Por quem os sinos dobram
Joana Camandaroba tem, segundo suas próprias palavras no instante desta conversa, "noventa e cinco anos, três meses, vinte dias e vinte horas". Ela é a matriarca da Barra, cidade fundada em 1752. O presidente da República visitou Barra em seu giro de três dias pelas obras de Transposição e Revitalização do Rio São Francisco, expedição esta, a da "Coluna Lula", que se encerra nesta sexta-feira.
Lula arrastou consigo quatro ministros, três presidenciáveis, oito governadores, numa viagem que mobilizou dois aviões da FAB, três helicópteros e mais de 150 funcionários federais.
Leão tenta fazer Joana Camandaroba passar pela segurança presidencial. Mas, junto, tenta enfiar o motorista, um amigo, e mais alguns. Joana é barrada. Jonas Paulo, presidente do PT, ex-diretor nacional e superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco. Jonas, também da vizinha Ibotirama, entra em cena.
Jonas e Joana estancam diante da segurança:
-... Ela quer entregar um livro escrito por ela para o presidente Lula...
- Mas por que pessoalmente?
- Ela foi professora da cidade inteira, já recebeu em sua casa candidatos a governador, a presidente da República... Joana Camandaroba é a matriarca da Barra.
- Então pode entrar.
Joana Camandaroba abraça Lula, a ele entrega o livro, "Barra, um retrato do Brasil", escrito por ela e pelo padre Arlindo Itacir Battistel. Barra, a diocese onde é bispo Dom Luiz Cappio, o religioso que chegou à greve de fome contra a Transposição do rio São Francisco. O que Joana Camandaroba e Lula conversaram, o que ela viu e ouviu, o que se passou em Barra nesta tarde de 39 graus, ela conta a seguir.
Terra Magazine - Que idade tem a senhora?
Joana Camandaroba - Tenho noventa e cinco anos, três meses, vinte dias e, neste momento, vinte horas, meu filho.
Que livro a senhora entregou ao presidente Lula?
Um dos quatro que escrevi, este com o padre Arlindo Itacir Batistel, é o "Barra, um retrato do Brasil".
Sobre o que é o livro?
Sobre a língua falada pelo Brasil, a língua do povo da Barra, a antropologia do povo, dos brejos, usos e costumes da região...
A senhora é escritora?
Fui professora por 40 anos. Parei de ensinar aos 80 e aí me deu um vazio. Preenchi com a literatura.
A senhora foi professora do quê?
De português, história... de quase tudo.
Aqui em Barra?
Ô meu filho, na Barra, em Formosa, em Santa Rita de Cásia, em Pilão Arcado, em Barreiras...
A senhora sabe quanto alunos teve?
Sei.
Quantos?
Todos da cidade, quase todos da região. Ensinei a todos. Ensinei tanto que não tive tempo para o amor, para namorar.
O que a senhora disse para o presidente Lula?
Pedi a ele que lesse a página 105.
Por quê?
Porque tem um texto belíssimo sobre a língua portuguesa, o português do povo. Língua que a gente esquece, a família e o povo esquecem.
E por que esse livro e para o Lula?
Porque ele é amigo do povo, se sente do povo e o povo se vê nele. Ouvi o discurso do presente, estava lá, senti isso nele, nos olhos dele, e nos olhos do povo.
O que a senhora ouviu no discurso dele?
Ouvir o discurso dele foi ouvir o discurso do povo. É a mesma coisa.
A senhora foi professora por 40 anos e defende o uso correto da língua. Ainda que se possa discutir essa questão da "correção", o próprio presidente cansa de se referir publicamente a erros que cometia e ainda comete ao falar...
Não é responsabilidade dele...
Por que não?
Aquilo que se escreve na alma de uma criança nunca mais se apaga.
E...?
...o Lula presidente ainda fala como escreveram na alma dele quando criança e por isso mesmo muito ainda não se apagou...
E que língua do povo é essa?
A língua de todos os tempos, a dos vaqueiros, a dos brejos, a das periferias das grandes e pequenas cidades, a língua dos brasileiros, do povo. O meu livro fala disso, fala disso, fala até do transporte de padiola.
Como?
Meu filho, até os carros chegarem aqui os doentes eram transportados em padiolas. Eram quinze, vinte léguas a pé até as cidades. Escrevi o livro com padre que é lá do sul, é filho de italianos e por isso não domina, mas ama, nossa língua. Escrevemos juntos.
E fala sobre mais o quê?
Dos nossos costumes, tradições, transportes, princípios, casamentos, homens, mulheres...
O que o presidente disse para a senhora?
Que eu sou a noiva dele que tem cem anos...
A senhora tem filhos?
Não fui casada, meu filho. Não tive tempo para o amor, para namorar. Passei minha vida, 40 anos dela, a ensinar as pessoas. Isso também é amar, embora de outra forma. Dediquei minha vida à educação e, depois que terminou, minha vida ficou vazia. Aí veio a literatura, escrever prencheu esse vazio.
E qual o outro livro?
É o "caminho do Cristianismo". Desde Roma, das catacumbas, sobre todos os papas, o Concílio Vaticano II e João XXIII, João Paulo II, tem até um pouquinho sobre esse Papa de agora. E tem também a história de Dom Luiz Cappio, o nosso bispo.
Como e quando começa essa história?
Dom Luiz chegou aqui no dia 20 de setembro de 1974. Ele e mais três frades. Veio da Vila Guilherme, lá em São Paulo, e quando chegou nós até pensamos que ele fosse Lamarca, que mataram aqui perto. Tinha gente que até pensava que era o Lamarca vivo de novo, e vestido de frade.
E vocês sabiam quem era Lamarca?
Ô meu fillho, eu sabia! Mas o povo hoje também sabe que ele foi um mártir, foi morto pelo exército no mato, homem de grande coragem. Lamarca foi um mártir do povo e por isso estará no santuário que Dom Luiz Cappio vai fazer.
Que santuário é esse?
Um santuário com os mártires do povo. Lamarca, um José de tal que morreu lá em Barreiras.
Sim, mas e o capítulo do livro sobre Dom Luiz Cappio?
A irmã dele, de São Paulo, me deu muito sobre a história dele. Quando chegou aqui ele dormia no chão. A mãe mandava roupas que comprava na Itália e ele dava tudo para o povo. O bispo é um homem muito firme. Quando ele decide uma coisa não tem mãe, pai, Cardeal, nem o Papa consegue fazer ele desistir. Eu sou muito amiga do bispo, ele é um homem de grande valor, muito próximo do povo.
Noto aí uma contradição. A senhora escreveu sobre o bispo, é amiga e admiradora dele, mas foi à recepção ao presidente Lula, abraçou-o, deu a ele um livro....
Fui, e ainda fui muito bem arrumada.
Foi? Como?
De vestido amarelo, com muita jóia. Brincos de ouro, anel de brilhante, uma pulseira de ouro branco, um medalhão com uma efígie de um dos reis da Inglaterra, coisa muito antiga, comprei em uma viagem a Portugal. Tenho e coleciono coisas antigas, vou doar para que se faça um museu na Barra.
A senhora tem muita coisa boa?
Muita história. Tenho duas arcas, cheias, que pertenceram às irmãs de João Maurício Vanderlei, o Barão de Cotegipe, a segunda figura do Segundo Império. Ele foi a favor das Leis do Ventre Livre, do Sexagenário, mas foi contra a Lei Áurea...
Por qual razão?
Ele disse à Princesa Isabel: "O Brasil não tem condições econômicas de suportar o fim da escravidão, a senhora libertará uma raça, mas perderá um trono". E a princesa respondeu: "Quantos tronos eu tivesse para dar pela liberdade humana eu daria".
Onde a senhora aprendeu isso?
Não aprendi, eu ensinei, por 40 anos. Está na história, nos livros.
A senhora se considera de que raça?
Eu sou mulata não, eu sou negra.
Dona Joana, o Bispo chegou à greve de fome contra a Transposição do São Francisco. Então, como é que senhora foi lá receber a comitiva? E o bispo, onde estava?
Fui, e muito arrumada, porque Lula merece. Já recebi muitos candidatos a governador em minha casa, até a presidente da República, mas Lula é o primeiro presidente, o primeiro Chefe de Estado que vem a Barra. E olha que Barra é muito antiga...
Quem foi o candidato a presidente que esteve em sua casa?
Jânio Quadros. Se hospedou aqui em casa. Meu irmão, que é médico, aposentado, trabalhou e dirigiu coisas importantes por muitos anos no Hospital das Clínicas, tinha um uísque muito bom. Jânio bebeu quase tudo...
E aí, o que aconteceu?
Saiu zonzo daqui de casa dizendo "Até o Planalto". E ele foi para o Planalto mesmo, mas depois fez aquela bagunça lá e nos deixou a todos na mão...
Deve ter tomado umas garrafas...
Olha, meu filho, acho que foi isso mesmo.
ACM esteve aqui?
Esteve. Ele era inimigo, adversário, mas ficou amigo depois que trouxe pra ele um remédio.
Que remédio?
Golbery, o general Golbery, me deu um remédio e pediu que eu mandasse pra Antônio Carlos quando chegase à Bahia. Fiz isso...
Remédio pra quê? E onde a senhora encontrou Golbery?
Pra uma dor que ele tinha na garganta e não sarava. Acho que foi de tanto gritar quando ele foi nomeado. Fui a Brasília pedir dinheiro para que as escolas não fechassem, fui ao Congresso, e depois encontrei Golbery que me pediu para entregar o remédio. Antônio Carlos tinha seus defeitos, nós sabemos, mas tinha uma grande qualidade, a gratidão.
Então a senhora foi ter com Lula porque gosta dele e...
Eu gosto e o povo gosta.
E Dom Luiz Cappio?
Não sei, pergunte a ele. Mas sei que ele me disse que agora não é mais Lula, é Luiz Inácio. Mas acho que ele ainda deve gostar.
Estão dizendo que tiraram a rádio comunitária da igreja do ar para que não se fizesse críticas ao presidente...
Não é isso não, é o contrário. E antes deixa eu te dizer uma coisa: Dom Benjamim Capelli tem oitenta e tantos anos. É um homem muito bom, quase um santo. Cuida da saúde do povo, cuidou sempre dos leprosos, já nem tem mais leprosos aqui na Barra. E ele foi ao aeroporto receber Lula, abraçou Lula, de quem ele gosta muito.
E como foi no aeroporto? Não estávamos lá.
Tinha duas, três mil pessoas, Lula quebrou o protocolo, falou e abraçou um bocado de gente do povo.
Mas e a história da rádio...?
Meu filho, o problema não é o Lula, que é amado pelo povo, nem o governador...
O Jaques Wagner?
Isso, ele é bem bonitão, sabe? É simpático, o povo gosta muito dele também. Acho que até porque sabe que ele também gosta de uma pingazinha, como o povo também gosta...
...se o problema não é Lula, se não é o Jaques Wagner, então qual é o problema?
O problema aqui, meu filho, é o Geddel.
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima? Mas por que ele é o problema se as decisões sobre o rio são tomadas acima dele?
Sim, mas ele se dizia contra a Transposição... aí arranjou esse emprego bom e ficou a favor. Mas isso não foi o pior, não...
O que foi, então?
Ele foi muito deselegante com o bispo, e o povo gosta do bispo. Ele foi mal comportado, não é flor que se cheire. Ou, como diz o povo daqui, Geddel não é boa abelha, não!
Mas, apesar disso tudo, a senhora foi ao Lula, deu um livro de presente a ele, o bispo ficou em silêncio e a rádio da igreja também.
Quem foi que disse que o bispo ficou em silêncio?
Ninguém ouviu uma palavra dele, tiraram a rádio do ar, dizem que foi o governo, ele nem ficou na cidade, não protestou...
...(Gargalhadas) Meu filho, quem tirou a rádio do ar, rádio que é da igreja, foi o bispo mesmo, para não ter que falar da festa. E o bispo falou o dia inteiro, a cidade inteira ouviu, de tempos em tempos, o dia todo...
Mas falou onde?
Falou com os sinos da igreja...
Como?
Falou com os sinos, eles tocaram o dia todinho.
A senhora me explica melhor, por favor, Dona Joana?
Meu filho, os sinos tocaram, dobraram o dia inteiro...
Dobraram o quê?
(Gargalhadas) ...Dobraram a Finados. Teve festa pro Lula, pro governador, mas os sinos daqui da Barra dobraram a Finados o dia inteiro. Para o Geddel.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Ecos do Brasil no mundo - Por Cidadão (blog do Nassif)
Nassif, duas notícias sobre o Brasil, no New York Times e na BBC Brasil destcam nossa liderança emergente na Gestão Social e nas Artes.
A matéria do New York Times (http://www.nytimes.com/) de hoje – “Some Poor Nations Succeeeding in Fighting Hunger”, cita o relatório da ActionAid International que fez um ranking dos países mais bem sucedidos no caomabte à fome. Dentre os emergentes, aparece o BRASIL COMO LÍDER NO COMBATE À FOME, e o índice de 73% de redução da subnutrição infantil. O jornal revela que isto se deve ao investimento intensivo em políticas sociais.Na BBC há outro destaque: ARTE EM DEBATE: CHEGOU A VEZ DO BRASIL NO MERCADO INTERNACIONAL”? Segundo Tanya Barson, curadora de arte latino-americana da galeria britânica Tate Modern, a arte brasileira tem hoje impacto muito mais amplo no circuito internacional do que em qualquer outro momento de sua história.” (detalhes em http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/10/090622_arte_brasileira_mv.shtml)
A matéria do New York Times (http://www.nytimes.com/) de hoje – “Some Poor Nations Succeeeding in Fighting Hunger”, cita o relatório da ActionAid International que fez um ranking dos países mais bem sucedidos no caomabte à fome. Dentre os emergentes, aparece o BRASIL COMO LÍDER NO COMBATE À FOME, e o índice de 73% de redução da subnutrição infantil. O jornal revela que isto se deve ao investimento intensivo em políticas sociais.Na BBC há outro destaque: ARTE EM DEBATE: CHEGOU A VEZ DO BRASIL NO MERCADO INTERNACIONAL”? Segundo Tanya Barson, curadora de arte latino-americana da galeria britânica Tate Modern, a arte brasileira tem hoje impacto muito mais amplo no circuito internacional do que em qualquer outro momento de sua história.” (detalhes em http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/10/090622_arte_brasileira_mv.shtml)
Expansão do Bolsa-Família elevou PIB em R$ 43,1 bilhões, indica estudo - Estadão
Economista e aluno do Insper pesquisaram efeitos do projeto na economia dos municípios entre 2004 e 2006
Fernando Dantas, RIO
A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões.
Essas estimativas estão num estudo recém concluído dos economistas Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo, e de Paulo Henrique Landim Junior, aluno da graduação do Insper.
O objetivo do trabalho era investigar os efeitos do Bolsa-Família – que hoje atinge 12,9 milhões de famílias – na economia dos municípios. Os pesquisadores investigaram 5,5 mil municípios nos anos de 2004, 2005 e 2006. Os dados utilizados foram o PIB, a população e a arrecadação de tributos nos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e os desembolsos do Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
A partir dessa base, Menezes e Landim empregaram métodos estatísticos para calcular o impacto na economia municipal de aumentos dos repasses do programa per capita – os repasses divididos pela população do município (e não pelo número de beneficiários). A conclusão foi de que um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa-Família leva a uma ampliação de 0,6% no PIB municipal no ano em que ocorre a expansão e no seguinte.
“O impacto pode parecer pequeno, mas quando analisamos os efeitos levando em conta os números absolutos do PIB, ele é bem grande”, diz Menezes.
A magnitude do efeito do Bolsa-Família no PIB ficou a clara quando os pesquisadores fizeram o que chamaram de “análise de custo-benefício”, tomando os anos de 2005 e 2006. Entre os dois períodos, os repasses do programa subiram de R$ 5,7 bilhões para R$ 7,5 bilhões, num salto de R$ 1,8 bilhão, ou de 30,34%. O valor médio do repasse em 2006 foi de R$ 61,97 por família, e o porcentual da população beneficiada foi de 36,4%.
Considerando-se a relação de 0,6% a mais de PIB para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o aumento de 30,34% em 2006 significa um ganho no conjunto dos municípios – isto é, do País – de 1,82%. Aplicado ao PIB de 2006 de R$ 2,37 trilhões, chega-se ao PIB adicional de R$ 43,1 bilhões. Dessa forma, para cada R$ 0,04 de Bolsa-Família a mais, o ganho de PIB foi de R$ 1.
Menezes fez cálculos adicionais, levando em conta que a distribuição do aumento do Bolsa-Família de 2005 para 2006 não foi homogênea entre todos os municípios brasileiros, e obteve resultados muito parecidos.
Ele diz que aquele efeito explica-se pelo chamado “multiplicador keynesiano”, que faz com que um gasto adicional circule pela economia – de quem paga para quem recebe – várias vezes, aumentando a demanda bem mais do que o seu valor inicial.
A análise dos dois economistas permitiu avaliar também o impacto dos aumentos de repasses do Bolsa-Família nos diferentes setores da economia municipal. O maior efeito foi encontrado na indústria – para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o PIB industrial aumenta 0,81%. Nos serviços, o impacto foi de 0,19%, enquanto na agricultura não foi registrado efeito significativo.
“É possível que a indústria tenha sido mais afetada por causa do aumento de consumo de energia elétrica, água, esgoto e gás das famílias pobres e extremamente pobres que recebem Bolsa-Família”, diz Menezes.
No caso da arrecadação municipal, o estudo indica que um aumento de 10% nos repasses leva a um aumento médio de 1,36%. Levando-se em conta o total de impostos gerados nos municípios em 2006, de R$ 304,7 bilhões, concluiu-se que o aumento de 30,34% do Bolsa-Família provocou uma alta de 4,1% na arrecadação, ou R$ 12,6 bilhões.
Comentário: mas para os neoliberais – e, especialmente, para o senhor que é simplesmente o chefe de jornalismo da rede globo -, gasto bom é gasto com juros. Todo o mais é desperdício.
Fernando Dantas, RIO
A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões.
Essas estimativas estão num estudo recém concluído dos economistas Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), antigo Ibmec-São Paulo, e de Paulo Henrique Landim Junior, aluno da graduação do Insper.
O objetivo do trabalho era investigar os efeitos do Bolsa-Família – que hoje atinge 12,9 milhões de famílias – na economia dos municípios. Os pesquisadores investigaram 5,5 mil municípios nos anos de 2004, 2005 e 2006. Os dados utilizados foram o PIB, a população e a arrecadação de tributos nos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e os desembolsos do Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
A partir dessa base, Menezes e Landim empregaram métodos estatísticos para calcular o impacto na economia municipal de aumentos dos repasses do programa per capita – os repasses divididos pela população do município (e não pelo número de beneficiários). A conclusão foi de que um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa-Família leva a uma ampliação de 0,6% no PIB municipal no ano em que ocorre a expansão e no seguinte.
“O impacto pode parecer pequeno, mas quando analisamos os efeitos levando em conta os números absolutos do PIB, ele é bem grande”, diz Menezes.
A magnitude do efeito do Bolsa-Família no PIB ficou a clara quando os pesquisadores fizeram o que chamaram de “análise de custo-benefício”, tomando os anos de 2005 e 2006. Entre os dois períodos, os repasses do programa subiram de R$ 5,7 bilhões para R$ 7,5 bilhões, num salto de R$ 1,8 bilhão, ou de 30,34%. O valor médio do repasse em 2006 foi de R$ 61,97 por família, e o porcentual da população beneficiada foi de 36,4%.
Considerando-se a relação de 0,6% a mais de PIB para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o aumento de 30,34% em 2006 significa um ganho no conjunto dos municípios – isto é, do País – de 1,82%. Aplicado ao PIB de 2006 de R$ 2,37 trilhões, chega-se ao PIB adicional de R$ 43,1 bilhões. Dessa forma, para cada R$ 0,04 de Bolsa-Família a mais, o ganho de PIB foi de R$ 1.
Menezes fez cálculos adicionais, levando em conta que a distribuição do aumento do Bolsa-Família de 2005 para 2006 não foi homogênea entre todos os municípios brasileiros, e obteve resultados muito parecidos.
Ele diz que aquele efeito explica-se pelo chamado “multiplicador keynesiano”, que faz com que um gasto adicional circule pela economia – de quem paga para quem recebe – várias vezes, aumentando a demanda bem mais do que o seu valor inicial.
A análise dos dois economistas permitiu avaliar também o impacto dos aumentos de repasses do Bolsa-Família nos diferentes setores da economia municipal. O maior efeito foi encontrado na indústria – para cada 10% a mais de Bolsa-Família, o PIB industrial aumenta 0,81%. Nos serviços, o impacto foi de 0,19%, enquanto na agricultura não foi registrado efeito significativo.
“É possível que a indústria tenha sido mais afetada por causa do aumento de consumo de energia elétrica, água, esgoto e gás das famílias pobres e extremamente pobres que recebem Bolsa-Família”, diz Menezes.
No caso da arrecadação municipal, o estudo indica que um aumento de 10% nos repasses leva a um aumento médio de 1,36%. Levando-se em conta o total de impostos gerados nos municípios em 2006, de R$ 304,7 bilhões, concluiu-se que o aumento de 30,34% do Bolsa-Família provocou uma alta de 4,1% na arrecadação, ou R$ 12,6 bilhões.
Comentário: mas para os neoliberais – e, especialmente, para o senhor que é simplesmente o chefe de jornalismo da rede globo -, gasto bom é gasto com juros. Todo o mais é desperdício.
Presidente rebate críticas e diz que “não sabia” de preocupação de governador de SP com o NE - por Simone Iglesias
Em discurso, petista ainda comparou transposição à obra feita pelo presidente americano Roosevelt na região do vale do Tennessee
SIMONE IGLESIAS
ENVIADA ESPECIAL A CUSTÓDIA (PE)
Em um raro ataque direto ao presidenciável tucano José Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o governador paulista começou a se preocupar com o Nordeste apenas por conta da campanha eleitoral do ano que vem.
Lula, no segundo dia de vistoria de obras da transposição do rio São Francisco, respondia às críticas de Serra de que a obra não levava em conta as populações ribeirinhas, por haver “absoluta ausência de investimentos em irrigação”.
“Não sabia que o Serra tinha alguma preocupação com o Nordeste, mas se começa a ter um pouquinho perto das eleições é um bom sinal. O que é triste é isso, vai passando o tempo, as pessoas não falam, ficam mudas, e quando vai chegando perto das eleições as pessoas começam a preparar o discurso para a campanha”, disse.
Serra tem alguns de seus mais baixos níveis de intenção de votos em regiões do Nordeste, redutos eleitorais lulistas em que a aprovação do presidente tem seus picos.
“Serra que fique esperto porque a gente vai inaugurar [obras de] irrigação no Nordeste nesses próximos meses. Quem sabe eu até convide ele para participar de algumas para compreender o que está acontecendo”, afirmou Lula, em entrevista a rádios nordestinas.
O tucano não foi o único alvo do petista, que depois discursou. Lula voltou a criticar a ação do TCU (Tribunal de Contas da União), cujos embargos a obras federais vêm provocando reações no governo, e chamou o Judiciário de “irresponsável”. Por fim, criticou também o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome contra a transposição.
“Durante 25 anos este país não cresceu e, pelo fato de ele não crescer, nós fomos criando uma máquina poderosa de fiscalização infinitamente superior à máquina de execução. É como se uma seleção tivesse o time reserva melhor do que a titular”, disse especificamente sobre o TCU.
Em entrevista à Folha no início do mês, o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, disse que “o tribunal não pode ser visto como algoz pelos Poderes, mas como parceiro”. Em sua avaliação, “quem é fiscalizado nunca fica muito à vontade, mas cada um tem de cumprir a sua parte”.
Lula também disparou contra a Justiça: “[Houve] projetos que ficaram parados anos e não por nossa culpa, mas por irresponsabilidade do Judiciário, da Justiça, por erros de projeto que estamos recuperando”.
Sem citar o nome de dom Luiz, afirmou: “Teve um bispo que fez até greve de fome para que não se fizesse essa obra. De vez em quando aparece um movimento em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, contra. Eles não têm conhecimento do bem que essa obra está fazendo. Não quero que a gente mate um passarinho, um calango, uma cobra, agora, não posso deixar o povo pobre morrer de sede e de fome”, disse.
Lula citou estudo da FAO (agência da ONU para alimentação), segundo o qual 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. “Se a gente não cuidar, o principal animal em extinção no mundo será o ser humano, não é pouca coisa. E acontece isso não é por falta de tecnologia, por não investir. É que quando a gente quer fazer uma obra como essa os que tomam café da manhã, almoçam, jantam, tomam água gelada todo dia são contra a gente fazer.”
E continuou: “Resolvi fazer [a obra] não porque sou engenheiro, mas porque eu, com sete anos, carreguei pote de água na cabeça e sei o sacrifício”.
A seu lado, a presidenciável de sua escolha, Dilma Rousseff (Casa Civil), não discursou.
Em discurso a operários do trecho 11 da obra, Lula se comparou ao presidente Franklin Roosevelt (1933-1945). “Só tem coisa igual [à obra] quando o presidente Roosevelt pegou o lugar mais pobre dos EUA, chamado vale do Tennessee, e resolveu transformar aquela região em produtiva. É isso que estamos fazendo com nosso querido Nordeste”, afirmou.
SIMONE IGLESIAS
ENVIADA ESPECIAL A CUSTÓDIA (PE)
Em um raro ataque direto ao presidenciável tucano José Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o governador paulista começou a se preocupar com o Nordeste apenas por conta da campanha eleitoral do ano que vem.
Lula, no segundo dia de vistoria de obras da transposição do rio São Francisco, respondia às críticas de Serra de que a obra não levava em conta as populações ribeirinhas, por haver “absoluta ausência de investimentos em irrigação”.
“Não sabia que o Serra tinha alguma preocupação com o Nordeste, mas se começa a ter um pouquinho perto das eleições é um bom sinal. O que é triste é isso, vai passando o tempo, as pessoas não falam, ficam mudas, e quando vai chegando perto das eleições as pessoas começam a preparar o discurso para a campanha”, disse.
Serra tem alguns de seus mais baixos níveis de intenção de votos em regiões do Nordeste, redutos eleitorais lulistas em que a aprovação do presidente tem seus picos.
“Serra que fique esperto porque a gente vai inaugurar [obras de] irrigação no Nordeste nesses próximos meses. Quem sabe eu até convide ele para participar de algumas para compreender o que está acontecendo”, afirmou Lula, em entrevista a rádios nordestinas.
O tucano não foi o único alvo do petista, que depois discursou. Lula voltou a criticar a ação do TCU (Tribunal de Contas da União), cujos embargos a obras federais vêm provocando reações no governo, e chamou o Judiciário de “irresponsável”. Por fim, criticou também o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome contra a transposição.
“Durante 25 anos este país não cresceu e, pelo fato de ele não crescer, nós fomos criando uma máquina poderosa de fiscalização infinitamente superior à máquina de execução. É como se uma seleção tivesse o time reserva melhor do que a titular”, disse especificamente sobre o TCU.
Em entrevista à Folha no início do mês, o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, disse que “o tribunal não pode ser visto como algoz pelos Poderes, mas como parceiro”. Em sua avaliação, “quem é fiscalizado nunca fica muito à vontade, mas cada um tem de cumprir a sua parte”.
Lula também disparou contra a Justiça: “[Houve] projetos que ficaram parados anos e não por nossa culpa, mas por irresponsabilidade do Judiciário, da Justiça, por erros de projeto que estamos recuperando”.
Sem citar o nome de dom Luiz, afirmou: “Teve um bispo que fez até greve de fome para que não se fizesse essa obra. De vez em quando aparece um movimento em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, contra. Eles não têm conhecimento do bem que essa obra está fazendo. Não quero que a gente mate um passarinho, um calango, uma cobra, agora, não posso deixar o povo pobre morrer de sede e de fome”, disse.
Lula citou estudo da FAO (agência da ONU para alimentação), segundo o qual 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. “Se a gente não cuidar, o principal animal em extinção no mundo será o ser humano, não é pouca coisa. E acontece isso não é por falta de tecnologia, por não investir. É que quando a gente quer fazer uma obra como essa os que tomam café da manhã, almoçam, jantam, tomam água gelada todo dia são contra a gente fazer.”
E continuou: “Resolvi fazer [a obra] não porque sou engenheiro, mas porque eu, com sete anos, carreguei pote de água na cabeça e sei o sacrifício”.
A seu lado, a presidenciável de sua escolha, Dilma Rousseff (Casa Civil), não discursou.
Em discurso a operários do trecho 11 da obra, Lula se comparou ao presidente Franklin Roosevelt (1933-1945). “Só tem coisa igual [à obra] quando o presidente Roosevelt pegou o lugar mais pobre dos EUA, chamado vale do Tennessee, e resolveu transformar aquela região em produtiva. É isso que estamos fazendo com nosso querido Nordeste”, afirmou.
Sobre o câmbio - por Luis Nassif
A volta do círculo vicioso do câmbio
O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.
Tem-se o seguinte quadro internacional:
1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.
2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.
3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.
Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.
Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.
Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.
Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.
Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.
O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.
Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.
Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.
No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.
Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.
Espero que essa desgraça não se repita agora.
O círculo vicioso do câmbio
Do Último Segundo
Coluna Econômica- 16/10/2009
Entenda como se comporta a dinâmica apreciação do câmbio-desvalorização cambial- nova apreciação do câmbio e o papel deletério do Banco Central.O investidor externo ganha sempre que o real se aprecia em relação ao dólar; e perde sempre que ocorre uma desvalorização.
1. Suponha que alguém traga US$ 1 milhão com o dólar a R$ 1,70. Ele vai conseguir R$ 1.700.000,00.2. Se ocorrer uma valorização do real e cada dólar passe a valer R$ 1,60, com aqueles R$ 1.700.000,00 originais, o investidor adquiriria US$ 1.062.500.00.3. Se o dólar saltar para R$ 2,00, os R$ 1.700.000,00 valerão apenas US$ 850.000,00.
***Entendido isto, vamos ver como se dá o jogo.
Suponha que o investidor entre no país com o dólar a R$ 2,00. Traz US$ 1 milhão, converte em R$ 2 milhões.
Aplica esse recurso em títulos do Tesouro e obtém mais 9% de juros ao ano. O valor do investimento salta para R$ 2.180.000,00.
Aí o dólar vai caindo, caindo, até valer R$ 1,70. Se ele converter os reais por essa cotação do dólar e tirar o dinheiro do país, sairá com US$ 1.282.353,00 – ou um lucro de 28% em apenas um ano, algo inconcebível em qualquer outra economia.
Se o investidor quiser arriscar um pouco mais, espera o dólar chegar a R$ 1,60. Nesse caso seus reais serão convertidos por US$ 1.362.500,00 – 36% de lucros ao ano.
***
A partir de determinado momento, entra-se na zona de risco. As exportações ficam muito caras, as importações muito baratas, o superávit comercial se torna déficit, as contas externas entram no vermelho.
O que pode fazer o investidor apostar por mais tempo no câmbio (prolongando a agonia do real valorizado) é o maior ou menor risco desse jogo.
Mas o investidor está tranquilo, porque sabe que o BC está montado em bom volume de reservas e pode bancar o prejuízo (do país) por mais tempo. Então, em vez de sair com o dólar a R$ 1,70 vai esperar até chegar nos R$ 1,60 ou abaixo disso.
***
Aí podem ocorrer dois gatilhos disparando o câmbio. O primeiro, uma crise internacional aumentando a percepção de risco global e fazendo com que investidores tirem seu dinheiro para se garantir em títulos dos países centrais. Ou então, as próprias contas externas do país entrarem em parafuso, independentemente do cenário externo.
Com as reservas cheias, o BC permite a saída sem risco dos investidores. Os mais espertos saem na frente, os mais lerdos atrás. Ocorre uma explosão do câmbio que vai, digamos, para R$ 2,20. A desvalorização cambial pressiona alguns preços – produtos exportados e importados e tarifas públicas. Como consequência, a inflação sai um pouco ou muito da meta. Para combatê-la, o Banco Central aumenta os juros.
Completado o ciclo, os capitais que fugiram do país olham para trás e se dão conta de um novo quadro.
Com o dólar a R$ 2,20, as contas externas entram em ordem e risco externo diminui. Ele terá uma enorme possibilidade de ganho – com o dólar descendo de novo de R$ 2,00 para R$ 1,60 – e, agora, taxas maiores do BC remunerando seu dinheiro.
Esse ciclo vicioso tem exaurido as possibilidades de crescimento do país. E está se repetindo novamente. Será a herança maldita de Lula para seu sucessor.
Comentário: depois destas postagens, veio o novo imposto destinado a tentar salvar a indústria brasileira da doença holandesa.
O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.
Tem-se o seguinte quadro internacional:
1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.
2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.
3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.
Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.
Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.
Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.
Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.
Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.
O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.
Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.
Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.
No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.
Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.
Espero que essa desgraça não se repita agora.
O círculo vicioso do câmbio
Do Último Segundo
Coluna Econômica- 16/10/2009
Entenda como se comporta a dinâmica apreciação do câmbio-desvalorização cambial- nova apreciação do câmbio e o papel deletério do Banco Central.O investidor externo ganha sempre que o real se aprecia em relação ao dólar; e perde sempre que ocorre uma desvalorização.
1. Suponha que alguém traga US$ 1 milhão com o dólar a R$ 1,70. Ele vai conseguir R$ 1.700.000,00.2. Se ocorrer uma valorização do real e cada dólar passe a valer R$ 1,60, com aqueles R$ 1.700.000,00 originais, o investidor adquiriria US$ 1.062.500.00.3. Se o dólar saltar para R$ 2,00, os R$ 1.700.000,00 valerão apenas US$ 850.000,00.
***Entendido isto, vamos ver como se dá o jogo.
Suponha que o investidor entre no país com o dólar a R$ 2,00. Traz US$ 1 milhão, converte em R$ 2 milhões.
Aplica esse recurso em títulos do Tesouro e obtém mais 9% de juros ao ano. O valor do investimento salta para R$ 2.180.000,00.
Aí o dólar vai caindo, caindo, até valer R$ 1,70. Se ele converter os reais por essa cotação do dólar e tirar o dinheiro do país, sairá com US$ 1.282.353,00 – ou um lucro de 28% em apenas um ano, algo inconcebível em qualquer outra economia.
Se o investidor quiser arriscar um pouco mais, espera o dólar chegar a R$ 1,60. Nesse caso seus reais serão convertidos por US$ 1.362.500,00 – 36% de lucros ao ano.
***
A partir de determinado momento, entra-se na zona de risco. As exportações ficam muito caras, as importações muito baratas, o superávit comercial se torna déficit, as contas externas entram no vermelho.
O que pode fazer o investidor apostar por mais tempo no câmbio (prolongando a agonia do real valorizado) é o maior ou menor risco desse jogo.
Mas o investidor está tranquilo, porque sabe que o BC está montado em bom volume de reservas e pode bancar o prejuízo (do país) por mais tempo. Então, em vez de sair com o dólar a R$ 1,70 vai esperar até chegar nos R$ 1,60 ou abaixo disso.
***
Aí podem ocorrer dois gatilhos disparando o câmbio. O primeiro, uma crise internacional aumentando a percepção de risco global e fazendo com que investidores tirem seu dinheiro para se garantir em títulos dos países centrais. Ou então, as próprias contas externas do país entrarem em parafuso, independentemente do cenário externo.
Com as reservas cheias, o BC permite a saída sem risco dos investidores. Os mais espertos saem na frente, os mais lerdos atrás. Ocorre uma explosão do câmbio que vai, digamos, para R$ 2,20. A desvalorização cambial pressiona alguns preços – produtos exportados e importados e tarifas públicas. Como consequência, a inflação sai um pouco ou muito da meta. Para combatê-la, o Banco Central aumenta os juros.
Completado o ciclo, os capitais que fugiram do país olham para trás e se dão conta de um novo quadro.
Com o dólar a R$ 2,20, as contas externas entram em ordem e risco externo diminui. Ele terá uma enorme possibilidade de ganho – com o dólar descendo de novo de R$ 2,00 para R$ 1,60 – e, agora, taxas maiores do BC remunerando seu dinheiro.
Esse ciclo vicioso tem exaurido as possibilidades de crescimento do país. E está se repetindo novamente. Será a herança maldita de Lula para seu sucessor.
Comentário: depois destas postagens, veio o novo imposto destinado a tentar salvar a indústria brasileira da doença holandesa.
Ibope - por Neves (blog do Nassif)
Da página do IBOPE:
“Quem Somos
Excelência, credibilidade e pioneirismo
Multinacional brasileira de capital privado, o IBOPE é uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina. Há 67 anos fornece um amplo conjunto de informações e estudos sobre mídia, opinião pública, intenção de voto, consumo, marca, comportamento e mercado”.
Como se vê, não há nada que credencie o Instituto, segundo suas próprias referências, em pesquisa sobre políticas públicas ou sociais.
Ele está tão habilitado para fazer pesquisa sobre Reforma Agrária quanto para fazer pesquisa sobre vacinas contra malária ou em dinâmica de partículas sub-atômicas.
Breve veremos o IBOPE “pesquisar” impactos sócio-ambientais de megaprojetos, perfuração em águas ultraprofundas, prevenção de epidemias, irrigação do semi-árido, políticas cambiais e outros campos de conhecimento sujeitos a polêmicas políticas e jogo partidário.
Desconsiderem o que o Instituto afirma sobre sua “excelência” e “credibilidade”. Fica apenas o pioneirismo de um instituto de pesquisa de opinião se aventurar em um campo que, na sua própria definição, não lhe compete.
Essa “pesquisa” divulgada sobre os assentamentos mostra de forma clara o caráter obscuro da manipulação político-partidária, para não chamá-la pelo nome correto: charlatanismo.
“Quem Somos
Excelência, credibilidade e pioneirismo
Multinacional brasileira de capital privado, o IBOPE é uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina. Há 67 anos fornece um amplo conjunto de informações e estudos sobre mídia, opinião pública, intenção de voto, consumo, marca, comportamento e mercado”.
Como se vê, não há nada que credencie o Instituto, segundo suas próprias referências, em pesquisa sobre políticas públicas ou sociais.
Ele está tão habilitado para fazer pesquisa sobre Reforma Agrária quanto para fazer pesquisa sobre vacinas contra malária ou em dinâmica de partículas sub-atômicas.
Breve veremos o IBOPE “pesquisar” impactos sócio-ambientais de megaprojetos, perfuração em águas ultraprofundas, prevenção de epidemias, irrigação do semi-árido, políticas cambiais e outros campos de conhecimento sujeitos a polêmicas políticas e jogo partidário.
Desconsiderem o que o Instituto afirma sobre sua “excelência” e “credibilidade”. Fica apenas o pioneirismo de um instituto de pesquisa de opinião se aventurar em um campo que, na sua própria definição, não lhe compete.
Essa “pesquisa” divulgada sobre os assentamentos mostra de forma clara o caráter obscuro da manipulação político-partidária, para não chamá-la pelo nome correto: charlatanismo.
A Camargo Correa e o jogo do indexador - por Luis Nassif
Aparentemente, a Camargo Correa está aplicando neste episódio a mesma jogada da Mendes Jr com a CHESF – que denunciei anos atrás e que me custou uma condenação de três meses de prisão dada pela juíza Érika Soares de Azevedo Mascarenhas, da 6ª Vara Criminal de São Paulo (posteriormente reformada em segunda instância) por ter taxado de “aventura jurídica” essa jogada. Aliás, na época recebi a solidariedade do Gilmar Mendes e do Marco Aurélio de Mello.
Consiste no seguinte:
1. Os contratos públicos prevêem multas por atraso. Em geral, as multas são pagas contratualmente.
2. A indústria das indenizações descobriu um caminho, que é negar os indexadores previstos em contrato e aplicar a correção pelo custo do dinheiro tomado no mercado financeiro. Com isso, a conta sobe para valores absurdos. Mais de um advogado recusou-se a endossar essa aventura, por considerá-la descabida. Principalmente porque se sabe que NENHUMA empresa – repito NENHUMA – tomaria dinheiro no hot money para cobrir eventuais atrasos de pagamento do governo. Mas as ações prescindiam dessas comprovações.
3. No caso da Mendes, o caso tramitou pela Justiça de Pernambuco – como no caso da Camargo, pela justiça estadual de de Brasília. Quando chegou ao Superior Tribunal de Justiça (no caso da Mendes), ordenou-se que a empresa provasse que tomou dinheiro em banco. E remeteu-se o caso de volta não mais para a Justiça de Pernambuco, mas para a Justiça Federal. Provavelmente o mesmo deverá ocorrer com o caso Camargo Correa. O caso CHESF só se inverteu depois que foi contratado o advogado José Paulo Cavalcanti. A defesa da CHESF, antes dele, estava praticamente entregando o caso. Aliás, um dia precisaremos reavivar os grandes casos dos anos 80 de ações milionárias do INSS contra grandes grupos, que foram extintas meramente por perda de prazo da União.
4. Mesmo assim, o objetivo da Mendes Jr foi alcançado. Pagou empréstimo do Banco Regional de Brasília com os direitos futuros sobre essa ação. E ofereceu a ação como garantia adicional de um refinanciamento no BNDES. De certo modo, repete-se o caso dos títulos do início do século. Monta-se uma ação e, mesmo sem ter certeza de vitória em última instância, vendem-se os direitos futuros dela. No caso da Mendes, para bancos públicos.
5. A ação que a Mendes moveu contra mim foi respaldada em um parecer do ex-Ministro da Justiça Miguel Reale Jr. Tive oportunidade de lhe dizer, na época, que, como homem público – ex-senador e ex-Ministro – ele estava respaldando uma ação que visava calar alguém que pretendia defender os recursos públicos.
6. Aliás, depois do STJ a ação voltou para Recife e a última notícia que soube é de um perito que tinha estimado a indenização em malucos R$ 100 bi. Alguém da CHESF poderia informar em que pé está a ação?
STJ livra, por ora, União de pagar multa de R$ 7 bi - por Felipe Seligman (Folha)
Caso deverá ser julgado novamente pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Ação judicial, iniciada em 94, obrigava a Eletronorte a pagar indenização a empresa de consultoria do grupo Camargo Corrêa
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou ontem decisão do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) que havia condenado a União a pagar indenização bilionária ao grupo Camargo Corrêa. O caso deverá ser julgado novamente pelo TJ.
Os ministros julgaram uma ação judicial iniciada em 1994. Trata-se de uma ação de cobrança indenizatória que obrigava a Eletronorte a pagar ao CNEC (Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores), empresa de consultoria do grupo Camargo Corrêa, uma quantia que, se atualizada, poderia chegar a R$ 7 bilhões,.
O caso, que teve início em dezembro de 1994, estava empatado em 2 a 2 na Segunda Turma do STJ. Os ministros Herman Benjamin e Eliana Calmon votaram a favor da Eletronorte; Mauro Campbell Marques, relator do caso, e Humberto Martins, a favor da Camargo Corrêa. O ministro Castro Meira, que desempataria a questão, declarou-se impedido para julgar, o que acabou por interromper o julgamento.
Por esse motivo, um colega que atua em outra Turma do tribunal, o ministro Luiz Fux, foi chamado para desempatar a questão. Ele acompanhou a posição de Benjamin e Calmon, que haviam dito que houve contradições e obscuridades no julgamento ocorrido no TJ-DF.
Agora, o caso deverá ser julgado novamente pelo TJ-DF.
Mas, segundo Ilmar Galvão, ex-ministro do STF que atua no caso em defesa da Eletronorte, se a União pedir para entrar formalmente no caso, o que não ocorreu até então, o processo deverá ser remetido à Justiça Federal em Brasília.
O CNEC prestou serviços ao setor elétrico público federal nas décadas de 70 e 80. Em 1991, a Eletronorte cancelou os contratos e, dois anos depois, realizou-se acerto de contas, no qual o CNEC deu quitação.
Em 1994, porém, a empresa entrou na Justiça cobrando indenização por “custos financeiros”. A empresa alegou que a Eletronorte atrasou pagamentos em época de inflação alta e que isso a obrigou a tomar recursos em bancos e que, portanto, aumentou seus custos.
A 5ª Vara Cível de Brasília tinha dado ganho de causa à Eletronorte, mas o CNEC recorreu ao TJ, que inverteu a decisão. O acórdão, decisão final do TJ, invocou argumentos jurídicos inusitados para a defesa, como aplicar ao CNEC a proteção ao hipossuficiente (economicamente fraco) e vulnerável, presente no Código de Defesa do Consumidor.
Apesar de não ter julgado o mérito da causa, Fux chegou a afirmar que o consórcio é “plenamente suficiente” e que, portanto, tal proteção não poderia ter sido aplicada.
Consiste no seguinte:
1. Os contratos públicos prevêem multas por atraso. Em geral, as multas são pagas contratualmente.
2. A indústria das indenizações descobriu um caminho, que é negar os indexadores previstos em contrato e aplicar a correção pelo custo do dinheiro tomado no mercado financeiro. Com isso, a conta sobe para valores absurdos. Mais de um advogado recusou-se a endossar essa aventura, por considerá-la descabida. Principalmente porque se sabe que NENHUMA empresa – repito NENHUMA – tomaria dinheiro no hot money para cobrir eventuais atrasos de pagamento do governo. Mas as ações prescindiam dessas comprovações.
3. No caso da Mendes, o caso tramitou pela Justiça de Pernambuco – como no caso da Camargo, pela justiça estadual de de Brasília. Quando chegou ao Superior Tribunal de Justiça (no caso da Mendes), ordenou-se que a empresa provasse que tomou dinheiro em banco. E remeteu-se o caso de volta não mais para a Justiça de Pernambuco, mas para a Justiça Federal. Provavelmente o mesmo deverá ocorrer com o caso Camargo Correa. O caso CHESF só se inverteu depois que foi contratado o advogado José Paulo Cavalcanti. A defesa da CHESF, antes dele, estava praticamente entregando o caso. Aliás, um dia precisaremos reavivar os grandes casos dos anos 80 de ações milionárias do INSS contra grandes grupos, que foram extintas meramente por perda de prazo da União.
4. Mesmo assim, o objetivo da Mendes Jr foi alcançado. Pagou empréstimo do Banco Regional de Brasília com os direitos futuros sobre essa ação. E ofereceu a ação como garantia adicional de um refinanciamento no BNDES. De certo modo, repete-se o caso dos títulos do início do século. Monta-se uma ação e, mesmo sem ter certeza de vitória em última instância, vendem-se os direitos futuros dela. No caso da Mendes, para bancos públicos.
5. A ação que a Mendes moveu contra mim foi respaldada em um parecer do ex-Ministro da Justiça Miguel Reale Jr. Tive oportunidade de lhe dizer, na época, que, como homem público – ex-senador e ex-Ministro – ele estava respaldando uma ação que visava calar alguém que pretendia defender os recursos públicos.
6. Aliás, depois do STJ a ação voltou para Recife e a última notícia que soube é de um perito que tinha estimado a indenização em malucos R$ 100 bi. Alguém da CHESF poderia informar em que pé está a ação?
STJ livra, por ora, União de pagar multa de R$ 7 bi - por Felipe Seligman (Folha)
Caso deverá ser julgado novamente pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Ação judicial, iniciada em 94, obrigava a Eletronorte a pagar indenização a empresa de consultoria do grupo Camargo Corrêa
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou ontem decisão do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) que havia condenado a União a pagar indenização bilionária ao grupo Camargo Corrêa. O caso deverá ser julgado novamente pelo TJ.
Os ministros julgaram uma ação judicial iniciada em 1994. Trata-se de uma ação de cobrança indenizatória que obrigava a Eletronorte a pagar ao CNEC (Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores), empresa de consultoria do grupo Camargo Corrêa, uma quantia que, se atualizada, poderia chegar a R$ 7 bilhões,.
O caso, que teve início em dezembro de 1994, estava empatado em 2 a 2 na Segunda Turma do STJ. Os ministros Herman Benjamin e Eliana Calmon votaram a favor da Eletronorte; Mauro Campbell Marques, relator do caso, e Humberto Martins, a favor da Camargo Corrêa. O ministro Castro Meira, que desempataria a questão, declarou-se impedido para julgar, o que acabou por interromper o julgamento.
Por esse motivo, um colega que atua em outra Turma do tribunal, o ministro Luiz Fux, foi chamado para desempatar a questão. Ele acompanhou a posição de Benjamin e Calmon, que haviam dito que houve contradições e obscuridades no julgamento ocorrido no TJ-DF.
Agora, o caso deverá ser julgado novamente pelo TJ-DF.
Mas, segundo Ilmar Galvão, ex-ministro do STF que atua no caso em defesa da Eletronorte, se a União pedir para entrar formalmente no caso, o que não ocorreu até então, o processo deverá ser remetido à Justiça Federal em Brasília.
O CNEC prestou serviços ao setor elétrico público federal nas décadas de 70 e 80. Em 1991, a Eletronorte cancelou os contratos e, dois anos depois, realizou-se acerto de contas, no qual o CNEC deu quitação.
Em 1994, porém, a empresa entrou na Justiça cobrando indenização por “custos financeiros”. A empresa alegou que a Eletronorte atrasou pagamentos em época de inflação alta e que isso a obrigou a tomar recursos em bancos e que, portanto, aumentou seus custos.
A 5ª Vara Cível de Brasília tinha dado ganho de causa à Eletronorte, mas o CNEC recorreu ao TJ, que inverteu a decisão. O acórdão, decisão final do TJ, invocou argumentos jurídicos inusitados para a defesa, como aplicar ao CNEC a proteção ao hipossuficiente (economicamente fraco) e vulnerável, presente no Código de Defesa do Consumidor.
Apesar de não ter julgado o mérito da causa, Fux chegou a afirmar que o consórcio é “plenamente suficiente” e que, portanto, tal proteção não poderia ter sido aplicada.
A economia e o discurso público - por Luis Nassif
Coluna Econômica – 21/10/2009
Na cerimônia de premiação das empresas mais respeitadas do Brasil – pela revista Carta Capital – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou mais alguns pontos na definição do novo modelo de desenvolvimento brasileiro.
É curioso como se processam essas mudanças. O Lula que discursou no evento nada tem a ver com o Lula do início do governo, a não ser no pragmatismo e na capacidade de análise da realidade. Não é um intelectual, um formulador – nem é seu papel. Mas consegue sintetizar o novo modelo de desenvolvimento com uma linguagem tal que pode ser entendido pelo especialista e pelo mais humilde brasileiro.
***JK conseguiu esse primor de síntese com seus “cinquenta anos em cinco”. Não era apenas o slogan, mas o sentido de urgência que imprimia em todos seus discursos. O país já tinha preparado as bases para um crescimento acelerado – com exceção do câmbio que estava apreciado. Getúlio Vargas tinha construído grandes estatais – CSN, Eletrobras -, a infraestrutura inicial estava plantada e, agora, a questão era crescer.
***
Outro momento célebre foi a declaração de Fernando Collor sobre as “carroças”. Na década anterior houve exagero no fechamento da economia, na estatização e na burocratização, levando ao envelhecimento do parque industrial brasileiro. A expressão rapidamente ganhou corações e mentes do país.
***
O momento atual é muito mais complexo do que os anteriores – porque o Brasil é muito maior do que era vinte ou cinquenta anos atrás. O grande desafio é entender o país como a soma de todas as partes, a inclusão de todos os agentes.
Foi isso que Lula trouxe em seu discurso. Primeiro, enfatizou valores irreversíveis: defesa da estabilidade monetária e fiscal, responsabilidade na condução da política econômica.
Depois, começou a juntar as peças que compõem o novo quadro do país. Mostrou que, ao levar as políticas assistenciais aos excluídos, tornou-os consumidores. E eles passaram a consumir chocolate da Nestlé (dirigindo-se ao presidente da empresa Ivan Zurita), cremes da Natura (o mesmo em direção à empresa), eletrodomésticos”.
***
Depois, narrou a história da senhora que, no canal do São Francisco, vendia copos de guaraná. Um ano depois, com a movimentação econômica trazida pelas obras, foi ampliando as vendas, passou a vender refeições, comprou um carro e, na última declaração de renda, pagou 5 mil de imposto.
***
Na diplomacia, relembrou seu passado sindicalista. Para receber respeito dos interlocutores, tem que conversar de cabeça erguida. Manifestou sua profunda crença no modo de ser brasileiro.Finalmente, revelou porque surgiu esse novo Lula – que, na verdade, emerge apenas após a grande crise mundial do ano passado. É que todos os dogmas foram revirados de cabeça para baixo. Os expelidores de regras – FMI, bancos estrangeiros – de repente se viram sem discurso. E isso abriu caminho para um conjunto de medidas que, não tivesse Lula sido tão excessivamente cauteloso, poderia ter sido adotadas anos atrás, evitando o desperdício de tantos anos de crescimento rastejante.
O pedágio anti-bolha
A criação da alíquota de 2% para aplicações estrangeiras em renda fixa e ações é um “pedágio” para impedir o surgimento de uma bolha especulativa na Bolsa brasileira, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro afirmou que o objetivo é “evitar excessos de modo a não causar uma bolha na bolsa de mercadorias e de modo a não causar uma sobrevalorização do real, porque isso causa danos para a produção brasileira”.
IOF afasta investimentos
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para capital estrangeiro vai inibir os investimentos em ações, diz o economista Márcio Garcia. Como exemplo, cita a Petrobras, que negocia ações nos mercados brasileiro e norte-americano por meio de ADRs (recibos de ações brasileiras nos EUA, isentas do imposto). “Isso (o IOF) vai fazer com que as empresas prefiram fazer ADRs a fazer lançamentos na Bolsa brasileira”, argumentou.
A quarta maior economia
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil pode superar a projeção do Banco Mundial de ser a quinta maior economia do mundo até as Olimpíadas de 2016, no Rio do Janeiro. “Não temos pretensão de ser a primeira (economia), mas podemos estar entre as quatro maiores economias do mundo sem inventar”, disse, ressaltando que a receita do crescimento será a distribuição de renda e os investimentos do setor privado.
Na cerimônia de premiação das empresas mais respeitadas do Brasil – pela revista Carta Capital – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou mais alguns pontos na definição do novo modelo de desenvolvimento brasileiro.
É curioso como se processam essas mudanças. O Lula que discursou no evento nada tem a ver com o Lula do início do governo, a não ser no pragmatismo e na capacidade de análise da realidade. Não é um intelectual, um formulador – nem é seu papel. Mas consegue sintetizar o novo modelo de desenvolvimento com uma linguagem tal que pode ser entendido pelo especialista e pelo mais humilde brasileiro.
***JK conseguiu esse primor de síntese com seus “cinquenta anos em cinco”. Não era apenas o slogan, mas o sentido de urgência que imprimia em todos seus discursos. O país já tinha preparado as bases para um crescimento acelerado – com exceção do câmbio que estava apreciado. Getúlio Vargas tinha construído grandes estatais – CSN, Eletrobras -, a infraestrutura inicial estava plantada e, agora, a questão era crescer.
***
Outro momento célebre foi a declaração de Fernando Collor sobre as “carroças”. Na década anterior houve exagero no fechamento da economia, na estatização e na burocratização, levando ao envelhecimento do parque industrial brasileiro. A expressão rapidamente ganhou corações e mentes do país.
***
O momento atual é muito mais complexo do que os anteriores – porque o Brasil é muito maior do que era vinte ou cinquenta anos atrás. O grande desafio é entender o país como a soma de todas as partes, a inclusão de todos os agentes.
Foi isso que Lula trouxe em seu discurso. Primeiro, enfatizou valores irreversíveis: defesa da estabilidade monetária e fiscal, responsabilidade na condução da política econômica.
Depois, começou a juntar as peças que compõem o novo quadro do país. Mostrou que, ao levar as políticas assistenciais aos excluídos, tornou-os consumidores. E eles passaram a consumir chocolate da Nestlé (dirigindo-se ao presidente da empresa Ivan Zurita), cremes da Natura (o mesmo em direção à empresa), eletrodomésticos”.
***
Depois, narrou a história da senhora que, no canal do São Francisco, vendia copos de guaraná. Um ano depois, com a movimentação econômica trazida pelas obras, foi ampliando as vendas, passou a vender refeições, comprou um carro e, na última declaração de renda, pagou 5 mil de imposto.
***
Na diplomacia, relembrou seu passado sindicalista. Para receber respeito dos interlocutores, tem que conversar de cabeça erguida. Manifestou sua profunda crença no modo de ser brasileiro.Finalmente, revelou porque surgiu esse novo Lula – que, na verdade, emerge apenas após a grande crise mundial do ano passado. É que todos os dogmas foram revirados de cabeça para baixo. Os expelidores de regras – FMI, bancos estrangeiros – de repente se viram sem discurso. E isso abriu caminho para um conjunto de medidas que, não tivesse Lula sido tão excessivamente cauteloso, poderia ter sido adotadas anos atrás, evitando o desperdício de tantos anos de crescimento rastejante.
O pedágio anti-bolha
A criação da alíquota de 2% para aplicações estrangeiras em renda fixa e ações é um “pedágio” para impedir o surgimento de uma bolha especulativa na Bolsa brasileira, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro afirmou que o objetivo é “evitar excessos de modo a não causar uma bolha na bolsa de mercadorias e de modo a não causar uma sobrevalorização do real, porque isso causa danos para a produção brasileira”.
IOF afasta investimentos
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para capital estrangeiro vai inibir os investimentos em ações, diz o economista Márcio Garcia. Como exemplo, cita a Petrobras, que negocia ações nos mercados brasileiro e norte-americano por meio de ADRs (recibos de ações brasileiras nos EUA, isentas do imposto). “Isso (o IOF) vai fazer com que as empresas prefiram fazer ADRs a fazer lançamentos na Bolsa brasileira”, argumentou.
A quarta maior economia
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil pode superar a projeção do Banco Mundial de ser a quinta maior economia do mundo até as Olimpíadas de 2016, no Rio do Janeiro. “Não temos pretensão de ser a primeira (economia), mas podemos estar entre as quatro maiores economias do mundo sem inventar”, disse, ressaltando que a receita do crescimento será a distribuição de renda e os investimentos do setor privado.
O supremo falastrão e a segurança pública - Por alfredo machado (blog do Nassif)
Nassif:
Impressionante o senhor GM, pois sendo ele o presidente do STF, chama atenção a sua desmedida atração pelos holofotes; demonstra capacidade para opinar sobre qualquer assunto – é capaz de dar palpite sobre o resultado do jogo do bicho, a meteorologia ou mesmo interpelar Dunga sobre a escalação da seleção, enfim, não tem qualquer limite; não me recordo de semelhante a partir de um membro do STF, não necessariamente o seu presidente.
Hoje, seu palpite (poderia ser o meu) foi sobre o grau de responsabilidade das instâncias federal e estadual pela chegada de armamentos estrangeiros às grandes capitais, notadamente Rio e São Paulo, aproveitando então para “arremessar a bola” para o governo federal.
Como GM é personagem de indiscutível importância, em função da cadeira que ocupa na mais alta corte do país, pressupõe-se que seja pessoa bastante esclarecida e amante da sequencia correta dos fatos, logo, ao invés de apenas reclamar sobre as efetivas responsabilidades do governo federal quanto ao controle das fronteiras do país, tem por obrigação não esquecer que, para a existência do tráfico de armas e drogas é imprescindível muito dinheiro, em quantidade suficiente para não ser possível movimentação física do mesmo (são milhões e milhões de dólares que vão prá cá e prá lá), ou seja, o primeiríssimo passo para o combate à entrada de armas e drogas no país é a busca pela identificação do caminho do numerário, pois sem dinheiro não existe negócio, não existe tráfico de nada – não me recordo, nunca ouvi falar de malas de dinheiro subindo e descendo das favelas cariocas ou paulistas, nunca ouvi falar de apreensão de significativa quantidade de dinheiro nas centenas de batidas policiais aos pontos de tráfico.
Por isto, entendo que as preocupações do presidente do STF, na próxima entrevista televisiva sobre o assunto deveriam começar pelo começo, isto é, pelo rastro deixado pelo dinheiro (investigações de serviço de inteligência poderiam levar a inúmeras quebras de sigilo bancário), algo que, estranhamente, nunca foi levado em consideração por aqueles que demonstram preocupação com a questão.
Senhor GM, SIGA O DINHEIRO.
Impressionante o senhor GM, pois sendo ele o presidente do STF, chama atenção a sua desmedida atração pelos holofotes; demonstra capacidade para opinar sobre qualquer assunto – é capaz de dar palpite sobre o resultado do jogo do bicho, a meteorologia ou mesmo interpelar Dunga sobre a escalação da seleção, enfim, não tem qualquer limite; não me recordo de semelhante a partir de um membro do STF, não necessariamente o seu presidente.
Hoje, seu palpite (poderia ser o meu) foi sobre o grau de responsabilidade das instâncias federal e estadual pela chegada de armamentos estrangeiros às grandes capitais, notadamente Rio e São Paulo, aproveitando então para “arremessar a bola” para o governo federal.
Como GM é personagem de indiscutível importância, em função da cadeira que ocupa na mais alta corte do país, pressupõe-se que seja pessoa bastante esclarecida e amante da sequencia correta dos fatos, logo, ao invés de apenas reclamar sobre as efetivas responsabilidades do governo federal quanto ao controle das fronteiras do país, tem por obrigação não esquecer que, para a existência do tráfico de armas e drogas é imprescindível muito dinheiro, em quantidade suficiente para não ser possível movimentação física do mesmo (são milhões e milhões de dólares que vão prá cá e prá lá), ou seja, o primeiríssimo passo para o combate à entrada de armas e drogas no país é a busca pela identificação do caminho do numerário, pois sem dinheiro não existe negócio, não existe tráfico de nada – não me recordo, nunca ouvi falar de malas de dinheiro subindo e descendo das favelas cariocas ou paulistas, nunca ouvi falar de apreensão de significativa quantidade de dinheiro nas centenas de batidas policiais aos pontos de tráfico.
Por isto, entendo que as preocupações do presidente do STF, na próxima entrevista televisiva sobre o assunto deveriam começar pelo começo, isto é, pelo rastro deixado pelo dinheiro (investigações de serviço de inteligência poderiam levar a inúmeras quebras de sigilo bancário), algo que, estranhamente, nunca foi levado em consideração por aqueles que demonstram preocupação com a questão.
Senhor GM, SIGA O DINHEIRO.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Sobre laranjas e pessoas – por Eduardo Guimarães (blog Cidadania)
O processo civilizatório ainda tem muito que caminhar no Brasil, pois uma sociedade só é civilizada quando os interesses comerciais de grupos econômicos não se sobrepõem ao bem estar social.
No Velho Mundo, por exemplo, atingiu-se um estágio civilizatório em que esse bem estar social se sobrepõe aos interesses comerciais e corporativos. Não existe um país considerado civilizado em que pessoas valem menos do que frutas destinadas à comercialização.
No dia 24 de agosto, para atender demanda judicial de uma empresa de ônibus de São Paulo, a Polícia Militar, sob ordem do governador José Serra, derrubou barracos de OITOCENTAS famílias numa favela incrustada no bairro de Capão Redondo.
As famílias (crianças, mulheres, idosos) foram jogadas na sarjeta, puseram-se a perambular pelas ruas da cidade em pleno inverno, passando frio e fome, e ninguém pediu CPI, muito menos a mídia. Uma mulher favelada chegou a ter o filho roubado no meio da confusão.
Na semana passada, porém, a indignação midiática foi às nuvens com a destruição de pés de laranja por membros do MST em terra invadida pela empresa fabricante de suco de laranja Cutrale.
O Incra diz que a Cutrale invadiu aquela terra e ali cultiva laranjas ilegalmente, pois, tanto quanto as famílias do Capão Redondo, não pagou pela terra. Na reintegração de posse popular, porém, a mídia e os partidos de direita no Congresso defendem os invasores.
Este é o sistema capitalista mais selvagem que se pode conceber, no qual o ser humano vale menos do que pés de laranja. Em nenhum país civilizado famílias inteiras são jogadas na sarjeta sem que o Estado manifeste a menor preocupação com o destino delas.
É possível uma sociedade capitalista respeitar mais as pessoas do que os interesses comerciais. Vários países fazem isso. Esses episódios de destruição de pés de laranja e de moradias de famílias pobres mostram quão distantes ainda estamos da civilização plena.
No Velho Mundo, por exemplo, atingiu-se um estágio civilizatório em que esse bem estar social se sobrepõe aos interesses comerciais e corporativos. Não existe um país considerado civilizado em que pessoas valem menos do que frutas destinadas à comercialização.
No dia 24 de agosto, para atender demanda judicial de uma empresa de ônibus de São Paulo, a Polícia Militar, sob ordem do governador José Serra, derrubou barracos de OITOCENTAS famílias numa favela incrustada no bairro de Capão Redondo.
As famílias (crianças, mulheres, idosos) foram jogadas na sarjeta, puseram-se a perambular pelas ruas da cidade em pleno inverno, passando frio e fome, e ninguém pediu CPI, muito menos a mídia. Uma mulher favelada chegou a ter o filho roubado no meio da confusão.
Na semana passada, porém, a indignação midiática foi às nuvens com a destruição de pés de laranja por membros do MST em terra invadida pela empresa fabricante de suco de laranja Cutrale.
O Incra diz que a Cutrale invadiu aquela terra e ali cultiva laranjas ilegalmente, pois, tanto quanto as famílias do Capão Redondo, não pagou pela terra. Na reintegração de posse popular, porém, a mídia e os partidos de direita no Congresso defendem os invasores.
Este é o sistema capitalista mais selvagem que se pode conceber, no qual o ser humano vale menos do que pés de laranja. Em nenhum país civilizado famílias inteiras são jogadas na sarjeta sem que o Estado manifeste a menor preocupação com o destino delas.
É possível uma sociedade capitalista respeitar mais as pessoas do que os interesses comerciais. Vários países fazem isso. Esses episódios de destruição de pés de laranja e de moradias de famílias pobres mostram quão distantes ainda estamos da civilização plena.
Esclarecimentos sobre os últimos episódios veiculados pela mídia - MST informa
Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.
1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.
A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.
4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.
5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.
6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.
7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.
8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.
9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.
10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.
À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.
Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009
DIREÇÃO NACIONAL DO MST
1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.
A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.
4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.
5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.
6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.
7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.
8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.
9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.
10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.
À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.
Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009
DIREÇÃO NACIONAL DO MST
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Rosa dos Ventos - por Mauricio Dias (Cartacapital)
Como já era esperado, o senador tucano Tasso Jereissati apresentou um relatório contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, proposta em um Contrato de Adesão que tramita no Congresso desde julho de 2006.
Na reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado, no dia 1º de outubro, quando Jereissati leu o parecer que fez, não apanhou ninguém de surpresa. Era uma carta já marcada. O relator, por exemplo, ausentou-se das sessões em que os depoentes apresentaram argumentos e informações divergentes dos palpites dele sobre a questão.
O que representam o relatório e o comportamento de Jereissati?
“Um ato hostil a um país com quem o Brasil tem aprofundado laços não apenas econômicos, mas também culturais e científicos. Lamentavelmente, o parecer não é apenas diplomaticamente equivocado. É também irresponsável”, responde o professor Fabiano Santos, coordenador do Núcleo de Estudos Sobre o Congresso (Necon/Iuperj), que faz acompanhamentos das comissões do Parlamento que tratam de temas relevantes para a inserção internacional do Brasil.
Segundo Fabiano Santos os dados do comércio entre Brasil e Venezuela nos últimos nove anos (gráfico) mostram “o tamanho da irresponsabilidade do relator”.
A aproximação comercial com a Venezuela é francamente favorável ao Brasil. Nos últimos dez anos, as exportações para a Venezuela aumentaram 858%, passando de 536,7 milhões de dólares, em 1999, para 4,6 bilhões de dólares em 2008. No ano passado, o Brasil teve um superávit comercial com os EUA de 1,8 bilhão de dólares. Com a crise, a Venezuela passou a representar 29% de todo o saldo da balança comercial brasileira. Dos 3 bilhões de dólares do saldo da balança, neste ano, 878 milhões de dólares vieram de negócios com os venezuelanos.
“A irresponsabilidade da rejeição do Protocolo de Adesão é ainda maior no campo político. O relatório de Jereissati, que evidencia uma forte preocupação com a fragilidade da democracia naquele país, sugere, como terapia, o isolamento político, negligenciando o potencial de contenção institucional que a inclusão ao Mercosul poderia ter, em um contexto em que tanto Chávez quanto a oposição se veem enredados em estratégias de radicalização política”, explica o coordenador do Necon.
Esse ponto provocou a indignação do senador Pedro Simon, durante acalorado debate com Jereissati. Em um momento de retorno aos seus melhores desempenhos na tribuna, Simon lembrou que “com a Venezuela dentro do Mercosul” haveria condição, na avaliação dele, “de garantir a democracia naquele país”.
Simon acredita que a posição do tucano Jereissati “favorece interesses contrários à integração continental, principalmente os norte-americanos”.
Mas não seria essa a motivação do senador Jereissati?
::
Andante mosso
Ladeira abaixo e...
O resultado de uma sondagem de opinião do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), feita dia 21 de setembro, no Rio de Janeiro, mostra a dificuldade da candidatura do governador José Serra no estado.
A série do IBPS, iniciada em março, aponta para uma queda constante do nome do pré-candidato tucano: ele caiu de 30% para 22%.
Foram feitas 2006 entrevistas telefônicas representativas do eleitorado fluminense, distribuídas por critérios de sexo, idade e localização geográfica. A margem de erro é de 2,2%
... sem palanque
Além disso, com a candidatura presidencial de Marina Silva (PV) ruiu o palanque que se armava para Serra, cujo pilar seria a candidatura de Fernando Gabeira ao governo do estado.
O PSDB não tem alternativa consistente. O prefeito tucano Zito, de Caxias, na Baixada Fluminense, está totalmente envolvido nos planos eleitorais do PMDB. Já declarou apoio à candidatura ao Senado do deputado estadual Jorge Picciani.
Zito receberá R$ 32 milhões do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Município (Padem), após convênio firmado com Sérgio Cabral, candidato à reeleição.
A prefeitura municipal respira com oxigênio do governo estadual.
Nó diplomático
O Brasil deu um nó nos golpistas de Honduras.
Não definiu o status de Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira, sob pena de admitir o golpe, e nem reconhecerá o vencedor da disputa presidencial de novembro, caso o presidente deposto não reassuma o poder antes do pleito.
Não há, portanto, como negociar para que Zelaya reassuma só após a eleição.
Há apoio da comunidade internacional para as duas decisões.
Eleição rubro-negra
É grande o número de candidatos à presidência do Flamengo, na eleição marcada para novembro. Havia, originalmente, nove candidatos. Sobraram sete.
Já que a dívida do clube ultrapassa a casa dos R$ 300 milhões é de se perguntar: por que tanta gente quer o comando dessa massa falida?
A resposta é simples: o poder oferece muitas recompensas.
Sarapatel baiano
Vieira da Cunha, presidente nacional do PDT, avisa que o partido não vai abrir mão do comando da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.
Severiano Alves, pedetista que presidia a Comissão, filiou-se ao PMDB depois que a direção do PDT interveio no diretório baiano para manter a coligação com o PT para a eleição de 2010.
Alves namorava a vaga de vice-governador na chapa do peemedebista Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional.
Família Mendes
O ex-prefeito de Diamantino Francisco Ferreira Mendes Junior, o Chico Mendes, foi multado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso em R$ 27.863,29, por irregularidades administrativas no exercício de 2008.
Algumas delas foram classificadas como de “natureza gravíssima”.
Chico Mendes é irmão mais novo do presidente do STF, Gilmar Mendes.
Cena intrigante
No sábado 3, os jornais cariocas traziam dois registros envolvendo policiais militares.
Um deles foi ferido pela explosão de uma granada dentro do carro, no subúrbio de Bento Ribeiro. O outro, já na reserva, foi preso com uma pistola 9 mm, no porta-luvas do carro, em Copacabana.
Dirigiam, respectivamente, uma Hilux blindada (225 mil reais/modelo 2009) e uma picape Nissan (125 mil reais/modelo Luxury 2009).
Os PMs que patrulham as ruas cariocas ganham em torno de mil reais e, recentemente, fizeram passeata por aumento de salário.
::
Vida no cárcere
Em busca do preso perdido
O mundo estranho dos presídios brasileiros pode tornar-se mais conhecido e entendido, a partir de agora, com o método de pesquisa desenvolvido pelo antropólogo Cláudio Gama, do Instituto de Pesquisas Mapear.
Como a legislação proíbe o contato direto com o entrevistado e veta o uso de caneta, além do analfabetismo e da dificuldade de interpretação de uma parte dos presos, criou-se uma barreira intransponível para os pesquisadores.
Gama descobriu como saltar o obstáculo. Reuniu grupos de presos, num total de 80, em um mesmo ambiente, distantes 1,5 metro um do outro e distribuiu cartelas coloridas. Cada cor significava uma resposta para cada item do questionário. As cartelas foram depositadas em urnas individuais e, posteriormente, tabuladas.
Simples e engenhosa, a pesquisa foi aplicada a pedido do grupo F4, que reúne o Afro Reggae, a Central Única de Favelas, o Nós do Morro e o Observatório das Favelas, cujo objetivo era avaliar a Rebelião Cultural. Um trabalho que oferece oficinas de artes e esportes aos presos de Bangu 2, 3, 4 e Talavera Bruce, no Rio de Janeiro.
Em linhas gerais, os detentos consideraram que o programa ajuda a aliviar a tensão nos presídios e, principalmente, abre perspectiva de trabalho após o cumprimento da pena.
Na reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado, no dia 1º de outubro, quando Jereissati leu o parecer que fez, não apanhou ninguém de surpresa. Era uma carta já marcada. O relator, por exemplo, ausentou-se das sessões em que os depoentes apresentaram argumentos e informações divergentes dos palpites dele sobre a questão.
O que representam o relatório e o comportamento de Jereissati?
“Um ato hostil a um país com quem o Brasil tem aprofundado laços não apenas econômicos, mas também culturais e científicos. Lamentavelmente, o parecer não é apenas diplomaticamente equivocado. É também irresponsável”, responde o professor Fabiano Santos, coordenador do Núcleo de Estudos Sobre o Congresso (Necon/Iuperj), que faz acompanhamentos das comissões do Parlamento que tratam de temas relevantes para a inserção internacional do Brasil.
Segundo Fabiano Santos os dados do comércio entre Brasil e Venezuela nos últimos nove anos (gráfico) mostram “o tamanho da irresponsabilidade do relator”.
A aproximação comercial com a Venezuela é francamente favorável ao Brasil. Nos últimos dez anos, as exportações para a Venezuela aumentaram 858%, passando de 536,7 milhões de dólares, em 1999, para 4,6 bilhões de dólares em 2008. No ano passado, o Brasil teve um superávit comercial com os EUA de 1,8 bilhão de dólares. Com a crise, a Venezuela passou a representar 29% de todo o saldo da balança comercial brasileira. Dos 3 bilhões de dólares do saldo da balança, neste ano, 878 milhões de dólares vieram de negócios com os venezuelanos.
“A irresponsabilidade da rejeição do Protocolo de Adesão é ainda maior no campo político. O relatório de Jereissati, que evidencia uma forte preocupação com a fragilidade da democracia naquele país, sugere, como terapia, o isolamento político, negligenciando o potencial de contenção institucional que a inclusão ao Mercosul poderia ter, em um contexto em que tanto Chávez quanto a oposição se veem enredados em estratégias de radicalização política”, explica o coordenador do Necon.
Esse ponto provocou a indignação do senador Pedro Simon, durante acalorado debate com Jereissati. Em um momento de retorno aos seus melhores desempenhos na tribuna, Simon lembrou que “com a Venezuela dentro do Mercosul” haveria condição, na avaliação dele, “de garantir a democracia naquele país”.
Simon acredita que a posição do tucano Jereissati “favorece interesses contrários à integração continental, principalmente os norte-americanos”.
Mas não seria essa a motivação do senador Jereissati?
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Andante mosso
Ladeira abaixo e...
O resultado de uma sondagem de opinião do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), feita dia 21 de setembro, no Rio de Janeiro, mostra a dificuldade da candidatura do governador José Serra no estado.
A série do IBPS, iniciada em março, aponta para uma queda constante do nome do pré-candidato tucano: ele caiu de 30% para 22%.
Foram feitas 2006 entrevistas telefônicas representativas do eleitorado fluminense, distribuídas por critérios de sexo, idade e localização geográfica. A margem de erro é de 2,2%
... sem palanque
Além disso, com a candidatura presidencial de Marina Silva (PV) ruiu o palanque que se armava para Serra, cujo pilar seria a candidatura de Fernando Gabeira ao governo do estado.
O PSDB não tem alternativa consistente. O prefeito tucano Zito, de Caxias, na Baixada Fluminense, está totalmente envolvido nos planos eleitorais do PMDB. Já declarou apoio à candidatura ao Senado do deputado estadual Jorge Picciani.
Zito receberá R$ 32 milhões do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Município (Padem), após convênio firmado com Sérgio Cabral, candidato à reeleição.
A prefeitura municipal respira com oxigênio do governo estadual.
Nó diplomático
O Brasil deu um nó nos golpistas de Honduras.
Não definiu o status de Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira, sob pena de admitir o golpe, e nem reconhecerá o vencedor da disputa presidencial de novembro, caso o presidente deposto não reassuma o poder antes do pleito.
Não há, portanto, como negociar para que Zelaya reassuma só após a eleição.
Há apoio da comunidade internacional para as duas decisões.
Eleição rubro-negra
É grande o número de candidatos à presidência do Flamengo, na eleição marcada para novembro. Havia, originalmente, nove candidatos. Sobraram sete.
Já que a dívida do clube ultrapassa a casa dos R$ 300 milhões é de se perguntar: por que tanta gente quer o comando dessa massa falida?
A resposta é simples: o poder oferece muitas recompensas.
Sarapatel baiano
Vieira da Cunha, presidente nacional do PDT, avisa que o partido não vai abrir mão do comando da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.
Severiano Alves, pedetista que presidia a Comissão, filiou-se ao PMDB depois que a direção do PDT interveio no diretório baiano para manter a coligação com o PT para a eleição de 2010.
Alves namorava a vaga de vice-governador na chapa do peemedebista Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional.
Família Mendes
O ex-prefeito de Diamantino Francisco Ferreira Mendes Junior, o Chico Mendes, foi multado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso em R$ 27.863,29, por irregularidades administrativas no exercício de 2008.
Algumas delas foram classificadas como de “natureza gravíssima”.
Chico Mendes é irmão mais novo do presidente do STF, Gilmar Mendes.
Cena intrigante
No sábado 3, os jornais cariocas traziam dois registros envolvendo policiais militares.
Um deles foi ferido pela explosão de uma granada dentro do carro, no subúrbio de Bento Ribeiro. O outro, já na reserva, foi preso com uma pistola 9 mm, no porta-luvas do carro, em Copacabana.
Dirigiam, respectivamente, uma Hilux blindada (225 mil reais/modelo 2009) e uma picape Nissan (125 mil reais/modelo Luxury 2009).
Os PMs que patrulham as ruas cariocas ganham em torno de mil reais e, recentemente, fizeram passeata por aumento de salário.
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Vida no cárcere
Em busca do preso perdido
O mundo estranho dos presídios brasileiros pode tornar-se mais conhecido e entendido, a partir de agora, com o método de pesquisa desenvolvido pelo antropólogo Cláudio Gama, do Instituto de Pesquisas Mapear.
Como a legislação proíbe o contato direto com o entrevistado e veta o uso de caneta, além do analfabetismo e da dificuldade de interpretação de uma parte dos presos, criou-se uma barreira intransponível para os pesquisadores.
Gama descobriu como saltar o obstáculo. Reuniu grupos de presos, num total de 80, em um mesmo ambiente, distantes 1,5 metro um do outro e distribuiu cartelas coloridas. Cada cor significava uma resposta para cada item do questionário. As cartelas foram depositadas em urnas individuais e, posteriormente, tabuladas.
Simples e engenhosa, a pesquisa foi aplicada a pedido do grupo F4, que reúne o Afro Reggae, a Central Única de Favelas, o Nós do Morro e o Observatório das Favelas, cujo objetivo era avaliar a Rebelião Cultural. Um trabalho que oferece oficinas de artes e esportes aos presos de Bangu 2, 3, 4 e Talavera Bruce, no Rio de Janeiro.
Em linhas gerais, os detentos consideraram que o programa ajuda a aliviar a tensão nos presídios e, principalmente, abre perspectiva de trabalho após o cumprimento da pena.
Diferenças no enfrentamento da crise - por Eduardo Marques
Muito tem sido dito, ultimamente, sobre as possíveis semelhanças de projetos entre as candidaturas tucana e petista em 2010. O período de crise pelo qual o Brasil passou, porém, revelou-se importante para fazermos um balanço sobre as reais diferenças de projetos que estarão em jogo no ano que vem.
O Governo Lula, para enfrentar a crise, reduziu alíquotas de impostos, aumentou o gasto público, baixou os juros e ampliou o crédito público, implantando uma política tributária, fiscal, monetária e creditícia anti-recessiva, promovendo diretamente e financiando a produção e o consumo. Também manteve e aprofundou as políticas sociais de transferência de renda. Esta agenda tirou o país da crise rapidamente.
No Governo Serra, a venda do patrimônio público, o “arrocho salarial”, o congelamento dos recursos para financiamento da produção e o aumento da carga tributária permaneceram como elementos centrais da administração tucana. Uma política tributária, fiscal e creditícia irresponsável, aprofundando a crise econômica. A insistência nesta agenda ultrapassada foi definida pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do Governo Lula, em reportagem recente (O Estado de São Paulo, 2/10/2009), como “terrorismo fiscal”.
As diferenças entre o Governo Lula e o Governo Serra no enfrentamento da crise econômica revelam, na verdade, profundas diferenças na concepção de ambos em relação ao papel do poder público.
Para o Governo Lula, o poder público pode e deve atuar fortemente na garantia do desenvolvimento social e econômico do país.
Já a agenda tucana tem como eixo principal o Ajuste Fiscal Permanente iniciado em 1997, com a assinatura do Acordo da Dívida do Estado de São Paulo com a União. Naquele momento, Mário Covas se comprometeu a aumentar a arrecadação, cortar gastos (sobretudo com o funcionalismo público), vender o patrimônio público (privatizar), não realizar novas operações de crédito e reduzir os investimentos. Buscava-se, deste modo, ampliar o superávit primário, gerando recursos para o pagamento dos encargos da dívida pública.
De lá para cá, quase nada mudou na agenda dos governos tucanos no Estado de São Paulo, nem durante a grave crise econômica e financeira pela qual o país passou no final de 2008 e princípio de 2009.
Para sermos mais precisos, as diferenças entre Lula e Serra no enfrentamento da crise econômica e financeira recente podem ser apresentadas em quatro pontos:
• Política tributária: enquanto o Governo Lula reduziu a alíquota de impostos federais, como o IPI, para setores econômicos com grande impacto na produção, na geração de emprego e na renda – como no caso da indústria automobilística, no setor de material de construção e no setor de eletrodomésticos da chamada “linha branca” -, o Governo Serra ampliou para dezenas de setores o mecanismo da substituição (antecipação) tributária do ICMS, cobrando impostos sobre as empresas sem que estas tivessem efetivamente vendido seus produtos, retirando recursos do caixa das empresas no auge da crise, desestimulando as vendas promocionais no setor atacadista e varejista e prejudicando as micro e pequenas empresas.
• Compensação aos municípios: o Governo Lula implantou medidas de compensação aos municípios pela queda na arrecadação e nas transferências do Fundo de Participação dos Municípios/FPM. A compensação foi de R$ 1 bilhão, assegurando-se o repasse dos mesmos valores de 2008, recorde histórico do FPM. O Governo Serra não criou nenhuma medida de compensação aos municípios pela queda dos repasses do ICMS nos primeiros meses do ano.
• Crédito para a produção e o consumo: o Governo Lula ampliou a oferta de crédito para a produção e o consumo através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES), compensando a redução da oferta de crédito dos bancos privados no auge da crise. O Governo Serra vendeu o Banco Nossa Caixa e congelou mais de 61% dos recursos da Agência de Fomento do Estado de São Paulo (cerca de R$ 492 milhões), nos primeiros meses de 2009.
• Políticas sociais e garantia de renda: o Governo Lula garantiu o aumento real do salário mínimo e do Programa Bolsa Família em 2009, além de seguir corrigindo o salário do servidor público federal. Já o Governo Serra não cumpre a data-base do funcionalismo público e segue arrochando o salário dos servidores. Mais ainda, no início de 2009, bloqueou cerca de 20% dos recursos nos principais programas sociais de transferência de renda, tais como o “Renda Cidadã” e o “Ação Jovem”;
Moral da história: a verdadeira agenda do desenvolvimento econômico e social continua com o governo petista, e graças a ela, entramos por último e saímos primeiro da grave crise econômica e financeira que se abateu sobre o mundo. Já os tucanos continuam com uma agenda congelada no tempo, baseada no antigo "ajuste fiscal permanente", caminho óbvio para o Estado Mínimo.
O Governo Lula, para enfrentar a crise, reduziu alíquotas de impostos, aumentou o gasto público, baixou os juros e ampliou o crédito público, implantando uma política tributária, fiscal, monetária e creditícia anti-recessiva, promovendo diretamente e financiando a produção e o consumo. Também manteve e aprofundou as políticas sociais de transferência de renda. Esta agenda tirou o país da crise rapidamente.
No Governo Serra, a venda do patrimônio público, o “arrocho salarial”, o congelamento dos recursos para financiamento da produção e o aumento da carga tributária permaneceram como elementos centrais da administração tucana. Uma política tributária, fiscal e creditícia irresponsável, aprofundando a crise econômica. A insistência nesta agenda ultrapassada foi definida pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do Governo Lula, em reportagem recente (O Estado de São Paulo, 2/10/2009), como “terrorismo fiscal”.
As diferenças entre o Governo Lula e o Governo Serra no enfrentamento da crise econômica revelam, na verdade, profundas diferenças na concepção de ambos em relação ao papel do poder público.
Para o Governo Lula, o poder público pode e deve atuar fortemente na garantia do desenvolvimento social e econômico do país.
Já a agenda tucana tem como eixo principal o Ajuste Fiscal Permanente iniciado em 1997, com a assinatura do Acordo da Dívida do Estado de São Paulo com a União. Naquele momento, Mário Covas se comprometeu a aumentar a arrecadação, cortar gastos (sobretudo com o funcionalismo público), vender o patrimônio público (privatizar), não realizar novas operações de crédito e reduzir os investimentos. Buscava-se, deste modo, ampliar o superávit primário, gerando recursos para o pagamento dos encargos da dívida pública.
De lá para cá, quase nada mudou na agenda dos governos tucanos no Estado de São Paulo, nem durante a grave crise econômica e financeira pela qual o país passou no final de 2008 e princípio de 2009.
Para sermos mais precisos, as diferenças entre Lula e Serra no enfrentamento da crise econômica e financeira recente podem ser apresentadas em quatro pontos:
• Política tributária: enquanto o Governo Lula reduziu a alíquota de impostos federais, como o IPI, para setores econômicos com grande impacto na produção, na geração de emprego e na renda – como no caso da indústria automobilística, no setor de material de construção e no setor de eletrodomésticos da chamada “linha branca” -, o Governo Serra ampliou para dezenas de setores o mecanismo da substituição (antecipação) tributária do ICMS, cobrando impostos sobre as empresas sem que estas tivessem efetivamente vendido seus produtos, retirando recursos do caixa das empresas no auge da crise, desestimulando as vendas promocionais no setor atacadista e varejista e prejudicando as micro e pequenas empresas.
• Compensação aos municípios: o Governo Lula implantou medidas de compensação aos municípios pela queda na arrecadação e nas transferências do Fundo de Participação dos Municípios/FPM. A compensação foi de R$ 1 bilhão, assegurando-se o repasse dos mesmos valores de 2008, recorde histórico do FPM. O Governo Serra não criou nenhuma medida de compensação aos municípios pela queda dos repasses do ICMS nos primeiros meses do ano.
• Crédito para a produção e o consumo: o Governo Lula ampliou a oferta de crédito para a produção e o consumo através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES), compensando a redução da oferta de crédito dos bancos privados no auge da crise. O Governo Serra vendeu o Banco Nossa Caixa e congelou mais de 61% dos recursos da Agência de Fomento do Estado de São Paulo (cerca de R$ 492 milhões), nos primeiros meses de 2009.
• Políticas sociais e garantia de renda: o Governo Lula garantiu o aumento real do salário mínimo e do Programa Bolsa Família em 2009, além de seguir corrigindo o salário do servidor público federal. Já o Governo Serra não cumpre a data-base do funcionalismo público e segue arrochando o salário dos servidores. Mais ainda, no início de 2009, bloqueou cerca de 20% dos recursos nos principais programas sociais de transferência de renda, tais como o “Renda Cidadã” e o “Ação Jovem”;
Moral da história: a verdadeira agenda do desenvolvimento econômico e social continua com o governo petista, e graças a ela, entramos por último e saímos primeiro da grave crise econômica e financeira que se abateu sobre o mundo. Já os tucanos continuam com uma agenda congelada no tempo, baseada no antigo "ajuste fiscal permanente", caminho óbvio para o Estado Mínimo.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Chicaneiros e Sofistas - por Miguel do Rosário (óleo do diabo)
Depois de Merval Pereira, do Globo, ter citado artigo de Dalmo Dallari no qual o jurista defende o golpe em Honduras – dizendo que não foi golpe -, a Folha de São Paulo, reproduz o texto na edição deste sábado. Com um detalhe importante: o artigo vem publicado na própria seção Mundo, ao lado das notícias, e não na parte reservada às opiniões.
O fato de Dallari ser ligado ao PT é um trunfo. A mídia conservadora está sempre à cata de petistas cujas opiniões lhe seja útil. Recentemente, Dallari também elogiou o espancamento de estudantes e professores da USP, durante os conflitos decorrentes de uma greve, e suas palavras também pareceram cair como maná dos céus para editorialistas meio acuados na posição desconfortável de isentar ou defender o governador José Serra.
Desta vez, novamente, a opinião dallariana soa como trombeta salvadora, principalmente para aqueles que, como Merval Pereira, apostaram seu prestígio na defesa de um golpe condenado mundialmente.
Acontece que o artigo de Dallari é um amontoado de besteiras. A discussão sobre se foi golpe ou não é ultrapassada. A maioria esmagadora afirma que sim. Os fatos dizem que sim. As consequências gritam. O povo hondurenho, que é, afinal, quem tem a última palavra nessa questão, se manifesta nas ruas, gritando contra o golpe de Estado.
Dallari menciona a decisão da Suprema Corte de Justiça como se falasse de uma canetada de Otávio Augusto, o César dos Césares. Quer dizer, então, que se Gilmar Mendes quiser, ele pode depor o Lula e deportá-la para Nicarágua?
É por essas e outras que sempre afirmo aqui, neste blog, que não acredito em sábios. A verdade não é uma propriedade arraigada em títulos acadêmicos ou fama. A verdade é uma força em movimento, e só existe na discussão livre, na dialética. O golpe militar no Brasil, em 1964, também foi apoiado por diversos juristas famosos. Muitas celebridades do mundo artísticos e acadêmico igualmente chancelaram o assassinato da democracia brasileira. Ao percorrer as páginas dos jornalões brasileiras dos dias subsequentes ao golpe de 64, encontro, por exemplo, um depoimento de Alfredo Federico Schmicht, o simpático e boêmio editor e poeta, o mesmo que descobriu Graciliano Ramos e foi uma figura tão querida entre a vanguarda da intelectualidade nacional, defendendo a legalidade do golpe.
Respeito a opinião de Dallari, mas dou-me o direito e a liberdade de afirmar que ele, mais uma vez, perdeu uma magnífica oportunidade de não falar besteira. Diante da gravidade do fato e dos interesses geopolíticos envolvidos, a opinião de Dallari apenas serve à extrema direita americana (tenho usado essa palavra, americana, no caso de Honduras, para me referir a toda América, de norte a sul).
É claro que foi golpe! Não são chicanerias de juristas vaidosos e confusos (para não dizer senis), que mudarão o fato consumado de um presidente, eleito democraticamente, ser deposto sem o mínimo direito à defesa, essa sim uma lei “pétrea” de qualquer democracia. Dallari pode até defender o espancamento de alunos e professores da USP, mas usar o seu prestígio para chancelar um golpe de Estados é de provocar engulhos. Ao mesmo tempo, serve de alerta para todos. É preciso pensar com a própria cabeça, sempre. O caso de Honduras é um tema político, e não podemos nunca deixar a política ser dominada pela esquizofrenia jurídica, pois, é sempre bom lembrar, quase todos os golpes de Estado da história da humanidade, tiveram suas justificações. No caso da América Latina, sempre foram “democráticos”...
Zelaya pode ter cometido inúmeros erros políticos. Não tenho a mínima idéia se Zelaya é um bom presidente ou não. O que estamos discutindo aqui são princípios democráticos universais, os quais foram brutalmente violentados em Honduras, e o Brasil, na medida do possível, sem intervenção e sem agressão, está colaborando para que eles, os tais princípios, sejam consolidados.
O fato de Dallari ser ligado ao PT é um trunfo. A mídia conservadora está sempre à cata de petistas cujas opiniões lhe seja útil. Recentemente, Dallari também elogiou o espancamento de estudantes e professores da USP, durante os conflitos decorrentes de uma greve, e suas palavras também pareceram cair como maná dos céus para editorialistas meio acuados na posição desconfortável de isentar ou defender o governador José Serra.
Desta vez, novamente, a opinião dallariana soa como trombeta salvadora, principalmente para aqueles que, como Merval Pereira, apostaram seu prestígio na defesa de um golpe condenado mundialmente.
Acontece que o artigo de Dallari é um amontoado de besteiras. A discussão sobre se foi golpe ou não é ultrapassada. A maioria esmagadora afirma que sim. Os fatos dizem que sim. As consequências gritam. O povo hondurenho, que é, afinal, quem tem a última palavra nessa questão, se manifesta nas ruas, gritando contra o golpe de Estado.
Dallari menciona a decisão da Suprema Corte de Justiça como se falasse de uma canetada de Otávio Augusto, o César dos Césares. Quer dizer, então, que se Gilmar Mendes quiser, ele pode depor o Lula e deportá-la para Nicarágua?
É por essas e outras que sempre afirmo aqui, neste blog, que não acredito em sábios. A verdade não é uma propriedade arraigada em títulos acadêmicos ou fama. A verdade é uma força em movimento, e só existe na discussão livre, na dialética. O golpe militar no Brasil, em 1964, também foi apoiado por diversos juristas famosos. Muitas celebridades do mundo artísticos e acadêmico igualmente chancelaram o assassinato da democracia brasileira. Ao percorrer as páginas dos jornalões brasileiras dos dias subsequentes ao golpe de 64, encontro, por exemplo, um depoimento de Alfredo Federico Schmicht, o simpático e boêmio editor e poeta, o mesmo que descobriu Graciliano Ramos e foi uma figura tão querida entre a vanguarda da intelectualidade nacional, defendendo a legalidade do golpe.
Respeito a opinião de Dallari, mas dou-me o direito e a liberdade de afirmar que ele, mais uma vez, perdeu uma magnífica oportunidade de não falar besteira. Diante da gravidade do fato e dos interesses geopolíticos envolvidos, a opinião de Dallari apenas serve à extrema direita americana (tenho usado essa palavra, americana, no caso de Honduras, para me referir a toda América, de norte a sul).
É claro que foi golpe! Não são chicanerias de juristas vaidosos e confusos (para não dizer senis), que mudarão o fato consumado de um presidente, eleito democraticamente, ser deposto sem o mínimo direito à defesa, essa sim uma lei “pétrea” de qualquer democracia. Dallari pode até defender o espancamento de alunos e professores da USP, mas usar o seu prestígio para chancelar um golpe de Estados é de provocar engulhos. Ao mesmo tempo, serve de alerta para todos. É preciso pensar com a própria cabeça, sempre. O caso de Honduras é um tema político, e não podemos nunca deixar a política ser dominada pela esquizofrenia jurídica, pois, é sempre bom lembrar, quase todos os golpes de Estado da história da humanidade, tiveram suas justificações. No caso da América Latina, sempre foram “democráticos”...
Zelaya pode ter cometido inúmeros erros políticos. Não tenho a mínima idéia se Zelaya é um bom presidente ou não. O que estamos discutindo aqui são princípios democráticos universais, os quais foram brutalmente violentados em Honduras, e o Brasil, na medida do possível, sem intervenção e sem agressão, está colaborando para que eles, os tais princípios, sejam consolidados.
Globo tenta, mais uma vez, quebrar a espinha da UNE - por Miguel do Rosário (Óleo do diabo)
A turma do Ali Kamel não engole que o movimento estudantil seja de esquerda, partidário, ideológico e, supremo vício, apóie o governo Lula. Os platinados têm um tipo ideal de movimento estudantil na cabeça e não descansarão enquanto não produzi-lo. Estão se esforçando para isso. Hoje, quarta-feira, 7 de outubro, o Globo estampa na primeira página uma enorme foto com uma multidão de 12 estudantes, reunidos no playground de algum edifício da zona sul. Depois dedica a página 4 inteira ao grupo. Repare na declaração de "bom-mocismo" de um dos integrantes:
"Somos apartidários, não queremos nos envolver com nenhum tipo de jogo político."
Eu não quero julgar esses garotos. Acho extremamente positivo que a juventude se politize. Tenho certeza, aliás, que eles, desde que ingressem, de verdade, na política estudantil, irão, mais cedo ou mais tarde, aproximar-se de partidos e governos. É natural e saudável que assim aconteça. A tentativa grotesca dos ideólogos do Globo de criar um movimento estudantil que não faça política dá vontade de rir.
Pode ser interessante haver um setor não-partidário no movimento estudantil, mas muita gente esquece que os jovens deixam de ser jovens e os estudantes deixam de ser estudantes, e que precisarão aplicar a experiência política acumulada em alguma parte e, no Brasil como em qualquer outra democracia, é preciso estar inscrito num partido para participar da vida política oficial do país. A menos que não se queira fazer política de verdade, e se tornar uma espécie de diletante palpiteiro (como eu).
É preciso, sobretudo, não criminalizar partidos ou governos, porque, ao fazê-lo, critica-se o próprio modelo republicano nacional, já que essas são as únicas instâncias realmente democráticas da sociedade. Claro que há problemas no movimento estudantil, nos partidos, e nos governos, e nas relações entre as partes, mas é preciso modernizar essas relações, não pretender, ingenuamente, extingui-las.
Sim, os partidos, muitas vezes, aparelham o movimento estudantil de forma fria e negativa, mas também dão suporte para que estudantes pobres possam exercer participação política. Sem apoio partidário, nenhum estudante pobre poderia participar do movimento estudantil, ou ficaria muito mais difícil para eles. Não é por outra razão que os 12 estudantes fotografados pelo Globo são estudantes de classe média, que estudam em colégios caros da zona sul carioca.
O ridícula da história é o Globo tentar vender um movimento insignificante, localizado num pedacinho endinheirado do Rio, como algo comparável à UNE, cujos números chegam às dezenas de milhares de delegados eleitos democraticamente.
Tenho respeito por esses 12 estudantes, repito. Mas eles precisam tomar cuidado para não serem manipulados pela ideologia antipolítica (hipocritamente antipolítica, diga-se de passagem, porque a mídia nunca foi tão politizada), que criminaliza partidos, ideologias e movimentos sociais organizados.
Em sua campanha covarde para desqualificar a UNE, o Globo sempre lembra o papel da entidade na ditadura militar, sem contextualizar o momento, e, sobretudo, sem se auto-contextualizar. Na época, o movimento estudantil foi destroçado pela ditadura e pelos meios de comunicação. No dia posterior ao golpe, o Globo noticiou, sem disfarçar o êxtase, a depredação e incêndio da sede da UNE. E durante os anos de chumbo, sempre retratou os jovens que protestavam como baderneiros.
O Globo criou o mito de um movimento estudantil eternamente revoltado contra tudo e contra todos, o que não corresponde a realidade ideológica do jovem contemporâneo, cujo espírito já assimilou as transformações mundiais, como o fim do mundo socialista e a abertura econômica da China. O socialismo não morreu, mas modernizou-se e, para desespero de alguns reacionários, de direita e esquerda, amadureceu. Desde os tempos de Lênin, os verdadeiros revolucionários são aqueles que não negam a realidade, que entendem a correlação de forças e que procuram agir visando resultados concretos.
O movimento estudantil deve, sobretudo, precaver-se contra a instituição mais reacionária nesses tempos de decadência liberal: a imprensa corporativa, este odioso Leviatã midiático que vem minando a democracia em toda a América Latina, inclusive, em pleno século XXI, apoiando golpes de Estado. Deve lembrar-se que a UNE apoiou João Goulart em 1964, e também era criticada pela mídia reacionária da época, também era chamada de chapa-branca. O governador de São Paulo, José Serra, quando era presidente da UNE e ainda não se havia bandeado para o conservadorismo midiático que professa hoje, discursou ao lado de Goulart no último comício deste.
O Globo trabalha incessantemente para quebrar a espinha de movimentos sociais, partidos, sindicatos, todos que defendem os trabalhadores no país; e a estratégia de "dividir" para reinar sempre foi eficiente. O movimento estudantil precisa de sangue novo. A política brasileira precisa de sangue novo. Mas como contribuiremos para renovação da classe política brasileira se defendermos um movimento estudantil "não-partidário" e distante do "jogo político"? Como teremos um melhor Congresso, um melhor Senado, condenando a participação partidária?
Também é egoísta e medíocre a argumentação de que ao movimento estudantil só cabe pedir "reforma educacional". Por quê? O movimento estudantil deve participar das políticas de todos os setores, não apenas do setor educativo.
O irônico é acusar a UNE, com seus congressos de 20 mil delegados, com suas milhares de ramificações estaduais e municipais, de não representar os estudantes e, ao mesmo tempo, pretender que um grupo de 12 estudantes de escolas ricas da zona sul carioca tenham alguma representatividade relevante.
As forças conservadoras preferem que nossos jovens se mantenham afastados das lides partidárias porque têm plena consciência de que a maioria esmagadora da juventude professa uma ideologia de esquerda - o que seria até aceitável, desde que não fosse esse maldito esquerdismo contemporâneo, pragmático e astuto, sem medo do poder. Os conservadores querem, no fundo, deixar o terreno livre para que os sindicatos patronais ocupem o espaço político que deveria, democraticamente, pertencer ao povo. Com apoio de militares, mídia, associações empresariais, parlamentares pouco comprometidos com a democracia, e com uma juventude apartidária e despolitizada, os Michelettis do mundo poderão sempre dar seus golpes e assumir o poder.
"Somos apartidários, não queremos nos envolver com nenhum tipo de jogo político."
Eu não quero julgar esses garotos. Acho extremamente positivo que a juventude se politize. Tenho certeza, aliás, que eles, desde que ingressem, de verdade, na política estudantil, irão, mais cedo ou mais tarde, aproximar-se de partidos e governos. É natural e saudável que assim aconteça. A tentativa grotesca dos ideólogos do Globo de criar um movimento estudantil que não faça política dá vontade de rir.
Pode ser interessante haver um setor não-partidário no movimento estudantil, mas muita gente esquece que os jovens deixam de ser jovens e os estudantes deixam de ser estudantes, e que precisarão aplicar a experiência política acumulada em alguma parte e, no Brasil como em qualquer outra democracia, é preciso estar inscrito num partido para participar da vida política oficial do país. A menos que não se queira fazer política de verdade, e se tornar uma espécie de diletante palpiteiro (como eu).
É preciso, sobretudo, não criminalizar partidos ou governos, porque, ao fazê-lo, critica-se o próprio modelo republicano nacional, já que essas são as únicas instâncias realmente democráticas da sociedade. Claro que há problemas no movimento estudantil, nos partidos, e nos governos, e nas relações entre as partes, mas é preciso modernizar essas relações, não pretender, ingenuamente, extingui-las.
Sim, os partidos, muitas vezes, aparelham o movimento estudantil de forma fria e negativa, mas também dão suporte para que estudantes pobres possam exercer participação política. Sem apoio partidário, nenhum estudante pobre poderia participar do movimento estudantil, ou ficaria muito mais difícil para eles. Não é por outra razão que os 12 estudantes fotografados pelo Globo são estudantes de classe média, que estudam em colégios caros da zona sul carioca.
O ridícula da história é o Globo tentar vender um movimento insignificante, localizado num pedacinho endinheirado do Rio, como algo comparável à UNE, cujos números chegam às dezenas de milhares de delegados eleitos democraticamente.
Tenho respeito por esses 12 estudantes, repito. Mas eles precisam tomar cuidado para não serem manipulados pela ideologia antipolítica (hipocritamente antipolítica, diga-se de passagem, porque a mídia nunca foi tão politizada), que criminaliza partidos, ideologias e movimentos sociais organizados.
Em sua campanha covarde para desqualificar a UNE, o Globo sempre lembra o papel da entidade na ditadura militar, sem contextualizar o momento, e, sobretudo, sem se auto-contextualizar. Na época, o movimento estudantil foi destroçado pela ditadura e pelos meios de comunicação. No dia posterior ao golpe, o Globo noticiou, sem disfarçar o êxtase, a depredação e incêndio da sede da UNE. E durante os anos de chumbo, sempre retratou os jovens que protestavam como baderneiros.
O Globo criou o mito de um movimento estudantil eternamente revoltado contra tudo e contra todos, o que não corresponde a realidade ideológica do jovem contemporâneo, cujo espírito já assimilou as transformações mundiais, como o fim do mundo socialista e a abertura econômica da China. O socialismo não morreu, mas modernizou-se e, para desespero de alguns reacionários, de direita e esquerda, amadureceu. Desde os tempos de Lênin, os verdadeiros revolucionários são aqueles que não negam a realidade, que entendem a correlação de forças e que procuram agir visando resultados concretos.
O movimento estudantil deve, sobretudo, precaver-se contra a instituição mais reacionária nesses tempos de decadência liberal: a imprensa corporativa, este odioso Leviatã midiático que vem minando a democracia em toda a América Latina, inclusive, em pleno século XXI, apoiando golpes de Estado. Deve lembrar-se que a UNE apoiou João Goulart em 1964, e também era criticada pela mídia reacionária da época, também era chamada de chapa-branca. O governador de São Paulo, José Serra, quando era presidente da UNE e ainda não se havia bandeado para o conservadorismo midiático que professa hoje, discursou ao lado de Goulart no último comício deste.
O Globo trabalha incessantemente para quebrar a espinha de movimentos sociais, partidos, sindicatos, todos que defendem os trabalhadores no país; e a estratégia de "dividir" para reinar sempre foi eficiente. O movimento estudantil precisa de sangue novo. A política brasileira precisa de sangue novo. Mas como contribuiremos para renovação da classe política brasileira se defendermos um movimento estudantil "não-partidário" e distante do "jogo político"? Como teremos um melhor Congresso, um melhor Senado, condenando a participação partidária?
Também é egoísta e medíocre a argumentação de que ao movimento estudantil só cabe pedir "reforma educacional". Por quê? O movimento estudantil deve participar das políticas de todos os setores, não apenas do setor educativo.
O irônico é acusar a UNE, com seus congressos de 20 mil delegados, com suas milhares de ramificações estaduais e municipais, de não representar os estudantes e, ao mesmo tempo, pretender que um grupo de 12 estudantes de escolas ricas da zona sul carioca tenham alguma representatividade relevante.
As forças conservadoras preferem que nossos jovens se mantenham afastados das lides partidárias porque têm plena consciência de que a maioria esmagadora da juventude professa uma ideologia de esquerda - o que seria até aceitável, desde que não fosse esse maldito esquerdismo contemporâneo, pragmático e astuto, sem medo do poder. Os conservadores querem, no fundo, deixar o terreno livre para que os sindicatos patronais ocupem o espaço político que deveria, democraticamente, pertencer ao povo. Com apoio de militares, mídia, associações empresariais, parlamentares pouco comprometidos com a democracia, e com uma juventude apartidária e despolitizada, os Michelettis do mundo poderão sempre dar seus golpes e assumir o poder.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
A cara do Brasil - por Luis Nassif
Em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, a partir da observação do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percepção de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econômico, tal como ocorreu no governo JK.
Pensava em algo assim:
1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.
2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.
3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.
4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo.
A Constituição de 1988 permitira grandes avanços sociais. O governo Collor fizera o trabalho sujo de desmonte do modelo anterior, de redução da dívida pública para patamares civilizados e deixara plantadas as sementes de programas de qualidade, da abertura gradativa da economia. Mesmo aos trambolhões, o governo Itamar Franco manteve a chama da responsabilidade social que emergiu com a Constituinte.
***
FHC pegou o país pronto, uma conjuntura internacional extraordinariamente favorável (com o reposicionamento das multinacionais no mundo), o PSDB tornou-se o pólo de atração de quadros técnicos dos melhores – PUC Rio, FGV São Paulo, FEA.
FHC tinha preparo, história, acesso aos movimentos de esquerda e aos empresários, à academia e à política. Todos os grupos modernizadores, plantados nos anos anteriores, convergiram automaticamente para sua candidatura, em 1994.
Mais que isso, tinha a espoleta política capaz de deflagrar a auto-estima nacional: um plano de estabilização bem sucedido.
Naqueles primeiros anos, o país regurgitava o novo. Estudos eram tirados das gavetas, por todos os cantos havia a esperança da inovação, da mudança de hábitos, da modernização.
***
Foi essa oportunidade histórica que FHC jogou no lixo. O que explica esse desperdício? Em parte, porque sua única obsessão era o chamado controle do Estado – a criação de oportunidades de enriquecimento para novos grupos, através da privatização.
Mas, muito, por conta da extrema falta de compromisso com o país. Era apenas um deslumbrado com o poder. De imediato afastou do Palácio os dois tucanos que poderiam impulsionar o governo – Sérgio Motta e José Serra.
***
Com o tempo, conseguiu descaracterizar completamente não apenas seu governo, mas o próprio PSDB. Tirou do partido a vitalidade inicial, a busca do novo, a visão de conjunto e pragmática sobre o país, a ponto de descaracterizar completamente o próprio José Serra – cuja submissão intelectual e emocional a FHC um dia ainda será objeto de análises mais aprofundadas.
Em busca do tempo perdido – 1
A inação de FHC gerou quinze anos de atraso ao país. Só agora se retoma a trilha perdida, por conta da intuição de Lula. Não é por outro motivo que o ex-Ministro Delfim Netto – que não é de gastar elogio à toa – declarou dia desses que Lula salvou o capitalismo brasileiro. Não se trata de mera retórica. Depois das cabeçadas iniciais, Lula conseguiu entender muito melhor do que FHC a lógica do Estadista.
Em busca do tempo perdido – 2
O caminho passava pela conciliação da nação em torno dos novos valores do desenvolvimento. Ao contrário de FHC – que encontrou o país pronto – Lula precisou construir seu próprio caminho. O primeiro desafio consistia em desarmar seu próprio partido – um amálgama de várias tendências e de vários estilos políticos. Depois das cabeçadas iniciais, quando bateu no fundo do poço – o episódio dos chamados “mensaleiros” – começou a virada.
Em busca do tempo perdido – 3
A crise ajudou a domar as áreas mais radicais do partido. Quem não se enquadrou saiu para montar partidos mais à esquerda. Dentro do governo, Lula abriu espaço para o agronegócio (através do Ministério da Agricultura), para a agricultura familiar (através do Ministério do Desenvolvimento Agrário), para o mercado (através do Banco Central) e para os movimentos sociais (através do Ministério da Integração Social).
Em busca do tempo perdido – 4
Ao mesmo tempo em que imprimia uma política econômica muito ortodoxa, pouco a pouco foi montando a área desenvolvimentista do governo, com o eixo BNDES-Ministério da Fazenda. Demorou para implementar a nova política? Para muitos, demorou. Mas aguardou o tempo político. Quando eclodiu a crise mundial, veio a oportunidade para a mudança na política econômica. Aproveitou-se com um senso de oportunidade único.
Em busca do tempo perdido – 5
No plano político, projetou a imagem de um pacificador inesperado, tendo em conta seu histórico de lutas sindicais pesadas. Apesar de alvo da mais inclemente campanha de mídia que um presidente jamais encarou – mais acirrada e prolongada que a própria campanha do impeachment – jamais radicalizou suas críticas ou se valeu do poder do príncipe para pedir a cabeça de jornalistas – o oposto de alguns adversários.
Em busca do tempo perdido – 6
Por tudo isso, a herança bendita de Lula não foi FHC. Foi o movimento pela qualidade, o pensamento desenvolvimentista, os mercadistas, os que construíram o agronegócios e os movimentos sociais. Em suma, essa grande confluência de setores e fatores que compõem o Brasil moderno. O sindicalista semi-alfabetizado soube entender a complexidade do país muito mais do que o sociólogo consagrado.
Pensava em algo assim:
1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.
2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.
3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.
4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo.
A Constituição de 1988 permitira grandes avanços sociais. O governo Collor fizera o trabalho sujo de desmonte do modelo anterior, de redução da dívida pública para patamares civilizados e deixara plantadas as sementes de programas de qualidade, da abertura gradativa da economia. Mesmo aos trambolhões, o governo Itamar Franco manteve a chama da responsabilidade social que emergiu com a Constituinte.
***
FHC pegou o país pronto, uma conjuntura internacional extraordinariamente favorável (com o reposicionamento das multinacionais no mundo), o PSDB tornou-se o pólo de atração de quadros técnicos dos melhores – PUC Rio, FGV São Paulo, FEA.
FHC tinha preparo, história, acesso aos movimentos de esquerda e aos empresários, à academia e à política. Todos os grupos modernizadores, plantados nos anos anteriores, convergiram automaticamente para sua candidatura, em 1994.
Mais que isso, tinha a espoleta política capaz de deflagrar a auto-estima nacional: um plano de estabilização bem sucedido.
Naqueles primeiros anos, o país regurgitava o novo. Estudos eram tirados das gavetas, por todos os cantos havia a esperança da inovação, da mudança de hábitos, da modernização.
***
Foi essa oportunidade histórica que FHC jogou no lixo. O que explica esse desperdício? Em parte, porque sua única obsessão era o chamado controle do Estado – a criação de oportunidades de enriquecimento para novos grupos, através da privatização.
Mas, muito, por conta da extrema falta de compromisso com o país. Era apenas um deslumbrado com o poder. De imediato afastou do Palácio os dois tucanos que poderiam impulsionar o governo – Sérgio Motta e José Serra.
***
Com o tempo, conseguiu descaracterizar completamente não apenas seu governo, mas o próprio PSDB. Tirou do partido a vitalidade inicial, a busca do novo, a visão de conjunto e pragmática sobre o país, a ponto de descaracterizar completamente o próprio José Serra – cuja submissão intelectual e emocional a FHC um dia ainda será objeto de análises mais aprofundadas.
Em busca do tempo perdido – 1
A inação de FHC gerou quinze anos de atraso ao país. Só agora se retoma a trilha perdida, por conta da intuição de Lula. Não é por outro motivo que o ex-Ministro Delfim Netto – que não é de gastar elogio à toa – declarou dia desses que Lula salvou o capitalismo brasileiro. Não se trata de mera retórica. Depois das cabeçadas iniciais, Lula conseguiu entender muito melhor do que FHC a lógica do Estadista.
Em busca do tempo perdido – 2
O caminho passava pela conciliação da nação em torno dos novos valores do desenvolvimento. Ao contrário de FHC – que encontrou o país pronto – Lula precisou construir seu próprio caminho. O primeiro desafio consistia em desarmar seu próprio partido – um amálgama de várias tendências e de vários estilos políticos. Depois das cabeçadas iniciais, quando bateu no fundo do poço – o episódio dos chamados “mensaleiros” – começou a virada.
Em busca do tempo perdido – 3
A crise ajudou a domar as áreas mais radicais do partido. Quem não se enquadrou saiu para montar partidos mais à esquerda. Dentro do governo, Lula abriu espaço para o agronegócio (através do Ministério da Agricultura), para a agricultura familiar (através do Ministério do Desenvolvimento Agrário), para o mercado (através do Banco Central) e para os movimentos sociais (através do Ministério da Integração Social).
Em busca do tempo perdido – 4
Ao mesmo tempo em que imprimia uma política econômica muito ortodoxa, pouco a pouco foi montando a área desenvolvimentista do governo, com o eixo BNDES-Ministério da Fazenda. Demorou para implementar a nova política? Para muitos, demorou. Mas aguardou o tempo político. Quando eclodiu a crise mundial, veio a oportunidade para a mudança na política econômica. Aproveitou-se com um senso de oportunidade único.
Em busca do tempo perdido – 5
No plano político, projetou a imagem de um pacificador inesperado, tendo em conta seu histórico de lutas sindicais pesadas. Apesar de alvo da mais inclemente campanha de mídia que um presidente jamais encarou – mais acirrada e prolongada que a própria campanha do impeachment – jamais radicalizou suas críticas ou se valeu do poder do príncipe para pedir a cabeça de jornalistas – o oposto de alguns adversários.
Em busca do tempo perdido – 6
Por tudo isso, a herança bendita de Lula não foi FHC. Foi o movimento pela qualidade, o pensamento desenvolvimentista, os mercadistas, os que construíram o agronegócios e os movimentos sociais. Em suma, essa grande confluência de setores e fatores que compõem o Brasil moderno. O sindicalista semi-alfabetizado soube entender a complexidade do país muito mais do que o sociólogo consagrado.
Eleições e poder de mídia - por Luis Nassif
O Jânio de Freitas traz uma questão torturante sobre a Lei Eleitoral e o ativismo político da mídia: a enorme dificuldade em definir a busca da isonomia e a neutralidade do noticiário. E reclama a ausência de um Conselho capaz de arbitrar sobre o tema.
A questão é relevante por dois motivos.
Primeiro, por não ser possível analisar a neutralidade apenas em função do maior ou menor espaço concedido aos candidatos. O ativismo da imprensa não se mede apenas no oba-oba para um lado e na crítica destemperada para o outro. Mede-se especialmente na manipulação do noticiário, das manchetes, das pesquisas de opinião.
A insistência da Folha em transformar Aécio em vice de José Serra – apesar de todos os desmentidos dele – não é uma mera barriga. A intenção é esvaziar eventuais movimentos em direção à sua candidatura.
O episódio da ficha falsa de Dilma – pela Folha – foi uma armação pensada com o óbvio propósito de marcá-la como “terrorista”, “assaltante de banco”.
O carnaval no episódio Lina Vieira não foi apenas uma “barriga” em torno de uma acusação provavelmente falsa – já que na única data do suposto encontro, vazada para os parlamentares de oposição, comprovou-se não ter havido a reunião. Durante trinta dias, serviu para o Jornal Nacional impingir em Dilma a pecha de “mentirosa”.
O segundo ponto é que, cada vez mais, fica nítido que não existe o jornalismo neutro. Quem edita jornais são empresas de comunicação com outros interesses empresariais e que freqüentemente usam a notícia como estratégia de negócios.
Trata-se de uma verdade inconteste que sempre se escondeu atrás do manto da liberdade de imprensa – que, por sua vez, é um valor relevante, apesar de estar sendo desmoralizado pela ação inconsequente dos próprios grupos de mídia brasileiros.
A sentença do juiz Carlos Henrique Abrão – no processo movido pela Abril e pelo (turquinho) Eurípedes Alcântara contra mim – é um marco que tende a se transformar em jurisprudência (clique aqui).
O juiz Abrahão defende a liberdade de imprensa, aponta sua relevância no período da democratização. Depois, enfatiza esse aspecto dos interesses comerciais das empresas jornalísticas, levando-as a instrumentalizar a notícia. Finalmente, aponta para a importância das novas mídias como fator de moderação dos abusos cometidos.
Coincidentemente, no período de maiores transformações jornalísticas da história, todos os grandes veículos passavam por uma transição que os deixou à mercê de direções de redação um tanto amadoras, permitindo essa exposição inédita de seus vícios.
A série “O Caso de Veja” expôs essa promiscuidade exasperante entre notícias e negócios. É só lembrar da campanha contra livros didáticos, que atendia diretamente os interesses comerciais da Abril. Ou a maneira como Roberto Civita armou-se de dois pistoleiros para tentar destruir a reputação de todos os que ousassem apontar os jogos perigosos que passou a montar com Daniel Dantas.
E aí se entra em novo ponto importante. Como impedir a manipulação da liberdade de imprensa sem, ao mesmo tempo, colocá-la em risco?
O caminho é um só: regulações que estimulem a competição; estímulos à organização de sistemas de informação em rede, para que todos os grupos sociais possam ser representados nesse novo tempo; aplicação de princípios de direito econômico onde se configurar práticas monopolistas ou cartelizadas.
Em seu artigo, Jânio distingue rádio e TV (como concessões públicas) dos impressos. O papel do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) é evitar práticas monopolistas nos mercados de cerveja, chocolate, alimentos, siderúrgico. Porque o mais relevante dos mercados – o de opinião – deveria ficar de fora?
Por gabs
Nassif.
Tem um artigo do Nobel Ronald Coase (The Market for Goods and the Market for Ideas) em que ele analisa a quinta emenda da constituição americana sobre o enfoque: Por que se admite a regulação do governo no mercado de bens e não no mercado de informação? Se as pessoas que atuam em ambos mercados são essencialmente as mesmas, com os mesmos interesses, não há qualquer razão que justifique uma liberdade absoluta no mercado de idéias.
Muito bom.
Da Folha
JANIO DE FREITAS
Páginas e minutos
Parece faltar um conselho para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação nas campanhas
AS MÁS RELAÇÕES entre militantes de candidaturas e, de outra parte, imprensa e TV começam mais cedo desta vez, incentivadas por uma das pequenas mexidas na Lei Eleitoral chamadas de “reforma”. É a que determina, já sob crítica da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que o tratamento igualitário aos candidatos seja antecipado para aplicar-se também aos pré-candidatos.
O problema resulta de equívocos que vêm desde a primeira eleição direta pós-ditadura. No caso dos jornais, desde então o espaço físico prevaleceu para as comparações de tratamento e, daí, para a motivação de queixas, no dia a dia, e de diversas acusações fortes. A aferição física, no entanto, é enganosa e insolúvel. Não há como assegurar espaço jornalístico equitativo nem mesmo para os três ou quatro candidatos principais (ou mesmo os dois de segundos turnos), quanto mais para todos.
Mas, ainda que se pudesse manter distribuição igualitária do espaço, a dimensão física não importa em comparação com a dimensão política, subjetiva, do teor dado ao espaço. E este não precisa ser explícito, pode ficar naquele terreno em que as interpretações divergentes encontram, ambas, justificativas. E lá se foi a isonomia, mesmo que haja igualdade de espaços concedidos aos concorrentes.
A neutralidade absoluta ante o processo eleitoral, cobrada pelos queixosos e os acusadores, é possível eventualmente. À parte razões humanas, porém, mesmo no jornalismo a neutralidade eleitoral não é a conduta sempre ética. Os candidatos não são iguais. Suas histórias não são iguais. Seus grupos não são iguais. Seus propósitos pressentidos não são iguais. E se algo aí macula a ética esperável de um candidato, não será ético o silêncio sobre essa mácula para preservar a neutralidade e o tratamento isonômico com outro(s) candidato(s). Além disso, uma notícia ou um comentário negativo também pode exprimir neutralidade.
Na televisão e nas rádios, sob certo aspecto o problema é mais simples: suas notícias têm a rapidez de flashs, sem dar muita margem a interpretações; sob outro aspecto, complica-se muito, com a importância tão diferenciada entre os horários e suas audiências. Então como se mede a isonomia pretendida pela lei? Comparando os minutos dados a cada candidato ou, já que um minuto em certo horário vale mais do que uma hora em outro, comparando, e de que modo, as estimadas audiências proporcionadas a cada candidato?
Se é assim em relação aos candidatos, aos já existentes e ainda possíveis pré-candidatos a exigência da lei passa da incompetência ao ridículo. A crítica da Abert tem razão de ser.
Distorções e manipulações existem em TV, e fica na história o seu papel na disputa de 1989 entre Collor e Lula, como existem na imprensa. Com uma diferença essencial na natureza dos dois sistemas: rádio e TV são concessões de um bem público para uso e proveito de particulares. Não podem, como bens de toda a população, ser usadas em prejuízo de aspirações legítimas de uma parte da nação, por interesse material ou outro do agraciado com a concessão.
O que parece faltar é um conselho, uma comissão judicial, ou algo por aí, para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação em campanhas eleitorais. Não para eliminar todos os problemas, mas para ponderar a procedência de queixas contra determinadas condutas, e procurar repará-las. Com o restante, o melhor é cuidado, porque talvez interfira em direitos e liberdades.
A questão é relevante por dois motivos.
Primeiro, por não ser possível analisar a neutralidade apenas em função do maior ou menor espaço concedido aos candidatos. O ativismo da imprensa não se mede apenas no oba-oba para um lado e na crítica destemperada para o outro. Mede-se especialmente na manipulação do noticiário, das manchetes, das pesquisas de opinião.
A insistência da Folha em transformar Aécio em vice de José Serra – apesar de todos os desmentidos dele – não é uma mera barriga. A intenção é esvaziar eventuais movimentos em direção à sua candidatura.
O episódio da ficha falsa de Dilma – pela Folha – foi uma armação pensada com o óbvio propósito de marcá-la como “terrorista”, “assaltante de banco”.
O carnaval no episódio Lina Vieira não foi apenas uma “barriga” em torno de uma acusação provavelmente falsa – já que na única data do suposto encontro, vazada para os parlamentares de oposição, comprovou-se não ter havido a reunião. Durante trinta dias, serviu para o Jornal Nacional impingir em Dilma a pecha de “mentirosa”.
O segundo ponto é que, cada vez mais, fica nítido que não existe o jornalismo neutro. Quem edita jornais são empresas de comunicação com outros interesses empresariais e que freqüentemente usam a notícia como estratégia de negócios.
Trata-se de uma verdade inconteste que sempre se escondeu atrás do manto da liberdade de imprensa – que, por sua vez, é um valor relevante, apesar de estar sendo desmoralizado pela ação inconsequente dos próprios grupos de mídia brasileiros.
A sentença do juiz Carlos Henrique Abrão – no processo movido pela Abril e pelo (turquinho) Eurípedes Alcântara contra mim – é um marco que tende a se transformar em jurisprudência (clique aqui).
O juiz Abrahão defende a liberdade de imprensa, aponta sua relevância no período da democratização. Depois, enfatiza esse aspecto dos interesses comerciais das empresas jornalísticas, levando-as a instrumentalizar a notícia. Finalmente, aponta para a importância das novas mídias como fator de moderação dos abusos cometidos.
Coincidentemente, no período de maiores transformações jornalísticas da história, todos os grandes veículos passavam por uma transição que os deixou à mercê de direções de redação um tanto amadoras, permitindo essa exposição inédita de seus vícios.
A série “O Caso de Veja” expôs essa promiscuidade exasperante entre notícias e negócios. É só lembrar da campanha contra livros didáticos, que atendia diretamente os interesses comerciais da Abril. Ou a maneira como Roberto Civita armou-se de dois pistoleiros para tentar destruir a reputação de todos os que ousassem apontar os jogos perigosos que passou a montar com Daniel Dantas.
E aí se entra em novo ponto importante. Como impedir a manipulação da liberdade de imprensa sem, ao mesmo tempo, colocá-la em risco?
O caminho é um só: regulações que estimulem a competição; estímulos à organização de sistemas de informação em rede, para que todos os grupos sociais possam ser representados nesse novo tempo; aplicação de princípios de direito econômico onde se configurar práticas monopolistas ou cartelizadas.
Em seu artigo, Jânio distingue rádio e TV (como concessões públicas) dos impressos. O papel do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) é evitar práticas monopolistas nos mercados de cerveja, chocolate, alimentos, siderúrgico. Porque o mais relevante dos mercados – o de opinião – deveria ficar de fora?
Por gabs
Nassif.
Tem um artigo do Nobel Ronald Coase (The Market for Goods and the Market for Ideas) em que ele analisa a quinta emenda da constituição americana sobre o enfoque: Por que se admite a regulação do governo no mercado de bens e não no mercado de informação? Se as pessoas que atuam em ambos mercados são essencialmente as mesmas, com os mesmos interesses, não há qualquer razão que justifique uma liberdade absoluta no mercado de idéias.
Muito bom.
Da Folha
JANIO DE FREITAS
Páginas e minutos
Parece faltar um conselho para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação nas campanhas
AS MÁS RELAÇÕES entre militantes de candidaturas e, de outra parte, imprensa e TV começam mais cedo desta vez, incentivadas por uma das pequenas mexidas na Lei Eleitoral chamadas de “reforma”. É a que determina, já sob crítica da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que o tratamento igualitário aos candidatos seja antecipado para aplicar-se também aos pré-candidatos.
O problema resulta de equívocos que vêm desde a primeira eleição direta pós-ditadura. No caso dos jornais, desde então o espaço físico prevaleceu para as comparações de tratamento e, daí, para a motivação de queixas, no dia a dia, e de diversas acusações fortes. A aferição física, no entanto, é enganosa e insolúvel. Não há como assegurar espaço jornalístico equitativo nem mesmo para os três ou quatro candidatos principais (ou mesmo os dois de segundos turnos), quanto mais para todos.
Mas, ainda que se pudesse manter distribuição igualitária do espaço, a dimensão física não importa em comparação com a dimensão política, subjetiva, do teor dado ao espaço. E este não precisa ser explícito, pode ficar naquele terreno em que as interpretações divergentes encontram, ambas, justificativas. E lá se foi a isonomia, mesmo que haja igualdade de espaços concedidos aos concorrentes.
A neutralidade absoluta ante o processo eleitoral, cobrada pelos queixosos e os acusadores, é possível eventualmente. À parte razões humanas, porém, mesmo no jornalismo a neutralidade eleitoral não é a conduta sempre ética. Os candidatos não são iguais. Suas histórias não são iguais. Seus grupos não são iguais. Seus propósitos pressentidos não são iguais. E se algo aí macula a ética esperável de um candidato, não será ético o silêncio sobre essa mácula para preservar a neutralidade e o tratamento isonômico com outro(s) candidato(s). Além disso, uma notícia ou um comentário negativo também pode exprimir neutralidade.
Na televisão e nas rádios, sob certo aspecto o problema é mais simples: suas notícias têm a rapidez de flashs, sem dar muita margem a interpretações; sob outro aspecto, complica-se muito, com a importância tão diferenciada entre os horários e suas audiências. Então como se mede a isonomia pretendida pela lei? Comparando os minutos dados a cada candidato ou, já que um minuto em certo horário vale mais do que uma hora em outro, comparando, e de que modo, as estimadas audiências proporcionadas a cada candidato?
Se é assim em relação aos candidatos, aos já existentes e ainda possíveis pré-candidatos a exigência da lei passa da incompetência ao ridículo. A crítica da Abert tem razão de ser.
Distorções e manipulações existem em TV, e fica na história o seu papel na disputa de 1989 entre Collor e Lula, como existem na imprensa. Com uma diferença essencial na natureza dos dois sistemas: rádio e TV são concessões de um bem público para uso e proveito de particulares. Não podem, como bens de toda a população, ser usadas em prejuízo de aspirações legítimas de uma parte da nação, por interesse material ou outro do agraciado com a concessão.
O que parece faltar é um conselho, uma comissão judicial, ou algo por aí, para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação em campanhas eleitorais. Não para eliminar todos os problemas, mas para ponderar a procedência de queixas contra determinadas condutas, e procurar repará-las. Com o restante, o melhor é cuidado, porque talvez interfira em direitos e liberdades.
O melhor chanceler do mundo
The New ForeignPolicy.com
The world’s best foreign minister
http://rothkopf.foreignpolicy.com/posts/2009/10/07/the_world_s_best_foreign_minister
The world’s best foreign minister
http://rothkopf.foreignpolicy.com/posts/2009/10/07/the_world_s_best_foreign_minister
Jungman: a piada levada a sério - por blog do Nassif
Por vinicius souza
E olhem mais essa. Nao eh de gargalhar???
G Último Segundo – SP
Da Redação
O coordenador da comissão externa de deputados federais que esteve em Honduras na última quinta-feira, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), relatou nesta terça-feira que recebeu relatos de brasileiros que estariam sendo discriminados depois da atuação do Brasil em favor do presidente deposto, Manuel Zelaya. “Hoje recebemos telefonemas dizendo que alguns filhos de brasileiros estariam sofrendo algum tipo de discriminação nas escolas”, afirmou Jungmann.
Segundo o deputado, apesar do forte apoio internacional dado a Zelaya, a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti. “Está passando em todas as televisões um filme que termina com a frase: Brasil e Venezuela violentaram a soberania de Honduras”, disse ele.
Por Marco Vitis
Esse Jungman mentiu até para a Soninha do PPS, sua correligionária.
A história, em síntese, é a seguinte: naquela CPI em que ele participava ativamente para desmoralizar a Operação Satiagraha, surgiu a informação da existência de 250 caixas com documentos sobre grampos de Daniel Dantas.
Fiz uma mensagem para a Soninha, perguntando por que Jungman não se interessava pelas caixas que comprometiam Dantas.
Soninha repassou para Jungman o meu e-mail e ele respondeu para Soninha que iria fazer a requisição na segunda-feira.
Só que até hoje essa segunda-feira nunca existiu. Até a CPI acabou.
Eu tenho arquivado toda a troca de e-mail e posso comprovar este relato que faço.
A Soninha também sabe que Jungman mentiu e a enganou.
Por Claudio Assis
O deputado Jungmann está mentindo (me perdoem pela obviedade). O Partido Nacional daquele país publicou uma pesquisa – divulgada na Folha hoje – em que 82% da população acredita que Honduras não está seguindo por um bom caminho. 53% diz que o modo de tirar Zelaya do país não foi correto e 50% das pessoas afirmam que o presidente deposto deve voltar à presidencia.
Na pesquisa, apenas 3% encaram Zelaya negativamente, enquanto que 32% ve Micheletti dessa forma. Ou seja, qual o parâmetro de Jugmann ao afirmar que a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti?
As emissoras de televisão? Ué, mas “todas as tvs” de Honduras estão aliadas ao golpe. As de oposição foram fechadas. Será que nosso deputadozinho ingênuo não percebeu que foi enganado? Ou ele pensou que éramos tão bobos quanto ele de achar engraçada uma piada dessas?
E olhem mais essa. Nao eh de gargalhar???
G Último Segundo – SP
Da Redação
O coordenador da comissão externa de deputados federais que esteve em Honduras na última quinta-feira, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), relatou nesta terça-feira que recebeu relatos de brasileiros que estariam sendo discriminados depois da atuação do Brasil em favor do presidente deposto, Manuel Zelaya. “Hoje recebemos telefonemas dizendo que alguns filhos de brasileiros estariam sofrendo algum tipo de discriminação nas escolas”, afirmou Jungmann.
Segundo o deputado, apesar do forte apoio internacional dado a Zelaya, a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti. “Está passando em todas as televisões um filme que termina com a frase: Brasil e Venezuela violentaram a soberania de Honduras”, disse ele.
Por Marco Vitis
Esse Jungman mentiu até para a Soninha do PPS, sua correligionária.
A história, em síntese, é a seguinte: naquela CPI em que ele participava ativamente para desmoralizar a Operação Satiagraha, surgiu a informação da existência de 250 caixas com documentos sobre grampos de Daniel Dantas.
Fiz uma mensagem para a Soninha, perguntando por que Jungman não se interessava pelas caixas que comprometiam Dantas.
Soninha repassou para Jungman o meu e-mail e ele respondeu para Soninha que iria fazer a requisição na segunda-feira.
Só que até hoje essa segunda-feira nunca existiu. Até a CPI acabou.
Eu tenho arquivado toda a troca de e-mail e posso comprovar este relato que faço.
A Soninha também sabe que Jungman mentiu e a enganou.
Por Claudio Assis
O deputado Jungmann está mentindo (me perdoem pela obviedade). O Partido Nacional daquele país publicou uma pesquisa – divulgada na Folha hoje – em que 82% da população acredita que Honduras não está seguindo por um bom caminho. 53% diz que o modo de tirar Zelaya do país não foi correto e 50% das pessoas afirmam que o presidente deposto deve voltar à presidencia.
Na pesquisa, apenas 3% encaram Zelaya negativamente, enquanto que 32% ve Micheletti dessa forma. Ou seja, qual o parâmetro de Jugmann ao afirmar que a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti?
As emissoras de televisão? Ué, mas “todas as tvs” de Honduras estão aliadas ao golpe. As de oposição foram fechadas. Será que nosso deputadozinho ingênuo não percebeu que foi enganado? Ou ele pensou que éramos tão bobos quanto ele de achar engraçada uma piada dessas?
Conservadores e neocons: o caso brasileiro - Por weden (blog do Nassif)
Nassif,
Daqui a alguns dias vai estar disponível no site da GloboNews, no programa Milenio, a entrevista com o neoconservador Francis Fukuiama (o mesmo do “fim da história”), que faz elogios às políticas de proteção social deste governo.
Meu deus..Se até os acadêmicos neoconservadores americanos elogiam o bolsa família, em que lugar do espectro ideológico estão os nossos neoconservadores acadêmicos e nossos jornais?
Entenda-se por “pensador neoconservador” nada próximo do que os “pop neocons”, tantas vezes aqui abordados.
Apesar de chatinho, Fukuyama tem um trabalho consistente de pensamento.
Já os pop neocons têm um trabalho sério de difamação e calúnia, pouco juízo e nenhum pensamento.
Os primeiros são frutos de opções teóricas.
Estes últimos são produtos distorcidos de mídia.
No Brasil, em especial, além das duas categorias, há uma categoria mista.
São os “pop neocons convertidos”, provenientes das fileiras da academia, e que acharam que pesquisar, pesquisar e pesquisar sem almejar a fama é chato demais.
Daqui a alguns dias vai estar disponível no site da GloboNews, no programa Milenio, a entrevista com o neoconservador Francis Fukuiama (o mesmo do “fim da história”), que faz elogios às políticas de proteção social deste governo.
Meu deus..Se até os acadêmicos neoconservadores americanos elogiam o bolsa família, em que lugar do espectro ideológico estão os nossos neoconservadores acadêmicos e nossos jornais?
Entenda-se por “pensador neoconservador” nada próximo do que os “pop neocons”, tantas vezes aqui abordados.
Apesar de chatinho, Fukuyama tem um trabalho consistente de pensamento.
Já os pop neocons têm um trabalho sério de difamação e calúnia, pouco juízo e nenhum pensamento.
Os primeiros são frutos de opções teóricas.
Estes últimos são produtos distorcidos de mídia.
No Brasil, em especial, além das duas categorias, há uma categoria mista.
São os “pop neocons convertidos”, provenientes das fileiras da academia, e que acharam que pesquisar, pesquisar e pesquisar sem almejar a fama é chato demais.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Sobre Honduras
E eis que Micheletti se compromete a caçar os responsáveis pela expulsão do presidente democraticamente eleito.
E agora, José?
E agora, José?
Sim, nós podemos - por Luis Nassif
Estava almoçando com um amigo banqueiro quando veio a notícia de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido cidade-sede das próximas Olimpíadas. Mandou abrir um vinho em comemoração. De manhã, um funcionário dele, em Copenhagem, mandou email informando que na cidade só se falava em Lula, uma euforia completa apenas pela presença de Lula por lá.
No restaurante, as mesas comemoraram pedindo vinhos e champagnes. Nas ruas, uma população orgulhosa do feito brasileiro. No Blog, centenas de comentários de leitores orgulhosos de serem brasileiros, finalmente orgulhosos de serem brasileiros, repito.
Chego no escritório, ligo a Internet e procuro o vídeo com o discurso de Lula, defendendo a candidatura do Rio e, depois, com Lula com os olhos marejados falando de sua maior especialidade: o modo de ser brasileiro. Tecendo loas ao Brasil, ao Rio, à ginga, à alma brasileira.
E me espanto de como é possível que parte da opinião pública ainda não tenha se dado conta da dimensão política global de Lula. Ele se tornou um dos governantes paradigmáticos do maior processo de transformações que a humanidade atravessa desde o pós-guerra.
***
A população pobre, que era custo, hoje se tornou o grande ativo dos emergentes China, Índia e Brasil. Lula representa não apenas a história de sucesso do operário que chegou a presidente. O polonês Lech Walesa também teve esse papel e não passou de mera curiosidade histórica. Já Lula tem desempenhado um papel civilizatório inimaginável.
Assumiu um país exaurido pela insensibilidade social, liderando um continente propenso a exageros populistas históricos, como contraposição aos exageros liberais. Globalmente, o fracasso das políticas neoliberais projetou uma sombra de xenofobia, intolerância e radicalização sobre todos os continentes.
Foi nesse ambiente propício à radicalização que Lula projetou sua imagem de pacificador, de agente do processo civilizatório mundial.
Com a mesma bonomia com que trata seus adversários políticos no Brasil, ou como tratava os peões de fábrica no ABC, ajudou a criar uma alternativa democrática no continente, orientando Evo Morales, contendo os arroubos de Hugo Chávez, tornando-se a esperança do Ocidente de manter uma porta aberta com o Irã.
Quando leva Obama para uma sala para explicar, em um bate-papo, como agir no caso do Irã, o severino retirante se despe de toda liturgia do cargo, dos tremeliques da diplomacia, usa a linguagem tosca e direta com que as pessoas normais se comunicam e ajuda a desenhar a nova diplomacia mundial. E com a cara do Brasil, a afetividade do Brasil, alisando as pessoas, tratando-as com o carinho brasileiro.
Na coletiva que deu após a escolha do Rio, a profissão de fé no Brasil entrará para a história. O orgulho de ser brasileiro, o “sim, nós podemos” entra definitivamente para o repertório brasileiro do século 21, do mesmo modo que JK empurrou o país com seu otimismo e sua genuína crença no valor do brasileiro.
Daqui a vinte anos, quando o país estiver definitivamente entronizado no panteão dos grandes países do mundo, será mais fácil avaliar a verdadeira dimensão de Lula, como o grande timoneiro dessa travessia.
No restaurante, as mesas comemoraram pedindo vinhos e champagnes. Nas ruas, uma população orgulhosa do feito brasileiro. No Blog, centenas de comentários de leitores orgulhosos de serem brasileiros, finalmente orgulhosos de serem brasileiros, repito.
Chego no escritório, ligo a Internet e procuro o vídeo com o discurso de Lula, defendendo a candidatura do Rio e, depois, com Lula com os olhos marejados falando de sua maior especialidade: o modo de ser brasileiro. Tecendo loas ao Brasil, ao Rio, à ginga, à alma brasileira.
E me espanto de como é possível que parte da opinião pública ainda não tenha se dado conta da dimensão política global de Lula. Ele se tornou um dos governantes paradigmáticos do maior processo de transformações que a humanidade atravessa desde o pós-guerra.
***
A população pobre, que era custo, hoje se tornou o grande ativo dos emergentes China, Índia e Brasil. Lula representa não apenas a história de sucesso do operário que chegou a presidente. O polonês Lech Walesa também teve esse papel e não passou de mera curiosidade histórica. Já Lula tem desempenhado um papel civilizatório inimaginável.
Assumiu um país exaurido pela insensibilidade social, liderando um continente propenso a exageros populistas históricos, como contraposição aos exageros liberais. Globalmente, o fracasso das políticas neoliberais projetou uma sombra de xenofobia, intolerância e radicalização sobre todos os continentes.
Foi nesse ambiente propício à radicalização que Lula projetou sua imagem de pacificador, de agente do processo civilizatório mundial.
Com a mesma bonomia com que trata seus adversários políticos no Brasil, ou como tratava os peões de fábrica no ABC, ajudou a criar uma alternativa democrática no continente, orientando Evo Morales, contendo os arroubos de Hugo Chávez, tornando-se a esperança do Ocidente de manter uma porta aberta com o Irã.
Quando leva Obama para uma sala para explicar, em um bate-papo, como agir no caso do Irã, o severino retirante se despe de toda liturgia do cargo, dos tremeliques da diplomacia, usa a linguagem tosca e direta com que as pessoas normais se comunicam e ajuda a desenhar a nova diplomacia mundial. E com a cara do Brasil, a afetividade do Brasil, alisando as pessoas, tratando-as com o carinho brasileiro.
Na coletiva que deu após a escolha do Rio, a profissão de fé no Brasil entrará para a história. O orgulho de ser brasileiro, o “sim, nós podemos” entra definitivamente para o repertório brasileiro do século 21, do mesmo modo que JK empurrou o país com seu otimismo e sua genuína crença no valor do brasileiro.
Daqui a vinte anos, quando o país estiver definitivamente entronizado no panteão dos grandes países do mundo, será mais fácil avaliar a verdadeira dimensão de Lula, como o grande timoneiro dessa travessia.
Das mesquinharias históricas - por Hooligan (blog do Nassif)
Nassif, o “Fantástico” de hoje vai entrar para a história, como o JN de 1989 e a edição do debate Collor/Lula. A globo simplesmente “limou” o presidente da cerimônia de escolha da cidade. Na abertura do programa, um “clip” contendo imagens da cidade e da delegação, na expectativa da escolha. Após o anúncio, mostrou a festa, a comemoração. Focaram o Pelé, que nem abriu a boca, duas vezes. O Lula, nenhuma!!!
Pior foi depois, durante o programa, uma matéria mostrando o Nuzman dizendo sobre o que considerou importante para a conquista… Disse “o discurso do Havelange”, e mostra o velhão falando, “o mapa-mundi”, e mostra o tal mapa… E ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE O DISCURSO DO LULA!!! Não é que não mostraram o discurso dele, é que simplesmente nem foi mencionado que ele discursou e emocionou a todos! Depois mostraram só umas imagens “de bastidores”, em que ele aparece meio de “papagaio de pirata”, como que pra dizer que sua participação foi acessória, simbólica! Se alguém se “informou” só pelo “Fantástico”, ficou com a nítida impressão que Lula não teve NENHUMA INFLUENCIA na escolha do Rio!!!
É incrível, a globo não se cansa de tentar escrever sua versão da história… E cria esses momentos que a gente não pode deixar esquecidos!
Pior foi depois, durante o programa, uma matéria mostrando o Nuzman dizendo sobre o que considerou importante para a conquista… Disse “o discurso do Havelange”, e mostra o velhão falando, “o mapa-mundi”, e mostra o tal mapa… E ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE O DISCURSO DO LULA!!! Não é que não mostraram o discurso dele, é que simplesmente nem foi mencionado que ele discursou e emocionou a todos! Depois mostraram só umas imagens “de bastidores”, em que ele aparece meio de “papagaio de pirata”, como que pra dizer que sua participação foi acessória, simbólica! Se alguém se “informou” só pelo “Fantástico”, ficou com a nítida impressão que Lula não teve NENHUMA INFLUENCIA na escolha do Rio!!!
É incrível, a globo não se cansa de tentar escrever sua versão da história… E cria esses momentos que a gente não pode deixar esquecidos!
O prêmio de Patrus - blog do Nassif
Por Calbercan
LN, ontem, enquanto Lula comandava em Copenhague a vitória do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o ministro Patrus Ananias estava na Alemanha, onde recebeu prêmio internacional. Mais um exemplo de reconhecimento ao Brasil. Veja:
(Do blog do ministro:)
Superar a fome é desafio de toda a humanidade
Publicado em 2/10/2009 às 13:45
Deixo hoje a cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ontem recebi, com profunda alegria, o 1º Prêmio Políticas do Futuro, concedido ao trabalho realizado na Prefeitura de Belo Horizonte na área de segurança alimentar e nutricional.
Ao receber o prêmio das mãos da representante da Nigéria no Conselho da ONG World Future Council, Hafsat Abiola-Costello, defendi que a superação da fome e da miséria é um desafio a ser vencido por toda a humanidade, o que somente será possível com vontade política e com a cooperação e o compromisso solidário de todos os atores sociais em nível internacional.
Posto aqui a íntegra do discurso, no qual homenageio todas as pessoas cujos compromisso e dedicação foram responsáveis pelo nosso sucesso, lembrando a inesquecível Maria Regina Nabuco, nossa grande parceira na implantação dessas políticas.
http://blogdopatrus.com.br/blog/?p=350
Comentário
Foi essa política do Patrus, que Merval, Kamel, Magnolli e outros menos votados despejaram toda a miopia e insensibilidade social. Os artigos especialmente de Kamel e Merval no futuro comporão um compêndio dos clássicos do pensamento jurássico no período em país que estava sendo preparado para o futuro.
LN, ontem, enquanto Lula comandava em Copenhague a vitória do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o ministro Patrus Ananias estava na Alemanha, onde recebeu prêmio internacional. Mais um exemplo de reconhecimento ao Brasil. Veja:
(Do blog do ministro:)
Superar a fome é desafio de toda a humanidade
Publicado em 2/10/2009 às 13:45
Deixo hoje a cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ontem recebi, com profunda alegria, o 1º Prêmio Políticas do Futuro, concedido ao trabalho realizado na Prefeitura de Belo Horizonte na área de segurança alimentar e nutricional.
Ao receber o prêmio das mãos da representante da Nigéria no Conselho da ONG World Future Council, Hafsat Abiola-Costello, defendi que a superação da fome e da miséria é um desafio a ser vencido por toda a humanidade, o que somente será possível com vontade política e com a cooperação e o compromisso solidário de todos os atores sociais em nível internacional.
Posto aqui a íntegra do discurso, no qual homenageio todas as pessoas cujos compromisso e dedicação foram responsáveis pelo nosso sucesso, lembrando a inesquecível Maria Regina Nabuco, nossa grande parceira na implantação dessas políticas.
http://blogdopatrus.com.br/blog/?p=350
Comentário
Foi essa política do Patrus, que Merval, Kamel, Magnolli e outros menos votados despejaram toda a miopia e insensibilidade social. Os artigos especialmente de Kamel e Merval no futuro comporão um compêndio dos clássicos do pensamento jurássico no período em país que estava sendo preparado para o futuro.
De volta para o futuro - por Luis Nassif
De volta da caminhada, encontro na calçada o grande Evaldo Dantas, dos grandes jornalistas da história, um pouco avançado em anos. Ele me vê, abre um sorriso e diz: “Mas o que está acontecendo? O Brasil está explodindo no mundo”.
Respondo que não acreditava que fosse viver para testemunhar o que virá por aí.
Ele sorri, com a sabedoria dos muito velhos: “Eu não vou viver para assistir. Mas sei que acontecerá”.
Respondo que não acreditava que fosse viver para testemunhar o que virá por aí.
Ele sorri, com a sabedoria dos muito velhos: “Eu não vou viver para assistir. Mas sei que acontecerá”.
O reconhecimento internacional - blog do Nassif
Por DKRC
NAssif,
Esse programa da CNN em espanhol, produzido no México, parece até feito por brasileiros. Fiquei incrivelmente admirirável com o entusiasmo deles com o Brasil, como novo player e potencia mundial em todos as aspectos.
Citaram o Brasil como potência economia, esportiva, social (destacaram bastante isso) , cultural e entre outras coisas..
Pena não ter visto esse reconhecimento na mídia brasileira.
Segue o Link da entrevista:
Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=NVpEn-lOwdo
Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=O2zstVzStQw
Por Ney henrique
Eu moro na Alemanha a dois anos e queria relatar o que eu vivenciei ontem.
Estava indo ao meu clube favorito e como estava um frio lascado resolvi pegar um taxi. O motorista … um senhor simpático … puxou assunto comigo perguntando como eu estava, e eu respondi que muito bem, afinal meu país tinha sido escolhido como sede olimpica … o cara arregalou os olhos e de pronto me perguntou se eu era brasileiro. O cara transbordava elogios ao Brasil…. falando que a America do Sul merecia a olimpíada e que o Brasil tem mostrado um caminho de esperança com o “da Silva” … falou sobre o pré-sal, sobre o Bolsa família … sobre Honduras … sempre elogiando a postura brasileira em uma genuína demonstração de carinho. Ele era só um motorista de taxi … Sim eu moro em uma cidade que tem tradição de ser esquerdista … mas nunca pensei que iria experimentar tal situação!
A vez do Brasil chegou!
Por Cláudia
O discurso de Lula.
http://www.youtube.com/watch?v=A5zrPRusLcY
NAssif,
Esse programa da CNN em espanhol, produzido no México, parece até feito por brasileiros. Fiquei incrivelmente admirirável com o entusiasmo deles com o Brasil, como novo player e potencia mundial em todos as aspectos.
Citaram o Brasil como potência economia, esportiva, social (destacaram bastante isso) , cultural e entre outras coisas..
Pena não ter visto esse reconhecimento na mídia brasileira.
Segue o Link da entrevista:
Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=NVpEn-lOwdo
Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=O2zstVzStQw
Por Ney henrique
Eu moro na Alemanha a dois anos e queria relatar o que eu vivenciei ontem.
Estava indo ao meu clube favorito e como estava um frio lascado resolvi pegar um taxi. O motorista … um senhor simpático … puxou assunto comigo perguntando como eu estava, e eu respondi que muito bem, afinal meu país tinha sido escolhido como sede olimpica … o cara arregalou os olhos e de pronto me perguntou se eu era brasileiro. O cara transbordava elogios ao Brasil…. falando que a America do Sul merecia a olimpíada e que o Brasil tem mostrado um caminho de esperança com o “da Silva” … falou sobre o pré-sal, sobre o Bolsa família … sobre Honduras … sempre elogiando a postura brasileira em uma genuína demonstração de carinho. Ele era só um motorista de taxi … Sim eu moro em uma cidade que tem tradição de ser esquerdista … mas nunca pensei que iria experimentar tal situação!
A vez do Brasil chegou!
Por Cláudia
O discurso de Lula.
http://www.youtube.com/watch?v=A5zrPRusLcY
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