sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Xadrez da financeirização de Trump a Temer - por Luis Nassif

Não aposte no fracasso de Donald Trump. Esse americano truculento, primário, grosseiro, tem trunfos na manga para algumas mudanças fundamentais, que poderão relançar a economia norte-americana.
Poderá ser um Franklin Delano Roosevelt às avessas. Enquanto Roosevelt salvou a economia norte-americana brandindo o discurso da solidariedade, valendo-se do triunfo econômico para consagrar a democracia, Trump poderá trazer de volta o dinamismo aos EUA e consagrar a intolerância e o voluntarismo como fator determinante.
Como é uma questão intrincada, vamos por partes para compor o nosso xadrez.

Peça 1 – a financeirização no século 19

No século 19 há a internacionalização do sistema financeiro mundial, comandando a globalização do período. Instituiu-se o livre fluxo de capitais e montou-se uma articulação entre o Banco da Inglaterra e demais bancos centrais, deles para com os financistas dos países periféricos, visando conseguir o máximo de vantagens para o capital.
No início, o padrão ouro impedia jogadas especulativas mais profundas. Mas ficava a liquidez global dependendo dos humores do Banco da Inglaterra. Bastava o banco subir suas taxas para enxugar o ouro dos demais países e, consequentemente, obrigá-los a restringir as moedas em circulação - que tinham o ouro como lastro.
Essas restrições levaram ao abandono gradativo do padrão ouro, substituído pelo papel moeda e pela desregulação total dos mercados. E, aí, bolhas especulativas passaram a explodir em várias partes do planeta.

Peça 2 – os principais personagens da financeirização

O jogo político dos grupos financeiros dava-se através dos seguintes personagens, que descrevo em meu livro "Os Cabeças de Planilha":
1. O financista interno, que faz o meio campo entre os capitalistas nativos e o meio político e a ponte com o sistema bancário inglês.
2. O economista, subordinado ao financista, que se apresenta como o portador da nova ciência mundial, capaz de fazer os países atrasados se desenvolverem.
De posse desses dois ativos - recursos financeiros e a plataforma política embasada no discurso do economista -, o financista monta os pactos internos, com políticos e partidos..
3. O terceiro personagem é o político, presidente ou Ministro da Fazenda.
4. A mídia, influente nos centros de poder, mesmo para um país com apenas 5% de alfabetizados. Foi através dos jornais que Rui Barbosa ganhou sua primeira vitrine, combatendo os planos de remonetização da economia do gabinete de Ouro Preto, o último Ministro da Fazenda do Império.
Deposto o Imperador, o primeiro presidente (golpista) Marechal Deodoro da Fonseca convida Rui para Ministro da Fazenda. Sua primeira atitude foi retomar o plano de remonetização da economia, mas aí escolhendo o seu banqueiro, o Conselheiro Mayrink, espécie de Daniel Dantas da época, banqueiro sem capital que passa a controlar a emissão de moeda no país.
O resultado final são bolhas especulativas, tacadas financeiras de Rui e seus sócios e movimentos voláteis do câmbio que impedem a consolidação de qualquer tentativa de estabilidade e de industrialização. O país vai se arrastando até os anos 30.
Foi só após mais uma moratória, no início dos anos 30, o governo Vargas encontrou força para proibir definitivamente o livre fluxo dos capitais. Sem ter como se movimentar, esses capitais desceram ao reino da terra, financiando indústrias e novos empreendimentos. O Brasil começava a nascer ali.
Peça 3 - a 2a Guerra e os regimes que venceram o financismo
Essa hegemonia massacrante do capital produziu concentração de renda por todas as partes, dificultou a ascensão econômica de países, produziu conflitos comerciais e se encerrou com a Primeira Guerra Mundial. Ganhou uma sobrevida até a crise de 1929. E foi sepultado no pós-Segunda Guerra.
Os abusos do financismo lançaram um manto de descrédito sobre o sistema democrático em todo mundo. Percebeu-se que as democracias deixavam países desarmados, ante a influência do dinheiro nas eleições, através da parceria de capitalistas locais com os internacionais e com políticos locais, deixando o país indefeso ante o capital predador.
Em três frentes houve o rompimento com a financeirização. Na Europa, com a ascensão do nazifascismo. Na Eurásia, com a ascensão do comunismo. Nos Estados Unidos, com a new deal de Roosevelt e seu plano de grandes obras públicas.
Nos três casos, os países se transformaram em potências econômicas. Mesmo a Alemanha, com as enormes dívidas de guerra, encontrou alternativas criativas que lhe permitiram adquirir matérias primas e retomar o crescimento.
A decisão sobre o melhor regime se deu nos campos de batalha.  Com a vitória dos aliados, se consolida o modelo democrático de mercado norte-americano e o comunismo soviético.
O mundo se reorganiza em torno de novas instituições, disciplinam-se os fluxos de capitais com um novo modelo cambial e criam-se instituilções para promover o desenvolvimento nas regiões mais pobres e amparar países com problemas de solvência.

Peça 4 - o neoliberalismo e os desequilíbrios sociais

As lições da Guerra encerram-se em 1972. O presidente norte-americano Richard Nixon promove a desvinculação do dólar com o ouro, reinstaurando o primado da financeirização global.
Gradativamente a desregulação financeira vai estendendo o manto da financeirização sobre os diversos países, impulsionada pelas mudanças tecnológicas e pela falência dos modelos centralizados de planejamento. Atinge o auge com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. E não para.
As bolhas especulativas se sucedem. À bolha da prata no início dos anos 80, se sucedem as bolhas do mercado imobiliário nova-iorquino, no final dos anos 80, a bolha das montadoras, as bolhas cambiais que balançam da Inglaterra ao México, da Coreia ao Brasil, as bolhas de empresas de tecnologia. E, à frente do FED (o Banco Central norte-americano), um acadêmico, Alan Greenspan, sendo enaltecido como gênio das finanças, capaz de controlar todas as bolhas e garantir a prosperidade eterna.
O sistema financeiro passa a reciclar recursos de potentados árabes, empresários japoneses, do narcotráfico, da corrupção política e empresarial. E consolida-se valendo-se da adesão ampla com o meio acadêmico, especialmente os economistas, desenvolvendo teorias cada vez mais despregadas da realidade, visando iludir eleitores – com o bordão da “lição de casa” – e preservar os ganhos do capital.
E também se beneficia com a adesão incondicional da mídia, tanto norte-americana quanto de outros países.

Peça 5 – os efeitos da crise de 2008

Nas eleições de 2008, a mídia foi unanimemente anti-Obama. Agora, anti-Donald Trump. O que ambos têm em comum? Certamente, não as posições morais, um Obama libertário e um Trump troglodita, mas a crítica ao sistema financeiro e a ameaça ao reinado do financismo.
Mesmo assim, o financismo logrou preservar seu poder político. Quando veio a crise de 2008, um pesado manto ideológico fez com que as ações de salvamento focassem o sistema bancário, em detrimento dos demais gastos públicos, inclusive dos devedores. Mais que isso, impôs cortes fiscais draconianos em economias que afundavam, ampliando ainda mais a recessão. Desmontou estados nacionais.
Tudo isso levou a uma enorme reação global contra o sistema, basicamente o modelo financista que gerou concentração de renda, entregou a maior crise desde 1929, e ainda arrebentou com os orçamentos nacionais.
Mais que isso, a globalização das corporações promoveu a precarização do trabalho, a redução do emprego. No próprio país sede da financeirização, a lógica do capital atropelou a lógica nacional. E tudo isso era revestido por um pretenso cientificismo.
O ponto que une todas as ações antiglobalização, portanto, não é a xenofobia, o racismo explícito – presente em grupos de ultradireita e no discurso de Trump -, mas a crítica a essa financeirização.
O mundo racional, cartesiano, intelectual, obedecia a um pêndulo que ora gerava políticas mais nacionais, ora políticas mais internacionalizantes. Com os exageros de mercado, nos Estados Unidos a bola da vez caiu no colo da malta, tangida por discursos racialistas.

Peça 6 - o desafio de Trump

A subordinação total à financeirização, criou uma falsa ciência, com tantos absurdos, que bastará romper com seus dogmas para revitalizar as economias.
Há uma grande possibilidade da política econômica de Trump ser bem-sucedida, se romper de vez com a financeirização. Caso comprometa o orçamento público com investimentos pesados em infraestrutura, práticas industriais protecionistas e outros recursos antiglobalização, conquistará uma vitória maiúscula para seu país, e problemas para o resto do mundo.
Se vingarem suas propostas de política externa, reduzirá drasticamente as intervenções norte-americanas no mundo, principais responsáveis pelas guerras e pelos êxodos globais.
A eventualidade de seu sucesso ampliará as práticas protecionistas por todo o planeta. E Trump poderá ser o grande inspirador dos racistas, xenófobos, intolerantes por todos os pontos do planeta.
O modelo do cowboy solitário que se impõe, pela vontade, sobre partidos políticos e sobre o sistema será um referencial perigosíssimo para os avanços dos direitos sociais.

Peça 7 - o neoliberalismo à brasileira

No Brasil, no momento em que se resolvesse a questão da dívida pública e dos juros pagos pelo Tesouro, a recuperação da economia seria questão de meses. A política monetária do Banco Central, 14% de taxa básica de juros para uma economia que amarga a maior depressão da história, não é apenas um erro de análise: é crime. Se um dia houver um tribunal para julgar os grandes crimes financeiros da história, não isentará um dirigente de BC brasileiro desde Francisco Gros a Ilan Goldjan – o criador da planilha das metas inflacionárias.
Mais que isso, o eventual sucesso de Trump poderá demonstrar que o sistema de freios e contrapesos das democracias acabou criando freios demais, tornando as democracias disfuncionais e exigindo o estadista capaz de atropelar leis, constituição, separação de poderes.
E o maior exemplo da crise da democracia está aqui mesmo, com um Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luis Roberto Barroso, defendendo o estado de exceção, um mero procurador do Tribunal de Contas definindo políticas fiscais, um juiz de primeira instância e procuradores regionais atropelando direitos básicos, em cima do vácuo do Supremo. E, principalmente, um golpe que resultou na ampliação da falta de rumo, das benesses financeiras em um momento em que a potência hegemônica do capitalismo financeiro diz não.
A eleição de Trump é o ponto de não retorno. O que virá daqui em diante é uma incógnita ampla, que passa pelo reposicionamento estratégico da China, pela maneira como a União Europeia irá se comportar, pelos impactos sobre o comércio global e, principalmente, sobre as maneiras como a democracia irá se modificar, para ser preservada. 
E, em todos os campos institucionais, o Brasil irá para essa guerra armado com personalidades públicas de pequena dimensão, Michel Temer, Eliseu Padilha, Geddel, Henrique Meirelles, José Serra, FHC, Luis Roberto Barroso, Rodrigo Maia, Carmen Lucia, Rodrigo Janot, nenhum à altura dos grandes desafios que se apresentam em seus campos.
Aumentam as possibilidades de uma solução bonapartista em 2018.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Fotografia - por Emmanuel Smague (photographyandcoffee)

O ano que parece não acabar (Um roteiro para Hillary)

     De fato, parece que o ano de 2016 não acabará nunca.
     A discrição, a educação, a fineza, são características básicas de uma pessoa que ocupa cargo diplomático de qualquer país. José Serra, este que como ministro das relações exteriores parece ter especial apreço pela Suíça (Odebrecht manda lembranças), perpetrador de peripécias múltiplas, em sua rematada imbecilidade conseguiu a proeza de dizer qual deveria ser o candidato que os norte-americanos deveriam eleger.
     As pérolas que Serra soltou são impressionantes: “não acho que vai acontecer (a eleição do Trump)… Não pode acontecer”. Mas isto foi pouco perto de “É preciso ser muito masoquista para ficar imaginando que o Trump vá ganhar”. Em outro momento, classificou sua possível eleição como um “pesadelo”. 
     Esta não é uma opinião irresponsável dita num bar, mas devido ao posto que inexplicavelmente ocupa, representa a opinião do país. Para quem é o chefe do Itamaraty, fina flor do funcionalismo público brasileiro, local onde habitualmente se encontram pessoas do mais alto profissionalismo e distinção, atacar candidato que disputa eleições majoritárias de outro país (e logo qual), é um absurdo, é de uma imbecilidade, de uma ignorância tão extravagantes que só mesmo um completo sem noção como José Serra poderia cometer. Defender a eleição da Hillary já seria inconveniente – mas atacar Trump é, de fato, inconcebível para quem ocupa tal cargo de tal envergadura.
Sem medo do ridículo
      Como se não bastasse se imiscuir nas eleições de outra nação, Serra ainda apoiou a candidata que veio a ser derrotada.
     Mas um dos momentos mais patéticos e inimagináveis do ministro foi o transcrito ao lado pela BBC Brasil. 
     Justamente ele, José Serra, que é membro de um partido que foi derrotado nas últimas eleições presidenciais dizer algo assim é, de fato, não ter medo do ridículo.
     De maneira estapafúrdia e inacreditável, o partido da candidata que venceu as eleições no Brasil, hoje, pasmem, é oposição. Quem perdeu, é governo. Não precisa explicar, eu só queria entender, era um bordão de um humorista brasileiro em anos idos.
     Não bastassem todos os outros argumentos, com apenas esse, provar-se-ia que houve – mais – um golpe no Brasil.

     Na verdade, ao invés de proferir estas tolices, José Serra poderia aproveitar o momento e dizer algumas palavras à candidata que ele apoiou (!), deveria dizer à Hilary (que, no fim das contas, teve mais votos que Trump) como perder uma eleição e ainda assim ganhar um governo. 
     Aqui nós podemos ajudá-lo a sistematizar um pequeno roteiro de quais seriam os conselhos a serem dados por este grande ministro à candidata derrotada nas eleições presidenciais americanas. Nele, Serra poderia descrever o que fizeram os partidos de direita – capitaneados pelo PSDB e seus reboques (DEM, PPS, etc.) – no Brasil para inverter o resultado das eleições:

1) Insuflam um clima de ódio durante anos no país, desde o início do governo Lula – fato que se agrava no governo Dilma. 
2) Ao serem derrotados pela quarta vez seguida, primeiramente dizem que houve fraude nas eleições (mas, pasmem, não nas eleições paulistas).
3) Contratam uma “auditoria independente” para verificar se o resultado foi legal. A auditoria conclui o oposto que o PSDB afirmara, diz que o resultado apontado pelo TSE foi o correto. 
     Ainda assim, não se deve descansar ante o ridículo, interessa jogar um mar de sombras sobre o resultado e manter a “fervura”.
4) Os derrotados pedem então a cassação da chapa vencedora.
5) Não bastasse a política neoliberal de Levy/Barbosa/Tombini, a seca que se arrasta por anos, a crise econômica internacional e a consequente queda no preço dos produtos primários que o Brasil exporta, a crise política ainda contribui para piorar quadro econômico brasileiro. O resumo da estratégia da direita brasileira, adotada diuturnamente foi o “quanto pior, melhor”.
6) Grandes democratas que são, os fascistas brasileiros (vulgo coxinhas) já defendiam o impeachment desde o próprio dia da derrota. Porém, passam a fazê-lo de maneira mais descarada e formal, vitaminando-se com o vasto apoio da mídia conservadora.
     Vê-se pela primeira vez na história desde a 
--> marcha com Deus, pela família e liberdade, protestos que não são criminalizados pela mídia tupiniquim, ao contrário, são insuflados. Como se lutava por privilégios para uma elite e não direito para trabalhadores e estudantes, chegou-se ao cúmulo de parar eventos esportivos para ampliar artificialmente a cobertura das manifestações e vitaminar seu tamanho. Hoje, passado o momento, voltou-se a criminalizar todo protesto orgânico – os estudantes que heroicamente ocupam escolas e universidades, por exemplo, são tratados como marginais.
7) Os golpistas são os maiores cabos eleitorais para a eleição do chefe de quadrilha Eduardo Cunha (¡quanta responsabilidade!) no terceiro posto da sucessão presidencial – na expectativa que ele deflagrasse o impeachment (como de fato veio a fazer).
     Meses depois, Cunha vem a ser acusado de quebra de decoro e, três horas depois de a bancada do PT decidir votar pela admissibilidade do processo de cassação dele na CCJ, ele retalia abrindo o processo de impeachment. 
     Assim é que devem ser feitas as coisas, sem preocupações maiores de disfarçar que um impeachment se inicia por uma vendeta pessoal, capitaneado por um chefe de quadrilha apoiado pelos golpistas.
8) A direita financia grupos “apartidários” de caráter despudoradamente nazifascista e antinacional como MBL, Revoltados On-line e que tais.
9) A direita insufla uma crise política de gravíssimas proporções. Por conta da crise política que eles mesmos geraram, defendem que Dilma renuncie (?).
10) Com algum fôlego conseguido pelo governo (não tenho capacidade de me esquecer da estultice e inabilidade política inacreditáveis de Dilma dizendo que 
--> a reforma da previdência preocupava mais o governo do que o impeachment), os partidecos de direita voltam a atacar pela cassação da chapa. Para tanto utilizam-se do representante-mor do fascismo nos tribunais brasileiros, indivíduo abjeto que ocupa cargo no TSE e no STF – é desnecessário nominá-lo, todos sabem a quem me refiro.
11) Como o impeachment dá uma resfriada no final do ano, a direita volta a defender que Dilma renuncie.
12) Na volta do congresso, decidem reativar o impeachment. Tucanos e afins barganham com Eduardo Cunha sua cabeça pela da Dilma.
13) As bestas-feras da direita, muito preocupadas com os destinos do país, anunciam que não votarão mais nada antes de aprovarem o impeachment. Tendo maioria no congresso, fazem com que o legislativo pare e agravam a crise política.
14) Às exceções a esta paralisação são as “pautas bombas”, aprovadas pelo congresso com o voto decisivo dos conservadores, piorando a crise econômica – que, por si, contribuirá para a queda da Dilma (nunca se esquecendo que ela fez sua parte para agravá-la, nomeando a trupe neoliberal para o BC e a fazenda).
15) Mesmo com a derrota no plebiscito de 1993 (¿quem se importa com resultado de eleições?), os fascistas tupiniquins passam a defender a deposição de Dilma com a subsequente adoção do sistema parlamentarista no país (?). Como tem maioria no congresso, conseguiriam o comando do governo.
     Esta foi só uma das múltiplas hipóteses golpistas aventadas e malogradas – mas uma teria que dar certo.
16) O discurso de ódio prossegue ininterruptamente durante todo o tempo, insuflando a classe média mal-informada (e por conseguinte deformada) e vitaminando seus protestos de brancos.
     Como não poderia deixar de ser, a Rede Globo, histórica defensora da democracia no Brasil (¡rá!), é a maior apoiadora dos protestos. 
     ¿Quem pode se esquecer dos patéticos panelaços contra a corrupção (que, ironicamente, nunca se deram contra o próprio Serra e sua continha na Suíça, FHC ou Eduardo Cunha)?
¿Qual é pior?
     Diga-se de passagem, da mesma maneira que cá, um agressivo e hipócrita discurso contra a corrupção, daqueles que faz a baba escorrer pelo queixo, foi feito contra Hillary (apelidada reiteradamente nesses ataques de Killary).
17) Por fim, a soma de todos estes fatores: um governo fraco, uma governante politicamente inepta e despreparada para posto de tal envergadura, a imprensa marrom uníssona em seu discurso bandido, uma oposição fascista e suicida, um povo mal informado, o partido do governo envolvido em sequenciais e verazes denúncias de corrupção, uma megaoperação da PF com nítidos contornos partidários e abundantes vazamentos (ilegais, sempre é bom lembrar) para esta mesma mídia corrompida, uma crise econômica de graves proporções (com responsabilidades internas e externas), enfim, com todos estes elementos somados, consegue-se derrubar uma pessoa eleita.
     Aliás, consegue-se até, pasmem, em nome do combate a corrupção, substituir uma pessoa honesta por um bando de corruptos.
18) Para a votação da cassação da chapa no TSE, de repente, como que num passe de mágica, aproveitando-se do fascista lá instalado, chapa não é mais chapa. Chapa agora passa a ser uma pessoa só (?). Se houve O exército de um homem só de Moacyr Scliar (posteriormente título de bela música dos Engenheiros do Hawaii), ¿por que não poderia haver a chapa de uma pessoa só?

     Este é um pequeno roteiro para o grande patriota José Serra ensinar a Hillary como perder uma eleição e ainda assim ganhar o governo. 
     Ele ainda poderia finalizar seus conselhos para Hillary da mesma maneira que alguns recadinhos são dados nas redes sociais: #ficaadica.


P.S.: Dilma deveria ter cumprido sua palavra e adotado uma política econômica de esquerda consoante ao que prometera na campanha – e não praticado um dos maiores embustes eleitorais da história, nomeando um neoliberal e legando um desastre econômico ao país. Dilma poderia até ter caído adotando uma política econômica de esquerda, mas teria caído em pé e seria julgada benevolamente pela história da mesma maneira que João Goulart. 
     Outrossim, de maneira similar, já que era para o partido democrata cair, teria sido muito melhor cair em pé com Bernie Sanders.
-->