Termina no próximo domingo a eleição municipal de 2012. Em 50 cidades, os eleitores voltam às urnas para votar em um dos candidatos a prefeito que disputam o segundo turno.
Entre essas, na maior cidade brasileira e outras 16 capitais estaduais.
Foram as eleições mais conturbadas desde a redemocratização. Por decisão sem fundamento técnico, o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu fazer o julgamento do “mensalão” exatamente no meio do período eleitoral.
O ápice dessa “coincidência” ocorre ao longo desta semana, que os ministros consideram adequada para terminá-lo.
Para não atrapalhar a viagem ao exterior do Relator - certamente de importância fundamental para o País -, vão deliberar a respeito das penas aos condenados nas vésperas da eleição. Em tempo de preparar as manchetes dos últimos dias.
E ainda há quem se preocupe em silenciar os carros de som nessa hora, para que não perturbem os eleitores enquanto refletem sobre sua decisão final!
Parece que o Judiciário não se incomoda que o julgamento interfira na eleição. Como disse o Procurador-Geral da República em inacreditável pronunciamento, acha até “salutar”.
Os principais veículos da indústria de comunicação dedicaram ao julgamento uma cobertura privilegiada. Na televisão, no rádio, na internet, nos jornais e revistas, foi, seguramente, maior que aquela que a eleição recebeu.
Só os muito ingênuos acreditariam que a grande imprensa foi movida por objetivos morais, que estava genuinamente preocupada com as questões éticas suscitadas pelo “mensalão”. Basta conhecê-la minimamente, saber quem são seus proprietários, articulistas e comentaristas, para não ter essa ilusão.
E lembrar seu comportamento no passado, quando fatos tão graves quanto os de agora - ou mais - aconteceram sob seu olhar complacente.
Como mostra nossa história moderna - desde o ciclo Vargas aos dias de hoje, passando pelo golpe militar de 1964 e a ditadura -, a grande imprensa brasileira escolhe lado e não hesita em defendê-lo. Tem amigos e adversários.
A uns agrada, aos outros ataca.
No julgamento do “mensalão”, a discussão ética sempre foi, para ela, secundária. O que interessava era seu potencial de utilização política.
Seria engraçado imaginar uma situação inversa, na qual os denunciados não fossem “lulopetistas” e sim representantes dos partidos que hoje estão na oposição. Se o STF fizesse como faz agora, não mereceria o coro de elogios que ouve, não seria tratado como bastião da moralidade.
Seus ministros, ao invés de receber tratamento de heróis, estariam sendo achincalhados.
Especialmente os indicados por Lula e Dilma. Pobres deles! Cada voto que emitissem contra um oposicionista seria suspeito (o que ajuda a entender porque, no caso concreto, exatamente esses se sintam no dever de ser punitivos ao máximo).
Nunca foi tão apropriada a teoria de que a eleição municipal é a ante-sala da presidencial. Não para a maioria do eleitorado, que não pensa assim. Mas para a oposição - nos partidos políticos, na mídia, no Judiciário, na sociedade.
Fizeram tudo que podiam para transformar as eleições em uma derrota para Lula e o PT. Imaginaram que os dois sairiam delas menores, derrotados nos principais embates. E que, assim, chegariam à eleição que interessa, a presidencial de 2014, enfraquecidos.
Não foi isso que ocorreu nos confrontos que terminaram no dia 7 de outubro. Pelo contrário. Se as pesquisas de agora forem confirmadas, não é isso que ocorrerá no próximo domingo.
Goste-se ou não do ex-presidente e de seu partido, é um fato. E contra fatos, não há argumentos.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Serra está morto politicamente, mas não há razão para o PSDB morrer com ele - por Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)
Ele foi indo para a direita até virar uma mistura de Maluf e Reinaldo Azevedo
Serra está politicamente morto. Acabou. Mas não há razão para que o PSDB se deixe arrastar por ele para a morte.
Essa parece ser a mensagem central de FHC em suas críticas ao conservadorismo da campanha de Serra. É pouco, muito pouco. Mas pelo menos fica a impressão de que os tucanos não foram acometidos por um impulso irresistível de suicídio político.
Serra foi se encaminhando para a direita numa louca cavalgada. Apoiou-se num pastor e, com o chamado kit gay, transformou a homofobia num instrumento abjeto — e fracassado — de conquista de votos.
Pego em contradição quando a Folha mostrou que também ele quando governador patrocinara um kit gay, aspas, tergiversou cinicamente, esperneou, atacou jornalistas.
Não bastasse isso, sua campanha recebeu o endosso entusiasmado de um ex-coronel da Rota vinculado a tiros, tiros e ainda tiros. Serra acabou se transformando numa mistura bizarra de Paulo Maluf e Reinaldo Azevedo. Fernando Henrique falou em conservadorismo, mas isso é pouco. Serra parece o perfeito idiota de direita latino-americano, um anão moral que flerta com o neofascismo na ânsia de eliminar o PT.
Que ele faça isso se compreende. A ambição de Serra é inversamente proporcional a seu carisma e sua capacidade de convencer eleitores a votar nele. É provável que a presença ativa de FHC no passado tucano tenha servido de freio aos instintos mais baixos de Serra. Ele parece ser aquele tipo de homem que precisa de um chefe que o oriente e lhe ponha limites.
Mas que os tucanos deixem que ele funcione como um Jim Jones — o infame chefe de uma seita que promoveu um suicídio grupal na década de 1980 — é incompreensível. Fez bem FHC em desautorizá-lo, ainda que oblíqua e tardiamente.
Deveria ter feito antes. Na última campanha presidencial Serra já apresentara todos os defeitos que são vistos agora. Sua mulher usou a questão do aborto como ele usa agora o kit gay. Ele trapaceou ao se fingir vítima de um atentado. Ali já era o caso de receber do próprio partido um cartão vermelho válido pela eternidade.
Enterrado Serra, os tucanos vão ter que se empenhar para que a imagem do partido não seja devastada pelo absurdo comportamento dele nos últimos anos. A democracia ganha quando uma administração tem uma oposição rica em ideias alternativas. Mas o PSDB de Serra tem sido o oposto disso: o encontro da obsolescência com a desfaçatez.
Se o PSDB quer voltar ao poder, não é com golpes baixos, não é com bandeiras direitistas – é com um projeto melhor do que o do PT no que diz respeito ao combate à desigualdade social.
Uma sugestão? Mandar jovens militantes de mente aberta e alerta à Escandinávia para ver o que o partido poderia aprender com o fascinante sistema econômico, político e social nórdico.
E depois reconstruir um partido virtualmente destruído por um homem que desceu todos os degraus possíveis — e alguns mais.
Comentário
Ah esperança tola de o PSDB algum dia se tornar um bom partido.
O PSDB é natimorto.
Serra está politicamente morto. Acabou. Mas não há razão para que o PSDB se deixe arrastar por ele para a morte.
Essa parece ser a mensagem central de FHC em suas críticas ao conservadorismo da campanha de Serra. É pouco, muito pouco. Mas pelo menos fica a impressão de que os tucanos não foram acometidos por um impulso irresistível de suicídio político.
Serra foi se encaminhando para a direita numa louca cavalgada. Apoiou-se num pastor e, com o chamado kit gay, transformou a homofobia num instrumento abjeto — e fracassado — de conquista de votos.
Pego em contradição quando a Folha mostrou que também ele quando governador patrocinara um kit gay, aspas, tergiversou cinicamente, esperneou, atacou jornalistas.
Não bastasse isso, sua campanha recebeu o endosso entusiasmado de um ex-coronel da Rota vinculado a tiros, tiros e ainda tiros. Serra acabou se transformando numa mistura bizarra de Paulo Maluf e Reinaldo Azevedo. Fernando Henrique falou em conservadorismo, mas isso é pouco. Serra parece o perfeito idiota de direita latino-americano, um anão moral que flerta com o neofascismo na ânsia de eliminar o PT.
Que ele faça isso se compreende. A ambição de Serra é inversamente proporcional a seu carisma e sua capacidade de convencer eleitores a votar nele. É provável que a presença ativa de FHC no passado tucano tenha servido de freio aos instintos mais baixos de Serra. Ele parece ser aquele tipo de homem que precisa de um chefe que o oriente e lhe ponha limites.
Mas que os tucanos deixem que ele funcione como um Jim Jones — o infame chefe de uma seita que promoveu um suicídio grupal na década de 1980 — é incompreensível. Fez bem FHC em desautorizá-lo, ainda que oblíqua e tardiamente.
Deveria ter feito antes. Na última campanha presidencial Serra já apresentara todos os defeitos que são vistos agora. Sua mulher usou a questão do aborto como ele usa agora o kit gay. Ele trapaceou ao se fingir vítima de um atentado. Ali já era o caso de receber do próprio partido um cartão vermelho válido pela eternidade.
Enterrado Serra, os tucanos vão ter que se empenhar para que a imagem do partido não seja devastada pelo absurdo comportamento dele nos últimos anos. A democracia ganha quando uma administração tem uma oposição rica em ideias alternativas. Mas o PSDB de Serra tem sido o oposto disso: o encontro da obsolescência com a desfaçatez.
Se o PSDB quer voltar ao poder, não é com golpes baixos, não é com bandeiras direitistas – é com um projeto melhor do que o do PT no que diz respeito ao combate à desigualdade social.
Uma sugestão? Mandar jovens militantes de mente aberta e alerta à Escandinávia para ver o que o partido poderia aprender com o fascinante sistema econômico, político e social nórdico.
E depois reconstruir um partido virtualmente destruído por um homem que desceu todos os degraus possíveis — e alguns mais.
Comentário
Ah esperança tola de o PSDB algum dia se tornar um bom partido.
O PSDB é natimorto.
domingo, 21 de outubro de 2012
A nova política e as eleições (Aldo Fornazieri - Estadão) + análise
A nova política e as eleições - por Aldo Fornazieri (Estado de São Paulo)
As eleições presidenciais de 2010 e as eleições municipais deste ano produziram dois fatos novos que surpreenderam analistas políticos e adquiriram o status de "fenômenos". Em 2010 a grande surpresa foram os 20% dos votos nacionais alcançados por Marina Silva, cuja candidatura estava incursa num contexto de pouco tempo de TV, escassos recursos e débil estrutura partidária, mas articulava uma rede de apoiadores ligados a causas ambientais. Em 2012 o candidato Celso Russomanno liderou as pesquisas durante quase todo o primeiro turno e obteve 21,6%. Guardadas as diferenças, em vários aspectos o candidato do PRB concorreu em circunstâncias similares às de Marina Silva. Sua principal rede de apoio foi constituída por igrejas. Religião e moral foram temas presentes nas eleições de 2010 e novamente neste ano.
É bastante discutida, no âmbito da ciência política, a tese de que está em processamento uma mudança temática dos assuntos discutidos em campanhas eleitorais. A ideia central é a de que os temas tradicionais ligados aos direitos trabalhistas, à seguridade social e à luta de classes perderam relevância. A raiz desse processo estaria ligada à emergência da globalização, à mudança do padrão produtivo relacionado à passagem da sociedade industrial para a sociedade tecnológica, ao enfraquecimento dos sindicatos fabris tradicionais e à desarticulação das comunidades de trabalhadores. Esses fatores teriam produzido um esvaziamento dos valores da solidariedade e do coletivismo.
O debate político estaria fluindo para os temas da moralidade, tais como aborto, direitos dos grupos LGBT, direitos dos animais, direitos dos consumidores, etc. Em outra frente ganhariam espaço no debate político-eleitoral os temas ambientais, as políticas de sustentabilidade e os modos do viver urbano.
Um terceiro campo da nova política se relaciona à religiosidade. O principal alerta sobre esse aspecto foi feito por Gilles Kepel, com o livro A Revanche de Deus. Segundo o autor, cristãos e muçulmanos de diversas designações e seitas (e outras religiões) estariam empenhados numa grande batalha para reconquistar o mundo, provocando forte impacto nas discussões políticas em diversos países.
A revanche de Deus articula-se e avança, em parte, nos espaços vazios deixados pelo fracasso das ideologias do século 20, pelo enfraquecimento das identidades nacionais e pela incapacidade das democracias de se anteciparam ao advento de problemas e de resolverem problemas existentes. O cientificismo racionalista da era moderna e, particularmente, do século 20 não foi capaz de dar respostas às dúvidas humanas e nem mesmo de oferecer soluções para os dramas sociais relacionados à pobreza e ao aquecimento global. Hoje praticamente a metade da humanidade vive em condições de pobreza.
Em suma, o desencantamento do mundo, promovido pela ciência e pelo Iluminismo, não foi capaz de conduzir a humanidade a um estágio de progresso, certezas e completude. A falta de respostas às angústias existenciais, a realidade carente de significados e de identidades e a escassez de recursos para atender às diversas necessidades e demandas sociais promoveram o ressurgimento das religiões, com suas pregações convincentes propondo a resignação diante dos dramas insolúveis, a busca do possível e a esperança na transcendência. As religiões, ao contrário dos partidos políticos, que se tornaram agrupamentos de interesses vinculados a uma teia de negócios privados, têm uma imensa capacidade de acolher as pessoas e de dar significação à vida comunitária.
Um quinto campo da nova política são as ações voltadas para as comunidades. Esse conceito precisa ser dimensionado em três sentidos: 1) As comunidades tradicionais, relacionadas a povos indígenas, quilombolas, ciganos, negros, etc.; 2) as comunidades novas, como as de hispânicos, judeus e asiáticos nos EUA, e as de árabes, africanos, filipinos e turcos na Europa; e 3) as comunidades urbanas, relacionadas à localização territorial de bairros e favelas. As comunidades urbanas definem-se por uma série de interações de trabalho, de cultura, de hábitos e de consumo e por valores e crenças difusos. As comunidades têm demandas políticas e necessidades de apoio e acolhimento específicas.
É de notar que as igrejas, mais que os partidos, podem ter ou têm importantes acessos a essas comunidades. Há uma espécie de confluência entre interesses e práticas comunitárias e religiosas, ao menos em muitos casos. Nos momentos eleitorais o acesso dos candidatos e partidos às comunidades diversas, de modo geral, requer a mediação de lideranças locais e de agentes religiosos. Essa circunstância aumenta o cacife eleitoral das igrejas e de seus líderes. Os partidos que articulam boas redes de transmissão com igrejas e comunidades tendem a constituir condições de vantagens eleitorais.
Este novo quadro referencial torna a ação política e eleitoral mais complexa e cria um grau de dificuldades maior para os partidos e candidatos que se pautam por condutas e por agendas laicas. Os partidos laicos tendem a ceder às tentações das políticas da moralidade, das comunidades e das religiões. Não é por acaso que se veem os partidos cada vez mais empenhados em recrutar lideranças religiosas e comunitárias.
De qualquer forma, os atores da nova política não podem ser ignorados. O temor de que eles representem uma ameaça ao Estado laico e à política republicana da não particularização do poder público tem sua razão de ser. Afinal de contas, observa-se uma vontade de poder político por parte de líderes religiosos e uma inclinação religiosa de partidos políticos. Mas, por outro lado, fica também o desafio do laicismo e do republicanismo de se reinventarem ante o esgotamento de velhas fórmulas de representação e da necessidade de novas formas de agir político.
Análise sobre o texto
O artigo é um tanto insípido, cita os problemas como se eles surgissem do vácuo, mas permite múltiplas análises interessantes.
Marina contou com extrema boa-vontade dos grandes veículos de comunicação única e exclusivamente por um motivo: uma boa votação para ela permitiria que o candidato favorito da imprensa marrom chegasse ao segundo turno. Foi omitido dos eleitores a má-vontade com que esta mesma imprensa tratava Marina enquanto ela era ministra do governo Lula, chamando-a de incompetente dia sim, dia não. Por outro lado, também foram omitidas as incongruências de sua campanha, tanto as ideológicas (¿pode existir um “ecocapitalismo”?), quanto as de caráter prático (o próprio candidato a vice-presidente pela chapa da Marina fora multado em milhões de reais pelo Ibama por danos ambientais causados por ele em seus negócios! Não vi esta notícia ser repercutida na velha mídia – porém, se fosse a Marina a enfrentar o Almirante do Tietê, estas “peculiaridades” seriam imensamente reverberadas).
Marina obteve boa votação mediante uma avalanche de denúncias contra Dilma Roussef no final do 1º turno. As que tiveram mais efeito, na verdade, não foram as que grassavam nos jornais, e sim as que corriam silenciosas, alimentadas pela campanha de José Serra, sobre aborto, fechamento de igrejas e que tais.
Russomano já obteve o voto religioso de maneira mais categórica, desde as primeiras pesquisas – e os que seguiram com ele até o fim, mesmo depois do derretimento de sua candidatura, devem, em sua maioria, possuir origem similar. Esta votação significativa que Russomano obteve não era prevista para Marina no primeiro turno de 2010 – mas ela acabou sendo depositária destes mesmos votos, oriundos de uma classe extremamente conservadora por causa da religião. Nisto, creio que há consenso com o texto.
Agora, quando o autor analisa de maneira distante a mudança da pauta das eleições, de temas sociais/econômicos para morais/religiosos, ele omite que há um específico personagem, aliás, deplorável personagem da política brasileira, que pauta estes temas (aborto, igrejas, kit gay, etc.). Não é um caminho natural da política a discussão destes temas em campanhas eleitorais. A política não segue um curso feito as águas de um rio, que descambam sem saber para onde se vai. A política é direcionada por pessoas e suas decisões. Quando guiada por pessoas inescrupulosas, aéticas e derrotadas, as consequências negativas daí oriundas são inevitáveis.
Sobre a mudança da pauta, poderíamos argumentar ainda mais, de maneira mais ideologizada.
A perda do foco da luta de classes, o esvaziamento dos valores da solidariedade e do coletivismo são fatos incontestes. Creio que sejam consequências ainda oriundas dos graves erros cometidos pela União Soviética, que fraquejaram a luta pelos partidos de esquerda no mundo todo. Decerto que há os que, por maldade ou desfaçatez intelectual, querem confundir, intencionalmente, os erros de um país com os erros de uma ideologia.
Para agravar o problema, o oligopólio das comunicações no Brasil facilita a reprodução de mensagens alienantes e estultas. O povo que se alimenta diariamente de porções generosas de estupidez e desinformação, simultaneamente se vê privado de bens que esta própria sociedade de consumo gera a necessidade que ele possua. Sem conseguir atingir os sonhos que lhe foram inseminados, frustra-se com o resultado alcançado. Devido a sua precária formação intelectual, não consegue formular que sua condição não é natural, não consegue formular que esta como esta porque uma ideologia reinante (capitalista) lhe obsta o desenvolvimento, decepa-lhe os braços, impede seu desenvolvimento, suga sua capacidade vital para enriquecer outrem. É um pobre, e vincula esta pobreza a erros seus, ou de seus familiares, ou de um governo qualquer. Não contra o sistema. Sem conseguir sair deste imbróglio, se volta para a religião, saída confortável sob vários aspectos, já que lhe provê o sentido que, sem ela, não conseguiria ver na vida.
As forças de esquerda (intelectuais, partidos políticos, a – cada vez mais e mais – escassa parte progressista da igreja católica, a universidade, sindicatos, etc.), não conseguem se inserir no meio do povo, pois, no fim das contas, tem horror a ele. Adoram-no, colocam-no em um altar, fazem tudo por ele – desde que não tenham contato direto com os miseráveis. Os pastores, com toda sua limitação intelectual, conseguem se inserir nos meios mais carentes porque vão com tudo, sem pudores ou receios, lidar com os mais humildes. Normalmente, as forças de esquerda olham com distanciamento (se não com desconfiança) para os pobres, vendo todos como causas perdidas, por serem desprovidos de consciência de classe e de valores ideológicos profundos (lumpem-proletariado).
A questão é que há muitos trabalhadores, de fato, mais preocupados com o último capítulo da novela do que com as eleições que atualmente ocorrem. Convém para os donos do poder que assim seja. Porém, os mais humildes ESTÃO desprovidos de consciência não SÃO desprovidos de consciência. Pode ser diferente. Esta alienação não é uma verdade inexorável.
Agora, não se conseguirá uma profunda mudança como esta se os adeptos da esquerda não forem a campo, se não saírem de seus confortáveis escritórios com ar condicionado e se misturarem com os mais simples, quiçá em movimentos comunitários, quiçá em igrejas, enfim, não consigo formular como nós da esquerda conseguiríamos avançar neste campo, mas os pastores, com todas as suas limitações (destacadamente as de caráter ético e intelectual) foram lá e fizeram. Misturaram-se e convenceram – isto, claro, conseguindo ainda retirar parte dos já precários rendimentos que os mais humildes possuem.
A parte progressista da igreja católica até tenta se inserir, tenta ajudar os humildes, mas é cada vez menor. Os movimentos sociais, claro, são o próprio povo, reverberam sua voz, é a própria sociedade organizada lutando, estão completamente isentos das críticas que aqui comento. Porém, as outras forças que compõem a esquerda só os auxiliam de maneira tênue, e às vezes, com sua inação, até atrapalham – pois como os movimentos agem, acabam sendo pautados como radicais, baderneiros e que tais.
Não suponho, entretanto, que esta desejada inserção verdadeira dentro da sociedade pelas forças de esquerda vá acontecer.
Os sindicatos, em sua maioria enclausurados por lideranças esclerosadas e ignóbeis, são direcionados com um único objetivo: não permitir jamais que estas mesmas lideranças voltem para o chão de fábrica. São instituições dirigidas para este fim. O resto é tudo acessório (promover uma revolução que acabasse com a própria necessidade de sindicatos, melhorias sociais/econômicas/ambientais para seus representados, eleições, etc.). Nada disso interessa – o que interessa é não voltar pra base. Qual é o argumento válido para que um sindicalista – independente de quem seja – permaneça mais de dez anos afastado de sua base? Nenhum. Válido, nenhum. A base necessita de pessoas esclarecidas, bem formadas e com capacidade de arregimentação/formação para se oxigenar. Mas depois que se consegue a boquinha, são poucos os que querem voltar... triste, triste demais. Um exemplo: quando o hipócrita defensor de projeto que permite a terceirização até de Deus, o tal Paulinho da Força (¿ou a Força é que é do Paulinho?) pretende retornar a base? Que sindicalista é este que utiliza a estrutura do sindicato como trampolim para projetos eleitorais próprios? E assim vai... os exemplos são múltiplos e as principais centrais sindicais do Brasil (mesmo as que se dizem mais radicais, como a Conlutas) reproduzem todas, sem exceção, estes graves problemas: distanciamento da base / objetivo precípuo de não retornar jamais pra ela.
Os intelectuais, como já dito, possuem muita dificuldade de inserção e até alguma aversão ao contato direto com o povo. São aqueles que leem um livro de Jorge Amado (quando lêem) como se lessem algo sobre alienígenas: todas aquelas prostitutas, aqueles desvalidos, os maltrapilhos, enfim, tudo aquilo tão repelente, tudo que eles querem se manter distante. Melhor ir pro shopping, né?
A universidade fala para si mesma, muito mais preocupada em questões corporativas do que em pensar o país, em formular, em apontar soluções (coisas de responsabilidade de toda a sociedade organizada, e também dos três poderes, mas que recai única e exclusivamente sobre as costas do executivo). Quando as universidades conseguem uma produção intelectual sociológica relevante, ela é emudecida pelos veículos de comunicação – falam, novamente, para si mesmos, para os convertidos.
Os grandes partidos políticos de esquerda (se é que existe algum de fato de esquerda) – mesmo os compostos por militantes valorosos – comportam-se de maneira peculiar: odeiam a imprensa marrom, mas também abanam o rabo para ela e, correm atrás dela feito doidos ao menor sinal de que poderão dar uma entrevista. Ou seja, em benefício próprio, referendam o próprio veículo de comunicação que consideram filosoficamente nocivos a população. São ao mesmo tempo covardes, subservientes e ideologicamente mutilados. Uma proeza.
Para especificar cada partido:
PSB – um partido que tem dono – o neocoronel Eduardo Campos, um depositário das generosas obras que o presidente Lula fez em seu estado natal. Ele deve realmente ter muito tempo (pra ser governador de estado e concomitantemente – há muitos anos – presidente de um grande partido). Na parte do mandato que exclusivamente lhe cabe, como segurança pública, é um desastre. Uma conta óbvia: ideologia do PSB = 0. Um exemplo irretorquível: o candidato a presidente (!) do PSB de 2002 foi... Antony Garotinho. É um partido que não consegue ver diferença entre o PSDB e o PT. Melhor pular para o próximo.
PC do B – o partido da boquinha. Se oferecerem cargos, se une até a Aécio e Serra. De comunista, só o nome. Seu último grande destaque foi Aldo Rebelo cerrando fileiras com... Kátia Abreu. Como podemos observar, muito ideológico também.
PDT – mesmo contando com alguns bons nomes, como o próprio ministro Brizola Neto, como um todo não passa de uma babel. Se possui Brizola Neto (um notório representante do trabalhismo) como membro, também possui diversos membros absolutamente conservadores, que não sabem nada de história, nem de Brizola, nem de Getúlio, nem de Jango, nem de trabalhismo, de nacionalismo, de nada – como o próprio Paulinho, sujeito nocivo, degradante, infenso aos interesses dos trabalhadores.
PT – partido com maior força, maior quantidade de quadros, pode ser considerado o maior vencedor da esquerda. Padece com seus próprios equívocos (Palocci, nomeações para o STF, não execução de uma reforma política, ausência de uma lei que regulamentasse – e não censurasse, claro – os meios de comunicação, por ter no governo ouvidos moucos a sua própria militância, etc. As consequências só deste último equívoco são óbvias – ou alguém ainda pensa, depois de ver Tombini no BC que Meirelles era uma concessão necessária?). O PT vê candidamente crescer sobre suas próprias barbas uma antagonização espúria ao seu nome. Hoje, em certos veículos – e por conseguinte, em certa parcela da sociedade – chamar alguém de petista é o mesmo que um xingamento. Algum dia esta conta será cobrada e a inação ante este tipo de sordidez terá consequências. Pelo exemplar desempenho que Haddad teve como ministro da educação (de longe o melhor da história), e pelos notórios problemas que o Almirante do Tietê possui, Haddad deveria estar a quilômetros de distância. Só não esta por causa do PT – e não por deficiências suas como candidato.
Os pequenos partidos de extrema esquerda Psol (aquele que preferiu declarar-se neutro no 2º turno a apoiar o adversário de ACM Neto, dentre outras tantas hipocrisias), PSTU, PCO, PCB, etc., padecem dos mesmos equívocos dos intelectuais (distanciamento do povo) e, por outro lado, ainda agregam mais algumas deletérias características: a burocratização, a ineficiência, a perda de energia em vãos combates internos (¿será um resquício da influência soviética ou, – Deus queira que não – é um mal irreversível dos dirigentes de esquerda?).
Com este quadrante, de fato, é inevitável o resultado que o autor aponta, com cerca da metade da população mundial vivendo na pobreza. Entretanto, outro mundo é possível – este sistema capitalista dominante não é natural, tampouco eterno: cabe-nos superá-lo.
P.S.: Com relação a preocupação ambiental como tema de campanha, isto é uma balela sem tamanho. Entra em um ônibus e pergunta sobre quem votou em alguém por este motivo. Para dar um exemplo específico: a maior obra do atual prefeito de Vitória em seu segundo mandato foi o saneamento básico. Vitória é a primeira capital do Brasil com esgoto 100% tratado – fato a ser festejado por todos os que se preocupam com o tema, claro. Porém, as obras, que foram finalizadas agora, geraram enormes transtornos (congestionamentos, buracos pra todo lado, etc.). Com o saneamento básico garantido, o povo recebeu um aumento de 80% na conta de água (dinheiro cobrado pelo tratamento da água feito pela companhia estadual de abastecimento de água – Cesan). A conta então foi a seguinte: a prefeitura gastou rios de dinheiro para fazer a obra, a Cesan só arrecada e, o prefeito ainda amarga a impopularidade do aumento da conta de água (sendo que a prefeitura não recebe nem um vintém a mais por conta disto). O resultado desta relevante obra ambiental é que a candidata do PT a prefeitura – em que pese suas próprias deficiências – não conseguiu sequer ir para o segundo turno. O PT municipal só teve prejuízo eleitoral em fazer esta obra, posto que onerosa, grande geradora de transtornos e, para o grosso da população, só gerou o aumento da conta de água. Fosse a preocupação ambiental uma preocupação verdadeira da população, a votação da candidata do PT deveria ter sido estrondosa. O grosso da população não vota por ideologia, preocupação ambiental ou que tais, mas pelo bolso, isto é consabido, não vamos teorizar em vão.
sábado, 20 de outubro de 2012
Carminha tem rejeição menor que José Serra - por Piauí Herald
DIVINO - Pesquisa do Datafolha divulgada hoje revela que o índice de rejeição de Carminha chegou a impressionantes 49%. Com isso, a vilã fica atrás apenas de José Serra, que tem 52%. Trata-se da maior rejeição desde que o Campeonato Brasileiro começou a ser disputado em pontos corridos. Na lista dos dez primeiros ainda estão Galvão Bueno (46%), José Dirceu (45%), Jorge Vercillo (40%), Otávio Mesquita (37%), Pedro Bial (35%), Fausto Silva (32%), Wanderley Luxemburgo (30%) e Susana Vieira, empatada com Fátima Bernardes (29%). "Pelo menos estou liderando alguma pesquisa", destacou Serra.
Para reverter o quadro na reta final, filósofos da campanha bolaram uma estratégia randômica, na qual Serra ataca em bloco e defende em espiral. No último debate, por exemplo, o tucano passou o tempo inteiro chamando Haddad pelo primeiro nome. "Quem sabe não transfiro alguns votos do Haddad para esse tal Fernando", elucidou. No final do dia, nova pesquisa de intenção de votos foi divulgada e Serra apareceu em terceiro, atrás de Haddad e de Fernando.
Os rumores de que o PSDB pretende abandonar Serra no lixão não foram confirmados.
Para reverter o quadro na reta final, filósofos da campanha bolaram uma estratégia randômica, na qual Serra ataca em bloco e defende em espiral. No último debate, por exemplo, o tucano passou o tempo inteiro chamando Haddad pelo primeiro nome. "Quem sabe não transfiro alguns votos do Haddad para esse tal Fernando", elucidou. No final do dia, nova pesquisa de intenção de votos foi divulgada e Serra apareceu em terceiro, atrás de Haddad e de Fernando.
Os rumores de que o PSDB pretende abandonar Serra no lixão não foram confirmados.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
A democracia em risco – por Marcos Coimbra (CartaCapital)
Enquanto a democracia brasileira dá mais uma mostra de saúde, com as belas eleições do domingo 7, uma tempestade se arma contra ela. É bom estarmos prevenidos, pois seus efeitos podem ser graves.
Faz tempo que uma doença atinge nossas instituições. Os especialistas a chamam de judicialização. A palavra não existia até há pouco. Mas teve de ser criada, pois um fenômeno novo e relevante surgiu e precisava ser batizado.
Designa a hipertrofia do Judiciário e sua invasão das atribuições dos demais Poderes. A judicialização acontece quando esse poder submete, ou quer submeter, o Legislativo e o Executivo.
No mundo de hoje, é mais comum que o Executivo seja a ameaça. As queixas são generalizadas contra a perda de funções do Legislativo, subtraídas por seu crescimento desmesurado. Administrações cada vez mais complexas e burocratizadas, que atuam como se estivessem em campo oposto aos parlamentos, são regra e não exceção. O que estamos presenciando é outro fenômeno. A “judicialização” nada tem a ver com as tensões tradicionais e necessárias que existem entre os Poderes.
Na democracia, a fonte da legitimidade do Executivo e do Legislativo é a mesma: o voto popular. O primeiro reflete a maioria, o segundo, a diversidade, pois nele todas as minorias relevantes podem se expressar.
O Judiciário é diferente, por ser o único poder cujos integrantes são profissionais de carreira e não representam ninguém. E é especialmente grave o risco de que invada a esfera dos outros. De que queira subordiná-los ao que seus titulares eventuais, na ausência de um mandato popular autêntico, supõem ser o interesse coletivo.
O julgamento do “mensalão” tem sido o mais agudo exemplo da judicialização que acomete nossas instituições.
Já tínhamos tido outros, um de consequências nefastas nas questões de fundo suscitadas pelo episódio do mensalão. A proliferação artificial de partidos, encorajada por uma legislação que há muito precisa ser revista, foi limitada por lei emanada do Congresso Nacional, que a Presidência da República sancionou. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) a restaurou.
Em nome de um “democratismo”, manteve normas que complicam o voto para o eleitor e dificultam a formação de maiorias parlamentares menos voláteis, problema que todos os presidentes enfrentaram e enfrentam.
Isso é, porém, café-pequeno perante o que estamos vendo desde o início do julgamento.
Sem que tenha recebido da sociedade mandato legítimo, o STF resolveu fazer, à sua maneira, o que entende ser o “saneamento” da política brasileira. Ao julgar o mensalão, pretende fixar o que o sistema político pode fazer e como.
Imbuído da missão autoatribuída, faz o que quer com as leis. Umas ignora, em outras, inova. Alarga-lhes ou encurta o alcance conforme a situação. Parece achar que os fins a que se propõe são tão nobres que qualquer meio é válido.
O problema desse projeto é o de todos que não obedecem ao princípio da representação. É o que esses ministros querem.
São 11 cidadãos (agora dez) com certeza capazes em sua área de atuação. Mas isso não os qualifica a desempenhar o papel que assumem. Pelo que revelam em seus votos e entrevistas, conhecem mal a matéria. Falta-lhes informação histórica e têm pouca familiaridade com ela. Pensam a política com as noções de senso comum, com preconceitos e generalizações indevidas.
Acreditam que a democracia deve ser tutelada, pois o povo precisaria da “proteção” de uma elite de “homens de bem”. Acham-se a expressão mais alta da moralidade, que vão “limpar” a política e dela expulsar os “sujos”.
Estão errados. Mas não é isso o que mais preocupa. Ainda que fossem dez ministros com notável conhecimento, ótimas ideias e nenhuma pretensão, que delegação teriam? Na democracia, quem quer falar pelo povo tem um caminho: apresentar-se, defender o que pensa e obter um mandato.
Fora disso, não há regras. Generais já se acharam melhores que os políticos, mais “puros”. Como os juízes de hoje, os generais estavam preparados e eram patriotas. Desconfiavam dos políticos. Viam-se como expressão da sociedade. Liam na grande mídia que “precisavam responder aos anseios do País” e moralizar a política. Tinham um deles para pôr no poder.
O final daquele filme é conhecido. E o de agora?
Faz tempo que uma doença atinge nossas instituições. Os especialistas a chamam de judicialização. A palavra não existia até há pouco. Mas teve de ser criada, pois um fenômeno novo e relevante surgiu e precisava ser batizado.
Designa a hipertrofia do Judiciário e sua invasão das atribuições dos demais Poderes. A judicialização acontece quando esse poder submete, ou quer submeter, o Legislativo e o Executivo.
No mundo de hoje, é mais comum que o Executivo seja a ameaça. As queixas são generalizadas contra a perda de funções do Legislativo, subtraídas por seu crescimento desmesurado. Administrações cada vez mais complexas e burocratizadas, que atuam como se estivessem em campo oposto aos parlamentos, são regra e não exceção. O que estamos presenciando é outro fenômeno. A “judicialização” nada tem a ver com as tensões tradicionais e necessárias que existem entre os Poderes.
Na democracia, a fonte da legitimidade do Executivo e do Legislativo é a mesma: o voto popular. O primeiro reflete a maioria, o segundo, a diversidade, pois nele todas as minorias relevantes podem se expressar.
O Judiciário é diferente, por ser o único poder cujos integrantes são profissionais de carreira e não representam ninguém. E é especialmente grave o risco de que invada a esfera dos outros. De que queira subordiná-los ao que seus titulares eventuais, na ausência de um mandato popular autêntico, supõem ser o interesse coletivo.
O julgamento do “mensalão” tem sido o mais agudo exemplo da judicialização que acomete nossas instituições.
Já tínhamos tido outros, um de consequências nefastas nas questões de fundo suscitadas pelo episódio do mensalão. A proliferação artificial de partidos, encorajada por uma legislação que há muito precisa ser revista, foi limitada por lei emanada do Congresso Nacional, que a Presidência da República sancionou. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) a restaurou.
Em nome de um “democratismo”, manteve normas que complicam o voto para o eleitor e dificultam a formação de maiorias parlamentares menos voláteis, problema que todos os presidentes enfrentaram e enfrentam.
Isso é, porém, café-pequeno perante o que estamos vendo desde o início do julgamento.
Sem que tenha recebido da sociedade mandato legítimo, o STF resolveu fazer, à sua maneira, o que entende ser o “saneamento” da política brasileira. Ao julgar o mensalão, pretende fixar o que o sistema político pode fazer e como.
Imbuído da missão autoatribuída, faz o que quer com as leis. Umas ignora, em outras, inova. Alarga-lhes ou encurta o alcance conforme a situação. Parece achar que os fins a que se propõe são tão nobres que qualquer meio é válido.
O problema desse projeto é o de todos que não obedecem ao princípio da representação. É o que esses ministros querem.
São 11 cidadãos (agora dez) com certeza capazes em sua área de atuação. Mas isso não os qualifica a desempenhar o papel que assumem. Pelo que revelam em seus votos e entrevistas, conhecem mal a matéria. Falta-lhes informação histórica e têm pouca familiaridade com ela. Pensam a política com as noções de senso comum, com preconceitos e generalizações indevidas.
Acreditam que a democracia deve ser tutelada, pois o povo precisaria da “proteção” de uma elite de “homens de bem”. Acham-se a expressão mais alta da moralidade, que vão “limpar” a política e dela expulsar os “sujos”.
Estão errados. Mas não é isso o que mais preocupa. Ainda que fossem dez ministros com notável conhecimento, ótimas ideias e nenhuma pretensão, que delegação teriam? Na democracia, quem quer falar pelo povo tem um caminho: apresentar-se, defender o que pensa e obter um mandato.
Fora disso, não há regras. Generais já se acharam melhores que os políticos, mais “puros”. Como os juízes de hoje, os generais estavam preparados e eram patriotas. Desconfiavam dos políticos. Viam-se como expressão da sociedade. Liam na grande mídia que “precisavam responder aos anseios do País” e moralizar a política. Tinham um deles para pôr no poder.
O final daquele filme é conhecido. E o de agora?
Divulguem a teoria política do Supremo - por Wanderley Guilherme dos Santos (Carta aberta)
Diante de um Legislativo pusilânime, Odoricos Paraguassú sem voto revelam em dialeto de péssimo gosto e falsa cultura a raiva com que se vingam, intérpretes dos que pensam como eles, das sucessivas derrotas democráticas e do sucesso inaugural dos governos enraizados nas populações pobres ou solidárias destes. Usando de dogmática impune, celebram a recém descoberta da integridade de notório negocista, confesso sequestrador de recursos destinados a seu partido, avaliam as coalizões eleitorais ou parlamentares como operações de Fernandinhos Beira-mar, assemelhadas às de outros traficantes e assassinos e suas quadrilhas.
Os quase quarenta milhões de brasileiros arrancados à miséria são, segundo estes analfabetos funcionais em doutrina democrática, filhos da podridão, rebentos do submundo contaminado pelo vírus da tolerância doutrinária e pela insolência de submeter interesses partidariamente sectários ao serviço maior do bem público. Bastardos igualmente os universitários do Pró-Uni, aqueles que pela primeira vez se beneficiaram com os serviços de saúde, as mulheres ora começando a ser abrigadas por instituições de governo para proteção eficaz, os desvalidos que passaram a receber, ademais do retórico manual de pescaria, o anzol, a vara e a isca. Excomungados os que conheceram luz elétrica pela primeira vez, os empregados e empregadas que aceitaram colocações dignas no mercado formal de trabalho, com carteira assinada e previdência social assegurada. Estigmatizados aqueles que ascenderam na escala de renda, comparsas na distribuição do butim resultante de políticas negociadas por famigerados proxenetas da pobreza.
Degradados, senão drogados, os vitimados pelas doenças, dependentes das drogas medicinais gratuitas distribuídas por bordéis dissimulados em farmácias populares. Pretexto para usurpação de poder como se eleições fossem, maldigam-se as centenas de conferências locais e regionais de que participaram milhões de brasileiros e de brasileiras para discussão da agenda pública por aqueles de cujos problemas juízes anencéfalos sequer conhecem a existência.
O Legislativo está seriamente ameaçado pelo ressentimento senil da aposentadoria alheia. Em óbvia transgressão de competências, decisões penais lunáticas estupram a lógica, abolem o universo da contingência e fabricam novelas de horror para justificar o abuso de impor formas de organização política, violando o que a Constituição assegura aos que sob ela vivem. Declaram criminosa a decisão constituinte que consagra a liberdade de estruturação partidária. Vingam-se da brilhante estratégia política de José Dirceu, seus companheiros de direção partidária e do presidente Lula da Silva, que rompeu o isolamento ideológico-messiânico do Partido dos Trabalhadores e encetou com sucesso a transformação do partido de aristocracias sindicais em foco de atração de todos os segmentos desafortunados do país.
Licitamente derrotados, os conservadores e reacionários encontraram no Supremo Tribunal Federal o aval da revanche. O intérprete, contudo, como é comum em instituições transtornadas, virou o avesso do avesso, experimentou o prazer de supliciar e detonou as barreiras da conveniência. Ou o Legislativo reage ou representará o papel que sempre coube aos judiciários durante ditaduras: acoelhar-se.
Imprensa independente, analistas, professores universitários e blogueiros: comuniquem-se com seus colegas e amigos no Brasil e no exterior, traduzam se necessário e divulguem o discurso do ministro-presidente Carlos Ayres de Britto sobre a política, presidencialismo, coalizões e tudo mais que se considerou autorizado a fazer. Divulguem. Divulguem. Se possível, imprimam e distribuam democraticamente. É a fama que merece.
Os quase quarenta milhões de brasileiros arrancados à miséria são, segundo estes analfabetos funcionais em doutrina democrática, filhos da podridão, rebentos do submundo contaminado pelo vírus da tolerância doutrinária e pela insolência de submeter interesses partidariamente sectários ao serviço maior do bem público. Bastardos igualmente os universitários do Pró-Uni, aqueles que pela primeira vez se beneficiaram com os serviços de saúde, as mulheres ora começando a ser abrigadas por instituições de governo para proteção eficaz, os desvalidos que passaram a receber, ademais do retórico manual de pescaria, o anzol, a vara e a isca. Excomungados os que conheceram luz elétrica pela primeira vez, os empregados e empregadas que aceitaram colocações dignas no mercado formal de trabalho, com carteira assinada e previdência social assegurada. Estigmatizados aqueles que ascenderam na escala de renda, comparsas na distribuição do butim resultante de políticas negociadas por famigerados proxenetas da pobreza.
Degradados, senão drogados, os vitimados pelas doenças, dependentes das drogas medicinais gratuitas distribuídas por bordéis dissimulados em farmácias populares. Pretexto para usurpação de poder como se eleições fossem, maldigam-se as centenas de conferências locais e regionais de que participaram milhões de brasileiros e de brasileiras para discussão da agenda pública por aqueles de cujos problemas juízes anencéfalos sequer conhecem a existência.
O Legislativo está seriamente ameaçado pelo ressentimento senil da aposentadoria alheia. Em óbvia transgressão de competências, decisões penais lunáticas estupram a lógica, abolem o universo da contingência e fabricam novelas de horror para justificar o abuso de impor formas de organização política, violando o que a Constituição assegura aos que sob ela vivem. Declaram criminosa a decisão constituinte que consagra a liberdade de estruturação partidária. Vingam-se da brilhante estratégia política de José Dirceu, seus companheiros de direção partidária e do presidente Lula da Silva, que rompeu o isolamento ideológico-messiânico do Partido dos Trabalhadores e encetou com sucesso a transformação do partido de aristocracias sindicais em foco de atração de todos os segmentos desafortunados do país.
Licitamente derrotados, os conservadores e reacionários encontraram no Supremo Tribunal Federal o aval da revanche. O intérprete, contudo, como é comum em instituições transtornadas, virou o avesso do avesso, experimentou o prazer de supliciar e detonou as barreiras da conveniência. Ou o Legislativo reage ou representará o papel que sempre coube aos judiciários durante ditaduras: acoelhar-se.
Imprensa independente, analistas, professores universitários e blogueiros: comuniquem-se com seus colegas e amigos no Brasil e no exterior, traduzam se necessário e divulguem o discurso do ministro-presidente Carlos Ayres de Britto sobre a política, presidencialismo, coalizões e tudo mais que se considerou autorizado a fazer. Divulguem. Divulguem. Se possível, imprimam e distribuam democraticamente. É a fama que merece.
Cinismo Político – por Cláudio Lembo (Terra Magazine)
Há surpresas inesperadas. Não se trata de resultados eleitorais. Estes até que são previsíveis. Basta ouvir várias pessoas, em segmentos sociais diversos, e se captará o resultado de um pleito eleitoral.
Apesar da mutabilidade das ações humanas, podem-se prever determinados acontecimentos futuros. Difícil é captar o pensamento hermético dos membros do Comitê do Premio Nobel.
Particularmente, quando fere o próprio pensamento do instituidor do galardão. Queria Nobel premiar pessoa que tivesse realizado o máximo esforço para a abolição ou redução de exércitos permanentes.
Ora, cinicamente, os países europeus, após a Segunda Guerra Mundial, infringindo tratados, procuraram conceber forças armadas altamente competitivas.
Não tiveram nenhum pudor em usas suas armas contra os mais variados povos do mundo sobre o falso argumento de impor seus elevados conceitos (sic) nas mais diversas regiões do planeta.
Muitas qualidades podem ser conferidas aos europeus e a sua combalida União Européia. Falta, porém, base moral para a concessão de um Prêmio Nobel da Paz à Organização.
A declaração deste último fim de semana parece inverossímil. Quando o antigo primeiro ministro da Noruega anunciou o Nobel da Paz parecia ouvir-se a fala equivocada de um desavisado.
Todas as referências – positivas – podem ser dirigidas aos países europeus, mas, certamente, não se encontram eles capacitados para receber um premio destinado a homenagear a paz.
Um prêmio não pode ser concedido pela mera realização de uma união econômica que teria evitado guerras entre seus integrantes. As guerras modernas têm muitas facetas.
Uma delas é a econômica. Ora, a União Européia possui um arcabouço politicamente frágil, tanto assim que seus críticos mais agudos registram a Europa das nações como uma mera Eurolândia.
Ou seja, a terra do euro, moeda que torna mais forte economicamente os países centrais e levou à pobreza os periféricos, particularmente os meridionais.
Quando povos inteiros saem às ruas e às praças para protestarem contra a política gerada em Bruxelas, sem serem ouvidos, pode-se falar em paz? Que paz é esta onde a maioria nunca é ouvida?
Já se conheceu na história política muitos cenários onde a hipocrisia e o cinismo estiveram presentes, ainda porque ambos são usuais na convivência dos Estados.
No entanto, agora os membros do Prêmio Nobel atingiram o mais alto ponto destes atributos negativos da arte da política. Premiar a União Europeia com o Nobel da Paz é fragilizar a imagem da premiação.
Talvez, no caso tenha ocorrido um ato falho dos julgadores. O instituidor do Prêmio Nobel, Alfred Bernhard Nobel, foi o inventor da dinamite e um próspero fabricante de armamentos de guerra.
Prosperou graças à morte de milhares de pessoas que sofreram os impactos de seus inventos e de suas armas. Exportou equipamentos de morte para todas as partes.
Hoje, os europeus continuam exportando armas para países envolvidos em conflitos regionais e sempre estiveram presentes em situações bélicas por todas as partes, inclusive nesta América do Sul.
Importam e dão guarida a dinheiro sujo originário dos mais diversos tipos de atos ilícitos. Nem sempre colaboram com os demais países na busca da obstacularização destas práticas imorais.
O Prêmio Nobel da Paz, ora concedido, fere os mais elementares princípios do bom senso e da solidariedade entre os povos. Agride os europeus das ruas dos países em crise.
Violou o bom senso médio de todos os povos efetivamente amantes da paz e da solidariedade entre as pessoas. A Academia Sueca perdeu boa oportunidade para não agir apressadamente.
Comentário
O senhor Obama não ganhou? E ganhou assim que assumiu o governo dos EUA – sem tempo, portanto, até para provar que faria um governo pela paz.
De fato, não fez um governo pela paz, muito ao contrário, e seu Nobel, bem como o para a União Européia não passam de piadas de mau gosto.
Apesar da mutabilidade das ações humanas, podem-se prever determinados acontecimentos futuros. Difícil é captar o pensamento hermético dos membros do Comitê do Premio Nobel.
Particularmente, quando fere o próprio pensamento do instituidor do galardão. Queria Nobel premiar pessoa que tivesse realizado o máximo esforço para a abolição ou redução de exércitos permanentes.
Ora, cinicamente, os países europeus, após a Segunda Guerra Mundial, infringindo tratados, procuraram conceber forças armadas altamente competitivas.
Não tiveram nenhum pudor em usas suas armas contra os mais variados povos do mundo sobre o falso argumento de impor seus elevados conceitos (sic) nas mais diversas regiões do planeta.
Muitas qualidades podem ser conferidas aos europeus e a sua combalida União Européia. Falta, porém, base moral para a concessão de um Prêmio Nobel da Paz à Organização.
A declaração deste último fim de semana parece inverossímil. Quando o antigo primeiro ministro da Noruega anunciou o Nobel da Paz parecia ouvir-se a fala equivocada de um desavisado.
Todas as referências – positivas – podem ser dirigidas aos países europeus, mas, certamente, não se encontram eles capacitados para receber um premio destinado a homenagear a paz.
Um prêmio não pode ser concedido pela mera realização de uma união econômica que teria evitado guerras entre seus integrantes. As guerras modernas têm muitas facetas.
Uma delas é a econômica. Ora, a União Européia possui um arcabouço politicamente frágil, tanto assim que seus críticos mais agudos registram a Europa das nações como uma mera Eurolândia.
Ou seja, a terra do euro, moeda que torna mais forte economicamente os países centrais e levou à pobreza os periféricos, particularmente os meridionais.
Quando povos inteiros saem às ruas e às praças para protestarem contra a política gerada em Bruxelas, sem serem ouvidos, pode-se falar em paz? Que paz é esta onde a maioria nunca é ouvida?
Já se conheceu na história política muitos cenários onde a hipocrisia e o cinismo estiveram presentes, ainda porque ambos são usuais na convivência dos Estados.
No entanto, agora os membros do Prêmio Nobel atingiram o mais alto ponto destes atributos negativos da arte da política. Premiar a União Europeia com o Nobel da Paz é fragilizar a imagem da premiação.
Talvez, no caso tenha ocorrido um ato falho dos julgadores. O instituidor do Prêmio Nobel, Alfred Bernhard Nobel, foi o inventor da dinamite e um próspero fabricante de armamentos de guerra.
Prosperou graças à morte de milhares de pessoas que sofreram os impactos de seus inventos e de suas armas. Exportou equipamentos de morte para todas as partes.
Hoje, os europeus continuam exportando armas para países envolvidos em conflitos regionais e sempre estiveram presentes em situações bélicas por todas as partes, inclusive nesta América do Sul.
Importam e dão guarida a dinheiro sujo originário dos mais diversos tipos de atos ilícitos. Nem sempre colaboram com os demais países na busca da obstacularização destas práticas imorais.
O Prêmio Nobel da Paz, ora concedido, fere os mais elementares princípios do bom senso e da solidariedade entre os povos. Agride os europeus das ruas dos países em crise.
Violou o bom senso médio de todos os povos efetivamente amantes da paz e da solidariedade entre as pessoas. A Academia Sueca perdeu boa oportunidade para não agir apressadamente.
Comentário
O senhor Obama não ganhou? E ganhou assim que assumiu o governo dos EUA – sem tempo, portanto, até para provar que faria um governo pela paz.
De fato, não fez um governo pela paz, muito ao contrário, e seu Nobel, bem como o para a União Européia não passam de piadas de mau gosto.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Chefe da fiscalização do Trabalho reclama de “cabresto político” e pede exoneração - por blog do Sakamoto
A auditora fiscal Vera Lúcia Albuquerque pediu exoneração, na manhã desta quinta (11), da chefia da Secretaria Nacional de Inspeção (SIT) do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego – cargo que ocupava há um ano e dez meses. O órgão é responsável por verificar o cumprimento da legislação trabalhista em todo o país e tem, entre outras atribuições, a responsabilidade por fiscalizar denúncias de escravidão contemporânea, de trabalho infantil e de fraudes no FGTS.
Vera desempenhou um papel importante na articulação política pela aprovação da proposta de emenda constitucional que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo for encontrado. A PEC 438/2001 passou em segundo turno na Câmara dos Deputados, em maio deste ano, e retornou ao Senado sob o número 57A/1999.
“Estou indignada com o profundo desrespeito à inspeção do trabalho”, afirmou em entrevista a este blog. Vera reclama do risco de mudança na política do Ministério do Trabalho e Emprego. “Há uma tentativa de defender o empregador a qualquer preço. O ministério tem que estar a serviço da sociedade e não apenas de empregadores ou de interesses pessoais e partidários”, afirma. “Estão tentando colocar um cabresto político na inspeção do trabalho.”
“Procurar o ministro para tentar mostrar a ele os problemas não adianta, porque ele nunca aparece”, reclama. Ela também alerta para o risco de partidarização da fiscalização do trabalho. Uma disputa estaria ocorrendo entre o ministro Brizola Neto e o ex-ministro Carlos Lupi pelo controle do PDT.
Vera afirma que há uma tentativa de enfraquecimento da inspeção do trabalho no país. E que isso passa pela fragilização da estrutura e por trazer pessoas por motivações políticas para cargos que exigiriam conhecimento técnico. Por exemplo, ela teme que o seu cargo seja ocupado não por um auditor fiscal de carreira, mas por alguém que não tenha conhecimento sobre o assunto. Questiona qual seria o real interesse de colocar pessoas que não dominam a legislação, normas e instruções para essas funções.
Em uma carta enviada a auditores fiscais de todo o Brasil, ela cita o artigo sexto da Convenção número 81 da Organização Internacional do Trabalho, que diz respeito à inspeção do trabalho, que deve ser independente de “qualquer mudança de governo ou de qualquer influência externa indevida”. Para ela, a gota d’água para a decisão foi a nomeação de uma pessoa para a Chefia da Fiscalização do Trabalho na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro sem que houvesse consulta à SIT, como era de praxe em gestões dos outros ministros. Esta não teria sido a única vez que a Secretaria foi ignorada na gestão de pessoal. Solicitou-se à cúpula do ministério que a decisão fosse revista, mas não teria havido resposta.
“Não admito que a inspeção do trabalho seja desrespeitada como está acontecendo nessa gestão e o meu gesto é uma demonstração disso”, afirma Vera. Ela ficará no cargo até que a exoneração seja publicada pelo Diário Oficial e retornará às suas funções de auditora fiscal do trabalho no Rio de Janeiro.
A Secretaria Geral da Presidência da República e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com as quais a SIT possui um trabalho estreito por conta dos programas de combate ao trabalho escravo e de promoção do emprego decente na construção civil e no setor sucroalcooleiro, também estão sendo informadas da exoneração.
A Secretaria de Inspeção do Trabalho é responsável por gerir o cadastro de empregadores flagrados com mão de obra escrava, a conhecida “lista suja”. O instrumento é considerado um dos principais no combate à escravidão, sendo usado pelo setor empresarial para gerenciamento de riscos de suas cadeias produtivas. Por isso, a SIT tem sofrido ataques por parte de empregadores insatisfeitos com bloqueios comerciais e de financiamento e de seus representantes políticos desde a criação do cadastro em 2003. Recentemente, houve fortes pressões por conta da inclusão de nomes famosos na “lista suja”, como a MRV Engenharia, uma das principais executoras do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A empresa se encontra excluída da lista por decisão liminar.
O ministro Brizola Neto não foi localizado nesta manhã para comentar o pedido de saída e as afirmações pela demissionária secretária nacional.
Sua equipe foi informada pela reportagem sobre a decisão e, em seu gabinete, a notícia provocou surpresa. “Só podemos comentar em cima de fatos e não fomos informados oficialmente ainda”, afirmou Fernando Imediato, que faz parte da equipe do ministro e afirmou que encaminharia a questão. Este blog e a Repórter Brasil enviaram uma série de perguntas a Brizola Neto, solicitando que o retorno fosse o mais breve possível.
Com Daniel Santini da Repórter Brasil
Vera desempenhou um papel importante na articulação política pela aprovação da proposta de emenda constitucional que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo for encontrado. A PEC 438/2001 passou em segundo turno na Câmara dos Deputados, em maio deste ano, e retornou ao Senado sob o número 57A/1999.
“Estou indignada com o profundo desrespeito à inspeção do trabalho”, afirmou em entrevista a este blog. Vera reclama do risco de mudança na política do Ministério do Trabalho e Emprego. “Há uma tentativa de defender o empregador a qualquer preço. O ministério tem que estar a serviço da sociedade e não apenas de empregadores ou de interesses pessoais e partidários”, afirma. “Estão tentando colocar um cabresto político na inspeção do trabalho.”
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| Fiscal toma depoimento de resgatados do trabalho escravo no Pará (Foto: Leonardo Sakamoto) |
“Procurar o ministro para tentar mostrar a ele os problemas não adianta, porque ele nunca aparece”, reclama. Ela também alerta para o risco de partidarização da fiscalização do trabalho. Uma disputa estaria ocorrendo entre o ministro Brizola Neto e o ex-ministro Carlos Lupi pelo controle do PDT.
Vera afirma que há uma tentativa de enfraquecimento da inspeção do trabalho no país. E que isso passa pela fragilização da estrutura e por trazer pessoas por motivações políticas para cargos que exigiriam conhecimento técnico. Por exemplo, ela teme que o seu cargo seja ocupado não por um auditor fiscal de carreira, mas por alguém que não tenha conhecimento sobre o assunto. Questiona qual seria o real interesse de colocar pessoas que não dominam a legislação, normas e instruções para essas funções.
Em uma carta enviada a auditores fiscais de todo o Brasil, ela cita o artigo sexto da Convenção número 81 da Organização Internacional do Trabalho, que diz respeito à inspeção do trabalho, que deve ser independente de “qualquer mudança de governo ou de qualquer influência externa indevida”. Para ela, a gota d’água para a decisão foi a nomeação de uma pessoa para a Chefia da Fiscalização do Trabalho na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro sem que houvesse consulta à SIT, como era de praxe em gestões dos outros ministros. Esta não teria sido a única vez que a Secretaria foi ignorada na gestão de pessoal. Solicitou-se à cúpula do ministério que a decisão fosse revista, mas não teria havido resposta.
“Não admito que a inspeção do trabalho seja desrespeitada como está acontecendo nessa gestão e o meu gesto é uma demonstração disso”, afirma Vera. Ela ficará no cargo até que a exoneração seja publicada pelo Diário Oficial e retornará às suas funções de auditora fiscal do trabalho no Rio de Janeiro.
A Secretaria Geral da Presidência da República e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com as quais a SIT possui um trabalho estreito por conta dos programas de combate ao trabalho escravo e de promoção do emprego decente na construção civil e no setor sucroalcooleiro, também estão sendo informadas da exoneração.
A Secretaria de Inspeção do Trabalho é responsável por gerir o cadastro de empregadores flagrados com mão de obra escrava, a conhecida “lista suja”. O instrumento é considerado um dos principais no combate à escravidão, sendo usado pelo setor empresarial para gerenciamento de riscos de suas cadeias produtivas. Por isso, a SIT tem sofrido ataques por parte de empregadores insatisfeitos com bloqueios comerciais e de financiamento e de seus representantes políticos desde a criação do cadastro em 2003. Recentemente, houve fortes pressões por conta da inclusão de nomes famosos na “lista suja”, como a MRV Engenharia, uma das principais executoras do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A empresa se encontra excluída da lista por decisão liminar.
O ministro Brizola Neto não foi localizado nesta manhã para comentar o pedido de saída e as afirmações pela demissionária secretária nacional.
Sua equipe foi informada pela reportagem sobre a decisão e, em seu gabinete, a notícia provocou surpresa. “Só podemos comentar em cima de fatos e não fomos informados oficialmente ainda”, afirmou Fernando Imediato, que faz parte da equipe do ministro e afirmou que encaminharia a questão. Este blog e a Repórter Brasil enviaram uma série de perguntas a Brizola Neto, solicitando que o retorno fosse o mais breve possível.
Com Daniel Santini da Repórter Brasil
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
A coragem é o que dá sentido à liberdade - por Miruna Genoino (Carta aberta)
A coragem é o que dá sentido à liberdade
Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.
Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.
Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?
Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...
Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?
E sigo...
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?
Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...
Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...
Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?
Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.
Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao
encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.
Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.
Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.
Com toda minha gratidão, amor e carinho,
Miruna Genoino
09.10.2012
Comentário
De fato, a condenação do Genoíno é de magoar qualquer um que entenda o mínimo de política. José Dirceu, com todos os seus equívocos políticos foi condenado por ilações. José Genoíno, nem, por isto.
Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.
Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.
Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?
Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...
Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?
E sigo...
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?
Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...
Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...
Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?
Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.
Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao
encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.
Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.
Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.
Com toda minha gratidão, amor e carinho,
Miruna Genoino
09.10.2012
Comentário
De fato, a condenação do Genoíno é de magoar qualquer um que entenda o mínimo de política. José Dirceu, com todos os seus equívocos políticos foi condenado por ilações. José Genoíno, nem, por isto.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Casa de Ferreiro - por Leandro Fortes (CartaCapital)
Em coluna publicada no IG, o jornalista Lucas Mendes, correspondente da TV Globo em Nova York, escreveu, corretamente, o seguinte:
“O jornal de maior circulação do país é o conservador Wall Street Journal, pró Romney. Dos cinco radialistas com maior audiência, quatro tem sido, disparado, conservadores radicais. Na televisão por assinatura a Fox, voz de Romney, dá uma surra em todas outras juntas.”
A minha pergunta é a seguinte: Lucas Mendes escreveria isso sobre eleições no Brasil? Diria, por exemplo: “O jornal de maior circulação do país é a conservadora Folha de S.Paulo, pró Serra”? Diria o mesmo sobre O Globo, Estadão e Veja? Ou mesmo sobre a TV Globo?
Respondo: nunca.
A honestidade intelectual utilizada por Lucas Mendes ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos Estados Unidos não se aplica em textos, cá e lá, sobre a política brasileira. Não trata sequer de espectros ideológicos: na imprensa brasileira existem partidos de esquerda, mas nunca de direita.
E isso é um elemento claríssimo de perpetuação da indigência jornalística nacional que se protege dessa crítica, aos berros, sob a falácia permanente da defesa da liberdade de imprensa.
Comentário
Eu havia escrito sobre isto ainda na época da disputa entre Obama e Mccain, em que a imprensa marrom tupiniquim adotou a mesma posição, francamente favorável ao candidato democrata (que, se não podemos alcunhá-lo de esquerda, é um pouco menos pior que o fascismo velado do partido republicano), que representa com as devidas proporções, a social-democracia europeia e brasileira (aqui identificada, com muitas e muitas contradições, pelo PT).
Assim é a imprensa marrom tupiniquim: Progressista pra fora, conservador para dentro; moralista pra fora, corrupta para dentro; e por aí vai...
“O jornal de maior circulação do país é o conservador Wall Street Journal, pró Romney. Dos cinco radialistas com maior audiência, quatro tem sido, disparado, conservadores radicais. Na televisão por assinatura a Fox, voz de Romney, dá uma surra em todas outras juntas.”
A minha pergunta é a seguinte: Lucas Mendes escreveria isso sobre eleições no Brasil? Diria, por exemplo: “O jornal de maior circulação do país é a conservadora Folha de S.Paulo, pró Serra”? Diria o mesmo sobre O Globo, Estadão e Veja? Ou mesmo sobre a TV Globo?
Respondo: nunca.
A honestidade intelectual utilizada por Lucas Mendes ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos Estados Unidos não se aplica em textos, cá e lá, sobre a política brasileira. Não trata sequer de espectros ideológicos: na imprensa brasileira existem partidos de esquerda, mas nunca de direita.
E isso é um elemento claríssimo de perpetuação da indigência jornalística nacional que se protege dessa crítica, aos berros, sob a falácia permanente da defesa da liberdade de imprensa.
Comentário
Eu havia escrito sobre isto ainda na época da disputa entre Obama e Mccain, em que a imprensa marrom tupiniquim adotou a mesma posição, francamente favorável ao candidato democrata (que, se não podemos alcunhá-lo de esquerda, é um pouco menos pior que o fascismo velado do partido republicano), que representa com as devidas proporções, a social-democracia europeia e brasileira (aqui identificada, com muitas e muitas contradições, pelo PT).
Assim é a imprensa marrom tupiniquim: Progressista pra fora, conservador para dentro; moralista pra fora, corrupta para dentro; e por aí vai...
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
STF e o Thermidor de Lula - por Paulo Moreira Leite (Época)
Não, eu também não li todo o processo do mensalão.
Mas o que li me deixou satisfeito ao ver o voto de Ricardo Lewandowski.
Ele enfrentou as complicações, incongruências e fraquezas de um processo que é menos claro, mais contraditório do parece.
A colocação de Lewandowski ajudou a lembrar o mais importante. Revelou que está em curso um processo perigoso de criminalização da política brasileira, e que o risco é se falar em voltar ao “como era antes”. Antes, claro, é o tempo em que não havia eleição, o regime militar.
Após anos de transformações e progressos, pequenos demais do ponto de vista da história e do país real, mas bem razoáveis do ponto de vista do que se fizera nas décadas recentes, a política brasileira pode evoluir para seu Thermidor.
Explico. Thermidor foi aquele período conservador da revolução francesa, quando os ricos recuperaram privilégios, a democracia foi enfraquecida e, pouco a pouco, o poder político transformou-se numa ditadura. No fim, restaurou-se o império. A aristocracia recuperou direitos e conseguiu impedir o avanço das mudanças, ao se reconciliar com a burguesia contra o povo, num processo muito bem estudado por Arno Meyer em A Força da Tradição. As eleições se tornaram duas vezes indiretas. Os candidatos passavam por uma assembleia e depois eram referendados por uma segunda. O direito de voto retornou aos muito ricos.
No caminho de Thermidor encontrou-se Robespierre e o Terror. Foi uma fase de tal violência política que fez a França de 1792-1994 ficar parecida com o Camboja após a vitória de Pol Pot.
A taxa demográfica do país que havia criado o iluminismo e os direitos do homem chegou a ficar negativa em função de execuções e mortes sumárias, todas por motivação política, sem direito a um julgamento. E tudo isso em nome do…combate à corrupção.
Foi um período tão terrível que ali se empregou, talvez pela primeira vez, a noção de que em política existe o Mal Necessário. Muitos de nós aprendemos a procurar aspectos positivos na figura de Robespierre, o Incorruptível, por causa dessa visão.
O Terror foi recuperado mais de um século depois, quando ninguém estava vivo para contar a história. Muitos pensadores passaram a acreditar – as vezes sinceramente – que toda mudança profunda passa pela existência de uma ditadura, de um período de violências brutais e incontroláveis, que seriam inevitáveis para limpar os desmandos e abusos incuráveis de uma época histórica anterior.
Essa noção alimentou a velha ditadura do proletariado que seria desenvolvida por Lenin e consumada, em seus aspectos mais horripilantes, por Stalin. Mas também teve, ao longo do tempo, vários adeptos de outra origem.
A experiência mostrou que essa visão estava errada.
Confirmou, primeiro, que a democracia é superior aos outros regimes. Segundo, que a maioria da população é a maior interessada nos regimes democráticos, pois é ali que pode fazer valer seus direitos e exercer um dos essenciais, que é a liberdade.
Apoiado até o fim da vida pela madrinha neoliberal Margareth Thatcher, o golpe de Augusto Pinochet no Chile era isso, diziam seus aliados de 1971 – uma cirurgia, um mal destinado a durar pouco.
O golpe de 64 prometia defender a democracia e dizia querer impedir uma “republica sindicalista” acusação que tem lá seu parentesco com algumas denúncias que de vez em quando foram jogadas contra o governo Lula. Durou 20 anos mas nasceu como um curtíssimo mal necessário para acabar com a corrupção e a subversão – valores que, com todas as adaptações e atualizações necessárias, também retratam o inferno de quem avança o Thermidor em 2012.
O horizonte do processo em curso, nós sabemos, é 2014. Não é conspiração, embora não faltem pretendentes. Muitos personagens se repetem, outros são novos. Nem tudo depende da vontade das pessoas. É um curso histórico, uma correnteza. Resta saber até onde irá.
As denúncias de corrupção não são uma campanha golpista. Pelo amor de Deus! Há que se criminalizar o crime, como lembrou alguém. Os culpados devem ser apontados, denunciados e punidos. Os espertalhões desmoralizam a política, envergonham. Seu papel é alugar o estado a quem paga mais.
Mas não vale forçar a barra – que é o caminho do mal necessário.
Não vale fingir, por exemplo, que somos impolutos, corajosos, incorruptíveis, depois de liberar o mensalão do PSDB-MG para a justiça comum.
Não vale fingir que o encontro do calendário do mensalão e da eleição é simples coincidência – se fosse, poderia ter sido evitada — ou, o que me parece espantoso, achar muito bom que essa coincidência tenha ocorrido.
Não vale desconsiderar, nessa altura do campeonato, que Roberto Jefferson falou tudo e um pouco mais, a favor e contra. Chegou a dizer que o mensalão não existia. Também disse que, quando informou José Dirceu do que acontecia, este reagiu com socos na mesa e criticou Delubio porque fazia aquilo que não devia. (Está lá, nas entrevistas à Folha). E também disse o contrário. Está no direito dele, que fez o possível para se defender. Só não precisamos achar que tudo o que diz é verdade. Mesmo a palavra “delator” dá a Jefferson uma verossimilhança exagerada. Pressupõe uma coerência que ele não tem.
Também não vale dizer que o destino do dinheiro é irrelevante e passar o julgamento inteiro dizendo que foi “compra de votos” e mesmo “suborno.” Se não tem importância, por que é preciso insistir nisso?
Seria mais fácil admitir que não sabemos como o dinheiro foi empregado e que, muito possivelmente, a maior parte foi gasta no pagamento de verbas de campanha, por mais que seja chato admitir isso.
Pois é: num caso de 40 corruptos, que tanta gente comparou a Ali Babá, não aparece nenhum “politico” que tenha ficado rico. Ninguém. Nenhuma quebra de sigilo indicou qualquer coisa anormal.
Podemos até imaginar que o esquema – com falhas risíveis de logística que ocorreu até da polícia parar um emissário de Valério porque suspeitava do carregamento exagerado de dinheiro em sacos de papel – fosse tão perfeito que cada centavo maquiavelicamente desviado, hoje faça companhia aos dólares de tantos bacanas na Suiça, no Caribe e outros paraísos fiscais.
Até o cara que quer ganhar o Loas para matar a fome e foi absolvido por não ter dinheiro para advogado deve ter sua graninha em Genebra, certo? Mas estamos supondo.
Sabe por que isso seria importante? Porque daria clareza a discussão, a entender os problemas. Daria racionalidade.
Evitaria o ambiente de intimidação, denunciado por mestres como Jânio de Freitas.
O esforço para deixar o dinheiro longe das campanhas e perto da “compra de votos” no Congresso já envolve afirmações dispensáveis. Já se disse, por exemplo, que o fato de muitas despesas terem sido feitas em 2003, ano sem eleições, prova que seu destino não era eleitoral. É supor na direção errada.
Basta ler a denuncia de Antônio Fernando de Souza, que falava, em toda sua fúria, em “dívidas pretéritas.” Embora falasse em “compra de votos” também admitia que uma parcela fora gasta em despesas de campanha. Não era assim categórico, absoluto.
É difícil negar que estamos no mundo da política. Eleição é aposta e e quem aposta deixa dívidas.
Também acho que não vale dizer que o importante é o contexto e depois render-se a uma assinatura.
Porque a assinatura de um empréstimo – modestíssimo – de 3 milhões de reais que é o argumento principal para condenar José Genoíno por sei lá quantos crimes. Não custa reparar: considerando o montante do mensalão, há o risco do empréstimo de Genoíno ser o único dinheiro limpo e honesto da história.
Porque seu contexto é o da política, lembra Lewandowski. Presidente do PT, Genoíno faz reuniões, articula, discute.
“Não sabe o que é dinheiro,” diz Waldemar Costa Neto, que sabe.
Mas não. No Thermidor 2014, é preciso criminalizar a política. Não é de todo absurdo. Sabe por que? Porque do ponto de vista histórico, a política democrática do Brasil já nasceu na porta do crime, na porta da cadeia. Apesar das proclamações em dias de festa, cedo ou tarde é preciso dar um jeito de colocar os “políticos” (entre aspas) naquele lugar de onde nunca deveriam ter saído. Porque toda vez que os “políticos” ficam soltos, eles começam a querer ganhar votos, a fazer demagogia. Mostram desvios populistas, questionam as coisas e logo viram subversivos, não é mesmo? Veja só: até os danados do PP deixaram a aliança com o PSDB e foram apoiar propostas do governo Lula, como a reforma da previdência, a tributária…
Há, no fundo, uma visão autoritária na ideia de “compra de votos.” Você seleciona aquilo que os políticos podem fazer e o que não podem. Traça um limite – que você define qual é – para os acordos políticos. Quem passou o limite “vendeu” consciência. Desculpe a palavra, mas isso é barbárie. Quem controla o partido é o eleitor.
Imagino uma tabela: o pessoal do PSDB – que teve um namorico no início do governo Lula – pode pegar na mão da noiva. A turma do PTB, como disse Jefferson, entra pela porta dos fundos, porque ali a barra é mais pesada. Já o PP vai para o banco de trás do carro.
Não custa lembrar: com toda aquela campanha antidemocrática do pré-golpe de 64, o povo queria as reformas de base. Dizia isso no Ibope e onde mais lhe perguntavam. Sem o golpe, Juscelino entraria em 65 como favoritíssimo… E com JK, claro, viria o populismo, o inflacionismo gastador, e assim por diante. Na primeira eleição depois do golpe, o governo militar sofreu derrotas tão feias que cancelou pleitos diretos para governador. Depois, para prefeitos de capital. Também resolveu impedir o Congresso de mexer no orçamento. Dizia que os “políticos” gostavam de fazer fonte em pracinha e não tinham noção dos graves problemas da pátria.
Apesar da orientação claramente adversa da maioria dos meios de comunicação em 2002, 2006 e 2010, os adversários de Lula não conseguiram competir de verdade. Nenhuma vez.
E as pesquisas eleitorais de 2014? Nem é bom falar.
Mas há o Thermidor.
A corrupção pode ser usada como arma política. Desde que a denúncia seja aplicada seletivamente.
Vamos fazer um pouco de sociologia.
Sem o menor interesse em permitir e muito menos estimular a politização e organização das “classes subalternas,” como dizem os sociólogos, sempre se sonegou aos partidos políticos os meios necessários para pagar as contas, organizar e formar seus quadros, manter locais públicos para reuniões, financiar sua imprensa e assim por diante. Estes meios deveriam vir do Estado, obviamente, como em tantos países civilizados. (Menos, obviamente, nos Estados Unidos, onde se diz seriamente que Obama é comunista, a Suprema Corte empossou um presidente que fraudou eleições na Florida, em 2000, e agora o Tea Party disputa a Casa Branca. Com chances.)
No Brasil, onde até 2003 a distribuição de riqueza permitia a 1% da população embolsar uma fatia da renda superior aos 50% mais pobres, nossa lei eleitoral já nasceu para criminalizar quem não era amigo do patamar de cima. Uma lei que só autoriza doações de indivíduos e empresas privadas contém uma orientação social – e portanto política — tão descarada e absurda que, recentemente, os partidos tiveram o bom senso de garantir acesso a uma certa quantia nos cofres públicos, proporcional a seu peso eleitoral.
Mas o principal seguiu como antes: é o poder econômico privado que domina as campanhas eleitorais. E aí nos chegamos ao mensalão, a 2002 e 2003. (E 2004. Olha aí, mais um quatro…) E é porque aluga o poder de Estado, quer licitações amigas, que o poder privado mantém a lei como está e diz que toda mudança é uma forma de populismo-estatizante. Mantém-se, assim, um universo de sombra, uma zona de gatos pardos, favorável a se fazer qualquer coisa – como em todo lugar onde o jogo não é claro e a prestação de contas é uma fantasia.
O problema é que os donos das campanhas eleitorais fizeram a aposta errada em 2002. Apostaram em todos os cavalos na esperança de derrotar a grande barbada, que era Lula. Até especuladores internacionais saíram a campo para bater forte em Lula.
Exatamente o partido vencedor chegou ao fim da campanha de cofres vazios.
Não vamos ser totalmente ingênuos. Sempre ocorrem desvios e é possível que eles tenham se repetido com os petistas em 2002. Vamos dar de barato que isso aconteceu, o que não muda a realidade. A contabilidade do partido estava à míngua no segundo turno e no início do governo. E era preciso arrumar dinheiro.
Foi isso que abriu o caminho para Marcos Valério, o ex-futuro bilionário de Curvelo, cidade tão querida por minha família, também. Claro que alguns colunistas podem desejar um personagem mais bem apessoado, digamos assim. Faltava ao aventureiro tucano-petista o lastro político, a cultura e tradição militante de outros tesoureiros, tão bem sucedidos em suas operações…
Mas, como se aprende na faculdade, e também em conversas de botequim, em algum lugar os vínculos do PT com suas raízes populares tinham de aparecer, certo…? Ao contrário de outros personagens do submundo do alto mundo, Valério tinha toda pinta de arrivista, de novo-rico, e isso é imperdoável num país em que muitos procuram um sobrenome para entrar no clube da Força da Tradição. Quem sabe nas próximas gerações, se for possível passar por Thermidor e recrutar tesoureiro petistas em Harvard …
É fácil enxergar o contexto, concorda?
Mas o que li me deixou satisfeito ao ver o voto de Ricardo Lewandowski.
Ele enfrentou as complicações, incongruências e fraquezas de um processo que é menos claro, mais contraditório do parece.
A colocação de Lewandowski ajudou a lembrar o mais importante. Revelou que está em curso um processo perigoso de criminalização da política brasileira, e que o risco é se falar em voltar ao “como era antes”. Antes, claro, é o tempo em que não havia eleição, o regime militar.
Após anos de transformações e progressos, pequenos demais do ponto de vista da história e do país real, mas bem razoáveis do ponto de vista do que se fizera nas décadas recentes, a política brasileira pode evoluir para seu Thermidor.
Explico. Thermidor foi aquele período conservador da revolução francesa, quando os ricos recuperaram privilégios, a democracia foi enfraquecida e, pouco a pouco, o poder político transformou-se numa ditadura. No fim, restaurou-se o império. A aristocracia recuperou direitos e conseguiu impedir o avanço das mudanças, ao se reconciliar com a burguesia contra o povo, num processo muito bem estudado por Arno Meyer em A Força da Tradição. As eleições se tornaram duas vezes indiretas. Os candidatos passavam por uma assembleia e depois eram referendados por uma segunda. O direito de voto retornou aos muito ricos.
No caminho de Thermidor encontrou-se Robespierre e o Terror. Foi uma fase de tal violência política que fez a França de 1792-1994 ficar parecida com o Camboja após a vitória de Pol Pot.
A taxa demográfica do país que havia criado o iluminismo e os direitos do homem chegou a ficar negativa em função de execuções e mortes sumárias, todas por motivação política, sem direito a um julgamento. E tudo isso em nome do…combate à corrupção.
Foi um período tão terrível que ali se empregou, talvez pela primeira vez, a noção de que em política existe o Mal Necessário. Muitos de nós aprendemos a procurar aspectos positivos na figura de Robespierre, o Incorruptível, por causa dessa visão.
O Terror foi recuperado mais de um século depois, quando ninguém estava vivo para contar a história. Muitos pensadores passaram a acreditar – as vezes sinceramente – que toda mudança profunda passa pela existência de uma ditadura, de um período de violências brutais e incontroláveis, que seriam inevitáveis para limpar os desmandos e abusos incuráveis de uma época histórica anterior.
Essa noção alimentou a velha ditadura do proletariado que seria desenvolvida por Lenin e consumada, em seus aspectos mais horripilantes, por Stalin. Mas também teve, ao longo do tempo, vários adeptos de outra origem.
A experiência mostrou que essa visão estava errada.
Confirmou, primeiro, que a democracia é superior aos outros regimes. Segundo, que a maioria da população é a maior interessada nos regimes democráticos, pois é ali que pode fazer valer seus direitos e exercer um dos essenciais, que é a liberdade.
Apoiado até o fim da vida pela madrinha neoliberal Margareth Thatcher, o golpe de Augusto Pinochet no Chile era isso, diziam seus aliados de 1971 – uma cirurgia, um mal destinado a durar pouco.
O golpe de 64 prometia defender a democracia e dizia querer impedir uma “republica sindicalista” acusação que tem lá seu parentesco com algumas denúncias que de vez em quando foram jogadas contra o governo Lula. Durou 20 anos mas nasceu como um curtíssimo mal necessário para acabar com a corrupção e a subversão – valores que, com todas as adaptações e atualizações necessárias, também retratam o inferno de quem avança o Thermidor em 2012.
O horizonte do processo em curso, nós sabemos, é 2014. Não é conspiração, embora não faltem pretendentes. Muitos personagens se repetem, outros são novos. Nem tudo depende da vontade das pessoas. É um curso histórico, uma correnteza. Resta saber até onde irá.
As denúncias de corrupção não são uma campanha golpista. Pelo amor de Deus! Há que se criminalizar o crime, como lembrou alguém. Os culpados devem ser apontados, denunciados e punidos. Os espertalhões desmoralizam a política, envergonham. Seu papel é alugar o estado a quem paga mais.
Mas não vale forçar a barra – que é o caminho do mal necessário.
Não vale fingir, por exemplo, que somos impolutos, corajosos, incorruptíveis, depois de liberar o mensalão do PSDB-MG para a justiça comum.
Não vale fingir que o encontro do calendário do mensalão e da eleição é simples coincidência – se fosse, poderia ter sido evitada — ou, o que me parece espantoso, achar muito bom que essa coincidência tenha ocorrido.
Não vale desconsiderar, nessa altura do campeonato, que Roberto Jefferson falou tudo e um pouco mais, a favor e contra. Chegou a dizer que o mensalão não existia. Também disse que, quando informou José Dirceu do que acontecia, este reagiu com socos na mesa e criticou Delubio porque fazia aquilo que não devia. (Está lá, nas entrevistas à Folha). E também disse o contrário. Está no direito dele, que fez o possível para se defender. Só não precisamos achar que tudo o que diz é verdade. Mesmo a palavra “delator” dá a Jefferson uma verossimilhança exagerada. Pressupõe uma coerência que ele não tem.
Também não vale dizer que o destino do dinheiro é irrelevante e passar o julgamento inteiro dizendo que foi “compra de votos” e mesmo “suborno.” Se não tem importância, por que é preciso insistir nisso?
Seria mais fácil admitir que não sabemos como o dinheiro foi empregado e que, muito possivelmente, a maior parte foi gasta no pagamento de verbas de campanha, por mais que seja chato admitir isso.
Pois é: num caso de 40 corruptos, que tanta gente comparou a Ali Babá, não aparece nenhum “politico” que tenha ficado rico. Ninguém. Nenhuma quebra de sigilo indicou qualquer coisa anormal.
Podemos até imaginar que o esquema – com falhas risíveis de logística que ocorreu até da polícia parar um emissário de Valério porque suspeitava do carregamento exagerado de dinheiro em sacos de papel – fosse tão perfeito que cada centavo maquiavelicamente desviado, hoje faça companhia aos dólares de tantos bacanas na Suiça, no Caribe e outros paraísos fiscais.
Até o cara que quer ganhar o Loas para matar a fome e foi absolvido por não ter dinheiro para advogado deve ter sua graninha em Genebra, certo? Mas estamos supondo.
Sabe por que isso seria importante? Porque daria clareza a discussão, a entender os problemas. Daria racionalidade.
Evitaria o ambiente de intimidação, denunciado por mestres como Jânio de Freitas.
O esforço para deixar o dinheiro longe das campanhas e perto da “compra de votos” no Congresso já envolve afirmações dispensáveis. Já se disse, por exemplo, que o fato de muitas despesas terem sido feitas em 2003, ano sem eleições, prova que seu destino não era eleitoral. É supor na direção errada.
Basta ler a denuncia de Antônio Fernando de Souza, que falava, em toda sua fúria, em “dívidas pretéritas.” Embora falasse em “compra de votos” também admitia que uma parcela fora gasta em despesas de campanha. Não era assim categórico, absoluto.
É difícil negar que estamos no mundo da política. Eleição é aposta e e quem aposta deixa dívidas.
Também acho que não vale dizer que o importante é o contexto e depois render-se a uma assinatura.
Porque a assinatura de um empréstimo – modestíssimo – de 3 milhões de reais que é o argumento principal para condenar José Genoíno por sei lá quantos crimes. Não custa reparar: considerando o montante do mensalão, há o risco do empréstimo de Genoíno ser o único dinheiro limpo e honesto da história.
Porque seu contexto é o da política, lembra Lewandowski. Presidente do PT, Genoíno faz reuniões, articula, discute.
“Não sabe o que é dinheiro,” diz Waldemar Costa Neto, que sabe.
Mas não. No Thermidor 2014, é preciso criminalizar a política. Não é de todo absurdo. Sabe por que? Porque do ponto de vista histórico, a política democrática do Brasil já nasceu na porta do crime, na porta da cadeia. Apesar das proclamações em dias de festa, cedo ou tarde é preciso dar um jeito de colocar os “políticos” (entre aspas) naquele lugar de onde nunca deveriam ter saído. Porque toda vez que os “políticos” ficam soltos, eles começam a querer ganhar votos, a fazer demagogia. Mostram desvios populistas, questionam as coisas e logo viram subversivos, não é mesmo? Veja só: até os danados do PP deixaram a aliança com o PSDB e foram apoiar propostas do governo Lula, como a reforma da previdência, a tributária…
Há, no fundo, uma visão autoritária na ideia de “compra de votos.” Você seleciona aquilo que os políticos podem fazer e o que não podem. Traça um limite – que você define qual é – para os acordos políticos. Quem passou o limite “vendeu” consciência. Desculpe a palavra, mas isso é barbárie. Quem controla o partido é o eleitor.
Imagino uma tabela: o pessoal do PSDB – que teve um namorico no início do governo Lula – pode pegar na mão da noiva. A turma do PTB, como disse Jefferson, entra pela porta dos fundos, porque ali a barra é mais pesada. Já o PP vai para o banco de trás do carro.
Não custa lembrar: com toda aquela campanha antidemocrática do pré-golpe de 64, o povo queria as reformas de base. Dizia isso no Ibope e onde mais lhe perguntavam. Sem o golpe, Juscelino entraria em 65 como favoritíssimo… E com JK, claro, viria o populismo, o inflacionismo gastador, e assim por diante. Na primeira eleição depois do golpe, o governo militar sofreu derrotas tão feias que cancelou pleitos diretos para governador. Depois, para prefeitos de capital. Também resolveu impedir o Congresso de mexer no orçamento. Dizia que os “políticos” gostavam de fazer fonte em pracinha e não tinham noção dos graves problemas da pátria.
Apesar da orientação claramente adversa da maioria dos meios de comunicação em 2002, 2006 e 2010, os adversários de Lula não conseguiram competir de verdade. Nenhuma vez.
E as pesquisas eleitorais de 2014? Nem é bom falar.
Mas há o Thermidor.
A corrupção pode ser usada como arma política. Desde que a denúncia seja aplicada seletivamente.
Vamos fazer um pouco de sociologia.
Sem o menor interesse em permitir e muito menos estimular a politização e organização das “classes subalternas,” como dizem os sociólogos, sempre se sonegou aos partidos políticos os meios necessários para pagar as contas, organizar e formar seus quadros, manter locais públicos para reuniões, financiar sua imprensa e assim por diante. Estes meios deveriam vir do Estado, obviamente, como em tantos países civilizados. (Menos, obviamente, nos Estados Unidos, onde se diz seriamente que Obama é comunista, a Suprema Corte empossou um presidente que fraudou eleições na Florida, em 2000, e agora o Tea Party disputa a Casa Branca. Com chances.)
No Brasil, onde até 2003 a distribuição de riqueza permitia a 1% da população embolsar uma fatia da renda superior aos 50% mais pobres, nossa lei eleitoral já nasceu para criminalizar quem não era amigo do patamar de cima. Uma lei que só autoriza doações de indivíduos e empresas privadas contém uma orientação social – e portanto política — tão descarada e absurda que, recentemente, os partidos tiveram o bom senso de garantir acesso a uma certa quantia nos cofres públicos, proporcional a seu peso eleitoral.
Mas o principal seguiu como antes: é o poder econômico privado que domina as campanhas eleitorais. E aí nos chegamos ao mensalão, a 2002 e 2003. (E 2004. Olha aí, mais um quatro…) E é porque aluga o poder de Estado, quer licitações amigas, que o poder privado mantém a lei como está e diz que toda mudança é uma forma de populismo-estatizante. Mantém-se, assim, um universo de sombra, uma zona de gatos pardos, favorável a se fazer qualquer coisa – como em todo lugar onde o jogo não é claro e a prestação de contas é uma fantasia.
O problema é que os donos das campanhas eleitorais fizeram a aposta errada em 2002. Apostaram em todos os cavalos na esperança de derrotar a grande barbada, que era Lula. Até especuladores internacionais saíram a campo para bater forte em Lula.
Exatamente o partido vencedor chegou ao fim da campanha de cofres vazios.
Não vamos ser totalmente ingênuos. Sempre ocorrem desvios e é possível que eles tenham se repetido com os petistas em 2002. Vamos dar de barato que isso aconteceu, o que não muda a realidade. A contabilidade do partido estava à míngua no segundo turno e no início do governo. E era preciso arrumar dinheiro.
Foi isso que abriu o caminho para Marcos Valério, o ex-futuro bilionário de Curvelo, cidade tão querida por minha família, também. Claro que alguns colunistas podem desejar um personagem mais bem apessoado, digamos assim. Faltava ao aventureiro tucano-petista o lastro político, a cultura e tradição militante de outros tesoureiros, tão bem sucedidos em suas operações…
Mas, como se aprende na faculdade, e também em conversas de botequim, em algum lugar os vínculos do PT com suas raízes populares tinham de aparecer, certo…? Ao contrário de outros personagens do submundo do alto mundo, Valério tinha toda pinta de arrivista, de novo-rico, e isso é imperdoável num país em que muitos procuram um sobrenome para entrar no clube da Força da Tradição. Quem sabe nas próximas gerações, se for possível passar por Thermidor e recrutar tesoureiro petistas em Harvard …
É fácil enxergar o contexto, concorda?
Mitt Romney é o típico milionário destes tempos: um mestre na arte de não pagar imposto - por Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)
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| Ele usa todos os truques para evitar impostos |
Deu na Bloomberg, agência de notícias americana ligada à área de economia e negócios.
Mitt Romney, o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, deu um jeito de transferir dinheiro graúdo para seus herdeiros pagando uma taxa muito abaixo do que a legislação estipula.
Ele se valeu de um mecanismo que os especialistas americanos em planejamento fiscal – leia-se evasão – apelidaram de “I Dig It”, uma expressão associada a trapaça. É algo intensamente usado por milionários americanos. Você cria uma empresa para os herdeiros, transfere ativos para ela e, assim, evita os impostos habituais. Como escreveu a Bloomberg, é uma coisa complicada, aparentemente, mas que quase todos os superricos americanos dominam à perfeição – eles e seus advogados.
“Romney usa toda espécie de truque que existe nos livros para pagar menos impostos”, disse à Bloomberg Stephen Breiststone, especialista em tributação. “Mas estão sendo jogadas tantas luzes sobre o assunto agora que, daqui por diante, as coisas vão ficar mais complicadas para gente como Romney.”
Obama tem explorado ao máximo a esperteza fiscal de seu oponente, e é possível que sua reeleição derive disso.
Romney é o multimilionário típico americano. Nas últimas três décadas, abriram-se aos ricos e às grandes corporações – e não apenas nos Estados Unidos – múltiplas oportunidades de evitar impostos devidos.
Os paraísos fiscais são a maior delas. Milionários e empresas brasileiras, como mostrou um levantamento recentemente do TJN, um órgão internacional baseado na Inglaterra e dedicado à justiça fiscal, colocam maciçamente dinheiro nestes paraísos.
Não me surpreende que a mídia brasileira não tenha feito uma única reportagem sobre o Brasil no esplêndido estudo do TNJ. Assim como não me surpreende a copiosa quantidade de matérias pedidas pelos donos das empresas de mídia a respeito do assim chamado “Custo Brasil” – uma falácia que tenta colocar os empresários brasileiros, exímios planejadores fiscais, sob a aura de “vítimas do Leão”.
O que surpreende, negativamente, é o silêncio e a falta de transparência da Receita Federal. Recentemente, a revista Veja publicou que a Receita está cobrando na justiça uma dívida bilionária da Globo, que parece ser mais criativa na contabilidade que no conteúdo.
É um tema de alto interesse público. Dinheiro de imposto constrói escolas, hospitais, estradas etc. A Receita vai manter essa disputa – a Globo alega que não deve – nos subterrâneos?
Mais que um erro, é um pecado.
Estas questões têm que vir à tona. Veja o que aconteceu dias atrás nos Estados Unidos. O Senado acusou, publicamente, a Microsoft e a HP de usar táticas moralmente indefensáveis para evitar impostos. Segundo um comitê do Senado que investiga o comportamento das empresas americanas na questão das taxas, apenas entre 2009 e 2011 a Microsoft, com o uso de paraísos fiscais, deixou de recolher 4,5 bilhões de dólares em impostos.
Enquanto isso, Bill Gates faz fama de filantropista. Alguém deveria dizer para ele: “Ei, Bill, preferimos que você pague impostos direitinho, ok?”
Grandes corporações e bilionários se adestraram na arte do planejamento fiscal. O problema é que, como mostra a Grécia, quando não pagar impostos se entranha na cultura de uma sociedade, o país quebra.
Por que a Escandinávia vai bem enquanto o resto vai mal? Porque se estabeleceu lá um consenso segundo o qual quem tem mais tem que pagar – direito – o imposto devido.
O que não dá para aguentar é o cinismo de Romney e congêneres mundo afora. Eles atacam o “Nanny State”, o Estado Babá, aquele que protege os interesses da sociedade como um todo. Mas, ao mesmo tempo, eles criam um Estado que os trata como babá.
É por coisas assim que você tem visto a onda de protestos que varre o globo. Vi uma reportagem sobre manifestações na França. Uma mulher de uns 40 anos que marchava contra o pacote de austeridade afirmou: “Eles querem cortar nossos benefícios, mas não fazem nada para taxar os ricos que colocam seu dinheiro nos paraísos fiscais”.
Em sua simplicidade franciscana, a revoltada francesa disse tudo. Os governos dos países desenvolvidos nada fizeram para proteger seus cofres do planejamento fiscal predador. Depois querem cobrar a conta das viúvas e dos aposentados?
O povo é bom, mas não é burro – e a paciência tem limites.
A politização do MPF, de Luiz Francisco a Gurgel - por Luis Nassif (blog do Nassif)
Nos anos 90, insurgi-me contra a politização do Ministério Público Federal. No governo Itamar, tive algumas pinimbas com o procurador geral Aristides Junqueira. Até por efeito da Constituição, foi um período de protagonismo de procuradores da base do MPF.
Combati o excesso de politização de alguns procuradores, a gana por condenar a qualquer preço, a exposição exagerada à mídia, o abuso dos pedidos de prisões preventivas.
Em uma lista de procuradores, fui atacado por uma das mais radicais - que, curiosamente, dois dias antes estivera em minha festa de aniversário. Entrei na lista para discutir e recebi, em privado, email de uma procuradora narrando sua história. Dois procuradores foram até o Correio Braziliense e passaram, em off, intrigas contra ela. Saiu a matéria. Com base na sua própria denúncia (anônima), ambos entraram com uma representação junto ao Conselho Nacional do Ministério Público.
Comprei sua briga.
Tempos depois, participei de um debate no Observatório da Imprensa com o procurador Celso Três - que fez um bom trabalho na CPI do Banestado, mas que não podia ver um repórter na sua frente para desandar a falar.
Para rebater minhas críticas, Celso Três montou a seguinte equação:
Eu havia defendido determinada procuradora.
No cargo de interina da Procuradoria Geral, ela havia autorizado a liberação da última verba para o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, beneficiando o empresário brasiliense Luiz Estevão.
Logo, eu estaria fazendo a jogada de Luiz Estevão.
Agradeci a Alberto Dines o fato de permitir, ao vivo e em cores, a demonstração didática das críticas que fazia ao MPF. E, graças ao Três, pude entender a lógica de ilações dos repórteres de polícia que comiam nas mãos de delegados e procuradores como ele. Aliás, a peça do PGR mostra à farta o exercício das ilações na montagem da acusação.
A Sisbin
Quando Márcio Thomas Bastos lançou a Sisbin (Sistema Brasileira de Inteligência), juntando todos os órgãos fiscalizadores (MPF, PF, BC, Receita etc) convidou-me para uma das palestras de abertura, justamente para explicitar as críticas que fazia às investigações do MPF e da PF.
Critiquei, até com muita dureza, admito. Falei do caráter pouco técnico das investigações, do desconhecimento dos meandros das operações financeiras, do fato de se jogar para a plateia e não para os autos. Tive que sair antes do final da cerimônia, para voltar a São Paulo. Mas, na saída, recebi um olhar de aprovação do procurador geral Claudio Fonteles e do diretor geral da PF, Paulo Lacerda.
As perdas com a politização
A politização dos procuradores causou dois males pesados ao MPF.
Na ida, o de comprometer a imagem das investigações, tirar o caráter republicano e assumir um aspecto vingativo, de guerra de grupos.
Na volta do pêndulo, o de tirar toda a pró-atividade dos procuradores, em suas missões, com receio de ficarem estigmatizados.
Tome-se o caso do procurador de Guarulhos, Matheus Baraldi Magnan. Fez um fantástico trabalho conseguindo do governo de São Paulo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para reduzir as mortes provocadas pela PM paulista.
Recentemente, recebeu condenação absurda do Conselho Nacional do Ministério Público, com a ameaça inconstitucional de perda do cargo, por ter dado uma entrevista sobre determinado episódio. O relator do caso foi um procurador estreitamente ligado a Demóstenes Torres.
Com esses movimentos, burocratizou-se o trabalho de muitos, inibiram-se as iniciativas de procuradores, para não ficarem marcados como Luiz Francisco - o valoroso procurador que correu risco de vida em muitas investigações mas se perdeu pelo excesso de protagonismo. E transferiu-se a iniciativa política para a cúpula do MPF, o que passou a exigir Procuradores Gerais muito mais centrados e comedidos, sem a submissão ao Executivo - como Sepúlveda e Brindeiro -, mas sem extrapolar do papel do MPF.
Politização e perda da isonomia
Agora, dentro desse movimento de politização da cúpula, o Procurador Geral Roberto Gurgel atropela o trabalho iniciado por Fonteles e volta a politizar o MPF. de forma muito mais grave, porque comandada pela cúpula.
Tem-se um caso grave a ser julgado, o do mensalão. O PGR cercou-se de um grupo de elite do MPF para mudar a própria jurisprudência penal através do Supremo.
Trata-se de tema dos mais delicados, pois criminaliza práticas políticas históricas de forma unilateral, penalizando apenas um partido, sendo que há um enorme acervo de abusos por parte de todos os partidos.
Os defensores de Gurgel poderiam argumentar que calhou do PT ser o primeiro a ser julgado. Sim, mas pelo mesmo colegiado, o STF, que autorizou o desmembramento do mensalão do PSDB. Ali, quebrou-se a isonomia.
E se Gurgel não pode estabelecer a isonomia no processo legal - já que o do mensalão do PT caminhou à frente -, caso fosse um agente público responsável, se eximiria das declarações jornalísticas ou, ao menos, trataria isonomicamente a questão nas suas entrevistas.
Não é o que ocorre. Por mágoa contra ataques sofridos, ou por intenção expressa de instrumentalizar politicamente o órgão, Gurgel tornou-se um agente midiático seletivo, trancando iniciativas contra o senador Demóstenes Torres e tantos outros parlamentares, e, não se contenta em cumprir sua missão, de batalhar pela condenação dos implicados no mensalão, mas quer ir além: atuando politicamente fora dos autos..
A iniciativa de divulgar no site do MPF uma história em quadrinhos sobre o mensalão é de uma imprudência apenas explicada pela arrogância. Assim, como as declarações sucessivas de que quer prisão imediata dos envolvidos.
Qual a razão de dar essas declarações, insuflando a mídia, dando carne aos leões, e não restringi-las aos autos?
Dia desses conversei com um dos procuradores que trabalham no processo do mensalão. Defendeu acerbamente o trabalho do MPF. E admitiu que a condenação mais problemática seria de José Dirceu, por insuficiência de provas. Aí vem Gurgel usando escandalosamente a mídia para pressionar o STF a aceitar seus argumentos. Da mesma maneira que faziam Luiz Francisco e seus companheiros.
Há algo de errado no MPF. Ao mesmo tempo em que se consolida a atuação vibrante em defesa dos direitos humanos, contra toda forma de discriminação, que se legitima como autêntico defensor dos interesses difusos, tem-se uma cúpula que avança além dos chinelos para interferir na vida política do país atuando fora dos autos.
Combati o excesso de politização de alguns procuradores, a gana por condenar a qualquer preço, a exposição exagerada à mídia, o abuso dos pedidos de prisões preventivas.
Em uma lista de procuradores, fui atacado por uma das mais radicais - que, curiosamente, dois dias antes estivera em minha festa de aniversário. Entrei na lista para discutir e recebi, em privado, email de uma procuradora narrando sua história. Dois procuradores foram até o Correio Braziliense e passaram, em off, intrigas contra ela. Saiu a matéria. Com base na sua própria denúncia (anônima), ambos entraram com uma representação junto ao Conselho Nacional do Ministério Público.
Comprei sua briga.
Tempos depois, participei de um debate no Observatório da Imprensa com o procurador Celso Três - que fez um bom trabalho na CPI do Banestado, mas que não podia ver um repórter na sua frente para desandar a falar.
Para rebater minhas críticas, Celso Três montou a seguinte equação:
Eu havia defendido determinada procuradora.
No cargo de interina da Procuradoria Geral, ela havia autorizado a liberação da última verba para o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, beneficiando o empresário brasiliense Luiz Estevão.
Logo, eu estaria fazendo a jogada de Luiz Estevão.
Agradeci a Alberto Dines o fato de permitir, ao vivo e em cores, a demonstração didática das críticas que fazia ao MPF. E, graças ao Três, pude entender a lógica de ilações dos repórteres de polícia que comiam nas mãos de delegados e procuradores como ele. Aliás, a peça do PGR mostra à farta o exercício das ilações na montagem da acusação.
A Sisbin
Quando Márcio Thomas Bastos lançou a Sisbin (Sistema Brasileira de Inteligência), juntando todos os órgãos fiscalizadores (MPF, PF, BC, Receita etc) convidou-me para uma das palestras de abertura, justamente para explicitar as críticas que fazia às investigações do MPF e da PF.
Critiquei, até com muita dureza, admito. Falei do caráter pouco técnico das investigações, do desconhecimento dos meandros das operações financeiras, do fato de se jogar para a plateia e não para os autos. Tive que sair antes do final da cerimônia, para voltar a São Paulo. Mas, na saída, recebi um olhar de aprovação do procurador geral Claudio Fonteles e do diretor geral da PF, Paulo Lacerda.
As perdas com a politização
A politização dos procuradores causou dois males pesados ao MPF.
Na ida, o de comprometer a imagem das investigações, tirar o caráter republicano e assumir um aspecto vingativo, de guerra de grupos.
Na volta do pêndulo, o de tirar toda a pró-atividade dos procuradores, em suas missões, com receio de ficarem estigmatizados.
Tome-se o caso do procurador de Guarulhos, Matheus Baraldi Magnan. Fez um fantástico trabalho conseguindo do governo de São Paulo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para reduzir as mortes provocadas pela PM paulista.
Recentemente, recebeu condenação absurda do Conselho Nacional do Ministério Público, com a ameaça inconstitucional de perda do cargo, por ter dado uma entrevista sobre determinado episódio. O relator do caso foi um procurador estreitamente ligado a Demóstenes Torres.
Com esses movimentos, burocratizou-se o trabalho de muitos, inibiram-se as iniciativas de procuradores, para não ficarem marcados como Luiz Francisco - o valoroso procurador que correu risco de vida em muitas investigações mas se perdeu pelo excesso de protagonismo. E transferiu-se a iniciativa política para a cúpula do MPF, o que passou a exigir Procuradores Gerais muito mais centrados e comedidos, sem a submissão ao Executivo - como Sepúlveda e Brindeiro -, mas sem extrapolar do papel do MPF.
Politização e perda da isonomia
Agora, dentro desse movimento de politização da cúpula, o Procurador Geral Roberto Gurgel atropela o trabalho iniciado por Fonteles e volta a politizar o MPF. de forma muito mais grave, porque comandada pela cúpula.
Tem-se um caso grave a ser julgado, o do mensalão. O PGR cercou-se de um grupo de elite do MPF para mudar a própria jurisprudência penal através do Supremo.
Trata-se de tema dos mais delicados, pois criminaliza práticas políticas históricas de forma unilateral, penalizando apenas um partido, sendo que há um enorme acervo de abusos por parte de todos os partidos.
Os defensores de Gurgel poderiam argumentar que calhou do PT ser o primeiro a ser julgado. Sim, mas pelo mesmo colegiado, o STF, que autorizou o desmembramento do mensalão do PSDB. Ali, quebrou-se a isonomia.
E se Gurgel não pode estabelecer a isonomia no processo legal - já que o do mensalão do PT caminhou à frente -, caso fosse um agente público responsável, se eximiria das declarações jornalísticas ou, ao menos, trataria isonomicamente a questão nas suas entrevistas.
Não é o que ocorre. Por mágoa contra ataques sofridos, ou por intenção expressa de instrumentalizar politicamente o órgão, Gurgel tornou-se um agente midiático seletivo, trancando iniciativas contra o senador Demóstenes Torres e tantos outros parlamentares, e, não se contenta em cumprir sua missão, de batalhar pela condenação dos implicados no mensalão, mas quer ir além: atuando politicamente fora dos autos..
A iniciativa de divulgar no site do MPF uma história em quadrinhos sobre o mensalão é de uma imprudência apenas explicada pela arrogância. Assim, como as declarações sucessivas de que quer prisão imediata dos envolvidos.
Qual a razão de dar essas declarações, insuflando a mídia, dando carne aos leões, e não restringi-las aos autos?
Dia desses conversei com um dos procuradores que trabalham no processo do mensalão. Defendeu acerbamente o trabalho do MPF. E admitiu que a condenação mais problemática seria de José Dirceu, por insuficiência de provas. Aí vem Gurgel usando escandalosamente a mídia para pressionar o STF a aceitar seus argumentos. Da mesma maneira que faziam Luiz Francisco e seus companheiros.
Há algo de errado no MPF. Ao mesmo tempo em que se consolida a atuação vibrante em defesa dos direitos humanos, contra toda forma de discriminação, que se legitima como autêntico defensor dos interesses difusos, tem-se uma cúpula que avança além dos chinelos para interferir na vida política do país atuando fora dos autos.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Pitacos de Palmério Dória
Manifestantes franceses mandam Hollande e a austeridade pra puta que Paris.
*
Lula e Márcio Thomaz Bastos podem levar o Nobel de Química: transformaram o STF em merda.
*
Não se deve chutar cachorro morto, mas a gente sempre abre uma exceção para José Serra.
*
Lamento informar que a SIP -- Sociedade Interamericana de Imprensa ---, sediada em Miami, leva mais uma sova domingo que vem na Venezuela.
*
Gran finale: na semana da eleição, como qualquer noveleca da Globo, no timing, cenas dos últimos capítulos de O Mensalão. Só cego não vê.
*
STF caminha para novo caso Dreyfus, com a AP 470?
*
Dilma prefere trabalhar numa base de 77% de aprovação popular porque, como Nelson Rodrigues, acha toda unanimidade burra.
*
O STF, sempre de forma apolítica e apartidária, espera o cronograma do segundo turno, para definir o do julgamento do processo.
*
"Se todos os jornais concordam, você pode apostar que, provavelmente, a notícia não é verdadeira." -- Greg Palast, do The Guardian
*
"Provas? Às favas com as provas. Só quero provar que condeno sem provas" -- Joaquim Barbosa em momento AI-5
*
Com os ataques de Veja e Globo, Lula corre sério risco de alcançar 100% de popularidade.
*
Cuidado! Por trás de um picolé de chuchu pode se esconder um facinoroso governador.
*
Acredite se puder: o patrimônio da http://Decidir.com , de Verônica Serra e Verônica Dantas, aumentou 50.000 vezes em apenas 42 dias.
*
"Alguém tem que se fuder." -- general Westmoreland, comandante das forças norte-americanas no Vietnam
*
Depois do boimate e do grampo sem áudio, Veja inova com "entrevista sem entrevistado".
*
Nesta edição, Veja abandona o crime organizado e parte pro abraço do crime desorganizado.
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Não conte pra ninguém, mas Verônica Serra, através do pai, ministro da Saúde, quebrou o sigilo de nada menos que 60 milhões de brasileiros.
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BC reduz compulsório e prevê injeção de R$ 30 bi na economia. E a tal crise dos olhos azuis que só chega no Jornal da Globo e afins?
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Serra sabatinado na Folha. Ou seja: em casa.
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Protestos contra os EUA se espalham pelo mundo. Mas eles não fizeram nada para merecer isso.
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Já treinando para presidente, Joaquim Barbosa prende e arrebenta quem discordar dele.
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Se nada der certo, Heloísa Helena e Marina Silva ainda tem a chance de formar uma dupla sertaneja universitária.
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TV Globo num mato sem cachorro: se Russomanno ganhar, ganha a Universal; se Haddad ganhar, ganha o Lula. Nos dois cenários a Globo perde.
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Mudanças no Ministério da Cultura for dummies: Sai a irmã do Chico Buarque. Entra a mãe do Supla.
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Marta nega que cargo seja compensação. Imagine. Quem vai pensar uma coisa dessas?
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Candidatos do PSDB reivindicam o direito de não mencionar FHC nem que a vaca tussa.
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Justiça chilena confirma que Salvador Allende se suicidou para não cair nas mãos de um Brilhante Ustra.
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The end: FHC entra na campanha de Serra.
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São Luis completa 400 anos e Sarney, 450.
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Produção de veículos bate recorde e inadimplência no comércio recua pelo terceiro mês. Calma! Assim vocês matam o Sardenberg.
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SP, com Russomano, passa a ser a maior igrejinha do mundo.
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Brasil, segundão no consumo de cocaína, adestra seus fuzileiros nasais pra encarar os EUA.
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Médico com estetoscópio nas costas de Noblat: "Diga 33... milhões".
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Zuzinha Covas, chuva ácida que erodiu a biografia do paizão, é candidato a vereador em SP. Se eleito, se sentirá um rato no lixo.
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Amigo pergunta se posso guardar um segredo. Lembro do Tancredo, que dizia: "Você que é dono do segredo não consegue, como eu vou conseguir?"
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Fujimori ligou da penitenciária de Callao para Higienópolis: "Fernando Henrique, me dá o telefone do seu advogado.Também quero ficar solto".
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Diga, espelho meu, existe alguém mais rejeitado do que eu? -- José Serra
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Esclarecido o roubo da Norte-Sul: Sarney e Juquinha botaram dormente de ouro na ferrovia.
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Os Civita, os Frias, os Mesquita e os Marinho já admitem Operação Jim Jones no caso de vitória do Haddad.
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Cirque du Soleil está dando aulas de contorcionismo aos editores de Veja nas explicações do caso de amor com Cachoeira..
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A Globo não para de inovar: Sergio Mallandro tá de novo no ar.
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Programa de governo: Russomano quer um templo da Mão Grande em cada esquina de São Paulo.
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Russomano prova que SP põe em prática todas as teorias do desastre perseguido.
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Não vamos esquecer: Diogo Mainardi e Merval Pereira aconselhavam Serra e eram informantes dos Estados Unidos.
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Zuckberg perde quase R$ 20 bi com queda de ações. Eike está morrendo de inveja.
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Miro Teixeira nasceu no chaguismo e morreu no civitismo.
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Serra abre contagem regressiva pra assumir sua porção Jânio e renunciar.
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William Waack diz que vai embora do Brasil se José Dirceu não for condenado. Começo a torcer pela condenação.
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Quando se derruba as máscaras de alguém aparece a cara real. Mas isso não vale pro Serra. As máscaras são suas verdadeiras caras.
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Última Hora era o blog sujo de 1954. Mas como segurar os Grandes Irmãos da mídia? Getúlio explodiu o coração.
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Qualquer especialista em comportamento humano percebe que Jefferson é um psicopata incendiário, menos a imprensa, que não quer ver.
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"Noblat é um grande jornalista. Pena que suas histórias não correspondem aos fatos." -- ACM em momento de rara lucidez
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A bola da Copa pode ser Bossa Nova, Brazuca ou Carnavesca. A da seleção, por enquanto, é bola murcha.
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Fica cada vez mais claro que as obras da Copa até podem ficar prontas. A seleção, não.
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Ainda temos chance de ver FHC, Malan, Lara, Arida, Landau, Fraga, Serra e outros no banco dos réus, respondendo pela venda do Brasil.
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Ainda temos tempo para ver Sarney no banco dos réus, respondendo pelo massacre na Companhia Siderúrgica Nacional, em 1988.
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Vamos acabar com falsas comparações. Serra não tem nada do nacional socialismo alemão. Dá-se por feliz quando o chamam de galinha verde.
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Pelo visto, Veja era apenas uma firma de fachada do Cachoeira.
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Não tem o menor sentido comparar Serra com Hitler.Todos sabem que o alter ego dele é Goebbels.
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William Waack pensa que sabe tudo. Vaga-lume sabe mais. Vaga-lume acende a luz do fiofó. Coisa que William Waack não faz.
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Se o Paraguai cortar o fluxo da energia de Itaipu pro Brasil, o Brasil vai retaliar cortando o fluxo de sacoleiros pro Paraguai. É a guerra!
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Pelo que se viu no Julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que se odeiam, roncam unidos nas sessões.
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TV Globo convoca Aguinaldo Silva para esquentar a trama do mensalão.
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Gilmar Mendes deixa com inveja muito pau de galinheiro.
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Sem Demóstenes, grande imprensa procura desesperadamente um novo herói. Enquanto ele não vem, vai de novo com Roberto Jefferson.
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Ayres Britto pode submeter José Dirceu à mais cruel das sentenças. Ler de cabo a rabo "O Lulismo no Poder", o soporífero de Merval Pereira.
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Milhões de bolinhas de plástico surgiram nas praias de Hong Kong. Serra, precavido, quer saber se elas podem chegar a São Paulo.
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Gurgel já conseguiu fazer a gente sentir saudades do Demóstenes.
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Arnaldo Jabor, desencantado com os últimos números do Ibope, adere à luta armada.
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Entrada da Venezuela no Mercosul anima indústria brasileira. Mas aí o Sardenberg acha que já é subversão.
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Aprovação de Dilma sobe e Lula teria 70% das intenções de voto. Quem se arrisca a vestir a camisa de força no William Waack?
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Baixou um santo na mídia. Santo é como ela chamava o Demóstenes.
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Não vamos esquecer: Antonio Fernando Souza foi o procurador-geral que moveu mundos para Fernando Sarney não entrar em cana. Amigo é amigo.
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Ainda não inventaram roubômetro que possa medir a era FHC.
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STF precisa ouvir a opinião pública, diz FHC. Opinião pública é como FHC chama os Grandes Irmãos da mídia.
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Eike começa a sair da Bolsa de Valores e entra no mercado de vento engarrafado de uma vez por todas.
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Lula e Márcio Thomaz Bastos podem levar o Nobel de Química: transformaram o STF em merda.
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Não se deve chutar cachorro morto, mas a gente sempre abre uma exceção para José Serra.
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Lamento informar que a SIP -- Sociedade Interamericana de Imprensa ---, sediada em Miami, leva mais uma sova domingo que vem na Venezuela.
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Gran finale: na semana da eleição, como qualquer noveleca da Globo, no timing, cenas dos últimos capítulos de O Mensalão. Só cego não vê.
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STF caminha para novo caso Dreyfus, com a AP 470?
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Dilma prefere trabalhar numa base de 77% de aprovação popular porque, como Nelson Rodrigues, acha toda unanimidade burra.
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O STF, sempre de forma apolítica e apartidária, espera o cronograma do segundo turno, para definir o do julgamento do processo.
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"Se todos os jornais concordam, você pode apostar que, provavelmente, a notícia não é verdadeira." -- Greg Palast, do The Guardian
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"Provas? Às favas com as provas. Só quero provar que condeno sem provas" -- Joaquim Barbosa em momento AI-5
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Com os ataques de Veja e Globo, Lula corre sério risco de alcançar 100% de popularidade.
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Cuidado! Por trás de um picolé de chuchu pode se esconder um facinoroso governador.
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Acredite se puder: o patrimônio da http://Decidir.com , de Verônica Serra e Verônica Dantas, aumentou 50.000 vezes em apenas 42 dias.
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"Alguém tem que se fuder." -- general Westmoreland, comandante das forças norte-americanas no Vietnam
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Depois do boimate e do grampo sem áudio, Veja inova com "entrevista sem entrevistado".
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Nesta edição, Veja abandona o crime organizado e parte pro abraço do crime desorganizado.
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Não conte pra ninguém, mas Verônica Serra, através do pai, ministro da Saúde, quebrou o sigilo de nada menos que 60 milhões de brasileiros.
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BC reduz compulsório e prevê injeção de R$ 30 bi na economia. E a tal crise dos olhos azuis que só chega no Jornal da Globo e afins?
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Serra sabatinado na Folha. Ou seja: em casa.
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Protestos contra os EUA se espalham pelo mundo. Mas eles não fizeram nada para merecer isso.
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Já treinando para presidente, Joaquim Barbosa prende e arrebenta quem discordar dele.
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Se nada der certo, Heloísa Helena e Marina Silva ainda tem a chance de formar uma dupla sertaneja universitária.
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TV Globo num mato sem cachorro: se Russomanno ganhar, ganha a Universal; se Haddad ganhar, ganha o Lula. Nos dois cenários a Globo perde.
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Mudanças no Ministério da Cultura for dummies: Sai a irmã do Chico Buarque. Entra a mãe do Supla.
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Marta nega que cargo seja compensação. Imagine. Quem vai pensar uma coisa dessas?
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Candidatos do PSDB reivindicam o direito de não mencionar FHC nem que a vaca tussa.
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Justiça chilena confirma que Salvador Allende se suicidou para não cair nas mãos de um Brilhante Ustra.
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The end: FHC entra na campanha de Serra.
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São Luis completa 400 anos e Sarney, 450.
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Produção de veículos bate recorde e inadimplência no comércio recua pelo terceiro mês. Calma! Assim vocês matam o Sardenberg.
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SP, com Russomano, passa a ser a maior igrejinha do mundo.
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Brasil, segundão no consumo de cocaína, adestra seus fuzileiros nasais pra encarar os EUA.
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Médico com estetoscópio nas costas de Noblat: "Diga 33... milhões".
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Zuzinha Covas, chuva ácida que erodiu a biografia do paizão, é candidato a vereador em SP. Se eleito, se sentirá um rato no lixo.
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Amigo pergunta se posso guardar um segredo. Lembro do Tancredo, que dizia: "Você que é dono do segredo não consegue, como eu vou conseguir?"
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Fujimori ligou da penitenciária de Callao para Higienópolis: "Fernando Henrique, me dá o telefone do seu advogado.Também quero ficar solto".
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Diga, espelho meu, existe alguém mais rejeitado do que eu? -- José Serra
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Esclarecido o roubo da Norte-Sul: Sarney e Juquinha botaram dormente de ouro na ferrovia.
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Os Civita, os Frias, os Mesquita e os Marinho já admitem Operação Jim Jones no caso de vitória do Haddad.
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Cirque du Soleil está dando aulas de contorcionismo aos editores de Veja nas explicações do caso de amor com Cachoeira..
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A Globo não para de inovar: Sergio Mallandro tá de novo no ar.
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Programa de governo: Russomano quer um templo da Mão Grande em cada esquina de São Paulo.
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Russomano prova que SP põe em prática todas as teorias do desastre perseguido.
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Não vamos esquecer: Diogo Mainardi e Merval Pereira aconselhavam Serra e eram informantes dos Estados Unidos.
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Zuckberg perde quase R$ 20 bi com queda de ações. Eike está morrendo de inveja.
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Miro Teixeira nasceu no chaguismo e morreu no civitismo.
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Serra abre contagem regressiva pra assumir sua porção Jânio e renunciar.
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William Waack diz que vai embora do Brasil se José Dirceu não for condenado. Começo a torcer pela condenação.
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Quando se derruba as máscaras de alguém aparece a cara real. Mas isso não vale pro Serra. As máscaras são suas verdadeiras caras.
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Última Hora era o blog sujo de 1954. Mas como segurar os Grandes Irmãos da mídia? Getúlio explodiu o coração.
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Qualquer especialista em comportamento humano percebe que Jefferson é um psicopata incendiário, menos a imprensa, que não quer ver.
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"Noblat é um grande jornalista. Pena que suas histórias não correspondem aos fatos." -- ACM em momento de rara lucidez
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A bola da Copa pode ser Bossa Nova, Brazuca ou Carnavesca. A da seleção, por enquanto, é bola murcha.
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Fica cada vez mais claro que as obras da Copa até podem ficar prontas. A seleção, não.
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Ainda temos chance de ver FHC, Malan, Lara, Arida, Landau, Fraga, Serra e outros no banco dos réus, respondendo pela venda do Brasil.
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Ainda temos tempo para ver Sarney no banco dos réus, respondendo pelo massacre na Companhia Siderúrgica Nacional, em 1988.
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Vamos acabar com falsas comparações. Serra não tem nada do nacional socialismo alemão. Dá-se por feliz quando o chamam de galinha verde.
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Pelo visto, Veja era apenas uma firma de fachada do Cachoeira.
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Não tem o menor sentido comparar Serra com Hitler.Todos sabem que o alter ego dele é Goebbels.
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William Waack pensa que sabe tudo. Vaga-lume sabe mais. Vaga-lume acende a luz do fiofó. Coisa que William Waack não faz.
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Se o Paraguai cortar o fluxo da energia de Itaipu pro Brasil, o Brasil vai retaliar cortando o fluxo de sacoleiros pro Paraguai. É a guerra!
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Pelo que se viu no Julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que se odeiam, roncam unidos nas sessões.
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TV Globo convoca Aguinaldo Silva para esquentar a trama do mensalão.
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Gilmar Mendes deixa com inveja muito pau de galinheiro.
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Sem Demóstenes, grande imprensa procura desesperadamente um novo herói. Enquanto ele não vem, vai de novo com Roberto Jefferson.
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Ayres Britto pode submeter José Dirceu à mais cruel das sentenças. Ler de cabo a rabo "O Lulismo no Poder", o soporífero de Merval Pereira.
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Milhões de bolinhas de plástico surgiram nas praias de Hong Kong. Serra, precavido, quer saber se elas podem chegar a São Paulo.
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Gurgel já conseguiu fazer a gente sentir saudades do Demóstenes.
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Arnaldo Jabor, desencantado com os últimos números do Ibope, adere à luta armada.
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Entrada da Venezuela no Mercosul anima indústria brasileira. Mas aí o Sardenberg acha que já é subversão.
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Aprovação de Dilma sobe e Lula teria 70% das intenções de voto. Quem se arrisca a vestir a camisa de força no William Waack?
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Baixou um santo na mídia. Santo é como ela chamava o Demóstenes.
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Não vamos esquecer: Antonio Fernando Souza foi o procurador-geral que moveu mundos para Fernando Sarney não entrar em cana. Amigo é amigo.
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Ainda não inventaram roubômetro que possa medir a era FHC.
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STF precisa ouvir a opinião pública, diz FHC. Opinião pública é como FHC chama os Grandes Irmãos da mídia.
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Eike começa a sair da Bolsa de Valores e entra no mercado de vento engarrafado de uma vez por todas.
A falta de provas sobre a compra de parlamentares - por Diogo Costa (Blog do Nassif)
O julgamento da AP 470 é o ato final de um período extremamente conturbado da política brasileira. O estouro do suposto escândalo se deu em 2005, através de uma entrevista de Roberto Jefferson para um jornal do estado de São Paulo. A partir dessa entrevista, uma explosão política seguiu seu curso em Brasília, se espraiando por todo o Brasil.
Foram abertas três CPIs que devassaram a vida de centenas e centenas de pessoas. O MPF nunca trabalhou com tanta sofreguidão para produzir sua denúncia, que fora entregue ao STF em abril de 2006. Os meios de comunicação vasculharam a vida de cada um dos envolvidos, desde o momento das suas concepções, quando ainda eram microscópicos fetos no ventre de suas respectivas mães até os dias atuais.
Pois bem, das mais de trezentas testemunhas que fazem parte do processo, não há absolutamente nenhuma que confirme a existência do "mensalão" enquanto compra de apoio parlamentar. Nem mesmo o delator do processo confirma essa tese em suas alegações finais. Aí cabe um adendo. Um réu não é obrigado a produzir provas contra si, pode omitir ou até mesmo mentir se isso for pertinente a sua defesa. Uma testemunha, ao contrário, faz um compromisso formal de dizer a verdade, nada mais que a verdade e somente a verdade, sob pena de sofrer as imputações legais que o ordenamento jurídico lhe faculta.
Não há nos autos da AP 470 nenhuma interceptação telefônica, de e'mails, nenhuma escuta ambiental, nenhum documento, nenhum laudo, nenhum rascunho, nenhum áudio ou vídeo, nenhuma testemunha e, obviamente, nenhum réu que confirme a tese da "compra" de votos. Todos confirmam, em juízo, que os recursos foram utilizados para pagamento de despesas eleitorais e pré-eleitorais. Despesas pretéritas e futuras da campanha.
Àqueles que não se movem por alucinações oriundas de ódio classista, não lhes parece pouco crível, para ser suave, que a tese da "compra" de votos seja verídica? Nem mesmo com a verdadeira guerra que se move contra os acusados desde 2005, portanto lá se vão mais de sete anos, conseguiu-se provar a existência de "compra" de apoio político. E porque nunca se comprovou essa tese, sabendo que nunca antes na história deste país se investigou tanto e tão a fundo pessoas envolvidas no episódio e, em especial, os envolvidos do Partido dos Trabalhadores?
Lamento ter que dizer isso com todas as letras. Mas a verdade nua e crua é que alguns ministros do STF abraçaram a tese da "compra" de votos desprezando todos os documentos existentes nos autos, conseguiram ser mais 'realistas que o rei', ou seja, confirmaram uma tese que nem mesmo a sanha oposicionista, do MPF e da 'grande mídia' conseguiu comprovar em sete anos de perseguição política tenaz e implacável. Ilações, inferências, deduções, hipóteses, conjecturas, suposições e achismos mil. Esses foram os elementos que os juízes do Tribunal de Exceção utilizaram para confirmar a tese inexistente e que ninguém mais conseguiu comprovar a não ser eles mesmos.
Na verdade, não estou muito surpreso. A história do STF tem seus momentos gloriosos e tem seus momentos infames, onde infames juízes esquecem da toga e se tornam tiranos covardes e vis. O momento atual infelizmente é o da covardia e da vilania suprema. Do mesmo modo o foram os momentos em que o STF negou habeas corpus para Olga Benário e esta acabou morta nos campos de concentração nazista e o momento onde o então presidente do STF "deu a benção" ao regime golpista de 64, abonando ao invés de sancionar o comportamento dos golpistas, sendo que o presidente constitucional João Goulart ainda estava no Brasil e nem mesmo houvera renunciado ao cargo.
Triste é o país que adota o "domínio do fato" para condenar réus sem prova alguma (presunção de culpa). A história há de julgar a infâmia perpetrada pelos pusilânimes atuais. Por fim, presto minha 'saudação' ao decano ministro Celso de Mello, ministro esse que absolveu Collor do delito de corrupção pois não havia ato de ofício a comprovar o suposto delito... Parabéns Celso de Mello! Tu és a prova viva de que o julgamento atual é sim um julgamento farsesco e excepcional.
Foram abertas três CPIs que devassaram a vida de centenas e centenas de pessoas. O MPF nunca trabalhou com tanta sofreguidão para produzir sua denúncia, que fora entregue ao STF em abril de 2006. Os meios de comunicação vasculharam a vida de cada um dos envolvidos, desde o momento das suas concepções, quando ainda eram microscópicos fetos no ventre de suas respectivas mães até os dias atuais.
Pois bem, das mais de trezentas testemunhas que fazem parte do processo, não há absolutamente nenhuma que confirme a existência do "mensalão" enquanto compra de apoio parlamentar. Nem mesmo o delator do processo confirma essa tese em suas alegações finais. Aí cabe um adendo. Um réu não é obrigado a produzir provas contra si, pode omitir ou até mesmo mentir se isso for pertinente a sua defesa. Uma testemunha, ao contrário, faz um compromisso formal de dizer a verdade, nada mais que a verdade e somente a verdade, sob pena de sofrer as imputações legais que o ordenamento jurídico lhe faculta.
Não há nos autos da AP 470 nenhuma interceptação telefônica, de e'mails, nenhuma escuta ambiental, nenhum documento, nenhum laudo, nenhum rascunho, nenhum áudio ou vídeo, nenhuma testemunha e, obviamente, nenhum réu que confirme a tese da "compra" de votos. Todos confirmam, em juízo, que os recursos foram utilizados para pagamento de despesas eleitorais e pré-eleitorais. Despesas pretéritas e futuras da campanha.
Àqueles que não se movem por alucinações oriundas de ódio classista, não lhes parece pouco crível, para ser suave, que a tese da "compra" de votos seja verídica? Nem mesmo com a verdadeira guerra que se move contra os acusados desde 2005, portanto lá se vão mais de sete anos, conseguiu-se provar a existência de "compra" de apoio político. E porque nunca se comprovou essa tese, sabendo que nunca antes na história deste país se investigou tanto e tão a fundo pessoas envolvidas no episódio e, em especial, os envolvidos do Partido dos Trabalhadores?
Lamento ter que dizer isso com todas as letras. Mas a verdade nua e crua é que alguns ministros do STF abraçaram a tese da "compra" de votos desprezando todos os documentos existentes nos autos, conseguiram ser mais 'realistas que o rei', ou seja, confirmaram uma tese que nem mesmo a sanha oposicionista, do MPF e da 'grande mídia' conseguiu comprovar em sete anos de perseguição política tenaz e implacável. Ilações, inferências, deduções, hipóteses, conjecturas, suposições e achismos mil. Esses foram os elementos que os juízes do Tribunal de Exceção utilizaram para confirmar a tese inexistente e que ninguém mais conseguiu comprovar a não ser eles mesmos.
Na verdade, não estou muito surpreso. A história do STF tem seus momentos gloriosos e tem seus momentos infames, onde infames juízes esquecem da toga e se tornam tiranos covardes e vis. O momento atual infelizmente é o da covardia e da vilania suprema. Do mesmo modo o foram os momentos em que o STF negou habeas corpus para Olga Benário e esta acabou morta nos campos de concentração nazista e o momento onde o então presidente do STF "deu a benção" ao regime golpista de 64, abonando ao invés de sancionar o comportamento dos golpistas, sendo que o presidente constitucional João Goulart ainda estava no Brasil e nem mesmo houvera renunciado ao cargo.
Triste é o país que adota o "domínio do fato" para condenar réus sem prova alguma (presunção de culpa). A história há de julgar a infâmia perpetrada pelos pusilânimes atuais. Por fim, presto minha 'saudação' ao decano ministro Celso de Mello, ministro esse que absolveu Collor do delito de corrupção pois não havia ato de ofício a comprovar o suposto delito... Parabéns Celso de Mello! Tu és a prova viva de que o julgamento atual é sim um julgamento farsesco e excepcional.
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