segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

WikiLeaks: a ação política do rabino Sobel – por Stanley Burburinho (blog do Nassif)

"A comunidade judaica brasileira, também procurada pelos diplomatas americanos em busca de reforço aos seus argumentos, pintou um quadro ainda mais radical: o rabino Henry Sobel acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, literalmente, de ser antissemita, assim como a liderança sênior do Itamaraty."

"Os esforços do governo brasileiro até hoje refletiram um enfoque altamente favorável aos árabes. Lula não é amigo de Israel ou dos judeus", insistiu ele, acrescentando que por isso mesmo o Brasil não era um candidato essencial para um assento permanente na ONU. Segundo a embaixada americana, Abraham Goldstein, presidente da B'nai B'rith do Brasil, a maior entidade judaica de direitos humanos, endossou as opiniões de Sobel, e disse que vinha notando um crescimento do antissemitismo no Brasil."

"Outro estabelece de forma ainda mais bruta: "Temos de aproveitar a oportunidade de tentar desviar o Brasil de seu costumeiro papel de franco atirador secundário, e tentar recrutá-lo para um papel mais útil ou pelo menos verdadeiramente neutro."

Ação brasileira no Oriente Médio irritou os EUA, revela WikiLeaks – por José Meirelles Passos (O Globo)

RIO - A iniciativa do Brasil em se inserir, de alguma forma, no processo de paz no Oriente Médio tornou-se uma dificuldade a mais para o governo americano: os Estados Unidos têm encarado essa ingerência brasileira praticamente como uma intromissão indevida; e se queixam, nos bastidores, de que ela mais atrapalha do que ajuda naquela tarefa.

"As posições inúteis do Brasil e suas declarações às vezes inexatas com relação ao Oriente Médio, tornam as águas mais turvas para a política e os interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio", conclui um dos telegramas escritos pelo então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, agora revelado ao GLOBO pelo WikiLeaks.

Um pequeno pacote contendo 26 mensagens confidenciais enviadas a Washington por aquela representação, entre abril de 2004 e dezembro de 2009, deixa transparecer claramente um motivo da insatisfação americana com essa indesejada presença do Brasil nas negociações: o fato de o governo brasileiro agir por conta própria, sem antes consultar os EUA.

"Funcionários do Itamaraty recusaram os pedidos dos EUA de que o Brasil nos consulte antes de fazer pronunciamentos que possam complicar as delicadas reuniões de paz. O Itamaraty declarou que o Brasil não precisa pedir permissão aos Estados Unidos para realizar iniciativas de política externa, e que os Estados Unidos devem esperar por mais declarações brasileiras sobre assuntos do Oriente Médio", relata também Sobel.

A queixa principal é a de que o Brasil não aceita apenas os tradicionais negociadores, insistindo na presença de outros países à mesa de negociações, além de mais personagens da região - que os EUA não engolem - como os grupos Hamas e Hezbollah, além do Irã. Sem esse engajamento, em vez de isolamento, não haveria uma solução duradoura.

Depois que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, propôs tal coreografia durante uma viagem à região, os Estados Unidos argumentaram: "A viagem de Amorim criou confusão e enviou sinais embaralhados, e isso acentuou o perigo de que 'um grupo de apoio de retaguarda', como o Brasil quer estabelecer, poderia inadvertidamente se transformar num 'grupo de sabotagem de retaguarda'".
Em outro despacho, oito meses mais tarde, o diplomata insistiu: "As posições do Brasil sobre assuntos referentes à paz no Oriente Médio estão evoluindo, mas ainda carecem de profundidade, e isso leva a posições que ainda não são úteis para resolver o problema. Diplomatas árabes com quem temos conversado dizem que as posições do Brasil são ingênuas".

Para ministro egípcio, tema virou obsessão

Mahmoud Nayer, ministro da Embaixada do Egito em Brasília, em 2009, disse a Sobel que a entrada do Brasil no circuito nada mais era do que uma forma do país ganhar corpo em sua ambição de obter um assento no Conselho de Segurança da ONU. "Isso é uma obsessão e, francamente, eu já nem sei mais como falar com eles sobre isso, porque esse assunto surge em todas as nossas conversas", afirmou Nayer.

A comunidade judaica brasileira, também procurada pelos diplomatas americanos em busca de reforço aos seus argumentos, pintou um quadro ainda mais radical: o rabino Henry Sobel acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, literalmente, de ser antissemita, assim como a liderança sênior do Itamaraty.
"Os esforços do governo brasileiro até hoje refletiram um enfoque altamente favorável aos árabes. Lula não é amigo de Israel ou dos judeus", insistiu ele, acrescentando que por isso mesmo o Brasil não era um candidato essencial para um assento permanente na ONU. Segundo a embaixada americana, Abraham Goldstein, presidente da B'nai B'rith do Brasil, a maior entidade judaica de direitos humanos, endossou as opiniões de Sobel, e disse que vinha notando um crescimento do antissemitismo no Brasil.

Em vários dos telegramas, a embaixada americana solicita a Washington o envio à Brasília de especialistas em Oriente Médio, para convencer tanto o governo quanto os parlamentares e a imprensa de que a posição dos EUA é a mais viável. "Temos que engajar o Brasil, em níveis altos, se quisermos ter a esperança de que o país adote uma posição mais equilibrada, em vez de simplesmente acrescentar a sua voz ao já totalmente repleto coro anti-israelense", diz um dos documentos.

Outro estabelece de forma ainda mais bruta: "Temos de aproveitar a oportunidade de tentar desviar o Brasil de seu costumeiro papel de franco atirador secundário, e tentar recrutá-lo para um papel mais útil ou pelo menos verdadeiramente neutro"

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/02/06/acao-brasileira-no-oriente-medio-irritou-os-eua-revela-wikileaks-923743153.asp

Comentário:

¿E como o ladrão de gravatas será tratado de agora em diante pelo governo brasileiro?
¿O governo vai fingir que nada aconteceu?

Este sujeito finge existir no Brasil o anti-semitismo – sabendo que não é verdade – para alicerçar perante a opinião pública mundial que somente os EUA estão do lado de Israel, que este país é um coitado, abandonado, e por isso tem de tomar todas as ações possíveis para se defender.

Já a postura dos EUA... é apenas o de sempre: uma lástima.

PSDB, a impossível reconstrução – por Luis Nassif (blog do Nassif)

É curioso o Estadão. Numa matéria atribui a um genérico "brigas" o fator que atrapalha a oposição para traçar uma estratégia para 2014. "Brigas", no caso, é a tentativa de renovação do partido, de livra-lo da herança amarga de José Serra, não os dossiês de Serra contra adversários – como parece ter sido as matérias desengavetadas sobre o cunhado de Geraldo Alckmin.

Na página de opinião, FHC mostra como (não) se fazer oposição.

É um amontoado de críticas pontuais, bordões denotando uma ampla incapacidade de enxergar além do dia seguinte. O pensamento de FHC é binário. Mais ou menos o seguinte:

O papel da oposição é bater sempre.Aqui vai um cardápio de temas para quem quiser bater. E ponto.

Não há ideias estruturantes, conceitos mobilizadores, visões sistêmica do país para os próximos dez ou quinze anos para, a partir daí, definir uma estratégia de (re)construção partidária.

O drama do PSDB – que compromete seu futuro político – é enorme. Tinha uma imagem pública que se esboroou no período FHC-Serra. Essa imagem garantia adesão de segmentos amplos da classe média, um pacto com a mídia e permitia ao partido ser um imã, atraindo boas ideias dos segmentos modernizadores do país. Nem precisava se esforçar.

Grosso modo, no período pré-Internet três grupos participavam da formação da imagem de partidos, personagens, produtos.

No primeiro nível, os formadores de opinião, conjunto restrito de economistas, acadêmicos, jornalistas, empresários, lideranças civis, especialistas setoriais que identificam virtudes ou defeitos e formavam o primeiro e mais consistente julgamento.

No segundo nível, os propagadores de opiniões, influenciados pelo primeiro grupo. Integram esse conjunto colunistas da velha mídia (alguns poucos são do primeiro nível), editores, âncoras de rádio e TV e, num plano mais amplo, a estrutura de opinião de rádios e TVs por todo o país, operando como caixa de ressonância..

No terceiro nível, o eleitor propriamente dito, a maior parte dos quais se escuda em ideias vagas sobre o tema analisado, impressões apenas, formadas a partir de ecos do debate no segundo nível.

Apesar do circuito se mover muito mais por impressões e formação superficial de imagem, se não tiver bem alicerçado no primeiro nível, dança.

A formação de imagem do PSDB

Graças a algumas figuras referenciais e a um conjunto de circunstâncias, no final dos anos 80 o PSDB tinha conseguido criar uma imagem que se consolidou nos anos seguintes.

Essa imagem se deveu a Franco Montoro e Mário Covas, acertando as contas fiscais do Estado; e a Sérgio Motta montando o novo modelo das telecomunicações e a um conjunto de jornalistas que entendeu o papel do partido nos novos tempos. Depois, incorporou os economistas do Cruzado, com toda a dose de fantasia que estimulava a opinião pública.

De um lado, conseguia se desvencilhar da imagem fisiológica do PMDB – consolidada no ato de partilha de cargos no governo Sarney. De outro, sugeria uma postura de centro-esquerda não-dogmática, de partido comprometido ao mesmo tempo com a eficiência e as políticas sociais, distanciando-se do estilo mais radical e aguerrido do PT.

Era o anti-malufismo com quem uma certa esquerda sempre sonhou.

Nos anos 90, havia duas linhas hegemônicas no partido: a de FHC (que torna-se hegemônica apenas com o Real) e a de Mário Covas.

Em 22 de outubro de 1998 tracei as diferenças básicas entre o PSDB de FHC e o de Covas:
«Mais do que um anti-Maluf, Covas é o avesso de FHC.

FHC é homem de grandes voos intelectuais, Covas, um cartesiano, até certo ponto rústico. FHC se inebria com as formulações teóricas, Covas é o cultivador dos valores básicos da gerência. FHC persegue os grandes momentos, Covas se compraz com as cobranças diárias. FHC é o arquiteto, Covas, o engenheiro. FHC é o condutor, Covas, o comandante.

O resultado final é que o Brasil é um quebrado, que FHC explica com justificativas sofisticadíssimas. E São Paulo, um Estado saneado, sem precisar explicar nada.

A fórmula de Covas é tão velha e eficiente quanto a descoberta da gerência. Definiu os valores básicos de um bom gestor: ênfase na gerência e no controle das contas públicas. E coragem de dizer não.»

Infelizmente a morte precoce de Covas acabou desequilibrando as discussões internas e deixando como único referencial a superficialidade de FHC.

O governo FHC teve dois momentos que ajudaram a plantar o ovo da serpente no âmago do PSDB.

Na primeira parte (até a crise de 1998) um deslumbramento acomodado, que o fez desatento para o enorme potencial de transformações do país e ao variado contingente de homens públicos que seu governo atraiu, grupos de especialistas em diversas áreas dispostos a transformar o país.

Deixou passar um enorme contingente de possibilidades de consolidação de um novo modelo, em substituição ao discurso único da estabilização da economia.

O segundo momento foi o da crise do "apagão". Em vez de crescer na adversidade, FHC se encolheu, reduzindo a pó a imagem de que o PSDB seria garantia de boa gestão.

Com sua falta de gana, de vontade transformadora, só tiveram espaço no seu governo pessoas sem a menor vontade de mudar nada – a não ser a própria vida. Abriu mão dos homens da inovação, das tentativas de reforma administrativa, do próprio modelo das telecomunicações, após a morte de Sérgio Motta.

Depois dele, panorama de terra salgada. Não houve renovação política nem intelectual no partido. Instaurou-se uma gerontocracia dominada por FHC e José Serra – graças às suas ligações com o grupo da velha mídia formado no pacto de 2005.

Fecharam os espaços para qualquer espécie de arejamento. Envelheceram as ideias dos cientistas sociais, os intérpretes não conseguiram entender o novo país, as novas mídias. Criou-se uma nova linha de intelectuais de rinha de galo, sem e envergadura da geração anterior, envoltos em um superficialismo guerreiro de envergonhar primeiro anista de política.

A pá de cal foi o governo Serra em São Paulo. Como Ministro da Saúde, Serra preservou espaço dos sanitaristas e conseguiu passar a impressão de reencontro do partido com suas origens.

No governo do Estado, repetiu em tudo o padrão Maluf, na ênfase exclusiva na construção civil, na extraordinária leniência com a especulação imobiliária (enquanto prefeito), na falta de visão de futuro, na truculência, na incapacidade de gestão (nesse ponto conseguiu superar o próprio Maluf) e, na campanha, no endosso a teses medievais.

Agora, tenta-se uma reconstrução impossível.

A perda do bonde

Voltemos aos esforços atuais para construir uma nova imagem. A falta de rumo é ampla e fica nítida no programa gratuito do partido. A "aula" de FHC se limita a tentar reabilitar conceitos dos anos 90, o partido dos gestores, o partidos dos honestos, amplamente superados pelos fatos e pelos tempos.

Analisemos os pontos que poderiam ser âncoras no processo de (re)construção da imagem do partido:

Gestão moderna

Perdeu o bonde. Após o ajuste fiscal de Covas, havia tentativas de avançar sistemas de gestão em São Paulo, propósitos ousados mas que foram abortados pela morte precoce do governador. No principal reduto tucano, Geraldo Alckmin nunca mostrou propensão à gestão moderna.

A gestão Serra teria sido a grande oportunidade do PSDB mostrar um contraponto que fosse. Mas ainda será considerada uma das mais ineptas da história moderna de São Paulo. Creio que nem o governo Fleury foi tão medíocre e desmobilizador.

Além disso, a expansão da informação está liquidando a blindagem sobre a suposta gestão técnica em São Paulo. O aparelhamento da máquina estadual é amplo e irrestrito. Os esquemas de financiamento de campanha em nada diferem dos demais partidos e do modelo político brasileiro.

Resta a experiência de gestão em Minas. Além de ser, por si, insuficiente para definir um partido, não é mais marca tucana. Eduardo Campos faz o mesmo (ou até mais) em Pernambuco. O governo Dilma será um avanço em cima das bases plantadas pelo modelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de gestão. A bandeira da gestão está sendo transferida irreversivelmente para Dilma.

Grande técnico, a "Dilma" de Aécio, Anastasia representa muito mais o gestor apolítico do que um padrão tucano. Seus avanços estarão contabilizados na cota dos governantes gestores – independentemente da cor partidária -, assim como o do (supervalorizado) Sérgio Cabral, ou de Paulo Hartung.

Mesmo no ambiente dos municípios – onde é mais fácil implantar modelos de gestão – não há a menor criatividade do partido em definir um modo tucano de governar.

Novo padrão de desenvolvimento

Dois valores tendem a ser hegemônicos nos próximos anos: a questão da mobilidade nas grandes metrópoles e a questão ambiental. O chamado desenvolvimento saudável e sustentável tornou-se um desses fatores essenciais.

Qual a marca do PSDB nesses dois campos? Enquanto prefeito, Serra flexibilizou mais o plano diretor de São Paulo do que o próprio Paulo Maluf. Seu herdeiro Gilberto Kassab continua preso aos mesmos padrões de décadas atrás. Não há nenhuma marca tucana em nenhuma dessas frentes.

Visão social

A bandeira mais relevante da atualidade, que foi entregue de bandeja para Lula.

Nas discussões políticas atuais, uma das maiores bobagens é a história de quem começou o quê? O papel do Estadista não é o de criar projetos ou ideias do nada. Há um estoque de ideias e de potenciais para serem explorados. O papel do político é identificar esses ativos e colocá-los em prática, massificar, dar dimensão.

Esses conhecimentos frequentaram a casa de FHC, através de dona Ruth. Mas faltava o básico: sensibilidade social, identificação com o país e o povo e incapacidade de pensar grande. E, mais que isso, uma base social ao PSDB, quadros nos movimentos populares. Até a identificação com os movimentos de base da Igreja Católica foram para segundo plano no período FHC.

A impossível reconstrução

O que resta para reconstruir o PSDB?

Ouso dizer que será impossível essa reconstrução.

O primeiro ponto é a total carência de novas ideias. A única referência de ideias é FHC, que há muito deixou de tê-las. Não se chegou nem ao básico: uma interpretação das transformações atuais do país, do papel mobilizador das novas mídias etc.

Pior, não há nada no partido que atraia uma nova geração de acadêmicos criativos. A cara do partido é José Serra e aqueles arreganhos fundamentalistas, é o Álvaro Dias que todos conhecem e o Beto Richa, que ainda não se sabe a que veio, Geraldo Alckmin, que apenas tem imagem de bom moço.

Resta a imagem solitária de Aécio Neves, que carrega uma bandeira – da gestão -, a fama de bom articulador político, e só. No restante, ainda é um vazio de ideias e de conceitos.

É pouco pau para montar uma canoa.

A Aécio caberia o papel de aglutinar outras estrelas, aproximar-se de políticos progressistas, atrair os mercadistas.

É desafio considerável que esbarra, numa ponta, no peso da imagem de Serra, o ranço embolorado deixado no partido nas últimas eleições, a certeza de que enquanto tiver fôlego, FHC sempre será um obstáculo a mais, as resistências tanto de setores de centro-esquerda quanto dos mercadistas à herança de Serra.

Na outra ponta o desgaste de brigas intestinas, os tiros pelas costas, o uso da mídia para ataques – como as matérias sobre o cunhado de Alckmin, desengavetada, segundo suspeitas dos alckmistas, pelo pessoal do Serra.

O exercício da futurologia é complexo. Depende muito de intuição, de saber identificar fatores que poderão levar as decisões para um lado ou para o outro.

Por mais que me esforce, não consigo imaginar um PSDB coeso.

O quadro mais provável será o de um período de desgaste e, mais à frente, uma confluência de quadros partindo para a construção de uma nova alternativa de oposição. E conferindo justo descanso a FHC e Serra.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reestreando a velharia

O PSDB, segundo seus próceres, necessitava de uma “reformulação”, de uma “refundação”, ou termos similares.
Para tanto, ¿ o que fizeram, de fato?
Reelegeram o atual presidente do partido, Sérgio Guerra.
Fazem propaganda política tendo como estrela... Fernando Henrique Cardoso, querendo que o próprio símbolo do atraso passe a ser sinônimo de futuro.
Querem uma reformulação justamente com quem mais puxa seu partido para baixo – sejamos sinceros, Serra não perdeu só pelos seus defeitos, mas também porque carregava o pesadíssimo fardo do abjeto governo FHC.
Bem, a presidente Dilma deve mesmo se focar na gestão em seu governo. Quanto a política, deixa que a oposição se enforca sozinha.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A decepção chamada Obama

Anos atrás, de quando os candidatos democratas ainda disputavam para ver quem seria o candidato a presidente, defendi a candidatura de John Edwards, pela sua luta contra o lobby, pela sua luta contra Washington ser dominada por interesses privados, dominada por corporações das esferas financeira-militar-midiática.
John Edwards ficou para trás e, Obama, por quem eu já nutria algum receio à época, não me empolgou – desconfiava que sua boa oratória seria desprovida de ações quando tivesse oportunidade. Com o passar do tempo, caí no conto do vigário – sua votação contra a guerra do Iraque me chamou muita atenção.
Vim a apoiá-lo, quando ele só disputava contra Hillary Clinton – pessoa pela qual passei a nutrir sincero desprezo.

Barack Obama conseguiu uma serie de proezas: nem fez as mudanças necessárias para impedir que seu país continuasse rumo ao abismo (ao contrário, deu bilhões e mais bilhões aos rentistas), e, com o destino inexorável depois de tanta irresponsabilidade governamental (com a incrível ajuda do complexo financeiro-midiático – o militar não compareceu a festa, desta vez), nem conseguiu que ele saísse do fosso – o império ainda rasteja, com sua incrível taxa de desemprego, que se aproximou dos dois dígitos e, apesar de ter diminuído um pouco, ainda é maior do que a brasileira.
Não conseguiu aumentar os impostos sobre os mais ricos – diminuídos na gestão Bush, não conteve os gastos militares, não mudou sua política externa em absolutamente nada – minto, talvez mudou na retórica, e só nela –, o que representa um desastre, pois é o que há de pior no mundo.

Continua tentando “espalhar a democracia” no Oriente médio. Ou seja, tentar derrubar os ditadores que lhe são hostis enquanto acalenta os ditadores que lhe apoiam. Ah, claro! Financiando grupos de oposição – uma sórdida intromissão – nos países “autoritários”, como o Irã.
Continuam bloqueando a democracia nos países onde ela poderia surgir, se grupos islâmicos tiverem chance de vencer a eleição.
Quando o povo do país insiste em não votar de acordo com os interesses estadunidenses, como na OLP, eles ignoram os eleitos – de maneira a neutralizá-los de qualquer ação.
Os EUA continuam misturando no mesmo balaio ditaduras do Oriente médio com as democracias representativas da Venezuela, Cuba e do Equador – onde também financiam grupos opositores.
Continua apoiando o atroz país chamado Israel.
E etc., etc., etc, seria demais escrever aqui tudo pelo que eles são responsáveis.

Com sua tibieza, sua retórica emplumada e arrogante, com seu falatório e pouca ação, muito diz-que-diz pra pouca mudança – vide o ridículo a que é exposto seu corpo diplomático pelo wikileaks, ao solicitar que seus diplomatas espionem presidentes, ministros e afins dos países onde estão – Obama decepciona qualquer um que tenha um mínimo de isenção intelectual.

Aí embaixo vão algumas belas fotos oriundas do site Huffingtonpost do povo egípcio se insurgindo contra uma ditadura mambembe que se esfacela a olhos vistos.
Enquanto isto... Obama pede que o atual ditador não seja “candidato a reeleição” no próximo pleito.
Deus meu, ¡quanta caridade do Obama!











E para finalizar:



E o pior de tudo é que este governo ridículo que Obama coordena – ridículo porque embebido no continuísmo – dá vazão aos instintos mais abjetos do Tea Party (o fascismo à moda estadunidense).

Ao fracassar como governante, não corrigindo - diferentemente de Lula - a herança maldita que recebeu, Obama ainda conseguiu ficar como responsável perante grande parte da opinião pública pelo desacerto que anda a economia – o que não é completamente justo, já que muita coisa ele herdou.

Porém, o fato é, que ele herdou e tentou consertá-la do mesmo jeito (em alguns cargos com as mesmas cabeças) dos que o antecederam, Clinton e Bush. Um erro drástico.
Fazendo uma aproximação, é como se o presidente Lula, que sempre bateu na herança maldita, tivesse mantido o Palocci por todo o governo - que representava a mesmíssima continuidade do governo FHC...
(como costumo dizer, Palocci é um Malan com barba)

Obama prometeu muita coisa - não cumpriu nada, ou, o que cumpriu, o fez pelas metades, como o novo sistema de saúde que se anuncia.

Não sei se John Edwards teria conseguido fazer tudo que pregava, mas acho que ao menos as coisas não seriam tão fáceis para o status quo vigente - ele lutaria com mais vigor.

Enfim, o governo Barack Obama é uma decepção completa. Aliás, “decepção” talvez não seja a palavra, pois já não esperava muita coisa. Talvez o certo a dizer, é que seu governo é uma lástima.


P.S.: Serve de lição aos que dedicaram a Obama o prêmio Nobel da paz. Deve se premiar as pessoas pelo que elas JÁ fizeram – não por aquilo que se espera que elas farão. Obama era uma esperança – que se frustrou. Agora, que o injusto prêmio já foi dado, não há como voltar atrás.

O confronto de índios na fronteira do Acre – por André (blog do Nassif)

Guerra entre índios? Sim, é o que pode acontecer em solo brasileiro e a Funai está monitorando o possível encontro de índios isolados que foram fotografados em 2008 com índios nômades peruanos que se aproximam da área dos isolados, buscando a caça e a pesca que ficaram raras em suas áreas originais devido à extração de madeira e plantio de coca.
Por nunca terem tido contato com outros índios ou a chamada sociedade civilizada, qualquer estranho a esse ambiente poderá gerar reações naturais de defesa de território. Os índios peruanos (que não saberei se mantêm ou não sua cultura relativamente inalterada, ainda mais se pensarmos que falamos de Peru, cuja relação entre o branco e o índio foi diferente da aqui ocorrida) poderão gerar choque no meio da selva, uma vez que o conceito de mundo para os isolados é muito mais restrito. Lembremos que os isolados também não se veem como índios, uma vez que tal conceito não existe em suas mentes. Portanto, os nômades do país vizinho correm o risco de serem vistos como estrangeiros tanto quanto seriam vistos um sueco e um togolês. Há a possibilidade de haver encontro amistoso (assim como houve em outras ocasiões com outras tribos), mas todo cuidado é pouco.
Vale lembrar que a atual postura da Funai para com isolados é evitar o contato, mas proteger a área em que vivem e observar de longe. A possível grande guerra indígena que ocorra se os nômades atingirem a área dos isolados será um daqueles momentos de teste da eficiência ou não dessa política. Se por um lado pode ajudar a mantê-los longe de vícios da civilização, seja captados diretamente dela ou de índios contatados, por outro poderá prejudicar sobremaneira a solução de conflitos que possam ocorrer com a tribo vinda de outro país.
Já foram registrados conflitos menores entre índios, o que fazem pensar sobre se vale a pena manter o isolamento das tribos hoje só conhecidas pelo céu. Ainda que a Funai tenha experiência acumulada, sempre fica a dúvida sobre como transplantar alguém diretamente da pré-história para a era da informação sem que haja um impacto que corresponda ao de uma bola de demolição atingindo um homem adulto. E, claro, como evitar outros tristes episódios como alcoolismo em massa, suicídios, prostituição e por aí vai.
Segue a notícia:

Da Folha.com
Funai diz que pode haver confronto com índios isolados – por Elida Oliveira (Folha)

A Funai (Fundação Nacional do Índio) está monitorando grupos indígenas que vivem isolados perto da fronteira do Acre com o Peru.
A migração de grupos do país vizinho para o Brasil pode causar um confronto entre índios "como não se via há mais de 500 anos", diz o indigenista da Funai Artur Figueiredo Meirelles, coordenador da frente de proteção etnoambiental de Envira (AC).
Na região de Envira, há pelo menos três etnias que nunca tiveram contato entre si ou com a sociedade.
Com a extração de madeira na Amazônia peruana e a exploração de coca, os índios nômades do Peru fogem em busca de caça e alimentos para coleta, diz o ex-coordenador da frente de proteção José Carlos dos Reis Meirelles.
De acordo com Figueiredo, é possível deduzir pela observação feita em sobrevoos que os nômades estão se aproximando dos isolados.
Caso se encontrem, a reação natural dos índios isolados é defender o território pelo combate, diz Figueiredo.
NOVAS IMAGENS

Foto: Gleilson Miranda

A ONG de proteção aos índios Survival Internacional divulgou nesta segunda-feira (31) fotos de um dos três grupos de índios isolados no Acre.
Nas imagens, feitas pela Funai em março de 2010, eles aparecem com o corpo coberto de urucum, empunhando arcos e flechas. Nos cestos é possível identificar mamão e mandioca.
O mesmo grupo já foi fotografado em 2008 e é monitorado há 23 anos, de acordo com José Carlos dos Reis Meirelles. As observações são feitas à distância (por terra) ou por sobrevoos a cada um ou dois anos.
Os índios das outras duas tribos nunca foram vistos -- eles fogem para o mato quando escutem o barulho das aeronaves, diz o indigenista.
Segundo estimativas de Meirelles, há pelo menos 600 índios vivendo nos três grupos isolados -- somente na comunidade fotografada são cerca de 300 índios. O número não é preciso porque é obtido com base no tamanho do território ocupado pelas tribos, no número de ocas e na área plantada.
A Funai estima que existam no Brasil 67 grupos de índios isolados nas diversas regiões do país.


Foto: Gleilson Miranda

Comentário
Reproduzo mais por causa das fotos, das quais gostei bastante.
Também é interessante saber que existem 67 grupos isolados - a última informação que eu havia obtido sobre o tema dava conta de que existiam cerca de 500 índios sem contato com a civilização.
Parece, portanto, que a informação que eu possuía era errada, que existem mais, o que é uma ótima notícia.

Hospício nativo

"Já não há indignação espontânea, que é a boa, a verdadeira indignação. Existe uma doença do espírito: o mal da indiferença dos cidadãos. Estamos todos moralmente doentes" - afirmou José Saramago em uma entrevista

Bem, o Banco Central divulgou hoje aquela que deveria ser a notícia mais bombástica se não estivéssemos numa terra de loucos chamada Brasil.

Nosso depauperado país teve um gasto com juros no ano de 2010 de R$ 195, 369 bilhões de reais – ou, 5,34% do PIB. É tanto dinheiro que, ao dizer este número, não conseguimos mensurar o que ele representa.
Para fazer uma conta básica: tal montante daria para construir dois milhões de “casas populares” ao custo de R$ 97.684 reais cada uma.
Ou seja, daria pra fazer construir uma boa casa pra mais de oito milhões de brasileiros em apenas um ano, por exemplo.

Como o governo “só” conseguiu pagar R$ 101,696 bilhões – para enxugar gelo –, ainda somamos à dívida mais 93,673 bilhões de reais – ou 2,53% do PIB, para ser paga Deus lá sabe quando.

Estes quase 200 bilhões de reais de juros, como sabemos, é dinheiro jogado fora, dinheiro para alimentar rentistas, dinheiro expatriado, dinheiro retirado do povo (ô palavra abandonada) para nutrir a sanha dos abastados.

Mas querem nos fazer crer que o problema do Brasil, claro, são os gastos públicos.
Não estes, com a dívida (¡Deus me livre, estes são sagrados!).
O problema é gastar com saúde, segurança, meio-ambiente, etc.

Querem nos fazer crer ainda, que gastar com infra-estrutura até pode.
Esperando que, claro, mais a frente algum demo-tucano assuma o governo e privatize aquilo que foi arduamente construído e pago.

Depois, estes que nos querem fazer crer, ainda vão reclamar que pagamos muitos impostos.

É evidente que pagamos e deste jeito só tendemos a pagar mais. Basta olhar pra onde o dinheiro esta indo, para reconhecer que este é um saco sem fundo. Por mais que se pague, por mais que se esforce, por mais que se prive o país, nada será suficiente para acalmar a voragem dos rentistas.

Deixou de valer a máxima que a dívida é externa ou interna.
Na verdade, a nossa dívida é eterna.

Durma-se com um barulho desses.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sobre a ida de Kassab para o PMDB - por André Araújo (blog do Nassif)

Cada análise ruim, cruz credo. O PT mostraria inteligência se ajudasse Serra a ser tudo. Ele é a chave para o PT continuar no poder por mais oito anos. Serra racha e divide por onde passa, desagrega, confunde, é o cavalo de Tróia do PT na oposição.
Já o campo da ""base aliada"" está armando uma operação GOL CONTRA da pior qualidade, patrocinando a ida de Kassab para o PMDB para ser candidato a Governador de SP pelo PMDB com o possível apoio do PT. Kassab é muito ruim, é péssimo. É o pior prefeito de São Paulo nos últimos 50 anos.
A cidade de São Paulo está em um momento critico, precisa de um líder com visão de futuro, que pense a cidade para os próximos 20 anos, que perceba sua vocação e suas limitações, São Paulo caminha na direção de Londres e Nova York, para ser um centro mundial de serviços financeiros, de moda, de turismo de negócios, de cultura e lazer, mas essa conversão exige planejamento, organização, boa gestão. Kassab é o nada, não tem um secretario ou um administrador de alto nível, não tem um urbanista para organizar o caos urbano, sua especialidade é o conchavinho com vereadores, coisa miúda, enquanto nada fez joga contra o munícipe paulistano uma sanha arrecadatória jamais vista, multas de trânsito numa escala nunca antes tentada, não para organizar o transito, mas apenas para arrecadar, nada é investido no transito, nos faróis, num plano viário mais moderno. Kassab não tem um único secretário conhecido, apresentável, com perfil de grande administrador, nenhum, só nulidades completamente desconhecidas, coisa rara em São Paulo, outros Prefeitos sempre tiveram algumas estrelas no Secretariado, é uma metrópole muito importante para não ter cara alguma na Prefeitura.
São Paulo ainda funciona pelo resultado de três grandes intervenções antigas no tecido urbano, a de Prestes Maia que pensou e implementou as grandes avenidas cruciais de fundo de vale, do Coronel Fontenelle, diretor do trânsito no tempo do governo militar, cuja plano viário é o que ainda hoje funciona e o Prefeito Paulo Maluf, que fez avenidas fundamentais para a São Paulo moderna, a extensão da JK, a Hélio Pelegrino, o prolongamento da Faria Lima, a Roberto Marinho, túneis de excelente qualidade sob o Rio Pinheiros, a Jacu Pêssego, foi um prefeito realizador, a despeito dos problemas com a Justiça.
A ida de Kassab para o PMDB, partido nascido da oposição ao regime militar, sendo ele Kassab o dono inconteste e presidente do antigo PFL de São Paulo, o partido nascido do apoio ao regime militar, mostra a absoluta inconsistência ideológica desse tipo de político que tanto pode estar na extrema direita como na esquerda, tanto faz, não tem programa, não tem linha política, não tem proposta alguma, é só manipulação de máquina partidária para ocupar postos, que destino cruel para São Paulo, quem será que rogou essa praga para a grande metrópole mundial? São Paulo no momento definidor de seu futuro não tem cérebros pensantes vocacionados para essa grande tarefa. São Paulo e seus onze milhões de habitantes não merecem isso, a cidade que tem a maior concentração de executivos de classe mundial do País não tem para sua gestão nada além de mediocridades assustadoras.

Comentário
Saudades da época em que a então deputada Rita Camata, que à época frequentava as hostes do PMDB, tentou ingressar no PT. Ela sempre votou contra FHC, e, tanto por isto, pleiteou junto a Lula o ingresso no PT – e este aderiu. Porém, o PT era outro, tanto no Brasil quanto no Espírito Santo, e por isso barrou o ingresso da deputada, devido a nebulosidade que sua biografia apresenta.
Mais adiante, com uma tremenda cara de pau que notabiliza a política tupiniquim, ela foi candidata a vice na chapa guiada por José Serra (em sua primeira fragorosa derrota presidencial), sendo que havia sido do “PMDB de oposição” durante todo o mandato de FHC. Foi escolhida, obviamente, porque era um “rostinho bonito” ante a expressão intragável do cabeça de chapa.
Observava-se com este tipo de comportamento, uma coerência petista – e um acerto neste tipo de decisão, já que a própria postura da Rita Camata (que hoje, pasmem, é do PSDB – e tomou uma surra na última eleição para o senado) evidenciava como é improfícuo admitir para seus quadros pessoas que não possuem vínculos ideológicos claros.
Agora por outro lado... vê-se a degradação cada vez mais clara da ideologia (que se torna quase um palavrão na política – considero aqui a versão corrente da palavra, e não a de Marx).
A vinda de Kassab para a “bancada governista” é um desastre sobre qualquer ponto de vista.
Exceto para o da esperteza.

Quem herda a Satiagraha - por H. C. Paes (blog do Nassif)

Vai ser engraçado se Mazloum for para a sexta criminal. Quanto à decisão sobre a Satiagraha, pode ser que o juiz substituto, Marcelo Costenaro Cavali, tenha tempo de emitir o julgamento antes que o novo titular chegue. Ele é da turma do de Sanctis, podemos ficar tranqüilos.
De Sanctis vai para a quinta turma, que freqüentemente é quem recebe as apelações da sexta criminal. Ou seja, se Mazloum fizer muita besteira, de Sanctis terá a oportunidade de reformar algumas delas.
Vamos esperar. No momento, há quatro titulares de varas criminais com mais antiguidade que Mazloum, e que teriam prerrogativa sobre ele no concurso de remoção:
- O primeiro juiz logo abaixo de Sanctis, Nino Oliveira Toldo, que é ou foi vice-presidente da Ajufe, é o titular da décima criminal. Uma rápida busca na Internet mostra que ele parece ser alvo da contrariedade do Conjur, o que fala a favor dele. Se quiser, ele assume a sexta criminal.
- Toru Yamamoto (terceira criminal, logo em seguida a Toldo). Tanto ele quanto Toldo se inscreveram no concurso de antigüidade que resultou na promoção de De Sanctis. Logo, têm interesse no desembargo. Yamamoto parece gente boa, foi quem condenou os réus do escândalo do Banco Econômico. Também revogou a prisão preventiva de sindicalistas recentemente (mas não sei detalhes, nem todo sindicalista é santo; a notícia é da Folha, logo devemos encará-la com suspeita).
- Adriana Pileggi de Soveral (oitava criminal, catorze degraus abaixo de Yamamoto). Essa é polêmica: foi mencionada na Satiagraha como fonte de vazamentos para Dantas, e já andou sendo investigada por improbidade administrativa. Um processo contra ela chegou ao STJ. Ela foi inocentada. A bem de se evitar uma crucificção pública, não pesam condenações sobre ela.
- Sílvia Maria Rocha (segunda criminal, logo abaixo de Soveral e logo acima de Mazloum). Foi quem tentou tirar o processo contra Dantas das mãos de De Sanctis. Também suspendeu ações contra Paulo Maluf.
Ou seja, Mazloum é a menor de nossas preocupações. E se Soveral decidir concorrer à sexta vara?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A direita reinicia a segregação nos EUA – por Patricia J. Williams (Opera Mundi)

Enquanto passamos de 2010 para o novo ano, o Congresso retoma as atividades em sua configuração dominada pelos conservadores. Esta nova onda é sustentada por uma base de poder direitista informada por ideólogos que extirpariam a promessa de igualdade da 14ª Emenda restringindo os direitos de voto e limitando os gastos públicos com os "parasitas" que sugam o bem-estar da América "deles".

Muitas dessas visões, embora empacotadas no "egoísmo ético" individualista de Ayn Rand, protegem uma ordem política e social baseada na riqueza e no privilégio de um grupo impermeável, também enraizada em uma mentalidade segregacionista de "nós contra eles", mas persistindo muito além da divisão racial. Cristãos versus os outros. Nativos versus imigrantes. Anglófonos versus cosmopolitas arrogantes. O privilégio hereditário versus a igualdade como um direito inato.

Considerem essas manifestações recentes: o senador do Arizona Russell Pearce está tão preocupado com o "sequestro" da 14ª Emenda que patrocinou um projeto de lei que impediria a emissão de certidões de nascimento estaduais para crianças nascidas no estado cujos pais não fossem cidadãos legais.

Rand Paul, senador novato de Kentucky, acredita que a Lei de Habitação Justa está errada porque "uma sociedade livre aceita a discriminação privada, não-oficial, mesmo quando isso significa permitir que grupos cheios de ódio excluam pessoas com base na cor de sua pele".

John Cook, conhecido membro do Comitê Executivo Republicano do Texas, quer substituir o republicano Joe Straus, que é judeu, na presidência da Câmara dos Representantes estadual porque "elegemos uma Câmara com valores cristãos, conservadores. Agora queremos um verdadeiro cristão, conservador, na liderança". E Judson Phillips, líder da Tea Party Nation, endossou "a intenção original" de restringir o direito ao voto a cidadãos donos de propriedades, porque, "se você é dono de uma propriedade, realmente tem um interesse adquirido na comunidade".

Muitas políticas promulgadas originalmente para manter a supremacia econômica controlando o movimento e a força política dos negros no Sul Profundo parecem ter completado o ciclo, afligindo não só os imigrantes recentes, mas também os brancos pobres e de classe média. Um exemplo claro é o destino de Gene Cranick, um branco idoso de cadeira de rodas morador do Condado de Obion, no Tennessee. Quando uma fogueira de lixo no quintal incendiou sua casa, em outubro, os bombeiros chegaram, mas apenas assistiram a sua casa ser destruída pelo fogo, porque Cranick não havia pagado uma taxa anual de US$ 75 para ter direito à água que salvaria a residência. Cranick teve o azar de morar em uma área não incorporada que contava com serviços limitados historicamente associados a bairros negros - quando os serviços de combate a incêndios, esgoto e polícia paravam na beira de uma cidade com base nas fronteiras da segregação.

O livro Simple Justice, de Richard Kluger, relata como, nos anos 1950, a casa do ativista pró-direitos civis Joseph DeLaine na Carolina do Sul foi aparentemente atacada por incendiários: "Membros do corpo de bombeiros de Summerton, habitada só por brancos, estavam disponíveis enquanto a casa de madeira era consumida pelas chamas, mas não fizeram nenhum esforço para apagar o fogo porque a casa de DeLaine, disseram eles, estava além dos limites da cidade. E eram 30 metros." (Para aqueles interessados nos detalhes das batalhas legais e políticas em torno da promessa da 14ª Emenda de igualdade de cidadania, recomendo enfaticamente Lift Every Voice: The NAACP and the Making of the Civil Rights Movement, de Patricia Sullivan).

Há poucas semanas, ao falar de sua juventude em Yazoo City, Mississippi, durante a época mais violenta do movimento pró-direitos civis, o governador Haley Barbour pareceu trazer à memória algo agradável: "Simplesmente não me lembro de ter sido tão ruim." Quanto não foi ruim? Segundo Barbour, o Conselho dos Cidadãos Brancos garantiu heroicamente a integração escolar e, bravamente, manteve a Ku Klux Klan à distância.

Na verdade, o Conselho dos Cidadãos Brancos criou um sistema de academias privadas só para brancos que fez com que as escolas públicas do Mississippi fossem frequentadas quase exclusivamente por negros, e todas miseravelmente financiadas. É verdade que, até certo ponto, o Conselho dos Cidadãos Brancos adotou com frequência posições públicas contrárias à KKK, mas essa oposição declarada não vinha do apoio aos direitos civis dos negros, mas do fato de a violência da Klan ter atraído atenção internacional, o que costumava ser "ruim para os negócios". Por isso, o conselho tendia a aderir à resistência à integração por meio de ameaças econômicas e do isolamento de comunidades inteiras.

De fato, o irmão mais velho de Haley, Jeppie, foi eleito prefeito de Yazoo City em 1968 com uma plataforma de isolamento econômico de qualquer negro (ou branco) que defendesse a integração. O livro de Willie Morris Yazoo: Integration in a Deep-Southern Town, de 1971, detalha o que Jeppie descrevia como os esforços dos negros para "nos deixar de joelhos, a fim de nos dizer o que fazer". "Quando tomei posse, eu pretendia promover algumas melhorias de pavimentação e esgoto para as pessoas de cor", disse Jeppie. "Mas agora não consigo me entusiasmar muito com isso." Chegaria a hora, avisou Jeppie, em que os brancos retaliariam com demissões e outras medidas.

Recentemente, The Huffington Post publicou trechos de um artigo de 1956 de David Halberstam no qual Nick Roberts, do Conselho dos Cidadãos de Yazoo City, explicava por que 51 dos 53 negros que haviam assinado uma petição de integração haviam retirado seus nomes: "Se um homem trabalha para você e você acredita em algo, e aquele homem está trabalhando contra isso e abalando isso, por que você não quer que ele trabalhe para você - é claro que você não quer."

Esse tipo de pensamento imagina o poder coletivo do Conselho dos Cidadãos Brancos como nada mais que as escolhas individuais de "um homem" em sua relação com "aquele homem" - ambos sintaticamente brindados igualitariamente com opções e oportunidades. No conjunto, porém, essas "preferências" se tornam disfarces pérfidos para uma mentalidade de gângster pela qual o pronome "nós" - os que têm direitos - elimina tudo, à exceção do mais restrito senso de comunidade. O resto do grupo, marcado como "eles", permanece alienígena - e ao mesmo tempo é forçado a pagar, pagar e pagar para poder jogar. O fato de isto criar uma classe dominante dos privilegiados economicamente - ou seja, uma oligarquia - parece passar totalmente despercebido hoje em dia.

*Patricia J. Williams é doutora em Direito pela Universidade de Harvard e professora da Universidade de Columbia, EUA. Artigo originalmente publicado no The Nation.

http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1359

Sobre o discurso de Obama – por Creuzo Geovani (blog do Nassif)

Agora eu posso afirmar
De maneira contundente:
De fato Barack Obama
Não será bom presidente,
E digo sem arrogância
Que a força das circunstâncias
Mostra o declínio iminente.

O que Obama quer fazer
A dona de casa faz
Controlar seu orçamento
Depois de gastar demais,
Por isso eu posso afirmar
Que o Obama vai governar
Olhando sempre pra trás.

Uma revolução verde
O Obama disse querer
E em março vem ao Brasil
Pra com Dilma debater,
Mas sobre a guerra ferina
Nas terras da palestina
Nada poderá fazer.

Não existe papai bom
Sem dinheiro pra gastar
Por isso Barack Obama
Vê seu cartaz definhar
E agora daqui pra frente
Nem futuro, nem presente
Só contas para pagar.

As famílias de imigrantes
O Obama vai maltratar
Porque faltará dinheiro
Para o povão sustentar
E quem tiver seus netinhos
Morando naquele ninho
Pode começar chorar.

Nem Cícero, nem Demóstenes
Com toda aquela eloquência
Nem Péricles nem Catão
Ao longo da existência
Fizeram com seu saber
Discursos pra inglês ver
Com tamanha competência.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Para onde vai a social-democracia europeia? - por Vicenç Navarro (blog do Nassif)

Um dos indicadores mais claros da enorme crise e desorientação de alguns partidos social-democratas na Europa é o seguinte fato: de acordo com pesquisas recentes entre os membros do Partido Socialista Francês, um dos candidatos preferidos para representar o partido como na eleição presidencial local é nada menos que o “socialista” Dominique Strauss-Kahn, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), a instituição financeira internacional que conduz a suposta solução para a crise econômica com base em medidas de austeridade em massa, que são prejudiciais à qualidade de vida e ao bem-estar das populações dos países da União Europeia.

O exemplo mais recente dessas políticas têm sido as medidas impostas à Irlanda, que incluem a eliminação de 24.750 empregos públicos (8% da força de trabalho), um decréscimo de 10% dos salários, uma redução drástica das transferências públicas para as famílias de baixa renda e para a saúde pública, bem como o congelamento das pensões por aposentadoria, um incremento da regressão fiscal e um aumento do IVA, que passará de 21% para 24% até 2014; a inclusão das famílias de baixa renda (até agora isentas de pagar impostos) na base de contribuintes, uma redução em 11% do salário mínimo e uma longa lista de medidas que estão prejudicando a classe trabalhadora e outras camadas da população.

Todas estas medidas foram impostas às classes populares da Irlanda, como condição para o FMI emprestar ao governo 22 mil milhões de euros (a juros claramente inflacionados de 5,7% a.a.). Estes fundos, no entanto, não serão dirigidos à melhoria do bem-estar da classe trabalhadora irlandesa, mas sim para pagar a dívida do governo irlandês com os bancos que compraram essa dívida pública. A assim chamada “ajuda” do FMI à Irlanda não se destina ao povo irlandês, mas aos bancos estrangeiros (ingleses, alemães, franceses, belgas e outros) que haviam emprestado dinheiro ao governo para que este, naturalmente, pudesse salvar bancos irlandeses que desmoronaram após especular no mercado imobiliário. O déficit do governo irlandês passou de 14% em 2009 para 32% em 2010 em grande parte devido à “ajuda” do governo para os bancos irlandeses, especuladores em alto grau.

A Irlanda, na verdade, tinha sido apresentada pelos neoliberais como o exemplo do acerto de suas políticas. O fracasso dessas políticas foi exposto pelo colapso do sistema bancário e enormes subsídios estatais a favor dos bancos. Além disso, nenhum banco estrangeiro pode perder dinheiro, o que se consegue através do pacote de “ajuda” do FMI, disfarçado como um auxílio para a Irlanda. Na realidade, os bancos estrangeiros, que receberam empréstimos do BCE a um custo de apenas 1%, agora possuem títulos do governo irlandês, que, graças ao FMI, pagarão juros mais de cinco vezes maiores. Em outras palavras, um ganho especial em detrimento da classe trabalhadora irlandesa. E tudo sob a supervisão de uma instituição, o FMI, liderada por um “socialista”, e que é um dos favoritos do Partido Socialista Francês para a disputa das próximas eleições presidenciais em França. À luz destes e de outros dados é fácil entender por que a social-democracia na França está em crise profunda, resultante da sua enorme confusão e desorientação.

Outro exemplo de confusão: A promoção de Blair e Clinton nos Fóruns Sociais

Outro exemplo de confusão é a promoção, pelos principais think tanks dos partidos social-democratas europeus (incluindo o espanhol) dos valores encarnados em Tony Blair e Bill Clinton, apresentando-os como indivíduos progressistas e que têm assento nas reuniões sobre o futuro das forças progressistas em o mundo. Tony Blair foi o maior responsável pelo colapso do Partido Trabalhista na Grã-Bretanha. Como mencionei em outro artigo, "A crise da social-democracia na Europa" (18/06/2010), o Partido Trabalhista caiu da preferência de 33% do eleitorado total em 1997 para 25% em 2001 e 22% em 2005. Se o Reino Unido tivesse um sistema eleitoral proporcional, teria perdido a maioria já na eleição seguinte à que ganhou em 1997. O viés eleitoral que favorece os dois grandes partidos atenuou a situação, de modo que, apesar da queda acentuada junto ao eleitorado, o Partido Trabalhista (New Labour) manteve a maioria parlamentar até 2010. Esta foi a causa da longevidade do mandato de Blair, que não se deveu à sua popularidade (como Anthony Giddens e outros porta-vozes liberal-sociais da Terceira Via atualmente argumentam), que caiu drasticamente, e sim ao sistema bipartidário e aos enormes problemas internos do Partido Conservador. Passando ao ex-presidente Clinton, suas políticas foram responsáveis pela enorme derrota do Partido Democrata nas eleições para o Congresso em 1994, devido à abstenção massiva de seus eleitores (como aconteceu no RU com o New Labour), e que resultou numa grande vitória para o Partido Republicano. O presidente Clinton e seu ministro das Finanças, o Sr. Robert Rubin, banqueiro de Wall Street, e Alan Greenspan, confirmado em seu cargo como chefe do Banco Central dos EUA pelo presidente Clinton, eram os executores das políticas de desregulamentação do capital financeiro (com ênfase na revogação do Glass-Steagall Act), responsáveis pela catástrofe e pela crise que enfrentamos. O papel histórico destas duas figuras foi deletério para a social-democracia e as forças progressistas em ambos os lados do Atlântico. Surpreendentemente, damos a eles um fórum de reflexão sobre temas sociais para promover as suas ideias, o mesmo espaço que é negado a dirigentes e intelectuais com comprovadas credenciais progressistas. É esta a reflexão que a social-democracia pretende fazer sobre o seu futuro?

Comentário
Não é a toa que não sou social-democrata, e sim socialista. E socialista, mesmo, não como este pseudo-socialista Dominique Strauss-Kahn, que, pasmem, mantém esta nomenclatura  e tem a cara de pau de compor o FMI.