lei Seca: Para que ser presidente quando se pode ser Deus?
*
Eliane Cantanhêde: "Foi bom enquanto durou". Bom pra quem, cara-pálida?
*
Com falta d’água em São Paulo, modelos do SPFW estão ainda mais secas.
*
Repórter do JN fez a maior propaganda do novo "produto" da Sabesp. Mas beber no fim do comercial, nem pensar.
*
Torcida do São Paulo comemora divórcio de Kaká: “É a nossa chance!”
*
Os mancheteiros da Folha, batendo continência, foram incorporados ao "exército" de Aécio.
*
Após reajuste de 17,75%, conta da Light virá com tubo de KY.
*
Aécio Neves tá com a macaca! Já anunciou até a porta-voz do governo dele: Cristiana Lôbo.
*
Com tanta mulher assim vai ficar difícil para o Alexandre Pato renovar com o São Paulo.
*
O senador Zezé Perrella pretende liderar uma frente pela flexibilização das fronteiras na próxima legislatura.
*
Facebook: Usuários reclamam que não lembram mais o que postavam antes das eleições.
*
Sabesp é um esgoto a céu aberto.
*
Algumas mulheres estão correndo peladas no Rio Grande do Sul. Eu quero vê-las fazendo isso onde há heteros nas ruas.
*
Alckmin diz que SP tratará esgoto para consumo. Podre de chique.
*
“Se isso não é amor, o que mais pode ser?”
Falta de controle emocional, autoestima baixa, carência, problemas com os pais na infância, fome...
*
Papa Francisco teve encontros com movimentos sociais, entre eles o MST. Veja vai pedir o impeachment dele.
*
Agora que o Kubrick morreu, quem é que ta dirigindo essa chegada ao cometa?
*
Um ex-candidato à presidência chega ao Congresso falando em liderar Exército. Depois não quer que o chamem de golpista.
*
“Se você é neutro em uma situação de injustiça, escolhe o lado do opressor.” (Desmond Tutu)
*
Gravação de programa humorístico no Senado: Aécio recebido aos gritos de "presidente!" no Senado. E não ficou ruborizado.
*
Nível de ignorância astronômica: achava que qualquer coisa que chegasse perto de um cometa derreteria.
*
Aécio é o presidente Porcina. Foi sem nunca ter sido.
*
Bruna Marquezine e Luan Santana estão ficando (amigas).
*
Aécio diz que vai liderar Exército da oposição. O Clube Militar fecha com ele até a última fralda geriátrica.
*
*
Antes eu era bolchevique. Agora sou bolivariano.
*
Decisão do TJ determina que Juiz é Deus sim! E qualquer afirmação contrária é pecado de blasfêmia com condenação eterna ao fogo do inferno!
*
PSDB pede recontagem do voto de Lindsey Lohan.
*
Parece piada, mas é veraz: Reclamando de ameaças e do roubo de seu celular, um preso do regime fechado procurou a delegacia de polícia de Júlio de Castilhos (RS) para registrar ocorrência.
*
A mídia tá ficando com a cara que merece. Um mix de Gilmar Mendes e Álvaro Dias.
*
Mais vale uma safadeza sincera do que um romantismo forçado.
*
Dizem que nas veias de Julio de Mesquita Filho não corria sangue. Corria ódio. Continua a correr nas veias dos "novos" Mesquitas.
*
Não confio em quem não gosta de cometa.
*
“Abaixo a inteligência!”. Dito por um chefe militar fascista espanhol durante a guerra civil.
*
Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se quiser ir longe, vá acompanhado. (Provérbio africano)
*
"O fato de ser nazista não quer dizer que abri mão de meus princípios democráticos." (Lobanaro)
*
Deus me proteja doa abraços frouxos e sem viço.
*
Não chute o balde. Dentro pode haver um restinho d'água.
*
Causa mortis: cortou os (im)pulsos. (Zack Magiesi)
*
Geraldo Brindeiro e Rodrigo de Grandis vão formar a dupla Gavetão e Gavetinha.
*
Ando desconfiado que meu sono me trai. Ele passa o dia comigo, mas a noite desaparece.
*
Coxinhas são que nem Ibrahim Sued, famoso colunista analfabeto: dão a volta ao mundo pra manter a ignorância.
*
Deixar um desejo nas entrelinhas é compactuar com a maldita burocracia. O sentimento gosta de letras graúdas, boas de soletrar. (Panelovski)
*
Respeitem a imensa tristeza de Merval. Ele já tinha mandado para o tintureiro o fardão da ABL para usar na posse de Aécio. Presepeiro.
*
Sobre Kim Kardashian: o que em muitas falta, nela abunda!
*
"Analistas" de economia brasileiros morrem de inveja do México, um país em que os cartéis da droga sequestram 43 estudantes "numa boa".
*
Minha vida só pode estar assim por causa das correntes que eu não repassei no facebook...
*
Barões da mídia encomendaram coração suplementar assim que Lula anunciou que disputa eleição de 2018.
*
Consciência e travesseiro todo mundo tem. Dorme quem consegue. (Matheus Rocha)
*
Teoria da evolução está certa, diz papa. Agora falta convencer Marina.
*
Só entendi o valor do silêncio no dia que resolvi calar para não magoar alguém.
*
FHC é um buraco negro na política, uma enorme gravidade no centro do PSDB, suga toda a energia que está ao seu redor e não emite nenhuma luz. (Sergio Saraiva)
*
Há quem não vale um centavo e há quem vale mais que o mundo pode oferecer. A moeda é a mesma, o que muda são os valores.
*
Sarney foi pego desenhando corpo de mulher durante sessão do senado. Ao menos uma bela memória ele tem.
*
Vou ali, correr pelado em Porto Alegre e já volto.
*
By Zombozo Kropotkin, Palmério Dória, Sensacionalista.com, José Simão e adicionais.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Arte digital realista - por David Moratilla (site homônimo)

Brasil ontem e hoje - por Fábio de Oliveira Ribeiro (Jornal GGN / Blog do Nassif)

     Cresci sob o pavor político disseminado por uma Ditadura que propagandeava sem temor “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Vinte e seis anos de vigência da democrática CF/88 e aqueles que defendem o legado da Ditadura dizem que deixarão o Brasil em razão da vitória de Dilma Rousseff. O que mudou?

     Muita coisa mudou. Os brasileiros, por exemplo, tem direito de votar e votam segundo sua consciência e não como a imprensa deseja. A própria imprensa mudou. Durante a Ditadura ela criticava a tirania militar, agora se esforça para destruir uma democracia que não consegue controlar. Há mais universidades e mais universitários e, no entanto, o movimento estudantil não tem hoje a mesma importância que teve no passado. Aqueles que foram torturados chegaram ao poder e, pasmem, não mandaram torturar seus torturadores.

     Os próprios militares brasileiros mudaram. Após o golpe de 1964 eles assinaram um acordo transformando as Forças Armadas do Brasil em tropas de ocupação do Pentágono dentro do país. Na atualidade, os militares brasileiros tem orgulho de serem os únicos a defender a soberania brasileira e excluem qualquer papel relevante dos EUA na defesa do nosso país. Acordos militares foram celebrados com a China, material bélico moderno é adquirido da Rússia.

     Uma coisa não mudou. O racismo da elite brasileira. Acuada por seguidas derrotas eleitorais ela volta a disseminar o medo do comunismo, igualando o próprio comunismo à democracia. Tanto que alguns até foram as ruas exigir um golpe militar e assinaram petição exigindo uma intervenção dos EUA em nossos assuntos domésticos. A pestilência da traição é, todavia, disfarçada de nacionalismo. Isto explica porque os mesmos que querem destruir a autonomia política do país tentam se apropriar dos seus símbolos. Os mesmos que se apegam á bandeira do Brasil queimam-na em praça pública, enfiam-na no rabo na TV.

     A própria TV mudou bastante. No passado os espiões do SNI e os militares eram sutil ou abertamente ridicularizados nos programas humorísticos. Nos dias de hoje, humoristas como Danilo Gentili são especialistas em adular alguns poderosos e se esforçam para ridicularizar negros, pobres, favelados, sem terra e mendigos. O CQC se incumbe de ridicularizar os representantes do povo como se os humoristas tivessem sido eleitos por Deus para condenar aqueles que foram investidos no poder pela soberania popular.

     E já que estamos falando em soberania popular, nunca é demais lembrar que PSDB e DEM, com uma grande ajuda da imprensa, se esforçam bastante para limitar seus efeitos. Apesar de terem perdido a eleição presidencial, os tucanos/demoníacos querem impor à Dilma Rousseff o seu programa econômico neoliberal. Pessoalmente, não conheço nenhuma democracia em que os derrotados governem. No Brasil não será diferente. Em algum momento a oposição terá que ser confrontada pelo governo legitimamente eleito.

     Durante a Ditadura, a Petrobras era motivo de orgulho nacional. Hoje ela é motivo de chacota daqueles que querem entregar o petróleo brasileiro à exploração das companhias norte-americanas e europeias. Chega-se ao absurdo de apoiar uma investigação iniciada nos EUA contra a Petrobras como se a companhia não fosse brasileira e o Brasil não tivesse poder e jurisdição para avaliar e julgar o que ocorre dentro da mesma. Há partidos políticos traindo a democracia porque foram derrotados. Há políticos que ousam trair o próprio país para atender os interesses das potências estrangeiras. Existe virtude na traição? Não, nunca houve. Hoje como ontem os patriotas se levantarão para defender o país, sua jurisdição, seu petróleo e sua companhia petrolífera. Nenhuma dúvida quanto a isto.

     Os militares que submeteram nossas Forças Armadas aos EUA foram derrotados. Antes deles, os holandeses que invadiram o Brasil foram expulsos e aqueles que se aliaram aos invasores pagaram caro por dar as costas aos interesses brasileiros. Em breve uma nova luta mortal será travada em nosso território contra os traidores do país. Eles serão derrotados uma vez mais, porque a virtude do patriotismo é e sempre será vitoriosa quando disputa o controle do Brasil contra seus traidores.

Comentário
Mesmo discordando de algumas ideias do autor, é um belo artigo para reflexão.

Fogo e Gelo - por 1.000.000 pictures (Fotografia)

Gilmar Mendes, o juiz da Lei Seca e Deus são a mesma pessoa? - por Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

João Carlos de Souza Correa, aka Deus
     O juiz que mandou prender a fiscal da Lei Seca porque ela ousou lembrar que ele não era Deus não é uma exceção, mas uma regra no Brasil. Nos últimos dez dias tivemos provas incontestes da onipotência e onisciência da categoria.

     João Carlos de Souza Correa já havia se envolvido em outras encrencas e é sintomático que, até hoje, nada lhe tenha acontecido. Em dezembro de 2007, por exemplo, quis entrar no free shop de um navio de cruzeiro.

     Diante da negativa do comandante, obrigado a declarar que as lojas atendiam apenas os passageiros, ele chamou a Polícia Federal. Naquela ocasião o estratagema deu errado – mas não é difícil supor quantas vezes Correa deve ter passado em branco com uma carteirada desse tipo.

     Correa foi investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por causa de decisões em processos sobre disputas de terra em Búzios. A mais grave das denúncias fala num favorecimento de um advogado numa disputa de terras. Sete anos atrás, ele ordenara a prisão de uma jornalista que escreveu uma carta aberta sobre seus desmandos no litoral fluminense.

     A única palavra de solidariedade a Correa partiu da ex-mulher, Alice Tamborindeguy, advogada e ex-deputada estadual pelo PSDB, irmã de Narcisa Tamborindeguy, a coisa mais próxima da caricatura de uma socialite cabeça oca que pode existir.

     O período eleitoral serve para que juízes aprovem benefícios em causa própria sem ser notados. Um desses casos foi o auxílio moradia de 1 bilhão de reais. São 4,4 mil por mês para cada um deles, independentemente, claro, de o sujeito já ter casa.

     Numa participação no Jornal da Cultura, o desembargador José Roberto Nalini, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, deu uma resposta cândida sobre a premência da medida. “Hoje, aparentemente o juiz brasileiro ganha bem, mas ele tem 27% de desconto de Imposto de Renda, ele tem que pagar plano de saúde”, disse, elencando dramas comuns a virtualmente todo brasileiro.

      “Ele tem que comprar terno e não dá para ir toda hora a Miami comprar terno. Cada dia da semana ele tem que usar um terno diferente, ele tem que usar uma camisa razoável, um sapato decente, ele tem que ter um carro.” O aumento é necessário para que o profissional “fique um pouquinho mais animado, não tenha tanta depressão, tanta síndrome de pânico, tanto AVC”.

     Curiosamente, essa montoeira de absurdos foi dita diante do âncora e do filósofo Luiz Felipe Pondé, que não mexeram uma sobrancelha. Pondé, especialmente, sorria como se lhe declamassem um poema. Se Nalini houvesse falado em “bolivarianismo”, talvez Pondé se ajeitasse naquela cadeira.

     Coube a Gilmar Mendes mencionar numa entrevista à Folha o risco do STF se transformar numa corte bolivariana. Gilmar tem medo de que a instituição passe a “cumprir e chancelar” vontades do Executivo. “Isto tem de ser avisado e denunciado”, afirmou.

     Gilmar é o oposto do que se espera de um juiz – ou exatamente o que se espera, dependendo do grau de realismo do espectador. Fala sem pensar, não mede consequências, ofende quem quer, etc. etc.

     Faz isso porque sabe que não acontece nada. O doutor Correa está correto: eles são deuses. O presidente do TJ-SP resumiu a questão naquela conversa na televisão. “No momento em que a população perceber o quanto o juiz trabalha, eles vão ver que não é a remuneração que vai fazer falta: se a justiça funcionar, vale a pena pagar bem o juiz”.

     Você não poderá pegar seu dinheiro de volta porque não existe onde pegar seu dinheiro de volta.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Vampira - por Leandro Franci (Arte digital - Cruzine)

Apesar da campanha da mídia, o ENEM venceu – por Luis Nassif (Blog do Nassif / Jornal GGN)

     Um estilo jornalístico viciado e anacrônico é o principal responsável pelas dificuldades do país em trilhar novas experiências.

     Em um Congresso de Secretários do Planejamento, cobrei dos secretários presentes a falta de empreendedorismo público, de novas experiências de gestão.

     A resposta foi simples.

     Na fase de implantação de novos projetos não há como não aparecerem problemas. Afinal, trata-se da implantação. Qualquer problema é superestimado pela mídia, utilizado para torpedear o projeto. Alguns projetos acabam morrendo no caminho por esta falta de compreensão. Depois de implantados, os projetos vitoriosos não merecem o reconhecimento.

     O gestor público corre um enorme risco propondo o novo, sem nenhuma possibilidade de recompensa posterior: o reconhecimento público.

     Tome-se o caso do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Em 2009, com sua universalização, começando pela unificação dos vestibulares das universidades federais, mudou a face dos vestibulares no país, democratizando o acesso de todos os estudantes a vestibulares nas melhores faculdades.

     Ontem foram completadas as provas, com 6,2 milhões de inscritos, um caso de sucesso mundial. A não ser alguns episódios isolados de cola, não houve um problema sequer relatado por uma mídia capaz de superdimensionar os menores problemas.

     O ENEM tornou-se uma instituição nacional. Junto com a expansão das novas universidades públicas e privadas, mudou a cara do ensino superior. Onde estão os velhíssimos capitães de ensino, que dominavam politicamente o setor e, com suas intermináveis páginas de publicidade, exerciam um poder absurdo sobre a mídia? Onde Di Gênio e outros símbolos de um velho modelo carcomido? Foram engolfados pela modernização e pela entrada de novos grupos no mercado.

     No entanto, esse enorme avanço quase foi liquidado por uma campanha implacável da mídia, onde se misturaram má fé, incompreensão e jogadas políticas de baixo nível.

     Problemas de vazamento de uma prova - em uma gráfica que tem a Folha como sócia -, problemas pontuais com um ou outro simulado, afetando proporções ínfimas dos inscritos, foram superdimensionados, abriu-se todo o espaço para um procurador exibicionista, tudo com a intenção de liquidar o programa.

     Não se pensou nos benefícios para o país, para os alunos, nas oportunidades que se abriam com a democratização do acesso às vagas. A ideia fixa era impedir que seu eventual sucesso pudesse ser capitalizado pelo governo que o bancou.

A campanha implacável dos jornais

     Logo após a notícia do vazamento da prova na gráfica Plural, em 19 de outubro de 2009, o Estadão não deixou barato: "Os problemas em cadeia gerados pelo vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), frustrando estudantes e desorganizando os vestibulares das universidades, são mais uma amostra do que pode ocorrer quando os interesses eleiçoeiros são postos à frente da racionalidade administrativa nos órgãos técnicos do Estado”. Se tivesse prevalecido a opinião do jornal, teria sido imediatamente interrompida a implantação do ENEM.

     Houve inúmeras tentativas de atribuir a responsabilidade do vazamento ao INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas) e com isso politizar ainda mais a discussão. O jogo terminou apenas em agosto de 2011 quando um desembargador do TRF-3 ordenou a exclusão da Plural do processo, sustentando que ela não cumprira o que estava definido no edital.
Custou a Haddad a inimizade eterna da Folha.

O procurador exibicionista

     Em nome dessa mesquinharia, grupos de mídia transformaram um Procurador da República exibicionista, Oscar Costa Filho, do Ceará, em personagem nacional.

     Com os holofotes sobre ele, Costa Filho se vangloriava de ter-se tornado um especialista em melar vestibulares. “Sou fundamentalmente um professor. É até por isso que falo assim com esse  tom e sempre gesticulando muito”, observava aos jornalistas que o procuravam.

     O procurador constatou que o professor de um cursinho de Fortaleza - com 639 estudantes - vazou uma das provas do simulado. Com base nisso, pretendeu anular o ENEM em todo o país. O MEC (Ministério da Educação) respondeu prontamente sobre a maneira de contornar o problema sem prejudicar os demais inscritos. Mas a cobertura incessante da mídia tentava acabar com o programa. 

     O Procurador tornou-se celebridade instantânea, a ponto de conceder quatro entrevistas simultâneas, com um celular em cada orelha e dois telefones fixos ligados na sua mesa.

     O interesse de milhões de estudantes, nada disso importava à mídia. Tratava-se agora de permitir ao Procurador se pavonear, desde que os objetivos políticos fossem atingidos.

     A famas de exibicionista já o acompanhava desde 1991, quando tentou vetar um exame de avaliação dos professores do Estado pelo então governador Ciro Gomes. “Eu me lembro do Ciro me esculhambando e me chamando de exibicionista” vangloriava-se ele a repórteres. “Exibicionista, no caso, é o que desagrada quem está no poder para fazer justiça”, alardeava o pavão.  

     Transformado em herói por uma imprensa sem discernimento, dali por diante Costa Filho passou a atuar anualmente, valendo-se do poder de um cargo público para tentar derrubar a prova. Só parou quando a AGU (Advocacia Geral da União) ameaçou tomar providências legais contra ele.

     Nos exames de ontem, o ENEM se consagra definitivamente. Foi o ponto central da cobertura da mídia, com portais montando projetos especiais para acompanhamento da prova. Nenhuma autocrítica, nenhum reconhecimento aos autores de uma política pública excepcional.

     A prova de ontem chegou ao requinte de montar salas especiais com provas especiais e acompanhamento de especialistas para alunos com deficiência intelectual. Quem sabe disso? Apenas parentes e amigos de famílias beneficiadas por esse aprimoramento do ENEM.

     O país está se civilizando. Mas as manchetes são aliadas da barbárie.

Fotografia manipulada - por Kristina Varaksina (site homônimo)

A mídia não quer que o governo mexa no ‘Bolsa Imprensa’ - por Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

     “O PT busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.”

     Está na Veja, e raras vezes ficou tão clara a dependência financeira e mental que as grandes corporações jornalísticas têm do dinheiro público expresso em publicidade federal.

      Havia, naquela frase, uma alusão à decisão do governo de deixar de veicular propaganda estatal na Veja, em consequência da capa criminosa que a revista publicou às vésperas das eleições.

      Era o mínimo que se poderia fazer diante da tentativa de golpe branco da Abril contra a democracia.

      Mas a revista fala em “golpear as receitas publicitárias” da mídia corporativa.

      A primeira pergunta é: as empresas consideram direito adquirido o ‘Bolsa Imprensa’, o torrencial dinheiro público que há muitos anos as enriquece – e a seus donos – na forma de anúncios governamentais?

      Outras perguntas decorrem desta primeira.

     Que capitalismo é este defendido pelas empresas jornalísticas em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público?

      Elas não se batem pelo Estado mínimo? Ou querem, como sempre tiveram, um Estado-babá?

      Os manuais básicos de administração ensinam que você nunca deve depender de uma única coisa para a sobrevivência de seu negócio.

      E no entanto as grandes empresas de comunicação simplesmente quebrariam, ou virariam uma fração do que são, se o governo federal deixasse de anunciar nelas.

      Tamanha dependência explica o pânico que as assalta a cada eleição presidencial, e também ajuda a entender as manobras que fazem para eleger um candidato amigo.

      Essa festa com o dinheiro público tem que acabar, e famílias como os Marinhos e os Civitas têm que enfrentar um choque de capitalismo: aprender a andar sem as muletas do dinheiro público.

      Ou, caso não tenham competência para sobreviver num universo sem favorecimentos, que quebrem. O mercado as substituirá por empresas mais competitivas.

      Não são apenas anúncios: são financiamentos a juros maternais em bancos públicos, são compras de lotes de assinaturas de jornais e revistas, são aquisições enormes de livros da Abril, da Globo etc.

      Numa entrevista a quatro jornais, ontem, Dilma disse que o novo governo vai olhar com “lupa” as despesas, para equilibrar as contas e manter sob controle a inflação.

      Não é necessária uma lupa para examinar as despesas com publicidade.

      Entre 2003 e 2012, elas quase dobraram, segundo dados do Secom. De cerca de 1 bilhão de reais, foram para as imediações de 2 bilhões ao ano.

      Apenas a Globo – com audiência em franca queda por causa da internet – recebeu 600 milhões de reais em 2012.

      Um orçamento base zero, como os livros de gestão recomendam, evitaria a inércia dos aumentos anuais do governo com esse tipo de despesa.

      Murdoch, em seu império mundial de mídia, tem dependência zero de publicidade de governos.

      Banco estatal nenhum financia seus empreendimentos, e por isso ele quase quebrou na década de 1990 quando não conseguiu honrar os empréstimos para ingressar na área de tevê por satélite.

      Foi obrigado a se juntar a um rival em tevê por satélite. Só agora Murdoch teve os meios para tentar comprar a outra parte, mas o governo inglês negou por conta do escândalo do News of the World.

      Ele se bate pelo capitalismo, e pratica o capitalismo.

      As empresas jornalísticas brasileiras pregam o capitalismo, mas gostam mesmo é de cartório.

      E julgam, pelo que escreveu a Veja, que até o final dos tempos estão aptas a receber o Bolsa Imprensa.

Colinas Sellen - por Caio Monteiro (Ilustração fabulosa - site homônimo)

Sudeste e sul sempre foram mais conservadores - por Juremir Machado da Silva (Correio do Povo)

     São Paulo tem um pequeno problema com o Brasil. Foi quem mais resistiu, junto com Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, à abolição da escravatura. Tivemos de comandar, ao lado dos paraibanos e dos mineiros, a Revolução de 30 contra os paulistas, que, novamente junto com Minas Gerais e, paradoxalmente com parte do Rio Grande do Sul, impuseram aos brasileiros o golpe de 1964. Em geral, sul e sudeste estão de um lado, enquanto o nordeste está de outro. O Rio Grande do Sul conseguiu votar contra, em 1871, a Lei do Ventre Livre.

     O nordeste foi a região que mais apoiou a abolição. O sudeste, a que mais lutou contra. Entre 1879 e 1881, dos 11 deputados que mais defendiam reformas contra o escravismo, dez eram do norte e do nordeste. Apenas um era de Minas. José do Patrocínio sintetizou: “O norte, muito mais benévolo para o escravo, desfez-se da hedionda mercadoria quanto pôde (…) O sul, ambicioso, obstinado, aristocrático, bárbaro e cruel para o escravo, embriagado pelo jogo do café, foi comprando a fatal mercadoria a todo custo”. Criou-se um fundo para a emancipação. Conseguia-se arbitrar preços exorbitantes para velhos escravos e, com os ganhos, comprar escravos jovens.

     Um deputado de Sergipe propôs, em 1877, a abolição e escolas para que trabalhadores livres pudessem aprender a ler e escrever. O deputado baiano Jerônymo Sodré, em 1879, chamou a Lei Rio Branco, que permitia manter escravos até 21 anos de idade os nascidos livres, de “vergonhosa e mutilada”. O fundo de emancipação fora desviado para campanhas eleitorais. Que tempos aqueles! Nunca se veria igual. O deputado paulista Martim Francisco Ribeiro de Andrade reagiu violentamente: “Nós, os representantes das províncias do sul do Império, apreciamos a integridade deste vasto país, mas não tanto que, para conservá-la, queiramos tolerar a liquidação geral das fortunas e a destruição violenta da propriedade escrava…” Hummm…

     Contestado pelo nordestino Joaquim Nabuco, o paulista Andrade saiu-se com um argumento intemporal. Disse que as opiniões do abolicionista eram “exageradamente radicais”, exigiu sensatez e responsabilidade e pediu que o outro não usasse sua retórica a serviço de uma causa, a abolição, que “pode prejudicar e muito a nossa pátria”. Daí a conclusão do historiador americano Robert Conrad: “Não é de estranhar que tenha sido um representante de uma província do Nordeste que renovou o debate abolicionista na Assembleia Geral em 1879 e que a primeira reação negativa tenha vindo de um deputado representante de São Paulo”. Pelo jeito, nada mudou.

     O Brasil está dividido. Já era assim em 1870. Deputados do sudeste opunham-se à abolição alegando que produziria uma massa de vagabundos e propondo que fossem, ao menos, transformados em servos, obrigados a trabalhar para seus ex-donos. Velhos e crianças foram libertados mais cedo, quando não havia mais volta, para diminuir custos. Parte do fundo de emancipação foi gasta na compra de livros para registro dos escravos a serem libertados. Um estudioso interpretou tudo isso como “um dos primeiros exemplos do moderno separatismo paulista”. Agora é guerra contra o Bolsa-Família? Uau!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Palawan, Filipinas (Fotografia - O mundo e suas belas imagens)

O que aconteceria na Suécia com o juiz parado numa blitz no Rio - por Claudia Wallin, de Estocolmo (Diário do Centro do Mundo)

A agente de trânsito e o juiz
     "Por que o Rei não fez o teste do bafômetro na hora?", perguntou certa vez um repórter do jornal sueco Expressen ao Rei da Suécia, Carl XVI Gustaf, no dia seguinte a um pequeno acidente de trânsito protagonizado pelo monarca. Um dia normal na Suécia, onde autoridades não têm complexo de Deus e a síndrome do ”você-sabe-com-quem-está-falando” é tão improvável quanto a volta dos mortos ou a autocrítica dos cretinos.

      O episódio da agente de trânsito condenada por danos morais após abordar um juiz em uma blitz da Lei Seca, na zona sul do Rio de Janeiro, demonstra que alguns magistrados brasileiros parecem pensar que são deuses – e que muitos têm a certeza de que são.

      Quando foi parado, o juiz e guardião da lei João Carlos de Souza Corrêa dirigia sem a carteira de habilitação, sem placa no carro, e sem os documentos do veículo. Diante do óbvio delito, a agente do Detran Luciana Silva Tamburini informou o juiz que o carro teria que ser apreendido. Houve um entrevero verbal. Segundo Luciana, o juiz, irritado, se identificou como magistrado e deu voz de prisão a ela. O juiz reclama que a agente teria dito que ele era ”juiz, mas não Deus”. O caso ocorreu em 2011.

      O desembargador José Carlos Paes, da 14a. Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Estado do RJ, condena agora Tamburini a pagar R$ 5 mil ao juiz, por ter ”desafiado a própria magistratura e tudo o que ela representa”.

      Antes que alguma idéia de se conceder um auxílio-divindade a juízes pegue, manda a lógica concordar que o respeito deve pautar – em mão dupla – a relação entre agentes que trabalham para fazer valer a lei e magistrados que têm o dever de defender o primado da lei. Assim como a relação entre qualquer cidadão e qualquer autoridade.

      Mas manda a sensatez que se modernize o conceito de ”autoridade”, em uma sociedade já farta de carteiradas. Antes que seja condenado à morte o respeito da população pela sua Justiça.

      Vejamos o caso da Suécia, por exemplo.

      Neste país escandinavo, não existe autoridade pública. O que existe é servidor público.

      Juízes, políticos, militares, funcionários públicos de alta patente – ninguém está acima de nenhum outro cidadão, e ninguém tem direito a tratamento diferenciado. As leis e os bafômetros são iguais para todos.

      A régia exceção é o velho rei, com seu privilégio de dias contados: nem a Rainha Silvia, nem a herdeira da Coroa sueca e nem seus irmãos são imunes aos apitos dos guardas de trânsito e aos rigores da Justiça.

      Assim foi que, sem medo de exercer seu ofício, um guarda parou no trânsito a princesa Madeleine, irmã da herdeira da Coroa, quando ela dirigia um Volvo XC 60, da frota real, na faixa reservada aos ônibus no centro de Estocolmo. Madeleine tinha pressa: faltavam quatro dias para o seu casamento com um plebeu americano, e pela lei aquele evento de grandeza real dava permissão especial aos carros da Corte de trafegar na faixa exclusiva. Mas o agente de trânsito desconhecia a tal permissão, e a punição foi diligentemente aplicada naquele verão de 2012.

A princesa foi multada por usar a faixa de ônibus
     “Já estamos emitindo uma multa no valor de mil coroas suecas (cerca de R$ 345)”, disse o policial Lars Lindholm.

      Consumado o fato, Madeleine seguiu seu caminho. Coube então ao porta-voz da Corte lembrar à polícia a permissão especial que dá de fato aos carros da frota real o direito de dirigir na faixa reservada a ônibus em ocasiões extraordinárias, como dias de visita oficial ao país. E o casamento real de Madeleine, com a chegada de centenas de aristocratas e autoridades estrangeiras à capital sueca, configurava uma dessas ocasiões especiais.

      “A princesa não tentou alegar nenhum tipo de imunidade”, destacou o porta-voz.

      “Devido às circunstâncias especiais deste caso, a multa será retirada”, comunicou então o porta-voz policial Hans Brandt.

      Madeleine livrou-se assim, no último minuto, da multa policial.

      Mas não faltam exemplos, na Suécia, de punições exemplares a “autoridades” públicas.

      Em 2010, o deputado Sture Andersson, do Partido do Centro (Centerpartiet), foi parado pela polícia na cidade de Skellefteå quando dirigia seu carro sob efeito de álcool. Como manda a lei, soprou o bafômetro. O teste constatou que Sture tinha naquele momento um nível de álcool no sangue de 1,64% - muito acima do limite máximo de 0,02% estabelecido pela lei sueca. A punição: o político foi condenado a um mês de prisão, além do pagamento de multa de 37 mil coroas suecas (cerca de R$12,8 mil) e das custas processuais.

      Sture tentou apelar da decisão junto ao Supremo Tribunal da Suécia. Sem resultado: o Supremo confirmou a sentença, e o deputado foi para o xadrez.

      Em 2012, a polícia abordou um juiz durante uma blitz na região de Växsjö, e pediu que ele soprasse o bafômetro. O teste acusou 0,58% de álcool no sangue. Imediatamente, o policial confiscou a carteira de habilitação do juiz, que também foi condenado a pagar multa de 30 mil coroas suecas (cerca de R$10,3 mil).

      São vários os casos de autoridades que, na Suécia, são tratadas como qualquer cidadão. Horror, horror.

      Em 2010, o próprio chefe regional da polícia, jurista e reitor da Escola Nacional da Polícia Sueca, Göran Lindberg, foi preso e condenado a seis anos de prisão, por crimes sexuais.

      “O problema no Brasil é que ainda existe uma inversão de valores sobre o que é ser uma autoridade pública”, diz o policial brasileiro Gustavo Fulgêncio, que desde 2007 trabalha na divisão internacional da polícia sueca.

      “A autoridade pública brasileira não quer aceitar o fato de que a autoridade da qual ela está imbuída vem dos cidadãos, e que por isso ela deve trabalhar para o povo. Este é o sentido democrático de autoridade. É o povo que paga o meu salário, então eu trabalho para o povo. No Brasil, ainda sobrevive o conceito de que a autoridade está acima dos cidadãos: ’agora eu sou uma autoridade, e você está abaixo de mim´”, observa o policial, que é também aluno do curso de Ciências Políticas da Universidade de Estocolmo.

      Casos como o episódio do juiz-que-não-é-deus jamais aconteceriam na sociedade sueca, diz Gustavo, que antes de chegar à Suécia no ano 2000 trabalhou dez anos na polícia militar de Pernambuco:

      “Este tipo de situação não acontece por aqui. E se um juiz ou um político sueco se recusassem a soprar o bafômetro, por exemplo, nós os levaríamos diretamente à delegacia para fazer o exame de sangue”.

     “A lei aqui é para todos”, destaca o policial brasileiro, com a devida ressalva à exceção do rei.

      Pela lei sueca, o rei Carl XVI Gustaf deveria ter permanecido na cena do acidente de trânsito em que se envolveu, a fim de realizar o teste do bafômetro – esta é a norma para todos os cidadãos.

      “O rei deveria ter feito o teste a fim de dar o exemplo, apesar de ser o único que não é obrigado a cumprir esta norma”, disse o funcionário do Vägverket (Departamento de Trânsito sueco) Hans Laurell à época do acidente, ocorrido em 2005.

      Abordado pelo repórter do Expressen sobre o bafômetro, o soberano optou pela fleuma e o silêncio real. O jornal estampou em sua manchete: ”O Rei deveria ter soprado o bafômetro”. E ninguém foi processado, nem condenado, por abuso ou desrespeito ao Chefe de Estado sueco.

      No Brasil, o êxito da “divina vaquinha”, a campanha virtual organizada com a hashtag #juiznaoehdeus# a fim de coletar doações para o pagamento da multa imposta à agente do Detran, é um recado claro de que a sociedade está mais atenta aos seus direitos: ao lidar com o cidadão, a autoridade pública também precisa saber com quem está falando.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Giclée - por Bob Barker (chelmerfineart)

Gilmar Mendes, o Lobão do STF - por Laura Capriglione (Yahoo!)

     Por mais uma dessas descomposturas a que o país parece estar se acostumando, agora é o ministro Gilmar Mendes quem vem apresentar seu soco inglês no corredor polonês pós-eleitoral. Em vez da contenção e do aprumo que esperaria quem não o conhecesse, “avisou e denunciou” que o STF(Supremo Tribunal Federal) corre o risco de se tornar uma “corte bolivariana" com a possibilidade de governos do PT nomearem 10 de seus 11 membros a partir de 2016.

     Trata-se de uma aleivosia. Irresponsabilidade sem fim.

     Quando os 2.500 nostálgicos da Ditadura saíram em passeata por São Paulo, clamando pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, legitimamente eleita pela maioria dos brasileiros, de Gilmar Mendes não saiu um só arrufo em defesa da democracia. Em vez disso, ele agora surge para ajudar a agitar o espantalho de um tal “bolivarianismo”, como se o Brasil estivesse prestes a se converter em uma ditadura de esquerda.

     Está em companhia de gente como Lobão e Eduardo Bolsonaro, deputado federal eleito por São Paulo (PSC), que em discurso disse que se seu pai, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), fosse candidato a presidente, ele teria “fuzilado” a presidente. Preparado para isso o filho já mostrou que está: compareceu ao ato com uma pistola enfiada no cinto, como se no faroeste vivesse.

     Isso pode?

     Entre outras delicadezas, a turma implorou pela “intervenção militar”, mandou “Dilma para a Cuba que a pariu”, ameaçou petistas que encontrou pelo caminho. Nem o CQC, a Rede Globo, a “Folha de S.Paulo” ou “Estadão” escaparam. E, sempre muito bem educadinha, a malta carregou faixa com os dizeres: “Pé na bunda dela. O Brasil não é a Venezuela.” Ela, no caso, é a presidente, uma senhora de 66 anos, diga-se.

     Maus perdedores existem no gamão, no futebol, no bingo. E nas eleições.

     Contê-los é tarefa de quem tem interesse em ver o jogo –no caso, o democrático—prosseguir.

     Eis por que é simplesmente repugnante ver um ministro da mais alta corte do Brasil repetir palavras-de-ordem que são um chamamento à ruptura do Estado Democrático e de Direito.

     Como o ministro Gilmar Mendes sugere que se evite “a possibilidade de governos do PT nomearem 10 dos 11 membros” do STF? Cassando o direito de a presidente fazê-lo é uma das respostas. Cassando a própria presidente é outra. Estendendo a idade-limite para a aposentadoria dos ministros, dos atuais 70 anos para 75 anos, é outra.

     Em todos os casos, o que se pretende é ganhar no tapetão a eleição que se perdeu nas urnas.

     O descalabro da entrevista que o ministro Gilmar Mendes deu à “Folha de S.Paulo” e publicada na segunda-feira (03/11) não fica nisso. Ofendeu os demais membros do STF ao falar sobre os riscos de a mais alta instância do Judiciário se transformar em uma “corte bolivariana”, sugerindo que todos se curvariam mansamente aos ditames do Executivo.

     Convenientemente, ele esqueceu-se de que no julgamento do mensalão foi um tribunal formado em sua maioria por ministros indicados por petistas o que condenou a antiga cúpula do PT…

     Não há nada, contudo, que demova o agitador. Para demonstrar sua tese, Gilmar Mendes sacou a história do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no Brasil a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão. Pizzolato, como se sabe, ante a condenação, simplesmente fugiu para a Itália, onde por fim foi capturado.

     Segundo Gilmar Mendes, exemplificando o risco do tal “bolivarianismo”, “já tivemos situações constrangedoras. Acabamos de vivenciar esta realidade triste deste caso do Pizzolato” [refere-se ao fato de a Justiça italiana ter negado a extradição dele para cumprir pena no Brasil pela condenação no mensalão].

     Em seu afã de defender o indefensável, o ministro também atacou a Justiça italiana, ao acusá-la de tomar suas decisões movida por interesses alheios ao estrito cumprimento da lei. Seria “bolivariana” também a Justiça de lá? Nem Bolsonaro ousou tanto.

     Se fosse pouco, Gilmar Mendes ainda se deu ao desfrute de comentar um caso que se encontra em fase de investigação, atropelando todos os ritos processuais. “Enquanto estávamos julgando o mensalão já estava em pleno desenvolvimento algo semelhante, talvez até mais intenso e denso, isso que vocês estão chamando de Petrolão. É interessante, se de fato isso ocorreu, o tamanho da coragem, da ousadia.”
     
     Um apresentador de programa sensacionalista não faria diferente.

     Por fim, como nunca poderia se tivesse o mínimo de apreço pela liturgia do cargo que ocupa, Mendes partiu para o bate-boca mais baixo, acusando o ex-presidente Lula de não ser um abstêmio: Será que ele “passaria no teste do bafômetro?”, indagou. Lula, para quem não sabe, não concorreu a nenhum cargo eletivo, não atropelou ninguém e nem sequer dirige automóveis.

     Convenhamos, o Brasil merecia bem mais do que um ministro Lobão no STF.

domingo, 2 de novembro de 2014

Fotografia noturna - por Mikko Lagerstedt (Site homônimo)

Os filhos da mídia foram protestar na Paulista - por Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Louca cavalgada
     Os filhos da mídia foram neste sábado para as ruas protestar contra, bem, contra sei lá o quê.

      Contra terem perdido nas urnas e, portanto, contra a democracia.

     Disse “filhos”, mas poderia ter dito “vítimas”.

      Porque em sua louca cavalgada antidemocrática eles foram intoxicados mentalmente pelo que a mídia deu nestas últimas semanas.

      Eles pareciam saídos das páginas da Veja e dos comentários de gente como Jabor.

      Pediam o impeachment de Dilma pelo caso Petrobras.

      São os efeitos colaterais da capa criminosa que a Veja deu às vésperas das eleições.
     Os manifestantes da Paulista tomaram aquilo como uma verdade indiscutível.

      Isso mostra que é necessário aplicar uma punição exemplar à Veja. É uma tentativa de golpe branco fazer o que a revista fez – sem uma única prova – em cima de uma eleição tão disputada.

      A Veja tem que enfrentar – rapidamente — as consequências do que fez. Ou vamos esperar que um lunático, inspirado pela revista, comece a matar petistas?

      A mídia está também por trás do disparatado pedido de auditoria de votos feito pelo PSDB.

      Os tucanos só fizeram isso por saberem que têm as costas quentes com a imprensa. Ou então se refreariam antes de atentar contra as instituições com um pedido tão esdrúxulo.

      As dúvidas não resistem a um minuto de reflexão. Considere. O Datafolha deu, na véspera, 52% a 48% para Dilma. A diferença ficou nos decimais: 51,64% versus 48,36%.

      A desconfiança nasce também, assinale-se, de trapaças do PSDB não devidamente cobradas pela mídia.

      Aécio usou dados enganosos de uma pesquisa do instituto Veritás que lhe dava ampla vantagem em Minas, onde perdera no primeiro turno.

      O dono do Veritás avisou que era um erro, ou crime, utilizar os números que Aécio brandiu publicamente, nos debates, contra Dilma. O estatístico também.

      E mesmo assim Aécio não se deteve.

      O que pensa um fanático antipetista quando vê uma coisa dessas? Num dia, numa pesquisa, seu candidato está ganhando amplamente em Minas. No dia seguinte, no mundo real, o candidato perde.

      Farsa, é a conclusão.

      E a frustração se converte em raiva depois que analistas afirmam que Aécio perdeu a presidência por causa dos votos que não teve em Minas.

      Manifestações como a de hoje mostram como a sociedade está sendo agredida por uma mídia interessada apenas na manutenção de seus formidáveis privilégios.

     Pensava-se que o ataque da mídia à democracia cessaria com as eleições.

      Não cessou.

      É hora de o Estado proteger a democracia, antes que seja tarde demais.