sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Presidente rebate críticas e diz que “não sabia” de preocupação de governador de SP com o NE - por Simone Iglesias

Em discurso, petista ainda comparou transposição à obra feita pelo presidente americano Roosevelt na região do vale do Tennessee

SIMONE IGLESIAS
ENVIADA ESPECIAL A CUSTÓDIA (PE)

Em um raro ataque direto ao presidenciável tucano José Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o governador paulista começou a se preocupar com o Nordeste apenas por conta da campanha eleitoral do ano que vem.
Lula, no segundo dia de vistoria de obras da transposição do rio São Francisco, respondia às críticas de Serra de que a obra não levava em conta as populações ribeirinhas, por haver “absoluta ausência de investimentos em irrigação”.
“Não sabia que o Serra tinha alguma preocupação com o Nordeste, mas se começa a ter um pouquinho perto das eleições é um bom sinal. O que é triste é isso, vai passando o tempo, as pessoas não falam, ficam mudas, e quando vai chegando perto das eleições as pessoas começam a preparar o discurso para a campanha”, disse.
Serra tem alguns de seus mais baixos níveis de intenção de votos em regiões do Nordeste, redutos eleitorais lulistas em que a aprovação do presidente tem seus picos.
“Serra que fique esperto porque a gente vai inaugurar [obras de] irrigação no Nordeste nesses próximos meses. Quem sabe eu até convide ele para participar de algumas para compreender o que está acontecendo”, afirmou Lula, em entrevista a rádios nordestinas.
O tucano não foi o único alvo do petista, que depois discursou. Lula voltou a criticar a ação do TCU (Tribunal de Contas da União), cujos embargos a obras federais vêm provocando reações no governo, e chamou o Judiciário de “irresponsável”. Por fim, criticou também o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome contra a transposição.
“Durante 25 anos este país não cresceu e, pelo fato de ele não crescer, nós fomos criando uma máquina poderosa de fiscalização infinitamente superior à máquina de execução. É como se uma seleção tivesse o time reserva melhor do que a titular”, disse especificamente sobre o TCU.
Em entrevista à Folha no início do mês, o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, disse que “o tribunal não pode ser visto como algoz pelos Poderes, mas como parceiro”. Em sua avaliação, “quem é fiscalizado nunca fica muito à vontade, mas cada um tem de cumprir a sua parte”.
Lula também disparou contra a Justiça: “[Houve] projetos que ficaram parados anos e não por nossa culpa, mas por irresponsabilidade do Judiciário, da Justiça, por erros de projeto que estamos recuperando”.
Sem citar o nome de dom Luiz, afirmou: “Teve um bispo que fez até greve de fome para que não se fizesse essa obra. De vez em quando aparece um movimento em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, contra. Eles não têm conhecimento do bem que essa obra está fazendo. Não quero que a gente mate um passarinho, um calango, uma cobra, agora, não posso deixar o povo pobre morrer de sede e de fome”, disse.
Lula citou estudo da FAO (agência da ONU para alimentação), segundo o qual 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. “Se a gente não cuidar, o principal animal em extinção no mundo será o ser humano, não é pouca coisa. E acontece isso não é por falta de tecnologia, por não investir. É que quando a gente quer fazer uma obra como essa os que tomam café da manhã, almoçam, jantam, tomam água gelada todo dia são contra a gente fazer.”
E continuou: “Resolvi fazer [a obra] não porque sou engenheiro, mas porque eu, com sete anos, carreguei pote de água na cabeça e sei o sacrifício”.
A seu lado, a presidenciável de sua escolha, Dilma Rousseff (Casa Civil), não discursou.
Em discurso a operários do trecho 11 da obra, Lula se comparou ao presidente Franklin Roosevelt (1933-1945). “Só tem coisa igual [à obra] quando o presidente Roosevelt pegou o lugar mais pobre dos EUA, chamado vale do Tennessee, e resolveu transformar aquela região em produtiva. É isso que estamos fazendo com nosso querido Nordeste”, afirmou.

Sobre o câmbio - por Luis Nassif

A volta do círculo vicioso do câmbio
O círculo vicioso do câmbio está dado mais uma vez.
Tem-se o seguinte quadro internacional:
1. Excesso de liquidez e propensão a novas bolhas especulativas.
2. Dúvidas de monta sobre o fim da crise internacional.
3. Desalinhamento das taxas de juros nacionais, com alguns países puxando a alta de juros antes de outros.
Todo esse clima induz à volatilidade cambial no mundo.
Nesse cenário, o Brasil é a bola da vez dos movimentos especulativos. Há fundamentos sólidos para se apostar no Brasil, o reconhecimento de que saiu da crise antes dos demais, o mérito de ter sabido dosar medidas ortodoxas e anticíclicas, a percepção mundial de que será um dos países líderes da economia global nas próximas décadas.
Sobre essa base fundamentalista, ocorre o movimento especulativo que, nos próximos meses, inundará o país de dólares.
Em qualquer país racional, o Banco Central alteraria sua maneira de atuar sobre o câmbio e a política monetária. Por aqui, não só tem reforçado a visão ortodoxa, como tem atuado claramente visando estimular esse jogo especulativo.
Duas manifestações do BC, em países como os Estados Unidos, no mínimo ensejariam a abertura de um processo de responsabilização.
O primeiro, a declaração de um diretor do BC de que a compra de reservas cambiais não reduz a apreciação do real. O segundo, o relatório do BC apontando a possibilidade de elevação dos juros no próximo ano, como reflexo do aumento de despesas públicas – uma afirmação que não tem nenhuma base factual, ainda mais levando-se em conta de que a apreciação do real funciona como elemento anti-inflação.
Nos dois casos, o BC atuou como agente estimulador desse movimento de apreciação cambial.
Agora, se entra em período eleitoral, no qual a apreciação cambial conta votos. Haverá volatilidade no câmbio atrapalhando exportações e investimentos. Mas será contida, no início, pelas reservas cambiais.
No final do ano que vem, os economistas dos candidatos favoritos estarão estudando como sair da armadilha cambial que lhes foi deixada.
Em fins de 1998, o país começava a recuperar o ímpeto reformista, atropelado pelas jogadas cambiais do início do Real. Na ocasião escrevi que a imprudência com o câmbio mataria qualquer veleidade de FHC de fazer um bom governo.
Espero que essa desgraça não se repita agora.
O círculo vicioso do câmbio
Do Último Segundo
Coluna Econômica- 16/10/2009
Entenda como se comporta a dinâmica apreciação do câmbio-desvalorização cambial- nova apreciação do câmbio e o papel deletério do Banco Central.O investidor externo ganha sempre que o real se aprecia em relação ao dólar; e perde sempre que ocorre uma desvalorização.
1. Suponha que alguém traga US$ 1 milhão com o dólar a R$ 1,70. Ele vai conseguir R$ 1.700.000,00.2. Se ocorrer uma valorização do real e cada dólar passe a valer R$ 1,60, com aqueles R$ 1.700.000,00 originais, o investidor adquiriria US$ 1.062.500.00.3. Se o dólar saltar para R$ 2,00, os R$ 1.700.000,00 valerão apenas US$ 850.000,00.
***Entendido isto, vamos ver como se dá o jogo.
Suponha que o investidor entre no país com o dólar a R$ 2,00. Traz US$ 1 milhão, converte em R$ 2 milhões.
Aplica esse recurso em títulos do Tesouro e obtém mais 9% de juros ao ano. O valor do investimento salta para R$ 2.180.000,00.
Aí o dólar vai caindo, caindo, até valer R$ 1,70. Se ele converter os reais por essa cotação do dólar e tirar o dinheiro do país, sairá com US$ 1.282.353,00 – ou um lucro de 28% em apenas um ano, algo inconcebível em qualquer outra economia.
Se o investidor quiser arriscar um pouco mais, espera o dólar chegar a R$ 1,60. Nesse caso seus reais serão convertidos por US$ 1.362.500,00 – 36% de lucros ao ano.
***
A partir de determinado momento, entra-se na zona de risco. As exportações ficam muito caras, as importações muito baratas, o superávit comercial se torna déficit, as contas externas entram no vermelho.
O que pode fazer o investidor apostar por mais tempo no câmbio (prolongando a agonia do real valorizado) é o maior ou menor risco desse jogo.
Mas o investidor está tranquilo, porque sabe que o BC está montado em bom volume de reservas e pode bancar o prejuízo (do país) por mais tempo. Então, em vez de sair com o dólar a R$ 1,70 vai esperar até chegar nos R$ 1,60 ou abaixo disso.
***
Aí podem ocorrer dois gatilhos disparando o câmbio. O primeiro, uma crise internacional aumentando a percepção de risco global e fazendo com que investidores tirem seu dinheiro para se garantir em títulos dos países centrais. Ou então, as próprias contas externas do país entrarem em parafuso, independentemente do cenário externo.
Com as reservas cheias, o BC permite a saída sem risco dos investidores. Os mais espertos saem na frente, os mais lerdos atrás. Ocorre uma explosão do câmbio que vai, digamos, para R$ 2,20. A desvalorização cambial pressiona alguns preços – produtos exportados e importados e tarifas públicas. Como consequência, a inflação sai um pouco ou muito da meta. Para combatê-la, o Banco Central aumenta os juros.
Completado o ciclo, os capitais que fugiram do país olham para trás e se dão conta de um novo quadro.
Com o dólar a R$ 2,20, as contas externas entram em ordem e risco externo diminui. Ele terá uma enorme possibilidade de ganho – com o dólar descendo de novo de R$ 2,00 para R$ 1,60 – e, agora, taxas maiores do BC remunerando seu dinheiro.
Esse ciclo vicioso tem exaurido as possibilidades de crescimento do país. E está se repetindo novamente. Será a herança maldita de Lula para seu sucessor.

Comentário: depois destas postagens, veio o novo imposto destinado a tentar salvar a indústria brasileira da doença holandesa.

Ibope - por Neves (blog do Nassif)

Da página do IBOPE:
“Quem Somos
Excelência, credibilidade e pioneirismo
Multinacional brasileira de capital privado, o IBOPE é uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina. Há 67 anos fornece um amplo conjunto de informações e estudos sobre mídia, opinião pública, intenção de voto, consumo, marca, comportamento e mercado”.
Como se vê, não há nada que credencie o Instituto, segundo suas próprias referências, em pesquisa sobre políticas públicas ou sociais.
Ele está tão habilitado para fazer pesquisa sobre Reforma Agrária quanto para fazer pesquisa sobre vacinas contra malária ou em dinâmica de partículas sub-atômicas.
Breve veremos o IBOPE “pesquisar” impactos sócio-ambientais de megaprojetos, perfuração em águas ultraprofundas, prevenção de epidemias, irrigação do semi-árido, políticas cambiais e outros campos de conhecimento sujeitos a polêmicas políticas e jogo partidário.
Desconsiderem o que o Instituto afirma sobre sua “excelência” e “credibilidade”. Fica apenas o pioneirismo de um instituto de pesquisa de opinião se aventurar em um campo que, na sua própria definição, não lhe compete.
Essa “pesquisa” divulgada sobre os assentamentos mostra de forma clara o caráter obscuro da manipulação político-partidária, para não chamá-la pelo nome correto: charlatanismo.

A Camargo Correa e o jogo do indexador - por Luis Nassif

Aparentemente, a Camargo Correa está aplicando neste episódio a mesma jogada da Mendes Jr com a CHESF – que denunciei anos atrás e que me custou uma condenação de três meses de prisão dada pela juíza Érika Soares de Azevedo Mascarenhas, da 6ª Vara Criminal de São Paulo (posteriormente reformada em segunda instância) por ter taxado de “aventura jurídica” essa jogada. Aliás, na época recebi a solidariedade do Gilmar Mendes e do Marco Aurélio de Mello.
Consiste no seguinte:
1. Os contratos públicos prevêem multas por atraso. Em geral, as multas são pagas contratualmente.
2. A indústria das indenizações descobriu um caminho, que é negar os indexadores previstos em contrato e aplicar a correção pelo custo do dinheiro tomado no mercado financeiro. Com isso, a conta sobe para valores absurdos. Mais de um advogado recusou-se a endossar essa aventura, por considerá-la descabida. Principalmente porque se sabe que NENHUMA empresa – repito NENHUMA – tomaria dinheiro no hot money para cobrir eventuais atrasos de pagamento do governo. Mas as ações prescindiam dessas comprovações.
3. No caso da Mendes, o caso tramitou pela Justiça de Pernambuco – como no caso da Camargo, pela justiça estadual de de Brasília. Quando chegou ao Superior Tribunal de Justiça (no caso da Mendes), ordenou-se que a empresa provasse que tomou dinheiro em banco. E remeteu-se o caso de volta não mais para a Justiça de Pernambuco, mas para a Justiça Federal. Provavelmente o mesmo deverá ocorrer com o caso Camargo Correa. O caso CHESF só se inverteu depois que foi contratado o advogado José Paulo Cavalcanti. A defesa da CHESF, antes dele, estava praticamente entregando o caso. Aliás, um dia precisaremos reavivar os grandes casos dos anos 80 de ações milionárias do INSS contra grandes grupos, que foram extintas meramente por perda de prazo da União.
4. Mesmo assim, o objetivo da Mendes Jr foi alcançado. Pagou empréstimo do Banco Regional de Brasília com os direitos futuros sobre essa ação. E ofereceu a ação como garantia adicional de um refinanciamento no BNDES. De certo modo, repete-se o caso dos títulos do início do século. Monta-se uma ação e, mesmo sem ter certeza de vitória em última instância, vendem-se os direitos futuros dela. No caso da Mendes, para bancos públicos.
5. A ação que a Mendes moveu contra mim foi respaldada em um parecer do ex-Ministro da Justiça Miguel Reale Jr. Tive oportunidade de lhe dizer, na época, que, como homem público – ex-senador e ex-Ministro – ele estava respaldando uma ação que visava calar alguém que pretendia defender os recursos públicos.
6. Aliás, depois do STJ a ação voltou para Recife e a última notícia que soube é de um perito que tinha estimado a indenização em malucos R$ 100 bi. Alguém da CHESF poderia informar em que pé está a ação?

STJ livra, por ora, União de pagar multa de R$ 7 bi - por Felipe Seligman (Folha)

Caso deverá ser julgado novamente pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Ação judicial, iniciada em 94, obrigava a Eletronorte a pagar indenização a empresa de consultoria do grupo Camargo Corrêa

FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou ontem decisão do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) que havia condenado a União a pagar indenização bilionária ao grupo Camargo Corrêa. O caso deverá ser julgado novamente pelo TJ.
Os ministros julgaram uma ação judicial iniciada em 1994. Trata-se de uma ação de cobrança indenizatória que obrigava a Eletronorte a pagar ao CNEC (Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores), empresa de consultoria do grupo Camargo Corrêa, uma quantia que, se atualizada, poderia chegar a R$ 7 bilhões,.
O caso, que teve início em dezembro de 1994, estava empatado em 2 a 2 na Segunda Turma do STJ. Os ministros Herman Benjamin e Eliana Calmon votaram a favor da Eletronorte; Mauro Campbell Marques, relator do caso, e Humberto Martins, a favor da Camargo Corrêa. O ministro Castro Meira, que desempataria a questão, declarou-se impedido para julgar, o que acabou por interromper o julgamento.
Por esse motivo, um colega que atua em outra Turma do tribunal, o ministro Luiz Fux, foi chamado para desempatar a questão. Ele acompanhou a posição de Benjamin e Calmon, que haviam dito que houve contradições e obscuridades no julgamento ocorrido no TJ-DF.
Agora, o caso deverá ser julgado novamente pelo TJ-DF.
Mas, segundo Ilmar Galvão, ex-ministro do STF que atua no caso em defesa da Eletronorte, se a União pedir para entrar formalmente no caso, o que não ocorreu até então, o processo deverá ser remetido à Justiça Federal em Brasília.
O CNEC prestou serviços ao setor elétrico público federal nas décadas de 70 e 80. Em 1991, a Eletronorte cancelou os contratos e, dois anos depois, realizou-se acerto de contas, no qual o CNEC deu quitação.
Em 1994, porém, a empresa entrou na Justiça cobrando indenização por “custos financeiros”. A empresa alegou que a Eletronorte atrasou pagamentos em época de inflação alta e que isso a obrigou a tomar recursos em bancos e que, portanto, aumentou seus custos.
A 5ª Vara Cível de Brasília tinha dado ganho de causa à Eletronorte, mas o CNEC recorreu ao TJ, que inverteu a decisão. O acórdão, decisão final do TJ, invocou argumentos jurídicos inusitados para a defesa, como aplicar ao CNEC a proteção ao hipossuficiente (economicamente fraco) e vulnerável, presente no Código de Defesa do Consumidor.
Apesar de não ter julgado o mérito da causa, Fux chegou a afirmar que o consórcio é “plenamente suficiente” e que, portanto, tal proteção não poderia ter sido aplicada.

A economia e o discurso público - por Luis Nassif

Coluna Econômica – 21/10/2009

Na cerimônia de premiação das empresas mais respeitadas do Brasil – pela revista Carta Capital – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou mais alguns pontos na definição do novo modelo de desenvolvimento brasileiro.
É curioso como se processam essas mudanças. O Lula que discursou no evento nada tem a ver com o Lula do início do governo, a não ser no pragmatismo e na capacidade de análise da realidade. Não é um intelectual, um formulador – nem é seu papel. Mas consegue sintetizar o novo modelo de desenvolvimento com uma linguagem tal que pode ser entendido pelo especialista e pelo mais humilde brasileiro.
***JK conseguiu esse primor de síntese com seus “cinquenta anos em cinco”. Não era apenas o slogan, mas o sentido de urgência que imprimia em todos seus discursos. O país já tinha preparado as bases para um crescimento acelerado – com exceção do câmbio que estava apreciado. Getúlio Vargas tinha construído grandes estatais – CSN, Eletrobras -, a infraestrutura inicial estava plantada e, agora, a questão era crescer.
***
Outro momento célebre foi a declaração de Fernando Collor sobre as “carroças”. Na década anterior houve exagero no fechamento da economia, na estatização e na burocratização, levando ao envelhecimento do parque industrial brasileiro. A expressão rapidamente ganhou corações e mentes do país.
***
O momento atual é muito mais complexo do que os anteriores – porque o Brasil é muito maior do que era vinte ou cinquenta anos atrás. O grande desafio é entender o país como a soma de todas as partes, a inclusão de todos os agentes.
Foi isso que Lula trouxe em seu discurso. Primeiro, enfatizou valores irreversíveis: defesa da estabilidade monetária e fiscal, responsabilidade na condução da política econômica.
Depois, começou a juntar as peças que compõem o novo quadro do país. Mostrou que, ao levar as políticas assistenciais aos excluídos, tornou-os consumidores. E eles passaram a consumir chocolate da Nestlé (dirigindo-se ao presidente da empresa Ivan Zurita), cremes da Natura (o mesmo em direção à empresa), eletrodomésticos”.
***
Depois, narrou a história da senhora que, no canal do São Francisco, vendia copos de guaraná. Um ano depois, com a movimentação econômica trazida pelas obras, foi ampliando as vendas, passou a vender refeições, comprou um carro e, na última declaração de renda, pagou 5 mil de imposto.
***
Na diplomacia, relembrou seu passado sindicalista. Para receber respeito dos interlocutores, tem que conversar de cabeça erguida. Manifestou sua profunda crença no modo de ser brasileiro.Finalmente, revelou porque surgiu esse novo Lula – que, na verdade, emerge apenas após a grande crise mundial do ano passado. É que todos os dogmas foram revirados de cabeça para baixo. Os expelidores de regras – FMI, bancos estrangeiros – de repente se viram sem discurso. E isso abriu caminho para um conjunto de medidas que, não tivesse Lula sido tão excessivamente cauteloso, poderia ter sido adotadas anos atrás, evitando o desperdício de tantos anos de crescimento rastejante.

O pedágio anti-bolha

A criação da alíquota de 2% para aplicações estrangeiras em renda fixa e ações é um “pedágio” para impedir o surgimento de uma bolha especulativa na Bolsa brasileira, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro afirmou que o objetivo é “evitar excessos de modo a não causar uma bolha na bolsa de mercadorias e de modo a não causar uma sobrevalorização do real, porque isso causa danos para a produção brasileira”.

IOF afasta investimentos

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para capital estrangeiro vai inibir os investimentos em ações, diz o economista Márcio Garcia. Como exemplo, cita a Petrobras, que negocia ações nos mercados brasileiro e norte-americano por meio de ADRs (recibos de ações brasileiras nos EUA, isentas do imposto). “Isso (o IOF) vai fazer com que as empresas prefiram fazer ADRs a fazer lançamentos na Bolsa brasileira”, argumentou.

A quarta maior economia

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil pode superar a projeção do Banco Mundial de ser a quinta maior economia do mundo até as Olimpíadas de 2016, no Rio do Janeiro. “Não temos pretensão de ser a primeira (economia), mas podemos estar entre as quatro maiores economias do mundo sem inventar”, disse, ressaltando que a receita do crescimento será a distribuição de renda e os investimentos do setor privado.

O supremo falastrão e a segurança pública - Por alfredo machado (blog do Nassif)

Nassif:
Impressionante o senhor GM, pois sendo ele o presidente do STF, chama atenção a sua desmedida atração pelos holofotes; demonstra capacidade para opinar sobre qualquer assunto – é capaz de dar palpite sobre o resultado do jogo do bicho, a meteorologia ou mesmo interpelar Dunga sobre a escalação da seleção, enfim, não tem qualquer limite; não me recordo de semelhante a partir de um membro do STF, não necessariamente o seu presidente.
Hoje, seu palpite (poderia ser o meu) foi sobre o grau de responsabilidade das instâncias federal e estadual pela chegada de armamentos estrangeiros às grandes capitais, notadamente Rio e São Paulo, aproveitando então para “arremessar a bola” para o governo federal.
Como GM é personagem de indiscutível importância, em função da cadeira que ocupa na mais alta corte do país, pressupõe-se que seja pessoa bastante esclarecida e amante da sequencia correta dos fatos, logo, ao invés de apenas reclamar sobre as efetivas responsabilidades do governo federal quanto ao controle das fronteiras do país, tem por obrigação não esquecer que, para a existência do tráfico de armas e drogas é imprescindível muito dinheiro, em quantidade suficiente para não ser possível movimentação física do mesmo (são milhões e milhões de dólares que vão prá cá e prá lá), ou seja, o primeiríssimo passo para o combate à entrada de armas e drogas no país é a busca pela identificação do caminho do numerário, pois sem dinheiro não existe negócio, não existe tráfico de nada – não me recordo, nunca ouvi falar de malas de dinheiro subindo e descendo das favelas cariocas ou paulistas, nunca ouvi falar de apreensão de significativa quantidade de dinheiro nas centenas de batidas policiais aos pontos de tráfico.
Por isto, entendo que as preocupações do presidente do STF, na próxima entrevista televisiva sobre o assunto deveriam começar pelo começo, isto é, pelo rastro deixado pelo dinheiro (investigações de serviço de inteligência poderiam levar a inúmeras quebras de sigilo bancário), algo que, estranhamente, nunca foi levado em consideração por aqueles que demonstram preocupação com a questão.
Senhor GM, SIGA O DINHEIRO.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Serra fala pelo marqueteiro ? Ou é o contrário ? - por PHA

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=20178

PiG(**) troca Censo do IBGE por Globope. E danem-se os pobres - por PHA

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=20145 - por Paulo Henrique Amorim

'Le Monde': Lula inventa universidade do século 21 - por BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/10/091014_imprensadanielaebc.shtml

Sobre laranjas e pessoas – por Eduardo Guimarães (blog Cidadania)

O processo civilizatório ainda tem muito que caminhar no Brasil, pois uma sociedade só é civilizada quando os interesses comerciais de grupos econômicos não se sobrepõem ao bem estar social.
No Velho Mundo, por exemplo, atingiu-se um estágio civilizatório em que esse bem estar social se sobrepõe aos interesses comerciais e corporativos. Não existe um país considerado civilizado em que pessoas valem menos do que frutas destinadas à comercialização.
No dia 24 de agosto, para atender demanda judicial de uma empresa de ônibus de São Paulo, a Polícia Militar, sob ordem do governador José Serra, derrubou barracos de OITOCENTAS famílias numa favela incrustada no bairro de Capão Redondo.
As famílias (crianças, mulheres, idosos) foram jogadas na sarjeta, puseram-se a perambular pelas ruas da cidade em pleno inverno, passando frio e fome, e ninguém pediu CPI, muito menos a mídia. Uma mulher favelada chegou a ter o filho roubado no meio da confusão.
Na semana passada, porém, a indignação midiática foi às nuvens com a destruição de pés de laranja por membros do MST em terra invadida pela empresa fabricante de suco de laranja Cutrale.
O Incra diz que a Cutrale invadiu aquela terra e ali cultiva laranjas ilegalmente, pois, tanto quanto as famílias do Capão Redondo, não pagou pela terra. Na reintegração de posse popular, porém, a mídia e os partidos de direita no Congresso defendem os invasores.
Este é o sistema capitalista mais selvagem que se pode conceber, no qual o ser humano vale menos do que pés de laranja. Em nenhum país civilizado famílias inteiras são jogadas na sarjeta sem que o Estado manifeste a menor preocupação com o destino delas.
É possível uma sociedade capitalista respeitar mais as pessoas do que os interesses comerciais. Vários países fazem isso. Esses episódios de destruição de pés de laranja e de moradias de famílias pobres mostram quão distantes ainda estamos da civilização plena.

Esclarecimentos sobre os últimos episódios veiculados pela mídia - MST informa

Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.

1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.

2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.

A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.

3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.

4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.

5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.

6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.

7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.

8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.

9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.

Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.

10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.

À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.

Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.

São Paulo, 9 de outubro de 2009

DIREÇÃO NACIONAL DO MST

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Rosa dos Ventos - por Mauricio Dias (Cartacapital)

Como já era esperado, o senador tucano Tasso Jereissati apresentou um relatório contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, proposta em um Contrato de Adesão que tramita no Congresso desde julho de 2006.

Na reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado, no dia 1º de outubro, quando Jereissati leu o parecer que fez, não apanhou ninguém de surpresa. Era uma carta já marcada. O relator, por exemplo, ausentou-se das sessões em que os depoentes apresentaram argumentos e informações divergentes dos palpites dele sobre a questão.

O que representam o relatório e o comportamento de Jereissati?

“Um ato hostil a um país com quem o Brasil tem aprofundado laços não apenas econômicos, mas também culturais e científicos. Lamentavelmente, o parecer não é apenas diplomaticamente equivocado. É também irresponsável”, responde o professor Fabiano Santos, coordenador do Núcleo de Estudos Sobre o Congresso (Necon/Iuperj), que faz acompanhamentos das comissões do Parlamento que tratam de temas relevantes para a inserção internacional do Brasil.

Segundo Fabiano Santos os dados do comércio entre Brasil e Venezuela nos últimos nove anos (gráfico) mostram “o tamanho da irresponsabilidade do relator”.

A aproximação comercial com a Venezuela é francamente favorável ao Brasil. Nos últimos dez anos, as exportações para a Venezuela aumentaram 858%, passando de 536,7 milhões de dólares, em 1999, para 4,6 bilhões de dólares em 2008. No ano passado, o Brasil teve um superávit comercial com os EUA de 1,8 bilhão de dólares. Com a crise, a Venezuela passou a representar 29% de todo o saldo da balança comercial brasileira. Dos 3 bilhões de dólares do saldo da balança, neste ano, 878 milhões de dólares vieram de negócios com os venezuelanos.

“A irresponsabilidade da rejeição do Protocolo de Adesão é ainda maior no campo político. O relatório de Jereissati, que evidencia uma forte preocupação com a fragilidade da democracia naquele país, sugere, como terapia, o isolamento político, negligenciando o potencial de contenção institucional que a inclusão ao Mercosul poderia ter, em um contexto em que tanto Chávez quanto a oposição se veem enredados em estratégias de radicalização política”, explica o coordenador do Necon.

Esse ponto provocou a indignação do senador Pedro Simon, durante acalorado debate com Jereissati. Em um momento de retorno aos seus melhores desempenhos na tribuna, Simon lembrou que “com a Venezuela dentro do Mercosul” haveria condição, na avaliação dele, “de garantir a democracia naquele país”.
Simon acredita que a posição do tucano Jereissati “favorece interesses contrários à integração continental, principalmente os norte-americanos”.

Mas não seria essa a motivação do senador Jereissati?

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Andante mosso
Ladeira abaixo e...
O resultado de uma sondagem de opinião do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), feita dia 21 de setembro, no Rio de Janeiro, mostra a dificuldade da candidatura do governador José Serra no estado.

A série do IBPS, iniciada em março, aponta para uma queda constante do nome do pré-candidato tucano: ele caiu de 30% para 22%.

Foram feitas 2006 entrevistas telefônicas representativas do eleitorado fluminense, distribuídas por critérios de sexo, idade e localização geográfica. A margem de erro é de 2,2%

... sem palanque
Além disso, com a candidatura presidencial de Marina Silva (PV) ruiu o palanque que se armava para Serra, cujo pilar seria a candidatura de Fernando Gabeira ao governo do estado.

O PSDB não tem alternativa consistente. O prefeito tucano Zito, de Caxias, na Baixada Fluminense, está totalmente envolvido nos planos eleitorais do PMDB. Já declarou apoio à candidatura ao Senado do deputado estadual Jorge Picciani.

Zito receberá R$ 32 milhões do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Município (Padem), após convênio firmado com Sérgio Cabral, candidato à reeleição.

A prefeitura municipal respira com oxigênio do governo estadual.

Nó diplomático
O Brasil deu um nó nos golpistas de Honduras.

Não definiu o status de Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira, sob pena de admitir o golpe, e nem reconhecerá o vencedor da disputa presidencial de novembro, caso o presidente deposto não reassuma o poder antes do pleito.

Não há, portanto, como negociar para que Zelaya reassuma só após a eleição.

Há apoio da comunidade internacional para as duas decisões.

Eleição rubro-negra
É grande o número de candidatos à presidência do Flamengo, na eleição marcada para novembro. Havia, originalmente, nove candidatos. Sobraram sete.

Já que a dívida do clube ultrapassa a casa dos R$ 300 milhões é de se perguntar: por que tanta gente quer o comando dessa massa falida?

A resposta é simples: o poder oferece muitas recompensas.

Sarapatel baiano
Vieira da Cunha, presidente nacional do PDT, avisa que o partido não vai abrir mão do comando da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.

Severiano Alves, pedetista que presidia a Comissão, filiou-se ao PMDB depois que a direção do PDT interveio no diretório baiano para manter a coligação com o PT para a eleição de 2010.

Alves namorava a vaga de vice-governador na chapa do peemedebista Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional.

Família Mendes
O ex-prefeito de Diamantino Francisco Ferreira Mendes Junior, o Chico Mendes, foi multado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso em R$ 27.863,29, por irregularidades administrativas no exercício de 2008.

Algumas delas foram classificadas como de “natureza gravíssima”.

Chico Mendes é irmão mais novo do presidente do STF, Gilmar Mendes.

Cena intrigante
No sábado 3, os jornais cariocas traziam dois registros envolvendo policiais militares.

Um deles foi ferido pela explosão de uma granada dentro do carro, no subúrbio de Bento Ribeiro. O outro, já na reserva, foi preso com uma pistola 9 mm, no porta-luvas do carro, em Copacabana.

Dirigiam, respectivamente, uma Hilux blindada (225 mil reais/modelo 2009) e uma picape Nissan (125 mil reais/modelo Luxury 2009).

Os PMs que patrulham as ruas cariocas ganham em torno de mil reais e, recentemente, fizeram passeata por aumento de salário.

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Vida no cárcere
Em busca do preso perdido
O mundo estranho dos presídios brasileiros pode tornar-se mais conhecido e entendido, a partir de agora, com o método de pesquisa desenvolvido pelo antropólogo Cláudio Gama, do Instituto de Pesquisas Mapear.
Como a legislação proíbe o contato direto com o entrevistado e veta o uso de caneta, além do analfabetismo e da dificuldade de interpretação de uma parte dos presos, criou-se uma barreira intransponível para os pesquisadores.

Gama descobriu como saltar o obstáculo. Reuniu grupos de presos, num total de 80, em um mesmo ambiente, distantes 1,5 metro um do outro e distribuiu cartelas coloridas. Cada cor significava uma resposta para cada item do questionário. As cartelas foram depositadas em urnas individuais e, posteriormente, tabuladas.

Simples e engenhosa, a pesquisa foi aplicada a pedido do grupo F4, que reúne o Afro Reggae, a Central Única de Favelas, o Nós do Morro e o Observatório das Favelas, cujo objetivo era avaliar a Rebelião Cultural. Um trabalho que oferece oficinas de artes e esportes aos presos de Bangu 2, 3, 4 e Talavera Bruce, no Rio de Janeiro.

Em linhas gerais, os detentos consideraram que o programa ajuda a aliviar a tensão nos presídios e, principalmente, abre perspectiva de trabalho após o cumprimento da pena.

Diferenças no enfrentamento da crise - por Eduardo Marques

Muito tem sido dito, ultimamente, sobre as possíveis semelhanças de projetos entre as candidaturas tucana e petista em 2010. O período de crise pelo qual o Brasil passou, porém, revelou-se importante para fazermos um balanço sobre as reais diferenças de projetos que estarão em jogo no ano que vem.
O Governo Lula, para enfrentar a crise, reduziu alíquotas de impostos, aumentou o gasto público, baixou os juros e ampliou o crédito público, implantando uma política tributária, fiscal, monetária e creditícia anti-recessiva, promovendo diretamente e financiando a produção e o consumo. Também manteve e aprofundou as políticas sociais de transferência de renda. Esta agenda tirou o país da crise rapidamente.
No Governo Serra, a venda do patrimônio público, o “arrocho salarial”, o congelamento dos recursos para financiamento da produção e o aumento da carga tributária permaneceram como elementos centrais da administração tucana. Uma política tributária, fiscal e creditícia irresponsável, aprofundando a crise econômica. A insistência nesta agenda ultrapassada foi definida pelo Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do Governo Lula, em reportagem recente (O Estado de São Paulo, 2/10/2009), como “terrorismo fiscal”.
As diferenças entre o Governo Lula e o Governo Serra no enfrentamento da crise econômica revelam, na verdade, profundas diferenças na concepção de ambos em relação ao papel do poder público.

Para o Governo Lula, o poder público pode e deve atuar fortemente na garantia do desenvolvimento social e econômico do país.

Já a agenda tucana tem como eixo principal o Ajuste Fiscal Permanente iniciado em 1997, com a assinatura do Acordo da Dívida do Estado de São Paulo com a União. Naquele momento, Mário Covas se comprometeu a aumentar a arrecadação, cortar gastos (sobretudo com o funcionalismo público), vender o patrimônio público (privatizar), não realizar novas operações de crédito e reduzir os investimentos. Buscava-se, deste modo, ampliar o superávit primário, gerando recursos para o pagamento dos encargos da dívida pública.

De lá para cá, quase nada mudou na agenda dos governos tucanos no Estado de São Paulo, nem durante a grave crise econômica e financeira pela qual o país passou no final de 2008 e princípio de 2009.

Para sermos mais precisos, as diferenças entre Lula e Serra no enfrentamento da crise econômica e financeira recente podem ser apresentadas em quatro pontos:

• Política tributária: enquanto o Governo Lula reduziu a alíquota de impostos federais, como o IPI, para setores econômicos com grande impacto na produção, na geração de emprego e na renda – como no caso da indústria automobilística, no setor de material de construção e no setor de eletrodomésticos da chamada “linha branca” -, o Governo Serra ampliou para dezenas de setores o mecanismo da substituição (antecipação) tributária do ICMS, cobrando impostos sobre as empresas sem que estas tivessem efetivamente vendido seus produtos, retirando recursos do caixa das empresas no auge da crise, desestimulando as vendas promocionais no setor atacadista e varejista e prejudicando as micro e pequenas empresas.

• Compensação aos municípios: o Governo Lula implantou medidas de compensação aos municípios pela queda na arrecadação e nas transferências do Fundo de Participação dos Municípios/FPM. A compensação foi de R$ 1 bilhão, assegurando-se o repasse dos mesmos valores de 2008, recorde histórico do FPM. O Governo Serra não criou nenhuma medida de compensação aos municípios pela queda dos repasses do ICMS nos primeiros meses do ano.

• Crédito para a produção e o consumo: o Governo Lula ampliou a oferta de crédito para a produção e o consumo através dos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES), compensando a redução da oferta de crédito dos bancos privados no auge da crise. O Governo Serra vendeu o Banco Nossa Caixa e congelou mais de 61% dos recursos da Agência de Fomento do Estado de São Paulo (cerca de R$ 492 milhões), nos primeiros meses de 2009.

• Políticas sociais e garantia de renda: o Governo Lula garantiu o aumento real do salário mínimo e do Programa Bolsa Família em 2009, além de seguir corrigindo o salário do servidor público federal. Já o Governo Serra não cumpre a data-base do funcionalismo público e segue arrochando o salário dos servidores. Mais ainda, no início de 2009, bloqueou cerca de 20% dos recursos nos principais programas sociais de transferência de renda, tais como o “Renda Cidadã” e o “Ação Jovem”;

Moral da história: a verdadeira agenda do desenvolvimento econômico e social continua com o governo petista, e graças a ela, entramos por último e saímos primeiro da grave crise econômica e financeira que se abateu sobre o mundo. Já os tucanos continuam com uma agenda congelada no tempo, baseada no antigo "ajuste fiscal permanente", caminho óbvio para o Estado Mínimo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Chicaneiros e Sofistas - por Miguel do Rosário (óleo do diabo)

Depois de Merval Pereira, do Globo, ter citado artigo de Dalmo Dallari no qual o jurista defende o golpe em Honduras – dizendo que não foi golpe -, a Folha de São Paulo, reproduz o texto na edição deste sábado. Com um detalhe importante: o artigo vem publicado na própria seção Mundo, ao lado das notícias, e não na parte reservada às opiniões.

O fato de Dallari ser ligado ao PT é um trunfo. A mídia conservadora está sempre à cata de petistas cujas opiniões lhe seja útil. Recentemente, Dallari também elogiou o espancamento de estudantes e professores da USP, durante os conflitos decorrentes de uma greve, e suas palavras também pareceram cair como maná dos céus para editorialistas meio acuados na posição desconfortável de isentar ou defender o governador José Serra.

Desta vez, novamente, a opinião dallariana soa como trombeta salvadora, principalmente para aqueles que, como Merval Pereira, apostaram seu prestígio na defesa de um golpe condenado mundialmente.

Acontece que o artigo de Dallari é um amontoado de besteiras. A discussão sobre se foi golpe ou não é ultrapassada. A maioria esmagadora afirma que sim. Os fatos dizem que sim. As consequências gritam. O povo hondurenho, que é, afinal, quem tem a última palavra nessa questão, se manifesta nas ruas, gritando contra o golpe de Estado.

Dallari menciona a decisão da Suprema Corte de Justiça como se falasse de uma canetada de Otávio Augusto, o César dos Césares. Quer dizer, então, que se Gilmar Mendes quiser, ele pode depor o Lula e deportá-la para Nicarágua?

É por essas e outras que sempre afirmo aqui, neste blog, que não acredito em sábios. A verdade não é uma propriedade arraigada em títulos acadêmicos ou fama. A verdade é uma força em movimento, e só existe na discussão livre, na dialética. O golpe militar no Brasil, em 1964, também foi apoiado por diversos juristas famosos. Muitas celebridades do mundo artísticos e acadêmico igualmente chancelaram o assassinato da democracia brasileira. Ao percorrer as páginas dos jornalões brasileiras dos dias subsequentes ao golpe de 64, encontro, por exemplo, um depoimento de Alfredo Federico Schmicht, o simpático e boêmio editor e poeta, o mesmo que descobriu Graciliano Ramos e foi uma figura tão querida entre a vanguarda da intelectualidade nacional, defendendo a legalidade do golpe.

Respeito a opinião de Dallari, mas dou-me o direito e a liberdade de afirmar que ele, mais uma vez, perdeu uma magnífica oportunidade de não falar besteira. Diante da gravidade do fato e dos interesses geopolíticos envolvidos, a opinião de Dallari apenas serve à extrema direita americana (tenho usado essa palavra, americana, no caso de Honduras, para me referir a toda América, de norte a sul).

É claro que foi golpe! Não são chicanerias de juristas vaidosos e confusos (para não dizer senis), que mudarão o fato consumado de um presidente, eleito democraticamente, ser deposto sem o mínimo direito à defesa, essa sim uma lei “pétrea” de qualquer democracia. Dallari pode até defender o espancamento de alunos e professores da USP, mas usar o seu prestígio para chancelar um golpe de Estados é de provocar engulhos. Ao mesmo tempo, serve de alerta para todos. É preciso pensar com a própria cabeça, sempre. O caso de Honduras é um tema político, e não podemos nunca deixar a política ser dominada pela esquizofrenia jurídica, pois, é sempre bom lembrar, quase todos os golpes de Estado da história da humanidade, tiveram suas justificações. No caso da América Latina, sempre foram “democráticos”...

Zelaya pode ter cometido inúmeros erros políticos. Não tenho a mínima idéia se Zelaya é um bom presidente ou não. O que estamos discutindo aqui são princípios democráticos universais, os quais foram brutalmente violentados em Honduras, e o Brasil, na medida do possível, sem intervenção e sem agressão, está colaborando para que eles, os tais princípios, sejam consolidados.

Globo tenta, mais uma vez, quebrar a espinha da UNE - por Miguel do Rosário (Óleo do diabo)

A turma do Ali Kamel não engole que o movimento estudantil seja de esquerda, partidário, ideológico e, supremo vício, apóie o governo Lula. Os platinados têm um tipo ideal de movimento estudantil na cabeça e não descansarão enquanto não produzi-lo. Estão se esforçando para isso. Hoje, quarta-feira, 7 de outubro, o Globo estampa na primeira página uma enorme foto com uma multidão de 12 estudantes, reunidos no playground de algum edifício da zona sul. Depois dedica a página 4 inteira ao grupo. Repare na declaração de "bom-mocismo" de um dos integrantes:

"Somos apartidários, não queremos nos envolver com nenhum tipo de jogo político."

Eu não quero julgar esses garotos. Acho extremamente positivo que a juventude se politize. Tenho certeza, aliás, que eles, desde que ingressem, de verdade, na política estudantil, irão, mais cedo ou mais tarde, aproximar-se de partidos e governos. É natural e saudável que assim aconteça. A tentativa grotesca dos ideólogos do Globo de criar um movimento estudantil que não faça política dá vontade de rir.

Pode ser interessante haver um setor não-partidário no movimento estudantil, mas muita gente esquece que os jovens deixam de ser jovens e os estudantes deixam de ser estudantes, e que precisarão aplicar a experiência política acumulada em alguma parte e, no Brasil como em qualquer outra democracia, é preciso estar inscrito num partido para participar da vida política oficial do país. A menos que não se queira fazer política de verdade, e se tornar uma espécie de diletante palpiteiro (como eu).

É preciso, sobretudo, não criminalizar partidos ou governos, porque, ao fazê-lo, critica-se o próprio modelo republicano nacional, já que essas são as únicas instâncias realmente democráticas da sociedade. Claro que há problemas no movimento estudantil, nos partidos, e nos governos, e nas relações entre as partes, mas é preciso modernizar essas relações, não pretender, ingenuamente, extingui-las.

Sim, os partidos, muitas vezes, aparelham o movimento estudantil de forma fria e negativa, mas também dão suporte para que estudantes pobres possam exercer participação política. Sem apoio partidário, nenhum estudante pobre poderia participar do movimento estudantil, ou ficaria muito mais difícil para eles. Não é por outra razão que os 12 estudantes fotografados pelo Globo são estudantes de classe média, que estudam em colégios caros da zona sul carioca.

O ridícula da história é o Globo tentar vender um movimento insignificante, localizado num pedacinho endinheirado do Rio, como algo comparável à UNE, cujos números chegam às dezenas de milhares de delegados eleitos democraticamente.

Tenho respeito por esses 12 estudantes, repito. Mas eles precisam tomar cuidado para não serem manipulados pela ideologia antipolítica (hipocritamente antipolítica, diga-se de passagem, porque a mídia nunca foi tão politizada), que criminaliza partidos, ideologias e movimentos sociais organizados.

Em sua campanha covarde para desqualificar a UNE, o Globo sempre lembra o papel da entidade na ditadura militar, sem contextualizar o momento, e, sobretudo, sem se auto-contextualizar. Na época, o movimento estudantil foi destroçado pela ditadura e pelos meios de comunicação. No dia posterior ao golpe, o Globo noticiou, sem disfarçar o êxtase, a depredação e incêndio da sede da UNE. E durante os anos de chumbo, sempre retratou os jovens que protestavam como baderneiros.

O Globo criou o mito de um movimento estudantil eternamente revoltado contra tudo e contra todos, o que não corresponde a realidade ideológica do jovem contemporâneo, cujo espírito já assimilou as transformações mundiais, como o fim do mundo socialista e a abertura econômica da China. O socialismo não morreu, mas modernizou-se e, para desespero de alguns reacionários, de direita e esquerda, amadureceu. Desde os tempos de Lênin, os verdadeiros revolucionários são aqueles que não negam a realidade, que entendem a correlação de forças e que procuram agir visando resultados concretos.

O movimento estudantil deve, sobretudo, precaver-se contra a instituição mais reacionária nesses tempos de decadência liberal: a imprensa corporativa, este odioso Leviatã midiático que vem minando a democracia em toda a América Latina, inclusive, em pleno século XXI, apoiando golpes de Estado. Deve lembrar-se que a UNE apoiou João Goulart em 1964, e também era criticada pela mídia reacionária da época, também era chamada de chapa-branca. O governador de São Paulo, José Serra, quando era presidente da UNE e ainda não se havia bandeado para o conservadorismo midiático que professa hoje, discursou ao lado de Goulart no último comício deste.

O Globo trabalha incessantemente para quebrar a espinha de movimentos sociais, partidos, sindicatos, todos que defendem os trabalhadores no país; e a estratégia de "dividir" para reinar sempre foi eficiente. O movimento estudantil precisa de sangue novo. A política brasileira precisa de sangue novo. Mas como contribuiremos para renovação da classe política brasileira se defendermos um movimento estudantil "não-partidário" e distante do "jogo político"? Como teremos um melhor Congresso, um melhor Senado, condenando a participação partidária?

Também é egoísta e medíocre a argumentação de que ao movimento estudantil só cabe pedir "reforma educacional". Por quê? O movimento estudantil deve participar das políticas de todos os setores, não apenas do setor educativo.

O irônico é acusar a UNE, com seus congressos de 20 mil delegados, com suas milhares de ramificações estaduais e municipais, de não representar os estudantes e, ao mesmo tempo, pretender que um grupo de 12 estudantes de escolas ricas da zona sul carioca tenham alguma representatividade relevante.

As forças conservadoras preferem que nossos jovens se mantenham afastados das lides partidárias porque têm plena consciência de que a maioria esmagadora da juventude professa uma ideologia de esquerda - o que seria até aceitável, desde que não fosse esse maldito esquerdismo contemporâneo, pragmático e astuto, sem medo do poder. Os conservadores querem, no fundo, deixar o terreno livre para que os sindicatos patronais ocupem o espaço político que deveria, democraticamente, pertencer ao povo. Com apoio de militares, mídia, associações empresariais, parlamentares pouco comprometidos com a democracia, e com uma juventude apartidária e despolitizada, os Michelettis do mundo poderão sempre dar seus golpes e assumir o poder.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A cara do Brasil - por Luis Nassif

Em meu livro “Os Cabeças de Planilha”, a partir da observação do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percepção de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econômico, tal como ocorreu no governo JK.
Pensava em algo assim:
1. O país vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.
2. Quando esses avanços são percebidos no seu todo – e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado “espírito animal” na economia.
3. Em algum momento, algum evento político ou econômico daria o tiro de partida, despertando o país para essa nova realidade.
4. Ganharia o galardão de Estadista o político que conseguisse mostrar que o país é composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as políticas sociais, os movimentos sociais, o agronegócio, a indústria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na síntese, conduzindo.
A Constituição de 1988 permitira grandes avanços sociais. O governo Collor fizera o trabalho sujo de desmonte do modelo anterior, de redução da dívida pública para patamares civilizados e deixara plantadas as sementes de programas de qualidade, da abertura gradativa da economia. Mesmo aos trambolhões, o governo Itamar Franco manteve a chama da responsabilidade social que emergiu com a Constituinte.
***
FHC pegou o país pronto, uma conjuntura internacional extraordinariamente favorável (com o reposicionamento das multinacionais no mundo), o PSDB tornou-se o pólo de atração de quadros técnicos dos melhores – PUC Rio, FGV São Paulo, FEA.
FHC tinha preparo, história, acesso aos movimentos de esquerda e aos empresários, à academia e à política. Todos os grupos modernizadores, plantados nos anos anteriores, convergiram automaticamente para sua candidatura, em 1994.
Mais que isso, tinha a espoleta política capaz de deflagrar a auto-estima nacional: um plano de estabilização bem sucedido.
Naqueles primeiros anos, o país regurgitava o novo. Estudos eram tirados das gavetas, por todos os cantos havia a esperança da inovação, da mudança de hábitos, da modernização.
***
Foi essa oportunidade histórica que FHC jogou no lixo. O que explica esse desperdício? Em parte, porque sua única obsessão era o chamado controle do Estado – a criação de oportunidades de enriquecimento para novos grupos, através da privatização.
Mas, muito, por conta da extrema falta de compromisso com o país. Era apenas um deslumbrado com o poder. De imediato afastou do Palácio os dois tucanos que poderiam impulsionar o governo – Sérgio Motta e José Serra.
***
Com o tempo, conseguiu descaracterizar completamente não apenas seu governo, mas o próprio PSDB. Tirou do partido a vitalidade inicial, a busca do novo, a visão de conjunto e pragmática sobre o país, a ponto de descaracterizar completamente o próprio José Serra – cuja submissão intelectual e emocional a FHC um dia ainda será objeto de análises mais aprofundadas.
Em busca do tempo perdido – 1
A inação de FHC gerou quinze anos de atraso ao país. Só agora se retoma a trilha perdida, por conta da intuição de Lula. Não é por outro motivo que o ex-Ministro Delfim Netto – que não é de gastar elogio à toa – declarou dia desses que Lula salvou o capitalismo brasileiro. Não se trata de mera retórica. Depois das cabeçadas iniciais, Lula conseguiu entender muito melhor do que FHC a lógica do Estadista.
Em busca do tempo perdido – 2
O caminho passava pela conciliação da nação em torno dos novos valores do desenvolvimento. Ao contrário de FHC – que encontrou o país pronto – Lula precisou construir seu próprio caminho. O primeiro desafio consistia em desarmar seu próprio partido – um amálgama de várias tendências e de vários estilos políticos. Depois das cabeçadas iniciais, quando bateu no fundo do poço – o episódio dos chamados “mensaleiros” – começou a virada.
Em busca do tempo perdido – 3
A crise ajudou a domar as áreas mais radicais do partido. Quem não se enquadrou saiu para montar partidos mais à esquerda. Dentro do governo, Lula abriu espaço para o agronegócio (através do Ministério da Agricultura), para a agricultura familiar (através do Ministério do Desenvolvimento Agrário), para o mercado (através do Banco Central) e para os movimentos sociais (através do Ministério da Integração Social).
Em busca do tempo perdido – 4
Ao mesmo tempo em que imprimia uma política econômica muito ortodoxa, pouco a pouco foi montando a área desenvolvimentista do governo, com o eixo BNDES-Ministério da Fazenda. Demorou para implementar a nova política? Para muitos, demorou. Mas aguardou o tempo político. Quando eclodiu a crise mundial, veio a oportunidade para a mudança na política econômica. Aproveitou-se com um senso de oportunidade único.
Em busca do tempo perdido – 5
No plano político, projetou a imagem de um pacificador inesperado, tendo em conta seu histórico de lutas sindicais pesadas. Apesar de alvo da mais inclemente campanha de mídia que um presidente jamais encarou – mais acirrada e prolongada que a própria campanha do impeachment – jamais radicalizou suas críticas ou se valeu do poder do príncipe para pedir a cabeça de jornalistas – o oposto de alguns adversários.
Em busca do tempo perdido – 6
Por tudo isso, a herança bendita de Lula não foi FHC. Foi o movimento pela qualidade, o pensamento desenvolvimentista, os mercadistas, os que construíram o agronegócios e os movimentos sociais. Em suma, essa grande confluência de setores e fatores que compõem o Brasil moderno. O sindicalista semi-alfabetizado soube entender a complexidade do país muito mais do que o sociólogo consagrado.

Eleições e poder de mídia - por Luis Nassif

O Jânio de Freitas traz uma questão torturante sobre a Lei Eleitoral e o ativismo político da mídia: a enorme dificuldade em definir a busca da isonomia e a neutralidade do noticiário. E reclama a ausência de um Conselho capaz de arbitrar sobre o tema.
A questão é relevante por dois motivos.
Primeiro, por não ser possível analisar a neutralidade apenas em função do maior ou menor espaço concedido aos candidatos. O ativismo da imprensa não se mede apenas no oba-oba para um lado e na crítica destemperada para o outro. Mede-se especialmente na manipulação do noticiário, das manchetes, das pesquisas de opinião.
A insistência da Folha em transformar Aécio em vice de José Serra – apesar de todos os desmentidos dele – não é uma mera barriga. A intenção é esvaziar eventuais movimentos em direção à sua candidatura.
O episódio da ficha falsa de Dilma – pela Folha – foi uma armação pensada com o óbvio propósito de marcá-la como “terrorista”, “assaltante de banco”.
O carnaval no episódio Lina Vieira não foi apenas uma “barriga” em torno de uma acusação provavelmente falsa – já que na única data do suposto encontro, vazada para os parlamentares de oposição, comprovou-se não ter havido a reunião. Durante trinta dias, serviu para o Jornal Nacional impingir em Dilma a pecha de “mentirosa”.
O segundo ponto é que, cada vez mais, fica nítido que não existe o jornalismo neutro. Quem edita jornais são empresas de comunicação com outros interesses empresariais e que freqüentemente usam a notícia como estratégia de negócios.
Trata-se de uma verdade inconteste que sempre se escondeu atrás do manto da liberdade de imprensa – que, por sua vez, é um valor relevante, apesar de estar sendo desmoralizado pela ação inconsequente dos próprios grupos de mídia brasileiros.
A sentença do juiz Carlos Henrique Abrão – no processo movido pela Abril e pelo (turquinho) Eurípedes Alcântara contra mim – é um marco que tende a se transformar em jurisprudência (clique aqui).
O juiz Abrahão defende a liberdade de imprensa, aponta sua relevância no período da democratização. Depois, enfatiza esse aspecto dos interesses comerciais das empresas jornalísticas, levando-as a instrumentalizar a notícia. Finalmente, aponta para a importância das novas mídias como fator de moderação dos abusos cometidos.
Coincidentemente, no período de maiores transformações jornalísticas da história, todos os grandes veículos passavam por uma transição que os deixou à mercê de direções de redação um tanto amadoras, permitindo essa exposição inédita de seus vícios.
A série “O Caso de Veja” expôs essa promiscuidade exasperante entre notícias e negócios. É só lembrar da campanha contra livros didáticos, que atendia diretamente os interesses comerciais da Abril. Ou a maneira como Roberto Civita armou-se de dois pistoleiros para tentar destruir a reputação de todos os que ousassem apontar os jogos perigosos que passou a montar com Daniel Dantas.
E aí se entra em novo ponto importante. Como impedir a manipulação da liberdade de imprensa sem, ao mesmo tempo, colocá-la em risco?
O caminho é um só: regulações que estimulem a competição; estímulos à organização de sistemas de informação em rede, para que todos os grupos sociais possam ser representados nesse novo tempo; aplicação de princípios de direito econômico onde se configurar práticas monopolistas ou cartelizadas.
Em seu artigo, Jânio distingue rádio e TV (como concessões públicas) dos impressos. O papel do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) é evitar práticas monopolistas nos mercados de cerveja, chocolate, alimentos, siderúrgico. Porque o mais relevante dos mercados – o de opinião – deveria ficar de fora?
Por gabs
Nassif.
Tem um artigo do Nobel Ronald Coase (The Market for Goods and the Market for Ideas) em que ele analisa a quinta emenda da constituição americana sobre o enfoque: Por que se admite a regulação do governo no mercado de bens e não no mercado de informação? Se as pessoas que atuam em ambos mercados são essencialmente as mesmas, com os mesmos interesses, não há qualquer razão que justifique uma liberdade absoluta no mercado de idéias.
Muito bom.

Da Folha
JANIO DE FREITAS

Páginas e minutos
Parece faltar um conselho para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação nas campanhas

AS MÁS RELAÇÕES entre militantes de candidaturas e, de outra parte, imprensa e TV começam mais cedo desta vez, incentivadas por uma das pequenas mexidas na Lei Eleitoral chamadas de “reforma”. É a que determina, já sob crítica da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que o tratamento igualitário aos candidatos seja antecipado para aplicar-se também aos pré-candidatos.
O problema resulta de equívocos que vêm desde a primeira eleição direta pós-ditadura. No caso dos jornais, desde então o espaço físico prevaleceu para as comparações de tratamento e, daí, para a motivação de queixas, no dia a dia, e de diversas acusações fortes. A aferição física, no entanto, é enganosa e insolúvel. Não há como assegurar espaço jornalístico equitativo nem mesmo para os três ou quatro candidatos principais (ou mesmo os dois de segundos turnos), quanto mais para todos.
Mas, ainda que se pudesse manter distribuição igualitária do espaço, a dimensão física não importa em comparação com a dimensão política, subjetiva, do teor dado ao espaço. E este não precisa ser explícito, pode ficar naquele terreno em que as interpretações divergentes encontram, ambas, justificativas. E lá se foi a isonomia, mesmo que haja igualdade de espaços concedidos aos concorrentes.
A neutralidade absoluta ante o processo eleitoral, cobrada pelos queixosos e os acusadores, é possível eventualmente. À parte razões humanas, porém, mesmo no jornalismo a neutralidade eleitoral não é a conduta sempre ética. Os candidatos não são iguais. Suas histórias não são iguais. Seus grupos não são iguais. Seus propósitos pressentidos não são iguais. E se algo aí macula a ética esperável de um candidato, não será ético o silêncio sobre essa mácula para preservar a neutralidade e o tratamento isonômico com outro(s) candidato(s). Além disso, uma notícia ou um comentário negativo também pode exprimir neutralidade.
Na televisão e nas rádios, sob certo aspecto o problema é mais simples: suas notícias têm a rapidez de flashs, sem dar muita margem a interpretações; sob outro aspecto, complica-se muito, com a importância tão diferenciada entre os horários e suas audiências. Então como se mede a isonomia pretendida pela lei? Comparando os minutos dados a cada candidato ou, já que um minuto em certo horário vale mais do que uma hora em outro, comparando, e de que modo, as estimadas audiências proporcionadas a cada candidato?
Se é assim em relação aos candidatos, aos já existentes e ainda possíveis pré-candidatos a exigência da lei passa da incompetência ao ridículo. A crítica da Abert tem razão de ser.
Distorções e manipulações existem em TV, e fica na história o seu papel na disputa de 1989 entre Collor e Lula, como existem na imprensa. Com uma diferença essencial na natureza dos dois sistemas: rádio e TV são concessões de um bem público para uso e proveito de particulares. Não podem, como bens de toda a população, ser usadas em prejuízo de aspirações legítimas de uma parte da nação, por interesse material ou outro do agraciado com a concessão.
O que parece faltar é um conselho, uma comissão judicial, ou algo por aí, para o acompanhamento da ética nas condutas dos meios de comunicação em campanhas eleitorais. Não para eliminar todos os problemas, mas para ponderar a procedência de queixas contra determinadas condutas, e procurar repará-las. Com o restante, o melhor é cuidado, porque talvez interfira em direitos e liberdades.

O melhor chanceler do mundo

The New ForeignPolicy.com
The world’s best foreign minister
http://rothkopf.foreignpolicy.com/posts/2009/10/07/the_world_s_best_foreign_minister

Jungman: a piada levada a sério - por blog do Nassif

Por vinicius souza
E olhem mais essa. Nao eh de gargalhar???

G Último Segundo – SP
Da Redação


O coordenador da comissão externa de deputados federais que esteve em Honduras na última quinta-feira, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), relatou nesta terça-feira que recebeu relatos de brasileiros que estariam sendo discriminados depois da atuação do Brasil em favor do presidente deposto, Manuel Zelaya. “Hoje recebemos telefonemas dizendo que alguns filhos de brasileiros estariam sofrendo algum tipo de discriminação nas escolas”, afirmou Jungmann.
Segundo o deputado, apesar do forte apoio internacional dado a Zelaya, a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti. “Está passando em todas as televisões um filme que termina com a frase: Brasil e Venezuela violentaram a soberania de Honduras”, disse ele.

Por Marco Vitis

Esse Jungman mentiu até para a Soninha do PPS, sua correligionária.
A história, em síntese, é a seguinte: naquela CPI em que ele participava ativamente para desmoralizar a Operação Satiagraha, surgiu a informação da existência de 250 caixas com documentos sobre grampos de Daniel Dantas.
Fiz uma mensagem para a Soninha, perguntando por que Jungman não se interessava pelas caixas que comprometiam Dantas.
Soninha repassou para Jungman o meu e-mail e ele respondeu para Soninha que iria fazer a requisição na segunda-feira.
Só que até hoje essa segunda-feira nunca existiu. Até a CPI acabou.
Eu tenho arquivado toda a troca de e-mail e posso comprovar este relato que faço.
A Soninha também sabe que Jungman mentiu e a enganou.

Por Claudio Assis

O deputado Jungmann está mentindo (me perdoem pela obviedade). O Partido Nacional daquele país publicou uma pesquisa – divulgada na Folha hoje – em que 82% da população acredita que Honduras não está seguindo por um bom caminho. 53% diz que o modo de tirar Zelaya do país não foi correto e 50% das pessoas afirmam que o presidente deposto deve voltar à presidencia.
Na pesquisa, apenas 3% encaram Zelaya negativamente, enquanto que 32% ve Micheletti dessa forma. Ou seja, qual o parâmetro de Jugmann ao afirmar que a população hondurenha demonstra preferência pelo parlamento do país e pelo presidente interino, Roberto Micheletti?
As emissoras de televisão? Ué, mas “todas as tvs” de Honduras estão aliadas ao golpe. As de oposição foram fechadas. Será que nosso deputadozinho ingênuo não percebeu que foi enganado? Ou ele pensou que éramos tão bobos quanto ele de achar engraçada uma piada dessas?

Conservadores e neocons: o caso brasileiro - Por weden (blog do Nassif)

Nassif,
Daqui a alguns dias vai estar disponível no site da GloboNews, no programa Milenio, a entrevista com o neoconservador Francis Fukuiama (o mesmo do “fim da história”), que faz elogios às políticas de proteção social deste governo.
Meu deus..Se até os acadêmicos neoconservadores americanos elogiam o bolsa família, em que lugar do espectro ideológico estão os nossos neoconservadores acadêmicos e nossos jornais?
Entenda-se por “pensador neoconservador” nada próximo do que os “pop neocons”, tantas vezes aqui abordados.
Apesar de chatinho, Fukuyama tem um trabalho consistente de pensamento.
Já os pop neocons têm um trabalho sério de difamação e calúnia, pouco juízo e nenhum pensamento.
Os primeiros são frutos de opções teóricas.
Estes últimos são produtos distorcidos de mídia.
No Brasil, em especial, além das duas categorias, há uma categoria mista.
São os “pop neocons convertidos”, provenientes das fileiras da academia, e que acharam que pesquisar, pesquisar e pesquisar sem almejar a fama é chato demais.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sobre Honduras

E eis que Micheletti se compromete a caçar os responsáveis pela expulsão do presidente democraticamente eleito.
E agora, José?

Sim, nós podemos - por Luis Nassif

Estava almoçando com um amigo banqueiro quando veio a notícia de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido cidade-sede das próximas Olimpíadas. Mandou abrir um vinho em comemoração. De manhã, um funcionário dele, em Copenhagem, mandou email informando que na cidade só se falava em Lula, uma euforia completa apenas pela presença de Lula por lá.
No restaurante, as mesas comemoraram pedindo vinhos e champagnes. Nas ruas, uma população orgulhosa do feito brasileiro. No Blog, centenas de comentários de leitores orgulhosos de serem brasileiros, finalmente orgulhosos de serem brasileiros, repito.
Chego no escritório, ligo a Internet e procuro o vídeo com o discurso de Lula, defendendo a candidatura do Rio e, depois, com Lula com os olhos marejados falando de sua maior especialidade: o modo de ser brasileiro. Tecendo loas ao Brasil, ao Rio, à ginga, à alma brasileira.
E me espanto de como é possível que parte da opinião pública ainda não tenha se dado conta da dimensão política global de Lula. Ele se tornou um dos governantes paradigmáticos do maior processo de transformações que a humanidade atravessa desde o pós-guerra.
***
A população pobre, que era custo, hoje se tornou o grande ativo dos emergentes China, Índia e Brasil. Lula representa não apenas a história de sucesso do operário que chegou a presidente. O polonês Lech Walesa também teve esse papel e não passou de mera curiosidade histórica. Já Lula tem desempenhado um papel civilizatório inimaginável.
Assumiu um país exaurido pela insensibilidade social, liderando um continente propenso a exageros populistas históricos, como contraposição aos exageros liberais. Globalmente, o fracasso das políticas neoliberais projetou uma sombra de xenofobia, intolerância e radicalização sobre todos os continentes.
Foi nesse ambiente propício à radicalização que Lula projetou sua imagem de pacificador, de agente do processo civilizatório mundial.
Com a mesma bonomia com que trata seus adversários políticos no Brasil, ou como tratava os peões de fábrica no ABC, ajudou a criar uma alternativa democrática no continente, orientando Evo Morales, contendo os arroubos de Hugo Chávez, tornando-se a esperança do Ocidente de manter uma porta aberta com o Irã.
Quando leva Obama para uma sala para explicar, em um bate-papo, como agir no caso do Irã, o severino retirante se despe de toda liturgia do cargo, dos tremeliques da diplomacia, usa a linguagem tosca e direta com que as pessoas normais se comunicam e ajuda a desenhar a nova diplomacia mundial. E com a cara do Brasil, a afetividade do Brasil, alisando as pessoas, tratando-as com o carinho brasileiro.
Na coletiva que deu após a escolha do Rio, a profissão de fé no Brasil entrará para a história. O orgulho de ser brasileiro, o “sim, nós podemos” entra definitivamente para o repertório brasileiro do século 21, do mesmo modo que JK empurrou o país com seu otimismo e sua genuína crença no valor do brasileiro.
Daqui a vinte anos, quando o país estiver definitivamente entronizado no panteão dos grandes países do mundo, será mais fácil avaliar a verdadeira dimensão de Lula, como o grande timoneiro dessa travessia.

Das mesquinharias históricas - por Hooligan (blog do Nassif)

Nassif, o “Fantástico” de hoje vai entrar para a história, como o JN de 1989 e a edição do debate Collor/Lula. A globo simplesmente “limou” o presidente da cerimônia de escolha da cidade. Na abertura do programa, um “clip” contendo imagens da cidade e da delegação, na expectativa da escolha. Após o anúncio, mostrou a festa, a comemoração. Focaram o Pelé, que nem abriu a boca, duas vezes. O Lula, nenhuma!!!
Pior foi depois, durante o programa, uma matéria mostrando o Nuzman dizendo sobre o que considerou importante para a conquista… Disse “o discurso do Havelange”, e mostra o velhão falando, “o mapa-mundi”, e mostra o tal mapa… E ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE O DISCURSO DO LULA!!! Não é que não mostraram o discurso dele, é que simplesmente nem foi mencionado que ele discursou e emocionou a todos! Depois mostraram só umas imagens “de bastidores”, em que ele aparece meio de “papagaio de pirata”, como que pra dizer que sua participação foi acessória, simbólica! Se alguém se “informou” só pelo “Fantástico”, ficou com a nítida impressão que Lula não teve NENHUMA INFLUENCIA na escolha do Rio!!!
É incrível, a globo não se cansa de tentar escrever sua versão da história… E cria esses momentos que a gente não pode deixar esquecidos!

Lula bate a Madrid - La Vanguardia

http://www.lavanguardia.es/free/epaper/20091003/index.html

O prêmio de Patrus - blog do Nassif

Por Calbercan
LN, ontem, enquanto Lula comandava em Copenhague a vitória do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o ministro Patrus Ananias estava na Alemanha, onde recebeu prêmio internacional. Mais um exemplo de reconhecimento ao Brasil. Veja:

(Do blog do ministro:)

Superar a fome é desafio de toda a humanidade

Publicado em 2/10/2009 às 13:45
Deixo hoje a cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ontem recebi, com profunda alegria, o 1º Prêmio Políticas do Futuro, concedido ao trabalho realizado na Prefeitura de Belo Horizonte na área de segurança alimentar e nutricional.
Ao receber o prêmio das mãos da representante da Nigéria no Conselho da ONG World Future Council, Hafsat Abiola-Costello, defendi que a superação da fome e da miséria é um desafio a ser vencido por toda a humanidade, o que somente será possível com vontade política e com a cooperação e o compromisso solidário de todos os atores sociais em nível internacional.
Posto aqui a íntegra do discurso, no qual homenageio todas as pessoas cujos compromisso e dedicação foram responsáveis pelo nosso sucesso, lembrando a inesquecível Maria Regina Nabuco, nossa grande parceira na implantação dessas políticas.
http://blogdopatrus.com.br/blog/?p=350

Comentário

Foi essa política do Patrus, que Merval, Kamel, Magnolli e outros menos votados despejaram toda a miopia e insensibilidade social. Os artigos especialmente de Kamel e Merval no futuro comporão um compêndio dos clássicos do pensamento jurássico no período em país que estava sendo preparado para o futuro.

De volta para o futuro - por Luis Nassif

De volta da caminhada, encontro na calçada o grande Evaldo Dantas, dos grandes jornalistas da história, um pouco avançado em anos. Ele me vê, abre um sorriso e diz: “Mas o que está acontecendo? O Brasil está explodindo no mundo”.
Respondo que não acreditava que fosse viver para testemunhar o que virá por aí.
Ele sorri, com a sabedoria dos muito velhos: “Eu não vou viver para assistir. Mas sei que acontecerá”.

O reconhecimento internacional - blog do Nassif

Por DKRC

NAssif,
Esse programa da CNN em espanhol, produzido no México, parece até feito por brasileiros. Fiquei incrivelmente admirirável com o entusiasmo deles com o Brasil, como novo player e potencia mundial em todos as aspectos.
Citaram o Brasil como potência economia, esportiva, social (destacaram bastante isso) , cultural e entre outras coisas..
Pena não ter visto esse reconhecimento na mídia brasileira.
Segue o Link da entrevista:
Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=NVpEn-lOwdo
Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=O2zstVzStQw

Por Ney henrique

Eu moro na Alemanha a dois anos e queria relatar o que eu vivenciei ontem.
Estava indo ao meu clube favorito e como estava um frio lascado resolvi pegar um taxi. O motorista … um senhor simpático … puxou assunto comigo perguntando como eu estava, e eu respondi que muito bem, afinal meu país tinha sido escolhido como sede olimpica … o cara arregalou os olhos e de pronto me perguntou se eu era brasileiro. O cara transbordava elogios ao Brasil…. falando que a America do Sul merecia a olimpíada e que o Brasil tem mostrado um caminho de esperança com o “da Silva” … falou sobre o pré-sal, sobre o Bolsa família … sobre Honduras … sempre elogiando a postura brasileira em uma genuína demonstração de carinho. Ele era só um motorista de taxi … Sim eu moro em uma cidade que tem tradição de ser esquerdista … mas nunca pensei que iria experimentar tal situação!
A vez do Brasil chegou!

Por Cláudia

O discurso de Lula.
http://www.youtube.com/watch?v=A5zrPRusLcY

Os 60 anos da revolução chinesa - Blog do Nassif

Por Ubaldo, o paranóico

Salve, Nassif!

No dia 1º de outubro de 1949 (há 60 anos, portanto), o velho timoneiro pronunciou as famosas palavras: “O povo chinês se levantou. Ninguém nos insultará novamente”. Estava nascendo a República Popular da China.
E aí, o que é a China hoje? Uma “República” (res pública, coisa pública)? Sim – e como poucas. “Popular”? Sim (aliás, isso está implícito no conceito de res pública). Agora, um regime comunista pura e simplesmente não é mais. Capitalismo de Estado também não; pois há uma (forte) iniciativa privada.
Ou, por ironia do destino, é o capitalismo que deu certo? Estado forte, mercado forte, mas o segundo [fortemente] regulado pelo primeiro? Acho que até as igrejas deveriam repensar seus conceitos, pois sem padres nem pastores (nem Dalai Lama) por lá a coisa está dando certo que é uma beleza.
Por felipe
Olhem que lindas sao as imagens:
http://www.boston.com/bigpicture/2009/10/china_celebrates_60_years.html

Por Ruy Acquaviva

É impossível entender a china por um ponto de vista puramente ocidental. Por isso tanta gente erra tão feio.
A China é a mais antiga civilização do mundo, teve períodos de grande esplendor e de grande decadência. Até o século XVII era a maior economia do mundo e a civilização mais adiantada científica e tecnologicamente. A revolução industrial e o espansionismo europeu coincidiram com um período de decadência da China, permitindo a dominação estrangeira e dando uma impressão de fragilidade e atraso da civilização chinesa.
Para nossos padrões esses 300 anos de decadência chinesa são uma eternidade, mas para a China com seus 5 mil anos de civilização, foram uma breve “escorregada”…
Não existe propriamente um “milagre chinês”, a China está apenas voltando a ocupar o seu tradicional lugar de maior economia e vanguarda da civilização humana.
Precisamos entender os fundamentos da filosofia chinesa para entender a China. Em 5 mil anos a China NUNCA foi uma democracia. Porém essa é uma mudança que vale a pena pois os valres humanistas e democráticos vão ao encontro da filosofia chinesa, estabelecida ne busca do equilíbrio.
Mas não será nenhum ocidental que irá ensinar isso aos chineses e muito menos impor a eles. Acho que é algo que eles podem descobrir sozinhos porém, como tudo na China, não será um processo simples nem fácil.

Por Adriana

“Dando certo que é uma beleza” depende para quem, pois:
1. A desigualdade social entre população urbana e rural é gritante e crescente:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/12/051216_chinaonums.shtml
2. Do ponto de vista ambiental é um desastre:
http://www.guardian.co.uk/environment/2009/jul/31/china-residents-prosecute-government-environment
70% de sua energia é gerada por carvão!!!
http://www.eia.doe.gov/cabs/China/Background.html
3. Dos Direitos Humanos, então, nem se fale:
http://www.voanews.com/english/2009-10-01-voa48.cfm
Existem cerca de 500.000 pessoas detidas sem julgamento, de acordo com a Anistia Internacional:
http://www.amnestyusa.org/china/page.do?id=1011134
A informação é restrita, a Internet é censurada:
http://www.businessweek.com/bwdaily/dnflash/jan2006/nf20060113_6735_db053.htm

Resumindo, não se pode negar o avanço econômico e a emergência da China como potência econômica, mas que isso tem um preço, isso tem. Não se pode fechar os olhos das barbaridades que a China comete contra a humanidade só porque ela “cresce muito”. A comunidade internacional se maravilha com o mercado que a China oferece e esquece do resto.

Comentário meu

A China de hoje encontra-se numa situação deveras peculiar: não é comunista, tampouco capitalista. Quando os EUA bloqueiam economicamente Cuba, o fazem por supostos motivos democráticos. Quanto à China, nem uma palavra. Quando a China bomba no crescimento econômico, todos alardeiam suas conquistas e omitem sua classe política. Quando algum desastre ambiental ou supressão de liberdades ocorre, a “ditadura comunista” surge (parece que se fala de outro país).
Já refleti um tanto sobre a China, e, apesar de não nutrir forte apreço pelo país, não dá pra negar que, para onde ela se direciona, sai de baixo: a locomotiva vem com tudo. No entanto, o desprezo pelas liberdades individuais e pela natureza são imperdoáveis, afora a competição desumana que submete a outros países – a china nivela o mundo do trabalho por baixo.
Um trabalhador chinês ganha centavos de dólar por hora. Não há planeta que resista a tanto. E nem há nada de comunista em tal realidade.

O vazamento das provas do Enem - (blog do Nassif)

Por wilson yoshio
Nassif, é sabotagem imensurável no Enem que equivaleria como primeira fase, praticamente, na UFSCar e parte da pontuação nas demais federais.
O transtorno para quem vai fazer vestibular e balizaria seu desempenho pelo Enem, e às instituições que correm o risco de atropelo de datas eliminando mais opções de cursos por coincidencia de datas aos candidatos, toda logística dos pais nas reservas de hospedagem, marcação de férias para acompanhar seus rebentos foi pro limbo.
O prejuízo financeiro e emocional de quem vai encarar seu primeiro Enem e vestibular de vera, a sério, que periga cursar uma carreira a contra gosto agarrando uma bóia salva vidas prá não ficar ao léu é grande, só medido pela família.
o link: clique aqui.

Por Guilherme Hanesh

Estadão nota 10

É um exemplo de responsabilidade jornalística o que fizeram os repórteres do Estadão ao levarem a denúncia de fraude na prova do Enem ao Ministério da Educação para providências. Agiram com cuidado, pensando nas consequências e sem perder o gosto do furo de reportagem.
Os caminhos da lambança nesse caso eram muitos: poderiam ter feito a denúncia depois da prova aplicada, o que traria um prejuízo muito maior aos estudantes e ao MEC. Poderiam ter negado a chance ao MEC de adotar as medidas preventivas (no caso, cancelar a prova). Felizmente, nada disso aconteceu. Foram corretos, cuidadosos ao apurar a informação, e mesmo sem pagar os R$ 500 mil pedidos pela prova (outro exemplo, porque jornalista não deve comprar informação), foram atentos em registrar detalhes do material mostrado a eles, levaram isso ao MEC em sigilo e ajudaram a evitar um desastre.
Não posso deixar de comparar esse feliz episódio com casos recentes em que a Folha de S. Paulo, sabendo que operações da PF haviam vazado (se é que é verdade isso) preferiu publicar quem eram os investigados em vez de ir atrás do vazador. Isso para não citar o exemplo de uma outra e famigerada reportagem em que a operação foi vazada pelo próprio jornal (Satiagraha).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Noam Chomsky critica os EUA e elogia o papel do Brasil na crise de Honduras - por Giovana sanchez (G1)

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1322738-5602,00-NOAM+CHOMSKY+CRITICA+OS+EUA+E+ELOGIA+O+PAPEL+DO+BRASIL+NA+CRISE+DE+HONDURAS.html

Ainda Honduras - Blog do Nassif

Honduras: mídia é surrada pela notícia
Esse jornalismo de hipóteses que caracteriza o neojornalismo tupininquim não tem receio da desmoralização, do fato de diariamente tentar passar a perna nos seus leitores – tendo como testemunhas toda a Internet.
Tome-se um caso. A diplomacia norte-americana se enrolou com o caso. A Secretaria de Estado Hillary Clinton adotou uma posição legalista no caso Honduras. Otto Reich, especialista americano da era Bush – influente, com participação na tentativa midiático-empresarial de tentar depor Hugo Chávez – conseguiu convencer parte do parlamento sobre o risco Zelaya. Houve um descompasso que levou o embaixador norte-americano na OEA a criticar Zelaya.
O que era um problema da diplomacia norte-americana – o de não ter uniformizado o discurso sobre o tema – foi colocado como uma crítica ao Brasil. Nem se cuidou de informar que a posição da Secretária de Estado era outra.
Agora, dia após dia vão surgindo sinais de que a posição diplomática brasileira – de firme condenação do golpe de Estado – era correta. Que a convocação do plebiscito serviu de álibi para um golpe de Estado, em que se tirou o presidente eleito sem sequer permitir o direito de defesa.
Desde o início o Itamarati alertava que Micheletti não era confiável, que não se podia fiar na sua palavra. Por efeito pavloviano, toda essa brilhante mídia preferia ficar com Micheletti a dar crédito ao Itamarati.
Agora, toda essa armação, toda esse inacreditável jornalismo de hipóteses – endossado por dez entre dez comentaristas da mídia, em uma homogeneidade admirável – vai ruindo.
Na Folha Online (clique aqui) a afirmação de Micheletti de que Zelaya foi deposto por suas novas inclinações esquerdistas.
Na Folha impressa, entrevista do Sérgio D’Avila com o Secretário-Geral da OEA, endossando plenamente a posição brasileira:
A OEA (Organização dos Estados Americanos) está disposta a aceitar uma nova proposta de conciliação vinda de Honduras, desde que ela use como base o Acordo de San José, elaborado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que prevê a volta de Zelaya, a manutenção das eleições para eleger seu sucessor e o abandono pelo presidente deposto da tentativa de promover uma Assembleia Constituinte considerada ilegal por Congresso e Justiça hondurenhos. A revelação foi feita pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em entrevista na manhã de ontem por telefone à Folha. (clique aqui).
Ou seja, um marciano que chegasse à terra e lesse esses dias todos de jornalismo de hipóteses, concluiria que o Itamarati levou dez gols, não marcou nenhum e terminou vitorioso.

Notícias que saem por descuido
Por André Borges Lopes
A CRISE EM HONDURAS E A SURRA DOS FATOS

Roseann Kennedy é uma comentarista da rádio CBN que – como sabem todos os que ouvem diariamente sua “Crônica do Planalto” – pode ser acusada de qualquer coisa menos de “lulismo”. Ontem, 30/09 Roseann estava na Bélgica, cobrindo como convidada uma reunião do Parlamento Europeu. Entrou ao vivo com o Sardenberg no Jornal do Meio-Dia contando que na reunião só se falava de Honduras. E, vejam só que ironia, Roseann só ouviu elogios à posição brasileira e ao papel que o presidente Lula está assumindo na crise.
A moça foi tão enfática, que o Sardenberg encerrou logo a conversa, sem o ping-pong e a troca de ironias – que são usuais quando o comentário é negativo em relação ao governo. Deve ser porque ligação internacional custa muito caro…
Quem quiser escutar o áudio, basta acessar o link abaixo no site da CBN
Brasil precisa impulsionar diálogo para tentar resolver crise em Honduras: clique aqui.
Pelo visto, as críticas ácidas ao “grave erro da diplomacia brasileira” e à “nova gafe internacional” do presidente Lula estão restritas ao PIG tupiniquim e à direita hidrófoba da Fox News. E depois essa gente ainda fala que é o Lula quem nos envergonha no exterior…

Taxa de câmbio e projeto de desenvolvimento - por João Sicsú (Valor econômico)

A taxa de câmbio é um elemento-chave de um projeto de desenvolvimento. Essa constatação é fundamental: além de ser essencial para auxiliar o esforço de crescimento econômico, a administração cambial deve ser compreendida como um instrumento nevrálgico que deve fazer parte de um projeto de desenvolvimento. A macroeconomia e seus preços básicos, isto é, juros e câmbio, podem definir os rumos de uma sociedade, se esta está caminhando em direção ao progresso ou ao atraso.
Em relação à taxa de câmbio, já foi percebido que existe uma tendência forte à sua valorização nos países em desenvolvimento, devido às possibilidades econômicas que caracterizam esses países. Tais economias podem ser exportadoras de itens básicos, podem ser atrativas para o investimento direto estrangeiro ou podem ainda ter ativos financeiros atraentes. Portanto, essas economias podem sofrer de doença holandesa ou de outras enfermidades cambiais valorizativas.
Embora uma taxa de câmbio competitiva seja um elemento muito importante de um projeto de desenvolvimento, porque pode abrir mais um mercado demandante de produtos domésticos, cabe ser mencionado que o mercado interno se diferencia do externo porque o primeiro pode ser estimulado por meio de políticas fiscais, monetárias, de socialização da riqueza e de elevação da renda; enquanto o segundo depende, quase que exclusivamente, de variáveis que não estão sob o controle doméstico, como o crescimento da economia mundial. Embora o canal de demanda externa deva ser fortemente utilizado em um projeto de crescimento, dentro de uma visão keynesiana-desenvolvimentista de redução de incertezas, o mercado interno, que pode ser estimulado por políticas governamentais, deve ter um papel de grande destaque dentro de um projeto de crescimento com desenvolvimento.
Uma taxa de câmbio competitiva é resultado de vontade política que deve ser expressa em decisões e ações governamentais. Uma taxa de câmbio de equilíbrio de mercado é uma taxa não competitiva, embora represente as forças conjunturais e estruturais presentes em economias que buscam o desenvolvimento. Uma política cambial adequada ao desenvolvimento é exatamente aquela que se confronta com as forças conjunturais que contribuem para o baixo crescimento e, simultaneamente, se opõe às forças estruturais que promovem o atraso.
Uma taxa de câmbio competitiva é aquela que estimula a industrialização mais sofisticada, que possui densidade tecnológica. Sendo assim, uma política industrial de desenvolvimento e absorção de tecnologia deve complementar uma política de administração de uma taxa de câmbio competitiva. Isto se faz necessário porque o preço cambial é apenas uma das variáveis que pode estimular a industrialização sofisticada; outras variáveis como, por exemplo, custos locacionais devem ser também observadas e, então, necessitam de políticas correspondentes para enfrentá-las.
A estratégia de sofisticação da indústria que seja capaz de tornar empresas competitivas no mercado internacional é necessária porque torna a sociedade proprietária de vasto conhecimento, o que lhe oferece flexibilidade para refazer planos de desenvolvimento. Países que produzem apenas itens básicos ou semibásicos (que não possuem tecnologia) estão fadados a participar de uma única via de inserção internacional que os condena ao atraso. Tal inserção é aquela em que, por exemplo, exportam grãos verdes de café para países que não plantam sequer um pé de café, mas se tornaram os maiores exportadores de valores do produto após selecioná-lo, processá-lo, embalá-lo… enfim, agregam valor com uso de tecnologia. Países detentores de conhecimento possuem estratégias flexíveis de desenvolvimento. Em outras palavras, países desenvolvidos estão sempre se desenvolvendo porque descobrem novas oportunidades e têm conhecimento para aproveitá-las. Países atrasados, quando descobrem novas oportunidades, são obrigados a “arrendá-las” aos desenvolvidos, aumentando ainda mais a distância que os separa em termos de desenvolvimento e qualidade de vida.
A industrialização sofisticada competitiva no mercado internacional e abastecedora do mercado interno cria um ambiente para uma oferta mais igualitária de oportunidades e para uma distribuição menos injusta da renda e da riqueza. A industrialização deve ser formalizada, isto é, deve ser contabilizada do ponto de vista ambiental, social e econômico pelo Estado, gerando mais arrecadação de impostos visando à universalização de oportunidades, mais garantias e direitos trabalhistas, salários maiores compatíveis com a produtividade mais elevada e relações sócio-ambientais sustentáveis.
Mas como deve ser feita a administração de uma taxa de câmbio competitiva, industrializante? Um regime cambial deve ser estabelecido, isto é, regras, políticas, metas, objetivos e instrumentos devem ser organizados para esse fim. Mas, em primeiro lugar, as taxas que remuneram ativos financeiros domésticos devem ser suficientemente baixas para que a avalanche de recursos financeiros internacionais não invada a economia brasileira, promovendo uma pressão cambial valorizativa.
Além disso, o Banco Central deve formar reservas para enxugar o mercado de divisas e para que tenha moeda estrangeira em volume suficiente, para evitar desvalorizações abruptas em momentos de elevação do risco. Demandas internas por moeda estrangeira devem ser criadas: uma sugestão são estímulos fiscais à compra de máquinas e equipamentos importados. Políticas de regulação do movimento financeiro internacional devem ser estabelecidas para residentes e não-residentes. Assim como devem ser criados impostos sobre a exportação de itens básicos.
Esse é um dos caminhos factíveis rumo à superação de barreiras conjunturais e estruturais que valorizam a taxa de câmbio e condenam a economia ao crescimento moderado e ao atraso. Um regime cambial administrado, estável e competitivo, ao lado de um orçamento equilibrado, com pleno emprego e de juros muito baixos, formam o tripé de um genuíno modelo keynesiano-desenvolvimentista.

João Sicsú é diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do IPEA e professor do Instituto de Economia da UFRJ. Autor do livro Emprego, Juros e Câmbio (Campus-Elsevier).

O campeão da mídia brasileira - por Luis Nassif

Do El Universal
Micheletti lanza ultimátum a México
Informa el gobierno de facto de Honduras que no recibirá a agentes diplomáticos de nuestro país, lo mismo que de Argentina, España y Venezuela
Micheletti lanza ultimátum a México
El gobierno en Honduras de Roberto Micheletti dio un plazo de 10 días a México para que reconozca a las autoridades de facto y solicita que le devuelvan sus privilegios diplomáticos.
El mismo ultimátum fue lanzado para Venezuela, Argentina y España, a quienes se amaga con retirar de sus embajadas en suelo hondureño toda bandera o distintivos nacionales.
La víspera las autoridades en Honduras anunciaron que no recibirán a los embajadores de estos países, incluido México, que tenían previsto volver al país en los próximos días, después de que la OEA y la Unión Europea tomaran la decisión de hacer regresar a los jefes de la misión que abandonaron Honduras tras el golpe de Estado.
“En el caso de aquellos países que unilateralmente decidieron romper sus relaciones diplomáticas con Honduras o mantener las mismas a nivel de Embajadas concurrentes, situación de Argentina, España, México y Venezuela, se hace saber que el Gobierno no recibirá a los agentes diplomáticos de tales naciones”, informó una fuente diplomática española al diario en línea 20minutos.
Por su parte, Roberto Micheletti, quien asumió la presidencia de facto tras el derrocamiento de Manuel Zelaya, señala que no entrarán en conflictos posteriores. “Nosotros no queremos pleito con nadie”, agregó.
Con información de EFE
Comentário
É inacreditável meia dúzia de fundamentalistas pirados servirem de parâmetro para a cobertura maciça da mídia. Perdeu-se totalmente o rumo, o radar sobre o que o mundo pensava da crise de Honduras.
A pretexto de combater Chávez, a mídia comportou-se como panfleto de paiseco latino-americano, atropelando princípios democráticos, tentando legitimar o golpe, sem parar um minuto para pensar no ridículo de se colocar contra a opinião pública especializada e contra todos os defensores do estado de direito.
Um capítulo desmoralizante da mídia brasileira versus o mundo civilizado. E a propósito de quê? De um antichavismo que consegue ser mais tosco que o próprio chavismo.,

Comentário: Chávez nasce justamente do combate ao “tosco”.