quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O ano que parece não acabar (Um roteiro para Hillary)

     De fato, parece que o ano de 2016 não acabará nunca.
     A discrição, a educação, a fineza, são características básicas de uma pessoa que ocupa cargo diplomático de qualquer país. José Serra, este que como ministro das relações exteriores parece ter especial apreço pela Suíça (Odebrecht manda lembranças), perpetrador de peripécias múltiplas, em sua rematada imbecilidade conseguiu a proeza de dizer qual deveria ser o candidato que os norte-americanos deveriam eleger.
     As pérolas que Serra soltou são impressionantes: “não acho que vai acontecer (a eleição do Trump)… Não pode acontecer”. Mas isto foi pouco perto de “É preciso ser muito masoquista para ficar imaginando que o Trump vá ganhar”. Em outro momento, classificou sua possível eleição como um “pesadelo”. 
     Esta não é uma opinião irresponsável dita num bar, mas devido ao posto que inexplicavelmente ocupa, representa a opinião do país. Para quem é o chefe do Itamaraty, fina flor do funcionalismo público brasileiro, local onde habitualmente se encontram pessoas do mais alto profissionalismo e distinção, atacar candidato que disputa eleições majoritárias de outro país (e logo qual), é um absurdo, é de uma imbecilidade, de uma ignorância tão extravagantes que só mesmo um completo sem noção como José Serra poderia cometer. Defender a eleição da Hillary já seria inconveniente – mas atacar Trump é, de fato, inconcebível para quem ocupa tal cargo de tal envergadura.
Sem medo do ridículo
      Como se não bastasse se imiscuir nas eleições de outra nação, Serra ainda apoiou a candidata que veio a ser derrotada.
     Mas um dos momentos mais patéticos e inimagináveis do ministro foi o transcrito ao lado pela BBC Brasil. 
     Justamente ele, José Serra, que é membro de um partido que foi derrotado nas últimas eleições presidenciais dizer algo assim é, de fato, não ter medo do ridículo.
     De maneira estapafúrdia e inacreditável, o partido da candidata que venceu as eleições no Brasil, hoje, pasmem, é oposição. Quem perdeu, é governo. Não precisa explicar, eu só queria entender, era um bordão de um humorista brasileiro em anos idos.
     Não bastassem todos os outros argumentos, com apenas esse, provar-se-ia que houve – mais – um golpe no Brasil.

     Na verdade, ao invés de proferir estas tolices, José Serra poderia aproveitar o momento e dizer algumas palavras à candidata que ele apoiou (!), deveria dizer à Hilary (que, no fim das contas, teve mais votos que Trump) como perder uma eleição e ainda assim ganhar um governo. 
     Aqui nós podemos ajudá-lo a sistematizar um pequeno roteiro de quais seriam os conselhos a serem dados por este grande ministro à candidata derrotada nas eleições presidenciais americanas. Nele, Serra poderia descrever o que fizeram os partidos de direita – capitaneados pelo PSDB e seus reboques (DEM, PPS, etc.) – no Brasil para inverter o resultado das eleições:

1) Insuflam um clima de ódio durante anos no país, desde o início do governo Lula – fato que se agrava no governo Dilma. 
2) Ao serem derrotados pela quarta vez seguida, primeiramente dizem que houve fraude nas eleições (mas, pasmem, não nas eleições paulistas).
3) Contratam uma “auditoria independente” para verificar se o resultado foi legal. A auditoria conclui o oposto que o PSDB afirmara, diz que o resultado apontado pelo TSE foi o correto. 
     Ainda assim, não se deve descansar ante o ridículo, interessa jogar um mar de sombras sobre o resultado e manter a “fervura”.
4) Os derrotados pedem então a cassação da chapa vencedora.
5) Não bastasse a política neoliberal de Levy/Barbosa/Tombini, a seca que se arrasta por anos, a crise econômica internacional e a consequente queda no preço dos produtos primários que o Brasil exporta, a crise política ainda contribui para piorar quadro econômico brasileiro. O resumo da estratégia da direita brasileira, adotada diuturnamente foi o “quanto pior, melhor”.
6) Grandes democratas que são, os fascistas brasileiros (vulgo coxinhas) já defendiam o impeachment desde o próprio dia da derrota. Porém, passam a fazê-lo de maneira mais descarada e formal, vitaminando-se com o vasto apoio da mídia conservadora.
     Vê-se pela primeira vez na história desde a 
--> marcha com Deus, pela família e liberdade, protestos que não são criminalizados pela mídia tupiniquim, ao contrário, são insuflados. Como se lutava por privilégios para uma elite e não direito para trabalhadores e estudantes, chegou-se ao cúmulo de parar eventos esportivos para ampliar artificialmente a cobertura das manifestações e vitaminar seu tamanho. Hoje, passado o momento, voltou-se a criminalizar todo protesto orgânico – os estudantes que heroicamente ocupam escolas e universidades, por exemplo, são tratados como marginais.
7) Os golpistas são os maiores cabos eleitorais para a eleição do chefe de quadrilha Eduardo Cunha (¡quanta responsabilidade!) no terceiro posto da sucessão presidencial – na expectativa que ele deflagrasse o impeachment (como de fato veio a fazer).
     Meses depois, Cunha vem a ser acusado de quebra de decoro e, três horas depois de a bancada do PT decidir votar pela admissibilidade do processo de cassação dele na CCJ, ele retalia abrindo o processo de impeachment. 
     Assim é que devem ser feitas as coisas, sem preocupações maiores de disfarçar que um impeachment se inicia por uma vendeta pessoal, capitaneado por um chefe de quadrilha apoiado pelos golpistas.
8) A direita financia grupos “apartidários” de caráter despudoradamente nazifascista e antinacional como MBL, Revoltados On-line e que tais.
9) A direita insufla uma crise política de gravíssimas proporções. Por conta da crise política que eles mesmos geraram, defendem que Dilma renuncie (?).
10) Com algum fôlego conseguido pelo governo (não tenho capacidade de me esquecer da estultice e inabilidade política inacreditáveis de Dilma dizendo que 
--> a reforma da previdência preocupava mais o governo do que o impeachment), os partidecos de direita voltam a atacar pela cassação da chapa. Para tanto utilizam-se do representante-mor do fascismo nos tribunais brasileiros, indivíduo abjeto que ocupa cargo no TSE e no STF – é desnecessário nominá-lo, todos sabem a quem me refiro.
11) Como o impeachment dá uma resfriada no final do ano, a direita volta a defender que Dilma renuncie.
12) Na volta do congresso, decidem reativar o impeachment. Tucanos e afins barganham com Eduardo Cunha sua cabeça pela da Dilma.
13) As bestas-feras da direita, muito preocupadas com os destinos do país, anunciam que não votarão mais nada antes de aprovarem o impeachment. Tendo maioria no congresso, fazem com que o legislativo pare e agravam a crise política.
14) Às exceções a esta paralisação são as “pautas bombas”, aprovadas pelo congresso com o voto decisivo dos conservadores, piorando a crise econômica – que, por si, contribuirá para a queda da Dilma (nunca se esquecendo que ela fez sua parte para agravá-la, nomeando a trupe neoliberal para o BC e a fazenda).
15) Mesmo com a derrota no plebiscito de 1993 (¿quem se importa com resultado de eleições?), os fascistas tupiniquins passam a defender a deposição de Dilma com a subsequente adoção do sistema parlamentarista no país (?). Como tem maioria no congresso, conseguiriam o comando do governo.
     Esta foi só uma das múltiplas hipóteses golpistas aventadas e malogradas – mas uma teria que dar certo.
16) O discurso de ódio prossegue ininterruptamente durante todo o tempo, insuflando a classe média mal-informada (e por conseguinte deformada) e vitaminando seus protestos de brancos.
     Como não poderia deixar de ser, a Rede Globo, histórica defensora da democracia no Brasil (¡rá!), é a maior apoiadora dos protestos. 
     ¿Quem pode se esquecer dos patéticos panelaços contra a corrupção (que, ironicamente, nunca se deram contra o próprio Serra e sua continha na Suíça, FHC ou Eduardo Cunha)?
¿Qual é pior?
     Diga-se de passagem, da mesma maneira que cá, um agressivo e hipócrita discurso contra a corrupção, daqueles que faz a baba escorrer pelo queixo, foi feito contra Hillary (apelidada reiteradamente nesses ataques de Killary).
17) Por fim, a soma de todos estes fatores: um governo fraco, uma governante politicamente inepta e despreparada para posto de tal envergadura, a imprensa marrom uníssona em seu discurso bandido, uma oposição fascista e suicida, um povo mal informado, o partido do governo envolvido em sequenciais e verazes denúncias de corrupção, uma megaoperação da PF com nítidos contornos partidários e abundantes vazamentos (ilegais, sempre é bom lembrar) para esta mesma mídia corrompida, uma crise econômica de graves proporções (com responsabilidades internas e externas), enfim, com todos estes elementos somados, consegue-se derrubar uma pessoa eleita.
     Aliás, consegue-se até, pasmem, em nome do combate a corrupção, substituir uma pessoa honesta por um bando de corruptos.
18) Para a votação da cassação da chapa no TSE, de repente, como que num passe de mágica, aproveitando-se do fascista lá instalado, chapa não é mais chapa. Chapa agora passa a ser uma pessoa só (?). Se houve O exército de um homem só de Moacyr Scliar (posteriormente título de bela música dos Engenheiros do Hawaii), ¿por que não poderia haver a chapa de uma pessoa só?

     Este é um pequeno roteiro para o grande patriota José Serra ensinar a Hillary como perder uma eleição e ainda assim ganhar o governo. 
     Ele ainda poderia finalizar seus conselhos para Hillary da mesma maneira que alguns recadinhos são dados nas redes sociais: #ficaadica.


P.S.: Dilma deveria ter cumprido sua palavra e adotado uma política econômica de esquerda consoante ao que prometera na campanha – e não praticado um dos maiores embustes eleitorais da história, nomeando um neoliberal e legando um desastre econômico ao país. Dilma poderia até ter caído adotando uma política econômica de esquerda, mas teria caído em pé e seria julgada benevolamente pela história da mesma maneira que João Goulart. 
     Outrossim, de maneira similar, já que era para o partido democrata cair, teria sido muito melhor cair em pé com Bernie Sanders.
-->

Fotografia - por Audun Rikardsen (site homônimo)

Pai e filho pescando um salmão atlântico em Alta River, Norway

O estranho caso da direita brasileira que não vê Trump como um igual - por Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Doria tem um quadro com Trump na parede, mas nega qualquer semelhança
     Um fenômeno curioso aconteceu com milhares de coxas, de diferentes matizes e graus de falta de noção, com relação à vitória de Donald Trump.

     Muitos lamentaram profundamente o sucedido nos Estados Unidos. “Esse cara representa uma direita quase mongol”, disse uma amiga de minha mulher que marcou presença em todos os protestos na Paulista.

     Trump, segundo ela e amigos que desfilaram ao lado de cavalheiros como Marcello Reis, dos Revoltados Online, é xenófobo, reacionário, extremista, machista, fascista e antidemocrático.

     A mídia segue a mesma batuta. Os comentaristas da GloboNews estavam chocados na noite da eleição americana. Renata Lo Prete chegou a apontar que Hillary Clinton foi atrapalhada, veja só, pelo machismo. Sim, o mesmo argumento utilizado por Dilma e devidamente ridicularizado, mas o que é ruim para Hillary não é ruim para o Brasil.

     O Globo publicou um editorial acusando “retrocesso”. Quem elegeu o empresário foi “o americano branco, de média ou baixa qualificação”. Esse sujeito foi “convencido por Trump de que o inimigo são os outros: países, estrangeiros etc”.

     Segundo o Estadão, “quanto mais Trump era atacado por suas diatribes racistas, misóginas e contra os imigrantes, mais seus eleitores pareciam convencidos de que o magnata era mesmo quem dizia ser”.

     Ora, as milícias que tomaram as ruas pedindo o impeachment eram feitas do quê? De intelectuais gentis? Aquelas senhoras segurando cartazes perguntando “por que não mataram todos em 64” eram o quê?

     E os milhares de mentecaptos gritando que “a nossa bandeira jamais será vermelha” junto a torturadores homenageados em carros de som?

     Trump é acusado, por esse seres superiores, de se vender como apolítico. Ele é um milionário, ex-apresentador de reality show movido a um marketing poderoso. Ok. E João Doria?

     As “diatribes” trumpistas são deploráveis, de acordo com o mesmo jornal que chama petistas de “matilha” e “tigrada”.

     Ele “despreza profundamente a democracia”. E Aécio Neves, Gilmar Mendes, José Serra, entre outros que, minutos depois de derrotados no pleito presidencial de 2014, estavam pregando o impeachment? E o vice Michel que conspirava abertamente? Estes são amantes da democracia?

     Esse caldo vai dar no quê? No Churchill?

     No bojo dessa esquizofrenia patética está embutida uma sensação de que nossa régua é diferente, nossos padrões são próprios e ninguém tasca. São nossas jabuticabas. Nosso excepcionalismo brasileiro moleque.

     No nível doméstico, é o casal que ama pegar o metrô em Nova York, toma ônibus de dois andares em Londres, se acaba de andar de bicicleta em Amsterdã, invade os outlets de Orlando fazendo algazarra — e, por aqui, xinga ciclistas de maconheiros comunistas, reclama das faixas que “roubam espaço” do carro e odeia os pretos que entram no shopping.

     Depois de toda a pilantragem institucional e do lixo que foi destampado, é espantoso que a família tradicional brasileira não reconheça em Trump e seus eleitores o parentesco de primeiro grau.


     Comentário: o mesmo cenário patético havia ocorrido com Mitt Romney e John McCain. A mesma mídia que aqui é - aproveitando as palavras de Kiko Nogueira - xenófoba, reacionária, extremista, machista, fascista e antidemocrática, olha lá pra fora com simpatia por uma posição política de centro. É ridículo.

domingo, 6 de novembro de 2016

Alpes de Algovia, Bavária, Alemanha - por Fabian Krueger (Fotografia - site homônimo)

O mundo contra a criminalização do MST e o Estado de Exceção - por Jornal GGN


     Renomados acadêmicos, pesquisadores, figuras políticas, sociólogos, magistrados, procuradores e cadedráticos do Brasil e do mundo manifestaram-se em repúdio à violenta ação da polícia contra lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nesta sexta-feira. Acompanhe alguns relatos:

     "A invasão policial, sem mandado judicial, da Escola Florestan Fernandes, do MST, constitui não só um dos mais graves dos muitos episódios recentes tendentes à instauração  de um regime de exceção, como a evidente tentativa de criminalizar os movimentos sociais e todos os segmentos que não concordam com os rumos autoritários que vem tomando conta do nosso país." (Ricardo Lodi Ribeiro, professor adjunto de Direito Financeiro da UERJ).

     "Se havia alguma dúvida, agora na há mais: já estamos vivendo sob o estado policial" (Wadih Damous, Deputado Federal).

     "É exceção a pleno vapor, exibindo as suas garras, depois da forte agressão à soberania popular no golpe contra Dilma" (Tarso Genro).

     "O avanço do estado policial como consequência do golpe vem atropelando os direitos e garantias fundamentais a serviço do Estado de exceção" (Leonardo Isaac Yarochewsky).

     "Esta manhã, a polícia atacou uma escola do @MST_Oficial no Brasil. Desde a BCN, condenamos a violência e exigimos respeito aos Direitos Humanos" (Gerardo Pisarello, Coprefeito de Barcelona-ES).

     "Estamos vendo o nascimento de uma ditadura. O golpe vai se consolidando como um Estado de Exceção que enterrou a Constituição democrática e não respeita os direitos fundamentais." (João Ricardo Wanderley Dornelles, Professor de Direito da PUC-Rio).

     "Maquiavel fez escola. Toda a maldade de uma Vez. Estado aparelhado. População com medo. O cotidiano militarizado. Resistir até o fim." (Alexandre Morais da Rosa, Juiz de Direito e Professor da UFSC).

     "A ilegal invasão da Escola Florestan Fernandes em Guararema-SP, de forma irresponsável e com munição letal, mergulha ainda mais o Brasil nas sombras do Estado Policial, onde a seletividade e ilegalidade determinadas ações (tanto policiais como judiciais) voltaram a ser a regra, bem ao estilo das ditaduras latinoamericanas chefiadas por Washington." (Ricardo Franco, advogado junto ao Tribunal Penal internacional).

     "O assalto armado policial à Escola Florestan Fernandes é mais um assalto a nossa jovem democracia, que vem sofrendo rápido processo de degeneração. O ameganhamento da política e das instituições constitui um assustador sinal do avanço do fascismo no Brasil. Fiquemos alertas." (Eugênio de Aragão, Professor da UnB, Subprocurador-geral da República e ex-Ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff).

     "Essa é a sua maneira de assentar as bases do autoritarismo antidemocrático, criminalizando os conflitos socioeconômicos, tornando questões de ordem pública e manipulando um medo induzido aos cidadãos" (Maria José Fariñas Dulce, Catedratica de la Universidad Carlos III - Madrid Y Miembro del Tribunal Internacional por lá Democracia en Brasil).

     "O poder político e o poder econômico agem sem limites. Os direitos fundamentais são afastados sem pudor. Vive-se a era pós-democrática" (Rubens Casara, Juiz de Direito).

     "Se havia alguma dúvida quanto ao golpe, estamos agora vivendo o que sempre ocorre pós-golpe: tudo é possível em nome da manutenção da ordem estabelecida pela força." (Rômulo de Andrade Moreira, Procurador de Justiça /BA e Professor de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da Universidade Salvador - UNIFACS).

     "Contra as ideias da força, a força das ideias! (Florestan Fernandes)

     "O Brasil obscurece e estarrece o mundo com o injustificável e ilegal abuso de autoridade contra a Escola Nacional Florestan Fernandes, já não faltam motivos para a sociedade se levantar contra o Golpe fragrante e sistemático que viola a Constituição e todas as Cartas de Direitos Humanos" (Carol Proner, Professora de Direito Internacional da UFRJ).

     "Voltamos aos velhos tempos do Estado policial." (Adílson Rodrigues Pires, Professor Adjunto de Direito Financeiro da UERJ),

     "A democracia derrete rapidamente no Brasil Agora, as vitimas das medidas de exceção são os movimentos sociais. Toda solidariedade ao MST " (Pedro Estevam Serrano - Professor da PUC/SP),

     "O Golpe de Estado evidencia seu caráter antipopular por meio de sua agenda econômica associada ao rentismo parasitário e por meio da escalada criminalizadora dos movimentos sociais. O Estado de Exceção confirma a regra histórica do autoritarismo das classes dominantes no Brasil. O ataque à Escola Nacional Florestan Fernandes atinge a todos que lutam por um país mais justo e igualitário. Resistir às arbitrariedades é a mais importante tarefa dos defensores do Estado de Direito." (Gabriel Sampaio, ex-secretário de assuntos legislativos do Ministério da Justiça, no Governo Dilma Rousseff, advogado e membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária).

     "O ataque à Escola Nacional Florestan Fernandes coroa um processo crescente de criminalização dos movimentos sociais. A cada dia nos distanciamos dos parâmetros que devem reger uma democracia constitucional. Nenhum democrata pode ficar calado." (Gustavo Ferreira Santos, Prof. de Direito Constitucional da Unicap e da Ufpe).

     "A invasão da Escola Florestan Fernandes é ilegal e autoritária, unicamente cabível em regimes de exceção. A naturalização de atos de violência ao arrepio da lei e da Constituição é grave risco para a democracia." (João Paulo Allain Teixeira, Professor de Direito UNICAP / UFPE).

     "É não apenas direito de todo cidadão brasileiro, mas também seu dever, defender a Constituição de toda forma de usurpação e desconstrução.  A violência que se pratica sobre nossos jovens que, corajosamente, defendem a Constituição de 88 contra tentativas de desconstitucionalização, pela via da erosão dos direitos sociais, é uma das consequências do Golpe de 2016. Em defesa da sociedade e da Constituição pedimos: parem o Golpe!" (Juliana Neuenschwander Magalhães, Professora da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ).

     "Quando membros do MP e do Judiciário começam a ostentar publicamente um discurso punitivista ao arrepio da lei e das garantias constitucionais, assistimos a ações arbitrárias como a que lamentavelmente ocorreu no dia de hoje, 04/11/2016, com a invasão violenta e ilegal de uma Escola, a Escola Nacional Florestan Fernandes, exemplo internacional de educação para a cidadania. São práticas típicas de Estado de Exceção. Perseguição política e criminalização de movimentos sociais em estado puro." (José Carlos Moreira da Silva Filho - Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais e na Graduação em Direito da PUCRS / Ex-Conselheiro e Vice-Presidente da Comissão de Anistia).

     "A PM de SP, ao invadir sem mandado judicial a Escola Florestan Fernandes, deu sinais claros de que vivemos um regime de exceção, em que as garantias individuais estão sendo violadas por um estado policialesco." (Nasser Ahmad Allan. Doutor em Direito pela UFPR, advogado em Curitiba).

     "A truculenta e descabida invasão policial à escola Florestan Fernandes, sem mandado judicial e com uso efetivo de armas letais, é um dos mais graves episódios da escalada de violência e autoritarismo pela qual vem passando o Brasil desde o golpe de abril de 2016. A maioria da sociedade brasileira não pode mais ficar assistindo impassível a esse tipo de acontecimento." (Ronaldo Campos e Silva, Presidente da Comissão de Advocacia Pública da OAB/RJ e Professor de Direito do Ibmec-Rio).

     "Impossível que em um dito Estado Democrático de Direito ainda ocorram violências e ações desmedidas contra manifestações, sejam de estudantes ou de trabalhadores. Qual a vergonhosa lição de democracia e de justiça que deixarão após estes tempos terríveis?" (Flávio Martins, Diretor da Faculdade Nacional de Direito - FND-UFRJ).

     "A invasão da Escola Florestan Fernandes é mais um episódio que traduz a escalada da violência do estado de exceção que se instalou no Brasil com o golpe parlamentar de abril de 2016". (Gisele Cittadino PUC-Rio).

     "Criminalizar os movimentos sociais e impor medo às pessoas que pretendem resistir. São esses os objetivos da invasão ilegal à Escola Florestan Fernandes. Esquecem, porém, que todos(as) que ali estamos, fisicamente ou não, fomos formados(as) na luta." (André  Carneiro Leão, Defensor Público Federal)

     "O MST não é organização criminosa. Muito pelo contrário, é um movimento que luta pela democratização do acesso a terra, o que deve ser considerado elogiável e salutar para a ordem democrática e constitucional do nosso país" (Cezar Britto* e Paulo Freire**, da Página do MST).

      “Recebemos com enorme preocupação as notícias vindas do Brasil. Esse comportamento da polícia de São Paulo é típico de ditadura e de governos autoritários. Se o Brasil é de fato uma democracia tem que estar à altura. O que pode estar havendo no Brasil é um desmantelamento do Estado Democrático de Direito". (Juan Carlos Monedero, fundador do Podemos, na Espanha).

     "A invasão da Escola Florestan Fernandes pela polícia militar de SP foi a prova de que estamos em um Estado de Exceção, uma ditadura. As instituições devem repelir a agressão e devemos repensar o papel da polícia militar na sociedade". (André Tredinnick Juiz de Direito, Coordenador da AJD Rio).

     "A invasão policial da escola Florestan Fernandes é exatamente o motivo pelo qual os estudantes devem continuar a ocupação de todas as escolas possíveis para denunciar o fascismo que avança sobre o país". (Marcio Tenenbaum - advogado).

     "Os mecanismos de exceção que incendeiam e se espraiam nos mais variados campos, são centelhas de algo verdadeiramente abjeto que assola o cotidiano das populações mais afetadas pela anencefalia do poder. As sombras das injustiças, a segregação espacial dessas populações ou mesmo a autorização judicial para o uso de tortura contra pessoas apeadas de seus direitos, é a pedra angular de algo mais grave e dramático. É o encontro da imoralidade, travestida pelo bem comum, com a desonestidade escondida pela carcaça carcomida da legalidade imposta pela elite fascistas brasileira. A invasão da Escola Florestan Fernandes é a fratura exposta da ditadura que ainda não nos desvencilhamos." (Sergio Graziano, advogado e professor da Universidade de Caxias do Sul).

     "A ação violenta e ilegal da polícia contra a escola Florestan Fernandes arremata o golpe na nossa democracia e revela sua faceta mais perversa: a desconsideração institucionalizada dos direitos fundamentais e a manifesta intenção de criminalizar os movimentos sociais! O Estado se posicionando como inimigo do povo e a serviço dos interesses oligárquicos numa reprise deplorável dos anos de chumbo que vivemos tão recentemente!" (Simone Nacif - Juíza de Direito).

     "Pagar os juros da dívida para com o mercado financeiro é o valor supremo do sistema capitalista, sobretudo em sua versão neoliberal, há décadas mundialmente hegemônica. Se o custo disso for a falência de Estados, a supressão dos direitos trabalhistas e previdenciários, o sucateamento da saúde e da educação, a multiplicação da exclusão e da miséria, nada disso tem importância perante o imperativo de 'honrar' o pagamento da dívida. Quando os milhões de prejudicados começam a insurgir-se contra isso, criminalizam-se os atos de protesto, suspendem-se garantias constitucionais, põe-se em vigor um estado de exceção não declarado expressamente como tal. Para dar efetividade a tudo isso, o Executivo impõe seu poder de polícia, o Legislativo, acuado, aprova o que lhe exigem e o Judiciário dá a benção final. É nesse mundo que vivemos". (Agostinho Ramalho Marques Neto, Psicanalista e Professor de Filosofia do Direito).

     "O fascismo testa os nossos limites todos os dias, e a tática é sempre dar um passo mais adiante para ver se a linha que separa o lícito e o ilícito se dissolve. Quando a polícia, sem mandado, invade a tiros uma escola onde há jovens e crianças e não sofre as consequência de seus atos, é porque essa linha já não existe mais. Já não há mais direito, se é que ainda há estado". (Thomas Bustamante, Professor de Filosofia do Direito da UFMG).

     "A invasão à escola Florestan Fernandes é o sinal de que querem matar o último suspiro da democracia: a consciência crítica." Frederico Riani (Prof. Associado II UFJF. mestre e doutor em direito do estado pela PUC-SP).

     "O Estado Democrático de Direito,  consagrado no texto constitucional de 1988, foi enterrado.  Vivemos num Estado de Exceção com a participação, infelizmente,  de setores do Poder Judiciário e do Ministério Público." (Sérgio Sant'Anna, Professor da UCAM, Procurador Federal e Conselheiro da OAB-RJ).

     "O Estado policial, a serviço de uma ditadura ideológica de cunho fascista, decretou com a proposta de Emenda constitucional de congelamento dos investimentos na educação, saúde e assistência social, por vinte anos, o fim do Homo sapiens no Brasil" (Xico Celso Calmon, advogado).

     "Resta-nos pouco a dizer e muito a fazer quando um Estado 'em armas' invade uma escola, exercendo indiscriminadamente o poder de polícia. Toda nossa solidariedade à Escola Nacional Florestan Fernandes. (Renata Nóbrega Juíza do Trabalho e membra da AJD).

     "Invadir uma escola sem mandado judicial é uma marca dos regimes de exceção . Esse retrocesso não passará impune . Não aceitaremos a tentativa de criminalizar os movimentos sociais !" (Roberto Cupolillo professor e vereador pelo PT de Juiz de Fora).

     "Reivindicar direitos e um mundo mais justo não é crime.Toda solidariedade ao MST." (Juanito Alexandre Vieira, Professor de História do CA João XXIII/UFJF).

     "A Escola Nacional Florestan Fernandes é um patrimônio da classe trabalhadora, espaço de luta e de esperança, de formação política e de aprendizado dos valores da solidariedade socialista.  Ali me formei como militante,  como professora,  como educanda,  mas principalmente como lutadora.  A ação da Polícia hoje foi algo arbitrário e desmedido.  Aos companheiros e companheiras que constroem a ENFF,  toda nossa vida de resistência." (Cristina Simões Bezerra, professora da Faculdade de Serviço Social da UFJF,  coordenadora da parceria entre a UFJF e a ENFF).

     "A ilegal, autoritária e grave invasão policial da Escola  Florestan Fernandes, sem mandato judicial, simboliza o retorno do autoritarismo que se pretendia extirpado da nossa História. Criminalizar os que lutam por Reforma Agrária atenta contra a democracia e traz de volta o repulsivo Estado Policial." (A Frente Brasil de Juristas para Democracia presta sua solidariedade ao MST, vítima da violência e do preconceito estatal).

     "Não há democracia sem luta social. Invadir a sede um dos maiores movimentos sociais da América Latina é, antes de tudo, uma ofensiva autoritária que merece ser duramente reprimida." (Manuela Abath,  Professora, UNICAP/UFPE).

     "Criminalizar os movimentos sociais e impor medo às pessoas que pretendem resistir. São esses os objetivos da invasão ilegal à Escola Florestan Fernandes. Esquecem, porém, que todos(as) que ali estamos, fisicamente ou não, fomos formados(as) na luta." (André  Carneiro Leão, Defensor Público Federal).

     "A invasão policial sem mandado da Escola Florestan Fernandes do MST é um deplorável exemplo dos métodos de governança que as oligarquias econômicas e financeiras internacionais estão impondo em estados formalmente democráticos, criminalizando a manifestação e tornando vulnerável a soberania popular. Avançar nos processos de crescente desigualdade e de concentração da riqueza e o poder em poucas mãos, que organizam as regras do jogo em seu próprio benefício, requer democracias de baixa intensidade, impondo um estado penal sobre o estado social. Eles querem tudo e estão dispostos a fazer qualquer coisa, para que tenham a garantia de uma cidadania submissa, assustada e colaborativa com o seu modelo explorador e predatório." (Lina Galvez Catedratica de Historia e Instituciones Economicas Y co-directora del master de DDHH de la Universidad Pablo de Olavide).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Verão indígena - por Coolvibe (Arte digital)

Desde a aurora da História tem sido assim - por Georges Bourdoukan


O que há são corporações  com interesses distintos.

Elas decidem quem serão os governantes.

E todos esses governantes, sejam de “esquerda” ou de “direita” são escolhidos apenas para dar sobrevida ao sistema.

Essa é a única razão de sua existência.

É verdade que alguns são brutais, outros nem tanto, mas visam a mesma coisa.

A frase mais ridícula repetida ad nauseam foi a tal de “primavera árabe”.

Uma frase lamentável, que não significa absolutamente nada, mas serve para amainar os espíritos.

Países árabes não existem.

Existem países de língua árabe.

Assim como existem países de língua espanhola, inglesa ou francesa.

Seus governantes nada mais são do que servos das corporações.

Elas é quem decidem quem será o governante de plantão.

Seja qual for a sua “ideologia” ou “religião”.

Ideologia e religião tornaram-se duas abstrações altamente manipuláveis.

Os países de língua árabe são  países como os demais, com governantes como os demais e com ditaduras que em nada diferem das demais.

Ou alguém acha que há alguma diferença, de fato, entre o capitão-do-mato que governa os Estados Unidos e os governantes da Arábia Saudita?

Ou dos governantes do Golfo?

Ou dos governantes europeus?

A única diferença é que Estados Unidos e Europa sabem manipular muito bem a mídia e a indústria de entretenimento.

Tirem isso deles e vejam o que sobra.

Uma repressão brutal da qual ninguém escapa.

 Desde a aurora da História tem sido assim.

E se antes utilizavam a religião para domesticar, hoje eles usam a mídia e a indústria de entretenimento.

Pense nisso.