terça-feira, 13 de outubro de 2009

Diferenças no enfrentamento da crise - por Eduardo Marques

Muito tem sido dito, ultimamente, sobre as possíveis semelhanças de projetos entre as candidaturas tucana e petista em 2010. O período de crise pelo qual o Brasil passou, porém, revelou-se importante para fazermos um balanço sobre as reais diferenças de projetos que estarão em jogo no ano que vem.
O Governo Lula, para enfrentar a crise, reduziu alíquotas de impostos, aumentou o gasto público, baixou os juros e ampliou o crédito público, implantando uma política tributária, fiscal, monetária e creditícia anti-recessiva, promovendo diretamente e financiando a produção e o consumo. Também manteve e aprofundou as políticas sociais de transferência de renda. Esta agenda tirou o país da crise rapidamente.
No Governo Serra, a venda do patrimônio público, o “arrocho salarial”, o congelamento dos recursos para financiamento da produção e o aumento da carga tributária permaneceram como elementos centrais da administração tucana. Uma política tributária, fiscal e creditícia irresponsável, aprofundando a crise econômica. A insistência nesta agenda ultrapassada foi definida pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do Governo Lula, em reportagem recente (O Estado de São Paulo, 2/10/2009), como “terrorismo fiscal”.
As diferenças entre o Governo Lula e o Governo Serra no enfrentamento da crise econômica revelam, na verdade, profundas diferenças na concepção de ambos em relação ao papel do poder público.

Para o Governo Lula, o poder público pode e deve atuar fortemente na garantia do desenvolvimento social e econômico do país.

Já a agenda tucana tem como eixo principal o Ajuste Fiscal Permanente iniciado em 1997, com a assinatura do Acordo da Dívida do Estado de São Paulo com a União. Naquele momento, Mário Covas se comprometeu a aumentar a arrecadação, cortar gastos (sobretudo com o funcionalismo público), vender o patrimônio público (privatizar), não realizar novas operações de crédito e reduzir os investimentos. Buscava-se, deste modo, ampliar o superávit primário, gerando recursos para o pagamento dos encargos da dívida pública.

De lá para cá, quase nada mudou na agenda dos governos tucanos no Estado de São Paulo, nem durante a grave crise econômica e financeira pela qual o país passou no final de 2008 e princípio de 2009.

Para sermos mais precisos, as diferenças entre Lula e Serra no enfrentamento da crise econômica e financeira recente podem ser apresentadas em quatro pontos:

• Política tributária: enquanto o Governo Lula reduziu a alíquota de impostos federais, como o IPI, para setores econômicos com grande impacto na produção, na geração de emprego e na renda – como no caso da indústria automobilística, no setor de material de construção e no setor de eletrodomésticos da chamada “linha branca” -, o Governo Serra ampliou para dezenas de setores o mecanismo da substituição (antecipação) tributária do ICMS, cobrando impostos sobre as empresas sem que estas tivessem efetivamente vendido seus produtos, retirando recursos do caixa das empresas no auge da crise, desestimulando as vendas promocionais no setor atacadista e varejista e prejudicando as micro e pequenas empresas.

• Compensação aos municípios: o Governo Lula implantou medidas de compensação aos municípios pela queda na arrecadação e nas transferências do Fundo de Participação dos Municípios/FPM. A compensação foi de R$ 1 bilhão, assegurando-se o repasse dos mesmos valores de 2008, recorde histórico do FPM. O Governo Serra não criou nenhuma medida de compensação aos municípios pela queda dos repasses do ICMS nos primeiros meses do ano.

• Crédito para a produção e o consumo: o Governo Lula ampliou a oferta de crédito para a produção e o consumo através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES), compensando a redução da oferta de crédito dos bancos privados no auge da crise. O Governo Serra vendeu o Banco Nossa Caixa e congelou mais de 61% dos recursos da Agência de Fomento do Estado de São Paulo (cerca de R$ 492 milhões), nos primeiros meses de 2009.

• Políticas sociais e garantia de renda: o Governo Lula garantiu o aumento real do salário mínimo e do Programa Bolsa Família em 2009, além de seguir corrigindo o salário do servidor público federal. Já o Governo Serra não cumpre a data-base do funcionalismo público e segue arrochando o salário dos servidores. Mais ainda, no início de 2009, bloqueou cerca de 20% dos recursos nos principais programas sociais de transferência de renda, tais como o “Renda Cidadã” e o “Ação Jovem”;

Moral da história: a verdadeira agenda do desenvolvimento econômico e social continua com o governo petista, e graças a ela, entramos por último e saímos primeiro da grave crise econômica e financeira que se abateu sobre o mundo. Já os tucanos continuam com uma agenda congelada no tempo, baseada no antigo "ajuste fiscal permanente", caminho óbvio para o Estado Mínimo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Chicaneiros e Sofistas - por Miguel do Rosário (óleo do diabo)

Depois de Merval Pereira, do Globo, ter citado artigo de Dalmo Dallari no qual o jurista defende o golpe em Honduras – dizendo que não foi golpe -, a Folha de São Paulo, reproduz o texto na edição deste sábado. Com um detalhe importante: o artigo vem publicado na própria seção Mundo, ao lado das notícias, e não na parte reservada às opiniões.

O fato de Dallari ser ligado ao PT é um trunfo. A mídia conservadora está sempre à cata de petistas cujas opiniões lhe seja útil. Recentemente, Dallari também elogiou o espancamento de estudantes e professores da USP, durante os conflitos decorrentes de uma greve, e suas palavras também pareceram cair como maná dos céus para editorialistas meio acuados na posição desconfortável de isentar ou defender o governador José Serra.

Desta vez, novamente, a opinião dallariana soa como trombeta salvadora, principalmente para aqueles que, como Merval Pereira, apostaram seu prestígio na defesa de um golpe condenado mundialmente.

Acontece que o artigo de Dallari é um amontoado de besteiras. A discussão sobre se foi golpe ou não é ultrapassada. A maioria esmagadora afirma que sim. Os fatos dizem que sim. As consequências gritam. O povo hondurenho, que é, afinal, quem tem a última palavra nessa questão, se manifesta nas ruas, gritando contra o golpe de Estado.

Dallari menciona a decisão da Suprema Corte de Justiça como se falasse de uma canetada de Otávio Augusto, o César dos Césares. Quer dizer, então, que se Gilmar Mendes quiser, ele pode depor o Lula e deportá-la para Nicarágua?

É por essas e outras que sempre afirmo aqui, neste blog, que não acredito em sábios. A verdade não é uma propriedade arraigada em títulos acadêmicos ou fama. A verdade é uma força em movimento, e só existe na discussão livre, na dialética. O golpe militar no Brasil, em 1964, também foi apoiado por diversos juristas famosos. Muitas celebridades do mundo artísticos e acadêmico igualmente chancelaram o assassinato da democracia brasileira. Ao percorrer as páginas dos jornalões brasileiras dos dias subsequentes ao golpe de 64, encontro, por exemplo, um depoimento de Alfredo Federico Schmicht, o simpático e boêmio editor e poeta, o mesmo que descobriu Graciliano Ramos e foi uma figura tão querida entre a vanguarda da intelectualidade nacional, defendendo a legalidade do golpe.

Respeito a opinião de Dallari, mas dou-me o direito e a liberdade de afirmar que ele, mais uma vez, perdeu uma magnífica oportunidade de não falar besteira. Diante da gravidade do fato e dos interesses geopolíticos envolvidos, a opinião de Dallari apenas serve à extrema direita americana (tenho usado essa palavra, americana, no caso de Honduras, para me referir a toda América, de norte a sul).

É claro que foi golpe! Não são chicanerias de juristas vaidosos e confusos (para não dizer senis), que mudarão o fato consumado de um presidente, eleito democraticamente, ser deposto sem o mínimo direito à defesa, essa sim uma lei “pétrea” de qualquer democracia. Dallari pode até defender o espancamento de alunos e professores da USP, mas usar o seu prestígio para chancelar um golpe de Estados é de provocar engulhos. Ao mesmo tempo, serve de alerta para todos. É preciso pensar com a própria cabeça, sempre. O caso de Honduras é um tema político, e não podemos nunca deixar a política ser dominada pela esquizofrenia jurídica, pois, é sempre bom lembrar, quase todos os golpes de Estado da história da humanidade, tiveram suas justificações. No caso da América Latina, sempre foram “democráticos”...

Zelaya pode ter cometido inúmeros erros políticos. Não tenho a mínima idéia se Zelaya é um bom presidente ou não. O que estamos discutindo aqui são princípios democráticos universais, os quais foram brutalmente violentados em Honduras, e o Brasil, na medida do possível, sem intervenção e sem agressão, está colaborando para que eles, os tais princípios, sejam consolidados.

Globo tenta, mais uma vez, quebrar a espinha da UNE - por Miguel do Rosário (Óleo do diabo)

A turma do Ali Kamel não engole que o movimento estudantil seja de esquerda, partidário, ideológico e, supremo vício, apóie o governo Lula. Os platinados têm um tipo ideal de movimento estudantil na cabeça e não descansarão enquanto não produzi-lo. Estão se esforçando para isso. Hoje, quarta-feira, 7 de outubro, o Globo estampa na primeira página uma enorme foto com uma multidão de 12 estudantes, reunidos no playground de algum edifício da zona sul. Depois dedica a página 4 inteira ao grupo. Repare na declaração de "bom-mocismo" de um dos integrantes:

"Somos apartidários, não queremos nos envolver com nenhum tipo de jogo político."

Eu não quero julgar esses garotos. Acho extremamente positivo que a juventude se politize. Tenho certeza, aliás, que eles, desde que ingressem, de verdade, na política estudantil, irão, mais cedo ou mais tarde, aproximar-se de partidos e governos. É natural e saudável que assim aconteça. A tentativa grotesca dos ideólogos do Globo de criar um movimento estudantil que não faça política dá vontade de rir.

Pode ser interessante haver um setor não-partidário no movimento estudantil, mas muita gente esquece que os jovens deixam de ser jovens e os estudantes deixam de ser estudantes, e que precisarão aplicar a experiência política acumulada em alguma parte e, no Brasil como em qualquer outra democracia, é preciso estar inscrito num partido para participar da vida política oficial do país. A menos que não se queira fazer política de verdade, e se tornar uma espécie de diletante palpiteiro (como eu).

É preciso, sobretudo, não criminalizar partidos ou governos, porque, ao fazê-lo, critica-se o próprio modelo republicano nacional, já que essas são as únicas instâncias realmente democráticas da sociedade. Claro que há problemas no movimento estudantil, nos partidos, e nos governos, e nas relações entre as partes, mas é preciso modernizar essas relações, não pretender, ingenuamente, extingui-las.

Sim, os partidos, muitas vezes, aparelham o movimento estudantil de forma fria e negativa, mas também dão suporte para que estudantes pobres possam exercer participação política. Sem apoio partidário, nenhum estudante pobre poderia participar do movimento estudantil, ou ficaria muito mais difícil para eles. Não é por outra razão que os 12 estudantes fotografados pelo Globo são estudantes de classe média, que estudam em colégios caros da zona sul carioca.

O ridícula da história é o Globo tentar vender um movimento insignificante, localizado num pedacinho endinheirado do Rio, como algo comparável à UNE, cujos números chegam às dezenas de milhares de delegados eleitos democraticamente.

Tenho respeito por esses 12 estudantes, repito. Mas eles precisam tomar cuidado para não serem manipulados pela ideologia antipolítica (hipocritamente antipolítica, diga-se de passagem, porque a mídia nunca foi tão politizada), que criminaliza partidos, ideologias e movimentos sociais organizados.

Em sua campanha covarde para desqualificar a UNE, o Globo sempre lembra o papel da entidade na ditadura militar, sem contextualizar o momento, e, sobretudo, sem se auto-contextualizar. Na época, o movimento estudantil foi destroçado pela ditadura e pelos meios de comunicação. No dia posterior ao golpe, o Globo noticiou, sem disfarçar o êxtase, a depredação e incêndio da sede da UNE. E durante os anos de chumbo, sempre retratou os jovens que protestavam como baderneiros.

O Globo criou o mito de um movimento estudantil eternamente revoltado contra tudo e contra todos, o que não corresponde a realidade ideológica do jovem contemporâneo, cujo espírito já assimilou as transformações mundiais, como o fim do mundo socialista e a abertura econômica da China. O socialismo não morreu, mas modernizou-se e, para desespero de alguns reacionários, de direita e esquerda, amadureceu. Desde os tempos de Lênin, os verdadeiros revolucionários são aqueles que não negam a realidade, que entendem a correlação de forças e que procuram agir visando resultados concretos.

O movimento estudantil deve, sobretudo, precaver-se contra a instituição mais reacionária nesses tempos de decadência liberal: a imprensa corporativa, este odioso Leviatã midiático que vem minando a democracia em toda a América Latina, inclusive, em pleno século XXI, apoiando golpes de Estado. Deve lembrar-se que a UNE apoiou João Goulart em 1964, e também era criticada pela mídia reacionária da época, também era chamada de chapa-branca. O governador de São Paulo, José Serra, quando era presidente da UNE e ainda não se havia bandeado para o conservadorismo midiático que professa hoje, discursou ao lado de Goulart no último comício deste.

O Globo trabalha incessantemente para quebrar a espinha de movimentos sociais, partidos, sindicatos, todos que defendem os trabalhadores no país; e a estratégia de "dividir" para reinar sempre foi eficiente. O movimento estudantil precisa de sangue novo. A política brasileira precisa de sangue novo. Mas como contribuiremos para renovação da classe política brasileira se defendermos um movimento estudantil "não-partidário" e distante do "jogo político"? Como teremos um melhor Congresso, um melhor Senado, condenando a participação partidária?

Também é egoísta e medíocre a argumentação de que ao movimento estudantil só cabe pedir "reforma educacional". Por quê? O movimento estudantil deve participar das políticas de todos os setores, não apenas do setor educativo.

O irônico é acusar a UNE, com seus congressos de 20 mil delegados, com suas milhares de ramificações estaduais e municipais, de não representar os estudantes e, ao mesmo tempo, pretender que um grupo de 12 estudantes de escolas ricas da zona sul carioca tenham alguma representatividade relevante.

As forças conservadoras preferem que nossos jovens se mantenham afastados das lides partidárias porque têm plena consciência de que a maioria esmagadora da juventude professa uma ideologia de esquerda - o que seria até aceitável, desde que não fosse esse maldito esquerdismo contemporâneo, pragmático e astuto, sem medo do poder. Os conservadores querem, no fundo, deixar o terreno livre para que os sindicatos patronais ocupem o espaço político que deveria, democraticamente, pertencer ao povo. Com apoio de militares, mídia, associações empresariais, parlamentares pouco comprometidos com a democracia, e com uma juventude apartidária e despolitizada, os Michelettis do mundo poderão sempre dar seus golpes e assumir o poder.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A cara do Brasil - por Luis Nassif

Em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, a partir da observação do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percepção de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econômico, tal como ocorreu no governo JK.
Pensava em algo assim:
1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.
2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.
3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.
4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo.
A Constituição de 1988 permitira grandes avanços sociais. O governo Collor fizera o trabalho sujo de desmonte do modelo anterior, de redução da dívida pública para patamares civilizados e deixara plantadas as sementes de programas de qualidade, da abertura gradativa da economia. Mesmo aos trambolhões, o governo Itamar Franco manteve a chama da responsabilidade social que emergiu com a Constituinte.
***
FHC pegou o país pronto, uma conjuntura internacional extraordinariamente favorável (com o reposicionamento das multinacionais no mundo), o PSDB tornou-se o pólo de atração de quadros técnicos dos melhores – PUC Rio, FGV São Paulo, FEA.
FHC tinha preparo, história, acesso aos movimentos de esquerda e aos empresários, à academia e à política. Todos os grupos modernizadores, plantados nos anos anteriores, convergiram automaticamente para sua candidatura, em 1994.
Mais que isso, tinha a espoleta política capaz de deflagrar a auto-estima nacional: um plano de estabilização bem sucedido.
Naqueles primeiros anos, o país regurgitava o novo. Estudos eram tirados das gavetas, por todos os cantos havia a esperança da inovação, da mudança de hábitos, da modernização.
***
Foi essa oportunidade histórica que FHC jogou no lixo. O que explica esse desperdício? Em parte, porque sua única obsessão era o chamado controle do Estado – a criação de oportunidades de enriquecimento para novos grupos, através da privatização.
Mas, muito, por conta da extrema falta de compromisso com o país. Era apenas um deslumbrado com o poder. De imediato afastou do Palácio os dois tucanos que poderiam impulsionar o governo – Sérgio Motta e José Serra.
***
Com o tempo, conseguiu descaracterizar completamente não apenas seu governo, mas o próprio PSDB. Tirou do partido a vitalidade inicial, a busca do novo, a visão de conjunto e pragmática sobre o país, a ponto de descaracterizar completamente o próprio José Serra – cuja submissão intelectual e emocional a FHC um dia ainda será objeto de análises mais aprofundadas.
Em busca do tempo perdido – 1
A inação de FHC gerou quinze anos de atraso ao país. Só agora se retoma a trilha perdida, por conta da intuição de Lula. Não é por outro motivo que o ex-Ministro Delfim Netto – que não é de gastar elogio à toa – declarou dia desses que Lula salvou o capitalismo brasileiro. Não se trata de mera retórica. Depois das cabeçadas iniciais, Lula conseguiu entender muito melhor do que FHC a lógica do Estadista.
Em busca do tempo perdido – 2
O caminho passava pela conciliação da nação em torno dos novos valores do desenvolvimento. Ao contrário de FHC – que encontrou o país pronto – Lula precisou construir seu próprio caminho. O primeiro desafio consistia em desarmar seu próprio partido – um amálgama de várias tendências e de vários estilos políticos. Depois das cabeçadas iniciais, quando bateu no fundo do poço – o episódio dos chamados “mensaleiros” – começou a virada.
Em busca do tempo perdido – 3
A crise ajudou a domar as áreas mais radicais do partido. Quem não se enquadrou saiu para montar partidos mais à esquerda. Dentro do governo, Lula abriu espaço para o agronegócio (através do Ministério da Agricultura), para a agricultura familiar (através do Ministério do Desenvolvimento Agrário), para o mercado (através do Banco Central) e para os movimentos sociais (através do Ministério da Integração Social).
Em busca do tempo perdido – 4
Ao mesmo tempo em que imprimia uma política econômica muito ortodoxa, pouco a pouco foi montando a área desenvolvimentista do governo, com o eixo BNDES-Ministério da Fazenda. Demorou para implementar a nova política? Para muitos, demorou. Mas aguardou o tempo político. Quando eclodiu a crise mundial, veio a oportunidade para a mudança na política econômica. Aproveitou-se com um senso de oportunidade único.
Em busca do tempo perdido – 5
No plano político, projetou a imagem de um pacificador inesperado, tendo em conta seu histórico de lutas sindicais pesadas. Apesar de alvo da mais inclemente campanha de mídia que um presidente jamais encarou – mais acirrada e prolongada que a própria campanha do impeachment – jamais radicalizou suas críticas ou se valeu do poder do príncipe para pedir a cabeça de jornalistas – o oposto de alguns adversários.
Em busca do tempo perdido – 6
Por tudo isso, a herança bendita de Lula não foi FHC. Foi o movimento pela qualidade, o pensamento desenvolvimentista, os mercadistas, os que construíram o agronegócios e os movimentos sociais. Em suma, essa grande confluência de setores e fatores que compõem o Brasil moderno. O sindicalista semi-alfabetizado soube entender a complexidade do país muito mais do que o sociólogo consagrado.

Eleições e poder de mídia - por Luis Nassif

O Jânio de Freitas traz uma questão torturante sobre a Lei Eleitoral e o ativismo político da mídia: a enorme dificuldade em definir a busca da isonomia e a neutralidade do noticiário. E reclama a ausência de um Conselho capaz de arbitrar sobre o tema.
A questão é relevante por dois motivos.
Primeiro, por não ser possível analisar a neutralidade apenas em função do maior ou menor espaço concedido aos candidatos. O ativismo da imprensa não se mede apenas no oba-oba para um lado e na crítica destemperada para o outro. Mede-se especialmente na manipulação do noticiário, das manchetes, das pesquisas de opinião.
A insistência da Folha em transformar Aécio em vice de José Serra – apesar de todos os desmentidos dele – não é uma mera barriga. A intenção é esvaziar eventuais movimentos em direção à sua candidatura.
O episódio da ficha falsa de Dilma – pela Folha – foi uma armação pensada com o óbvio propósito de marcá-la como “terrorista”, “assaltante de banco”.
O carnaval no episódio Lina Vieira não foi apenas uma “barriga” em torno de uma acusação provavelmente falsa – já que na única data do suposto encontro, vazada para os parlamentares de oposição, comprovou-se não ter havido a reunião. Durante trinta dias, serviu para o Jornal Nacional impingir em Dilma a pecha de “mentirosa”.
O segundo ponto é que, cada vez mais, fica nítido que não existe o jornalismo neutro. Quem edita jornais são empresas de comunicação com outros interesses empresariais e que freqüentemente usam a notícia como estratégia de negócios.
Trata-se de uma verdade inconteste que sempre se escondeu atrás do manto da liberdade de imprensa – que, por sua vez, é um valor relevante, apesar de estar sendo desmoralizado pela ação inconsequente dos próprios grupos de mídia brasileiros.
A sentença do juiz Carlos Henrique Abrão – no processo movido pela Abril e pelo (turquinho) Eurípedes Alcântara contra mim – é um marco que tende a se transformar em jurisprudência (clique aqui).
O juiz Abrahão defende a liberdade de imprensa, aponta sua relevância no período da democratização. Depois, enfatiza esse aspecto dos interesses comerciais das empresas jornalísticas, levando-as a instrumentalizar a notícia. Finalmente, aponta para a importância das novas mídias como fator de moderação dos abusos cometidos.
Coincidentemente, no período de maiores transformações jornalísticas da história, todos os grandes veículos passavam por uma transição que os deixou à mercê de direções de redação um tanto amadoras, permitindo essa exposição inédita de seus vícios.
A série “O Caso de Veja” expôs essa promiscuidade exasperante entre notícias e negócios. É só lembrar da campanha contra livros didáticos, que atendia diretamente os interesses comerciais da Abril. Ou a maneira como Roberto Civita armou-se de dois pistoleiros para tentar destruir a reputação de todos os que ousassem apontar os jogos perigosos que passou a montar com Daniel Dantas.
E aí se entra em novo ponto importante. Como impedir a manipulação da liberdade de imprensa sem, ao mesmo tempo, colocá-la em risco?
O caminho é um só: regulações que estimulem a competição; estímulos à organização de sistemas de informação em rede, para que todos os grupos sociais possam ser representados nesse novo tempo; aplicação de princípios de direito econômico onde se configurar práticas monopolistas ou cartelizadas.
Em seu artigo, Jânio distingue rádio e TV (como concessões públicas) dos impressos. O papel do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) é evitar práticas monopolistas nos mercados de cerveja, chocolate, alimentos, siderúrgico. Porque o mais relevante dos mercados – o de opinião – deveria ficar de fora?
Por gabs
Nassif.
Tem um artigo do Nobel Ronald Coase (The Market for Goods and the Market for Ideas) em que ele analisa a quinta emenda da constituição americana sobre o enfoque: Por que se admite a regulação do governo no mercado de bens e não no mercado de informação? Se as pessoas que atuam em ambos mercados são essencialmente as mesmas, com os mesmos interesses, não há qualquer razão que justifique uma liberdade absoluta no mercado de idéias.
Muito bom.

Da Folha
JANIO DE FREITAS

Páginas e minutos
Parece faltar um conselho para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação nas campanhas

AS MÁS RELAÇÕES entre militantes de candidaturas e, de outra parte, imprensa e TV começam mais cedo desta vez, incentivadas por uma das pequenas mexidas na Lei Eleitoral chamadas de “reforma”. É a que determina, já sob crítica da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que o tratamento igualitário aos candidatos seja antecipado para aplicar-se também aos pré-candidatos.
O problema resulta de equívocos que vêm desde a primeira eleição direta pós-ditadura. No caso dos jornais, desde então o espaço físico prevaleceu para as comparações de tratamento e, daí, para a motivação de queixas, no dia a dia, e de diversas acusações fortes. A aferição física, no entanto, é enganosa e insolúvel. Não há como assegurar espaço jornalístico equitativo nem mesmo para os três ou quatro candidatos principais (ou mesmo os dois de segundos turnos), quanto mais para todos.
Mas, ainda que se pudesse manter distribuição igualitária do espaço, a dimensão física não importa em comparação com a dimensão política, subjetiva, do teor dado ao espaço. E este não precisa ser explícito, pode ficar naquele terreno em que as interpretações divergentes encontram, ambas, justificativas. E lá se foi a isonomia, mesmo que haja igualdade de espaços concedidos aos concorrentes.
A neutralidade absoluta ante o processo eleitoral, cobrada pelos queixosos e os acusadores, é possível eventualmente. À parte razões humanas, porém, mesmo no jornalismo a neutralidade eleitoral não é a conduta sempre ética. Os candidatos não são iguais. Suas histórias não são iguais. Seus grupos não são iguais. Seus propósitos pressentidos não são iguais. E se algo aí macula a ética esperável de um candidato, não será ético o silêncio sobre essa mácula para preservar a neutralidade e o tratamento isonômico com outro(s) candidato(s). Além disso, uma notícia ou um comentário negativo também pode exprimir neutralidade.
Na televisão e nas rádios, sob certo aspecto o problema é mais simples: suas notícias têm a rapidez de flashs, sem dar muita margem a interpretações; sob outro aspecto, complica-se muito, com a importância tão diferenciada entre os horários e suas audiências. Então como se mede a isonomia pretendida pela lei? Comparando os minutos dados a cada candidato ou, já que um minuto em certo horário vale mais do que uma hora em outro, comparando, e de que modo, as estimadas audiências proporcionadas a cada candidato?
Se é assim em relação aos candidatos, aos já existentes e ainda possíveis pré-candidatos a exigência da lei passa da incompetência ao ridículo. A crítica da Abert tem razão de ser.
Distorções e manipulações existem em TV, e fica na história o seu papel na disputa de 1989 entre Collor e Lula, como existem na imprensa. Com uma diferença essencial na natureza dos dois sistemas: rádio e TV são concessões de um bem público para uso e proveito de particulares. Não podem, como bens de toda a população, ser usadas em prejuízo de aspirações legítimas de uma parte da nação, por interesse material ou outro do agraciado com a concessão.
O que parece faltar é um conselho, uma comissão judicial, ou algo por aí, para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação em campanhas eleitorais. Não para eliminar todos os problemas, mas para ponderar a procedência de queixas contra determinadas condutas, e procurar repará-las. Com o restante, o melhor é cuidado, porque talvez interfira em direitos e liberdades.

O melhor chanceler do mundo

The New ForeignPolicy.com
The world’s best foreign minister
http://rothkopf.foreignpolicy.com/posts/2009/10/07/the_world_s_best_foreign_minister

Jungman: a piada levada a sério - por blog do Nassif

Por vinicius souza
E olhem mais essa. Nao eh de gargalhar???

G Último Segundo – SP
Da Redação


O coordenador da comissão externa de deputados federais que esteve em Honduras na última quinta-feira, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), relatou nesta terça-feira que recebeu relatos de brasileiros que estariam sendo discriminados depois da atuação do Brasil em favor do presidente deposto, Manuel Zelaya. “Hoje recebemos telefonemas dizendo que alguns filhos de brasileiros estariam sofrendo algum tipo de discriminação nas escolas”, afirmou Jungmann.
Segundo o deputado, apesar do forte apoio internacional dado a Zelaya, a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti. “Está passando em todas as televisões um filme que termina com a frase: Brasil e Venezuela violentaram a soberania de Honduras”, disse ele.

Por Marco Vitis

Esse Jungman mentiu até para a Soninha do PPS, sua correligionária.
A história, em síntese, é a seguinte: naquela CPI em que ele participava ativamente para desmoralizar a Operação Satiagraha, surgiu a informação da existência de 250 caixas com documentos sobre grampos de Daniel Dantas.
Fiz uma mensagem para a Soninha, perguntando por que Jungman não se interessava pelas caixas que comprometiam Dantas.
Soninha repassou para Jungman o meu e-mail e ele respondeu para Soninha que iria fazer a requisição na segunda-feira.
Só que até hoje essa segunda-feira nunca existiu. Até a CPI acabou.
Eu tenho arquivado toda a troca de e-mail e posso comprovar este relato que faço.
A Soninha também sabe que Jungman mentiu e a enganou.

Por Claudio Assis

O deputado Jungmann está mentindo (me perdoem pela obviedade). O Partido Nacional daquele país publicou uma pesquisa – divulgada na Folha hoje – em que 82% da população acredita que Honduras não está seguindo por um bom caminho. 53% diz que o modo de tirar Zelaya do país não foi correto e 50% das pessoas afirmam que o presidente deposto deve voltar à presidencia.
Na pesquisa, apenas 3% encaram Zelaya negativamente, enquanto que 32% ve Micheletti dessa forma. Ou seja, qual o parâmetro de Jugmann ao afirmar que a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti?
As emissoras de televisão? Ué, mas “todas as tvs” de Honduras estão aliadas ao golpe. As de oposição foram fechadas. Será que nosso deputadozinho ingênuo não percebeu que foi enganado? Ou ele pensou que éramos tão bobos quanto ele de achar engraçada uma piada dessas?

Conservadores e neocons: o caso brasileiro - Por weden (blog do Nassif)

Nassif,
Daqui a alguns dias vai estar disponível no site da GloboNews, no programa Milenio, a entrevista com o neoconservador Francis Fukuiama (o mesmo do “fim da história”), que faz elogios às políticas de proteção social deste governo.
Meu deus..Se até os acadêmicos neoconservadores americanos elogiam o bolsa família, em que lugar do espectro ideológico estão os nossos neoconservadores acadêmicos e nossos jornais?
Entenda-se por “pensador neoconservador” nada próximo do que os “pop neocons”, tantas vezes aqui abordados.
Apesar de chatinho, Fukuyama tem um trabalho consistente de pensamento.
Já os pop neocons têm um trabalho sério de difamação e calúnia, pouco juízo e nenhum pensamento.
Os primeiros são frutos de opções teóricas.
Estes últimos são produtos distorcidos de mídia.
No Brasil, em especial, além das duas categorias, há uma categoria mista.
São os “pop neocons convertidos”, provenientes das fileiras da academia, e que acharam que pesquisar, pesquisar e pesquisar sem almejar a fama é chato demais.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sobre Honduras

E eis que Micheletti se compromete a caçar os responsáveis pela expulsão do presidente democraticamente eleito.
E agora, José?

Sim, nós podemos - por Luis Nassif

Estava almoçando com um amigo banqueiro quando veio a notícia de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido cidade-sede das próximas Olimpíadas. Mandou abrir um vinho em comemoração. De manhã, um funcionário dele, em Copenhagem, mandou email informando que na cidade só se falava em Lula, uma euforia completa apenas pela presença de Lula por lá.
No restaurante, as mesas comemoraram pedindo vinhos e champagnes. Nas ruas, uma população orgulhosa do feito brasileiro. No Blog, centenas de comentários de leitores orgulhosos de serem brasileiros, finalmente orgulhosos de serem brasileiros, repito.
Chego no escritório, ligo a Internet e procuro o vídeo com o discurso de Lula, defendendo a candidatura do Rio e, depois, com Lula com os olhos marejados falando de sua maior especialidade: o modo de ser brasileiro. Tecendo loas ao Brasil, ao Rio, à ginga, à alma brasileira.
E me espanto de como é possível que parte da opinião pública ainda não tenha se dado conta da dimensão política global de Lula. Ele se tornou um dos governantes paradigmáticos do maior processo de transformações que a humanidade atravessa desde o pós-guerra.
***
A população pobre, que era custo, hoje se tornou o grande ativo dos emergentes China, Índia e Brasil. Lula representa não apenas a história de sucesso do operário que chegou a presidente. O polonês Lech Walesa também teve esse papel e não passou de mera curiosidade histórica. Já Lula tem desempenhado um papel civilizatório inimaginável.
Assumiu um país exaurido pela insensibilidade social, liderando um continente propenso a exageros populistas históricos, como contraposição aos exageros liberais. Globalmente, o fracasso das políticas neoliberais projetou uma sombra de xenofobia, intolerância e radicalização sobre todos os continentes.
Foi nesse ambiente propício à radicalização que Lula projetou sua imagem de pacificador, de agente do processo civilizatório mundial.
Com a mesma bonomia com que trata seus adversários políticos no Brasil, ou como tratava os peões de fábrica no ABC, ajudou a criar uma alternativa democrática no continente, orientando Evo Morales, contendo os arroubos de Hugo Chávez, tornando-se a esperança do Ocidente de manter uma porta aberta com o Irã.
Quando leva Obama para uma sala para explicar, em um bate-papo, como agir no caso do Irã, o severino retirante se despe de toda liturgia do cargo, dos tremeliques da diplomacia, usa a linguagem tosca e direta com que as pessoas normais se comunicam e ajuda a desenhar a nova diplomacia mundial. E com a cara do Brasil, a afetividade do Brasil, alisando as pessoas, tratando-as com o carinho brasileiro.
Na coletiva que deu após a escolha do Rio, a profissão de fé no Brasil entrará para a história. O orgulho de ser brasileiro, o “sim, nós podemos” entra definitivamente para o repertório brasileiro do século 21, do mesmo modo que JK empurrou o país com seu otimismo e sua genuína crença no valor do brasileiro.
Daqui a vinte anos, quando o país estiver definitivamente entronizado no panteão dos grandes países do mundo, será mais fácil avaliar a verdadeira dimensão de Lula, como o grande timoneiro dessa travessia.

Das mesquinharias históricas - por Hooligan (blog do Nassif)

Nassif, o “Fantástico” de hoje vai entrar para a história, como o JN de 1989 e a edição do debate Collor/Lula. A globo simplesmente “limou” o presidente da cerimônia de escolha da cidade. Na abertura do programa, um “clip” contendo imagens da cidade e da delegação, na expectativa da escolha. Após o anúncio, mostrou a festa, a comemoração. Focaram o Pelé, que nem abriu a boca, duas vezes. O Lula, nenhuma!!!
Pior foi depois, durante o programa, uma matéria mostrando o Nuzman dizendo sobre o que considerou importante para a conquista… Disse “o discurso do Havelange”, e mostra o velhão falando, “o mapa-mundi”, e mostra o tal mapa… E ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE O DISCURSO DO LULA!!! Não é que não mostraram o discurso dele, é que simplesmente nem foi mencionado que ele discursou e emocionou a todos! Depois mostraram só umas imagens “de bastidores”, em que ele aparece meio de “papagaio de pirata”, como que pra dizer que sua participação foi acessória, simbólica! Se alguém se “informou” só pelo “Fantástico”, ficou com a nítida impressão que Lula não teve NENHUMA INFLUENCIA na escolha do Rio!!!
É incrível, a globo não se cansa de tentar escrever sua versão da história… E cria esses momentos que a gente não pode deixar esquecidos!

Lula bate a Madrid - La Vanguardia

http://www.lavanguardia.es/free/epaper/20091003/index.html

O prêmio de Patrus - blog do Nassif

Por Calbercan
LN, ontem, enquanto Lula comandava em Copenhague a vitória do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o ministro Patrus Ananias estava na Alemanha, onde recebeu prêmio internacional. Mais um exemplo de reconhecimento ao Brasil. Veja:

(Do blog do ministro:)

Superar a fome é desafio de toda a humanidade

Publicado em 2/10/2009 às 13:45
Deixo hoje a cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ontem recebi, com profunda alegria, o 1º Prêmio Políticas do Futuro, concedido ao trabalho realizado na Prefeitura de Belo Horizonte na área de segurança alimentar e nutricional.
Ao receber o prêmio das mãos da representante da Nigéria no Conselho da ONG World Future Council, Hafsat Abiola-Costello, defendi que a superação da fome e da miséria é um desafio a ser vencido por toda a humanidade, o que somente será possível com vontade política e com a cooperação e o compromisso solidário de todos os atores sociais em nível internacional.
Posto aqui a íntegra do discurso, no qual homenageio todas as pessoas cujos compromisso e dedicação foram responsáveis pelo nosso sucesso, lembrando a inesquecível Maria Regina Nabuco, nossa grande parceira na implantação dessas políticas.
http://blogdopatrus.com.br/blog/?p=350

Comentário

Foi essa política do Patrus, que Merval, Kamel, Magnolli e outros menos votados despejaram toda a miopia e insensibilidade social. Os artigos especialmente de Kamel e Merval no futuro comporão um compêndio dos clássicos do pensamento jurássico no período em país que estava sendo preparado para o futuro.

De volta para o futuro - por Luis Nassif

De volta da caminhada, encontro na calçada o grande Evaldo Dantas, dos grandes jornalistas da história, um pouco avançado em anos. Ele me vê, abre um sorriso e diz: “Mas o que está acontecendo? O Brasil está explodindo no mundo”.
Respondo que não acreditava que fosse viver para testemunhar o que virá por aí.
Ele sorri, com a sabedoria dos muito velhos: “Eu não vou viver para assistir. Mas sei que acontecerá”.

O reconhecimento internacional - blog do Nassif

Por DKRC

NAssif,
Esse programa da CNN em espanhol, produzido no México, parece até feito por brasileiros. Fiquei incrivelmente admirirável com o entusiasmo deles com o Brasil, como novo player e potencia mundial em todos as aspectos.
Citaram o Brasil como potência economia, esportiva, social (destacaram bastante isso) , cultural e entre outras coisas..
Pena não ter visto esse reconhecimento na mídia brasileira.
Segue o Link da entrevista:
Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=NVpEn-lOwdo
Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=O2zstVzStQw

Por Ney henrique

Eu moro na Alemanha a dois anos e queria relatar o que eu vivenciei ontem.
Estava indo ao meu clube favorito e como estava um frio lascado resolvi pegar um taxi. O motorista … um senhor simpático … puxou assunto comigo perguntando como eu estava, e eu respondi que muito bem, afinal meu país tinha sido escolhido como sede olimpica … o cara arregalou os olhos e de pronto me perguntou se eu era brasileiro. O cara transbordava elogios ao Brasil…. falando que a America do Sul merecia a olimpíada e que o Brasil tem mostrado um caminho de esperança com o “da Silva” … falou sobre o pré-sal, sobre o Bolsa família … sobre Honduras … sempre elogiando a postura brasileira em uma genuína demonstração de carinho. Ele era só um motorista de taxi … Sim eu moro em uma cidade que tem tradição de ser esquerdista … mas nunca pensei que iria experimentar tal situação!
A vez do Brasil chegou!

Por Cláudia

O discurso de Lula.
http://www.youtube.com/watch?v=A5zrPRusLcY

Os 60 anos da revolução chinesa - Blog do Nassif

Por Ubaldo, o paranóico

Salve, Nassif!

No dia 1º de outubro de 1949 (há 60 anos, portanto), o velho timoneiro pronunciou as famosas palavras: “O povo chinês se levantou. Ninguém nos insultará novamente”. Estava nascendo a República Popular da China.
E aí, o que é a China hoje? Uma “República” (res pública, coisa pública)? Sim – e como poucas. “Popular”? Sim (aliás, isso está implícito no conceito de res pública). Agora, um regime comunista pura e simplesmente não é mais. Capitalismo de Estado também não; pois há uma (forte) iniciativa privada.
Ou, por ironia do destino, é o capitalismo que deu certo? Estado forte, mercado forte, mas o segundo [fortemente] regulado pelo primeiro? Acho que até as igrejas deveriam repensar seus conceitos, pois sem padres nem pastores (nem Dalai Lama) por lá a coisa está dando certo que é uma beleza.
Por felipe
Olhem que lindas sao as imagens:
http://www.boston.com/bigpicture/2009/10/china_celebrates_60_years.html

Por Ruy Acquaviva

É impossível entender a china por um ponto de vista puramente ocidental. Por isso tanta gente erra tão feio.
A China é a mais antiga civilização do mundo, teve períodos de grande esplendor e de grande decadência. Até o século XVII era a maior economia do mundo e a civilização mais adiantada científica e tecnologicamente. A revolução industrial e o espansionismo europeu coincidiram com um período de decadência da China, permitindo a dominação estrangeira e dando uma impressão de fragilidade e atraso da civilização chinesa.
Para nossos padrões esses 300 anos de decadência chinesa são uma eternidade, mas para a China com seus 5 mil anos de civilização, foram uma breve “escorregada”…
Não existe propriamente um “milagre chinês”, a China está apenas voltando a ocupar o seu tradicional lugar de maior economia e vanguarda da civilização humana.
Precisamos entender os fundamentos da filosofia chinesa para entender a China. Em 5 mil anos a China NUNCA foi uma democracia. Porém essa é uma mudança que vale a pena pois os valres humanistas e democráticos vão ao encontro da filosofia chinesa, estabelecida ne busca do equilíbrio.
Mas não será nenhum ocidental que irá ensinar isso aos chineses e muito menos impor a eles. Acho que é algo que eles podem descobrir sozinhos porém, como tudo na China, não será um processo simples nem fácil.

Por Adriana

“Dando certo que é uma beleza” depende para quem, pois:
1. A desigualdade social entre população urbana e rural é gritante e crescente:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/12/051216_chinaonums.shtml
2. Do ponto de vista ambiental é um desastre:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/jul/31/china-residents-prosecute-government-environment
70% de sua energia é gerada por carvão!!!
http://www.eia.doe.gov/cabs/China/Background.html
3. Dos Direitos Humanos, então, nem se fale:
http://www.voanews.com/english/2009-10-01-voa48.cfm
Existem cerca de 500.000 pessoas detidas sem julgamento, de acordo com a Anistia Internacional:
http://www.amnestyusa.org/china/page.do?id=1011134
A informação é restrita, a Internet é censurada:
http://www.businessweek.com/bwdaily/dnflash/jan2006/nf20060113_6735_db053.htm

Resumindo, não se pode negar o avanço econômico e a emergência da China como potência econômica, mas que isso tem um preço, isso tem. Não se pode fechar os olhos das barbaridades que a China comete contra a humanidade só porque ela “cresce muito”. A comunidade internacional se maravilha com o mercado que a China oferece e esquece do resto.

Comentário meu

A China de hoje encontra-se numa situação deveras peculiar: não é comunista, tampouco capitalista. Quando os EUA bloqueiam economicamente Cuba, o fazem por supostos motivos democráticos. Quanto à China, nem uma palavra. Quando a China bomba no crescimento econômico, todos alardeiam suas conquistas e omitem sua classe política. Quando algum desastre ambiental ou supressão de liberdades ocorre, a “ditadura comunista” surge (parece que se fala de outro país).
Já refleti um tanto sobre a China, e, apesar de não nutrir forte apreço pelo país, não dá pra negar que, para onde ela se direciona, sai de baixo: a locomotiva vem com tudo. No entanto, o desprezo pelas liberdades individuais e pela natureza são imperdoáveis, afora a competição desumana que submete a outros países – a china nivela o mundo do trabalho por baixo.
Um trabalhador chinês ganha centavos de dólar por hora. Não há planeta que resista a tanto. E nem há nada de comunista em tal realidade.

O vazamento das provas do Enem - (blog do Nassif)

Por wilson yoshio
Nassif, é sabotagem imensurável no Enem que equivaleria como primeira fase, praticamente, na UFSCar e parte da pontuação nas demais federais.
O transtorno para quem vai fazer vestibular e balizaria seu desempenho pelo Enem, e às instituições que correm o risco de atropelo de datas eliminando mais opções de cursos por coincidencia de datas aos candidatos, toda logística dos pais nas reservas de hospedagem, marcação de férias para acompanhar seus rebentos foi pro limbo.
O prejuízo financeiro e emocional de quem vai encarar seu primeiro Enem e vestibular de vera, a sério, que periga cursar uma carreira a contra gosto agarrando uma bóia salva vidas prá não ficar ao léu é grande, só medido pela família.
o link: clique aqui.

Por Guilherme Hanesh

Estadão nota 10

É um exemplo de responsabilidade jornalística o que fizeram os repórteres do Estadão ao levarem a denúncia de fraude na prova do Enem ao Ministério da Educação para providências. Agiram com cuidado, pensando nas consequências e sem perder o gosto do furo de reportagem.
Os caminhos da lambança nesse caso eram muitos: poderiam ter feito a denúncia depois da prova aplicada, o que traria um prejuízo muito maior aos estudantes e ao MEC. Poderiam ter negado a chance ao MEC de adotar as medidas preventivas (no caso, cancelar a prova). Felizmente, nada disso aconteceu. Foram corretos, cuidadosos ao apurar a informação, e mesmo sem pagar os R$ 500 mil pedidos pela prova (outro exemplo, porque jornalista não deve comprar informação), foram atentos em registrar detalhes do material mostrado a eles, levaram isso ao MEC em sigilo e ajudaram a evitar um desastre.
Não posso deixar de comparar esse feliz episódio com casos recentes em que a Folha de S. Paulo, sabendo que operações da PF haviam vazado (se é que é verdade isso) preferiu publicar quem eram os investigados em vez de ir atrás do vazador. Isso para não citar o exemplo de uma outra e famigerada reportagem em que a operação foi vazada pelo próprio jornal (Satiagraha).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Noam Chomsky critica os EUA e elogia o papel do Brasil na crise de Honduras - por Giovana sanchez (G1)

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1322738-5602,00-NOAM+CHOMSKY+CRITICA+OS+EUA+E+ELOGIA+O+PAPEL+DO+BRASIL+NA+CRISE+DE+HONDURAS.html

Ainda Honduras - Blog do Nassif

Honduras: mídia é surrada pela notícia
Esse jornalismo de hipóteses que caracteriza o neojornalismo tupininquim não tem receio da desmoralização, do fato de diariamente tentar passar a perna nos seus leitores – tendo como testemunhas toda a Internet.
Tome-se um caso. A diplomacia norte-americana se enrolou com o caso. A Secretaria de Estado Hillary Clinton adotou uma posição legalista no caso Honduras. Otto Reich, especialista americano da era Bush – influente, com participação na tentativa midiático-empresarial de tentar depor Hugo Chávez – conseguiu convencer parte do parlamento sobre o risco Zelaya. Houve um descompasso que levou o embaixador norte-americano na OEA a criticar Zelaya.
O que era um problema da diplomacia norte-americana – o de não ter uniformizado o discurso sobre o tema – foi colocado como uma crítica ao Brasil. Nem se cuidou de informar que a posição da Secretária de Estado era outra.
Agora, dia após dia vão surgindo sinais de que a posição diplomática brasileira – de firme condenação do golpe de Estado – era correta. Que a convocação do plebiscito serviu de álibi para um golpe de Estado, em que se tirou o presidente eleito sem sequer permitir o direito de defesa.
Desde o início o Itamarati alertava que Micheletti não era confiável, que não se podia fiar na sua palavra. Por efeito pavloviano, toda essa brilhante mídia preferia ficar com Micheletti a dar crédito ao Itamarati.
Agora, toda essa armação, toda esse inacreditável jornalismo de hipóteses – endossado por dez entre dez comentaristas da mídia, em uma homogeneidade admirável – vai ruindo.
Na Folha Online (clique aqui) a afirmação de Micheletti de que Zelaya foi deposto por suas novas inclinações esquerdistas.
Na Folha impressa, entrevista do Sérgio D’Avila com o Secretário-Geral da OEA, endossando plenamente a posição brasileira:
A OEA (Organização dos Estados Americanos) está disposta a aceitar uma nova proposta de conciliação vinda de Honduras, desde que ela use como base o Acordo de San José, elaborado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que prevê a volta de Zelaya, a manutenção das eleições para eleger seu sucessor e o abandono pelo presidente deposto da tentativa de promover uma Assembleia Constituinte considerada ilegal por Congresso e Justiça hondurenhos. A revelação foi feita pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em entrevista na manhã de ontem por telefone à Folha. (clique aqui).
Ou seja, um marciano que chegasse à terra e lesse esses dias todos de jornalismo de hipóteses, concluiria que o Itamarati levou dez gols, não marcou nenhum e terminou vitorioso.

Notícias que saem por descuido
Por André Borges Lopes
A CRISE EM HONDURAS E A SURRA DOS FATOS

Roseann Kennedy é uma comentarista da rádio CBN que – como sabem todos os que ouvem diariamente sua “Crônica do Planalto” – pode ser acusada de qualquer coisa menos de “lulismo”. Ontem, 30/09 Roseann estava na Bélgica, cobrindo como convidada uma reunião do Parlamento Europeu. Entrou ao vivo com o Sardenberg no Jornal do Meio-Dia contando que na reunião só se falava de Honduras. E, vejam só que ironia, Roseann só ouviu elogios à posição brasileira e ao papel que o presidente Lula está assumindo na crise.
A moça foi tão enfática, que o Sardenberg encerrou logo a conversa, sem o ping-pong e a troca de ironias – que são usuais quando o comentário é negativo em relação ao governo. Deve ser porque ligação internacional custa muito caro…
Quem quiser escutar o áudio, basta acessar o link abaixo no site da CBN
Brasil precisa impulsionar diálogo para tentar resolver crise em Honduras: clique aqui.
Pelo visto, as críticas ácidas ao “grave erro da diplomacia brasileira” e à “nova gafe internacional” do presidente Lula estão restritas ao PIG tupiniquim e à direita hidrófoba da Fox News. E depois essa gente ainda fala que é o Lula quem nos envergonha no exterior…

Taxa de câmbio e projeto de desenvolvimento - por João Sicsú (Valor econômico)

A taxa de câmbio é um elemento-chave de um projeto de desenvolvimento. Essa constatação é fundamental: além de ser essencial para auxiliar o esforço de crescimento econômico, a administração cambial deve ser compreendida como um instrumento nevrálgico que deve fazer parte de um projeto de desenvolvimento. A macroeconomia e seus preços básicos, isto é, juros e câmbio, podem definir os rumos de uma sociedade, se esta está caminhando em direção ao progresso ou ao atraso.
Em relação à taxa de câmbio, já foi percebido que existe uma tendência forte à sua valorização nos países em desenvolvimento, devido às possibilidades econômicas que caracterizam esses países. Tais economias podem ser exportadoras de itens básicos, podem ser atrativas para o investimento direto estrangeiro ou podem ainda ter ativos financeiros atraentes. Portanto, essas economias podem sofrer de doença holandesa ou de outras enfermidades cambiais valorizativas.
Embora uma taxa de câmbio competitiva seja um elemento muito importante de um projeto de desenvolvimento, porque pode abrir mais um mercado demandante de produtos domésticos, cabe ser mencionado que o mercado interno se diferencia do externo porque o primeiro pode ser estimulado por meio de políticas fiscais, monetárias, de socialização da riqueza e de elevação da renda; enquanto o segundo depende, quase que exclusivamente, de variáveis que não estão sob o controle doméstico, como o crescimento da economia mundial. Embora o canal de demanda externa deva ser fortemente utilizado em um projeto de crescimento, dentro de uma visão keynesiana-desenvolvimentista de redução de incertezas, o mercado interno, que pode ser estimulado por políticas governamentais, deve ter um papel de grande destaque dentro de um projeto de crescimento com desenvolvimento.
Uma taxa de câmbio competitiva é resultado de vontade política que deve ser expressa em decisões e ações governamentais. Uma taxa de câmbio de equilíbrio de mercado é uma taxa não competitiva, embora represente as forças conjunturais e estruturais presentes em economias que buscam o desenvolvimento. Uma política cambial adequada ao desenvolvimento é exatamente aquela que se confronta com as forças conjunturais que contribuem para o baixo crescimento e, simultaneamente, se opõe às forças estruturais que promovem o atraso.
Uma taxa de câmbio competitiva é aquela que estimula a industrialização mais sofisticada, que possui densidade tecnológica. Sendo assim, uma política industrial de desenvolvimento e absorção de tecnologia deve complementar uma política de administração de uma taxa de câmbio competitiva. Isto se faz necessário porque o preço cambial é apenas uma das variáveis que pode estimular a industrialização sofisticada; outras variáveis como, por exemplo, custos locacionais devem ser também observadas e, então, necessitam de políticas correspondentes para enfrentá-las.
A estratégia de sofisticação da indústria que seja capaz de tornar empresas competitivas no mercado internacional é necessária porque torna a sociedade proprietária de vasto conhecimento, o que lhe oferece flexibilidade para refazer planos de desenvolvimento. Países que produzem apenas itens básicos ou semibásicos (que não possuem tecnologia) estão fadados a participar de uma única via de inserção internacional que os condena ao atraso. Tal inserção é aquela em que, por exemplo, exportam grãos verdes de café para países que não plantam sequer um pé de café, mas se tornaram os maiores exportadores de valores do produto após selecioná-lo, processá-lo, embalá-lo… enfim, agregam valor com uso de tecnologia. Países detentores de conhecimento possuem estratégias flexíveis de desenvolvimento. Em outras palavras, países desenvolvidos estão sempre se desenvolvendo porque descobrem novas oportunidades e têm conhecimento para aproveitá-las. Países atrasados, quando descobrem novas oportunidades, são obrigados a “arrendá-las” aos desenvolvidos, aumentando ainda mais a distância que os separa em termos de desenvolvimento e qualidade de vida.
A industrialização sofisticada competitiva no mercado internacional e abastecedora do mercado interno cria um ambiente para uma oferta mais igualitária de oportunidades e para uma distribuição menos injusta da renda e da riqueza. A industrialização deve ser formalizada, isto é, deve ser contabilizada do ponto de vista ambiental, social e econômico pelo Estado, gerando mais arrecadação de impostos visando à universalização de oportunidades, mais garantias e direitos trabalhistas, salários maiores compatíveis com a produtividade mais elevada e relações sócio-ambientais sustentáveis.
Mas como deve ser feita a administração de uma taxa de câmbio competitiva, industrializante? Um regime cambial deve ser estabelecido, isto é, regras, políticas, metas, objetivos e instrumentos devem ser organizados para esse fim. Mas, em primeiro lugar, as taxas que remuneram ativos financeiros domésticos devem ser suficientemente baixas para que a avalanche de recursos financeiros internacionais não invada a economia brasileira, promovendo uma pressão cambial valorizativa.
Além disso, o Banco Central deve formar reservas para enxugar o mercado de divisas e para que tenha moeda estrangeira em volume suficiente, para evitar desvalorizações abruptas em momentos de elevação do risco. Demandas internas por moeda estrangeira devem ser criadas: uma sugestão são estímulos fiscais à compra de máquinas e equipamentos importados. Políticas de regulação do movimento financeiro internacional devem ser estabelecidas para residentes e não-residentes. Assim como devem ser criados impostos sobre a exportação de itens básicos.
Esse é um dos caminhos factíveis rumo à superação de barreiras conjunturais e estruturais que valorizam a taxa de câmbio e condenam a economia ao crescimento moderado e ao atraso. Um regime cambial administrado, estável e competitivo, ao lado de um orçamento equilibrado, com pleno emprego e de juros muito baixos, formam o tripé de um genuíno modelo keynesiano-desenvolvimentista.

João Sicsú é diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do IPEA e professor do Instituto de Economia da UFRJ. Autor do livro Emprego, Juros e Câmbio (Campus-Elsevier).

O campeão da mídia brasileira - por Luis Nassif

Do El Universal
Micheletti lanza ultimátum a México
Informa el gobierno de facto de Honduras que no recibirá a agentes diplomáticos de nuestro país, lo mismo que de Argentina, España y Venezuela
Micheletti lanza ultimátum a México
El gobierno en Honduras de Roberto Micheletti dio un plazo de 10 días a México para que reconozca a las autoridades de facto y solicita que le devuelvan sus privilegios diplomáticos.
El mismo ultimátum fue lanzado para Venezuela, Argentina y España, a quienes se amaga con retirar de sus embajadas en suelo hondureño toda bandera o distintivos nacionales.
La víspera las autoridades en Honduras anunciaron que no recibirán a los embajadores de estos países, incluido México, que tenían previsto volver al país en los próximos días, después de que la OEA y la Unión Europea tomaran la decisión de hacer regresar a los jefes de la misión que abandonaron Honduras tras el golpe de Estado.
“En el caso de aquellos países que unilateralmente decidieron romper sus relaciones diplomáticas con Honduras o mantener las mismas a nivel de Embajadas concurrentes, situación de Argentina, España, México y Venezuela, se hace saber que el Gobierno no recibirá a los agentes diplomáticos de tales naciones”, informó una fuente diplomática española al diario en línea 20minutos.
Por su parte, Roberto Micheletti, quien asumió la presidencia de facto tras el derrocamiento de Manuel Zelaya, señala que no entrarán en conflictos posteriores. “Nosotros no queremos pleito con nadie”, agregó.
Con información de EFE
Comentário
É inacreditável meia dúzia de fundamentalistas pirados servirem de parâmetro para a cobertura maciça da mídia. Perdeu-se totalmente o rumo, o radar sobre o que o mundo pensava da crise de Honduras.
A pretexto de combater Chávez, a mídia comportou-se como panfleto de paiseco latino-americano, atropelando princípios democráticos, tentando legitimar o golpe, sem parar um minuto para pensar no ridículo de se colocar contra a opinião pública especializada e contra todos os defensores do estado de direito.
Um capítulo desmoralizante da mídia brasileira versus o mundo civilizado. E a propósito de quê? De um antichavismo que consegue ser mais tosco que o próprio chavismo.,

Comentário: Chávez nasce justamente do combate ao “tosco”.

Os suicídios na France Telecom - Por Luiz Eduardo Brandão (blog do Nassif)

Soube há pouco de uma história que me deixou estarrecido, e que mostra também como nossa imprensa cobre mal o que acontece com os trabalhadores mundo afora.
A France-Télécom implantou uma política de “mobilidade sistemática” de seus cadres (quadros técnicos e administrativos com cargos de chefia intermediária, no caso ). Por essa política, a cada 3 anos esses funcionários são transferidos de local de trabalho. Imaginem o que isso representa para as famílias. À parte isso, estabeleceu metas individuais de produtividade que geravam uma concorrência insuportável entre colegas de trabalho, metas aliás consideradas por trabalhadores e sindicalistas geralmente impossíveis de serem atingidas com os meios materiais disponíveis.
Resultado: o que a imprensa – inclusive a midiona, não só a imprensa sindical ou independente — chamou de uma “série negra”, em alusão à célebre coleção francesa de romances policiais, de que os homicídios costumam ser o recheio (assim chamada por causa da capa preta dos livros). Trata-se de uma verdadeira epidemia de suicídios: nada menos de 24 funcionários se mataram ultimamente, devido à pressão a que eram submetidos.
Ante o último suicídio, 2ª-feira passada, de um funcionário de um centro de chamadas da linda cidade de Annecy, nos Alpes, que se atirou de um viaduto sobre uma auto-estrada deixando um bilhete em que atribui seu ato “ao clima no seio da minha empresa”, um dirigente sindical da CFTC (central cristã) se indigna: “É uma vergonha. Ele trabalhava num serviço que era conhecido faz tempo por ser insuportável, havia uma verdadeira indiferença, nenhuma humanidade, só se falava em números, os assalariados eram carne de patê!”
Foram necessárias essas 24 mortes para que o presidente de France Télécom prometesse rever essa política de mobilidade sistemática, pressionado por todas as partes, inclusive pelo ministro do Trabalho do gov. Sarkozy, que pressionou o PDG a acelerar as “negociações sobre a prevenção dos riscos psicossociais”. Foi necessária toda essa macabra série de suicídios para que a direção da empresa se mexesse!
Os métodos neocons, além de desastrosos para a economia dos países, como se vê são também uma ameaça à integridade física e psíquica dos trabalhadores.

Comentário: é o neoliberalismo em seu estado pleno. Aposto que as ações da empresa subiam a cada morte.

El protagonismo de Brasil en Honduras modifica su tradición - por Jorge Castro (Clarín)

La política exterior de Itamaraty -desde Fernando Henrique Cardoso a Lula- tiene como prioridad readquirir relevancia internacional y despliega una estrategia de aproximación indirecta al sistema de poder mundial (EE.UU./G7), fundada en la construcción en América del Sur de una plataforma de proyección al mundo.
Do Clarin
MIRADA GLOBAL
El protagonismo de Brasil en Honduras modifica su tradición
Reorientación de Itamaraty. Además de liderar la Unasur, el presidente Lula proyecta a su país como protagonista crucial de la crisis centroamericana.
Por: Jorge Castro
Fuente: ANALISTA

La decisión del gobierno de Brasil de brindar su Embajada en Tegucigalpa, para que el derrocado presidente Manuel Zelaya la utilice en su retorno como puesto de acción es sin duda un acontecimiento mayor -tan importante como el regreso del mandatario hondureño- que modifica una de las políticas fundamentales de Itamaraty de los últimos cien años.
Esa política, establecida por el Barón de Río Branco (1902-1912) a lo largo de cuatro presidencias sucesivas (Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Pecanha, Hermes Da Fonseca) y continuada durante los cien años posteriores, con gobiernos de distinta orientación política e ideológica, establecía que, en Centroamérica y el Caribe, Brasil reconocía la primacía de Estados Unidos en la resolución diplomática o por la fuerza de las crisis y conflictos de la región. Río Branco trasladó el eje de la política exterior brasileña de Londres a Washington; y Joaquín Nabuco, primer embajador brasileño en la capital norteamericana, fue el ejecutor de ese giro estratégico primordial, que decidió la inserción de Brasil en el mundo.
Río Branco fue el primer estadista sudamericano que comprendió que el triunfo de EE. UU. en la Guerra de Cuba (1898) y su posterior y decisiva mediación en el Extremo Oriente, que puso fin a la Guerra de Manchuria entre Rusia y Japón (1905), convertía a la nación americana en una potencia global y modificaba, al mismo tiempo y para siempre, el sistema de poder internacional, que adquiría una escala irreversiblemente mundial.
Así, la “alianza no escrita” con EE. UU. se convirtió en la viga central de la política exterior de Brasil; y Río Branco incorporó a la potencia norteamericana en la balanza de poder de América del Sur, con el objetivo -que logró- de sumarla a la puja con la Argentina por la supremacía sudamericana.
Río Branco respaldó el “Corolario Roosevelt” a la Doctrina Monroe, por el cual el mandatario estadounidense Theodore Roosevelt (1901-09) legitimó la utilización del poder militar (U.S. marines) para restablecer el orden o derrocar gobiernos no confiables en América Central y el Caribe. Este es el antecedente directo del reconocimiento de la primacía norteamericana en Centroamérica y el Caribe, que ha sido una constante de la política exterior brasileña hasta el lunes de esta semana.
La “alianza no escrita” con EE. UU. alcanzó un segundo momento de apogeo con Getulio Vargas, durante el gobierno de Franklin Delano Roosevelt (1933-45), con la instalación en el Nordeste de tres bases militares norteamericanas (Belén, Natal y Recife), la declaración de la Guerra al Eje (31 de agosto de 1942) y el envío de un contingente militar a combatir en Europa (Força Expedicionária Brasileira), encuadrado en el V° Ejército estadounidense.
La política exterior de Itamaraty -desde Fernando Henrique Cardoso a Lula- tiene como prioridad readquirir relevancia internacional y despliega una estrategia de aproximación indirecta al sistema de poder mundial (EE.UU./G7), fundada en la construcción en América del Sur de una plataforma de proyección al mundo. En este período, la premisa de esa política exterior ha sido que, en América latina, hay una fractura de fondo entre la América latina del Norte y la del Sur. Por eso ha impulsado la creación de la Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR).
Ahora Brasil ha salido del Sur y se ha tornado un protagonista fundamental de la principal crisis de América latina del Norte. Está en el centro de los acontecimientos en Honduras. No actúa en forma compartida o multilateral, sino individualmente, como gran potencia.
Es una novedad histórica. Brasil es hoy la representación de la comunidad internacional en una crisis que se profundiza, se polariza y escala.

O que o petróleo do Pré Sal tem a ver com você - por Castagna Maia (Agência Cartamaior)

“O Brasil pode fazer um novo fundo igual à soma do FAT e do FGTS, mais 20 trens-bala, mais uma Harvard tropical, mais corrigir e manter aposentadorias do INSS, e mesmo assim isso somaria apenas 14% de uma projeção rasteira dos recursos do pré-sal. Isso totalizaria, por alto, 730 bilhões de dólares. Saiba por que tanta gente quer por a mão nessa riqueza e por que há tanta agitação, no Congresso Nacional, sobre esse assunto.
I. Abaixo do fundo do mar, a cerca de 2 km de profundidade, há uma camada chamada “pós-sal”; abaixo dela, há a chamada “camada de sal”; e abaixo dessa camada há a “camada pré-sal”. Ou seja, há o mar, com cerca de 2 km de profundidade; e após isso, cerca de 5 km abaixo, há a camada pré-sal. A Petrobrás encontrou, há cerca de dois anos, reservas gigantescas de petróleo nessa camada pré-sal.
II. Há uma possibilidade de o pré-sal ter 300 bilhões de barris de petróleo. Façamos uma conta por UM TERÇO disso, 100 bilhões de barris. O custo de produção, hoje, no mundo, é de cerca de 8 dólares por barril. Como a tecnologia necessária para explorar o pré-sal é maior, façamos a conta a 20 dólares o barril para extração. Com a cotação do barril a 70 dólares, hoje, é possível ter um “lucro” de 50 dólares sobre o barril…”
Se multiplicarmos esses 50 dólares de “lucro” por 100 bilhões de barris, teremos 5 trilhões de dólares. Essa é a riqueza já pesquisada e descoberta pela Petrobrás, calculada pela hipótese mais pessimista possível.

III. É uma riqueza realizável no tempo, durante, por exemplo, 20 anos, e levaremos 6 ou 7 anos para atingir uma boa produção. Divididos esses 5 trilhões de dólares por 20 anos, dá 250 bilhões de dólares ao ano. O que são 5 trilhões de dólares? O que dá para fazer com isso?

O orçamento do trem-bala Rio-São Paulo é de 15 bilhões de dólares. Com 300 bilhões de dólares podemos fazer 20 trens-bala, ligando de Porto Alegre a Belém, passando por São Luís, Teresina, Fortaleza, Maceió, Aracaju, Cuiabá, Campo Grande e por aí afora. Isso permitiria o transporte barato de pessoas e da produção, integrar regiões a um preço baixo, economizar na manutenção de estradas e ter um transporte mais seguro, mais confortável e mais limpo. Imagine o que seria isso na integração econômica do Brasil. Esses 300 bilhões de dólares seriam 6% da riqueza do pré-sal, na pior hipótese que é de “apenas” 100 bilhões de barris.

O orçamento anual da Universidade de Harvard é de 3 bilhões de dólares. Com 60 bilhões de dólares podemos sustentar uma universidade do mesmo nível de Harvard durante 20 anos. Podemos colocar na nossa Harvard Tropical os 5 primeiros colocados nas melhores universidades do País, sem que paguem nada. Fariam graduação, mestrado, doutorado. E voltariam para suas universidades para disseminar o conhecimento. Ali está o futuro da tecnologia brasileira. Nossa conta já foi, aqui, a 360 bilhões de dólares.

IV. O INSS paga anualmente o equivalente a 90 bilhões de dólares em benefícios. Com o equivalente a mais de dois anos de pagamento de benefícios, 180 bilhões de dólares, é possível CORRIGIR E MANTER as aposentadorias do INSS. É possível resgatar os valores das aposentadorias e pensões, e resgatar a dignidade dos aposentados. Somando 20 trens-bala, a “Harvard Tropical”, o resgate dos aposentados e pensionistas, teríamos 560 bilhões de dólares. Os três projetos que mencionamos até agora envolveriam a APENAS ONZE POR CENTO DA RIQUEZA DO PRÉ-SAL calculada por baixo.

Praticamente todo o financiamento brasileiro da indústria, habitação, saneamento, renovação do parque industrial, incorporação de novas tecnologias é feito com recursos do FAT, via BNDES. O FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, que também paga o seguro-desemprego, tem um patrimônio próximo a 80 bilhões de dólares. O FGTS acumulou, até hoje, cerca de 90 bilhões de dólares. Esses dois fundos totalizam, portanto, 170 bilhões de dólares.

V. O Brasil pode fazer um novo fundo igual À SOMA DO FAT E DO FGTS, mais os 20 trens-bala, mais nossa Harvard tropical, mais corrigir e manter aposentadorias do INSS, e mesmo assim isso somaria APENAS 14% de uma projeção rasteira dos recursos do pré-sal. Isso totalizaria, por alto, 730 bilhões de dólares.

VI. O orçamento federal da Educação é de 17 bilhões de reais, ou 9 bilhões de dólares. Esses recursos podem ser TRIPLICADOS: os 9 existentes mais 18 bilhões de dólares. Com esse acréscimo de 18 bilhões de dólares ao orçamento já existente, em 20 anos seriam gastos 360 bilhões de dólares. Isso permitiria, finalmente, a ESCOLA PÚBLICA EM TEMPO INTEGRAL, com alimentação, médico, dentista, biblioteca, computadores, atletismo, esporte, cultura. A conta, aqui, chegou a 1,09 trilhão de dólares.

VII. O orçamento da saúde, que sustenta o SUS, é de 43 bilhões de reais, ou 22 bilhões de dólares. Se DUPLICARMOS o orçamento do SUS, teremos que adicionar mais 22 bilhões ao ano, ou 440 bilhões de dólares em 20 anos. Isso é 8% do total do petróleo da camada pré-sal segundo a conta mais pessimista. Aqui, a conta sobe para 1,530 trilhão de dólares, ou 28% do total do pré-sal.

VIII. Para fins meramente comparativos, veja: a dívida interna brasileira está em 1 trilhão de reais, ou 500 bilhões de dólares. Somado isso aos projetos anteriores, seriam gastos 2,03 trilhões de dólares. E estamos falando na conta mais pessimista, de 5 trilhões de dólares de reservas.

Mas veja as premissas:

a. Falamos do preço do barril a 70 dólares, hoje, e deve subir, novamente, a 100 dólares o barril.

b. Calculamos sobre reservas de 100 bilhões de barris, mas podem chegar a 300 bilhões de barris.

c. Falamos de um custo de extração quase 3 vezes maior do que o atual: atualmente, 8 dólares o barril. Aqui, apontamos 20 dólares porque se trata do pré-sal, onde a dificuldade é maior. 70 dólares o barril menos 20 de custo de extração dá 50 dólares de lucro líquido por barril. Multiplicando por 100 bilhões de barris, dá 5 trilhões de dólares. Se o custo de extração for maior, de 30 dólares o barril, o total de “lucro líquido” chega a 4 trilhões de dólares.

O valor do pré-sal foi calculado, aqui, prevendo algo muito menor do que as expectativas técnicas.

IX. Quanto aos projetos, temos, em dólares:

1. 300 bilhões para 20 trens-bala interligando de Porto Alegre a Belém, o que barateira a locomoção de pessoas e o transporte de mercadorias e integraria definitivamente o Brasil.

2. 60 bilhões de dólares para construir e manter, durante 20 anos, uma universidade no padrão Harvard, que abrigaria os melhores alunos das nossas universidades, gratuitamente, e daria continuidade à nossa busca por tecnologia própria.

3. 200 bilhões de dólares para corrigir e manter as aposentadorias do INSS, igual a mais de dois anos do total de benefícios atuais.

4. 170 bilhões de dólares para fazer um novo fundo de desenvolvimento, igual à soma do FAT e do FGTS.

5. 360 bilhões de dólares que triplicam o orçamento federal da Educação nos próximos 20 anos, e que permitiriam escola de tempo integral para todos, com alimentação, saúde, atletismo, esporte, informática.

6. 440 bilhões de reis para DOBRAR o orçamento federal em saúde durante 20 anos.

7. 500 bilhões de dólares como mero comparativo do que seria necessário para liquidar a dívida interna brasileira.

Isso tudo dá um total de 2,03 trilhões de dólares, ou 40% do que temos no pré-sal de acordo com os cálculos absolutamente pessimistas que fizemos.

Só que o pré-sal pode ter 300 bilhões de barris; o petróleo pode ir rapidamente a 100 dólares, e o custo de extração permaneceria em 20 dólares, o que daria um “lucro líquido” de 80 dólares o barril. Nessa hipótese, teríamos 300 bilhões de barris multiplicados por 80 dólares de “lucro líquido”, o que daria 24 trilhões de dólares. Essa é a hipótese otimista.

X. E o que o Brasil precisa para “ganhar” 5 trilhões de dólares, ou seja, o “lucro” do pré-sal após extraído? Só precisamos extrair, com a tecnologia já detida pela Petrobras. A Constituição Federal já disse que o petróleo pertence à União, pertence ao povo brasileiro. Uma parte já foi vendida – por causa da terrível “flexibilização do monopólio do petróleo”, por meio dos absurdos leilões de bacias petrolíferas. Mas há, no mínimo, 5 TRILHÕES de dólares líquidos esperando pelo Brasil.

É claro que a conta pode ser feita com outros destinatários: as grandes petrolíferas multinacionais fazem essa conta tendo em vista o seu lucro; alguns, tendo em vista financiamentos de campanhas políticas; outros, o enriquecimento pessoal. Aqui fizemos uma conta levando em consideração os interesses do BRASIL E DO SEU POVO. Apontamos projetos que podem mudar radicalmente o Brasil, que nos colocam no grupo dos países desenvolvidos. Ou se pensa no Brasil e no seu povo, ou se pensa em como apropriar essas riquezas para poucos grupos internacionais, para financiar campanhas políticas, para o enriquecimento de alguns.

XI. O petróleo do pré-sal interessa diretamente a você. Se você é trabalhador, porque haverá geração de mais empregos e consequente aumento de salários. Só o convênio PROMINP – Petrobrás Indústria garante, desde já, 250.000 empregos diretos e 500.000 empregos indiretos. Isso de imediato. Se você é aposentado, porque uma pequena parte desses recursos já garantiria a correção e manutenção das aposentadorias, além da viabililidade permanente da previdência social e a significativa melhora da saúde pública. Se você é empresário, porque é possível constituir um fundo igual à SOMA do FAT e do FGTS para financiar investimentos, ganhos tecnológicos, ampliações, consumo, distribuição, transporte, habitação, exportação, além de baratear o transporte dos produtos.

XII. É preciso garantir o nosso próprio abastecimento, em primeiro lugar, durante todo esse período, até que possamos ultrapassar nossa dependência do petróleo e criar nova matriz energética. Garantido nosso abastecimento, é preciso reverter essa riqueza para o povo brasileiro. Essa riqueza é sua, dos seus filhos, dos seus netos, é o legado que uma geração deixará para as gerações seguintes: a de um futuro promissor, farto, humano, fraterno, do Brasil e do seu povo. É o nosso ingresso no grupo dos países desenvolvidos.

Castagna Maia é advogado.

Comentário: só observo um equívoco no texto - haver 100 bilhões de barris não é a pior das hipóteses.

O caso Opportunity e a Folha - por Luis Nassif

O caso Opportunity e a Folha
Da Folha
Telecom Italia espionou várias teles no país
Em depoimentos à Justiça italiana, ex-executivos da TI revelam que Vivo, Telefônica e Telmex também foram investigadas
Entre as diversas atividades clandestinas estavam a invasão de computadores de empresas concorrentes e o furto de documentos

LEONARDO SOUZA
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em depoimentos à Justiça italiana obtidos pela Folha, ex-executivos da Telecom Italia (TI) revelam, em detalhes, que a operação de espionagem montada pela companhia no Brasil era muito mais abrangente do que se imaginava.
Sabia-se desde 2004 da guerra de contrainteligência entre a TI e o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, pelo controle da Brasil Telecom, que contratara a agência de investigação Kroll para bisbilhotar os italianos, atingindo também integrantes do alto escalão do governo Lula. Pela primeira vez, contudo, vêm a público no Brasil relatos da atividade clandestina contra outras companhias: Vivo, Telefônica e Telmex (Claro e Embratel).

LEONARDO SOUZAVALDO CRUZDA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em depoimentos à Justiça italiana obtidos pela Folha, ex-executivos da Telecom Italia (TI) revelam, em detalhes, que a operação de espionagem montada pela companhia no Brasil era muito mais abrangente do que se imaginava.
Sabia-se desde 2004 da guerra de contrainteligência entre a TI e o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, pelo controle da Brasil Telecom, que contratara a agência de investigação Kroll para bisbilhotar os italianos, atingindo também integrantes do alto escalão do governo Lula. Pela primeira vez, contudo, vêm a público no Brasil relatos da atividade clandestina contra outras companhias: Vivo, Telefônica e Telmex (Claro e Embratel).
Giuliano Tavaroli, Fabio Ghioni e Angelo Jannone, todos ex-dirigentes da TI, contam, nos testemunhos aos quais a Folha teve acesso, como invadiram as redes de computadores dos adversários, admitem furto de documentos e falam até como um deles foi usado como "isca" pela Polícia Federal para prender um agente da Kroll no Rio de Janeiro.
Os três foram denunciados pelo Ministério Público de Milão em julho do ano passado, com outros 31 envolvidos no caso, por violar sistemas de informática e fazer escutas ilegais contra pessoas na Itália e no exterior em defesa dos interesses da TI.
Eles foram afastados da empresa italiana, cuja direção atual costuma dizer que os episódios aconteceram em administrações anteriores.
No Brasil, a TI é dona da operadora de telefonia celular TIM. Foi por muitos anos também acionista da Brasil Telecom, numa sociedade conturbada marcada por brigas com Daniel Dantas e os fundos de pensão estatais (Previ, Petros e Funcef).
Além dos testemunhos, prestados em 2007, a polícia italiana também apreendeu com os investigados CDs e pen drives com os arquivos extraídos das companhias adversárias. Os documentos são listados no processo, que tramita no Tribunal Civil e Criminal de Milão. A reportagem teve acesso a mais de 700 mil páginas reunidas pela Justiça italiana.
Há e-mails, arquivos de texto, planilhas etc. No processo, os documentos são transcritos apenas de forma genérica.
"No que concerne ao material subtraído da sociedade Vivo e Telmex efetivamente lembro que [Giuliano] Tavaroli anunciou a exigência de adquirir informações sobre vários concorrentes no Brasil, [...] de recorrer a ataque preventivo contra concorrentes particularmente aguerridos [...]", contou Ghioni, ex-vice-diretor de Segurança da TI.
Ele se reportava diretamente a Tavaroli, então diretor mundial de segurança da companhia e apontado pelo Ministério Público de Milão como o cabeça do esquema de espionagem da TI.
Ghioni, por sua vez, era o principal integrante da "Tiger Team", grupo de hackers comandado por Tavaroli. "No que se refere à sociedade Vivo, poderia tratar-se de material subtraído no local, enquanto em relação à Telmex é possível que tenha sido interceptada a webmail", completou Ghioni.Na casa de Tavaroli foi encontrado um pen drive com vários documentos da Vivo, controlada pela espanhola Telefónica e pela Portugal Telecom.
Na casa de outro membro da "Tiger Team", Andrea Pompili, foi apreendido um CD com arquivos da Telefónica aparentemente confidenciais, segundo a Justiça italiana.
"No suporte estão de fato memorizados os resultados dos desvios [...] na Telefónica [...] contendo informações provavelmente reservadas e obtidas presumivelmente através de manipulação dos URL [endereços na internet]."

Diversos meios

Ghioni explicou como se davam as invasões, podendo ser adotados diferentes meios, dependendo das circunstâncias. Um dos mais empregados ocorria da seguinte forma: eles criavam um e-mail fictício igual ao de uma pessoa conhecida do alvo desejado. Era então enviada uma mensagem contendo um programa espião chamado "animaletto.txt".
Como o remetente parecia confiável, o destinatário abria o e-mail, dando-se então a instalação do "spyware", que passava a remeter para o hacker os arquivos contidos no computador atacado.
Para dificultar a origem da pirataria telemática, caso fosse descoberta, Ghioni usava servidores (computadores que proveem dados e serviços a redes como a internet) localizados nos Estados Unidos, Coreia, Malásia e Tailândia.
Em 2005, os fundos de pensão, em acordo com o Citibank, conseguiram destituir o Opportunity da administração da Brasil Telecom. Foi então selecionada a consultoria Angra Partners para gerir a BrT.
Os integrantes da "Tiger Team" também invadiram os computadores da Angra Partners em 2005, segundo admitiu Ghioni em seu depoimento à Justiça italiana.
Em 2004, a PF iniciou a Operação Chacal, que investigou suposta atividade ilegal da Kroll no Brasil, a mando de Daniel Dantas. Paralelamente ao trabalho da PF, os italianos promoveram uma série de ações contra os agentes da Kroll. Numa delas, em um hotel no Rio, invadiram o computador de um deles e roubaram vários arquivos, que depois foram selecionados e gravados em um CD entregue à PF.
Em outra passagem, Angelo Jannone, ex-chefe da Segurança da TI para América Latina, ajudou os policiais brasileiros a prender um colaborador da agência americana de investigação. "Eu tive de servir de isca para a Polícia Federal", contou Jannone à Justiça italiana.

Comentário

Alguns comentários:
1. A notícia é velha. É o tal relatório italiano que a Veja vivia alardeando. Está disponível há mais de ano nos sites da Justiça italiana. Já mereceu ampla reportagem da Carta Capital. A única informação relevante é tentar levantar qual a motivação da Folha para ressuscitar notícia velha, correndo um claro risco de imagem.
2. Conforme a discussão que houve aqui na época, a intenção dos advogados do Opportunity sempre foi a de misturar os dois inquéritos – a Operação Anaconda da Polícia Federal (que apura grampos de Dantas) e o dos italianos – por uma razão simples. O inquérito italiano se baseou em interceptações ilegais de telefones e emails pela Telecom Italia. O brasileiro só em cima de interceptações autorizadas pelo juiz. Misturando os dois inquéritos, haveria uma “contaminação” do inquérito brasileiro. O que daria margem a anos de discussão.
3. Na minha série sobre a Veja, no capítulo “O lobista de Dantas”, expliquei essa manobra jurídica. Quando explodiu a Satiagraha e a defesa de Dantas entrou em pânico, Mainardi acelerou passo para conseguir a incorporação do inquérito italiano no brasileiro. Afirmou em sua coluna ter levado pessoalmente o material ao juiz que cuida do caso. Logo em seguida, o “macaco em loja de louças” Nélio Machado – advogado do Opportunity – escancarou a defesa, ao admitir a tese da “contaminação. Sua manifestação provocou uma resposta da procuradora paulista Anamara Osório Silva que cuida do caso, que soltou uma nota sustentando que não haveria essa incorporação e que a tese da contaminação não se sustentava. Então que fique claro que a tese da defesa de Dantas, para melar o inquérito, é sustentar que a Anaconda contou com ajuda dos arapongas da Telecom Italia.
5. Certamente os advogados do Opportunity farão muito bom uso desses parágrafos especialmente selecionados:
(…) Em 2004, a PF iniciou a Operação Chacal, que investigou suposta atividade ilegal da Kroll no Brasil, a mando de Daniel Dantas. Paralelamente ao trabalho da PF, os italianos promoveram uma série de ações contra os agentes da Kroll. Numa delas, em um hotel no Rio, invadiram o computador de um deles e roubaram vários arquivos, que depois foram selecionados e gravados em um CD entregue à PF.
(…) Em outra passagem, Angelo Jannone, ex-chefe da Segurança da TI para América Latina, ajudou os policiais brasileiros a prender um colaborador da agência americana de investigação. “Eu tive de servir de isca para a Polícia Federal”, contou Jannone à Justiça italiana.
É nítida a intenção da matéria em definir a relação entre a Operação Chacal e os arapongas italianos. Supor que dois jornalistas sem familiaridade maior com o tema leram 700 mil páginas e selecionaram jornalisticamente apenas trechos que interessavam diretamente à defesa de Dantas, é acreditar demais nos métodos de leitura dinâmica.
Como são jornalistas sérios, a matéria traz pelo menos uma informação relevante: o tema Opportunity passa diretamente pela Direção de Redação do jornal.

Da arte de não admitir erros - por Luis Nassif

Tem sido uma constante na imprensa. Nos últimas décadas – desde a campanha do impeachment de Collor – foram removidos todos os filtros de qualidade. Em qualquer setor moderno da economia, erros são tratados como episódios graves, que comprometem a qualidade do produto, a imagem da empresa.
A partir do momento em que a imprensa se sentiu ator político, todos esses cuidados foram para o ralo. Errem à vontade, sem problemas, sem filtros. Encontrem apenas uma desculpa razoável quando questionados.
Na matéria da Folha sobre a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o Márcio Aith – que, por experiente, não tem o benefício dos iniciantes – afirmou que o araponga Wilson F. Pinna (autor do falso dossiê, tratado como documento oficial de um inquérito pela Veja) tinha contato direto com o presidente da agência, Haroldo Lima.
Aith dispunha de UMA informação para sustentar sua tese: a readmissão de Pinna em 2005 na ANP, como… assistente administrativo na Assessoria de Inteligência. Fosse o Aith de outras eras, a suposição básica era a de que a ligação de Pinna era com o chefe da Inteligência. Em qualquer organização, o contato do assistente é com o chefe imediato. É óbvio.
Mas, não. A partir daí garantiu que o assistente administrativo Pinna despachava diariamente com o presidente da Agência.
Na carta à Folha, Haroldo Lima é claro:
1. Diz que houve falha de apuração de Aith na informação de que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005”, ao não mencionar que ele ingressou na Agência em 2001. Não nega a admissão. Apenas diz que Aith contou metade da história e não a parte principal: a de como foram criados seus laços com a ANP.
2. Afirma peremptoriamente que jamais teve qualquer conversa sobre qualquer assunto com o agente.
Qual a resposta do jornalista:
1. Que Pinna, depois de se aposentar pela ANP, voltou como assistente administrativo, em ato relatado por Haroldo Lima. Ora, todas as nomeações de uma agência passam pelo crivo do seu presidente. Todas. O que não significa que foi o próprio presidente quem indicou Pinna.
2. Diz que enviou dois emails na quinta à tarde à Assessoria da ANP, não obtendo respostas. Como não obteve respostas, não se preocupou em divulgar uma informação falsa. Simples assim.
Nenhuma palavra, nenhuma correção sobre a principal afirmação da matéria: a de que Pinna tratava semanalmente com Lima. Ora, essa é a informação principal, a que define o tom da matéria, a que joga sobre Lima a suspeita da arapongagem.

Do Painel do Leitor da Folha
ANP
“A matéria de 25/9 assinada por Marcio Aith referente ao “falso dossiê” sobre royalties traz falsas informações, talvez porque não tenha procurado a ANP antes de publicar a matéria: 1. diz que Wilson F. Pinna, acusado de autoria do “falso dossiê”, “é homem de confiança do presidente do órgão, Haroldo Lima’; 2. diz que “Pinna foi recrutado por Lima em agosto de 2005′; 3. que “até quatro meses atrás despachava semanalmente com Lima”. Essas informações não estão distorcidas, são inteiramente falsas.
Nos seis anos em que estou na ANP, o sr. Pinna não só não frequentou semanalmente meu gabinete como nunca foi chamado por mim para conversa sobre qualquer assunto, inclusive porque não era subordinado diretamente a mim. A ideia de que o referido senhor era pessoa de minha confiança pessoal e que despachava semanalmente comigo revela que o jornalista não apurou a matéria como deveria, ouvindo a ANP, desinformando os leitores de seu jornal.
A notícia de que Pinna “foi recrutado por Lima em agosto de 2005″ revela falha de apuração, uma vez que omite o fato de que Pinna ingressou na ANP em 27/9/ 2001, quando nenhum dos atuais diretores da ANP aqui estavam, tendo sido então lotado no Núcleo de Fiscalização da agência, hoje Superintendência de Fiscalização do Abastecimento. Para terminar, acabo de assinar a exoneração do sr. Wilson F. Pinna de suas funções na ANP.”
HAROLDO LIMA, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (Rio de Janeiro, RJ)

Resposta do jornalista Marcio Aith – O agente Wilson Ferreira Pinna deixou a ANP em 11/9/2003. Após sua aposentadoria na PF, voltou à agência em 2005 na condição de nomeado sem vínculo, como assistente administrativo na Assessoria de Inteligência. A proposta de nomeação, de nº 311/ 2005, foi relatada pessoalmente por Haroldo Lima. E aprovada em reunião da diretoria em 16/8/2005. Não é verdade que Lima não foi procurado. Na quinta-feira à tarde, a Folha enviou dois e-mails à assessoria de imprensa da ANP relatando esses fatos. Não obteve resposta.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Revelação terrível: o irmão gêmeo de Serra! - por blog bye, bye Serra

http://byebyeserra.wordpress.com/2009/09/24/revelacao-irmao-gemeo-de-serra/

Zé Pedágio tem sobre Honduras a mesma opinião do PiG (*). Ou será o inverso? - por Paulo Henrique Amorim

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=19129

O estilo Sarney e a cassação de Capiberibe - por blog do Nassif

Em Observação
Agora que cessou o festival de factóides contra o presidente do Senado José Sarney, vamos a alguns pontos do Sarney verdadeiro, o chefe regional que se esconde atrás do político nacional de modos suaves e alguma erudição.
Provavelmente o advogado geral da União, José Antonio Toffoli, foi alvo de uma bala perdida da artilharia de José Sarney contra seus adversários políticos no Amapá. Esta a ironia da história. Embora não saiba, neste momento, se o autor da ação foi ligado a Sarney, é certo que no Amapá e no Maranhão – dois redutos de Sarney – seus adversários são soterrados por dezenas de ações judiciais.
Toffoli foi atingido por uma das dezenas e dezenas de ações judiciais abertas contra o governo eleito, João Capiberibe, cassado pelo Senado em uma ação política conduzida por Renan Calheiros.
Vale a pena lembrar o que aconteceu.

O governo Capiberibe

Ontem a feijoada do almoço serviu para uma boa conversa com a Maria Inês Nassif. Ela me contou de pesquisas que fez, anos atrás, sobre o governo Capiberibe no Amapá.
Colocarei aqui o que me lembro da conversa, contando com vocês para completar as informações
Diz ela que Capiberibe foi o primeiro governador da região a tratar do tema do desenvolvimento sustentado. E aí me lembrei de meu amigo de adolescência, o Tomás Togni Tarquínio, discípulo de Ignacy Sachs, e que foi até o Amapá participar da experiência de Capiberibe.
Com apoio de organismos franceses, Capiberibe montou organizações sociais para ajudar os índios a explorarem de maneira racional a floresta. Firmou contratos com empresas francesas, interessadas nas essências nativas. Trouxe especialistas para ajudar na preparação dos índios.
A cassação sem julgamento
Foi massacrado por um conjunto de forças comandada pelo senador José Sarney – que conseguiu da Justiça Eleitoral o mesmo que no Maranhão. Capiberibe foi deposto por “abuso de poder econômico”, assim como Jackson Lago, no Maranhão. No lugar de ambos assumiram os candidatos derrotados, os dois ligados a Sarney.
Não apenas isso. O processo que levou à cassação de Capiberibe no Senado foi conduzido diretamente pelo rolo compressor de Renan Calheiros. Foi cassado sem ter sido julgado.
No STF, o processo está parado com o Ministro Joaquim Barbosa. Constariam dele barbaridades, como as 40 ações movidas por um desembargador que mudou-se para o Amapá, solicitou aposentadoria depois de 3 anos de R$ 50 mil. Capiberibe vetou. Foi retaliado por uma montanha de ações. Hoje em dia o desembargador está preso, depois de ter assassinado um ex-amigo em uma capital nordestina.
Ao enfrentar o Judiciário e o Legislativo, que pretendiam ampliar o percentual do orçamento destinado aos dois poderes, Capiberibe teria sido alvo de outra campanha pesada que praticamente paralisou o Estado. Qualquer dinheiro que caísse nos cofres do Estado era imediatamente confiscado.
Para poder contornar essa loucura, passou a emitir cheques administrativos em nome do Estado. Para quem não conhece, cheques administrativos são quase dinheiro. Basta ser depositado para o dinheiro ser liberado. Algumas pessoas ficavam, então, com o cheque administrativo, tendo como beneficiário o Estado do Amapá – ou seja, só poderiam ser depositados nas contas do Estado -, aguardando algum refresco no cerco judicial para depositar e permitir ao Estado andar um pouco. Dois desses cheques administrativos – de R$ 20,00 – foram apresentados como prova da compra de votos.
Não apenas isso. Procuradores, juízes, jornalistas que ousaram enfrentar o esquema Sarney teriam sido soterrados por montanhas de ações judiciais nos dois estados.
A aliança Lula-Sarney
A aliança com Lula fortaleceu Sarney. O antigo aliado, o governador que promovia a sustentabilidade foi afastado, cassado sem ser julgado. E é esse arco – Sarney-Renan – que Lula está abraçando para as próximas eleições.
E aí entram outras considerações de ordem política sobre a real politik de Lula – nesse caso, dando razão a Ciro Gomes. Lula segura o rojão dessa aliança. Sua popularidade é tanta que permite inclusive enfrentar o desgaste de um apoio ostensivo a Sarney.
Como seria em um eventual governo Dilma, sem a presença de Lula, e com os demônios à solta? Não seria a hora de se começar a pensar com realismo em uma governabilidade sem o PMDB, o DEM e outros partidos que, sem o oxigênio do poder, definhariam naturalmente?

Por Eugênio José Zoqui

Olá Nassif,
Não há dúvida alguma que para abarcar o PMDB/Norte-Nordeste Lula rifou o companheiro de longa data. Capiberibe foi traído por todos os próceres do governo Lula.
Logo após as últimas eleições municipais enviei e-mail a sua coluna para que prestasse alguma atenção nas eleições de Macapá. Antes as denúncias contra Sarney comentávamos que o poder e Sarney advinha mais de seus tentáculos no judiciário que propriamente no executivo/legislativo. Houve sérias irregularidades muito bem descritas no blog do Jornalista Correa Neto (http://www.correaneto.com.br/).
Peço a gentileza de ler o material postado.
Obrigado pela atenção.

Por Maurício Gentil Monteiro

No Senado não houve propriamente um processo de cassação. Capiberibe teve decretada a perda do mandato pela Justiça Eleitoral, tendo como última instância o TSE, que confirmou a condenação do TRE. Em casos como esse, cabe à Mesa Diretora do Senado apenas dar cumprimento ao que decide a Justiça Eleitoral. Veja a Constituição Federal:
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
(…)
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;
(…)
§ 3° Nos casos previstos nos inciso III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
Observe que, nesse caso, não é cassação de mandato por deliberação do Plenário, por maioria absoluta em voto secreto, e sim mera declaração da Mesa Diretora.
Inclusive quando o Senado recebeu o comunicado da decisão definitiva do TSE, o então Presidente Renan Calheiros atropelou o procedimento previsto na Constituição e, por ato isolado seu, declarou a perda do mandato de Capiberibe, que foi ao STF e obteve do Ministro Marco Aurélio uma liminar sustando o ato, pela inobservância do procedimento constitucional
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Nada disso impede que tenha havido alguma orquestração do Senador Renan Calheiros, conforme informações que você tenha, Nassif, mas a partir da decisão do TSE, juridicamente falando, o Senado nada mais podia fazer, a não ser dar cumprimento ao que decidido pela Justiça Eleitoral.